EUA no cativeiro de terror: as palavras de um insider

Nos últimos anos, os interessados em analisar os impactos estratégicos ou sistêmicos das ações e políticas do governo dos EUA (entre os quais esta Resenha se inclui), além do que permitem os relatos da chamada grande mídia, têm tido uma preciosa referência no economista Paul Craig Roberts. Ao contrário da grande maioria dos críticos das políticas de Washington, Roberts não parte de posições ideológicas ou de um conhecimento externo dos fatos, mas de uma grande familiaridade com as forças e grupos de interesses que influenciam a formulação de políticas na capital estadunidense, decorrente das posições que já ocupou, entre elas, as de subsecretário do Tesouro no governo Reagan (1981-1989) e editor do Wall Street Journal.

EUA no cativeiro de terror: Síria na “linha vermelha”

Enquanto prosseguem os desdobramentos do ataque terrorista em Boston, com a narrativa oficial se alterando a cada dia, os grupos de poder que dominam o governo dos EUA se empenham em amplificar o virtual cativeiro de terror e conflito permanente no qual mantêm a população estadunidense, assestando as baterias sobre a Síria.

A loucura da saída do euro e da “desvalorização competitiva”

Após as recentes explosões populares em vários países europeus, até mesmo as eleições alemãs de setembro próximo poderão reservar alguma surpresa desagradável. De fato, já surgiu no país um novo partido político que propõe o abandono do euro.

Boston: os “suspeitos de sempre”

Para muitos observadores que têm acompanhado com atenção a série de atentados terroristas ocorridos desde 11 de setembro de 2001, era uma questão de tempo até surgirem os suspeitos habituais e as motivações do ataque em Boston, na linha de chegada da tradicional maratona da cidade: os indefectíveis radicais islâmicos. Como o mundo foi informado pelas autoridades estadunidenses, que estão interrogando o alegado coautor sobrevivente dos ataques, o checheno naturalizado Dzhokhar Tsarnaev e seu irmão Tamerlan, morto em confronto com policiais, teriam agido sozinhos e com motivações religiosas, para “protestar contra as guerras dos EUA no Iraque e no Afeganistão”. Caso encerrado – ou, pelo menos, assim se pretende que seja.

VÍDEO: “EDUCAÇÃO, CONTROLE MENTAL E NOVA ORDEM MUNDIAL”

Os funerais de uma desalmada

«Ela foi uma mulher perversa» — disse o eminente parlamentar George Galloway, o mais corajoso homem de esquerda da Grã Bretanha da atualidade, ao protestar contra a falácia da tentativa de glorificação de Margaret Thatcher pelo governo conservador.

Crise bancária: preparando uma guerra entre contribuintes e poupadores

A decisão do governo de Chipre, empurrado por uma Troika demasiado intrusiva, de tributar todas as contas acima de 100 mil euros nos bancos cipriotas ameaçados de quebra, implica em um teste premeditado e um precedente perigoso para toda a União Europeia (UE). Isto pode ser afirmado com toda certeza. A confirmação da ameaça veio do porta-voz de Michel Barnier, o comissário europeu para o Mercado Interno, segundo o qual não se poderia excluir a possibilidade de que, futuramente, os depósitos acima daquele valor poderão ser usados nas operações de salvamento dos bancos em crise.

Mudança de fase na Rússia: aumentam os “mal entendidos” no Ocidente

Ao longo dos últimos meses, as relações entre a Rússia e o Ocidente têm sido caracterizadas pelo aumento dos “mal entendidos” e por uma crescente brecha ideológica. A razão para isto são as diferenças de percepção de interesses estratégicos entre os dois lados, aí incluídos o conflito na Síria, as controvérsias na Europa Oriental, envolvendo os planos dos EUA de estacionar sistemas de defesa antimísseis na região, a estagnação nas relações entre Barack Obama e Vladimir Putin e, não menos, a crise econômico-financeira que se arrasta desde 2008.

Brincando com fogo na Península Coreana

É irônico que tenha cabido ao combalido ex-líder cubano Fidel Castro fazer uma das mais sérias advertências sobre a confrontação em curso na Península Coreana e o risco inerente de que a disputa retórica saia de controle e redunde em um conflito de grandes proporções. Em um artigo divulgado em 4 de abril, Castro qualificou a crise como “um dos mais sérios perigos de guerra nuclear desde a Crise de Outubro, em torno de Cuba, em 1962, 50 anos atrás” – e, por ter estado no centro deste último evento, ele bem conhece uma coisa ou duas sobre o tema crise nuclear.

Tragédia no Chipre, alerta para o mundo

Para quem acredita que a tragédia civilizatória que se abateu sobre os desafortunados cidadãos comuns da República de Chipre é algo distante das perspectivas para os demais países envolvidos na crise sistêmica global, é melhor pensar mais de duas vezes. Além de uma implacável lição sobre a incapacidade de os mercados financeiros desregulamentados poderem proporcionar as bases de funcionamento de uma economia moderna, o que está em curso na ilha mediterrânea é a mais cabal demonstração do abismo quase intransponível que separa os interesses embutidos nas agendas políticas das elites dirigentes – no caso, cipriotas e europeias – e as aspirações, necessidades e direitos elementares da grande maioria da sociedade, implacavelmente espezinhados pelos “interesses estabelecidos” – ou, se preferirem, do Establishment oligárquico. Com a decisão de impor um confisco puro e simples aos depósitos bancários superiores a 100 mil euros, em proporções que poderão chegar até 80%, as autoridades cipriotas e europeias estão sinalizando um insidioso e perigoso precedente que poderá ser utilizado em outros países assolados pela crise.

O BRICS e seu recado

A quinta cúpula do grupo BRICS, realizada em 27 de março, em Durban, África do Sul não fugiu ao padrão das anteriores, em termos da grande variedade de interpretações sobre o seu significado e dos resultados obtidos, diante das expectativas geradas. No extremo negativo, encontramos as tradicionais análises sobre a diversidade de interesses dos integrantes do bloco, que dificultaria as iniciativas de maior relevância, como o pretendido banco de desenvolvimento do grupo, o “Banco dos BRICS”, cuja criação foi adiada para 2014, aparentemente, devido à relutância da Federação Russa – inobstante o fato de que o próprio presidente Vladimir Putin já ter reiterado a importância da criação do banco para as pretensões futuras do bloco de atuar como um novo fator de peso no cenário global multipolar em formação.

Chipre: teste para cobrar dos correntistas as dívidas dos bancos

A provação de Chipre é a prova cabal da incompetência de Bruxelas e da “Troika” (Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu) para lidar com a crise financeira e bancária na Europa. Com ela, os eurocratas têm sido capazes de mostrar toda a sua arrogância, com o apoio dos europeus “duros” que querem aplicar o rigor apenas para salvar os bancos inadimplentes.

Perspectivas para o segundo mandato de Obama

«Entre a Insegurança e a Esperança – o Segundo Período Presidencial de Obama.» Este foi o título de um fórum político organizado pela Fundação Konrad Adenauer, em 9 de março último, reunindo especialistas estadunidenses e europeus, para discutir o segundo mandato do presidente dos EUA. No centro do debate esteve a questão sobre as reais capacidades de os EUA exercerem a função de “potência global”, especialmente, em razão de sua situação orçamentária e de sua enorme dívida. Com uma maioria do Partido Republicano na Câmara dos Deputados e uma maioria democrata no Senado, o segundo mandato de Obama será caracterizado por drásticos cortes orçamentários e pela tentativa de buscar uma maior cooperação por parte dos republicanos. Isto, após dois anos caracterizados pela paralisia total e por disputas “ideológicas” entre republicanos e democratas.

Grandes demais para quebrar – e para se processar

Se alguma evidência do fato de que o sistema financeiro se converteu em uma virtual ditadura de alcance global ainda fosse necessária, a mais alta autoridade judiciária da maior economia do mundo acaba de proporcioná-la. Em recente audiência no Comitê Judiciário do Senado dos EUA, o procurador-geral Eric Holder admitiu com todas as letras o que é de conhecimento público: os megabancos estão fora do alcance da lei.

Potências nucleares: rejeitando o arado empunhando a espada

Cinco países são reconhecidos internacionalmente como “estados dotados de armas nucleares”. Possuem essas armas por direito concedido pelo Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP): os EUA, Reino Unido, França, China e Rússia. Entretanto, outros países têm essas armas “de fato” e não “de direto”. Três deles, não signatários do TNP, declararam formalmente e demonstraram na [...]

Europa: ópera bufa em meio à tragédia épica

Os resultados das recentes eleições na Itália, somados aos incessantes protestos populares em vários países europeus, denotam a grande dificuldade de as elites políticas e econômicas da zona do euro defenderem o “projeto europeu” em sua forma presente, em que as políticas econômicas e financeiras dos governos do bloco ficam subordinadas aos ditames da alta finança globalizada e a população é convocada a pagar a conta dos prejuízos causados pelos excessos especulativos desta última. E uma avaliação superficial aponta uma tendência de alta para essa dificuldade.

O Irã e o militarismo estadunidense

No final de fevereiro, realizou-se em Almaty, Cazaquistão, a mais recente rodada de negociações entre o Irã e o grupo P5+1, constituído pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas e a Alemanha, referente ao polêmico programa nuclear iraniano. Após dois dias de intensas conversas, ambas as partes manifestaram posições otimistas, tendo os iranianos considerado-as “mais realistas” e o P5+1, “construtivas”, “positivas” e “úteis”. Como resultados imediatos, decidiu-se pela realização de uma reunião de especialistas técnicos das duas partes, em Istambul, em 18 de março, seguida por uma nova reunião política, em 5-6 de abril, novamente em Almaty.

Os “fatores-X” de Davos: malthusianismo, eugenia, ambientalismo e ETs

Na 43ª. reunião anual do Fórum Econômico Mundial (WEF), o conhecido Fórum de Davos, no final de janeiro, foi apresentada a oitava edição do “Relatório dos Riscos Globais”, que aponta os principais riscos de importância sistêmica esperados para os próximos anos. Como ocorre com todas as discussões em Davos, o documento proporciona um oportuno insight do enfoque com o qual as elites globalizadas veem os assuntos mundiais, com ênfase na crise sistêmica e seus desdobramentos, além de servir como um importante fator de formação do “pensamento de grupo” que orienta aqueles altos círculos internacionais. Na edição de 2013, não surpreende que os dois principais riscos sistêmicos esperados para a próxima década sejam uma grande quebra do sistema financeiro internacional e o fracasso da adaptação às mudanças climáticas alegadamente induzidas pelas atividades humanas.

Meteoros sobre Wall Street e a City?

A recente queda de um meteorito na Rússia levou muita gente a comentar, apenas em meio tom de galhofa, que, se ele tivesse caído à noite sobre Wall Street ou a City de Londres, o mundo teria dado um grande passo para solucionar a crise sistêmica global, com a eliminação da infraestrutura física de pelo menos um dos núcleos da alta finança global, que tem mantido a economia real escravizada aos ditames da especulação financeira descontrolada. Entretanto, mesmo sem meteoritos, os dois centros financeiros se veem às voltas com uma cota crescente de problemas, os quais se refletem, inclusive, no número cada vez maior de integrantes da própria estrutura financeira que admitem que os privilégios do sistema chegaram ao limite.

Às vésperas da guerra monetária?

O risco de que o mundo se precipite em um perigoso cenário de guerra monetária se torna cada vez mais concreto. Por este motivo, é preciso continuar insistindo na necessidade de uma parceria estratégica entre governos e grandes atores econômicos, para a reforma do sistema financeiro e monetário internacional. Cada vez mais, se faz urgente e necessário um novo acordo de Bretton Woods.

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