Aquecimento Global: países não cumprirão metas
Todo mundo deve ter uma meta, um objetivo na vida a ser seguido. Criar metas faz parte de toda pessoa responsável e preocupada com seu futuro. Países também criam metas, mas na grande maioria dos casos, são esquecidas. Claro, existem alguns exemplos de sucesso, como metas de inflação do BC brasileiro, metas de crescimento do governo Chinês e metas de redução de emissão de dióxido de carbono da Alemanha. E todo sucesso no respeito às metas se dá pela vigilância ao cumprimento pré-estabelecido, pela seriedade e controle dos atos e sobretudo pela vontade de atingir as metas.
O comprometimento dos países
Nos últimos meses, a imprensa vem divulgando abertamente (e com sucesso) a conferência COP15 em Copenhague, sobre mudanças climáticas. O Brasil se comprometeu a reduzir algo em torno de 36,1% a 39,8% das emissões de 2020 em relação a 2005. A China se comprometeu a reduzir as emissões por produto fabricado (que por projeção poderia chegar a 47% em 2020) e os EUA 17% de redução em 2020. Parabéns aos governos, excelente a inciativa. Só uma pergunta não foi colocada em lugar algum: Quanto isso vai custar ao mundo? Quem vai pagar por isso? O mundo realmente está disposto a gastar para uma vida melhor?
Em nosso artigo cientifico em Julho desse ano Reduction of CO2 emission by optimally tracking a pre-defined target , resolvemos (Marco A.L. Caetano; Douglas F.M. Gherardi, Gustavo de Paula; Takashi Yoneyama) colocar essa pergunta e responder com base em números (dados dos países europeus). Muitos repórteres e comentaristas de televisão estão dizendo que as metas são complicadas de entender. É que Ecologia é uma ciência, e como tal existem disciplinas certas, técnicas certas e filosofia certa para essa discussão, e não apenas achar que porque se entende de “ambientalismo” pode-se enteder de Ecologia. Aliás, diga-se de passagem, existem excelentes ambientalistas que entedem muito de Ecologia. Não é à toa que dentro do curso de Ecologia existem duas disciplinas, de seis meses, somente para se estudar a dinâmica da população. Então, comentaristas não vão conseguir entender dinâmica da população, se isso leva um ano para ser estudado.
Nossos modelos
Bem, cosntruimos um modelo baseado em sistemas dinâmicos, com apenas três variáveis: emissão de CO2, quantidade de florestas e PIB (produto interno bruto) dos países europeus. Esse modelo, também inédito, e publicado no ano passado, nos proporcionou a possibilidade de criar cenários de emissões futuras. Isso é que faz um modelo matemático baseado em sistemas dinâmicos. Possibilita rodar o futuro e sua certeza nos resultados vai depender do entendimento do fenômento e dos dados passados. Na figura ao lado, os pontos são dados reais da Europa e a linha a simulação do modelo. O primeiro gráfico é a trajetória das emissões de CO2 da Europa desde 1960 até 2000, o segundo da área de floresta e o terceiro o GDP europeu. Observem a precisão do resultado.
Com isso, foi possível colocar custos e “criar” duas espécies de possíveis controles das emissões. Uma delas nós chamamos de investimento em tecnologia limpa e a outra de investimento em reflorestamento. Então utilizamos da “teoria de controle ótimo” para encontrar formas possíveis de se atingir algumas metas.
A estratégia ótima mostrou-se bem interessante (figura ao lado). Primeiro todo governo deveria incentivar o reflorestamento, com leis de combate ao corte ilegal, contra as queimadas ilegais e plantar novas regiões de florestas. Isso seria o primeiro passo para cortar emissões de forma ótima. Mas não é só isso. A figura a seguir, mostra que a segunda maneira de controle e, de forma paralela à primeira, seria começar com investimentos baixos em tecnologia limpa e ir, gradativamente, à medida que a área de floresta se for consolidando, aumentando o incentivo às leis, e ao desenvolvimento de novas fábricas baseadas em tecnologia limpa.
Quanto as reduções vão custar ao mundo?
E quanto irá custar a Europa? Bem, primeiro o que é medida de custo? Pouco está sendo dito sobre o que se mede em termos de custos. Diversos estudos acadêmicos monitoram e medem custos da emissão de CO2 por toneladas. Cenários podem variar de US$ 50 a US$ 200 por toneladas/ano. Segundo fato que pouco se diz: Qual tipo de emissão vai se medir? A emissão total, a medida baseada em ppm (particulas por milhão) e qual o custo? Bem, tivemos essa preocupação também e só para resumir aí vem a parte que nem governo, nem imprensa comenta:
(1) Se o custo para a tonelada de CO2 for US$48/ano, o custo anual para a Europa para reduzir 5% das emissões a níveis de 1990 (protocolo de Kyotto) será de 5 trilhões de dólares.
(2) Se o custo para a tonelada de CO2 for US$20/ano, o custo anual é de 4,7 trilhões de dólares para a redução de apenas 5%.
(3) E se tivermos uma crise grande com recessão, e o custo cair para US$12/ano por tonelada de CO2, a Europa terá que desenbolsar 1,5 tilhão de dólares todo ano.
Então, o que pode ser feito?
Bem, considerando que na atual crise financeira estima-se que foram gastos 10 trilhões de dólares ao redor do mundo, será que os países vão gastar esse montante de recursos para atingir metas?
É só tragédia? Não, o que deve ser feito é uma discussão séria sobre formas de controle e atuação, pessoas atuando, severamente, em cada nível de combate ao desmatamento, incentivos verdadeiros para pequenas empresas produzirem novos tipos de células de energia, novos tipos de aquecimento solar, novos tipos de carros, um novo tipo de vida. Os governos vão querer?![]()
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Créditos: artigo publicado em 27/11/2009 no site “MUDANÇAS ABRUPTAS”, e da autoria do professor Marco Antonio Leonel Caetano (formação em graduação na Matemática pela UNESP de Rio Preto e doutoramento pelo ITA, tendo passado pelas áreas de ciências espacias no INPE, estatística na UNESP como professor do curso de computação, como consultor da Odontologia da UNESP).
Introduzi subtítulos no texto para facilitar e incentivar sua leitura.
Para maiores informações, consultar o site “Mudanças Abruptas” no endereço: www.mudancasabruptas.com.br .
Imagens: do site www.mudancasabruptas.com.br .
Os livros a ler são: «A Fraude do Aquecimento Global», de Geraldo Luís Lino (Capax Dei Editora Ltda., RJ); «A Fraude do Efeito-Estufa», de Kurt G. Blüchel (Publishing House Lobmaier, SP); e «Aquecimento Global?», de Shigenori Maruyama (Oficina de Textos, SP).![]()
