A ameaça da crise do fósforo: o que fará o Brasil?
O fósforo é um elemento fundamental para a agricultura moderna, pois é matéria-prima para a produção de fertilizantes. Entretanto, os especialistas do setor alertam que o mundo pode estar atingindo um “pico do fósforo” – ou seja, uma transição para o declínio na produção mundial devido ao esgotamento das reservas. O que pode o Brasil, enquanto um dos maiores produtores agrícolas do mundo, fazer para contornar tal preocupante cenário?
O fósforo está acabando?
De acordo com um artigo publicado em 21 de abril no sítio alemão Spiegel Online (Hilmar Schmundt, «Experts Warn of Impending Phosporus Crisis»), são quatro os grandes produtores mundiais: Marrocos, China, Jordânia e África do Sul. Entretanto, as reservas internacionais estão entrando em fase de declínio de produtividade. Segundo Dana Cordell, do Institute for Sustainable Futures, de Sydney, Austrália, «é evidente que a qualidade das rochas fosfáticas remanescentes já está decrescendo, e fertilizantes baratos serão uma coisa do passado». O artigo também ressalta que uma crise do fósforo é algo mais grave que a crise do petróleo, pois não há substituto para as suas funções no sentido de viabilizar a agricultura mundial na escala de produtividade atual.
Outro artigo, publicado pela revista Foreign Policy em 20 de abril (James Elser e Stuart White, «Peak Phosporus»), informa que, em 2008, cerca de 17 milhões de toneladas de fósforo foram consumidas no mundo em forma de fertilizantes. O texto lembra ainda que a demanda internacional pelo produto tem se ampliado a uma taxa de 3% ao ano – acompanhando o ascendente poder de compra dos países em desenvolvimento, que têm consumido mais carne, além do crescente setor de biocombustíveis, baseados em grandes centros agrícolas consumidores de fósforo.
Um dos dados mais preocupantes é o divulgado pelo Global Research Initiative, cujas pesquisas preliminares apontam que as reservas de fósforo no mundo se esgotarão nos próximos 30 a 40 anos. Ainda que se reconheça que novas pesquisas sejam necessárias, não é uma perspectiva confortável.
Até quando?
A expectativa é de que os reflexos da crise do fósforo se farão sentir muito antes daquelas datas, pois o aumento da demanda por fertilizantes e o decréscimo da produção acarretarão num aumento exponencial dos preços no mercado internacional. Segundo Elser e White, de 2003 a 2008 o preço do fósforo aumentou cerca de 350%, sendo uma das causas dos aumentos de preços dos alimentos que provocaram os distúrbios populares em vários países, em 2008. Tais distúrbios foram o primeiro sinal das negativas consequências de uma má gestão da questão dos fertilizantes.
Preocupação real ou golpe dos cartéis do fósforo?
Em meio a tal cenário sombrio, o governo brasileiro tem debatido a definição de uma nova política nacional para o setor brasileiro de fertilizantes, que tem sido apontado pelos especialistas brasileiros como extremamente volátil e vulnerável ao mau-humor dos mercados externos, e às manipulações do cartel instalado sob a liderança da multinacional Bunge. Segundo dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgados em 2008, somente no ano de 2007 houve uma inflação de 71% nos preços dos fertilizantes comercializados no país.
De fato, desde a privatização do setor de fertilizantes, o produtor brasileiro têm convivido com constantes altas no insumo agrícola, acarretando enormes custos adicionais para a atividade. Esta situação teve inicio durante o governo Collor, em 1992, com a privatização da Fosfértil e da Ultrafértil, subsidiárias da Petrobrás. Posteriormente, o setor passou a ser controlado pelas gigantes graneleiras Bunge e Cargill, por intermédio de suas subsidiárias Yara e Mosaic.
A saída para o Brasil
Outro aspecto importante é que, segundo artigo publicado n’O Estado de S. Paulo de 17 de março de 2010, cerca de 74% do nitrogênio, 49% do fósforo e 92% do potássio consumidos na produção de fertilizantes no País são importados, o que torna o setor agrícola brasileiro bastante vulnerável às intempéries do mercado externo. Entretanto, o país possui grandes reservas de fosfato, potássio, uréia e amônia, componentes básicos dos fertilizantes nitrogenados. Em entrevista à Agência Brasil, a 18 de abril do ano passado, o então ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, afirmou:
«Está comprovado que o Brasil tem jazidas, tem depósitos suficientes para se tornar auto-suficiente. O que precisamos é, em alguns casos, dimensionar melhor isso e, em outros casos, pesquisar um pouco mais, e em outras jazidas, inclusive, retomar de quem está com direito de licença tanto para pesquisa quanto de lavra e não as realizou.»
Razão de Estado
Os ministérios da Agricultura e de Minas e Energia têm defendido a criação de uma estatal dos fertilizantes como uma medida para auxiliar a iniciativa privada e os consumidores, ao combater o cartel instalado no setor. A solução defendida pelo governo federal não é estatizar a produção de fertilizantes, mas sim criar um órgão, agência ou similar que tenha plenos poderes para intervir no setor, evitando-se assim as manipulações da “mão invisível” do cartel da Bunge & cia.
Os representantes dos produtores rurais no Congresso Nacional também tem expressado grande preocupação em relação ao tema. Conforme documento elaborado pelos deputados Abelardo Lupion (DEM-PR) e Luis Carlos Heinze (PP-RS), a Proposta de Fiscalização e Controle No.15, de 2007, é extremamente importante que o Estado brasileiro adote importantes medidas de curto e médio prazos para o setor de fertilizantes. Dentre as medidas propostas, destacam-se a promoção de isenções fiscais para a importação de componentes importantes, como o fósforo; a promoção de acordos econômicos com os países produtores, de modo a permitir a importação direta; investimentos e incentivos à produção interna de fertilizantes; e investimentos em infra-estrutura, de modo a se promover a redução dos custos finais.![]()
MSIa – Movimento Solidariedade Íbero-americana
Créditos:Este post é matéria apresentada no Boletim Eletrônico, Vol II, n° 3, de 06/05/2010, do MSIa – Movimento Solidariedade Íbero-americana. Introduzi subtítulos no texto para facilitar a leitura.
Para outras informações sobre o mesmo tema, visitar o site do MSIa no seguinte endereço: http://www.msia.org.br

Ja que o fosforo é tão importante e o Brasil pode torna-se autosuficiente, por que não o fazem?
e se fizerem vamos ter um pouco mais de respeito com agente, o povo não deixando a corrupção tomar de conta.
PELO AMOR DE DEUS AJUDEM O BRASIL E A NÓS BRASILEIROS.
Materia de real importancia que merece destaque junto ao congresso nacional,principalmente na premente necessidade da criação de uma agencia reguladora para as açõs de produção e comercialização de fertilizantes quimicos no Brasil.
Um outro caminho a seguir em paralelo é a pesquisa visando a racionalidade do uso de fertilizantes fosfatados sob outras formas que eliminem as atuais perdas em campo. Modelos de plantas desenvolvidas para compartilharem com essa ideia serão interessantes e possiveis genaticamente. A embrapa deverá ser convocada com urgencia.
Para efeito de subsidiar uma palestra para estudantes de agreonomia estou precisando de informaçãoes sobre a produção mundial de fosfatados para uso na agricultura bem o consumo atual e as reservas do planeta.
Grato ficarei pelas informações.
Sr. Newton:
Infelizmente, não sou especialista na área para poder lhe fornecer as informações das quais necessita. Sugiro uma pesquisa, diretamente, à EMBRAPA. pessoalmente, isto é, ir lá e conversar com algum técnico. Outra forma de obter informações é, obviamente, a INTERNET, através do Google. “Se existir, está no Google” – como diz o ditado…
Outra forma é se dirigir ao CREA. Eles têm um plantel de engenheiros especializados justamente para essas consultas.
Tenho seus endereços, mas do Rio de Janeiro. O do site é http://www.crea-rj.org.br/fale-conosco/ ou pelo e-mail: atendimento@crea-rj.org.br
Boa sorte.
Husc