A Vale, as ONGs e o interesse nacional
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Em concorrido evento realizado em São Paulo (SP), em 10 de maio, a Vale lançou oficialmente o seu Fundo Vale para projetos socioambientais na Amazônia. Sete ONGs que atuam fortemente na região – Imazon, Instituto Floresta Tropical, The Nature Conservancy, Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), Instituto Peabiru, Imaflora e Instituto Socioambiental (ISA) – participam da primeira fase do projeto, que conta com o aporte de R$ 51 milhões até 2012 (Valor Econômico, 11/05/2010).
A Vale do lado das ONGs
Funcionando em caráter experimental desde o ano passado, o fundo já desembolsou R$ 7 milhões para tocar oito projetos em três áreas: promoção de “municípios verdes”, criação e consolidação de áreas protegidas e monitoramento da região por satélite. De acordo com a Vale, a ideia é expandir o projeto para o exterior no futuro – países da África sem expertise em sustentabilidade e também para os vizinhos sul-americanos detentores de uma porção da floresta amazônica. «É o 3.0 da sustentabilidade. Queremos olhar mais além das nossas atividades e pensar o futuro do planeta», disse Vânia Somavilla, diretora de Meio Ambiente da Vale.
É forçoso cogitar-se porque a Vale está financiando ONGs que, comprovadamente, fazem campanhas abertas contra empreendimentos na Amazônia que são de interesse declarado da empresa, como a hidrelétrica de Belo Monte. O ISA, por exemplo, quando ainda se denominava Centro Ecumênico de Documentação e Informação (CEDI), é um dos pioneiros na campanha contra a usina, sendo um dos principais organizadores do famoso Encontro de Altamira, em fevereiro de 1989, cujo principal objetivo era impedir a construção das hidrelétricas projetadas para o rio Xingu e afluentes.
A Vale não é mais brasileira, então…
Além disso, uma análise mais apurada das sete ONGs parceiras do Fundo Vale revela que todas elas integram, direta ou indiretamente, o “consórcio” de ONGs articulado e financiado pelo governo dos EUA, por intermédio da Agência de Desenvolvimento Internacional (USAID), para implementar a “governança ambiental” da Amazônia. Em junho de 2005, a USAID lançou a chamada Iniciativa para Conservação da Bacia Amazônica (ABCI, na sigla em inglês), cujo propósito declarado era coordenar as ações de diversos grupos ambientalistas e indigenistas nacionais e estrangeiros, reunindo-os em “consórcios” e provendo-os dos recursos e instrumentos de “governança ambiental” para o controle efetivo da região. A intenção era recrutar povos indígenas, “populações tradicionais” e ONGs nacionais e estrangeiras para criar uma rede que em nada difere de um exército de ocupação pós-moderno a serviço de um esquema de “governo mundial” controlado por grupos hegemônicos do establishment anglo-americano.
A denúncia então feita pelo jornalista Lorenzo Carrasco, diretor do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa), ensejou uma oportuna intervenção do Ministério da Defesa e do Itamaraty, que determinou à USAID a suspensão momentânea do projeto. Entretanto, sabe-se que ele prossegue sob outras formas, com alguns dos seus programas tendo sido transferidos para certas ONGs do aparato ambientalista-indigenista.
Projetos indigenistas
Veja-se, à guisa de exemplo recente, a breve descrição do Consórcio Paisagens Indígenas Brasil, da ONG “parceira” The Nature Conservancy:
«Liderado pela The Nature Conservancy (TNC), o Consórcio Paisagens Indígenas Brasil tem como parceiros o IEB; a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB); o Conselho Indígena de Roraima (CIR); e o Instituto de Pesquisa e Formação Indígena (IEPÉ). O Consórcio, apoiado pelo Programa de Meio Ambiente da Missão da USAID Brasil, tem como objetivo fortalecer organizações indígenas da Amazônia brasileira para que estas se tornem ainda mais aptas a gerir os seus próprios territórios e influenciar políticas públicas e decisões de gestão nas paisagens em que situam as terras indígenas.»
Veja-se ainda outro exemplo recente, o Projeto Cluster:
«O Projeto Forest Enterprise Cluster, apoiado pela USAID, é coordenado pelo Serviço Florestal Americano (US Forest Service) e implementado pelo IEB em parceria com o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), Instituto Floresta Tropical (IFT) e Instituto de Pesquisas Ecológicas (Ipê), tem o objetivo de atuar junto à consolidação de planos de manejo praticados por comunidades e indivíduos na Amazônia brasileira… As ações serão realizadas no Pará, onde o IEB, o Imazon e o IFT têm atuação privilegiada no campo do manejo florestal e onde os desafios parecem maiores, em razão da criação de vastas áreas de florestas de produção.»
Fica, então, a pergunta: porque a Vale estaria financiando ONGs que militam contra os interesses nacionais, além dos da própria empresa? Será que esse duvidoso marketing “verde” compensa?
Movimento de Solidariedade Íbero-americana
Não se trata de marketing verde. A Vale não é mais brasileira, e está, portanto, perfeitamente inserida no contexto da corporatocracia internacional que busca a governança mundial e que tem o ambientalismo e o indigenismo como uma de suas principais ferramentas para inibir o desenvolvimento socioeconômico mormente dos países do Terceiro Mundo, assim como manter sob seu controle as riquezas naturais desses países. A Vale, hoje, pertence ao stablishment oligárquico internacional e não mais é digna de confiança (pelo menos para nós, brasileiros), apesar de sua bandeira “nobre” de querer preservar o meio ambiente e as comunidades indígenas, como todas as ONGs metidas nesses assuntos fazem, com o intuito de disfarçar suas verdadeiras intenções e enganar os ingênuos. E a Vale ainda tem a cara-de-pau de anunciar, na TV, de que é cada vez mais “verde e emarela”!
A propósito, hoje estamos correndo riscos maiores. Se a turma fabianista do PSDB conquistar o poder (a mesma turma que vendeu a Vale para os estrangeiros a preço de bananas), assim como várias outras empresas nacionais, como a CSN etc, sua primeira próxima vítima será, certamente, a nosa Petrobrás…
Créditos: este post é matéria apresentada no boletim eletrônico do Movimento de Solidariedade Íbero-americana, Volume II, n° 4, de 14/05/2010. Introduzi subtítulos no texto para facilitar e incentivar a leitura.
MSIa INFORMA é uma publicação do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa). Conselho editorial: Angel Palacios, Geraldo Luís Lino, Lorenzo Carrasco (Presidente), Marivilia Carrasco, Nilder Costa e Silvia Palacios. Rua México, 31 – sala 202 – Rio de Janeiro ( RJ) – CEP 20031-144; Telefax: 0xx 21-2532-4086.
Para saber mais sobre o tema: visitar os sites da MSIa/Capax Dei: http://www.alerta.inf.br/ e http://www.msia.org.br/ . Mensagens e sugestões, favor enviar para msia@msia.org.br.



Nasci em Itabira; a vale começou lá em 1942, conheço-a como a palma da minha mão. Ela foi “vendida” a preço de banana em 1997; o valor não dava para pagar nem a montagem e o maquinário; 13 anos depois, ela vale mais de 66 vezes o preço pelo qual foi expropriada.
Até onde sei, esse foi o maior golpe que já deram no povo brasileiro.
O que deu para fazer com dinheirinho dela?,
Que benefício ele trouxe para para melhorar a vida da nação brasileira?
O que ganhamos com a entrega dos recursos minerais aos estrangeiros?
Como se não bastasse, para humilhar ainda mais os brasileiros,principalmente aqueles que sempre foram contra a expropriação, mudaram o seu nome dev CVRD (Companhia Vale do Rio Doce); apenas para Vale;
vale o que?
Terem passado a perna no povo brasileiro?
Valeu FHC, meus pêsames!
Sr. Nelson:
É isso aí. Por vender o Brasil o PSDB perdeu a credibilidade, para mim. FHC é anglófilo de carteirinha. Pertence ao grupo de socialistas fabianistas ingleses e se acha pertencente também ao establishment oligárquico internacional. Rsrsrs. E ainda diz que, graças às suas privatizações o brasileiro tem telefone celular etc etc. Rsrsrs. Firmas estrangeiras são o maior sugadouro dos recursos financeiros e econômicos do Brasil. Isso ele não diz.
O ex-presidente (Luis Inácio) – do qual, juntamente com seu partido – não nutro a menor simpatia, diga-se de passagem, pelo menos não vendeu o Brasil.
E, para terminar, tem o novo slogan da Vale: “Cada vez mais verde e amarela”! É muita cara de pau!
Vida longa, prosperidade e sabedoria.
Hasta siempre.
Husc