O dilema da estratégia alemã para o Oriente Médio
As perspectivas futuras para o Oriente Médio foram o tema de uma recente conferência organizada pelo Clube Atlântico Alemão, em Frankfurt, com o sugestivo título “O Ponto Quente do Oriente Médio”. Na ocasião, um dos mais respeitados comentaristas da televisão alemã, Manfred Sonne, falou sobre o dilema da estratégia alemã para a região. Seu ponto central foi a observação de que, no futuro, o Oriente Médio se tornará o principal “ponto quente” para a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e o Ocidente em geral.
França: terremoto eleitoral
François Gérard Georges Nicolas Hollande (Ruão, 12 de agosto de 1954) é um político francês, servindo atualmente como 24º Presidente da França. Foi primeiro secretário do Partido Socialista de 1997 a 2008 e prefeito da comuna francesa de Tulle entre 2001 e 2008. Atualmente é presidente do conselho geral do departamento de Corrèze e deputado pelo 1º distrito. Venceu o primeiro turno e liderou as pesquisas de intenção de voto para o pleito em segundo turno da eleição presidencial da França em 2012. Confirmou seu favoritismo no segundo turno, em 6 de maio de 2012, ao obter 52% dos votos, derrotando Nicolas Sarkozy, candidato à reeleição. Ele tomou posse como presidente em 15 de maio de 2012.
Israel: agenda provocativa pós-Istambul
Talvez não haja no mundo governo mais previsível que o de Israel, quando encabeçado por um belicista assumido como o premier Benjamin Netanyahu. Após a conferência de Istambul, entre representantes do Irã e do grupo P5+1, constituído pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas e a Alemanha, a agressividade com que o premier recebeu a perspectiva de um entendimento construtivo sobre o programa nuclear iraniano já sinalizava alguma ação provocativa orientada para prejudicar o acordo, antes da segunda reunião, prevista para 23 de maio próximo, em Bagdá.
“Primavera Europeia” contra Bruxelas
O ambiente político na Europa proporcionou, nos últimos dias, evidências claras de que os cidadãos do Velho Continente estão perdendo a paciência com a submissão das políticas públicas aos ditames dos mercados financeiros, traduzida nas draconianas políticas de austeridade, que estão agravando ainda mais a situação socioeconômica de um país após o outro. Ao mesmo tempo, é cada vez mais difícil ocultar o abismo que separa as ambições e a agenda dos “eurocratas” de Bruxelas das aspirações e necessidades reais das sociedades dos países membros da União Europeia (UE).
Europa e Rússia: hora de superar “período de estagnação”
A Federação Russa é um país imensamente grande e rico, cuja história e cultura têm sido grandemente fomentadas pelo intercâmbio com a Europa. Não obstante, bem poucos europeus têm um entendimento adequado da história russa e estão dispostos a receber seriamente o país como parceiro. O problema central é que não existe um número suficiente de europeus com uma boa “visão” de como a Rússia e a Europa poderiam trabalhar juntas de forma construtiva.
Degelo com Irã aquece ira de Israel e “neocons”
O desfecho da primeira rodada de negociações entre o grupo P5+1 e o Irã, em Istambul, em 13-14 de abril, abriu espaço para uma solução civilizada sobre contencioso em torno do polêmico programa nuclear do país e, ao mesmo tempo, proporcionou uma didática oportunidade para se vislumbrarem as diversas forças políticas envolvidas no imbróglio e suas agendas.
Para onde irá a França?
Na quinta-feira 5 de abril, 20 dias antes do primeiro turno das eleições presidenciais francesas (no dia 22), o presidente Nicolas Sarkozy apresentou o seu programa eleitoral, em uma entrevista coletiva, em Paris. Sua plataforma faz referência a três valores: trabalho, autoridade e responsabilidade e os principais elementos de seu programa foram listados em uma “Carta ao povo francês”, da qual 6 milhões de cópias estão sendo enviadas aos lares franceses.
Irã: podem os EUA deter Israel?
O desfecho da nova rodada de negociações entre o Irã e o grupo P5+1, integrado pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas e a Alemanha, em Istambul, Turquia, nos próximos dias 13-14 de abril [o qual já foi realizado, quando da publicação deste texto no presente blog], deverá sinalizar a estratégia do bloco hegemônico encabeçado pelos EUA diante dos desdobramentos da crise global, particularmente, quanto ao recurso à opção “fogo no circo”, com a eventual deflagração de um novo conflito de grandes proporções.
Brasil diante de um “boi de piranha” nuclear
Em 3 de abril, o jornal The New York Times publicou um artigo de Bernard Aronson, com o sugestivo título «Pode o Brasil Deter o Irã?». O texto quase surreal sugere que o Brasil interrompa o seu programa de enriquecimento de urânio, como uma maneira de convencer o Irã a fazer o mesmo. Uma motivação evidente é a campanha de pressões contra Teerã, dias antes da nova reunião de negociações do grupo P5+1 (os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU e a Alemanha) com o Irã, em Istambul, em 13-14 de abril.
BCE bate a Reserva Federal na corrida para sustentar os bancos
Até mesmo o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, está preocupado com o risco de um surto inflacionário, depois que os bancos centrais, em apenas dois meses, entre o final de dezembro e o final de fevereiro, emitiram 1,023 trilhão de euros de nova liquidez, para apoiar o sistema bancário europeu. Em declaração recente, ele afirmou: «Estamos constantemente em alerta para o risco de inflação, mas este risco ainda não está se materializando, pelo menos por enquanto. Além disto, as expectativas de inflação permanecem firmemente ancoradas em níveis compatíveis com a estabilidade dos preços.»
Os BRICS e uma ordem mundial diferente
Qualquer análise minimamente realista do presente cenário global aponta para o esgotamento do modelo de organização dos assuntos mundiais consolidado em torno da hegemonia econômico-financeira e político-militar do eixo Washington-Nova York-Londres e seus apêndices europeus e israelenses. Definitivamente, as aspirações e necessidades do mundo crescentemente complexo, interdependente e interligado do século XXI se mostram incompatíveis com a subordinação das economias nacionais a um sistema financeiro essencialmente privatizado, desregulamentado e convertido num fim em si próprio, além da submissão da agenda das relações internacionais às diretrizes emanadas daqueles centros de poder, com frequência, impostas direta ou indiretamente pelo poder militar.
Os BRICS e a nova arquitetura global
A quarta reunião de cúpula do grupo BRICS, em 28-29 de março, na capital indiana Nova Délhi, foi marcada pela expectativa em torno da discussão sobre a criação de um banco de desenvolvimento do bloco formado pelo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. A proposta, feita pelo governo indiano, após uma sugestão de dois ex-economistas-chefes do Banco Mundial, Nicholas Stern e o Prêmio Nobel Joseph Stiglitz, recebeu o endosso imediato do governo sul-africano e, embora as discussões a respeito ainda se encontrem em estágio embrionário, representa um claro indicador das rápidas transformações em curso no cenário global.
Brasil: nova ofensiva por direitos humanos e aborto
Não é a primeira vez que se exercem sobre o Brasil os mecanismos intervencionistas encastelados na Organização das Nações Unidas (ONU); o que parece novidade é o fato de a pressão ser exercida, simultaneamente, em dois campos aparentemente contraditórios: os direitos humanos, entendidos de uma maneira ad hoc, e a legalização do aborto.
Kony 2012: “guerra de quarta geração” hollywoodiana
O vídeo começa com uma declaração franca: «Os próximos 27 minutos são uma experiência. Mas, para que ela funcione, você tem que prestar atenção.» Quem se dispuser a atender a sugestão e prestar atenção em Kony 2012, como fizeram dezenas de milhões de pessoas em todo o mundo, nas últimas semanas, será apresentado a um sanguinário senhor da guerra ugandense, Joseph Kony, líder do chamado Exército de Resistência do Senhor (LRA, na sigla em inglês), e à lista de atrocidades cometidas por ele e seu bando, em mais de duas décadas. Ao mesmo tempo, será convidado a contribuir financeiramente para a ONG responsável pelo vídeo, a Invisible Children, sediada em San Diego, EUA, além de apoiar uma intervenção militar dos EUA para livrar os ugandenses do flagelo representado por Kony.
Líbia, um ano depois: da “proteção humanitária” à balcanização
Um ano após o início da intervenção militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) na Líbia, vale a pena dar uma olhada no país, para constatar os resultados da ação que deveria proteger uma população que, supostamente, ansiava pelas bênçãos da “democracia” ocidental, das atrocidades promovidas pelo líder Muamar Kadafi. Para tanto, vejamos a avaliação de alguns conhecedores do país, ouvidos pelo sítio Voz da Rússia, que divulgou matéria a respeito, em 19 de março.
Obama-Cameron: ocaso do “atlanticismo”
A recente cúpula entre o presidente Barack Obama e o premier David Cameron, em Washington, na semana passada, serviu para que os mandatários dos EUA e do Reino Unido reafirmassem ao mundo o entendimento sem igual que os dois países têm demonstrado, no cenário global, desde a II Guerra Mundial. Como especificou o fact sheet divulgado pela Casa Branca:
O presidente Obama e o primeiro-ministro Cameron reafirmaram o nosso compromisso mútuo com a melhoria das vidas dos povos mais pobres do mundo, por intermédio da Parceria EUA-Reino Unido para o Desenvolvimento Global. Com a Parceria, estamos trabalhando juntos para lograr melhores resultados: promovendo o avanço do crescimento econômico; prevenindo conflitos em Estados frágeis; melhorando a saúde global, particularmente, para moças e mulheres;… e mitigando os efeitos das mudanças climáticas. (…)
HSBC: Senado dos EUA investigam lavagem de dinheiro
O HSBC Holdings PLC está sob investigação por um comitê do Senado dos EUA em uma investigação de lavagem de dinheiro, o mais recente passo em um esforço dos EUA, de longa duração, para deter o fluxo de dinheiro através de bancos globais sombrios, de acordo com pessoas familiarizadas com a situação de depósitos de valores mobiliários de empresas.
O novo presidente alemão: desafio ao establishment
No próximo dia 16 de março, o Parlamento alemão (Bundestag) irá eleger o novo presidente do país, para substituir Christian Wulff, que renunciou com menos de dois anos no cargo, na esteira de um escândalo de acusações de corrupção referentes ao seu posto anterior, de primeiro-ministro do estado da Baixa Saxônia. O candidato único, Hans Joachim Gauck, foi selecionado com base em um consenso suprapartidário, do qual se excluiu apenas o PDS, sucessor do antigo Partido Comunista da Alemanha Oriental.
Putin e a “alucinogenia” do Departamento de Estado dos EUA
Definitivamente, a presença de Vladimir Putin na presidência da Federação Russa, nos próximos seis anos, foi recebida pelo establishment anglo-americano como uma clara sinalização de que a estratégia hegemônica do eixo Washington-Nova York-Londres terá um poderoso contraponto, mais que capaz de neutralizar muitas das suas diretrizes.
O acordo EUA-Coreia do Norte de 2012
7 de março de 2011 (www.msia.org.br) – O recente acordo firmado entre os EUA e a Coreia do Norte é um passo importante por três razões. A primeira, porque ganha tempo. Outro teste nuclear, acompanhado do anúncio da Coreia do Norte ter conseguido miniaturizar ogivas para mísseis, só faria uma situação ruim ficar ainda pior. O acordo coloca essa possibilidade mais distante, dependendo do progresso a ser feito em novas negociações.