A fraude do aquecimento global – Parte 4

O presente texto faz parte do conteúdo do jornal quinzenal (março/2007) do MSIa – Movimento de Solidariedade Íbero-americana (Capax Dei Editora Ltda.), sob o título: «A Fraude do Aquecimento Global». Como o artigo é grande, dividimo-lo em cinco partes, da qual esta é a quarta. O assunto é o mesmo de sempre: mostrar que o ambientalismo radical e “aquecimentista” deforma as causas do aquecimento global, culpando o homem por isso, o que não tem base científica nenhuma para prová-lo.

Devemos ressaltar que a Capax Dei Editora lançou, recentemente, um livro cujo título é o mesmo – «A Fraude do Aquecimento Global», da autoria de um de seus diretores, o Sr. Geraldo Luís Lino, o qual recomendo a todos. Eis em seguida o texto da quarta parte do artigo. Os subtítulos foram acrescentados por mim para melhor leitura do texto.



A fraude do aquecimento global – Parte 4

O caminho para Kyoto e além

A facilidade com que o Protocolo de Mon­treal foi aprovado emprestou um grande impul­so à campanha “aquecimentista”, que entrou na década de 1990 a pleno vapor, sempre com o nosso velho conhecido Maurice Strong à frente (foto ao lado). Outra vez, a grande oportu­nidade foi proporcionada pelo aparato ambien­talista da ONU, onde, dividindo o tempo com os seus múltiplos afazeres privados, Strong ocupava o posto de subsecretário geral, no qual já havia sido um dos mentores dos tra­balhos da Comissão Brundtland.

O palco foi a Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, mais conhecida como Cúpula da Terra ou, simplesmente, Rio 92, realizada no Rio de Janeiro, em junho de 1992. Além da Convenção sobre Diversidade Biológica e da Agenda 21, um enorme conjunto de diretrizes destinado a in­troduzir o fator ambiental em praticamente todos os ramos de atividades humanas, a conferência resultou na aprovação da Con­venção Quadro de Mudanças Climáticas, que, supervisionada diretamente por Strong, seria o embrião do futuro Protocolo de Kyoto.


Uma vez mais, ouçamos Elaine Dewar

«Propagandeada como A Maior Cúpula do Mundo, a conferência do Rio era publica­mente descrita como uma negociação global para reconciliar a necessidade de proteção ambiental com a necessidade de crescimento econômico. Os bem informados entendiam que havia outros objetivos, bem mais pro­fundos. Estes envolviam a transferência de poderes regulamentadores nacionais para vastas autoridades regionais; a abertura de todas as economias nacionais fechadas a inte­resses multinacionais; o reforço de estruturas de tomada de decisões muito acima e muito abaixo do alcance de democracias nacionais recém~estabelecidas; e, acima de tudo, a inte­gração dos impérios soviético e chinês no sistema de mercado global. Eu não havia ou­vido ninguém usar-qualquer nome para esta agenda bastante grande, de modo que, mais tarde, eu mesmo a batizei – a Agenda de Go­vemança Global.»

Em outra passagem, a jornalista, que de­dicou a Strong dois capítulos inteiros de seu livro, afirma:

«Ao final de 1991, eu havia me tomado altamente cética sobre os motivos dos participantes do circuito (ambientalista). Eu havia chegado à conclusão de que a po­luição transfronteiriça estava sendo usada como instrumento de mercado para ven­der, aos que ainda tinham dúvidas, a necessi­dade de adoção de níveis de governança re­gionais e globais. O “pense globalmente, aja localmente” era apenas outro slogan propa­gandístico. O público estava sendo persua­dido a aceitar a proteção ambiental baseada num modelo de mercado: regulamentações seriam substituídas por leis que permitiriam a comercialização de débitos e créditos de poluição. Se os associados de Strong fossem bem sucedidos, em breve, os créditos e débi­tos de poluição seriam comercializados glo­balmente como pernis de porco e derivativos financeiros. Por volta do ano 2000, haveria poucas entidades nacionais independentes capazes de defender as comunidades locais dos leviatãs internacionais. As comunidades locais competiriam entre si pelos favores dos grandes interesses. Aqueles de nós que vivêssemos nas periferias brutais dessas novas potências mundiais se veriam agra­decidos por comercializar com qualquer um, a qualquer preço.»


Maurice Strong e o governo mundial

Em uma entrevista feita em 1991, um ano antes da conferência do Rio, o próprio Strong disse a Dewar:

«Eu tenho dito durante anos que o mundo precisa de um sistema mundial de governança. Cada tema deveria ser traba­lhado no nível em que possa ser trabalhado com efetividade… O (problema do) ozônio vem de refrigerantes. Você tem que ter um acordo global para lidar com isso, mas as ações têm que ser tomadas nacionalmente… Eventualmente, a ONU vai precisar de um acesso direto a um nível global de sistemas, não o mais poderoso, mas crescente… Nós recomendamos que haja uma espécie de im­posto para lidar com as mudanças climáticas. A ONU pode não aplicá-lo. A maneira mais plausível é um governo concordar em consultas para impor o imposto nacional­mente, em uma fórmula acertada em relação ao PIB, e colocar uma parte dele em um fundo administrado pela ONU.»


Manifesto pelo governo mundial

No mesmo ano, Strong foi um dos ideali­zadores da Iniciativa de Estocolmo sobre Se­gurança e Governança Global, que, em abril, reuniu na capital sueca 30 personalidades políticas internacionais para elaborar esse emblemático manifesto, que ressalta a rele­vância dos temas ambientais para a agenda do “governo mundial”. Entre as suas propostas, destacam-se:

⇒ a elaboração de um arranjo de aplica­ção de lei global, enfocando o papel de san­ções e medidas militares;

⇒ que sejam impostas taxas sobre a emissão de poluentes que afetem o meio ambiente global, em particular as emissões de dióxido de carbono da queima de combustí­veis fósseis;

⇒ um diálogo internacional sobre ener­gia, que promova um uso mais eficiente dos recursos energéticos mundiais, em particular, o uso de recursos energéticos alternativos e renováveis, como a energia solar;

⇒ que as Nações Unidas sejam encoraja­das a colocar os assuntos ambientais ao nível mais alto, em todos os foros apropriados;

⇒ que as nações decidam fazer da Confe­rência das Nações Unidas sobre Meio Ambi­ente e Desenvolvimento (no Brasil) um marco para o desenvolvimento sustentado;

⇒ que líderes nacionais e culturais mobi­lizem o compromisso político e os meios téc­nicos para efetivar um avanço na limitação do crescimento populacional.


Brasileiro comprometido com o governo mundial

Aí estão, sem disfarce as intenções dessa casta de “globalistas” que pretende suplantar os Estados nacionais soberanos e impor ao mundo uma ordem malthusiana de pesadelo. Além de Strong, assinaram o documento: o então primeiro-ministro sueco Ingvar Carlsson; a novamente primeira-ministra no­rueguesa Gro-Harlem Brundtland; o ex-­chanceler alemão Willy Brandt; o ex-pri­meiro-ministro britânico Edward Heath; o ex-chanceler soviético Eduard Shevardnadze; o então senador Fernando Henrique Cardo­so; e outros.

Para promover as diretrizes da Iniciativa de Estocolmo, foi criada a Comissão de Go­vernança Global, em cujo conselho diretor Strong permaneceu até 1996.


Maurice Strong, o pai do Protocolo de Kyoto

Assim, não constituiu qualquer surpresa que Strong tenha sido o principal arquiteto do Protocolo de Kyoto, no qual as suas anti­gas propostas para as restrições ao uso de combustíveis fósseis, via mercados, foram formalmente introduzidas na agenda das relações internacionais. O tratado foi nego­ciado em dezembro de 1997 e entrou em vi­gor em fevereiro de 2005, após a ratificação da Federação Russa, com a qual foi preen­chida a cláusula que determinava a necessi­dade de os signatários responderem por pelo menos 55% das emissões anuais de gases de efeito estufa na atmosfera (além do dióxido de carbono, metano, óxido nitroso, hexafluo­reto de enxofre, hidrofluorcarbonos e perfluo­carbonos). Como meta geral para os países industrializados, foi prevista uma redução geral de 5,2% das emissões até 2010, sobre os níveis de 1990.

Entretanto, as grandes dificuldades que algumas das principais economias industria­lizadas estão encontrando para cumprir as metas estabelecidas, além da exclusão dos EUA (que sozinhos respondem por mais de um quinto das emissões globais) e da Aus­trália, que não ratificaram o acordo, estão preocupando os “aquecimentistas”, que já trabalham para o cenário pós-Kyoto, em função de que as metas do tratado deverão ser revistas em 2012. Para uma sondagem das suas intenções, nada melhor do que re­correr ao próprio “Mister Carbono”, Maurice Strong. Em um artigo publicado no jornal The Globe and Mail de Toronto (uma super-agência?), em 7 de março de 2007, além de reclamar da crescente resistência às metas de Kyoto no Canadá, ele fala franca­mente sobre o seu papel na campanha anticarbono e faz uma audaciosa proposta para o futuro. Vale a pena transcrevê-la em certa extensão:


A visão de Maurice Strong

«A pequenez com a qual a presente con­trovérsia sobre a resposta do Canadá às mu­danças climáticas está sendo tratada não é nada para se orgulhar.

«Como alguém cujo papel na colocação do tema das mudanças climáticas na agenda pública está sendo alvo de críticas, me apresso em confessá-lo. Como o primeiro diretor do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, eu convoquei uma reunião de espe­cialistas em mudanças climáticas há mais de 30 anos atrás. Em 1992, eu encabecei a Cú­pula da Terra, que produziu a Convenção so­bre Mudanças Climáticas, e estive envolvido em Kyoto, quando foi acertado o contencioso protocolo das metas. (…)

«Kyoto foi uma primeira etapa essencial, mas bastante modesta, para se lidar com essa crise, mas ela foi severamente enfraquecida pela retirada dos EUA, a principal fonte de emissões de gases de efeito estufa, e pela re­tirada de outros, inclusive, lamentavelmente, o Canadá. (…)

«Seria ilusório pensar que o Canadá pode ir adiante sozinho. De fato, o tipo de ações radicais agora requeridas só poderá ser efetivo se elas forem tomadas por meio de uma cooperação internacional numa es­cala sem precedentes na nossa experiência. Não devemos nos deixar iludir pelos nega­dores que defendem que a ação deve esperar pela certeza científica, que será uma carga muito grande para a economia, o que significa os seus próprios interesses especiais (sic). (…)

«Não existe uma resposta rápida ou fácil. Entretanto, os meios para efetuar as mudan­ças fundamentais necessárias para colocar as emissões de gases de efeito estufa em níveis seguros envolvem tecnologias que já estão disponíveis ou ao alcance. Mais e mais cor­porações têm demonstrado que, longe de ser uma ameaça para a economia, essas me­didas proporcionam uma nova geração de oportunidades econômicas… O que se neces­sitam são mudanças na nossa cultura, nas nossas atitudes e no sistema de incentivos e penalidades às quais os indivíduos e corpo­rações respondem. (…)

«Já está claro que o Canadá, como vários outros países, não cumprirá as suas metas de Kyoto. Isto não pode ser usado como pretexto para abandonar Kyoto. Com todas as suas imperfeições, é muito melhor usá-lo como base para negociar um novo acordo quando as metas existentes expirarem, em 2012. É claro que a China, Índia e outros países em rápido desenvolvimento, que agora respondem pela maioria dos aumentos das emissões de gases de efeito estufa, precisarão participar. (…)

«Eu proponho que seja estabelecido um novo tipo de comissão – uma Comissão Climática Mundial. EIa seria de natureza permanente, ao contrário das comissões anteriores que tratavam de assuntos mais limitados e eram desfeitas depois de apre­sentar os seus relatórios.

«A comissão seria delegada pelas Nações Unidas e seria autônoma em suas operações. Ela se basearia e reforçaria os esforços e de­legações de outras organizações, especial­mente, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, como fonte primária de assessoria científica, o PNUMA, a Orga­nização Meteorológica Mundial e o secreta­riado da ONU que atende à Convenção so­bre Mudanças Climáticas. Ela procuraria e responderia à assessoria de outras organiza­ções e atores, proporcionando os canais por meio dos quais estes poderiam contribuir para o tipo de ações concertadas e enfocadas que são essenciais e para as quais nenhum órgão individual é hoje responsável. Ela monitoraria todas as atividades envolvendo as mudanças climáticas e se reportaria aos governos e à ONU, avaliando os progressos e os desempenhos de todos os atores, pro­vendo recomendações específicas que, espe­ra-se, tenham uma influência significativa na opinião pública e nas ações de governos, indústria e outros.»

Se o leitor ficou com uma impressão de dejà vu, não está equivocado. Portanto, preparemo-nos para os próximos capítulos.

Movimento Solidariedade Íbero-americana

 


Os livros a ler são: «A Fraude do Aquecimento Global», de Geraldo Luís Lino (Capax Dei Editora Ltda., RJ); «A Fraude do Efeito-Estufa», de Kurt G. Blüchel (Publishing House Lobmaier, SP); «Cool it – Muita Calma Nessa Hora! Manual do Ambientalista Cético para o Aquecimento Global», de Bjorn Lomborg (Editora Campus/Elsevier, RJ); e «Uma Demão de Verde», de Elaine Dewar (Capax Dei Editora Ltda., RJ).

Para saber mais sobre o tema, visitar os sites da MSIa/Capax Dei:

http://www.alerta.inf.br/ e http://www.msia.org.br/

Imagens: harvardsquarelibrary.org; randomhouse.ca

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