Fundamentos da Nova Ordem Mundial

Desde o período 1989/1991, que caracterizou o processo de desintegração da União Soviética, a oligarquia anglo-americana considerou que tinha chegado o momento de consolidar a idéia do “governo mundial” sobre os escombros dos Estados Nacionais soberanos. Nesse contexto, coube ao presidente dos EUA, George Bush, de mãos dadas com a primeira ministra britânica Margaret Thatcher, anunciar ao mundo o advento de uma “nova ordem mundial”, uma ordem imperial para impor um sistema de “livre comércio” – a “globalização” – baseada no malthusianismo sob diversas roupagens, e dentre elas, o ambientalismo radical. O ponto de partida do processo foi a impiedosa ação militar multinacional desfechada contra o Iraque, em 1991, que devastou a nação.

Nos USA, e em particular o governo Clinton (especialmente em seu segundo mandato, a partir de 1997), acossado por uma série de escândalos fabricados pelos estrategistas do establishment, concedeu o virtual comando da política externa do país a um grupo encabeçado pelo vice-presidente Al Gore Jr. Este, que construiu grande parte de sua carreira política com uma exploração demagógica e oportunista do ambientalismo, é um malthusiano radical, como revela em seu livro «Earth in the Balance».

 

A função da OTAN

A intenção de instrumentalizar a OTAN para travar conflitos por recursos naturais (e, eventualmente, por questões ambientais) vem sendo acompanhada, desde o início da década de 1990, por um “esverdeamento” das Forças Armadas e dos serviços de inteligência do eixo anglo-americano. Segundo Timothy Wirth, então sub-secretário de Estado para Assuntos Globais dos USA, durante a conferência de segurança ambiental do hemisfério ocidental (Pentágono, Miami, junho/97), «…a proteção dos recursos naturais é hoje um assunto legitimamente militar». Uma das hipóteses de conflito do Pentágono para as próximas duas décadas é uma intervenção na Amazônia brasileira, para evitar danos ambientais que possam, eventualmente, provocar impactos sobre os interesses estadunidenses.

 

As quatro diretrizes fundamentais da “nova ordem mundial”

① o deslocamento dos conflitos mundiais do eixo Leste-Oeste para o eixo Norte-Sul;

② a institucionalização do conceito de “soberania limitada” nas relações institucionais;

③ a imposição da “globalização” às economias de todo o mundo, com a disseminação de políticas neoliberais a praticamente todo o setor em desenvolvimento; e

④ a instituição de um regime de “apartheid tecnológico” aos países em desenvolvimento, restringindo-lhes o acesso às tecnologias avançadas, sob o pretexto de obstaculizar possíveis usos militares destas.

 

A eliminação do Estado Nacional soberano

De acordo com os planos de longo prazo do establishment britânico, a década de 1990 deveria assinalar o início do fim da era do Estado Nacional. Em seu lugar, os estrategistas oligárquicos tencionam estabelecer uma nova ordem imperial, em parte dirigida por instituições supranacionais, como a ONU. A eliminação do Estado Nacional é uma política britânica desde a Revolução Americana, e este plano particular, agora em implementação, data do período anterior à Segunda Guerra Mundial, e está por trás de muitas operações estratégicas anglo-americanas desde aquela época, como a guerra genocida sérvia na Croácia e na Bósnia, a fome forçada na Somália, e as políticas de condicionantes econômicas do FMI, que estão matando a América do Sul e a África, e devastando cada vez mais o Leste europeu.

O objetivo maior dessas ações é criar uma série de profundos choques psicológicos e mudanças políticas que fomentem aquilo que o Instituto Tavistock denomina de “mudança de paradigma cultural”. Tal mudança ocorre quando o conceito anterior de identidade própria e visão do mundo da população-alvo é, abruptamente, mudado para outro, adredemente planejado. De acordo com os planos, os anos 1990 deveriam marcar o triunfo do novo paradigma imperial, sobrepondo-se ao antigo paradigma correspondente ao Estado Nacional soberano.

 

ONGS versus Estados Nacionais

Entre os dias 13 e 19/novembro/1989, o SIGMA – Programa para Inovações Sociais em Gerenciamento Global da Case Western Reserve, de Cleveland, USA, deu início a uma série de conferências sobre o uso de ONGs para terminar a era do Estado Nacional. Os anos 1990 foram identificados como o período em que isto começaria a ocorrer. A teoria apresentada foi desenvolvida pelo Instituto Tavistock.

Uma série de artigos foram escritos na revista do Tavistock, a Human Relations, enfatizando que os poderes dos Estados Nacionais deveriam ser drasticamente cortados, se o mundo quisesse resolver uma série de desafios globais, identificados pela ONU e outras organizações. Segundo eles, tais desafios incluíam o crescimento populacional, o esgotamento dos recursos naturais, o aquecimento global, o desflorestamento tropical, a perda de biodiversidade, a fome crônica e a subnutrição, a injustiça e a violação de direitos humanos, o aumento do terrorismo e da violência comunitária e o eterno potencial de holocausto nuclear.

Para sobrepujar as alegadas «limitações do passado», diziam, era necessário a rápida disseminação de uma «consciência global». [...] e que as ONGs estavam melhor equipadas para fomentar o crescimento dessa “consciência global”. [...] O essencial dessas organizações, afirmam, é que elas transcendem as fronteiras nacionais, já que existem como entidades que estão além do Estado Nacional.

 

Uma era de mudanças

Nas conferências do SIGMA, a socióloga Elise Boulding afirmou que os anos 1990 presenciariam a maior transformação social ocorrida no mundo desde o século 13 – a qual seria dirigida pelas ONGs. Viúva do proeminente economista do Clube de Roma, Keneth Boulding, e popularizadora dos conceitos do Tavistock, ela identificou o período atual como uma “era axial”. Segundo ela, uma “era axial” é um período em que povos, idéias e tradições culturais de regiões grandemente diferenciadas se juntam num «grande florescimento da criatividade humana». A grande tarefa dos anos 1990, tornada possível pela vindoura “era axial”, seria a de fomentar o “transnacionalismo” – a concepção de que as identidades humans devem ultrapassar as fronteiras nacionais – e rejeitar os «atuais nacionalismos centrados nos Estados».

 

A civilização global

Nas conferências promovidas pelo SIGMA, a partir de 1989, Howard Perlmutter, professor de “arquitetura social” da Escola de Administração Wharton, e líder de fato do Instituto Tavistock nos USA, relatou como a civilização global poderia ser montada. [...] Ele já estudara o fenômeno nos anos 50, quando assessorava empresas transnacionais do establishment anglo-americano em estratégias de expansão mundial. Mais recentemente, ele encabeçou um grupo que estudava os mecanismos pelos quais a Europa e os EUA poderiam bloquear a disseminação “descontrolada” de tecnologia ocidental avançada para os países do Terceiro mundo.

Perlmutter identifica como a primeira civilização global a ser caracterizada por uma nova «ordem mundial que compartilhe valores, processos e estruturas, com o que nações e culturas se abram à influência mútua». Há também um reconhecimento das identidades e diversidades dos povos… Diferentes ideologias e valores devem cooperar e competir, mas nenhuma ideologia prevalece sobre as outras, afirma.

 

Os modelos de sociedades e as mudanças de paradigmas

A principal característica do período atual (segundo Perlmutter) é a ocorrência de uma “mudança de paradigma” de uma sociedade que denominaram de “Modelo Industrial” (ou Paradigma I), para o “Modelo Simbiótico e Societário” (ou Paradigma S), através de um modelo intermediário, ou seja, o “Modelo Desindustrial” (ou Paradigma D). Isso significa que a desintegração do Modelo Industrial sob o ataque de forças sociais definidas pelo Modelo Desindustrial (Paradigma D, que é o das ONGs), eventualmente conduzirá à uma “Nova Ordem Mundial” – representada pelo Modelo Simbiótico e Societário (o Paradigma S).

Características gerais do Modelo Industrial em curso: prevalência da eficiência sobre a preocupação com as pessoas; lucro a curto prazo sem preocupação com conseqüências; preocupação secundária com o meio ambiente; prevalência da competição sobre a cooperação; etnocentrismo; prevalência da lógica na qual a dominância e a dependência constituem uma preocupação central nas relações societárias e inter-societárias.

Já o Modelo Desindustrial (Paradigma D) caracteriza-se pelos seguintes valores característicos: ambientalismo; feminismo; o “pequeno é bonito” (small is beautiful); pensamento intuitivo; preocupação com a extinção das espécies; questionamento da sustentabilidade da industrialização. Este paradigma “D” se caracteriza pela idéia de “limites”. Uma sociedade baseada em tal lógica seria um mundo transformado em «…arquipélagos de comunidades pequenas e grandemente autocentradas».

Segundo Perlmutter, nem o Paradigma I (Modelo Industrial), nem o Paradigma D (Modelo Desindustrial) constituem bases viáveis da civilização global, já que a continuação do primeiro pode levar à extinção da espécie humana, enquanto que a do segundo pode provocar uma fuga utópica do mundo real.

 

Análise e comparação entre os valores dos três paradigmas

Paradigma I: ciência ocidental; tecnologia como fonte de conhecimento; medicina ocidental; estilo ocidental de capitalismo como modelo, com defesa da “terapia de choque econômico”;

Paradigma D: verdades orientais como fontes de sabedoria perene; medicina oriental (p.ex. ervas medicinais); rejeição do capitalismo puro; importância da agricultura tornando a industrialização menos relevante para os países muito individados;

Paradigma S: complementariedades globais entre conhecimento, sabedoria e visões espirituais (com respeito às diferenças), diferentes enfoques científicos produzindo descobertas fundamentais. Observação: aqui fica patente que um conflito manipulado entre os Paradigmas I e D representa, simplesmente, um esforço imperialista de impedir que as conquistas positivas da civilização ocidental sejam irradiadas entre o antigo setor colonial; e elementos de livre mercado aceitos largamente, com grande variedade de propostas de “redes de segurança social”.

Observação: aqui, no Paradigma S, a intenção é forçar o Terceiro Mundo a aceitar formas modificadas de domínio colonial, tornadas palatáveis por um processo de conflito e conciliação. No caso acima, todas as alternativas acabarão por destruir a nação.

 

Os objetivos da “ciência social” hoje

O próprio Perlmutter antevê o seguinte cenário: os esforços europeus e estadunidenses para impor a “ocidentalização homogeneizada” – a universalização do Paradigma I levam a fatos como a disseminação de vídeos de rock no Nepal, e à imposição da “terapia de choque” no Leste Europeu. Isso provoca uma tendência de «…reação xenófoba à crescente interdependência em todas as áreas». Esta reação se torna uma fonte de revivescência de rivalidades étnicas e religiosas que podem tornar-se hostilidades mortais. A universalização dessa contra-reação seria a vitória do Paradigma D.

A universalização do Paradigma D levaria à fragmentação da humanidade. Perlmutter prevê uma «…confrontação nuclear entre países ocidentais e o Islã fundamentalista no século 21». O que ele não diz é que o esforço da oligarquia anglo-americana para criar tal confrontação é hoje mais do que evidente. Tal fragmentação também poderia tornar muitos povos reféns de líderes psicopatas ou messiânicos, determinados a converter o resto da humanidade.

Assim, segundo o “arquiteto social” Perlmutter, já que os dois primeiros paradigmas não podem ser universalizados sem resultados catastróficos, a alternativa é a hegemonia do Paradigma S. Em outras palavras, a oligarquia oferece à humanidade a escolha entre um genocídio imposto pelo FMI e pelo eixo euro-americano – ou mortes em massa pela disseminação de guerras xenófobas. Por meio de conflitos orquestrados, os oligarcas tencionam criar um novo sistema global, erradicando o que há de positivo nos dois lados. Esta é a tarefa da “ciência social” da atualidade.

 

O paradigma D e as ONGs

Perlmutter ainda adverte que a mudança do atual Paradigma I para o S, implica em vários pré-requisitos: um deles é a construção de redes de organizações locais e internacionais, conectadas internacionalmente, ou seja – as ONGs. Outro é o da criação de eventos globais. E cita o historiador britânico E. P. Thompson: «Assim, a transição da civilização à planetarização – a sociedade industrial materialista baseada na produção e no consumo para uma cultura contemplativa baseada na consciência e simbiose ecológica – é uma experiência de iniciação para a raça humana. Os demônios que vemos em forma de guerra nuclear, fome e catástrofes ecológicas, são imagens terríveis que acompanham a mudança de um nível de realidade para outro. Por causa das limitações de nossos egos, não podemos compreender que somos todos partes de uma única vida planetária, a menos que descubramos, para nosso horror, que agora estamos ameaçados por uma única morte planetária.»

A respeito das mudanças de paradigmas em andamento, eles notam que, até recentemente, a noção de que não havia limites ao crescimento era hegemônica, uma crença subliminar essencial ao Paradigma I. (ÄCivilização global, 3 a 11) Porém, acontecimentos como o choque do petróleo de 1973 começaram a expor a “falsidade” dessa crença, e assim, solaparam o paradigma.

Perlmutter e Trist observam que a alternativa ao industrialismo antevista pelos pensadores do Paradigma D – a filosofia das ONGs – se caracteriza pela noção de limite. Conseqüentemente, aqueles pensadores procuram transformar os Estados Nacionais num “arquipélago de pequenas comunidades”. «As superpotências e as ex-grandes potências se dissolveriam em grupos regionais com identidades linguísticas e culturais distintas». Mais ainda, a «tecnologia complexa seria evitada, como sendo, inerentemente, elitista». Os Estados nacionais permanecerão, mas sua soberania será limitada. Alguns poderes são transferidos para unidades maiores, outros para unidades menores – sinalizam. A aceitação de tal “compromisso” por nações que encaram, por um lado, o FMI e a “nova ordem mundial”, e pelo outro lado as ONGs desestabilizadoras e a disseminação de guerras, constitui a vitória da “arquitetura social” da inteligência oligárquica anglo-americana.

Editores da Capax Dei Editora

 

Créditos: este post é resultado de uma compilação de informações sobre globalização, mudanças de paradigmas culturais e a nova ordem mundial, constantes do livro  «A Máfia Verde – O Ambientalismo a Serviço do Governo Mundial». Introduzi subtítulos no texto para facilitar e incentivar sua leitura.

Os livros a ler são: «A Máfia Verde – O Ambientalismo a Serviço do Governo Mundial», e «A Máfia Verde II – Ambientalismo – Novo Colonialismo» — ambos da Capax Dei Editora Ltda., RJ.

Para maiores informações relativas ao tema, consultar o site do Movimento de Solidariedade Íbero-americana em: alerta.inf.br e msia.org.br.

Imagem: apelosdoceu.com

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Comentários

2 Comentários em “Fundamentos da Nova Ordem Mundial”
  1. Nova Era Hoje disse:

    gostei..

    no meu blog falo sobre esses assuntos..

    visitem:

    novaerahoje.blogspot.com

    • husc disse:

      Ao pessoal do site “Nova Era”:
      Achei boa a parte do site que trata da nova ordem mundial, os bilderbergers etc, mas não da parte religiosa. Jesus ou Maitrea (ou Maitreya) não têm nada a ver com governança global ou a “nova era” que os místicos propalam por aí.
      A “nova era” tão esperada ainda está longe de iniciar, apesar de os fanáticos, por já termos passado do ano 2000, dizerem que já estamos entrando nela (pesquise). Isso não é verdade. Ainda faltam algumas dezenas de anos para isso acontecer – e isso é uma conjuntura astrológica, e não religiosa. Trata-se da Era de Aquário, que é uma época de desenvolvimento eminentemente humano na Terra.
      Segundo os bons astrólogos, essa era deverá ser a era do homem, em que ele dominará e ocupará todo o planeta, com tecnologia e ciências muito avançadas, chegando até a se espalhar pelo sistema solar. Mas, repito: a Nova Era não tem nada de religioso. Nem Jesus, muito menos Maitrea virão até nós para, como nos dizem os crentes, “para nos guiar”, para transformar o planeta num paraíso etc etc, ou algo do gênero. Isso tudo é pura sacação.
      Muitos crentes e místicos fazem uma comparação entre Maitreya, do budismo, mormente o budismo mahaiana, e Jesus, identificando-os como sendo a mesma entidade, o que, infelizmente, não tem nada a ver, sendo apenas uma “vontade” de certos místicos no sentido de ampliar a abrangência das duas entidades, “irmanando” assim as duas correntes filosóficas, pois como se sabe, o budismo é filosofia, e não, propriamente, religião – pelo menos como nós, ocidentais, entendemos o que seja uma religião.
      Assim, deve-se ter muito cuidado ao divulgar essas coisas para não se cair no ridículo. Crenças não devem ser divulgadas, a não ser nos ambientes propícios, justamente porque são crenças, e não podem ser discutidas à luz da razão. Quem crê, crê, e ponto. Quem não crê, não crê, e ponto. E “misturar alhos com bugalhos” não dá certo.
      A leitura de alguns livros de teosofia, tais como os de Annie Besant e Charles Webster Leadbeater cairão bem.
      Obrigado pelo contato.
      Saúde, vida longa e sabedoria.
      Husc.

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