Guerra econômica e “terrorismo financeiro”
O rebaixamento da classificação dos títulos públicos da França, seguido de outros oito países europeus e do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF), pela agência Standard & Poor’s, não se baseou em qualquer fundamento econômico ou financeiro racional. Ao contrário, foi mais um episódio da feroz guerra intestina que se trava no contexto da crise sistêmica global, entre o eixo Wall Street-City de Londres e o bloco europeu, em torno de uma agenda mínima de re-regulamentação do sistema financeiro internacional.
Irã provoca luta faccional em Washington
O mundo continua refém de um cenário potencial de conflito de grandes proporções, na região do Oriente Médio e seu entorno. Entretanto, a temperatura e a concentração de vapores explosivos na atmosfera diminuíram um pouco, tanto por conta de iniciativas da cúpula político-estratégica dos EUA, como de certos posicionamentos de protagonistas como a Rússia e a União Europeia (UE).
“Modernização autoritária”: uma avaliação sobre o futuro da Rússia
No final de 2012, enquanto a mídia ocidental concentrava as atenções nas manifestações organizadas pela chamada oposição russa, o ex-premier eslovaco Ján Carnogurský proporcionou uma sóbria avaliação sobre a orientação estratégica da Federação Russa, um dos elementos que terá importância crucial para os desdobramentos da crise global. Em vista da piora das relações entre a Rússia e a União Europeia (UE), Carnogurský antevê uma guinada russa, afastando-se da UE e privilegiando a configuração de uma União Eurasiática, englobando as nações que formavam a extinta URSS.
Primakov: “Rússia pagou mais pelo fim da URSS que pela II Guerra Mundial”
Os desdobramentos do desmantelamento da União Soviética cobraram à Federação Russa um preço mais alto do que a II Guerra Mundial. A afirmativa não veio de um pesquisador afastado dos acontecimentos, mas de um altíssimo insider da estrutura política do país, o ex-premier Evgeny Primakov, em entrevista divulgada pela rede de televisão Russia Today, em 26 de dezembro último.
O declínio da geopolítica anglo-americana
Reza um ditado que não se ensinam truques novos a cachorros velhos. E isto parece ser ainda mais verdadeiro quando se trata do “top dog”, principalmente, quando este se vê confrontado com a incômoda realidade de que as mudanças globais o estão privando da condição de mandachuva incontestável do pedaço. Evidentemente, estamos falando dos EUA de Barack Obama, que fez uma inusitada visita ao Pentágono, em 5 de janeiro, para anunciar ao mundo as novas diretrizes estratégicas de defesa do país, agrupadas sob o autoexplicativo rótulo: «Sustentando a Liderança Global dos EUA».
Agências de classificação ou de governo?
Há algo de perverso em se acompanhar na televisão os difíceis andamentos das reuniões de chefes de Estado e de governo sobre o futuro do euro e da União Europeia (UE), enquanto, na parte inferior da tela, se sucedem as últimas avaliações das agências de classificação de risco, proclamando os rebaixamentos iminentes de suas cotações. Nos últimos dias, as “três irmãs” ofereceram “gratuitamente” as suas avaliações para baixo para toda a zona do euro em conjunto.
México: novo escândalo com inteligência dos EUA
Abalado pelas revelações sobre a crescente atuação dos serviços de inteligência dos EUA no país, a pretexto do combate ao narcotráfico, o México se vê às voltas com um novo escândalo envolvendo os ativos vizinhos.
O Irã e a guerra dos drones
A captura de um sofisticado drone de reconhecimento estadunidense representa um duro golpe assestado pelo Irã, na guerra de baixa intensidade não declarada desfechada contra o país pelo eixo anglo-americano-israelense, devido ao seu polêmico programa nuclear. Poucos analistas e observadores do cenário internacional têm dúvidas de que Washington, Londres e Tel Aviv sejam as origens dos ataques cibernéticos, explosões em instalações militares e de pesquisa, atentados contra cientistas nucleares e outras ações semelhantes desfechadas contra o país, nos últimos tempos. Porém, a captura do Lockheed Martin RQ-170 Sentinel, uma das mais avançadas aeronaves não tripuladas do arsenal dos EUA, dotada de capacidade furtiva e dedicada a missões de inteligência eletrônica, demonstra que Teerã tem em mãos cartas bem mais valiosas do que suspeitavam seus adversários.
Por quem dobram os sinos em Bagdá
«E esses americanos e todos os americanos que servem [nas Forças Armadas] são a encarnação da coragem, do desprendimento e do patriotismo. E quando eles lutam juntos e, às vezes, morrem juntos… eles trabalham como uma equipe e fazem o seu trabalho, e eles fazem isto por algo maior do que eles.» Com essas palavras, proferidas na Casa Branca, em 20 de dezembro, o presidente Barack Obama comentou a breve cerimônia realizada pouco antes, na Base Aérea de Andrews, nos arredores de Washington, com a qual encerrou oficialmente a invasão do Iraque.
Os Estados Unidos e as Nações Unidas
Um verdadeiro império precisa de aliados ou consegue obter o que quer sozinho? Aos olhos de muitos comentaristas, a ameaça representada pelo Iraque de Saddam Hussein expôs uma dicotomia simples entre “unilateralismo” e “multilateralismo”. Ao longo de toda a década de 1990, os Estados Unidos buscaram lidar com Saddam por meio das estruturas institucionais da “comunidade internacional”, uma expressão vaga que pretende normalmente se referir às Nações Unidas, mas que às vezes na verdade adula umas poucas nações que se opõem à política americana. Críticos do presidente George Bush pai alegam que ele foi muito suscetível aos desejos da comunidade internacional quando deixou de completar a expulsão do Iraque do Kuwait autorizada pela ONU com uma invasão do Iraque e uma mudança de regime em Bagdá. Doze anos depois, críticos do presidente George Bush filho alegaram o exato oposto: que ele foi surdo demais aos desejos da comunidade internacional quando ordenou – sem autorização explícita da ONU – a invasão do Iraque e a derrubada de Saddam Hussein. Na opinião deles, o governo francês estava consistentemente certo ao defender uma abordagem multilateral para o Iraque.
Narcotráfico e crise financeira: uma advertência de Moscou
Não é todo dia que um alto funcionário governamental, independentemente do seu país, demonstra o conhecimento e a determinação necessários para fazer uma avaliação realista da crise global, apontando simultaneamente as suas causas, os múltiplos efeitos e, principalmente, os beneficiários da instabilidade provocada por ela – que, por conseguinte, têm resistido a toda e qualquer iniciativa política para revertê-la. Este é o caso do diretor do Serviço Federal de Controle de Drogas da Federação Russa (FSKN, na sigla em russo), Viktor Ivanov, em diversas intervenções públicas, inclusive, nos EUA e na Europa, que fala sem rodeios sobre os vínculos entre o tráfico internacional de drogas e o sistema financeiro global.
Luzes e sombras na cúpula da UE
Uma vez mais, os chefes de Estado e de governo europeus, fortemente influenciados pelos acordos preferenciais entre Angela Merkel e Nicolas Sarkozy, não foram capazes de combinar a necessidade de rigor com a do crescimento econômico. De acordo com os líderes da zona do euro, em primeiro lugar, devem vir os cortes orçamentários, as medidas de austeridade para reduzir as dívidas públicas e as mudanças dos tratados e, só depois, se poderá pensar na recuperação econômica! Parece ser ideologicamente impossível fazer rodarem juntos o trem do rigor e o da recuperação.
O abismo Reino Unido-Europa
Às vésperas da recente cúpula europeia, um importante economista e ex-funcionário do governo alemão me disse que não nos deveríamos preocupar em demasia com o desfecho da reunião. Segundo ele, o processo de consolidação das presentes turbulências que abalam a zona do euro seria prolongado, mas com tendência a seguir o rumo dado pela dupla formada pela chanceler alemã Angela Merkel e o presidente francês Nicolas Sarkozy – já devidamente apelidada “Merkozy”. A primeira, afirmou, havia aprendido certas lições, e o segundo, que enfrentará eleições presidenciais em 2012, sabe que suas chances de reeleição são diminutas.
A Europa já passou por dias piores…
A crescente onda de pessimismo no que diz respeito à situação político-econômico-financeira da União Européia e do euro é um exagero. Não quero, com isso, dizer que não hajam problemas. O maior deles é o desnível econômico e fiscal entre os países que aderiram ao euro. Países europeus “periféricos” não se comportam da mesma maneira que os principais, como a Alemanha e a França.
O México no jogo da “narcogeopolítica”
As atividades anticonstitucionais realizadas pelos serviços de inteligência dos EUA dentro do território mexicano, especialmente a agência antidrogas DEA, fornecendo armas aos carteis de drogas do país e, segundo notícias recentes, até mesmo ajudando-os a “lavar” os seus lucros no sistema bancário, obedece a bem pensadas jogadas do poder anglo-americano. Em um momento em que a sua hegemonia global se vê cambaleante, seus mentores procuram repetir os mecanismos de controle utilizados na Guerra do Afeganistão de 1979-1988, para acelerar a desestabilização do país e deixá-lo dependente dos “narconegócios”, o que, em sua visão distorcida, poderá facilitar-lhes o controle dos recursos energéticos mexicanos, inclusive, com o uso de força militar.
Arábia Saudita nuclear, o Retorno
Enquanto as atenções mundiais estão voltadas para o programa nuclear do Irã, submetido a uma intensa pressão política e a ações de guerra irregular não declarada, seu arquiinimigo saudita volta a proclamar aos quatro ventos a intenção de se “nuclearizar”, tanto em usos civis como militares. Como já havia ocorrido em abril último, quando os sauditas manifestaram publicamente pela primeira vez uma possível opção nuclear, o porta-voz de Riad foi novamente o príncipe Turki al-Faisal, que, entre outros postos de alto nível, já foi chefe do serviço de inteligência e embaixador em Washington.
“Projeto Democracia” em ação na Rússia
As eleições parlamentares na Federação Russa proporcionaram, uma vez mais, uma demonstração às claras dos métodos de “guerra irregular” do Establishment oligárquico anglo-americano, para interferir em processos políticos em países-chave – no caso, com a utilização do seu aparato de organizações não-governamentais (ONGs) engajadas na promoção da “democracia”.
Egípcios vão às urnas e derrotam desestabilização
Na primeira rodada das eleições para a Câmara Baixa do Parlamento, que só terminarão em janeiro, os egípcios compareceram às urnas em números recordes e sem a violência que assustou o país e o mundo nas duas semanas anteriores ao pleito. Mesmo enfrentando várias dificuldades, como cédulas eleitorais de difícil entendimento e deficiências logísticas e operacionais, que resultaram em longas filas e esperas de horas nos postos eleitorais, mais da metade dos eleitores registrados se apresentou para manifestar a sua confiança majoritária na possibilidade de um novo futuro para o país.
As advertências de Medvedev e o que está em jogo para a segurança europeia
Não poucos se surpreenderam com o inesperado pronunciamento televisivo de Dmitri Medvedev, em 23 de novembro, quando o presidente russo fez uma dura advertência aos EUA e seus aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). O recado foi direto: se as preocupações de segurança da Federação Russa continuarem a ser ignoradas, com a implementação do sistema de defesa antimísseis na Europa (envolvendo a Polônia, Turquia, Romênia e Espanha), Moscou estará preparada para responder com medidas defensivas adequadas.
E se o Irã cruzar a linha?
O Irã já tem capacidade nuclear, mas a construção de armas nucleares não é uma consequência necessária dessa constatação. A Suécia, Alemanha e Japão também a têm e nunca a cruzaram, e não são suspeitos de terem a intenção de cruzar a linha entre “ter capacidade nuclear” e “ter armas nucleares”. No Brasil, cruzar essa linha é proibido pela Constituição. Mas Israel, Índia, Paquistão e Coreia do Norte fizeram isso.