A farsa do desenvolvimento sustentável – o mundo hoje

O desenvolvimento sustentável é uma falácia, mais do que uma utopia. Ninguém sabe dizer o que, de fato, significa, na prática, “desenvolvimento sustentável”, ou “crescimento sustentado”. Sim, porque, na realidade, o que todo mundo sabe, mas não sabe como traduzir isso em termos viáveis, é que, no fundo, no fundo, “crescimento sustentável” quer dizer “crescimento zero” e eliminação dos “excessos” populacionais – o que, comumente costuma ser chamado de “controle populacional”.
Como justificar isso perante o mundo? Como justificar que o mundo tem que parar de crescer social e economicamente, isso significando, inclusive, cortes populacionais? Todo mundo fala em “desenvolvimento sustentável”, porque é politicamente correto falar disso hoje em dia, mas pouca gente sabe o que é. E quem sabe, só sabe na teoria. Neste post apresentaremos considerações modernas preliminares sobre o desenvolvimento sustentável indicadas por Bjørn Lomborg em seu livro «O Ambientalista Cético». Como se verá, as idéias do malthusianismo continuam presentes – mas são falsas – pois o desenvolvimento humano continua fazendo com que mais e mais recursos estejam à disposição da Humanidade por muitos séculos à frente. Eis os textos de Lomborg.
Os subtítulos foram acrescentados por mim para facilitar a leitura.
O desenvolvimento sustentável, segundo Lomborg
Será possível que poluímos tanto que estejamos, na verdade, solapando a nossa vida, a nossa riqueza a longo prazo e as oportunidades para as gerações futuras?
Objeção típica ao fato de que, em grande parte, todos os indicadores mensuráveis do bem-estar humano mostram melhoria, é a que ouvimos do Worldwatch Institute:
«O século 20 tem sido extraordinariamente bem-sucedido para a espécie humana – talvez bem-sucedido demais. Com o crescimento de nossa população de um bilhão para seis bilhões e a explosão da economia para mais de 20 vezes seu tamanho em 1990, sobrecarregamos os sistemas naturais dos quais emergimos, e criamos a perigosa ilusão de que não dependemos mais de um ambiente saudável.»
Paul Ehrlich [da Universidade de Stanford e autor do livro «A Bomba Populacional», de 1968, que defendia uma imediata ação para limitar o crescimento populacional] reitera a mesma idéia básica contra os economistas que gostam de observar que o PIB e a disponibilidade de alimentos per capita não param de crescer:
«Mas há uma falha fatal nesse argumento: ele equivale mais ou menos a se vangloriar de poder emitir cheques cada vez maiores a cada mês, sem prestar atenção no saldo da conta.»
O surgimento do conceito de desenvolvimento sustentável
O conceito-chave no núcleo de grande parte dessas críticas é a questão de ser ou não o nosso desenvolvimento sustentável. Este conceito foi, originalmente, apresentado pelo Relatório Brundtland, da ONU [mesmo organismo que deu origem ao IPCC], em 1987, e desenvolvimento sustentável significa apenas que a Humanidade assegure «a satisfação das necessidades atuais sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazer suas próprias necessidades». Na verdade, esta é uma necessidade óbvia. Este é um julgamento moral, que a grande maioria considera, obviamente, verdadeiro. Temos de agir de modo que nossos descendentes vivam pelo menos tão bem quanto nós agora.
A questão, sem dúvida, é se a nossa atual sociedade já é sustentável. A maioria dos ambientalistas está convencida de que a nossa atual sociedade é insustentável. «Na verdade, estamos nos comportando como se não tivéssemos filhos, como se não fosse existir uma próxima geração», afirma o Worldwatch Institute.
O biólogo David Ehrenfeld [professor de biologia da Rutgers University, New Jersey, EUA (Husc)] argumenta que, se nossos ancestrais tivessem legado a devastação ecológica que estamos deixando para os nossos descendentes, as nossas opções de divertimento – talvez até de sobrevivência – atuais seriam bem limitadas. O biólogo Daniel Chrias [autor do livro «Lessons From Nature» (Husc)] é mais específico: nossa sociedade não é sustentável porque poluímos demais e porque consumimos os nossos recursos depressa demais.
Temos que ter acesso aos recursos da Terra
[Sobre recursos, Lomborg comenta que] …é fundamental para nossa existência ininterrupta que tenhamos acesso a uma grande quantidade de recursos da Terra. Alguns desses recursos são, natural e continuamente, recriados, como a energia solar, a água, o ar, as plantas e os animais. Estes recursos são renováveis.
Outros recursos, como as matérias-primas e minerais da Terra, não são renovados (pelo menos não na escala de tempo humana) – e existem em uma quantidade fixa.
Estes dois tipos de recursos diferem em seus problemas associados, e para avaliar a sustentabilidade de nosso atual desenvolvimento, precisamos examinar o nosso consumo de todos os recursos, renováveis e não-renováveis.
Quanto aos recursos renováveis
[resumo constante do capítulo sobre a Prosperidade Humana, no livro «O Ambientalista Cético» (Husc)]
Não estamos super-explorando os nossos recursos renováveis. O Worldwatch Institute, no entanto, informa que a escassez de alimentos, provavelmente, será a primeira indicação do colapso ambiental. Porém, os alimentos devem continuar se tornando mais baratos e disponíveis, enquanto seremos capazes de alimentar ainda mais e mais pessoas.
As florestas não foram erradicadas, e desde a Segunda Guerra Mundial (IIGM), a cobertuda florestal permanece quase constante. Conquanto florestas úmidas venham sendo derrubadas a um percentual de 0,5% ao ano, e alguns países tenham optado por explorar seus recursos florestais de forma insensata e míope, cerca de 80% da floresta úmida original continua intacta.
A água é um recurso abundante e renovável, embora possa ser escassa, em parte por não ter sido antes tratada como recurso limitado e valioso. Basicamente trata-se de uma questão de melhor gestão dos recursos hídricos, em que o preço da água consiga assegurar uma quantidade razoável e suficiente de água para todos os propósitos.
Quanto aos recursos não-renováveis
Não há problemas sérios com os recursos não-renováveis, como a energia e as matérias-primas. As descobertas (novas) desses recursos aumentaram tanto que, apesar do grande aumento do consumo, os anos de suprimento ainda restantes vêm aumentando, em vez de diminuir – tanto para a energia quanto para as matérias-primas.
Este também foi o tema dos comentários do secretário-geral da ONU, Coffi Annan (1997) à Commission on Sustainable Development:
«Na década de 1970, não faltaram as previsões de que o mundo em pouco tempo ficaria sem combustíveis fósseis e outras matérias-primas essenciais. Desde então, porém, a demanda crescente tem sido geralmente acompanhada por descobertas de novas reservas [vide a descoberta brasileira de petróleo na camada do chamado pré-sal (Husc)] e pela substituição de recursos, em resposta à operação das forças de mercado e do avanço tecnológico. As preocupações se desviaram do esgotamento dos recursos para um pacote maior e mais complexo de questões relacionadas ao suprimento adequado de energia nos países em desenvolvimento, e aos impactos ambientais, e sobre a saúde dos padrões convencionais de uso de energia e materiais».
Embora os recursos não-renováveis sejam, em princípio, extingüíveis, mais de 60% de nosso consumo consiste em recursos com reservas [já conhecidas (Husc)] para 200 ou mais anos. Com energia suficiente, teremos a oportunidade de explorar depósitos bem mais profundos do que os atuais, de novo aumentando, substancialmente, os tempos de exaustão em, talvez, milhões de anos.
Conclusão
Temos muitas reservas de energia que podem durar futuro adentro. Temos acesso a fontes de energia renovável cada vez mais baratas e com o potencial de fornecer quantidades de energia bem maiores do que as usadas atualmente. Poderíamos produzir todo o consumo de energia do mundo com a atual tecnologia das baterias solares, cobrindo apenas 2,6% do deserto do Saara – e temos bons motivos para esperar que essas fontes de energia serão lucrativas e até mais baratas do que as atuais dentro dos próximos 50 anos.
O nosso consumo de recursos essenciais, como alimentos, florestas, água, matérias-primas e energia, parece ter características tais que não deixarão as próximas gerações com menos opções, e sim com cada vez mais opções.
Portanto, parece não haver qualquer fundamento para a visão pessimista de que a nossa sociedade só sobrevive emitindo cada vez mais cheques sem fundos.
O BIRD (Banco Mundial) define desenvolvimento sustentável como o «desenvolvimento que dura». Nesse aspecto, a nossa sociedade parece, sem dúvida, sustentável.![]()
Bjørn Lomborg
O livro a ler é: «O Ambientalista Cético», de Bjørn Lomborg (Editora Campus/Elsevier, RJ).
Imagem: porcastroautarquicas09.files.wordpress.com; e colunas.epoca.globo.com
Husc, parabéns pelo trabalho insistente e produtivo de tentar tirar o povo da influência do mito da caverna. Sim, se faz importante prosseguir no caminho da luz libertária.
Pelo jeito você entende mesmo é de português. Obrigado por me corrigir.
Saúde, vida longa e prosperidade
Filipe:
Obrigado.
Husc
Olá Husc, sugiro que estude um pouco mais sobre desenvolvimento sustentável antes de publicar artigos sobre o assunto, verá que este termo não se refere somente ao meio natural, pelo jeito em sua minibiblioteca não possui nenhum livro sobre o assunto. E a propósito me mande seu endereço para mim encaminhar o lixo produzido pelo consumismo da minha cidade. Parabens pelos assuntos abordados.
Filipe:
Obrigado pelo contato.
Realmente, a sustentabilidade não se refere apenas à preservação da Natureza, mas esse é seu sentido principal. Nela podem ser incluídos, por exemplo, os conceitos de “responsabilidade social” e o de “externalidades”, que o Sr. deve saber o que significa. A opinião contida neste post é de Bjorn Lomborg, mas estou de acordo com ele.
Há livros sobre sustentabilidade na minha biblioteca, assim como na listagem de livros indicados (dê uma olhada), mas são poucos, justamente porque a galera não sabe, realmente, o que é sustentabilidade. É mais um modismo do “politicamente correto” do que outra coisa. Há outros livros, mas a maioria deles é “engajada”, o que invalida sua importância.
Sugiro que estude mais o português. “Mim” não conjuga verbo.
Adoro fazer umas comprinhas… Quem não gosta? Principalmente em Nova York.
Obrigado pelo elogio. Os assuntos, realmente, são importantes.
Saúde, prosperidade e sabedoria.
Husc
husc
Estou de acordo com suas ideias e as dos autores e concordo quando você diz:
-são poucos os que sabem sobre sustentabilidade, e quando sabem não conseguem definir seu real sentindo.
o que muitos pensam que sabem é o que os paises “desenvolvidos” colocam na cabeça deles.
Raylon:
Verdade. O pior é que, nem os “desenvolvidos” sabem o que é sustentabilidade.
Estou preparando um artigo que mostra, inclusive, muito claramente, a origem da noção de “sustentabilidade”, a qual se pauta na eugenia e no controle populacional, que, em suas formas mais radicais, transformam-se em genocídios. É o que se chama de “limpeza étnica”, por exemplo (e que está sendo colocada em prática no Oriente Médio, por Israel, e o que foi feito pela Sérvia em Kosovo).
Quanto aos genocídios típicos, temos as tragédias levadas a cabo pela fome em África, assim como matanças generalizadas, como aconteceu em Ruanda.
Tudo isso é orquestrado e, claro, poderia ser evitado, mas o negócio é diminuir a população do planeta, drasticamente – o que é o mesmo que a sustentabilidade prega: a economia radical dos recursos naturais do planeta – e para isso, só reduzindo a população do mundo… Está aí a raiz da sustentabilidade, que os tolos, desinformados e os inocentes úteis propalam de tudo quanto é jeito, sem saber o que estão falando.
Saudações.
Husc
Amigo Bjorn.
Meu proximo passo é ler o seu livro.
Tendo trabalhado em uma Unidade de Conservação durante 2 anos, pude perceber o que hoje não possuo outra palavra para definir, porém FARSA.
Incrivel como não tem ninguem sério neste meio, ou eu, e a mata atlantica de SP, deram muito azar.
O professor E.F.Schumacher, que alavancou este pensamento, e que eu considero de alta seriedade, sempre atentou para o problema economico que o modelo de desenvolvimento causa , apesar de ele tambem chamar atenção para a questão dos recursos finitos e da crise ambiental, dois aspectos que são AMPLAMENTE QUESTIONÁVEIS.
Agradeço pelo seu insight e prosseguirei na minha incursão de expor e desmoralizar o pensamento “ambiental”
Abraço
Fabiano:
Obrigado pelo contato.
Realmente, este é um bom combate. É uma grande farsa. Em que pese o fato de que a mídia não está do nosso lado, pois trabalha, claramente, para a corporatocracia internacional e para as ONGs (a família Marinho sempre esteve ligada ao WWF-Brasil, inclusive fazendo parte de sua diretoria), iniciativas como esta, deste blog-site, são fundamentais para ir minando as falácias e mentiras que são veiculadas, bem como mostrando os dentes do movimento ambientalista-indigenista mundial. Leia outros artigos deste meu site.
Quem sabe Bjorn Lomborg lê seu comentário?
Boas caçadas.
Saúde, prosperidade e sabedoria.
Husc
Em partes generalista os argumentos.
“…O BIRD (Banco Mundial) define desenvolvimento sustentável como o «desenvolvimento que dura». Nesse aspecto, a nossa sociedade parece, sem dúvida, sustentável”… sim, e até quando? Essa seria a pergunta a ser feita!
Aliás,…
“Embora os recursos não-renováveis sejam, em princípio, extingüíveis, mais de 60% de nosso consumo consiste em recursos com reservas [já conhecidas (Husc)] para 200 ou mais anos. Com energia suficiente, teremos a oportunidade de explorar depósitos bem mais profundos do que os atuais, de novo aumentando, substancialmente, os tempos de exaustão em, talvez, milhões de anos”.
Na verdade as reservas conhecidas de petróleo devem durar apenas mais 75 anos; as de gás natural, um pouco mais de 100 anos; as reservas de carvão, aproximadamente 200 anos.
Em relação à exploração de depósitos bem mais profundos demanda custos e riscos, que quem garante que serão satisfatoriamente equacionados nesse mesmo período.
Além do mais, deixando de lado as polêmicas questões de âmbito climático, existe sim o problema da poluição ambiental. Essa é real e todo mundo concorda.
Ant:
Mais uma vez, obrigado pelo contato.
Sim, nossa sociedade é perfeitamente sustentável.
Viu? Nunguém sabe o que é “desenvolvimento sustentável”. Dizer apenas que é um “desenvolvimento que dura” é muito vago…
O “pré-sal” é prova de que sempre descobriremos mais reservas petrolíferas.
Quanto às reservas “conhecidas”, ninguém sabe, exatamente, quanto vão durar. Quanto tempo vai durar o “pré-sal”? Além disso, há as reservas de xisto betuminoso que, se exploradas (embora de forma mais cara, até agora, pois a tecnologia para isso ainda não foi bem estudada e desenvolvida), deverão contribuir para 5.000 anos de consumo aos níveis de hoje. Atualmente, essas reservas, conhecidas, chegam a mais de 240 vezes o total de petróleo já consumido no mundo até hoje! O carvão tem previsão de se extinguir em anos inimagináveis!
Já há tecnologia suficiente para a exploração de petróleo em regiões profundas com plena segurança. Mas, claro, acidentes ocorrem em todos os lugares. O acidente com a plataforma da BP, porém, serviu de pretexto para o establishment colocar empecilhos em todo o tipo de exploração em águas profundas, que nem o nosso “pré-sal”… Quando o acidente ocorreu, eu avisei logo que eles iriam implicar com nossas novas jazidas. Claro! Elas não são deles…
Vida longa, prosperidade e sabedoria
Hasta siempre.
Husc
Muito Bom!
Vai exatamente de encontro ao segmento demagogo do ambientalismo.
Reforçando falei ao SEGMENTO demagogo.
Muito bom saber que existem pontos de vista diferentes do que se mostra por ai.
Sr. Ricardo:
Não sei se o grupo de ONGs ambientalistas que operam defendendo os interesses dos países centrais é apenas um “segmento”. Não conheço uma sequer que não faça isso, seja ela estrangeira ou brasileira. E nesse roll incluo órgãos do governo brasileiro, como por exemplo a FUNAI, esta, no campo indigenista.
De fato, este site serve para mostrar que não há uma unanimidade no mundo ambientalista.
Já houve um comentário, até, que disse que o nome deste site seria uma ironia de minha parte, com o que não concordei. Este site mostra, realmente, o que é o ambientalismo, e isso é real, não tem nada a ver com ironia.
Obrigado pelo contato.
Saúde, vida longa e sabedoria.
Hasta siempre.
Husc
Extremamente tosco e não fundamentado, tanto os argumentos quanto os dados aqui relatados.
Sou absolutamente contra tais ideais contraditórios!
D. Leticia:
Dizer que as informações de Bjorn Lomborg são toscas e não fundamentadas é desconhecer, totalmente, o assunto. Ele, hoje, é considerado, simplesmente, entre as 100 mais influentes pessoas do mundo.
Por favor, leia o livro dele, pois no blog não pude colocar as referências que ele indicou no livro.
Além disso, simplesmente dizer que os argumentos são “toscos e não fundamentados”, e que os ideais são contraditórias, sem dizer por que, não é uma argumentação digna. Aliás, que ideais?
Argumente, e só assim levarei em consideração as suas observações. Isto é, se a Sra. tiver esses argumentos. Quem só critica e não diz por que, é porque não tem argumentos. É simplesmente porque não gostou do que leu, talvez mais impressionada pela mídia do que por procurar se inteirar dos assuntos de forma séria.
Em todo caso, obrigado pelo contato. É para isso mesmo que meu blog serve… Contradizer, sim, o que a mídia, equivocada e erradamente, apregoa, tentando – e quase sempre conseguindo – fazer a cabeça das pessoas ingênuas e/ou mal informadas. Pois lembre-se, D. Leticia: a mídia não está do nosso lado.
Saúde, vida longa e sabedoria.
Husc