A implementação do indigenismo no Brasil
A manipulação das comunidades indígenas para apoiar a penetração de suas empresas na América do Sul tem sido uma prática do establishment oligárquico, pelo menos desde a Segunda Guerra Mundial. Nas últimas décadas, entretanto, a oligarquia ampliou, consideravelmente, o seu leque de ações neste campo, lançando as bases ideológicas para promover a autodeterminação e a posterior independência dos povos indígenas, fomentando uma espécie de “nacionalismo étnico”, em oposição ao Estado Nacional soberano. A instituição pioneira nestes esforços foi o CMI – Conselho Mundial de Igrejas.
A atuação do CMI – Conselho Mundial de Igrejas
O CMI foi fundado em Oxford, Inglaterra, em 1937, numa conferência que reuniu um seletíssimo grupo de representantes dos mais altos círculos da oligarquia britânica, principalmente entre os simpatizantes do regime nazista de Hitler, como Lorde Lothian e Lorde Halifax, que abriu os trabalhos. O coordenador da conferência foi J. H. Oldham, alto dignatário da Igreja Anglicana, que propôs a criação de uma “liga de igrejas” para apoiar os propósitos do establishment. Fruto da conferência foi uma coletânea de artigos (publicados no livro «A Igreja Universal e o Mundo de Nações»), cuja proposta central era a necessidade de reordenação das relações internacionais sob o comando de um “governo mundial”. O artigo principal foi escrito por Lorde Lothian com o sintomático título de «A Influência Demoníaca da Soberania Nacional». Em outro artigo, comenta-se que a soberania nacional é uma «…causa de guerras».
O CMI e dezenas de organizações a ele vinculadas encontram-se entre os principais financiadores de ONGs de “direitos humanos” e até mesmo de insurgências separatistas, como a do EZLN – Exército Separatista de Libertação Nacional, que prega a separação pelas armas do Estado mexicano de Chiapas, em nome da autonomia indígena.
Surgem então o CEDI e o MST
Denúncia contundente sobre o papel do CMI como agente da oligarquia britânica para desestabilizar os Estados Nacionais, partiu do cardeal Joseph Ratzinger (agora Papa), então prefeito da Congregação Para a Doutrina da Fé do Vaticano. Em 10/06/1997, foi publicada a entrevista de Ratzinger em A Folha de São Paulo, em Roma: «Grande parte dos bispos católicos da América latina se lamentam comigo do fato de que o Conselho Ecumênico de Igrejas (outra denominação do CMI) tem dado grande ajuda amovimentos de subversão, ajuda que talvez tivesse boas intenções, mas que acabou sendo bastante danosa para o Evangelho.»
Em 1965, o CMI patrocinou afundação do CEDI – Centro Ecumênico de Documentação e Informação, que, além de difundira chamada “Teologia da Libertação”, viria a tornar-se um dos principais centros de difusão do “indigenismo” no país. Uma das primeiras ONGs brasileiras, o CEDI atuava em estreita coordenação com a Comissão Pastoral da Terra da Igreja católica, da qual surgiram o MST – Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, e o CIMI – Conselho Indigenista Missionário, que se tornaria o principal coordenador da “carta indígena” no Brasil.
“Nações” indígenas autônomas e o CIMI
Em agosto/1987, durante os trabalhos da Assembléia Constituinte, o CIMI apresentou proposta de emenda popular com a qual tentou introduzir na nova Constituição Brasileira o conceito de “plurinacionalidade”, pelo qual os indígenas brasileiros passariam a ter dupla nacionalidade, a brasileira e a de seu povo. Outros artigos estabeleciam que os recursos naturais do solo, subsolo e dos cursos de água localizados nos territórios indígenas seriam bens das “nações” indígenas. Em clara demonstração da articulação internacional envolvida naquestão, juntamente com a proposta, o CIMI apresentou um abaixo-assinado subscrito por milhares de cidadãos austríacos, contendo sugestões semelhantes às do CIMI – cidadãos originários de Feldkirch, onde Dom Erwin Krautler, então presidente do CIMI concluíra seus estudos.
A ousadia provocou indignação até mesmo de autoridades religiosas, como do arcebispo de Porto Alegre, Dom Vicente Scherer: «… uma proposta tão abominável que, se tivesse partido de um governo estrangeiro, seria talvez o caso de o Governo Brasileiro responder com um ultimato de declaração de guerra». (12/08/1987). Na época o CIMI contava com cerca de 250 missionários trabalhando em tempo integral, espalhados pelos territórios indígenas em todo o país.
Entraves para a nação brasileira
Embora tenha sido rejeitada, a proposta do CIMI inspirou na Constituição alguns dispositivos que têm proporcionado os fundamentos legais que, nos últimos anos, têm permitido embargos judiciais de numerosas obras de infra-estrutura, por pretextos referentes às comunidades indígenas, como as hidrovias Araguaia-Tocantins, Paraná-Paraguai, e Teles Pires-Tapajós.
Desde 1994, tais ações têm representado uma das principais atividades do ISA – Instituto Socioambiental, ONG resultante da fusão do “braço indígena” do CEDI, com o Núcleo de Direitos Indígenas que teve como membros fundadores alguns dos principais ativistas do aparato ambientalista-indigenista internacional com interesses no Brasil.
A Survival Internacional, braço indigenista do WWF
A atuação do CEDI – Centro Ecumênico de Documentação e Informação, recebeu considerável reforço em 1969, com a criação da Survival International, o “braço armado” do WWF, cuja missão pressípua foi a criação da Reserva Indígena Ianomâmi. A iniciativa resultou de uma série de expedições à América do Sul feitas pelos exploradores ingleses Robin Handbury-Tenison e Kenneth Taylor, durante as quais eles identificaram e situaram aldeamentos dos povos indígenas existentes ao longo dos dois grandes eixos potenciais de integração física do subcontinente, nos sentidos norte-sul e leste-oeste. O objetivo era localizar os grupos indígenas que, posteriormente, poderiam ser manipulados para obstaculizar a construção de grandes obras de infra-estrutura necessárias à integração continental.
Antropólogos, inclusive brasileiros, envolvidos e a Cultural Survival
Em janeiro/1971, o CIMI e o Departamento de Etnologia da Universidade de Berna (Suíça), promoveram o simpósio sobre conflitos interétnicos da américa do sul, realizado em Barbados. O conclave reuniu um grupo de antropólogos de vários países, entre eles o brasileiro Darcy Ribeiro, para discutir a necessidade de um engajamento direto da antropologia na “luta indígena pela libertação”.
Um ano depois da reunião de Barbados, um de seus integrantes, o antropólogo britânico David Maybury Lewis fundou a Cultural Survival, ONG que, em 1982 já congregava 33.500 antropólogos em todo o mundo, e um de seus diretores, até 1993, foi o Dr. Jason Clay, para quem o Estado Nacional deve desaparecer – sendo suas funções substituídas por instituições de governança local e global.
Paulinho Paiakan
Juntamente com outras ONGs e fundações dos USA e do Canadá, Jason Clay e a Cultural Survival viriam a desempenhar importante papel numa das mais ativas operações do aparato ambiental-indigenista no Brasil, a transformação do líder caiapó Paulinho Paiakan, em garoto-propaganda da “proteção da Amazônia”. A partir de 1988, Paiakan começou a ser levado a freqüentar o circuito internacional de eventos de levantamento de fundos, supostamente para a defesa da Amazônia contra a sua devastação, mas cuja importância, na verdade, ia muito além da arrecadação financeira, servindo como importantes elementos para a formação de uma corrente de opinião pública internacional favorável à causas ambientalistas.
As investigações de Elaine Dewar
Num dos eventos, em Toronto, Canadá, em novembro/1988, a jornalista canadense Elaine Dewar teve a sua atenção despertada para a campanha, e a partir daí, nos cinco anos seguintes, ela seguiria as pistas tentaculares da vasta rede ambientalista-indigenista, no Canadá, USA, Brasil e Suíça. O resultado publicado em 1995 no livro «Cloak of Green» («Capa Verde»), é uma das mais importantes revelações sobre a manipulação do ambientalismo-indigenismo para a criação de uma estrutura de “governo mundial”.
Elaine Dewar assim descreve o momento em que se conscientizou da verdadeira natureza da “Agenda”, como ela mesma apelidou o aparato ambientalista-indigenista: «Eu também estava começando a achar que entendia por que o receio que envolvia os fenômenos ambientais transnacionais desempenhava um grande papel na Agenda. Como persuadimos democratas a abrir mão dos poderes da soberania nacional para governá-los? Como os fazemos ceder poder a instituições supranacionais que eles não podem afetar, controlar ou remover? Fazemos parecer que isto serve a seus melhores interesses. Os aterrorizamos com guerras e perigos contra os quais os governos nacionais não poderão protegê-los.»
Como se inventam territórios indígenas
Em 26/08/1999, Arnaulf Bantel (Folha de Boa Vista), ex-oficial da FAB, coloca em dúvida os critérios empregados pela FUNAI para a delimitação de muitas reservas indígenas no país – como por exemplo a demarcação da reserva indígena Wai-wai, localizada a sudeste do Estado de Roraima, cuja área inicial, estipulada pelos antropólogos da FUNAI foi de 330.000 ha, e posteriormente aumentada para 450.000 ha.
Como de praxe, os antropólogos justificaram a criação da reserva com o argumento de que os índios em questão habitavam a região desde «tempos imemoriais». Nada poderia estar mais longe da verdade, pelo menos no caso dos wai-wai. Segundo Bantel, os “tempos imemoriais” dos wai-wai em Roraima não vão além da década de 1960, quando foram trazidos da então Guiana Inglesa (atual República da Guiana), em uma ação humanitária do governo brasileiro para evitar o massacre desta etnia por parte dos índios tiriós, que habitavam o sul do Suriname. A iniciativa denominou-se Operação Mapuera, e os índios comneçaram a chegar, juntamente com missionários norte-americanos, a partir de 1963 – em operação da FAB, da qual participou como piloto Arnaulf Bantel.
Apelação à “carta indígena”
A chamada “carta indígena” foi astutamente empregada pelo establishment colonial britânico já no século 19, para a conquista da “Ilha da Guiana” – operação que resultou na perda de território brasileiro para a então Guiana Inglesa. Na ocasião, a operação foi planejada por Lorde Palmerston, que, por 35 anos (1830-1865), foi o mentor de incontáveis guerras e revoluções na Eurásia, África e Américas, com o propósito de consolidar a hegemonia do Império Britânico. Palmerston deslocou para a Guiana o explorador alemão Robert Schomburgk, que sob os auspícios da Royal Geografic Society, fez o trabalho de campo para que territórios habitados por “tribos independentes” fossem primeiro, “neutralizados”, para depois serem “assimilados” – precedente histórico à luz do qual a questão das reservas indígenas em Roraima tem de ser, necessariamente, revista.
O Governo Brasileiro (neste e em outros casos semelhantes) admitiu a existência de “tribos independentes”, como pretendido pelos britânicos.![]()
Máfia Verde
Créditos: este post é decorrente de uma compilação de textos referentes ao indigenismo no Brasil, apresentados no livro da Capax Dei, Editora: «A Máfia Verde – O Ambientalismo a Serviço do Governo Mundial». Introduzi subtítulos na matéria para facilitar e incentivar a leitura.
Os livros a ler são: «A Máfia Verde – O Ambientalismo a Serviço do Governo Mundial», dos editores da Capax Dei Editora Ltda., e «Uma Demão de Verde», da autoria da jornalista canadense Elaine Dewar, também publicado pela Capax Dei Editora Ltda., RJ.
Imagem: funai.gov.br; e geraldofreire.uol.com.br![]()