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	<title>Blog do Ambientalismo &#187; Governo mundial</title>
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	<description>O que você precisa saber sobre Ambientalismo, Indigenismo e Governo Mundial</description>
	<lastBuildDate>Tue, 15 May 2012 16:22:38 +0000</lastBuildDate>
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		<title>O dilema da estratégia alemã para o Oriente Médio</title>
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		<pubDate>Tue, 15 May 2012 16:14:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
				<category><![CDATA[Governo mundial]]></category>

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		<description><![CDATA[As perspectivas futuras para o Oriente Médio foram o tema de uma recente conferência organizada pelo Clube Atlântico Alemão, em Frankfurt, com o sugestivo título "O Ponto Quente do Oriente Médio". Na ocasião, um dos mais respeitados comentaristas da televisão alemã, Manfred Sonne, falou sobre o dilema da estratégia alemã para a região. Seu ponto central foi a observação de que, no futuro, o Oriente Médio se tornará o principal "ponto quente" para a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e o Ocidente em geral.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp"><img class="aligncenter  wp-image-10770" title="msiA iNFORMA" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp" alt="" width="240" height="50" /></a><strong></strong></p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><strong>As perspectivas futuras para o Oriente Médio foram o tema de uma recente conferência organizada pelo Clube Atlântico Alemão, em Frankfurt, com o sugestivo título &#8220;O Ponto Quente do Oriente Médio&#8221;. Na ocasião, um dos mais respeitados comentaristas da televisão alemã, Manfred Sonne, falou sobre o dilema da estratégia alemã para a região. Seu ponto central foi a observação de que, no futuro, o Oriente Médio se tornará o principal &#8220;ponto quente&#8221; para a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e o Ocidente em geral.</strong></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Com a retirada das tropas da força internacional (ISAF) do Afeganistão, prevista para se completar ao final de 2014, uma série de novos problemas deverá emergir. Uma questão crucial será: quem financiará o Exército e a Polícia afegãos – uma força de 320 mil homens, muitos dos quais treinados pela ISAF? Uma vez que o totalmente corrompido governo afegão não assumirá tal responsabilidade, o problema será um dos temas centrais da cúpula da OTAN, em Chicago, em 21-22 de maio próximos. Para complicar, 80% dos policiais afegãos são analfabetos, enquanto o tráfico de drogas representa 80% das atividades econômicas do país.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma olhada na situação do Iraque mostra que, após quase nove anos de invasão militar, a situação está longe da estabilidade. O país vive um estado de guerra civil permanente, causada pelas tensões entre sunitas, xiitas e curdos. As rebeliões árabes, como demonstram as voláteis situações no Egito e na Líbia, também não contribuíram para a estabilidade regional. E, na linha de frente das preocupações, está a confrontação com o Irã, com a questão-chave de se o país optará ou não pela construção de uma arma nuclear.</p>
<p style="text-align: justify;">Em sua recente visita a Berlim, o ministro da Defesa israelense Ehud Barak deixou claro que seu país &#8220;mantém na mesa a opção de um ataque preventivo contra o Irã, para impedi-lo de adquirir uma bomba nuclear&#8221;. Na oportunidade, ele foi contestado por seu colega alemão, Thomas de Maizière, que manifestou a oposição alemã a tal solução militar.</p>
<p style="text-align: justify;">As lideranças alemãs sabem que, se houver um ataque israelense ao Irã, a Alemanha se veria diretamente envolvida, por questões políticas, econômicas e de segurança. Como foi observado na conferência de Frankfurt, o pano de fundo para isso é a declaração feita pela chanceler Angela Merkel, no Parlamento israelense, em maio de 2008, na qual afirmou:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><em>«A Alemanha sente uma responsabilidade especial com respeito à segurança de Israel, e a segurança de Israel é parte da raison d&#8217;État [razão de Estado] da Alemanha.»</em></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Como a Alemanha é um importante fornecedor de equipamentos militares a Israel, o país, muito provavelmente, sofreria as consequências estratégicas de um ataque militar ao Irã, o que explica as tentativas de de Maizière e outros políticos alemães, no sentido de desescalar a confrontação com o Irã.</p>
<p style="text-align: justify;">A raiz das preocupações alemãs é o fato de que o país já forneceu três submarinos classe Dolphin a Israel, a verdadeiros preços de barganha, devendo outros dois serem entregues até o final deste ano, com um sexto encomendado. Com estes submarinos, que estão entre os melhores do mundo, Israel obteve uma importante capacidade estratégica de retaliação nuclear, tendo equipado-os com mísseis de cruzeiro dotados de ogivas nucleares e mantendo permanentemente um deles operando no Golfo Pérsico.</p>
<p style="text-align: justify;">Ademais, Israel continua recebendo uma importante ajuda militar dos EUA, que, por sua vez, reforçaram a sua presença naval no Golfo Pérsico e ampliaram as suas bases navais em Bahrein e no Kuwait.</p>
<p style="text-align: justify;">Nos debates em Frankfurt, não obstante, as atuais relações governamentais alemãs-israelenses foram descritas como encontrando-se &#8220;abaixo de zero&#8221;. Merkel, afirmou-se, estaria &#8220;frustrada&#8221; e &#8220;resignada&#8221;, pelas fúteis tentativas de convencer o premier Benjamin Netanyahu a interromper a sua controvertida política de assentamentos em Gaza e na Cisjordânia, abrindo caminho para a criação do Estado Palestino. Na visão de Berlim, um ataque ao Irã teria, também, graves implicações para a economia mundial, com uma imediata elevação dos preços do petróleo, que acarretaria consequências devastadoras para a zona do euro e a própria economia alemã.</p>
<p style="text-align: justify;">Na conferência, observou-se que a recente reunião do grupo P5+1 com o Irã, em Istambul, terminou de forma &#8220;construtiva&#8221;. Agora, todas as atenções estão voltadas para a próxima rodada de negociações, em 23 de maio, em Bagdá, quando se espera que o Irã ofereça garantias concretas de que o seu programa de enriquecimento de urânio não deverá ultrapassar o limite de 20% de enriquecimento, a ser verificado pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Se a oportunidade for perdida, afirmou-se, os EUA e a União Europeia deverão impor pesadas sanções econômicas ao país, cujas consequências serão devastadoras para a economia iraniana.</p>
<h2 style="text-align: left;" align="center">A controvérsia de Günter Grass</h2>
<p style="text-align: justify;">O desconforto da maioria da população alemã com a possibilidade de uma nova guerra no Oriente Médio se mostrou, indiretamente, nos acalorados debates resultantes da publicação de um poema do escritor Günter Grass, no jornal Süddeutsche Zeitung, no qual criticou Israel como sendo uma ameaça à segurança mundial. O poema, reconhecidamente tosco, motivou uma furiosa reação oficial, tanto do governo alemão como do israelense, que, prontamente, declarou Grass como persona non grata no país e o qualificou de antissemita (o que ele, notoriamente, não é, como admitiu o ex-embaixador israelense em Berlim, Avi Primor).</p>
<p style="text-align: justify;">Entretanto, em paralelo com tal polêmica, outras análises tiveram ampla divulgação na imprensa alemã. O semanário Die Zeit republicou um artigo do editor da revista estadunidense The New Yorker, David Remnick, no qual expressa uma profunda preocupação com as políticas extremistas do governo de Netanyahu, apoiadas pelos partidos religiosos e fanáticos ultraortodoxos israelenses. Segundo ele, as pesquisas mostram que um crescente número de jovens israelenses que serviram nos territórios ocupados têm se tornado firmes apoiadores da política de assentamentos do premier (a maioria dos assentados são judeus ultraortodoxos, que são apoiados pelos evangélicos estadunidenses).</p>
<p style="text-align: justify;">Nas discussões em Frankfurt, levantou-se outro dilema para Israel, a &#8220;bomba demográfica&#8221;. Em dez anos, a persistirem as atuais taxas de fertilidade, 35% da população serão de origem árabe, e o outro grupo demográfico que também cresce rapidamente é o dos ultraortodoxos. A tendência é preocupante, pois tende a agravar as tensões sociais e econômicas.</p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000080;"><strong><em>Elisabeth Hellenbroich</em>, de Wiesbaden</strong></span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #ff6600;"><strong><em><em><strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em></em></strong></span></p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo.png"><img class="aligncenter" title="div-novo" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo-300x13.png" alt="" width="300" height="13" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Créditos </strong>➞<strong> </strong>este post é matéria apresentada no Boletim Eletrônico <strong><em>MSIa INFORMA</em></strong>, do <strong><em>MSIa –</em></strong><em> <strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em>, Vol. III, N<sup>o</sup> 48, de 04 de maio de 2012.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>MSIa INFORMA</em></strong><strong> </strong>➞<strong> </strong>é uma publicação do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa). Conselho Editorial: Angel Palacios, Geraldo Luís Lino, Lorenzo Carrasco (Presidente), Marivilia Carrasco e Silvia Palacios. Endereço: Rua México, 31 &#8211; sala 202 &#8211; Rio de Janeiro (RJ) &#8211; CEP 20031-144; Telefax: 0xx 21-2532-4086.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Para saber mais sobre o tema </strong>➞<strong> </strong>visitar os sites da MSIa/Capax Dei:<strong> </strong><a href="http://www.alerta.inf.br/">http://www.alerta.inf.br/</a> e <a href="http://www.msia.org.br/">http://www.msia.org.br/</a>.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Mensagens e sugestões </strong>➞<strong> </strong>favor enviar para msia@msia.org.br</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-10bMicro.jpg"><img class="alignright" title="harpia-10bMicro" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-10bMicro.jpg" alt="" width="60" height="49" /></a>Para adquirir as publicações da Capax Dei Editora Ltda.</strong> ➞ loja virtual em: <a href="http://www.capaxdei.com.br/">www.capaxdei.com.br</a>; e-mail : capaxdeieditora@gmail.com</p>
]]></content:encoded>
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		<title>França: terremoto eleitoral</title>
		<link>http://blogdoambientalismo.com/franca-terremoto-eleitoral/</link>
		<comments>http://blogdoambientalismo.com/franca-terremoto-eleitoral/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 15 May 2012 15:59:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
				<category><![CDATA[Governo mundial]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blogdoambientalismo.com/?p=13173</guid>
		<description><![CDATA[François Gérard Georges Nicolas Hollande (Ruão, 12 de agosto de 1954) é um político francês, servindo atualmente como 24º Presidente da França. Foi primeiro secretário do Partido Socialista de 1997 a 2008 e prefeito da comuna francesa de Tulle entre 2001 e 2008. Atualmente é presidente do conselho geral do departamento de Corrèze e deputado pelo 1º distrito. Venceu o primeiro turno e liderou as pesquisas de intenção de voto para o pleito em segundo turno da eleição presidencial da França em 2012. Confirmou seu favoritismo no segundo turno, em 6 de maio de 2012, ao obter 52% dos votos, derrotando Nicolas Sarkozy, candidato à reeleição. Ele tomou posse como presidente em 15 de maio de 2012.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp"><img class="aligncenter  wp-image-10770" title="msiA iNFORMA" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp" alt="" width="240" height="50" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Independentemente do resultado do segundo turno, no próximo domingo 6 de maio, as eleições presidenciais francesas [que já se realizaram, com a vitória de François Hollande ↓] já significam um forte abalo sísmico histórico na Europa. Seja o vencedor o desafiante socialista François Hollande ou o presidente Nicolas Sarkozy, o pleito francês assinala um claro ponto de inflexão na crise sistêmica global, com destaque particular para a sua vertente europeia.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2012/05/hollande.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-13179" title="hollande" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2012/05/hollande-300x199.jpg" alt="" width="300" height="199" /></a></p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><strong>[Nota do Editor: François Gérard Georges Nicolas Hollande (Ruão, 12 de agosto de 1954) é um político francês, servindo atualmente como 24º Presidente da França. Foi primeiro secretário do Partido Socialista de 1997 a 2008 e prefeito da comuna francesa de Tulle entre 2001 e 2008. Atualmente é presidente do conselho geral do departamento de Corrèze e deputado pelo 1º distrito. Venceu o primeiro turno e liderou as pesquisas de intenção de voto para o pleito em segundo turno da eleição presidencial da França em 2012. Confirmou seu favoritismo no segundo turno, em 6 de maio de 2012, ao obter 52% dos votos, derrotando Nicolas Sarkozy, candidato à reeleição. Ele tomou posse como presidente em 15 de maio de 2012.]<sup> Wikipedia/Husc</sup></strong></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">De forma visível, uma grande parcela do eleitorado gaulês não se mostrou identificada com as correntes políticas majoritárias, visto que a soma dos votos de Hollande e Sarkozy mal atingiu 55%. Em paralelo, uma significativa maioria dos votos &#8211; mais de 70% &#8211; foi atribuída a candidatos que atacaram de forma ostensiva a hegemonia das finanças nas políticas públicas, em especial, os draconianos programas de &#8220;austeridade&#8221; que estão sendo impostos pelos governos da União Europeia (UE).</p>
<p style="text-align: justify;">Por outro lado, as expressivas votações de Marine Le Pen (Frente Nacional) e Jean-Luc Mélenchon (Frente de Esquerda) &#8211; que, juntos, obtiveram 30% dos sufrágios &#8211; parecem remeter a um processo com causas mais profundas que meros votos de protesto. Em entrevista publicada no jornal O Globo de 29 de abril, o sociólogo Michel Maffesoli, professor da Universidade de Paris-Descartes/Sorbonne, acusa a classe política francesa de estar desconectada da realidade e a intelectualidade, de permanecer mergulhada nas ideias do Iluminismo. Segundo ele, &#8230;</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">&#8230; <em>«esta intelligentsia, de esquerda e de direita, permanece na filosofia do Iluminismo, elaborada no século XVIII&#8230; E ela não se deu conta de que há uma mudança no ambiente, e não sabe mais dizer o que é vivido. Quando há um desacordo, um fosso, entre o que é dito e o que é vivido, é ali que vão se aninhar os discursos de ódio, de xenofobia, de racismo, de extremos.»</em> (&#8230;)</p>
<p style="text-align: justify;">(&#8230;) <em>«Penso que no momento há o que os latinos chamavam de secessio plebis (os plebeus romanos abandonavam a cidade em oposição ao poder), quando a população fazia &#8220;secessão&#8221; e se retirava para uma colina romana&#8230; Estamos numa espécie de momento não explosivo, mas que Jean Baudrillard chamaria de &#8220;implosivo&#8221;. Há uma recusa da sociedade de se reconhecer nas instituições oficiais. Uma dessintonia entre a sociedade oficial, das instituições, e a oficiosa. Quando há essas secessões, não se trata de uma crise de identidade, mas, ao contrário, é a afirmação de um tipo de vitalidade, que vai se expressar de uma outra forma amanhã, depois de amanhã, ou mais tarde.»</em> (&#8230;)</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Igualmente antenado com os fatos e, principalmente, preocupado com a maré montante contrária à hegemonia financeira, o editor emérito da UPI, Martin Walker, voltou a dedicar uma coluna às eleições francesas. Escrevendo em 30 de abril, ele afirmou que o pleito &#8230;</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">&#8230; <em>«ganhou um significado mais amplo, na medida em que outros países europeus veem a França oferecendo uma alternativa orientada para o crescimento, contra as políticas de austeridade lideradas pela Alemanha, que é responsabilizada pelo aprofundamento da recessão.»</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>«Tanto o presidente Nicolas Sarkozy como o favorito candidato socialista François Hollande estão desafiando abertamente a insistência alemã nos cortes orçamentários e disciplina fiscal&#8230; Em toda a Europa, cinco anos de crise financeira e desemprego crescente estão sacudindo os partidos políticos tradicionais, dando um novo peso aos partidos extremistas de direita e esquerda e a partidos regionais, da Escócia à Espanha e ao Norte da Itália.»</em></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">De fato, a votação gaulesa não pode ser entendida no contexto do superado embate direita-esquerda, velha herança da Revolução Francesa. De forma emblemática, Marine Le Pen, geralmente apontada como uma nova líder neofascista, amealhou quase um quinto dos votos, arrebatando eleitores que, anteriormente, sequer se davam ao trabalho de votar. Em um discurso proferido no feriado de 1º. de maio, depois de depositar flores no túmulo de Joana d&#8217;Arc, ela manifestou a intenção de votar em branco no segundo turno e disse aos seus eleitores (O Globo, 2/05/2012):</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><em>«Qual o efeito em vocês, meus caros amigos, de passar do papel de idiota que vota em Marine Le Pen ao de árbitro da eleição presidencial? Qual o efeito de ter passado do status de &#8220;fascista, racista e xenófobo&#8221; ao de um &#8220;francês com verdadeiras preocupações&#8221;?»</em></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Na ocasião, ela afirmou também que seu partido está se concentrando nas eleições legislativas de junho próximo, nas quais pretendem eleger pela primeira vez parlamentares para a Assembleia Nacional &#8211; e cuja importância poderá ser ainda mais relevante que as próprias eleições presidenciais.</p>
<p style="text-align: justify;">Talvez, não seja coincidência que analistas russos, escolados no dilema existencial de seu país, frente ao cenário da hegemonia do eixo anglo-americano, vejam Le Pen sob olhos um tanto distintos dos da mídia ocidental. Um exemplo característico é o artigo da colunista do sítio Pravda.ru, Olivia Kroth, publicado em 20 de março último (&#8220;Marine Le Pen, a nova Joana d&#8217;Arc&#8221;), no qual afirma:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><em>«Marine Le Pen está invocando a memória de Joana d&#8217;Arc, por sua firme oposição contra a ideia anglo-saxã de um mundo unipolar. Os EUA não apenas mantêm a Europa de cócoras, tratando-a como uma espécie de colônia ou satrapia estadunidense do ultramar, mas se lançaram globalmente, exigindo que todos os países da OTAN, inclusive a França, devem tomar parte em uma nova Guerra dos Cem Anos contra o Iraque, Afeganistão, Líbia, Síria e o Irã, como a próxima vítima. Marine Le Pen se opõe firmemente a estas aspirações beligerantes dos EUA, dizendo que, em uma presidência sua, a França não participará em qualquer dessas guerras.»</em></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Curiosamente, entre os setores políticos franceses alinhados com os conceitos da esquerda, há um considerável apoio a tais intervenções internacionais, sob a égide da chamada &#8220;resposabilidade de proteger&#8221; (R2P, no jargão em inglês), com a qual Sarkozy justificou a intempestiva operação militar na Líbia. Por isso, dependendo, entre outros fatores, do desempenho da Frente Nacional nas eleições de junho, a França poderá apresentar uma face diferente no cenário global, nos meses vindouros.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim sendo, é possível que a realidade dos fatos ou, para ficarmos na França, &#8220;a força das coisas&#8221;, nas palavras do general de Gaulle, acabe se impondo e forçando até mesmo a iluminista intelligentsia francesa a se reciclar e passar a observar com a devida atenção a dinâmica civilizatória deste início do século XXI. Afinal, a França tem uma antiga tradição de vanguardista de grandes movimentos históricos, e não é por acaso que os arautos do status quo estão bastante preocupados com os desdobramentos da eleição gaulesa.</p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #ff6600;"><strong><em><em><strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em></em></strong></span></p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo.png"><img class="aligncenter" title="div-novo" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo-300x13.png" alt="" width="300" height="13" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Créditos </strong>➞<strong> </strong>este post é matéria apresentada no Boletim Eletrônico <strong><em>MSIa INFORMA</em></strong>, do <strong><em>MSIa –</em></strong><em> <strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em>, Vol. III, N<sup>o</sup> 48, de 04 de maio de 2012.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>MSIa INFORMA</em></strong><strong> </strong>➞<strong> </strong>é uma publicação do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa). Conselho Editorial: Angel Palacios, Geraldo Luís Lino, Lorenzo Carrasco (Presidente), Marivilia Carrasco e Silvia Palacios. Endereço: Rua México, 31 &#8211; sala 202 &#8211; Rio de Janeiro (RJ) &#8211; CEP 20031-144; Telefax: 0xx 21-2532-4086.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Para saber mais sobre o tema </strong>➞<strong> </strong>visitar os sites da MSIa/Capax Dei:<strong> </strong><a href="http://www.alerta.inf.br/">http://www.alerta.inf.br/</a> e <a href="http://www.msia.org.br/">http://www.msia.org.br/</a>.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Mensagens e sugestões </strong>➞<strong> </strong>favor enviar para msia@msia.org.br</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-10bMicro.jpg"><img class="alignright" title="harpia-10bMicro" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-10bMicro.jpg" alt="" width="60" height="49" /></a>Para adquirir as publicações da Capax Dei Editora Ltda.</strong> ➞ loja virtual em: <a href="http://www.capaxdei.com.br/">www.capaxdei.com.br</a>; e-mail : capaxdeieditora@gmail.com</p>
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		<title>Israel: agenda provocativa pós-Istambul</title>
		<link>http://blogdoambientalismo.com/israel-agenda-provocativa-pos-istambul/</link>
		<comments>http://blogdoambientalismo.com/israel-agenda-provocativa-pos-istambul/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 08 May 2012 18:21:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
				<category><![CDATA[Governo mundial]]></category>

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		<description><![CDATA[Talvez não haja no mundo governo mais previsível que o de Israel, quando encabeçado por um belicista assumido como o premier Benjamin Netanyahu. Após a conferência de Istambul, entre representantes do Irã e do grupo P5+1, constituído pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas e a Alemanha, a agressividade com que o premier recebeu a perspectiva de um entendimento construtivo sobre o programa nuclear iraniano já sinalizava alguma ação provocativa orientada para prejudicar o acordo, antes da segunda reunião, prevista para 23 de maio próximo, em Bagdá.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp"><img class="aligncenter  wp-image-10770" title="msiA iNFORMA" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp" alt="" width="235" height="49" /></a></p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><strong>Talvez não haja no mundo governo mais previsível que o de Israel, quando encabeçado por um belicista assumido como o premier Benjamin Netanyahu. Após a conferência de Istambul, entre representantes do Irã e do grupo P5+1, constituído pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas e a Alemanha, a agressividade com que o premier recebeu a perspectiva de um entendimento construtivo sobre o programa nuclear iraniano já sinalizava alguma ação provocativa orientada para prejudicar o acordo, antes da segunda reunião, prevista para 23 de maio próximo, em Bagdá.</strong></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Pois não foi preciso esperar muito: na terça-feira 24 de abril, véspera do 64º. aniversário da fundação de Israel, seu governo anunciou a legalização de três novas colônias na Cisjordânia, pela primeira vez desde 1990.</p>
<p style="text-align: justify;">A ação provocou a esperada onda de indignação mundial &#8211; que, afinal, era a sua intenção. Até mesmo o Departamento de Estado dos EUA reagiu com uma nota em um tom incomum, em se tratando de críticas a Israel.</p>
<p style="text-align: justify;">«Nós não achamos que seja útil ao processo e não aceitamos a legitimidade da continuada atividade dos assentamentos» — disse um porta-voz (<em>Financial Times</em>, 25/04/2012).</p>
<p style="text-align: justify;">A decisão foi igualmente condenada pelos governos da França, Reino Unido, Alemanha, Turquia e Jordânia, e pelo secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, geralmente dócil diante da agressividade israelense, que lembrou que &#8220;toda a atividade dos assentamentos é ilegal perante o Direito Internacional&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Enquanto isso, nos EUA, os &#8220;neoconservadores&#8221; faziam a sua parte para manter a temperatura elevada em relação ao programa nuclear iraniano. Na edição de 30 de abril da revista Weekly Standard, um dos principais condutos midiáticos do grupo de ultrabelicistas, Reuel Marc Gerecht, pesquisador sênior da Fundação para a Defesa das Democracias (Foundation for Defense of Democracies), escreveu a seguinte diatribe:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><em>«O líder supremo</em> [Ali Khamenei]<em> e seus guardas podem ter nas mãos uma arma nuclear em meros 43 dias, desde que os cientistas nucleares do Irã tenham dominado a manufatura de um detonador nuclear – tecnicamente muito menos difícil que o enriquecimento</em> [de urânio].<em>»</em></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Em um dramático contraste com os adeptos da opção &#8220;fogo no circo&#8221;, o militar mais graduado de Israell, tenente-general Benny Gantz, chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel (FDI), concedeu uma sóbria entrevista ao jornal Ha&#8217;aretz de 25 de abril, cujo título geral foi:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><em>«Eu não acredito que o Irã decida desenvolver armas nucleares.»</em></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Usando de uma linguagem que, segundo o jornalista Amos Harel, &#8220;está distante da retórica dramática do premier Benjamin Netanyahu&#8221; e &#8220;livre das comparações com o Holocausto, tão do agrado dos políticos israelenses&#8221;, Gantz afirmou que não há necessidade de &#8220;histeria&#8221; quanto à atitude frente ao Irã.</p>
<p style="text-align: justify;">Para ele, o Irã &#8220;está indo passo a passo para a posição em que será capaz de decidir sobre a construção de uma bomba nuclear. Eles ainda não se decidiram a dar o passo final&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Em sua avaliação, se o aiatolá Khamenei tomar a decisão, <em>«eu acredito que ele estaria cometendo um erro enorme, e não acho que ele dará o passo final. Eu acho que a liderança iraniana é constituída de pessoas bastante racionais. Mas eu concordo com que tal capacidade, nas mãos de fundamentalistas islâmicos, que, em dados momentos, poderiam fazer cálculos diferentes, é perigosa»</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">As considerações de Gantz refletem, em grande medida, a posição de sua contraparte estadunidense, general Martin Dempsey, que visitou Israel em janeiro último, para transmitir às lideranças israelenses a oposição da cúpula militar dos EUA a um ataque ao Irã (o que também contraria outros setores do &#8220;complexo de segurança nacional&#8221; estadunidense).</p>
<p style="text-align: justify;">As posições aparentemente convergentes dos dois chefes militares ocultam as ferozes disputas internas que se travam nos establishments dos respectivos países, pelo que as perspectivas de que um entendimento com o Irã possa se consolidar irão depender, em grande medida, de que ambos consigam mantê-las diante dos piromaníacos de plantão, em Tel Aviv e Washington.</p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #ff6600;"><strong><em><em><strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em></em></strong></span></p>
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<p style="text-align: justify;"><strong>Créditos </strong>➞<strong> </strong>este post é matéria apresentada no Boletim Eletrônico <strong><em>MSIa INFORMA</em></strong>, do <strong><em>MSIa –</em></strong><em> <strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em>, Vol. III, N<sup>o</sup> 47, de 27 de abril de 2012.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>MSIa INFORMA</em></strong><strong> </strong>➞<strong> </strong>é uma publicação do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa). Conselho Editorial: Angel Palacios, Geraldo Luís Lino, Lorenzo Carrasco (Presidente), Marivilia Carrasco e Silvia Palacios. Endereço: Rua México, 31 &#8211; sala 202 &#8211; Rio de Janeiro (RJ) &#8211; CEP 20031-144; Telefax: 0xx 21-2532-4086.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Para saber mais sobre o tema </strong>➞<strong> </strong>visitar os sites da MSIa/Capax Dei:<strong> </strong><a href="http://www.alerta.inf.br/">http://www.alerta.inf.br/</a> e <a href="http://www.msia.org.br/">http://www.msia.org.br/</a>.</p>
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		<title>&#8220;Primavera Europeia&#8221; contra Bruxelas</title>
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		<pubDate>Tue, 08 May 2012 17:58:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
				<category><![CDATA[Governo mundial]]></category>

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		<description><![CDATA[O ambiente político na Europa proporcionou, nos últimos dias, evidências claras de que os cidadãos do Velho Continente estão perdendo a paciência com a submissão das políticas públicas aos ditames dos mercados financeiros, traduzida nas draconianas políticas de austeridade, que estão agravando ainda mais a situação socioeconômica de um país após o outro. Ao mesmo tempo, é cada vez mais difícil ocultar o abismo que separa as ambições e a agenda dos "eurocratas" de Bruxelas das aspirações e necessidades reais das sociedades dos países membros da União Europeia (UE).]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp"><img class="aligncenter  wp-image-10770" title="msiA iNFORMA" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp" alt="" width="240" height="50" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O ambiente político na Europa proporcionou, nos últimos dias, evidências claras de que os cidadãos do Velho Continente estão perdendo a paciência com a submissão das políticas públicas aos ditames dos mercados financeiros, traduzida nas draconianas políticas de austeridade, que estão agravando ainda mais a situação socioeconômica de um país após o outro. Ao mesmo tempo, é cada vez mais difícil ocultar o abismo que separa as ambições e a agenda dos &#8220;eurocratas&#8221; de Bruxelas das aspirações e necessidades reais das sociedades dos países membros da União Europeia (UE).</strong></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Independentemente de ideologias e colorações políticas, a população de três importantes membros da UE manifestou o que poderá vir a converter-se numa autêntica &#8220;Primavera Europeia&#8221;, voltada contra o absolutismo dos mercados, que controla a agenda da tecnocracia de Bruxelas. Tanto os resultados do primeiro turno das eleições presidenciais na França, como a renúncia do governo holandês e as manifestações populares ocorridas em Praga, refletiram ou foram diretamente motivados pela crescente rejeição popular à agenda de austeridade e disciplina fiscal, ditada pelos interesses financeiros, em nome da preservação da união monetária europeia.</p>
<p style="text-align: justify;">Como afirmou com propriedade o jornalista inglês Ian Traynor, editor de Assuntos Europeus do jornal <em>The Guardian</em> (23/04/2012):</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><em>«Uma crise de legitimidade se vislumbra, quando os eleitores da Europa se rebelam contra os ditkats de cortes de déficits impostos em nome da eurozona&#8221;. Em suas palavras, &#8220;uma reação democrática parece estar atingindo massa crítica, na medida em que as prescrições econômicas da classe governante colidem com as ruas e as urnas.»</em></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Na França, onde o candidato socialista François Hollande, que recebeu 29% dos votos, e o presidente Nicolas Sarkozy, com 26%, disputarão o segundo turno, em 6 de maio, a votação geral dos dez candidatos demonstrou essa tendência. Com exceção de Sarkozy, François Bayrou, do centrista Movimento Democrático (9%), e a &#8220;verde&#8221; Eva Joly (2%), todos os demais candidatos concentraram seus ataques contra a hegemonia da alta finança global (ainda que o favorito Hollande tenha cumprido a quase obrigatória peregrinação a Londres, sede da City). Tais números são ainda mais relevantes, considerando que a participação do eleitorado foi da ordem de 80%, bastante elevada para os níveis dos membros da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).</p>
<p style="text-align: justify;">E, pelo menos, o gaullista Nicolas Dupont-Aignan (1,8%) não teve melindres em apontar soluções que raras figuras públicas se atrevem a propor. Para ele, a França deveria recuperar a sua soberania monetária, retornando ao franco e utilizando o euro apenas como moeda de reserva. Com isto, o Banco da França deveria financiar o Estado sem juros, o que permitiria ao governo reduzir a sua dívida, manter o funcionalismo público e implementar as obras públicas necessárias para fomentar a economia. Diante das acusações de que tal política seria inflacionária, ele contesta, acusando as lideranças da UE de provocar inflação, ao permitir que os bancos privados peguem dinheiro a juros de 1% e o empreste a juros cada vez mais altos aos governos, cujas dificuldades de cumprir o serviço da dívida são cada vez maiores (<em>Counterpunch</em>, 25/04/2012).</p>
<p style="text-align: justify;">O desconforto dos arautos da alta finança com tal cenário já era evidente antes das eleições, como lamentou a revista The Economist, em um editorial publicado em 31 de março (&#8220;Um país em negação&#8221;):</p>
<blockquote><p><em>«Não é incomum que os políticos evitem algumas verdades desagradáveis durante as eleições; mas é incomum, nos tempos recentes, na Europa, que elas sejam tão completamente ignoradas como os políticos franceses estão fazendo. Na Grã-Bretanha, Irlanda, Portugal e Espanha, os eleitores votaram maciçamente nos partidos que prometiam um doloroso realismo [sic]. Parte do problema é que os eleitores franceses são notórios pela sua crença na benevolência do Estado e na crueldade do mercado insensível. De forma quase única entre os países desenvolvidos, os eleitores franceses tendem a ver a globalização como uma ameaça cega, em vez de uma fonte de prosperidade [sic]. Com a extrema esquerda e a extrema direita pregando o protecionismo, qualquer candidato sentirá que deve responder à sua base eleitoral.»</em></p></blockquote>
<p style="text-align: justify;">Escrevendo após as eleições, em 24 de abril, o editor emérito da agência UPI, Martin Walker, explicita a visão financista das oligarquias hegemônicas, em um texto eivado de soberba, citando a reação negativa dos mercados financeiros aos resultados do pleito:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><em>«Depois que os mercados mostraram o seu desgosto com o inconclusivo primeiro turno das eleições francesas, a questão passa a ser quem vencerá o segundo &#8211; e acalmará estes mercados.»</em></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">No <em>Financial Times</em>, o editor Martin Wolf faz coro, ao afirmar:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><em>«A crise está sujeita a riscos políticos cada vez maiores. A queda do governo holandês e a vitória de François Hollande no primeiro turno da eleição presidencial francesa demonstram isso. As ruas podem sobrepujar o establishment.»</em> (<em>Valor Econômico</em>, 25/04/2012).</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Abrindo parênteses, a mesma edição do Valor Econômico que publica a coluna de Wolf destaca como &#8220;Frase do dia&#8221; o lamento do governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia, ao afirmar que a dívida de seu estado com a União é impagável:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><em>«Nós devíamos R$ 14 bilhões, pagamos R$ 21 bilhões e, agora, devemos R$ 60 bilhões.»</em></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">De volta à Europa, a outra vítima da rejeição à austeridade financeira foi o governo de coalizão de minoria do premier holandês Mark Rutte (liberais e democrata-cristãos), que apresentou sua renúncia à rainha Guilhermina, no domingo 22, depois que o Partido da Liberdade (extrema-direita) se recusou a apoiar o pacto de austeridade da UE, no país considerado uma das economias mais estáveis do continente. O problema é que os outros principais partidos de oposição, os socialistas e os social-democratas, também se opoem ao pacto de austeridade. Como novas eleições deverão ocorrer em três meses, é possível que o governo interino, para apaziguar os mercados financeiros, se empenhe em implementar o pacto antes das eleições. De qualquer maneira, até lá, já serão conhecidos os resultados das eleições na França e na Grécia, o país mais afetado pela crise, cujos desfechos poderão influenciar consideravelmente o pleito holandês.</p>
<p style="text-align: justify;">E o agitado fim-de-semana europeu foi aberto ainda no sábado 21, quando mais de 100 mil pessoas promoveram uma grande manifestação no centro de Praga, contra o pacote de austeridade imposto pelo governo liberal-conservador do premier Petr Necas. A manifestação, considerada a maior no país desde a queda do regime comunista, em 1989, foi convocada pelo movimento sindical e atraiu participantes de todo o país. Embora a República Checa não tenha aderido ao pacto de estabilidade da UE, o premier Necas prometeu à chanceler alemã Angela Merkel, no início de abril, que o país cumpriria as suas determinações de qualquer maneira, para enquadrar o déficit orçamentário do governo ao limite dos 3% impostos pelo pacto. A rejeição popular a tais medidas se revela nas pesquisas, que mostram que dois terços da população apoiam novas eleições.</p>
<p style="text-align: justify;">Diante dos acontecimentos, o <em>Financial Times Deutschland</em> de 23 de abril admitiu que eles <em>«mostram que o programa pró-cíclico de austeridade na Europa é o maior programa de reciclagem de governos na História recente &#8211; e um portão para movimentos radicais»</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar de os editorialistas da sucursal germânica do porta-voz da City se referirem aos extremistas políticos, à direita e à esquerda, o fato é que o aprofundamento da crise pode abrir caminho para propostas realmente radicais para a substituição do intrinsecamente instável sistema de endividamento público prevalecente, como a vocalizada pelo candidato francês Dupont-Aignan.</p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #ff6600;"><strong><em><em><strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em></em></strong></span></p>
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<p style="text-align: justify;"><strong>Créditos </strong>➞<strong> </strong>este post é matéria apresentada no Boletim Eletrônico <strong><em>MSIa INFORMA</em></strong>, do <strong><em>MSIa –</em></strong><em> <strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em>, Vol. III, N<sup>o</sup> 47, de 27 de abril de 2012.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>MSIa INFORMA</em></strong><strong> </strong>➞<strong> </strong>é uma publicação do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa). Conselho Editorial: Angel Palacios, Geraldo Luís Lino, Lorenzo Carrasco (Presidente), Marivilia Carrasco e Silvia Palacios. Endereço: Rua México, 31 &#8211; sala 202 &#8211; Rio de Janeiro (RJ) &#8211; CEP 20031-144; Telefax: 0xx 21-2532-4086.</p>
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		<item>
		<title>Europa e Rússia: hora de superar &#8220;período de estagnação&#8221;</title>
		<link>http://blogdoambientalismo.com/europa-e-russia-hora-de-superar-periodo-de-estagnacao/</link>
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		<pubDate>Tue, 08 May 2012 17:17:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
				<category><![CDATA[Governo mundial]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blogdoambientalismo.com/?p=13121</guid>
		<description><![CDATA[A Federação Russa é um país imensamente grande e rico, cuja história e cultura têm sido grandemente fomentadas pelo intercâmbio com a Europa. Não obstante, bem poucos europeus têm um entendimento adequado da história russa e estão dispostos a receber seriamente o país como parceiro. O problema central é que não existe um número suficiente de europeus com uma boa "visão" de como a Rússia e a Europa poderiam trabalhar juntas de forma construtiva. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp"><img class="aligncenter  wp-image-10770" title="msiA iNFORMA" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp" alt="" width="231" height="48" /></a></p>
<blockquote><p><strong>A Federação Russa é um país imensamente grande e rico, cuja história e cultura têm sido grandemente fomentadas pelo intercâmbio com a Europa. Não obstante, bem poucos europeus têm um entendimento adequado da história russa e estão dispostos a receber seriamente o país como parceiro. O problema central é que não existe um número suficiente de europeus com uma boa &#8220;visão&#8221; de como a Rússia e a Europa poderiam trabalhar juntas de forma construtiva.</strong></p></blockquote>
<p>As relações atuais entre a Rússia e a União Europeia (UE) se caracterizam pela &#8220;estagnação&#8221; e por &#8220;frustração&#8221;. Se houver algum impulso positivo, ele deveria vir da Alemanha, um aliado histórico da Rússia. Porém, especialmente na Alemanha, existem elementos da elite que, ou estão muito ocupados com seus próprios negócios, ou são muito arrogantes para entender o que está em causa, em termos de relações estratégicas futuras.</p>
<p>Um fator-chave deverão ser os principais desafios do terceiro mandato presidencial de Vladimir Putin. Segundo um bem informado observador dos assuntos russos, com quem conversei, as questões centrais são:</p>
<blockquote><p>1) as relações russas com a China;</p>
<p>2) o papel da UE nessa configuração; e</p>
<p>3) quão construtivas serão as relações russo-alemãs.</p></blockquote>
<p>Enquanto isso, observa-se um certo nervosismo dentro de certos círculos da elite russa, que pode ter a ver com as crescentes preocupações sobre os acontecimentos no Oriente Médio, inclusive, os desdobramentos das rebeliões árabes. Estão na pauta questões como: o que aconteceria à Rússia, diante de uma crise estratégica global deflagrada por ações no Irã e outros países na região, que resultem em restrições petrolíferas? O que fazer, se a Europa for atingida por uma nova série de tempestades monetárias?</p>
<p>Mas há também preocupações sobre o potencial de conflitos multinacionais dentro da própria Rússia (em particular, no Sul). A outra grande questão é: que modelo econômico a Rússia adotará no futuro, para permitir a modernização econômica e um desenvolvimento harmônico de todos os estratos sociais? O que ainda falta é uma &#8220;locomotiva&#8221; verdadeira, um motor de desenvolvimento que dinamize este processo.</p>
<p>Para os conhecedores da história russa, é preciso recordar o período da &#8220;Smuta&#8221;, ou época de problemas, que durou de 1598 a 1613, quando acabou a dinastia Rurik de Ivã o Terrível e os Romanov subiram ao trono. É interessante observar o quão profundamente este período está entranhado na memória coletiva russa. Ele é simbolizado pela adoração dos dois heróis da época, que estão retratados em um monumento na Praça Vermelha, próximo à Catedral de São Basílio: Kusman Minin, um mercador de Nishni Novgorod, e o duque Dmitri Pocharsky. Ambos são venerados como os heróis que libertaram Moscou do jugo de invasores estrangeiros, em 1612. Pouco tempo depois deste evento, a Europa foi presa da mais devastadora guerra religiosa, a Guerra dos 30 Anos, cujos múltiplos efeitos ainda vivem na memória coletiva de muits nações europeias ocidentais e cujo fim foi proporcionado pela reconciliação estabelecida no Tratado de Westfalia de 1648.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2 style="text-align: left;" align="center">A riqueza econômica e espiritual da Rússia</h2>
<p>No contexto de tais referências, pode-se imaginar que preocupações históricas podem influenciar alguns membros da elite russa, bem como os desafios com os quais Putin terá que se defrontar:</p>
<blockquote><p>1) Demografia: Mesmo que muita coisa tenha sido feito, nos últimos anos, para superar o desafio demográfico de uma redução populacional da ordem de 1 milhão de pessoas por ano, este continua sendo um dos mais sérios problemas do país. Para se reverter tal tendência contracionista, o papel da família deve ser reforçado &#8211; o que segue em paralelo com o fortalecimento dos valores baseados na fé cristã. Este fator se mostra, por exemplo, nas questões referentes ao aborto, que, na Rússia, já se tornou quase uma normalidade nas vidas de muitas mulheres.</p>
<p>2) Escassez de produtos manufaturados russos: É necessário um empenho para promover a produção nacional. Um caso exemplar é o fato de a Rússia exportar madeira bruta para a China e importar móveis chineses.</p>
<p>3) Classe média e corrupção: Além de ser essencial desenvolver uma classe média sólida, ativa no setor de pequenas e médias indústrias, há um sério problema de corrupção, que precisa ser efetivamente enfrentado. Quando um empreendedor quer construir uma ponte ou estrada em alguma região, a atitude das autoridades locais, com frequência, conduz a uma situação que provoca a obstaculização do projeto, devido à corrupção que o torna proibitivo.</p>
<p>4) Relações com a China: A Rússia precisa da China, que tem sido um destino crescente das exportações russas de petróleo e gás natural. Ademais, o comércio entre o Extremo Oriente russo e a China tem aumentado rapidamente, inclusive, a imigração chinesa para a região, que tem um enorme potencial de recursos naturais a ser explorado.</p>
<p>5) Problemas étnicos: Tendem a ser sérios, dado que a Rússia é um Estado multinacional e multiétnico. Existem tensões separatistas em regiões como a Yakutia Siberiana (República Sakha), rica em diamantes; há frequentes conflitos étnicos no cinturão islâmico ao Sul (Chechênia, Daguestão e Ingushétia), que, embora estejam sob controle, poderão explodir em algum momento, principalmente, considerando-se certos interesses externos de fomentá-los.</p></blockquote>
<p>Assim, a pergunta-chave é: como unificar este Estado multiétnico? Que tipo de ideologia e identidade deve ser fortalecida entre o povo russo?</p>
<p>A Igreja Ortodoxa Russa pode desempenhar um papel importante, como produtora de ideias, mas também como mediadora entre as facções contenciosas da sociedade. Ao contrário da Polônia, onde a Igreja Católica sempre esteve profundamente enraizada na sociedade, a Igreja Ortodoxa Russa teve que ser inteiramente refeita após a queda do regime comunista, durante o qual a Igreja e muitos religiosos foram brutalmente perseguidos, com martírios e o fechamento e confisco de igrejas e mosteiros. A perseguição dos cristãos e o papel dos mártires na história da Europa representam um forte fator unificador entre as igrejas Católica e Ortodoxa. Em dezembro último, o Patriarcado de Moscou organizou uma importante conferência internacional sobre &#8220;A Discriminação e Perseguição de Cristãos&#8221;, que reuniu altos representantes das igrejas Ortodoxa, Copta egípcia, Assíria iraquiana, o núncio papal em Moscou e o arcebispo católico da cidade, Paolo Pezzi. Os representantes egípcio e iraquiano fizeram chocantes relatos sobre a perseguição aos cristãos em seus países. Nos debates, alguns presentes manifestaram o desejo de que o presidente eleito Putin dê mais atenção ao tema das perseguições aos cristãos e suas implicações estratégicas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2 style="text-align: left;" align="center">O último discurso de Putin na Duma</h2>
<p>Em sua última apresentação como premier perante à Duma (Câmar Baixa do Parlamento), em 11 de abril, Putin pediu ao povo russo que &#8220;faça esforços construtivos&#8221; e &#8220;atue unido&#8221;, com o objetivo de &#8220;promover o desenvolvimento da Rússia&#8221;. Na ocasião, ele fez uma sóbria avaliação sobre as diferentes etapas que o país vem atravessando desde a eclosão da crise financeira de 2008.</p>
<p>De acordo com Putin, a comparação com algumas economias da UE durante a crise coloca a Rússia em vantagem, o que se reflete no seu déficit orçamentário relativamente baixo, grande volume de reservas e os investimentos na construção de novas fábricas e instalações, nas indústrias farmacêutica, tecnologia de informações, nanotecnologia, materiais de construção e madeireira. Porém, um volume muito maior de investimentos se faz necessário, para a modernização de equipamentos, linhas de produção e o aumento da produtividade. Ele mencionou, em particular, a indústria aeronáutica.</p>
<p>O presidente eleito destacou, também, a questão social, especialmente, a redução da enorme brecha existente entre ricos e pobres, bem como a elevação dos rendimentos e a criação de novos empregos.</p>
<p>Putin conferiu uma atenção especial ao desenvolvimento do Extremo Oriente e da Sibéria. A abertura da primeira linha do Oleoduto Leste Siberiano-Pacífico é parte deste projeto, que, segundo ele, permitirá à Rússia exportar produtos <em>«para a Ásia e o Pacífico, uma região muito promissora, que está fazendo rápidos progressos»</em>. Ele mencionou, também, o acesso pioneiro aos mercados de gás europeus, com a inauguração do gasoduto Nord Stream, seguida pela construção do South Stream (através do Mar Negro), ao final deste ano. No futuro próximo, afirmou, deverá ser criada uma instituição específica para <em>«coordenar e controlar os projetos que sirvam ao desenvolvimento da região»</em>.</p>
<p style="text-align: right;"><strong>De Wiesbaden, <em>Elisabeth Hellenbroich</em></strong></p>
<p style="text-align: right;"> <span style="color: #ff6600;"><strong><em><em><strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em></em></strong></span></p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo.png"><img class="aligncenter" title="div-novo" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo-300x13.png" alt="" width="300" height="13" /></a></p>
<p><strong>Créditos </strong>➞<strong> </strong>este post é matéria apresentada no Boletim Eletrônico <strong><em>MSIa INFORMA</em></strong>, do <strong><em>MSIa –</em></strong><em> <strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em>, Vol. III, N<sup>o</sup> 46, de 20 de abril de 2012.</p>
<p><strong><em>MSIa INFORMA</em></strong><strong> </strong>➞<strong> </strong>é uma publicação do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa). Conselho Editorial: Angel Palacios, Geraldo Luís Lino, Lorenzo Carrasco (Presidente), Marivilia Carrasco e Silvia Palacios. Endereço: Rua México, 31 &#8211; sala 202 &#8211; Rio de Janeiro (RJ) &#8211; CEP 20031-144; Telefax: 0xx 21-2532-4086.</p>
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		<title>Degelo com Irã aquece ira de Israel e &#8220;neocons&#8221;</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Apr 2012 16:33:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
				<category><![CDATA[Governo mundial]]></category>
		<category><![CDATA[Oligarquias internacionais]]></category>
		<category><![CDATA[Política internacional]]></category>

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		<description><![CDATA[O desfecho da primeira rodada de negociações entre o grupo P5+1 e o Irã, em Istambul, em 13-14 de abril, abriu espaço para uma solução civilizada sobre contencioso em torno do polêmico programa nuclear do país e, ao mesmo tempo, proporcionou uma didática oportunidade para se vislumbrarem as diversas forças políticas envolvidas no imbróglio e suas agendas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp"><img class="aligncenter  wp-image-10770" title="msiA iNFORMA" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp" alt="" width="240" height="50" /></a></p>
<blockquote><p><strong>O desfecho da primeira rodada de negociações entre o grupo P5+1 e o Irã, em Istambul, em 13-14 de abril, abriu espaço para uma solução civilizada sobre contencioso em torno do polêmico programa nuclear do país e, ao mesmo tempo, proporcionou uma didática oportunidade para se vislumbrarem as diversas forças políticas envolvidas no imbróglio e suas agendas.</strong></p></blockquote>
<p>Além da retomada das conversas entre as duas partes, após um hiato de 14 meses, o principal resultado da reunião foi o ambiente de distensão e entendimento recíproco, com o qual, aparentemente, o principal recado encaminhado a Teerã foi o de que não haverá mais a exigência de que abra mão do seu programa de enriquecimento de urânio. Como afirmou o veterano ex-diplomata indiano M.K. Bhadrakumar: &#8220;Em síntese, o quadro que emerge de Istambul é o de que o Ocidente decidiu que pode aprender a viver com o programa nuclear do Irã, desde que ele seja pacífico e em concordância com o Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP) (Indian Punchline, 16/04/2012).&#8221;</p>
<p>Tal quadro foi devidamente ressaltado pelos principais negociadores, a chanceler da União Europeia, Catherine Ashton, e o secretário-geral do Conselho de Segurança Nacional iraniano, Saeed Jalili.</p>
<p>Ashton foi categórica:</p>
<blockquote><p><em>«Nós fomos assegurados de que o Irã é sério. Nós concordamos em que o Tratado de Não-Proliferação estabelece uma base para o que deve ser um engajamento sério, para assegurar que todas as obrigações do tratado sejam cumpridas pelo Irã, ao mesmo tempo em que se respeita plenamente o direito do Irã ao uso pacífico da energia nuclear&#8230; Nós esperamos que reuniões subsequentes levem a passos concretos rumo a uma solução negociada abrangente, que restabeleça a confiança na natureza exclusivamente pacífica do programa nuclear iraniano.»</em></p></blockquote>
<p>Em seus comentários, Jalili explicitou a visão e as expectativas de Teerã:</p>
<blockquote><p><em>«O que observamos no enfoque manifestado, hoje, pelos membros [do P5+1] foi uma abordagem direcionada para conversas e cooperação, e nós consideramos que isto é positivo. Nós sempre afirmamos que as pressões e a linguagem das ameaças são inúteis para se lidar com a nação iraniana, mas conversas e cooperação podem ser uma abordagem positiva&#8230; É de importância crucial que a nossa cooperação estabeleça passos recíprocos, ou seja, a confiança da nossa nação deve ser construída na direção de conversas e cooperação&#8230; Como membro ativo do TNP, o Irã deve gozar dos seus direitos, juntamente com os seus compromissos. Nós acreditamos, profundamente, que a remoção das sanções, exigida pela nação iraniana, é um dos temas que deveria receber atenção, na continuação das conversas sobre cooperação.»</em></p></blockquote>
<p>Os detalhes da pauta de entendimentos deverão ficar para uma segunda reunião, marcada para 23 de maio próximo, em Bagdá, local escolhido pelo governo iraniano, cujas implicações políticas são evidentes, não apenas pela grande influência política de Teerã sobre o governo de maioria xiita do vizinho, mas também pelo recado à Turquia, que abandonou a sua proposta de protagonista regional independente, para se alinhar com a agenda da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).</p>
<p>De forma significativa, diplomatas europeus, estadunidenses, russos e chineses foram, igualmente, citados pela mídia internacional em comentários positivos sobre o encontro. As exceções óbvias ficaram por conta do governo de Israel e da pletora de jornalistas e acadêmicos estadunidenses alinhados com os círculos belicistas do Establishment, em especial, os &#8220;neoconservadores&#8221;, que estão à espreita de &#8211; e, possivelmente, planejando &#8211; uma oportunidade para deflagrar um novo conflito regional.</p>
<p>As reações israelenses foram previsíveis e características. No domingo 15, o premier Benjamin &#8220;Bibi&#8221; Netanyahu disparou:</p>
<blockquote><p><em>«Minha reação inicial é a de que o Irã ganhou um passe livre. Ganhou cinco semanas para continuar a enriquecer </em>[urânio]<em> sem qualquer limitação.»</em> (<em>AFP</em>, 15/04/2012).</p></blockquote>
<p>No mesmo dia, como parte do roteiro, a televisão israelense apresentou um programa especial com uma detalhada encenação de como seria um ataque aéreo às instalações nucleares iranianas (se tivesse sido o oposto, o escândalo internacional teria sido ensurdecedor).</p>
<p>Na segunda-feira 16, o sítio Debka File, vinculado ao serviço de inteligência Mossad, depois de afirmar que a reunião de Istambul foi um &#8220;show biz&#8221;, citou &#8220;funcionários de alto escalão próximos a Netanyahu&#8221;, que teriam acusado o presidente estadunidense Barack Obama de renegar um acordo alegadamente feito com &#8220;Bibi&#8221;, para limitar a capacidade de enriquecimento iraniana (<em>MSIa Informa</em>, 13/04/2012).</p>
<p>Em apoio à belicosidade israelense, os tradicionais condutos pró-sionistas da mídia estadunidense desfecharam uma barragem de ironias e invectivas contra o desfecho da reunião, na qual esperavam que Teerã fosse confrontada com um virtual ultimato. Um exemplo clássico foi a coluna &#8220;Volta à direita&#8221; (Right Turn) da jornalista Jennifer Rubin, no Washington Post de 16 de abril, na qual afirma:</p>
<blockquote><p>(&#8230;) <em>«Na verdade, Netanyahu e todas as pessoas de visão clara no Ocidente deveriam estar preocupados com que Obama abrirá mão de muito mais, declarando uma grande vitória diplomática, mas, em essência, deixando o Irã plenamente capaz de continuar a trilhar o caminho das armas nucleares. A única coisa pior que não chegar a um acordo seria chegar a um tipo de arranjo de fachada, nas conversas hexapartites, que seja inverificável e incapaz de acabar, na prática, com a ameaça nuclear iraniana.»</em></p></blockquote>
<p>No Congresso estadunidense, os ânimos também se mostraram exaltados. O senador republicano Mark Kirk, coautor da mais recente lei de sanções contra o Irã, fez questão de advertir o mundo, afirmando que não se deve &#8220;confundir o diálogo diplomático positivo com obediência&#8221; por parte de Teerã (AP, 16/04/2012).</p>
<p>Diante de semelhante inconformismo com a perspectiva de soluções construtivas, não se deve descartar que as forças políticas favoráveis à opção &#8220;fogo no circo&#8221; recorram a alguma ação provocativa, para descarrilar as negociações. Por isso, as próximas cinco semanas até a reunião de Bagdá serão marcadas por muitas apreensões e expectativas.</p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #ff6600;"><strong><em><em><strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em></em></strong></span></p>
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		<title>Para onde irá a França?</title>
		<link>http://blogdoambientalismo.com/para-onde-ira-a-franca/</link>
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		<pubDate>Sun, 22 Apr 2012 15:32:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
				<category><![CDATA[Governo mundial]]></category>
		<category><![CDATA[Política internacional]]></category>

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		<description><![CDATA[Na quinta-feira 5 de abril, 20 dias antes do primeiro turno das eleições presidenciais francesas (no dia 22), o presidente Nicolas Sarkozy apresentou o seu programa eleitoral, em uma entrevista coletiva, em Paris. Sua plataforma faz referência a três valores: trabalho, autoridade e responsabilidade e os principais elementos de seu programa foram listados em uma "Carta ao povo francês", da qual 6 milhões de cópias estão sendo enviadas aos lares franceses.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp"><img class="aligncenter  wp-image-10770" title="msiA iNFORMA" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp" alt="" width="240" height="50" /></a></p>
<blockquote><p><strong>Na quinta-feira 5 de abril, 20 dias antes do primeiro turno das eleições presidenciais francesas (no dia 22), o presidente Nicolas Sarkozy apresentou o seu programa eleitoral, em uma entrevista coletiva, em Paris. Sua plataforma faz referência a três valores: trabalho, autoridade e responsabilidade e os principais elementos de seu programa foram listados em uma &#8220;Carta ao povo francês&#8221;, da qual 6 milhões de cópias estão sendo enviadas aos lares franceses.</strong></p></blockquote>
<p style="text-align: justify;">Em contraste, seu principal competidor, o socialista François Hollande, já havia anunciado a sua plataforma eleitoral em janeiro último: entre outros itens, prometeu mais crescimento econômico sustentado, congelamento do preço da gasolina por três meses, mais impostos para os ricos, um projeto europeu financiado por eurobonds para combater o desemprego dos jovens e renegociar a união fiscal europeia com a chanceler alemã Angela Merkel.</p>
<p style="text-align: justify;">Neste momento, o desfecho eleitoral é absolutamente incerto. Muitos observadores chamam a atenção para dois fatores: uma possível taxa de abstenção muito alta e uma disposição de muitos eleitores para votar contra Sarkozy, no segundo turno (em 6 de maio), por estarem cansados do presidente e quererem alguém novo, que não interfira com o que consideram os seus privilégios (aposentadoria aos 60 anos, semana de 35 horas e outros).</p>
<p style="text-align: justify;">Ao contrário de Hollande, Sarkozy não promete um grande futuro ao eleitorado. Em seu programa, ele oferece uma sóbria análise da crise financeira global, a partir da quebra do banco Lehman Brothers, em 2008, seguida pela pior recessão mundial desde a década de 1930, e a eclosão da crise da dívida europeia.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Em uma noite, tivemos que decidir dar garantias de Estado ao todas as suas poupanças e depósitos&#8230; No ano seguinte, começou a pior recessão desde os anos 30. Como presidente da União Europeia, na época, eu convenci os estadunidenses a criar o G-20, como uma nova instituição, para dar uma forte resposta coletiva. Isto evitou o pior, em 2010. Então, explodiu a crise da dívida da zona do euro&#8221;, afirma.</p>
<p style="text-align: justify;">Porém, Sarzozy enfatiza que, sem a defesa do euro, a recessão europeia teria sido muito pior: &#8220;Eu tenho sido um europeu convicto por toda a minha vida. Fui a favor da construção europeia, por que não conheço qualquer projeto político e qualquer &#8216;ideal humanista&#8217; melhor que o que levou os europeus ao ponto de superar os seus ódios e fazer, de um continente que foi destruído por guerras sangrentas, um continente de paz e de cultura. A Europa encarnou a segurança e a prosperidade. Nós devemos encontrar, novamente, este espírito que constituiu o projet europeu inicial.&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">O ponto central de sua proposta é o que chama uma &#8220;cultura de estabilidade&#8221;, um apelo por mais poupança, que limite os gastos do orçamento do Estado a 125 bilhões de euros, com o objetivo de conseguir um orçamento equilibrado em 2016. Isto seria combinado com mais crescimento econômico, que Sarkozy quer aumentar para 2% anuais, em 2014. Para julho próximo, ele anunciou a introdução de uma &#8220;regra de ouro&#8221;, um limite do endividamento pelo Parlamento, e pedirá medidas que abram caminho para um pacto fiscal europeu. Ao mesmo tempo, anunciou que, nos próximos cinco anos, a França deverá congelar as suas contribuições anuais à UE, em 600 milhões de euros. Os principais cortes, segundo ele, deverão ocorrer nas despesas do Estado, incluindo uma redução do pessoal administrativo, além de cortes nos seguros de saúde e gastos hospitalares públicos.</p>
<p style="text-align: justify;">Enquanto Hollande defende uma economia &#8220;verde&#8221;, Sarkozy enfatiza um fortalecimento da indústria, com uma base energética de origem nuclear, além da promoção das inovações científicas. Para ele, sem uma indústria robusta, a França não se manterá competitiva em escala global.</p>
<h2 style="text-align: left;" align="center">O problema do desemprego</h2>
<p style="text-align: justify;">A campanha eleitoral deve ser vista no contexto das estatisticas de desemprego recém divulgadas pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT). Segundo a primeira, o desemprego na Europa chega a 10,8%, atingindo mais fortemente os países do Sul do continente. O estudo da OIT corrobora os números, ressaltando que, na Grécia, Espanha e Portugal, quase a metade dos jovens estão desempregados. Em 19 de abril, o secretário-geral da OIT, Guy Ryder, advertiu que o desemprego jovem no Sul da Europa representa &#8220;uma bomba-relógio, que poderá ter consequências devastadoras e provocar a perda de toda uma geração de jovens&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">No futuro imediato, o desemprego, combinado com um declínio demográfico e a realidade estratégica no mundo árabe, irá determinar a dinâmica estratégica, tanto na França como no resto da Europa.</p>
<p style="text-align: justify;">De acordo com vários institutos de pesquisa e órgãos midiários franceses, os assassinatos atribuídos a um islamista fanático, em Toulouse e Montauban, tiveram um forte impacto no clima eleitoral, reforçando o reflexo de segurança da população francesa, o que tem beneficiado Sarkozy.</p>
<p style="text-align: justify;">As pesquisas de intenção de voto colocam Sarkozy na liderança, no primeiro turno, com 29% dos votos, contra 27% para Hollande. Porém, a questão-chave é o que acontecerá no segundo turno. Para onde irão os votos dos outros candidatos? E como ficarão as abstenções? Algumas pesquisas apontam uma vitória de Hollande, por 54% a 46%. Mas, ao que tudo indica, devido ao cenário instável, qualquer prognóstico é arriscado.</p>
<p style="text-align: right;"><strong>De </strong><strong>Wiesbaden, </strong><strong>Elisabeth Hellenbroich </strong></p>
<p style="text-align: right;"> <span style="color: #ff6600;"><strong><em><em><strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em></em></strong></span></p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo.png"><img class="aligncenter" title="div-novo" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo-300x13.png" alt="" width="300" height="13" /></a></p>
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</strong></p>
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		<title>Irã: podem os EUA deter Israel?</title>
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		<pubDate>Sun, 22 Apr 2012 15:26:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
				<category><![CDATA[Governo mundial]]></category>
		<category><![CDATA[Política internacional]]></category>

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		<description><![CDATA[O desfecho da nova rodada de negociações entre o Irã e o grupo P5+1, integrado pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas e a Alemanha, em Istambul, Turquia, nos próximos dias 13-14 de abril [o qual já foi realizado, quando da publicação deste texto no presente blog], deverá sinalizar a estratégia do bloco hegemônico encabeçado pelos EUA diante dos desdobramentos da crise global, particularmente, quanto ao recurso à opção "fogo no circo", com a eventual deflagração de um novo conflito de grandes proporções.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp"><img class="aligncenter  wp-image-10770" title="msiA iNFORMA" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp" alt="" width="240" height="50" /></a></p>
<blockquote><p><strong>O desfecho da nova rodada de negociações entre o Irã e o grupo P5+1, integrado pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas e a Alemanha, em Istambul, Turquia, nos próximos dias 13-14 de abril [o qual já foi realizado, quando da publicação deste texto no presente blog], deverá sinalizar a estratégia do bloco hegemônico encabeçado pelos EUA diante dos desdobramentos da crise global, particularmente, quanto ao recurso à opção &#8220;fogo no circo&#8221;, com a eventual deflagração de um novo conflito de grandes proporções.</strong></p></blockquote>
<p>Nos últimos dias, os governos dos EUA e Israel subiram vários decibéis na escalada retórica contra o programa nuclear do Irã, fazendo-a acompanhar de um virtual ultimato para as negociações e de um considerável reforço das forças aeronavais estadunidenses no Golfo Pérsico, completo com um provocativo exercício conjunto com forças militares das monarquias árabes da região. Tanto o presidente Barack Obama como a secretária de Estado Hillary Clinton fizeram declarações públicas, enfatizando que a reunião em Istambul será a última chance para a diplomacia. Por sua vez, o premier Benjamin Netanyahu, o ministro da Defesa Ehud Barak e o chanceler Avigdor Lieberman têm se empenhado cada qual em superar o outro em declarações agressivas, em uma maldisfarçada investida de provocações a Teerã e chantagem sobre Washington e as capitais europeias, colocando as condições que serão apresentadas aos negociadores iranianos como uma &#8220;exigência&#8221; israelense, para evitar um ataque militar contra as instalações nucleares iranianas.</p>
<p>No sábado 7, citando fontes diplomáticas estadunidenses e europeias, o jornal <em>The New York Times</em> apresentou as principais exigências que serão feitas ao Irã: o fechamento imediato das instalações nucleares subterrâneas de Fordow (consideradas invulneráveis a ataques aéreos), o fim da produção de urânio enriquecido a 20% e a entrega imediata do estoque de material com este nível de enriquecimento à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). As mesmas condições têm sido reiteradas pelos líderes israelenses.</p>
<p>O sítio israelense <em>Debka File</em>, considerado um conduto do serviço de inteligência Mossad, afirmou que os governos de Obama e Netanyahu estariam dispostos a propor ao governo iraniano a chamada &#8220;Fórmula dos 1.000&#8243;, que consistiria em aceitar uma capacidade de enriquecimento limitada a 1.000 centrífugas, para enriquecimento de urânio a 3,5% (grau de uso em reatores nucleares), um estoque de até 1.000 quilos de urânio a 3,5% e uma pequena quantidade de urânio enriquecido a 20%, para uso em reatores de pesquisa e de produção de radioisótopos para usos médicos. Segundo a nota, os governos da Rússia e da China &#8211; que têm se oposto a quaisquer sanções adicionais contra o Irã – já teriam dado o sinal verde para a proposta (<em>Debka File</em>, 9/04/2012).</p>
<p>Porém, apesar de ser quase idêntica à negociada com o Brasil e a Turquia (exceto quanto aos limites impostos ao número de centrífugas e à quantidade dos estoques) – e rejeitada por Washington -, em maio de 2010, tal proposta é inaceitável para Teerã – e seus proponentes têm plena consciência disto. Por conseguinte, se não se tratar de um balão de ensaio e for, efetivamente, colocada à mesa, ela será uma garantia de impasse para o encontro.</p>
<p>Ao mesmo tempo, Washington está promovendo uma pirotécnica demonstração do seu poderio bélico, com uma rara presença simultânea de dois porta-aviões e seus grupos de batalha, no Golfo Pérsico, engajados no maior exercício aeronaval já realizado na região. O exercício, que conta com a participação de 100 aeronaves estadunidenses e outras 100 da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Bahrein, simula uma série de operações contra embarcações e instalações militares iranianas, para &#8220;manter livre&#8221; o estratégico Estreito de Ormuz. As manobras, que irão até o domingo 15 de abril, foram devidamente calibradas para coincidir com a reunião de Istambul e funcionar como uma demonstração de força e uma provocação para Teerã (<em>Debka File</em>, 10/04/2012).</p>
<p>As providências estadunidenses incluem a instalação de um sistema de defesa antimísseis na região &#8211; que não faz sentido fora do contexto de um ataque ao Irã.</p>
<p>Em Istambul, muita coisa dependerá da atitude de Moscou e Pequim, que têm atuado como para-raios para as pressões desfechadas contra Teerã. Na sexta-feira 6, o chefe da Divisão de Assuntos da Ásia Ocidental e Norte da África do Ministério das Relações Exteriores da China, Chen Xiaodong, fez o que está sendo considerado a mais forte advertência chinesa contra o uso da força:</p>
<p>Se for usada força contra o Irã, certamente, isto acarretará retaliação, causará um choque militar ainda maior, piorará as turbulências na região, ameaçará a segurança do Estreito de Ormuz e outras passagens estratégicas, elevará os preços globais do petróleo e desfechará um golpe na recuperação econômica mundial. Podem haver 10 mil razões para se ir à guerra, mas não se pode remediar as terríveis consequências de mergulhar as pessoas na miséria e no sofrimento, e do colapso da sociedade e da economia, causados pelas chamas da guerra (<em>Reuters</em>, 6/04/2012).</p>
<p>Em Moscou, o vice-premier Dmitri Rogozin, que até há pouco foi embaixador junto à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), deixou clarou que &#8220;o Irã é nosso vizinho. Se o Irã se envolver em qualquer ação militar, será uma ameaça direta à nossa segurança (<em>AFP</em>, 9/04/2012)&#8221;.</p>
<p>Em sua coluna de 11 de abril, o atento correspondente do <em>Asia Times Online</em>, Pepe Escobar, não faz rodeios sobre o que considera ser o objetivo das negociações:</p>
<blockquote><p><em>«O ponto em toda essa peça de sombras chinesas é vender à opinião pública estadunidense &#8211; e mundial &#8211; a noção de que o Irã, mais uma vez, está tergiversando; tem muita coisa a esconder; e, simplesmente, não é confiável para se engajar em quaisquer negociações &#8220;sérias&#8221;. A mídia corporativa dos EUA já se antecipou às negociações com os usuais mísseis retóricos &#8211; para deleite dos guerreiros de poltrona no Congresso e vastos setores do complexo industrial-militar estadunidense. A turba do &#8220;bombardeiem o Irã&#8221; fará qualquer coisa ao seu alcance para transformar a &#8220;última chance&#8221; de Obama nos ensurdecedores tambores de guerra.»</em></p></blockquote>
<p>Diante desses fatos, em vez de perguntar se o Brasil poderia deter o Irã, como fez, no New York Times, o ex-secretário de Estado Assistente Bernard Aronson (ver nota anterior), a interrogação mais correta para a situação seria: podem os EUA deter Israel?</p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #ff6600;"><strong><em><em><strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em></em></strong></span></p>
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<p><strong>Créditos </strong>➞<strong> </strong>este post é matéria apresentada no Boletim Eletrônico <strong><em>MSIa INFORMA</em></strong>, do <strong><em>MSIa –</em></strong><em> <strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em>, Vol. III, N<sup>o</sup> 45, de 13 de abril de 2012.</p>
<p><strong><em>MSIa INFORMA</em></strong><strong> </strong>➞<strong> </strong>é uma publicação do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa). Conselho Editorial: Angel Palacios, Geraldo Luís Lino, Lorenzo Carrasco (Presidente), Marivilia Carrasco e Silvia Palacios. Endereço: Rua México, 31 &#8211; sala 202 &#8211; Rio de Janeiro (RJ) &#8211; CEP 20031-144; Telefax: 0xx 21-2532-4086.</p>
<p><strong>Para saber mais sobre o tema </strong>➞<strong> </strong>visitar os sites da MSIa/Capax Dei:<strong> </strong><a href="http://www.alerta.inf.br/">http://www.alerta.inf.br/</a> e <a href="http://www.msia.org.br/">http://www.msia.org.br/</a>.</p>
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		<title>Brasil diante de um &#8220;boi de piranha&#8221; nuclear</title>
		<link>http://blogdoambientalismo.com/brasil-diante-de-um-boi-de-piranha-nuclear/</link>
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		<pubDate>Sun, 22 Apr 2012 15:16:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
				<category><![CDATA[Governo mundial]]></category>
		<category><![CDATA[Política internacional]]></category>

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		<description><![CDATA[    Em 3 de abril, o jornal The New York Times publicou um artigo de Bernard Aronson, com o sugestivo título «Pode o Brasil Deter o Irã?». O texto quase surreal sugere que o Brasil interrompa o seu programa de enriquecimento de urânio, como uma maneira de convencer o Irã a fazer o mesmo. Uma motivação evidente é a campanha de pressões contra Teerã, dias antes da nova reunião de negociações do grupo P5+1 (os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU e a Alemanha) com o Irã, em Istambul, em 13-14 de abril.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp"><img class="aligncenter  wp-image-10770" title="msiA iNFORMA" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp" alt="" width="235" height="49" /></a></p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><strong>Em 3 de abril, o jornal <em>The New York Times</em> publicou um artigo de Bernard Aronson, com o sugestivo título «Pode o Brasil Deter o Irã?». O texto quase surreal sugere que o Brasil interrompa o seu programa de enriquecimento de urânio, como uma maneira de convencer o Irã a fazer o mesmo. Uma motivação evidente é a campanha de pressões contra Teerã, dias antes da nova reunião de negociações do grupo P5+1 (os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU e a Alemanha) com o Irã, em Istambul, em 13-14 de abril.</strong></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Porém, no que tange ao Brasil, além de denotar a bizarra configuração mental dos altos escalões do Establishment anglo-americano, a absoluta falta de sintonia do texto com a realidade nacional deixa a impressão de que o autor e seus mentores têm outros objetivos, pois nem o mais irredutível americanófilo pode, realisticamente, esperar que Brasília sequer considere a sugestão. Assim, o mais provável é que o País esteja diante de um autêntico &#8220;boi de piranha&#8221; nuclear &#8211; um elemento de barganha para outro propósito da agenda bilateral de Washington.</p>
<p style="text-align: justify;">Depois de uma bajulação inicial, afirmando que &#8220;o Brasil é um líder global emergente&#8221;, Aronson faz uma proposta direta:</p>
<blockquote><p><em>«Mas há uma área onde tem a oportunidade de liderar e não conseguiu: evitar a proliferação de armas nucleares. O Brasil deve dar o passo corajoso de acabar, voluntariamente, com o seu programa de enriquecimento de urânio e instar outras nações, inclusive o Irã, a seguir o seu exemplo.»</em></p></blockquote>
<p style="text-align: justify;">Capciosa e convenientemente, ele faz apenas uma menção passageira e falaciosa à tentativa brasileira de 2010, quanto, juntamente com a Turquia, o Brasil intermediou um acordo aceitável pelo Irã e plenamente capaz de reduzir os temores internacionais sobre o programa nuclear iraniano &#8211; o qual foi prontamente sabotado pelo governo estadunidense, empenhado em eliminar a capacidade de enriquecimento de urânio em quaisquer países que não estejam sob a sua influência direta. Não obstante, ele prossegue com a arenga:</p>
<blockquote><p><em>«O Brasil detém uma posição única entre as nações em desenvolvimento, para lidar com esse perigo de proliferação, devido à sua defesa e ao histórico nacionalista de enriquecimento. Se ele renunciar ao seu direito de enriquecer urânio, em nome da paz internacional, fechar as suas unidades de enriquecimento, abraçar uma antiga proposta das Nações Unidas, para aceitar urânio enriquecido fornecido pela AIEA [Agência Internacional de Energia Atômica], que reprocessaria o combustível irradiado &#8211; essencialmente, o acordo oferecido ao Irã [sic] &#8211; e instar outros países que também assinaram o tratado [referência ao Tratado de Não-Proliferação Nuclear-TNP] a fazer o mesmo, isto mudaria o debate nuclear.»</em></p>
<p><em>«A nova postura brasileira retiraria o principal argumento do Irã, de que os estados avançados detentores de armas nucleares estão buscando uma forma de &#8220;apartheid nuclear&#8221;, trazendo para si próprios o enriquecimento, &#8220;ponte&#8221; que as nações em desenvolvimento têm a oportunidade de cruzar&#8230; Finalmente, se o Brasil e outras nações em desenvolvimento desistirem do enriquecimento nuclear, seria possível se fazer um novo esforço internacional concentrado, para fechar de forma permanente a brecha do enriquecimento, por meio de uma alteração do Tratado de Não-Proliferação.»</em></p></blockquote>
<p style="text-align: justify;">É verdade que, nas relações bilaterais, é constante o inconformismo estadunidense com as ambições nucleares brasileiras, em especial, a capacidade tecnológica de enriquecimento de urânio, considerada pelo Establishment de Washington como um péssimo exemplo para a política de &#8220;apartheid tecnológico&#8221; que pratica há décadas. De qualquer maneira, a diatribe de Aronson é divulgada às vésperas da visita de Estado da presidente Dilma Rousseff ao país, o que, obviamente, não é mera coincidência.</p>
<p style="text-align: justify;">O currículo de Aronson não é o de um diletante. Ele foi secretário de Estado Assistente para Assuntos Interamericanos durante o governo de George Bush pai, de 1989 a 1993, e assessor internacional do banco Goldman Sachs para assuntos latino-americanos. É membro do ultra-seleto Conselho de Relações Exteriores (CFR) e do Instituto Nacional Democrata para Assuntos Internacionais, ambos, importantíssimos órgãos de planejamento e intervenção externa do Establishment estadunidense. Portanto, uma pista para as intenções reais da &#8220;proposta indecente&#8221; apresentada no artigo pode ser proporcionada pela agenda sugerida pelo CFR para orientar as relações bilaterais.</p>
<p style="text-align: justify;">Tal agenda está contida no relatório Global Brazil and U.S.-Brazil Relations (Brasil Global e relações EUA-Brasil), divulgado pelo CFR em julho de 2011 e objeto de análise na edição de 11 de agosto deste boletim. Na ocasião, afirmamos:</p>
<blockquote><p>(&#8230;) <em>«O relatório deixa claro que a oligarquia anglo-americana gostaria de enquadrar o Brasil no molde de um grande exportador de matérias-primas e uma &#8220;potência ambiental&#8221;, que abra mão da utilização plena dos seus recursos naturais para o desenvolvimento interno soberano do País e da América do Sul, pelo processo de integração regional. Neste particular, é relevante que, enquanto ignora a necessidade de um aprofundamento qualitativo e quantitativo da industrialização do País, o documento destaque o potencial de exportação de produtos primários &#8211; energia e alimentos &#8211; e a autoimposição de uma draconiana legislação ambiental, que nenhum país industrializado adotou, a começar pelos próprios EUA. Tal tendência é explicitada no trecho a seguir: “A floresta amazônica é, em si própria, um valioso recurso, que recicla dióxido de carbono para produzir mais de 20% do oxigênio do mundo.”»</em></p></blockquote>
<p style="text-align: justify;">O texto do relatório ressalta tais sugestões, ao afirmar que:</p>
<blockquote><p><em>«Os perfis energético e ambiental do Brasil estabeleceram o país como um importante ator internacional em dois dos desafios globais mais centrais e estreitamente interligados: a segurança energética e as mudanças climáticas. Com pelo menos 50 bilhões de barris de petróleo sob as águas brasileiras, 167 milhões de barris anuais de produção de etanol (e planos para aumentar a produção para mais de 400 milhões de barris até 2019), usinas hidrelétricas que fornecem 75% da eletricidade brasileira e a sexta maior reserva comprovada de urânio do mundo, o Brasil está destinado a tornar-se um significativo exportador de diversos produtos energéticos&#8230; O monitoramento e a aplicação da legislação climática e florestal permanecem difíceis e imperfeitos. Mas, ainda assim, os temas energéticos e ambientais proporcionam ao Brasil a sua plataforma mais sólida para a influência internacional.»</em> (&#8230;)</p></blockquote>
<p style="text-align: justify;">Observe-se que os autores do documento consideram que &#8220;os temas energéticos e ambientais proporcionam ao Brasil a sua plataforma mais sólida para a influência internacional&#8221;. Ou seja, que o País deveria investir no papel de um empório energético-ambiental, atuando como junior partner da agenda estabelecida pelas potências &#8220;adultas&#8221; do planeta &#8211; e, de preferência, não crie problemas para estas.</p>
<p style="text-align: justify;">Voltando a Aronson, ele encerra o artigo com uma ultrajante proposta e uma &#8220;recomendação&#8221;:</p>
<blockquote><p><em>«A renúncia aos direitos ao enriquecimento catapultaria o Brasil, da noite para o dia, a uma posição de liderança global quanto ao desafio de segurança mais urgente da comunidade internacional. E a liderança do Brasil, inevitavelmente, modelaria o contexto para as discussões futuras sobre a aceitação como membro permanente em um Conselho de Segurança expandido &#8211; uma das suas antigas ambições. No momento em que o mundo enfrenta a perspectiva de uma guerra com o Irã, Dilma tem a oportunidade de fazer uma abertura corajosa para ajudar a solucionar a crise &#8211; ela deve aproveitá-la.»</em></p></blockquote>
<p style="text-align: justify;">Embora o texto não mereça um destino diferente da cesta de lixo mais próxima, no Palácio do Planalto ou no Itamaraty, ele serve como advertência para que o País se empenhe em assegurar a sua capacidade própria de construir pontes seguras, para não correr o risco de cair num rio infestado de piranhas hegemônicas.</p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #ff6600;"><strong><em><em><strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em></em></strong></span></p>
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<p><strong>Créditos </strong>➞<strong> </strong>este post é matéria apresentada no Boletim Eletrônico <strong><em>MSIa INFORMA</em></strong>, do <strong><em>MSIa –</em></strong><em> <strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em>, Vol. III, N<sup>o</sup> 45, de 13 de abril de 2012.</p>
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		</item>
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		<title>BCE bate a Reserva Federal na corrida para sustentar os bancos</title>
		<link>http://blogdoambientalismo.com/bce-bate-a-reserva-federal-na-corrida-para-sustentar-os-bancos/</link>
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		<pubDate>Sat, 14 Apr 2012 18:49:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
				<category><![CDATA[Governo mundial]]></category>
		<category><![CDATA[Crise financeira]]></category>
		<category><![CDATA[Crise global]]></category>
		<category><![CDATA[Política internacional]]></category>

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		<description><![CDATA[Até mesmo o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, está preocupado com o risco de um surto inflacionário, depois que os bancos centrais, em apenas dois meses, entre o final de dezembro e o final de fevereiro, emitiram 1,023 trilhão de euros de nova liquidez, para apoiar o sistema bancário europeu. Em declaração recente, ele afirmou: «Estamos constantemente em alerta para o risco de inflação, mas este risco ainda não está se materializando, pelo menos por enquanto. Além disto, as expectativas de inflação permanecem firmemente ancoradas em níveis compatíveis com a estabilidade dos preços.»]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp"><img class="aligncenter  wp-image-10770" title="msiA iNFORMA" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp" alt="" width="240" height="50" /></a></p>
<p><strong>Até mesmo o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, está preocupado com o risco de um surto inflacionário, depois que os bancos centrais, em apenas dois meses, entre o final de dezembro e o final de fevereiro, emitiram 1,023 trilhão de euros de nova liquidez, para apoiar o sistema bancário europeu. Em declaração recente, ele afirmou:</strong></p>
<p><strong><em>«Estamos constantemente em alerta para o risco de inflação, mas este risco ainda não está se materializando, pelo menos por enquanto. Além disto, as expectativas de inflação permanecem firmemente ancoradas em níveis compatíveis com a estabilidade dos preços.»</em></strong></p></blockquote>
<p>Obviamente, a decisão não foi tomada solitariamente pelos banqueiros de Frankfurt [sede do BCE - n.e.]. Na verdade, são os próprios governos, começando pelo de [a chanceler alemã Angela] Merkel, que avalizam e apoiam uma iniciativa que não tem precedentes na história da União Europeia. Apesar de que o próprio Bundesbank alemão se queixa de riscos inflacionários graves.</p>
<p>Assim, não é por acaso que o tradicionalista e engessado BCE, em um piscar de olhos, bateu os mestres da Reserva Federal dos EUA, sempre propensa à acomodação com a alta finança. Recorde-se que o seu atual presidente já disse que, para salvar o sistema bancário, o &#8220;Fed&#8221; está disposto a despejar dólares de helicópteros. Agora, devemos falar das novas injeções de liquidez como a &#8220;avalanche de Davos&#8221;.</p>
<p>O orçamento do BCE atingiu 3 trilhões de euros, representando 32% do PIB na zona do euro, os 3 trilhões de dólares do &#8220;Fed&#8221; correspondem a 20% do PIB dos EUA.</p>
<p>A decisão do BCE, mais que qualquer outra explicação, como a da crise das dívidas soberanas, revela a fraqueza e as dificuldades com que se debatem os bancos europeus, a começar pelos alemães e franceses. Dos 800 bancos que se beneficiaram com a segunda injeção de liquidez, pelo menos a metade são alemães.</p>
<p>O próprio Draghi disse, em entrevista recente, que, dos 490 bilhões de euros da primeira operação, em dezembro, 280 bilhões foram utilizados para cobrir empréstimos de curto prazo anteriormente assumidos pelo sistema bancário europeu; sobraram 210 bilhões. Como os títulos com vencimento no primeiro trimestre de 2012 atingiam um montante exato de 210 bilhões, &#8220;é muito provável que os bancos tenham comprado de volta os seus títulos em vencimento&#8221;, como admitiu candidamente o presidente do BCE.</p>
<p>Sabendo que os títulos com vencimento ao longo de todo o ano chegam a 1 trilhão de euros, pode-se supor que boa parte da segunda parcela de liquidez nova, emitida no final de fevereiro, no valor de 533 bilhões de euros, será utilizada para o mesmo fim.</p>
<p>Acrescentando-se a isso o fato de que os bancos estão abarrotados com operações overnight ligadas ao próprio BCE e com capital próprio, em valores crescentes, que já ultrapassam os 800 bilhões de euros, não é de surpreender que as torneiras de crédito para os setores produtivos, as pequenas e médias empresas e as famílias permaneçam fechadas! Evidentemente, são todas operações de giro dentro do próprio sistema bancário.</p>
<p>A introdução de liquidez nova se deveu, provavelmente, não só à aquiescência ao sistema bancário, mas à situação criada pelos ataques especulativos contra as dívidas soberanas europeias. Basta observar a alta dos spreads das taxas de juros e dos índices das bolsas de valores, para se compreender a gravidade da situação.</p>
<p>No segundo semestre de 2011, os bancos europeus estavam de joelhos. Onde se refinanciariam? Quem poderia dar-lhes crédito e liquidez? Houve um forte impulso em direção ao &#8220;sistema do dólar&#8221;, em busca de ajuda e créditos. Isto poderia assinalar o fim do sistema bancário da zona do euro, tornando-a demasiado dependente do dólar e dos bancos estadunidenses. Como afirmou perante à Comissão Econômica do Parlamento Europeu o então presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, em 11 de Outubro de 2011, ele temia &#8220;riscos sistêmicos produzidos pela crescente dependência dos bancos europeus, por empréstimos de curto prazo em dólares estadunidenses&#8221;.</p>
<p>O BCE atuou como o &#8220;Fed&#8221; após a falência do Lehman Brothers &#8211; o sistema bancário teria que ser salvo a qualquer custo.</p>
<p>E a economia real, as empresas e a força de trabalho? Agora, não basta exorcizar os riscos de inflação e falar sobre os desafios da competitividade e da modernização tecnológica de todo o sistema econômico europeu. É preciso injetar créditos e sustentar projetos, para revitalizar a economia real.</p>
<p>Infelizmente, essa operação de resgate dos bancos europeus demonstra, mais uma vez, a debilidade política da Europa, que não pode decidir sobre a emissão de &#8220;Eurobonds&#8221;, mas está disposta a arriscar recursos públicos e delegar inteiramente ao sistema bancário as funções e responsabilidades que ele já demonstrou ser incapaz de cumprir. O mesmo vale para a falta de novas regras compartilhadas em âmbito internacional.</p>
<p style="text-align: right;"><strong><em>De Roma, Mario Lettieri e Paolo Raimondi</em></strong></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #ff6600;"><strong><em><em><strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em></em></strong></span></p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo.png"><img class="aligncenter" title="div-novo" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo-300x13.png" alt="" width="300" height="13" /></a></p>
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<p><strong><em>MSIa INFORMA</em></strong><strong> </strong>➞<strong> </strong>é uma publicação do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa). Conselho Editorial: Angel Palacios, Geraldo Luís Lino, Lorenzo Carrasco (Presidente), Marivilia Carrasco e Silvia Palacios. Endereço: Rua México, 31 &#8211; sala 202 &#8211; Rio de Janeiro (RJ) &#8211; CEP 20031-144; Telefax: 0xx 21-2532-4086.</p>
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		<title>Os BRICS e uma ordem mundial diferente</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Apr 2012 15:57:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
				<category><![CDATA[Governo mundial]]></category>
		<category><![CDATA[Nova ordem mundial]]></category>
		<category><![CDATA[Política internacional]]></category>

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		<description><![CDATA[Qualquer análise minimamente realista do presente cenário global aponta para o esgotamento do modelo de organização dos assuntos mundiais consolidado em torno da hegemonia econômico-financeira e político-militar do eixo Washington-Nova York-Londres e seus apêndices europeus e israelenses. Definitivamente, as aspirações e necessidades do mundo crescentemente complexo, interdependente e interligado do século XXI se mostram incompatíveis com a subordinação das economias nacionais a um sistema financeiro essencialmente privatizado, desregulamentado e convertido num fim em si próprio, além da submissão da agenda das relações internacionais às diretrizes emanadas daqueles centros de poder, com frequência, impostas direta ou indiretamente pelo poder militar.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp"><img class="aligncenter  wp-image-10770" title="msiA iNFORMA" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp" alt="" width="235" height="49" /></a></p>
<blockquote><p><strong>Qualquer análise minimamente realista do presente cenário global aponta para o esgotamento do modelo de organização dos assuntos mundiais consolidado em torno da hegemonia econômico-financeira e político-militar do eixo Washington-Nova York-Londres e seus apêndices europeus e israelenses. Definitivamente, as aspirações e necessidades do mundo crescentemente complexo, interdependente e interligado do século XXI se mostram incompatíveis com a subordinação das economias nacionais a um sistema financeiro essencialmente privatizado, desregulamentado e convertido num fim em si próprio, além da submissão da agenda das relações internacionais às diretrizes emanadas daqueles centros de poder, com frequência, impostas direta ou indiretamente pelo poder militar.</strong></p></blockquote>
<p>Uma consequência dessas transformações em curso é a emergência dos BRICS, como um vetor com enorme potencial de contribuição para a construção de uma ordem mundial diferente, como se viu na quarta cúpula do grupo, em Nova Délhi, na semana passada.</p>
<p>De fato, o mundo atravessa um momento de inflexão histórica, análogo ao apresentado ao final da II Guerra Mundial, quando as perspectivas para a reconstrução mundial do pós-guerra haviam sido claramente explicitadas pelo presidente estadunidense Franklin D. Roosevelt, sintetizadas em seu célebre conceito das &#8220;quatro liberdades&#8221; fundamentais, que deveriam ser desfrutadas pelos povos de todo o mundo: de expressão, de culto, das vicissitudes da penúria e do medo. Tal orientação esteve no cerne da sua aliança estratégica com o premier britânico Winston Churchill, a quem reiterou em várias ocasiões que os EUA não entrariam em um novo conflito para preservar os impérios coloniais europeus. Desafortunadamente, a sua morte prematura, em abril de 1945, abriu caminho para os descaminhos da Guerra Fria, a qual, a despeito dos enormes benefícios proporcionados pela relativa estabilidade da ordem econômica estabelecida em Bretton Woods, assistiu, também, à consolidação do sistema financeiro e do complexo industrial-militar como centros de poder político, em especial, a partir da década de 1970, processo que conduziu ao presente impasse civilizatório.</p>
<p>O surgimento dos BRICS, como um bloco relativamente articulado em torno de certas questões estratégicas, é uma importante novidade nesse quadro de deterioração do sistema mundial, no qual um fator de grande relevância é uma percepção cada vez mais disseminada sobre o crescente déficit de justiça socioeconômica ensejado pelo status quo, que está na raiz da grande maioria das convulsões que têm abalado o planeta. Evidentemente, esta perspectiva se contrapõe à intenção do Establishment dominante de preservar os seus &#8220;privilégios percebidos&#8221; e, apesar do caráter não-confrontacional do grupo, a sua mera existência representa uma ameaça àqueles centros de poder, como se percebe pelas reações azedas e depreciativas divulgadas pela mídia anglo-americana.</p>
<p>Reações que foram oportunamente registradas pelo vice-presidente de Relações Institucionais da Embraer, Jackson Schneider, em entrevista ao jornal <em>The Times of India</em> (1/04/2012):</p>
<blockquote><p><em>«O BRICS não é uma ideia. Já é uma realidade. O equilíbrio da ordem global existente está mudando. Se o BRICS não tivesse força, por que o New York Times estaria gastando tanta tinta e tempo conosco?»</em></p></blockquote>
<p>Nos dias anteriores e seguintes à cúpula de Nova Délhi, o jornal de Nova York foi um dos muitos órgãos vinculados ao Establishment anglo-americano que publicou uma vasta coleção de artigos e editoriais sobre o grupo, a grande maioria, depreciativos, embora alguns denotassem uma certa cautela quanto às suas perspectivas e potenciais. Uma apreciação típica foi a do colunista econômico do <em>Daily Telegraph</em> londrino, Jeremy Warner, na edição de 29 de março:</p>
<blockquote><p>(&#8230;) <em>«Eu tenho acompanhado essas reuniões das nações do BRICS em ação, e o que tenho a dizer é que elas não são, de modo algum, impressionantes. Há muito pouco sentido de propósito e identidade comum. Na verdade, eles fazem a União Europeia parecer um paradigma de calma e harmonia. De dia, eles falam alto sobre ações multilaterais para reorientar o campo de jogo em favor das nações mais pobres, enquanto, à noite, tramam vergonhosamente uns contra os outros, frequentemente, em conjunto com os seus supostos opressores econômicos no Ocidente. Não há virtualmente nada que os une, além do ressentimento e suspeição do monopólio ocidental, em parte, justificados, em parte, não. Eu lhes desejo boa sorte com o seu novo banco de desenvolvimento, mas quando se trata de onde será construída a próxima represa, e quem irá construí-la, é aí que sairão as faíscas.»</em></p></blockquote>
<p>Seguindo a linha de muitos analistas, inclusive, nos próprios BRICS, que se apegam à parte em detrimento do todo, o que Warner reflete é uma certa perplexidade e incapacidade de enxergar uma ordem global que não seja subordinada pelos interesses representados, predominantemente, na City de Londres, Wall Street e no Pentágono.</p>
<p>Na contracorrente, um comentarista que avaliou corretamente a situação foi o arguto Fyodor Lukyanov, editor-chefe da revista Russia in Global Affairs e colunista da agência <em>Novosti</em>. Em sua coluna de 29 de março, depois de descrever as enormes diferenças entre os membros do grupo, ele foi ao cerne da questão:</p>
<blockquote><p><em>«Os BRICS estão sendo reunidos e movidos para a frente, não tanto pelos requisitos dos seus países membros, mas pela situação geral no mundo. As mudanças são rápidas e imprevisíveis, e as receitas para a resolução dos assuntos internacionais oferecidas pelos líderes usuais (o Ocidente), ou não funcionam, ou produzem o efeito oposto. Há uma demanda por soluções alternativas, embora, no momento, nenhum Estado individual que esteja desempenhando um grande papel regional (e os países dos BRICS entram nesta categoria) tem a oportunidade (ou o desejo) de oferecer uma visão global abrangente.»</em></p></blockquote>
<p>Igualmente, Lukyanov chama a atenção para um fator que deverá ter uma grande relevância para que o bloco possa desempenhar esse papel, o retorno de Vladimir Putin à presidência da Federação Russa:</p>
<blockquote><p>(&#8230;) <em>«O futuro presidente russo vê o fator unificador no fato de que todos os países do BRICS, não apenas têm visões similares sobre a necessidade de uma nova ordem mundial multipolar, mas, mais importante ainda, compartilham o mesmo valor básico &#8211; a soberania nacional como elemento estrutural fundamental do sistema mundial. Este conceito é uma alternativa ao enfoque ocidental, que se baseia na premissa de que, hoje, a soberania não é mais sagrada e imutável como era no passado.»</em></p></blockquote>
<p>Não é casual que Putin tenha se mostrado ser o estadista mundial mais afinado com os princípios e ensinamentos de Roosevelt, cuja agenda já mencionou em várias oportunidades como um guia para a superação da presente crise global, por exemplo, no seminário &#8220;As lições do New Deal para a Rússia e o mundo de hoje&#8221;, realizado em Moscou, em fevereiro de 2007, por ocasião do 125o. aniversário de nascimento do presidente estadunidense &#8211; ignorado em seu próprio país.</p>
<p>Quanto à cúpula, embora muita ênfase tenha sido dada à discussão sobre um &#8220;Banco dos BRICS&#8221;, que rivalizaria com o Banco Mundial como banco de desenvolvimento, é de grande relevância que a proposta se mantenha de pé e deverá ser objeto de aprofundamento de estudos pelos países membros. Evidentemente, não se cria uma instituição do gênero da noite para o dia, principalmente, uma com o potencial impacto político e econômico que teria uma instituição de fomento com recursos pelo menos na mesma magnitude do Banco Mundial e fora do controle dos centros financeiros ocidentais. Se Brasília, Moscou, Délhi, Pequim e Pretória mantiverem o &#8220;gostinho&#8221; do protagonismo conjunto que parecem estar sentido, o banco poderá ser apenas uma de uma série de novidades positivas para um cenário global que está carente delas.</p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #ff6600;"><strong><em><em><strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em></em></strong></span></p>
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<p><strong>Créditos </strong>➞<strong> </strong>este post é matéria apresentada no Boletim Eletrônico <strong><em>MSIa INFORMA</em></strong>, do <strong><em>MSIa –</em></strong><em> <strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em>, Vol. III, N<sup>o</sup> 44, de 05 de abril de 2012.</p>
<p><strong><em>MSIa INFORMA</em></strong><strong> </strong>➞<strong> </strong>é uma publicação do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa). Conselho Editorial: Angel Palacios, Geraldo Luís Lino, Lorenzo Carrasco (Presidente), Marivilia Carrasco e Silvia Palacios. Endereço: Rua México, 31 &#8211; sala 202 &#8211; Rio de Janeiro (RJ) &#8211; CEP 20031-144; Telefax: 0xx 21-2532-4086.</p>
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		<title>Os BRICS e a nova arquitetura global</title>
		<link>http://blogdoambientalismo.com/os-brics-e-a-nova-arquitetura-global/</link>
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		<pubDate>Sun, 01 Apr 2012 12:55:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
				<category><![CDATA[Governo mundial]]></category>
		<category><![CDATA[Nova ordem mundial]]></category>
		<category><![CDATA[Política internacional]]></category>

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		<description><![CDATA[    A quarta reunião de cúpula do grupo BRICS, em 28-29 de março, na capital indiana Nova Délhi, foi marcada pela expectativa em torno da discussão sobre a criação de um banco de desenvolvimento do bloco formado pelo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. A proposta, feita pelo governo indiano, após uma sugestão de dois ex-economistas-chefes do Banco Mundial, Nicholas Stern e o Prêmio Nobel Joseph Stiglitz, recebeu o endosso imediato do governo sul-africano e, embora as discussões a respeito ainda se encontrem em estágio embrionário, representa um claro indicador das rápidas transformações em curso no cenário global.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp"><img class="aligncenter  wp-image-10770" title="msiA iNFORMA" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp" alt="" width="235" height="49" /></a></p>
<p><strong>A quarta reunião de cúpula do grupo BRICS, em 28-29 de março, na capital indiana Nova Délhi, foi marcada pela expectativa em torno da discussão sobre a criação de um banco de desenvolvimento do bloco formado pelo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. A proposta, feita pelo governo indiano, após uma sugestão de dois ex-economistas-chefes do Banco Mundial, Nicholas Stern e o Prêmio Nobel Joseph Stiglitz, recebeu o endosso imediato do governo sul-africano e, embora as discussões a respeito ainda se encontrem em estágio embrionário, representa um claro indicador das rápidas transformações em curso no cenário global.</strong></p></blockquote>
<p>A importância da iniciativa se destaca no contexto da necessidade da reconfiguração do sistema financeiro e monetário internacional, com base em um restabelecimento do princípio do crédito produtivo, objetivo que interessa a todos os integrantes do grupo, a despeito das diferenças de interesses entre eles. Não obstante, tais discrepâncias podem diminuir consideravelmente, se o bloco conseguir estabelecer uma agenda compartilhada de desenvolvimento físico, para a qual o banco de fomento desempenharia um papel fundamental. Ao mesmo tempo, esta perspectiva daria ao bloco uma estatura global de natureza cooperativa, com enorme potencial de sinalização de um novo rumo de desenvolimento e convivência pacífica para toda a Humanidade, em contraste com o belicoso e falido modelo anglo-americano.</p>
<p>Nesse contexto, a perspectiva de criação de um &#8220;BNDES dos BRICS&#8221;, voltado para o financiamento de projetos de desenvolvimento nos países do bloco e até mesmo fora dele, se manifesta em paralelo com o processo sucessório no Banco Mundial, no qual, pela primeira vez, se apresentam candidatos dos países em desenvolvimento para desafiar o histórico &#8211; e obsoleto &#8211; arreglo que assegura o posto aos EUA, enquanto um europeu ocupa a direção do Fundo Monetário Internacional (FMI). Apesar de o bloco não ter uma posição unificada no processo eleitoral, o simples fato de estarem discutindo a formação de um novo banco de fomento internacional, fora do tradicional eixo de poder EUA-Europa, não apenas denota o vasto potencial de ação conjunta do grupo, como também já é causa de preocupações nas capitais que têm moldado o cenário global nas últimas décadas.</p>
<p>Essa percepção se mostra no cáustico artigo de Walter Ladwig, pesquisador visitante do Royal United Services Institute (RUSI), um dos mais tradicionais centros de estudos de segurança e defesa britânicos, publicado em 26 de março no International Herald Tribune. No texto, intitulado &#8220;Um bloco artificial construído sobre uma frase de efeito&#8221;, ele afirma:</p>
<blockquote><p><em>«A barreira para a ação coletiva das nações do BRICS não é a falta de uma estrutura institucional, mas a incompatibilidade fundamental dos seus interesses. Como resultado, o estabelecimento de corpos organizacionais permanentes não aumentará a coesão ou coordenação política do agrupamento. As grandes economias emergentes que se reunirão em Nova Déli, certamente, delinearão a governança global, no futuro. Mas isto se dará como nações individuais, e não como um bloco artificial fundado em cima de uma frase de efeito do</em> [economista-chefe Jim O'Neill, do banco] <em>Goldman Sachs.»</em></p></blockquote>
<p>Efetivamente, os BRICS estão longe de formar um grupo minimamente homogêneo e, certamente, têm interesses nacionais que são, em grande medida, divergentes entre si. O papel ascendente da China como locomotiva econômica e industrial, por exemplo, é visto com preocupação, pela Rússia, Índia e Brasil, sendo que os dois primeiros não ocultam também os seus temores de ordem estratégica e militar, em relação ao poderoso vizinho. Já a África do Sul enxerga o gigante asiático como uma grande oportunidade para a África, qualificando-se para atuar como uma plataforma de acesso privilegiado dos investimentos chineses no continente.</p>
<p>A própria ideia de criação do banco tem suscitado o receio de que Pequim queira impor o seu peso econômico para dominar a instituição e utilizá-la para consolidar o renminbi como moeda de referência internacional, como alternativa ao debilitado dólar estadunidense. Sem esperar pelo banco, em meados de março, o governo chinês anunciou que, na cúpula, deverá ser assinado um acordo entre os bancos de desenvolvimento nacionais, para permitir a concessão de empréstimos interbloco nas respectivas moedas – do qual, obviamente, a China será a principal beneficiária (<em>Russia &amp; India Report</em>, 19/03/2012).</p>
<p>Entretanto, interesses específicos à parte, o bloco poderá exercer uma grande influência na configuração de uma dinâmica diferente para os processos internacionais, em especial, quanto a uma nova arquitetura econômico-financeira global, para o que um banco de fomento próprio seria um importante instrumento. É claro que não se trata de substituir uma hegemonia pela outra, por exemplo, com a troca do dólar pelo renminbi. Igualmente, não é viável a extrapolação do presente modelo que confere à China e à Índia os papeis de grandes fornecedoras de manufaturas e serviços de baixo custo para todo o mundo, que já mostra visíveis sinais de exaustão, acarretando uma pletora de tensões e problemas, tanto em âmbito internacional, como dentro dos dois países. Ainda assim, há um grande campo de possibilidades de atuação conjunta a ser explorado.</p>
<p>Como afirmou o embaixador indiano em Moscou, Ajai Malahotra, em entrevista à Rádio Voz da Rússia (26/03/2012), os membros do bloco compartilham uma visão comum de um mundo de crescimento inclusivo e prosperidade, buscando, baseados em regras, uma ordem mundial estável e previsível, em uma época em que a ciência e a tecnologia e o conhecimento tornaram-se o principal determinante da riqueza e do poder de uma nação.</p>
<p><em>«Há, portanto, um foco maior dentro do BRICS para gerar atividades de cooperação em que se desenvolvem sinergias entre nossas forças, ajudando a promover a partilha de experiências nas áreas de capacitação, educação e desenvolvimento de competências» </em>— destacou.</p>
<p>Não por acaso, observou o diplomata, o tema selecionado para a cúpula é &#8220;Parceria BRICS para a Paz Global, Segurança e Prosperidade&#8221;.</p>
<p>Uma amostra de tais possibilidades foi proporcionada pela ONG estadunidense Global Health Strategies Initiatives (GHSi), que acaba de divulgar o estudo <strong>«Paradigma em Mudança: Como os BRICS Estão Reformatando a Saúde e o Desenvolvimento Globais»</strong>. No documento, os autores afirmam que, no período entre 2005 e 2010, os membros do grupo ampliaram as suas iniciativas de assistência internacional a uma taxa mais de dez vezes superior aos países do G-7, embora estes ainda sejam os maiores contribuintes de tais esforços em âmbito mundial.</p>
<blockquote><p><em>«Durante a crise financeira, a maior parte dos países do BRICS conseguiu manter seu crescimento econômico e aumentar a cooperação internacional, enquanto alguns doadores tradicionais reduziram ou ficaram no mesmo patamar de gastos em termos de ajuda externa»</em> — disse David Gold, diretor-executivo da GHSi (<em>BBC Brasil</em>, 26/03/2012).</p></blockquote>
<p>Segundo ele:</p>
<blockquote><p><em>«Os BRICS estão estabelecendo novos modelos para cooperação que desafiam a forma como vemos a ajuda externa. De forma geral, eles não se veem como doadores tradicionais. Em vez disso, eles enfatizam a cooperação Sul-Sul e programas que deixem um legado de qualificação e de transferência de tecnologia, além de usar lições de sua própria experiência em relação à saúde.»</em></p></blockquote>
<p>Da mesma forma, Gold destaca que os cinco países também já estão coordenando esforços em setores como agricultura, ciência e tecnologia, além de investirem em pesquisa e desenvolvimento, o que poderia ter impactos diretos em países pobres.</p>
<blockquote><p><em>«No longo prazo, os BRICS representam uma potencial fonte de novos recursos e inovação para o desenvolvimento e a saúde globais»</em> — completou.</p></blockquote>
<p>É evidente que não se pode esperar que os BRICS atuem como um contraponto ostensivo ao modelo hegemônico anglo-americano, baseado no dólar como moeda de referência e na supremacia financeira e militar, mas também parece óbvio que a mera existência do grupo tende a proporcionar oportunidades para a ascensão de um novo paradigma civilizatório, mais fundamentado na cooperação que na confrontação, com um novo sistema financeiro que volte a funcionar a serviço da economia real e ofereça uma alternativa real de saída para a presente crise sistêmica global. Talvez, se esta percepção se disseminar entre as lideranças e sociedades dos membros do bloco, ele poderá firmar-se como uma sólida referência mundial para um necessário impulso de mudança de rumo – e Jim O&#8217;Neill poderá ver concretizada a sua &#8220;profecia&#8221; bem antes do que imaginou.</p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #ff6600;"><strong><em><em><strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em></em></strong></span></p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo.png"><img class="aligncenter" title="div-novo" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo-300x13.png" alt="" width="300" height="13" /></a></p>
<p><strong>Créditos </strong>➞<strong> </strong>este post é matéria apresentada no Boletim Eletrônico <strong><em>MSIa INFORMA</em></strong>, do <strong><em>MSIa –</em></strong><em> <strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em>, Vol. III, N<sup>o</sup> 43, de 30 de março de 2012.</p>
<p><strong><em>MSIa INFORMA</em></strong><strong> </strong>➞<strong> </strong>é uma publicação do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa). Conselho Editorial: Angel Palacios, Geraldo Luís Lino, Lorenzo Carrasco (Presidente), Marivilia Carrasco e Silvia Palacios. Endereço: Rua México, 31 &#8211; sala 202 &#8211; Rio de Janeiro (RJ) &#8211; CEP 20031-144; Telefax: 0xx 21-2532-4086.</p>
<p><strong>Para saber mais sobre o tema </strong>➞<strong> </strong>visitar os sites da MSIa/Capax Dei:<strong> </strong><a href="http://www.alerta.inf.br/">http://www.alerta.inf.br/</a> e <a href="http://www.msia.org.br/">http://www.msia.org.br/</a>.</p>
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		<title>Brasil: nova ofensiva por direitos humanos e aborto</title>
		<link>http://blogdoambientalismo.com/brasil-nova-ofensiva-por-direitos-humanos-e-aborto/</link>
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		<pubDate>Thu, 29 Mar 2012 10:12:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
				<category><![CDATA[Governo mundial]]></category>
		<category><![CDATA[Controle populacional]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Oligarquias internacionais]]></category>
		<category><![CDATA[Política internacional]]></category>

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		<description><![CDATA[    Não é a primeira vez que se exercem sobre o Brasil os mecanismos intervencionistas encastelados na Organização das Nações Unidas (ONU); o que parece novidade é o fato de a pressão ser exercida, simultaneamente, em dois campos aparentemente contraditórios: os direitos humanos, entendidos de uma maneira ad hoc, e a legalização do aborto.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp"><img class="aligncenter  wp-image-10770" title="msiA iNFORMA" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp" alt="" width="245" height="51" /></a></p>
<p><strong>Não é a primeira vez que se exercem sobre o Brasil os mecanismos intervencionistas encastelados na Organização das Nações Unidas (ONU); o que parece novidade é o fato de a pressão ser exercida, simultaneamente, em dois campos aparentemente contraditórios: os direitos humanos, entendidos de uma maneira <em>ad hoc</em>, e a legalização do aborto.</strong></p></blockquote>
<p>Em 16 de março, em uma entrevista coletiva, em Genebra, com jornalistas de todo o mundo, o porta-voz do Escritório do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Rupert Colville, insistiu em tratar da tentativa de abertura de processo feita pelo Ministério Público Federal contra o coronel reformado do Exército Sebastião Curió Rodrigues, por crimes de tortura.</p>
<blockquote><p><em>«Vemos essa iniciativa como um primeiro e crucial passo na luta contra a impunidade no período do governo militar no Brasil» </em>— disse ele (<em>Efe</em>, 16/03/2012).</p></blockquote>
<p>Nas últimas semanas, armou-se no País um esboço de uma crise militar, depois que as ministras das secretarias de Direitos Humanos, Maria do Rosário, e das Políticas para a Mulher, Eleonora Menicucci, se manifestaram publicamente em favor da abertura de processos judiciais contra militares que participaram da repressão à insurgência armada contra o regime militar, nas décadas de 1960 a 1980. As declarações das ministras, que não receberam qualquer contestação do Palácio do Planalto, deram luz verde para que o cabildo dos direitos humanos se lançasse a apresentar casos exemplares, a começar pela tentativa de processo contra Curió, responsabilizado pelo desaparecimento de combatentes da chamada Guerrilha do Araguaia, na década de 1970. Embora a iniciativa tenha sido, oportunamente, rejeitada pela Justiça Federal, com base na Lei da Anistia de 1979, a investida deverá prosseguir, pois o aparato dos direitos humanos não parece disposto a desistir da sua agenda, que mobiliza indivíduos incapazes de superar os sentimentos revanchistas em favor de uma pauta ostensivamente intervencionista e ditada do exterior.</p>
<p>As evidências da orientação externa ficam visíveis na atuação do aparelho das Nações Unidas e da Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), associados a ONGs como o Centro pela Justiça e o Direito Internacional (CEJIL) e a Human Rigths Watch/Américas, aparato que tem se empenhado em criar pretextos para contornar a Lei da Anistia, mesmo depois da confirmação da validade desta em todas as circunstâncias, feita pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no ano passado &#8211; investida que constitui uma ostensiva tentativa de imposição de um regime jurídico supranacional ao País.</p>
<p>Duas semanas antes da entrevista de Colville, igualmente, representantes da ONU deram ao governo brasileiro um autêntico ultimato para que o País legalize o aborto o quanto antes, contrariamente a uma posição majoritária entre a sociedade brasileira. No final de fevereiro, o Comitê das Nações Unidas contra a Descriminalização da Mulher questionou acremente uma delegação brasileira, exigindo que <em>«o governo acelere a revisão de sua legislação criminalizando o aborto»</em>. Segundo o correspondente do jornal O Estado de S. Paulo em Genebra, Jamil Chade (10/03/2012), a ONU <em>«lança um ataque especial ao Estatuto do Nascituro, em tramitação no Congresso, e pede que o governo “discuta e analise o impacto” desse projeto»</em>.</p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2012/03/controle-populacional.jpg"><img class="aligncenter  wp-image-12997" title="controle-populacional" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2012/03/controle-populacional-300x225.jpg" alt="" width="365" height="274" /></a></p>
<p>O tom agressivo da ONU, vazado em um documento oficial, não inibiu o governo brasileiro, pois a exigência se enquadra nas iniciativas das ministras Maria do Rosário e Menicucci, sendo que esta última tem se empenhado em remover os obstáculos para que as mulheres que decidirem abortar, nos casos permitidos pela lei, sejam rapidamente atendidas. Seu empenho tem sido de tal ordem que ela se atreve a criticar os médicos que, fazendo uso de seu direito, têm se recusado a praticar abortos, alegando objeções de consciência. Como afirmou o vice-presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Carlos Vital:</p>
<blockquote><p><em>«A objeção de consciência é um direito previsto no código de ética médica. Nenhum profissional está obrigado a prestar atendimento que esteja em desacordo cm suas conv</em>icções» (<em>O Estado de S. Paulo</em>, 17/03/2012).</p></blockquote>
<p>O aspecto irônico de tudo isso é que as discussões e deliberações da ONU e das redes internacionais que gravitam em torno dos direitos humanos e do aborto parecem guiadas por uma ótica surrealista. Em uma república bem ordenada, onde o exercício do poder político se faça com uma preocupação mínima com o bem-estar geral da população, tanto físico como mental, o direito humano primordial, acima de qualquer ideologia, é o direito à vida, e não o de acabar com ela por qualquer pretexto.</p>
<p>O problema, no caso das ministras Maria do Rosário e Menicucci, é uma tentativa de impor a todo custo a ideologia da &#8220;geração de 68&#8243;, da revolução sexual e da contracultura, sistematizada na ideologia do gênero, que acaba desembocando numa &#8220;nova antropologia&#8221;, sem sexos, com o amplo direito ao aborto e, por conseguinte, enquadrada na insidiosa agenda do controle populacional das potências hegemônicas do Hemisfério Norte.</p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #ff6600;"><strong><em><em><strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em></em></strong></span></p>
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<p><strong>Créditos </strong>➞<strong> </strong>este post é matéria apresentada no Boletim Eletrônico <strong><em>MSIa INFORMA</em></strong>, do <strong><em>MSIa –</em></strong><em> <strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em>, Vol. III, N<sup>o</sup> 42, de 23 de março de 2012.</p>
<p><strong><em>MSIa INFORMA</em></strong><strong> </strong>➞<strong> </strong>é uma publicação do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa). Conselho Editorial: Angel Palacios, Geraldo Luís Lino, Lorenzo Carrasco (Presidente), Marivilia Carrasco e Silvia Palacios. Endereço: Rua México, 31 &#8211; sala 202 &#8211; Rio de Janeiro (RJ) &#8211; CEP 20031-144; Telefax: 0xx 21-2532-4086.</p>
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		<item>
		<title>Kony 2012: &#8220;guerra de quarta geração&#8221; hollywoodiana</title>
		<link>http://blogdoambientalismo.com/kony-2012-guerra-de-quarta-geracao-hollywoodiana/</link>
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		<pubDate>Thu, 29 Mar 2012 09:55:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
				<category><![CDATA[Governo mundial]]></category>
		<category><![CDATA[ONGs]]></category>
		<category><![CDATA[Política internacional]]></category>
		<category><![CDATA[Terrorismo]]></category>

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		<description><![CDATA[    O vídeo começa com uma declaração franca: «Os próximos 27 minutos são uma experiência. Mas, para que ela funcione, você tem que prestar atenção.» Quem se dispuser a atender a sugestão e prestar atenção em Kony 2012, como fizeram dezenas de milhões de pessoas em todo o mundo, nas últimas semanas, será apresentado a um sanguinário senhor da guerra ugandense, Joseph Kony, líder do chamado Exército de Resistência do Senhor (LRA, na sigla em inglês), e à lista de atrocidades cometidas por ele e seu bando, em mais de duas décadas. Ao mesmo tempo, será convidado a contribuir financeiramente para a ONG responsável pelo vídeo, a Invisible Children, sediada em San Diego, EUA, além de apoiar uma intervenção militar dos EUA para livrar os ugandenses do flagelo representado por Kony.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp"><img class="aligncenter  wp-image-10770" title="msiA iNFORMA" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp" alt="" width="240" height="50" /></a></p>
<blockquote><p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2012/03/Joseph-Kony-2012.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-12987" title="Joseph-Kony-2012" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2012/03/Joseph-Kony-2012-300x267.jpg" alt="" width="300" height="267" /></a></p>
<p><strong>O vídeo começa com uma declaração franca: <em>«Os próximos 27 minutos são uma experiência. Mas, para que ela funcione, você tem que prestar atenção.»</em> Quem se dispuser a atender a sugestão e prestar atenção em Kony 2012, como fizeram dezenas de milhões de pessoas em todo o mundo, nas últimas semanas, será apresentado a um sanguinário senhor da guerra ugandense, Joseph Kony, líder do chamado Exército de Resistência do Senhor (LRA, na sigla em inglês), e à lista de atrocidades cometidas por ele e seu bando, em mais de duas décadas. Ao mesmo tempo, será convidado a contribuir financeiramente para a ONG responsável pelo vídeo, a Invisible Children, sediada em San Diego, EUA, além de apoiar uma intervenção militar dos EUA para livrar os ugandenses do flagelo representado por Kony.</strong></p></blockquote>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2012/03/Joseph-Kony.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-12986" title="Joseph-Kony" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2012/03/Joseph-Kony-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p>Lançado na Internet em 5 de março, o vídeo se tornou rapidamente o maior fenômeno da rede mundial, atingindo mais de 100 milhões de vizualizações em apenas seis dias. Porém, com celeridade idêntica, foi prontamente desmascarado como uma peça de propaganda oficiosa da agenda belicista de Washington, ao mesmo tempo em que o líder da ONG, o cineasta Jason Russell, via sua imagem de paladino cibernético instantâneo desabar com a rapidez de um e-mail, ao ser preso pela polícia de San Diego, depois de ser flagrado se masturbando em público e visivelmente embriagado.</p>
<p>Embora não se saibam as causas do comportamento exótico de Russell, não se pode descartar que ele se deva a um choque causado pela sua meteórica fama internacional e, talvez, pelo colossal sucesso financeiro da campanha &#8221;Stop Kony&#8221;, que oferece um bracelete com tais dizeres pela módica quantia de 30 dólares. Segundo o próprio Russell, foram vendidos 500 mil kits em apenas uma semana &#8211; o que, sem contar as inúmeras doações recebidas pela ONG, representa nada desprezíveis 15 milhões de dólares, um considerável reforço ao seu orçamento de 8,7 milhões de dólares, em 2011.</p>
<p>Para complicar o quadro, os supostos beneficiários da iniciativa da Invisible Children, os ugandenses, reagiram veementemente contra o vídeo, muitos deles qualificando-o como parte de uma trama para justificar uma intervenção militar estadunidense no país, onde cerca de 100 militares do Comando África (Africom) já atuam como &#8220;assessores&#8221; do presidente Yoweri Museveni.</p>
<p>Não por acaso, Museveni encontra-se no poder há 25 anos, é mandante de atrocidades cometidas contra a população, em uma escala muito superior à de Kony e seu LRA, e tem sido um importante apoiador das operações militares estadunidenses na África, mantendo, inclusive, um contingente na Somália.</p>
<p>Como este boletim afirmou, na edição de 26 de outubro de 2011:</p>
<blockquote><p><em>«Embora o LRA se assemelhe mais a um bando de salteadores e estupradores do que a uma força guerrilheira e esteja em ação desde o final da década de 1980, poucos acreditam que Obama teria se incomodado em ajudar seu colega ugandense, no poder desde 1986, se a África não estivesse no centro da agenda estratégica de uma renovada disputa por recursos naturais. Além do fato de uma importante jazida petrolífera ter sido descoberta em território ugandense, no início deste ano, outra motivação da Casa Branca é a crescente presença chinesa no continente. Como afirma o veterano jornalista estadunidense Eric Margolis, especialista na estratégia geopolítica de seu país: &#8220;Os EUA também estão preocupados com a penetração chinesa na região, com o fato de que eles vão engolir todos os recursos econômicos e ganhar influência nos governos regionais. Então, talvez, os EUA queiram deter esse avanço chinês na África Central»</em> (<em>Russia Today</em>, 19/10/2011)</p></blockquote>
<p>De fato, em uma conferência realizada em fevereiro de 2008, o vice-almirante Robert T. Moeller, então vice-chefe do Africom, afirmou abertamente que o objetivo principal do recém-criado comando era proteger &#8220;o livre fluxo de recursos naturais da África para o mercado global&#8221;, mencionando a &#8220;ruptura dos fluxos de petróleo&#8221;, o &#8220;terrorismo&#8221; e a &#8220;crescente influência da China&#8221;, como os principais desafios aos interesses estadunidenses no continente africano (AllAfrica.com, 14/08/2009).</p>
<p>A promiscuidade da Invisible Children com a agenda oficial de Washington é evidenciada pelo apoio financeiro proporcionado à ONG pela Agência de Desenvolvimento Internacional dos EUA (USAID).</p>
<p>Curiosamente, uma crítica inesperada ao vídeo veio de dois centros tradicionalmente ligados à agenda do Establishment anglo-americano, a Escola de Economia de Londres (LSE, na sigla em inglês) e o ultra-seleto Conselho de Relações Exteriores (CFR) de Nova York. Em um artigo publicado em 13 de março, no sítio do CFR, os pesquisadores Mareike Schomerus, Tim Allen, e Koen Vlassenroot, do Programa de Pesquisas sobre Justiça e Segurança da LSE, afirmam:</p>
<blockquote><p><em>«Ao se assistir o filme, fica claro que a campanha não se dirigia, primariamente, a reverter a dinâmica de conflito na África Central. Kony 2012 é uma quintessencial fábula estadunidense, impressa sobre uma tela africana, que deflagrou um vigoroso debate sobre até onde a precisão dos fatos pode ser esticada por uma boa causa, como se manipular o poder das mídias sociais e qual deveria ser o papel dos EUA na finalização de conflitos muito longe de casa. Talvez, não com surpresa, a exigência feita no filme &#8211; de alguma forma, prender Kony por meios militares, com a ajuda dos EUA, como única solução &#8211; é ilógica e desorientada.»</em></p></blockquote>
<p>Em síntese, Kony 2012 não passa de uma sofisticada experiência hollywoodiana para o arsenal de &#8220;guerra de quarta geração&#8221;, com o qual os incorrigíveis círculos belicistas do <em>establishment</em> pretendem sustentar a sua agenda hegemônica, de &#8220;guerra por recursos&#8221; e supremacia militar nas relações internacionais.</p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #ff6600;"><strong><em><em><strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em></em></strong></span></p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo.png"><img class="aligncenter" title="div-novo" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo-300x13.png" alt="" width="300" height="13" /></a></p>
<p><strong>Créditos </strong>➞<strong> </strong>este post é matéria apresentada no Boletim Eletrônico <strong><em>MSIa INFORMA</em></strong>, do <strong><em>MSIa –</em></strong><em> <strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em>, Vol. III, N<sup>o</sup> 42, de 23 de março de 2012.</p>
<p><strong><em>MSIa INFORMA</em></strong><strong> </strong>➞<strong> </strong>é uma publicação do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa). Conselho Editorial: Angel Palacios, Geraldo Luís Lino, Lorenzo Carrasco (Presidente), Marivilia Carrasco e Silvia Palacios. Endereço: Rua México, 31 &#8211; sala 202 &#8211; Rio de Janeiro (RJ) &#8211; CEP 20031-144; Telefax: 0xx 21-2532-4086.</p>
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		<title>Líbia, um ano depois: da &#8220;proteção humanitária&#8221; à balcanização</title>
		<link>http://blogdoambientalismo.com/libia-um-ano-depois-da-protecao-humanitaria-a-balcanizacao/</link>
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		<pubDate>Tue, 27 Mar 2012 12:18:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
				<category><![CDATA[Governo mundial]]></category>
		<category><![CDATA[Crise global]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Mudanças de paradigmas]]></category>
		<category><![CDATA[Política internacional]]></category>
		<category><![CDATA[Revolta no mundo árabe]]></category>

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		<description><![CDATA[    Um ano após o início da intervenção militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) na Líbia, vale a pena dar uma olhada no país, para constatar os resultados da ação que deveria proteger uma população que, supostamente, ansiava pelas bênçãos da "democracia" ocidental, das atrocidades promovidas pelo líder Muamar Kadafi. Para tanto, vejamos a avaliação de alguns conhecedores do país, ouvidos pelo sítio Voz da Rússia, que divulgou matéria a respeito, em 19 de março.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp"><img class="aligncenter  wp-image-10770" title="msiA iNFORMA" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp" alt="" width="235" height="49" /></a></p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2012/03/balcanizacao-libia.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-12975" title="balcanizacao-libia" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2012/03/balcanizacao-libia-300x228.jpg" alt="" width="300" height="228" /></a><strong></strong></p>
<p><strong>Um ano após o início da intervenção militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) na Líbia, vale a pena dar uma olhada no país, para constatar os resultados da ação que deveria proteger uma população que, supostamente, ansiava pelas bênçãos da &#8220;democracia&#8221; ocidental, das atrocidades promovidas pelo líder Muamar Kadafi. Para tanto, vejamos a avaliação de alguns conhecedores do país, ouvidos pelo sítio Voz da Rússia, que divulgou matéria a respeito, em 19 de março.</strong></p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2012/03/Evgeni-Satanovski.jpg"><img class="wp-image-12971 alignright" title="Evgeni-Satanovski" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2012/03/Evgeni-Satanovski-300x170.jpg" alt="" width="232" height="131" /></a>O presidente do Instituto do Oriente Médio da Academia Russa de Ciências, Evgeni Satanovski, é categórico e afirma que a intervenção ocidental mergulhou o país no caos. Diz ele:</p>
<blockquote><p><em>«O motim separatista em Benghazi, que deu início à &#8220;Primavera Árabe&#8221;, teve sua continuação lógica. A Cirenaica anunciou a sua autonomia e isso torna evidente por que motivo a Arábia Saudita e o Catar levaram a cabo a operação de derrubada de Kadafi. Hoje, a hostilidade entre as tribos já alcança o nível de genocídio, são massacradas algumas tribos africanas. A bandeira da &#8220;Primavera Árabe&#8221; não resultou na formação de nenhuma democracia na Líbia: o país está à beira do desmoronamento.»</em></p></blockquote>
<p>Por sua vez, Sergei Demidenko, especialista em assuntos orientais do Instituto de Pesquisas e Análises Estratégicas, afirma que, ao apoiar a luta dos insurretos contra Kadafi, o Ocidente pensava em tudo, menos em reformas democráticas na Líbia, visando apenas os recursos naturais do país. Porém, observa que eles sequer conseguiram estabelecer o seu controle sobre tais recursos:</p>
<blockquote><p><em>«O Reino Unido e a França tentaram estabelecer o seu controle sobre o petróleo líbio. Mas este objetivo também não foi alcançado, pois a exploração de jazidas petrolíferas é possível apenas quando existe estabilidade política. Quando no país se trava uma guerra de todos contra todos, este objetivo torna-se irrealista. Por outro lado, a União Europeia obteve um foco poderosíssimo de proliferação do radicalismo islâmico.»</em></p></blockquote>
<p>Outro especialista, Aleksei Podserob, do Instituto de Estudos Orientais da Academia Russa de Ciências, reitera que o poder local está nas mãos de comandantes de campo, mais de cem mil líbios estão armados e a atividade do Conselho Nacional de Transição é confusa e nebulosa. Até hoje, nem sequer se conhecem ao certo os integrantes do conselho. Para ele, os verdadeiros ganhadores foram outros:</p>
<blockquote><p><em>«Ganharam os países em cujos bancos se encontram os ativos líbios, que não foram descongelados definitivamente até hoje. Ganhou, certamente, o Catar, pois a derrubada do regime de Kadafi permitiu-lhe reforçar consideravelmente a sua influência política nessa região.»</em></p></blockquote>
<p>Pobserob completa, observando que, em 2011, o PIB da Líbia baixou bruscamente, o desemprego aumentou e o nível de vida decaiu. Mais de 10 mil pessoas estão detidas nas prisões e as repressões contra os partidários de Kadafi continuam. Ademais, todas as tentativas da Corte Criminal Internacional para conseguir informações sobre a situação nas prisões foram inúteis, até agora.</p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2012/03/Donatella-Rovera.jpg"><img class="alignleft  wp-image-12978" title="Donatella-Rovera" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2012/03/Donatella-Rovera-200x300.jpg" alt="" width="157" height="236" /></a>Por outro lado, até mesmo a Anistia Internacional, que com frequência atua como linha auxiliar dos interesses do <em>establishment </em>anglo-americano, está cobrando da OTAN uma investigação séria sobre as mortes de civis no conflito líbio, em especial, as decorrentes dos mais de 10 mil ataques aéreos oficialmente desfechados contra as forças de Kadafi. Em um relatório divulgado em 19 de março, intitulado &#8220;Líbia: as vítimas esquecidas dos ataques da OTAN&#8221;, a organização acusa a Aliança Atlântica de não ter realizado as necessárias investigações sobre tais casos ou sequer tentado estabelecer contato com sobreviventes e parentes das vítimas.</p>
<p>Como afirmou Donatella Rovera, alta funcionária da organização:</p>
<blockquote><p><em>«É profundamente desapontador o fato de que, mais de quatro meses após o fim da campanha militar, as vítimas e os parentes daqueles quer foram mortos pelos ataques aéreos da OTAN permaneçam no escuro quanto ao que aconteceu em quem foram os responsáveis. Os funcionários da OTAN reiteraram, repetidamente, o seu compromisso com a proteção dos civis. Eles não podem, agora, varrer para o lado as mortes de um monte de civis com alguma vaga declaração de lamento, sem investigar adequadamente aqueles incidentes mortais.»</em></p></blockquote>
<p>Diante de tal quadro, não admira que potências como a Rússia e a China, que se abstiveram na votação da Resolução 1973, tenham aprendido a lição e decidido que uma nova intervenção semelhante não ocorreria, por exemplo, no caso da guerra civil na Síria. O mesmo argumento justifica a ação cautelosa de seus parceiros no grupo BRICS, Brasil inclusive, frente às pressões diplomáticas externas e, no caso brasileiro, dos setores midiáticos internos, adeptos de alinhamentos semiautomáticos às estratégias hegemônicas do bloco anglo-americano, para um posicionamento mais firme contra o regime de Bashar al-Assad.</p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #ff6600;"><strong><em><em><strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em></em></strong></span></p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo.png"><img class="aligncenter" title="div-novo" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo-300x13.png" alt="" width="300" height="13" /></a></p>
<p><strong>Créditos </strong>➞<strong> </strong>este post é matéria apresentada no Boletim Eletrônico <strong><em>MSIa INFORMA</em></strong>, do <strong><em>MSIa –</em></strong><em> <strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em>, Vol. III, N<sup>o</sup> 42, de 23 de março de 2012.</p>
<p><strong><em>MSIa INFORMA</em></strong><strong> </strong>➞<strong> </strong>é uma publicação do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa). Conselho Editorial: Angel Palacios, Geraldo Luís Lino, Lorenzo Carrasco (Presidente), Marivilia Carrasco e Silvia Palacios. Endereço: Rua México, 31 &#8211; sala 202 &#8211; Rio de Janeiro (RJ) &#8211; CEP 20031-144; Telefax: 0xx 21-2532-4086.</p>
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		<title>Obama-Cameron: ocaso do &#8220;atlanticismo&#8221;</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Mar 2012 12:01:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
				<category><![CDATA[Governo mundial]]></category>
		<category><![CDATA[Nova ordem mundial]]></category>
		<category><![CDATA[Oligarquias internacionais]]></category>
		<category><![CDATA[Política internacional]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blogdoambientalismo.com/?p=12963</guid>
		<description><![CDATA[    A recente cúpula entre o presidente Barack Obama e o premier David Cameron, em Washington, na semana passada, serviu para que os mandatários dos EUA e do Reino Unido reafirmassem ao mundo o entendimento sem igual que os dois países têm demonstrado, no cenário global, desde a II Guerra Mundial. Como especificou o fact sheet divulgado pela Casa Branca:
    O presidente Obama e o primeiro-ministro Cameron reafirmaram o nosso compromisso mútuo com a melhoria das vidas dos povos mais pobres do mundo, por intermédio da Parceria EUA-Reino Unido para o Desenvolvimento Global. Com a Parceria, estamos trabalhando juntos para lograr melhores resultados: promovendo o avanço do crescimento econômico; prevenindo conflitos em Estados frágeis; melhorando a saúde global, particularmente, para moças e mulheres;... e mitigando os efeitos das mudanças climáticas. (...)]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp"><img class="aligncenter  wp-image-10770" title="msiA iNFORMA" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp" alt="" width="240" height="50" /></a></p>
<p><strong>A recente cúpula entre o presidente Barack Obama e o premier David Cameron, em Washington, na semana passada, serviu para que os mandatários dos EUA e do Reino Unido reafirmassem ao mundo o entendimento sem igual que os dois países têm demonstrado, no cenário global, desde a II Guerra Mundial. Como especificou o <em>fact sheet</em> divulgado pela Casa Branca:</strong></p>
<p><strong><em>«O presidente Obama e o primeiro-ministro Cameron reafirmaram o nosso compromisso mútuo com a melhoria das vidas dos povos mais pobres do mundo, por intermédio da Parceria EUA-Reino Unido para o Desenvolvimento Global. Com a Parceria, estamos trabalhando juntos para lograr melhores resultados: promovendo o avanço do crescimento econômico; prevenindo conflitos em Estados frágeis; melhorando a saúde global, particularmente, para moças e mulheres;&#8230; e mitigando os efeitos das mudanças climáticas.»</em> (&#8230;)</strong></p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2012/03/cameron-obama.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-12967" title="cameron-obama" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2012/03/cameron-obama-300x187.jpg" alt="" width="300" height="187" /></a></p></blockquote>
<p>E, quanto às questões relacionadas à segurança e defesa:</p>
<blockquote><p><em>«Hoje, o presidente Obama e o primeiro-ministro Cameron reafirmaram o seu compromisso em continuar a estreita cooperação em defesa, na medida em que os EUA e o Reino Unido constroem as suas Forças Armadas para o futuro. Os EUA e o Reino Unido compartilham uma relação de defesa inusitada, que tem ajudado a assegurar os nossos interesses e valores compartilhados desde as guerras mundiais do século passado. Nós desenvolvemos uma interoperacionalidade e interconectividade militares sem paralelo, trabalhando juntos para enfrentar os desafios da Guerra Fria, liderando na OTAN [Organização do Tratado do Atlântico Norte] e lutando lado a lado em defesa de interesses globais [sic]. Em cada nível dos nossos estabelecimentos de defesa, homens e mulheres uniformizados britânicos e estadunidenses treinam juntos, aprendem juntos, desenvolvem capacidades juntos e, quando convocados, lutam juntos.»</em></p></blockquote>
<p>Diante de tão tocantes princípios permanentes, cuja manifestação poderia ter sido reiterada sem que o premier britânico se desse ao trabalho de uma nova travessia do Atlântico, cabe interrogar-nos sobre as motivações mais prementes da cúpula (apesar de que visitas periódicas a Washington sempre têm atrativos para os residentes do número 10 da Downing Street).</p>
<p>Sem dúvida, no topo da lista de preocupações de ambos está o visível declínio do impulso &#8220;atlanticista&#8221;. Este pode ser definido como sendo a capacidade de Washington e Londres imporem ao restante da Europa e a grande parte do mundo a sua agenda hegemônica, baseada no controle do sistema financeiro e dos fluxos de matérias-primas e commodities, na militarização das relações internacionais e, principalmente, em uma visão do mundo caracterizada pela institucionalização do individualismo e do egoísmo extremados em uma vasta gama das atividades humanas, principalmente, nas atividades econômicas &#8211; a qual está na raiz da presente crise sistêmica global.</p>
<p>Não por acaso, os dois mandatários assinaram um artigo emblematicamente intitulado <strong>«Uma Aliança Com a qual o Mundo Pode Contar»</strong>, publicado no <em>Washington Post</em> na véspera da chegada de Cameron, em 13 de março, no qual sintetizavam os nobres princípios listados no fact sheetda Casa Branca.</p>
<p>Na alça de mira de ambos, está a crescente concorrência, em termos de protagonismo internacional, das potências ascendentes, como a China e a Rússia, em especial, esta última, que a partir de maio próximo terá novamente Vladimir Putin no comando do Kremlin. Tendo apreendido rapidamente as recentes lições da intervenção da OTAN na Líbia, tanto Pequim como Moscou já traçaram as linhas no chão contra novas ações &#8220;humanitárias&#8221; da Aliança Atlântica na guerra civil da Síria, onde Washington e Londres têm ensejado todos os esforços para insuflar e armar a oposição ao regime de Damasco, e, igualmente, já transmitiram claros recados contra qualquer ação militar contra o Irã.</p>
<p>Da mesma forma, o Establishment anglo-americano tem demonstrado um crescente nervosismo com fato de as duas potências eurasiáticas serem, simultaneamente, as estrelas principais de dois importantes blocos emergentes, o BRICS e a Organização para Cooperação de Xangai (OSC, na sigla em inglês). Em especial, diante da perspectiva de que os dois blocos se consolidem como centros de uma nova abordagem global para o desenvolvimento compartilhado, mais baseada na cooperação do que no confrontacionismo hegemônico, capaz de oferecer uma alternativa de saída da crise global a partir da integração econômica eurasiática, em uma dinâmica que atraia a União Europeia, as economias industrializadas e emergentes da Ásia, e estenda uma influência positiva sobre o resto do mundo &#8211; inclusive, os próprios EUA.</p>
<p>O grande problema é que a visão hegemônica está entranhada no <em>establishment</em>, que tende a resistir ao declínio do &#8220;atlanticismo&#8221; de todas as formas, inclusive, as mais explosivas. Por isso, o futuro imediato tende a ser marcado pelos desdobramentos dos atritos uma dinâmica histórica mais consentânea com os melhores traços da espécie humana e o empenho daqueles círculos oligárquicos em sustentar o status quo a todo custo &#8211; inclusive, e principalmente, com o recurso a novos conflitos.</p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #ff6600;"><strong><em><em><strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em></em></strong></span></p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo.png"><img class="aligncenter" title="div-novo" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo-300x13.png" alt="" width="300" height="13" /></a></p>
<p><strong>Créditos </strong>➞<strong> </strong>este post é matéria apresentada no Boletim Eletrônico <strong><em>MSIa INFORMA</em></strong>, do <strong><em>MSIa –</em></strong><em> <strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em>, Vol. III, N<sup>o</sup> 42, de 23 de março de 2012.</p>
<p><strong><em>MSIa INFORMA</em></strong><strong> </strong>➞<strong> </strong>é uma publicação do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa). Conselho Editorial: Angel Palacios, Geraldo Luís Lino, Lorenzo Carrasco (Presidente), Marivilia Carrasco e Silvia Palacios. Endereço: Rua México, 31 &#8211; sala 202 &#8211; Rio de Janeiro (RJ) &#8211; CEP 20031-144; Telefax: 0xx 21-2532-4086.</p>
<p><strong>Para saber mais sobre o tema </strong>➞<strong> </strong>visitar os sites da MSIa/Capax Dei:<strong> </strong><a href="http://www.alerta.inf.br/">http://www.alerta.inf.br/</a> e <a href="http://www.msia.org.br/">http://www.msia.org.br/</a>.</p>
<p><strong>Mensagens e sugestões </strong>➞<strong> </strong>favor enviar para msia@msia.org.br</p>
<p><strong><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-10bMicro.jpg"><img class="alignright" title="harpia-10bMicro" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-10bMicro.jpg" alt="" width="60" height="49" /></a>Para adquirir as publicações da Capax Dei Editora Ltda.</strong> ➞ loja virtual em: <a href="http://www.capaxdei.com.br/">www.capaxdei.com.br</a>; e-mail : capaxdeieditora@gmail.com</p>
<p><strong>Imagem </strong>➞  <a href="http://www.telegraph.co.uk/">http://www.telegraph.co.uk</a></p>
<p><strong></strong><strong><br />
</strong></p>
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		<title>HSBC: Senado dos EUA investigam lavagem de dinheiro</title>
		<link>http://blogdoambientalismo.com/hsbc-senado-dos-eua-investigam-lavagem-de-dinheiro/</link>
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		<pubDate>Tue, 20 Mar 2012 17:14:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
				<category><![CDATA[Governo mundial]]></category>
		<category><![CDATA[Globalização]]></category>
		<category><![CDATA[Política internacional]]></category>

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		<description><![CDATA[O HSBC Holdings PLC está sob investigação por um comitê do Senado dos EUA em uma investigação de lavagem de dinheiro, o mais recente passo em um esforço dos EUA, de longa duração, para deter o fluxo de dinheiro através de bancos globais sombrios, de acordo com pessoas familiarizadas com a situação de depósitos de valores mobiliários de empresas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="slice-1">
<div id="byline">
<div id="source"><img class="aligncenter" src="http://msnbcmedia2.msn.com/i/msnbc/Components/Sources/Art/source_Reuters3.gif" alt="" width="110" height="25" /></div>
</div>
<div id="intelliTXT">
<div>
<blockquote><p><strong>O HSBC Holdings PLC está sob investigação por um comitê do Senado dos EUA em uma investigação de lavagem de dinheiro, o mais recente passo em um esforço dos EUA, de longa duração, para deter o fluxo de dinheiro através de bancos globais sombrios, de acordo com pessoas familiarizadas com a situação de depósitos de valores mobiliários de empresas.</strong></p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2012/03/hsbc-1.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-12941" title="hsbc-1" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2012/03/hsbc-1-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p></blockquote>
<h2>Eficiência da comissão</h2>
<p>O inquérito está sendo conduzido pela Subcomissão Permanente de Investigações do Senado, que poderá produzir um relatório e promover audiências no Congresso depois desta primavera — disseram essas pessoas. A subcomissão tem um histórico de condução de alto nível de audiências que se revelaram embaraçosos para os maiores bancos do mundo.</p>
<p>A intensificação das pesquisa sobre o HSBC é a última de uma série de investigações das autoridades dos EUA em saber como os bancos globais têm processado – e em alguns casos, intencionalmente escondidas – de operações financeiras em nome de países que, supostamente, apóiam o terrorismo, a corrupção de funcionários estrangeiros, gangues de drogas e os criminosos. Desde 2008 que bancos  europeus e dos EUA assinam acordos de acusação contra certos bancos e pagou-se mais de US $ 1,2 bilhões em sanções em caso de alegadas violações dos regulamentos anti-“branqueamento” de capitais.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Fogo contra o HSBC</h2>
<p>O foco específico das sondagens do Senado no HSBC não é totalmente conhecido. Uma pesquisa da <em>Reuters</em> com documentos legais e regulamentares de sondagens anteriores, porém, aponta para uma série de alegados problemas nos sistemas do HSBC anti-“branqueamento” de capitais.</p>
<p>O porta-voz do HSBC Robert Sherman disse em um comunicado:</p>
<blockquote><p><em>«Temos discussões em curso com os funcionários – incluindo o painel do Senado – em uma série de questões regulamentares e de conformidade. A natureza dessas discussões são confidenciais &#8230; Em todos os casos, estamos a cooperar.»</em></p></blockquote>
<p>Um porta-voz da subcomissão do Senado não quis comentar.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Contra-ofensiva por parte do HSBC</h2>
<p>No início deste mês, o HSBC nomeou um funcionário, o ex-top do Departamento do Tesouro dos EUA, Stuart Levey, como seu Diretor Jurídico, em um sinal de como o banco está contratando especialistas externos em lavagem de dinheiro. Levey, que se especializou no combate ao financiamento do terrorismo e deixou o Departamento do Tesouro no ano passado, tem sua base em Londres. Um porta-voz do HSBC disse que Levey não estava disponível para comentar o assunto.</p>
<p>Stuart Gulliver, diretor-executivo do HSBC, disse em um comunicado este mês que a experiência de Levey de <em>«lidar com questões financeiras internacionais e legais é altamente relevante para um banco global como o HSBC»</em>.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Primeiros sinais de alerta</h2>
<p>Para o HSBC, que tem operações em mais de 80 países e territórios, a sondagem do Senado norteamericano é outro sinal de que funcionários de segurança dos EUA estão aumentando suas investigações sobre o banco de Londres – que durante a última década tem, repetidamente, chamado escrutínio dos reguladores financeiros dos EUA para a fraca lavagem de dinheiro supostamente permitindo controles e fraude de saúde e evasão fiscal.</p>
<p>Em 2003 e 2010, dois reguladores bancários nos EUA, levantaram sérias questões sobre os sistemas do banco, o branqueamento de capitais e funcionários e ordenou que o banco melhorar os sistemas de branqueamento de capitais e de pessoal, de acordo com ações de execução por parte do Federal Reserve Bank of New York eo Controladoria da Moeda, uma unidade do Departamento do Tesouro.</p>
<p>Nos registros de valores mobiliários, o banco revelou inquéritos crescentes. Em 2010, o banco divulgou que havia recebido intimações do júri e estava sendo investigado pelo Departamento de Justiça em investigações de lavagem de dinheiro. Posteriormente, disse o escritório do promotor distrital de Manhattan estava investigando.</p>
<p>Então, em novembro, o HSBC disse que investigações adicionais estavam sendo perseguidos pelo painel do Senado e os EUA Securities and Exchange Commission, de acordo com um registro na SEC por HSBC EUA Inc. O banco disse que as investigações focados em lavagem de dinheiro e da apresentação adequada de impostos dos EUA por clientes. A unidade é o negócio principal do HSBC EUA, oferecendo serviços bancários corporativos e de varejo para cerca de 4 milhões de clientes. HSBC operações norte-americanas, que incluem o HSBC Bank EUA e uma unidade de financiamento ao consumidor, respondem por cerca de 5 por cento dos lucros do HSBC.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>West Virginia Link</h2>
<p>As investigações sobre como o banco supostamente foi usado para lavagem de dinheiro estender a Viena, W. Va. Lá, um médico de gestão da dor chamado Barton J. Adams foi indiciado em 2008 pelo Departamento de Justiça em 169 acusações de fraude alegada saúde, evasão fiscal, lavagem de dinheiro e testemunha adulteração. Adams supostamente movido centenas de milhares de dólares em receitas de fraude de Medicare entre uma conta de Internet HSBC Bank EUA e contas do HSBC outros no Canadá, Hong Kong e Filipinas, de acordo com registros da corte de distrito dos EUA em West Virginia. Dr. Adams se declarou inocente.</p>
<p>Stephen Herndon, um advogado para Adams, não quis comentar citando o contencioso em curso. Um porta-voz da Procuradoria dos EUA, em West Virginia não quis comentar.</p>
<p>Para ter certeza, o HSBC não é o único banco importante para enfrentar escrutínio dos reguladores sobre suposta lavagem de dinheiro. Em 2009 e 2010, o Barclays PLC, o Lloyds Banking Group e Credit Suisse Group concordou em cancelamentos, totalizando US $ 1,2 bilhão com reguladores norte-americanos que encontraram os bancos evitou a lei dos EUA em ajudar os países sancionados. Em 2010, o Royal Bank of Scotland Group PLC concordou em multa de US $ 500 milhões para os EUA para cobrir ilegais ABN Amro Holding NV transações em dólares norte-americanos ligados ao Irã, Líbia, Sudão e Cuba. RBS e um consórcio de bancos adquiriu o ABN, um banco holandês, em 2007.</p>
<p>Aplicação da lei-escrutínio está cada vez mais focada em produtos de narcóticos que se deslocam entre os EUA eo México. Em 2010, por exemplo, o Wachovia Bank, adquirido pelo Wells Fargo &amp; Co. em 2008, fez um acordo de 160 milhões dólares com o Departamento de Justiça, que alegou que a falha nos controles do Banco traficantes de drogas permitidas para lavar dinheiro da droga amarrados ao México.</p>
<p>Um estudo 2011 pelo Government Accountability Office, disse que o dinheiro da venda de drogas ilegais em que os EUA flui de volta para o México &#8211; muitas vezes na forma de remessas de moeda grandes chamado &#8220;contrabando de dinheiro em espécie&#8221; &#8211; totais entre $ 18 bilhões e US $ 39 bilhões por ano . John Cassara, um especialista em lavagem de dinheiro e ex-agente do Tesouro, disse que as autoridades norte-americanas lutam para parar o dinheiro que flui de os EUA para o México.</p>
<div></div>
<h2>HSBC À microscopia</h2>
<p>HSBC tem enfrentado várias ordens para melhorar as suas políticas anti-branqueamento de capitais. Em 2003, o HSBC Bank EUA, sob um acordo com o Federal Reserve Bank de Nova York e reguladores de banco de Nova York, disse que um &#8220;objetivo comum&#8221; com os reguladores foi que o banco iria &#8220;garantir que o banco totalmente aborda deficiências no banco anti- dinheiro políticas e procedimentos de lavagem &#8220;.</p>
<p>Na época, o banco concordou em elaborar um programa para atualizar os controles internos para garantir a conformidade com disposições da Lei de sigilo bancário para melhor acompanhamento &#8220;atividades suspeitas ou incomuns.&#8221;</p>
<p>No início de 2010, o HSBC veio novamente sob escrutínio. O painel do Senado alegou em um relatório, intitulado &#8220;Mantendo a corrupção estrangeira fora dos Estados Unidos&#8221;, que o HSBC, junto com outros bancos, havia permitido que indivíduos de alto risco, conhecidos como pessoas politicamente expostas ou PEPs, a rota através de dinheiro os EUA sistema financeiro. Essas pessoas normalmente são poderosos líderes estrangeiros, parentes e colaboradores próximos de regimes propensos à corrupção.</p>
<p>O 2010 do Senado relatório analisou os laços do HSBC para Angola, o país produtor de petróleo Africano propenso a receita do petróleo do enxerto e má administração. O relatório do Senado alegou que o HSBC forneceu serviços bancários aos funcionários norte-americanos politicamente conectados de empresa nacional de petróleo de Angola através do Banco Africano de Investimentos, ou BAI, um banco privado angolano, sem designar as operações como risco potencialmente elevado. HSBC permitiu os movimentos de dinheiro &#8220;, apesar da presença de pessoas politicamente expostas&#8221; na gestão do BAI e clientela.</p>
<p>Em uma audiência no Senado, Wiecher Mandemaker, então diretor de observância geral para HSBC Bank EUA, disse que o banco acredita que instituições como BAI foram importantes para ajudar os africanos movimento &#8220;no sistema bancário moderno.&#8221; O funcionário do HSBC disse que o banco tinha exaustivamente investigado BAI e que era política do HSBC para desencorajar as relações bancárias com pessoas politicamente expostas a menos que o banco teve um relacionamento de longa data com o cliente eo banco acredita que o cliente tinha uma &#8220;fonte legítima de fundos.&#8221;</p>
<div id="fullstory">
<p>Mandemaker deixou o banco e não pôde ser encontrado para comentar.</p>
<p>No final de 2010, o banco foi atingido com uma outra ordem de um regulador bancário dos EUA para limpar seu sistema anti-branqueamento após o Escritório do Controlador da Moeda, ou OCC, investigou várias empresas que o dinheiro encaminhado para os clientes e outros bancos. A sonda e subseqüentes consentimento ordem &#8220;deficiências identificadas&#8221; no anti-dinheiro do HSBC práticas de lavagem e entre outros requisitos, ordenou ao banco para contratar um responsável regional permanente e apresentar planos de cumprimento integral do policiamento fluxos de dinheiro impróprias.</p>
<p>HSBC posteriormente saiu ou reduzido as empresas. Ele separadamente anunciou planos para sair inúmeras empresas dos EUA, concordando em vender filiais bancárias e um negócio de cartão de crédito em meio a uma mudança para rápido crescimento economias.</p>
<p>A OCC encontrado &#8220;programa de conformidade ea sua implementação são ineficazes&#8221; do banco e que o banco enfrentou o &#8220;potencial significativo para a lavagem de dinheiro não declarada ou financiamento do terrorismo.&#8221;</p>
<p>A ordem de consentimento OCC disse que entre 2006 e 2009, o HSBC não tivesse devidamente acompanhadas transações em dinheiro a granel. A ordem OCC também disse que o banco não &#8220;adequadamente&#8221; designar os clientes como &#8220;risco elevado&#8221;, mesmo que a filiação do cliente com uma pessoa politicamente exposta poderia prejudicar a reputação do banco. O relatório também criticou o banco por um acúmulo de não transformados relatórios de atividades suspeitas, conhecida como SARS, que pode derrubar fora reguladores de fluxos de dinheiro questionáveis.</p>
<p>Como parte da ordem de consentimento, o banco disse que &#8220;o compromisso de tomar todas as medidas necessárias e adequadas para corrigir as deficiências.&#8221;</p>
<p>Sherman, o porta-voz do HSBC, disse: &#8220;Reconhecemos que ficou aquém das nossas expectativas e estamos trabalhando com nossos reguladores para enfrentar e resolver as questões levantadas&#8221;.</p>
<p>Sherman disse que o banco tomou medidas, como investir em pessoal, um sistema de lavagem de dinheiro novo anti-, uma linha de apoio conformidade novo, e novo treinamento para todos os funcionários norte-americanos.</p>
<p style="text-align: right;"><em><strong>Por Carrick Mollenkamp, ​​Brian Grow e Brett Lobo</strong></em></p>
<p style="text-align: right;">(Edição por Alwyn Scott e Edward Tobin)</p>
<h2><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/03/2000px-Decorative_text_divider_4.svg_.png"><img class="aligncenter size-medium wp-image-7413" title="2000px-Decorative_text_divider_4.svg" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/03/2000px-Decorative_text_divider_4.svg_-300x12.png" alt="" width="300" height="12" /></a></h2>
<blockquote>
<h2><span style="color: #ff0000;">Observação → a presente tradução pode ter problemas, pois foi feita automaticamente pelo tradutor do Google.</span></h2>
</blockquote>
<p><strong>Créditos →</strong> <em>Agência Reuters</em>, em 25de janeiro de <abbr>2012 às 12:56:13 </abbr></p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-0aMicro.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-9609" title="harpia-0aMicro" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-0aMicro.jpg" alt="" width="50" height="64" /></a><a title="EUA notícia" href="http://translate.googleusercontent.com/translate_c?hl=pt-BR&amp;langpair=en%7Cpt&amp;rurl=translate.google.com.br&amp;u=http://www.msnbc.msn.com/id/3032525/ns/us_news/&amp;usg=ALkJrhi1Vvvq50V3iu_5alN-ya31kRz_8g">EUA notícia</a>  —  <a href="http://www.msnbc.msn.com">www.msnbc.msn.com</a></p>
<p>I<strong>magem →</strong> <a href="http://n7hd.com.br/">http://n7hd.com.br</a></p>
</div>
</div>
</div>
</div>
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		<title>O novo presidente alemão: desafio ao establishment</title>
		<link>http://blogdoambientalismo.com/o-novo-presidente-alemao-desafio-ao-establishment/</link>
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		<pubDate>Sun, 18 Mar 2012 13:41:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
				<category><![CDATA[Governo mundial]]></category>
		<category><![CDATA[Crise global]]></category>
		<category><![CDATA[Política internacional]]></category>

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		<description><![CDATA[    No próximo dia 16 de março, o Parlamento alemão (Bundestag) irá eleger o novo presidente do país, para substituir Christian Wulff, que renunciou com menos de dois anos no cargo, na esteira de um escândalo de acusações de corrupção referentes ao seu posto anterior, de primeiro-ministro do estado da Baixa Saxônia. O candidato único, Hans Joachim Gauck, foi selecionado com base em um consenso suprapartidário, do qual se excluiu apenas o PDS, sucessor do antigo Partido Comunista da Alemanha Oriental.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp"><img class="aligncenter  wp-image-10770" title="msiA iNFORMA" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp" alt="" width="240" height="50" /></a></p>
<p><strong>No próximo dia 16 de março, o Parlamento alemão (Bundestag) irá eleger o novo presidente do país, para substituir Christian Wulff, que renunciou com menos de dois anos no cargo, na esteira de um escândalo de acusações de corrupção referentes ao seu posto anterior, de primeiro-ministro do estado da Baixa Saxônia. O candidato único, Hans Joachim Gauck, foi selecionado com base em um consenso suprapartidário, do qual se excluiu apenas o PDS, sucessor do antigo Partido Comunista da Alemanha Oriental.</strong></p></blockquote>
<p style="text-align: center;"><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2012/03/Joachim-Gauck.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-12946" title="Joachim-Gauck" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2012/03/Joachim-Gauck-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a><strong>Joachim Gauck é eleito o novo presidente da Alemanha.</strong></p>
<p>Após a reunificação da Alemanha, em 1990, Gauck, que viveu a maior parte da sua vida no lado oriental, foi nomeado para chefiar a agência responsável pela organização dos arquivos da Stasi, a polícia secreta da extinta República Democrática Alemã (RDA), com vistas a disponibilizar a sua consulta pública. Por isso, a sua ascensão à presidência assume um significado histórico, representando um virtual abalo tectônico na estrutura de poder em Berlim, que deverá derrubar certos mitos prevalecentes na política alemã das últimas duas décadas, aí incluídos preconceitos ideológicos sobre as noções de família, nação, religião ou a questão da integração.</p>
<p>Provavelmente, deverá se manifestar uma nova qualidade nos debates entre a população em geral, os formadores de opinião e o Establishment. Em vista dos comentários públicos divulgados nas últimas semanas, está claro que, para muitos representantes das elites alemãs, uma pessoa como Gauck é &#8220;desconfortável&#8221;, mesmo em um cargo cujas funções mais visíveis são cerimoniais. Ele tende a não se orientar pelas regras da &#8220;correção política&#8221;, não é tendencioso e espera-se que se empenhe em favor de certos valores perdidos desde a reunificação.</p>
<p>Como Friedrich Schiller, a quem se refere várias vezes em seus livros, Gauck vê a si próprio como um &#8220;patriota&#8221;, um &#8220;europeu apaixonado&#8221; e um &#8220;cidadão do mundo&#8221;, que, por sua biografia, conhece os lados negros da História das últimas seis décadas.</p>
<p>Gauck nasceu em 1940, em Rostock, e, após os horrores da II Guerra Mundial, conheceu a ditadura do regime comunista do Leste. Oriundo de uma família protestante, ele não se juntou à organização da juventude da RDA, o que lhe vedava o acesso à universidade, com exceção da Faculdade de Teologia. Assim, estudou Teologia e se tornou pastor em Rostock.</p>
<p>As suas memórias, publicadas em 2010, proporcionam um vívido relato da vida na RDA, que ele considerava &#8220;uma prisão gigantesca&#8221;, com um colossal aparato de informações, que espionava e controlava a vida de cada cidadão. Mais tarde, o seu trabalho de organização dos arquivos da Stasi demonstrou que nada menos que 600 mil pessoas (em uma população de 16 milhões, em 1990) eram informantes do órgão &#8211; filhos espionavam pais, maridos espionavam esposas, trabalhadores e acadêmicos espionavam seus colegas e religiosos espionavam outros religiosos.</p>
<p>Após a reunificação, comitês de cidadãos do Leste ocuparam os escritórios da Stase, em Berlim, Erfurt e outras cidades, para evitar a destruição dos arquivos. Com o estabelecimento de uma agência federal para cuidar do assunto, Gauck foi nomeado o seu presidente. O trabalho de busca e catalogação revelou 39 milhões de fichas e milhões de fotos e documentos, que foram organizados e colocados à disposição do público.</p>
<p>Gauck não é um homem que se mostra interessado em revanche, mas na busca da verdade e na luta permanente pela liberdade. Para ele, não há liberdade verdadeira sem se encarar a verdade; a liberdade verdadeira abre caminho para o engajamento responsável da cidadania.</p>
<p>Em um recente discurso, Gauck observou que a revolução de 1989 foi realizada por pessoas comuns, que sobreviveram durante décadas em seus nichos privados, com a vaga esperança de que as coisas mudariam algum dia. Em suas palavras:</p>
<blockquote><p><em>«As ditaduras podem durar por muito tempo. O que aconteceu na RDA não foi uma implosão, nem se deveu à boa vontade do Sr. [Mikhail] Gorbatchov. Foram os cidadãos alemães que compreenderam uma verdade, que, na França, é a expressão mais preciosa na política: nós somos o povo&#8230; Esta sentença nos ensinou que, se acreditarmos nos nossos desejos e tivermos confiança neles, seremos capazes de superar os nossos medos, os próprios medos que nos fazem adaptar-nos à situação.»</em></p></blockquote>
<p>Gauck enfatiza que a liberdade não significa ser livre &#8220;de&#8221; alguma coisa, mas ser &#8220;livre para alguma coisa&#8221;. Em sua própria experiência, ele viveu um sonho permanente de liberdade, compreendendo que não era uma meta de realização imediata. Mas ele insiste em que, como muitos outros, manteve a esperança de realizar os seus sonhos, algum dia. Se aferrar ao sentido interior de liberdade e pensamento criativo, é o que permite ao indivíduo atuar responsavelmente e se engajar em favor do Bem Comum.</p>
<p style="text-align: right;"><strong>De Wiesbaden, </strong><em><strong>Anno Hellenbroich </strong></em><strong>e</strong><em><strong> Elisabeth Hellenbroich</strong></em></p>
<p style="text-align: right;" align="right"><span style="color: #ff6600;"><strong><em>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</em></strong></span></p>
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<p><strong>Créditos </strong>➞<strong> </strong>este post é matéria apresentada no Boletim Eletrônico <strong><em>MSIa INFORMA</em></strong>, do <strong><em>MSIa –</em></strong><em> <strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em>, Vol. III, N<sup>o</sup> 41, de 16 de março de 2012.</p>
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		<title>Putin e a &#8220;alucinogenia&#8221; do Departamento de Estado dos EUA</title>
		<link>http://blogdoambientalismo.com/putin-e-a-alucinogenia-do-departamento-de-estado-dos-eua/</link>
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		<pubDate>Sun, 18 Mar 2012 13:31:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
				<category><![CDATA[Governo mundial]]></category>
		<category><![CDATA[Oligarquias internacionais]]></category>
		<category><![CDATA[Política internacional]]></category>

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		<description><![CDATA[Definitivamente, a presença de Vladimir Putin na presidência da Federação Russa, nos próximos seis anos, foi recebida pelo establishment anglo-americano como uma clara sinalização de que a estratégia hegemônica do eixo Washington-Nova York-Londres terá um poderoso contraponto, mais que capaz de neutralizar muitas das suas diretrizes.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp"><img class="aligncenter  wp-image-10770" title="msiA iNFORMA" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp" alt="" width="235" height="49" /></a><strong></strong></p>
<blockquote><p><strong>Definitivamente, a presença de Vladimir Putin na presidência da Federação Russa, nos próximos seis anos, foi recebida pelo <em>establishment </em>anglo-americano como uma clara sinalização de que a estratégia hegemônica do eixo Washington-Nova York-Londres terá um poderoso contraponto, mais que capaz de neutralizar muitas das suas diretrizes.</strong></p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2012/03/putin3.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-12949" title="putin3" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2012/03/putin3-300x226.jpg" alt="" width="300" height="226" /></a></p></blockquote>
<p>Uma demonstração evidente da contrariedade daqueles círculos foi o fato de o presidente Barack Obama ter esperado cinco dias para cumprimentar Putin pela vitória nas eleições de 4 de março, só o fazendo ao final do expediente da sexta-feira seguinte, dia 9 (mais pragmático, o premier britânico David Cameron o fez na segunda-feira dia 5). Já o Departamento de Estado emitiu uma nota oficial sobre as eleições no próprio domingo, na qual cumprimentou &#8220;o povo russo&#8221; pela sua realização.</p>
<p>A demora se deveu, em grande medida, à expectativa &#8211; alimentada pela mídia ocidental &#8211; da ocorrência de manifestações populares em massa contra o processo eleitoral, que acabaram se revelando pífias e irrelevantes, limitadas a Moscou e algumas poucas cidades, reunindo um número de participantes bem menor que as manifestações dos partidários de Putin, que também foram às ruas.</p>
<p>Uma síntese bastante apropriada da relevância do papel de Putin no contexto global foi feita pelo sempre atento correspondente do Asia Times Online, Pepe Escobar, em sua coluna de 9 de março (&#8220;Por que Putin está enlouquecendo Washington&#8221;):</p>
<blockquote><p><em>«Então, Washington e seus serviçais foram advertidos. Antes da eleição do último domingo, Putin chegou, mesmo, a propagandear o seu mapa do caminho. Os pontos essenciais: sem guerra na Síria; sem guerra no Irã; sem &#8220;bombardeios humanitários&#8221; ou a promoção de &#8220;revoluções coloridas&#8221; &#8211; tudo embrulhado em um novo conceito, &#8220;instrumentos ilegais de poder suave&#8221;. Para Putin, uma Nova Ordem Mundial projetada em Washington não é uma opção. O que vale é &#8220;o consagrado princípio da soberania do Estado&#8221;.»</em></p></blockquote>
<p>No quadro global, o desfecho das eleições russas proporciona um importante fator de reforço para uma nova dinâmica histórica que se desenha, na qual os instrumentos tradicionais de poder hegemônico do eixo anglo-americano, o domínio do sistema financeiro e a militarização das relações internacionais, se mostram crescentemente disfuncionais e sendo assim percebidos por um número rapidamente crescente de cidadãos, tanto de outros países como deles próprios.</p>
<p>O problema maior é a incapacidade daqueles círculos oligárquicos de aceitar essa realidade, o que tem levado muitos de seus integrantes a abraçar a velha opção &#8220;fogo no circo&#8221; – a provocação de um novo conflito de grandes proporções – como parte da estratégia de preservação ou, pelo menos, prolongamento do <em>status quo</em>. Os dois candidatos imediatos à condição de potenciais estopins de um conflito do gênero são o Irã e a Síria – não por acaso, ambos colocados sob uma espécie de proteção de uma incansável atividade diplomática por parte da Rússia e da China, cujos governos têm um claro entendimento da situação.</p>
<p>Um ponto positivo é o fato de que, nos próprios EUA, alguns setores militares e de inteligência têm manifestado uma posição mais sensata, pelo menos em relação ao Irã, vocalizada, entre outros, pelo chefe do Estado-Maior Conjunto, general Martin Dempsey, que, em recente depoimento no Congresso, rechaçou qualquer ação militar contra o país e afirmou explicitamente que as lideranças iranianas são &#8220;racionais&#8221; e precisam ser tratadas como tais.</p>
<p>Por outro lado, essa posição contrasta, visivelmente, com a dos círculos belicistas, que têm uma eficiente porta-voz na secretária de Estado Hillary Clinton, cuja capacidade de produzir declarações ofensivas contra Teerã se mostra inesgotável. Em grande parte, as posições da secretária se explicam pela sua dependência vital do apoio político e financeiro do lobby sionista, mas, não menos, por ser uma legítima representante do pensamento ultrabelicista dos &#8220;neoconservadores&#8221;, ainda bastante influente em Washington.</p>
<p>Como se sabe, os &#8220;neocons&#8221; se caracterizam por uma declarada propensão a alterar a realidade de acordo com os seus delirantes desígnios hegemônicos &#8211; uma espécie de &#8220;alucinogenia&#8221;, se os puristas não se incomodarem com o neologismo.</p>
<p>Vale recordar que Clinton foi a sabotadora ostensiva do acordo articulado junto ao governo iraniano, pelo Brasil e a Turquia, em 2010, o qual, se implementado, teria assegurado um desfecho favorável ao imbróglio envolvendo o programa de enriquecimento de urânio de Teerã. Talvez, no novo cenário proporcionado pelo retorno de Putin ao Kremlin, haja condições para que um arranjo semelhante possa ser implementado e permita a retirada do Irã da lista de &#8220;pontos quentes&#8221; do quadro global (pelo menos, quanto ao pretexto do seu programa nuclear).</p>
<p style="text-align: right;" align="right"><span style="color: #ff6600;"><strong><em>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</em></strong></span></p>
<p><strong> <a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo.png"><img class="aligncenter size-medium wp-image-10922" title="div-novo" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo-300x13.png" alt="" width="300" height="13" /></a></strong></p>
<p><strong>Créditos </strong>➞<strong> </strong>este post é matéria apresentada no Boletim Eletrônico <strong><em>MSIa INFORMA</em></strong>, do <strong><em>MSIa –</em></strong><em> <strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em>, Vol. III, N<sup>o</sup> 41, de 16 de março de 2012.</p>
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		<title>O acordo EUA-Coreia do Norte de 2012</title>
		<link>http://blogdoambientalismo.com/o-acordo-eua-coreia-do-norte-de-2012/</link>
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		<pubDate>Sun, 18 Mar 2012 12:54:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
				<category><![CDATA[Governo mundial]]></category>
		<category><![CDATA[Crise global]]></category>
		<category><![CDATA[Política internacional]]></category>

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		<description><![CDATA[7 de março de 2011 (www.msia.org.br) - O recente acordo firmado entre os EUA e a Coreia do Norte é um passo importante por três razões. A primeira, porque ganha tempo. Outro teste nuclear, acompanhado do anúncio da Coreia do Norte ter conseguido miniaturizar ogivas para mísseis, só faria uma situação ruim ficar ainda pior. O acordo coloca essa possibilidade mais distante, dependendo do progresso a ser feito em novas negociações.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp"><img class="aligncenter  wp-image-10770" title="msiA iNFORMA" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp" alt="" width="240" height="50" /></a></p>
<blockquote><p><strong>7 de março de 2011 (<a href="http://www.msia.org.br/" target="_blank">www.msia.org.br</a>) &#8211; O recente acordo firmado entre os EUA e a Coreia do Norte é um passo importante por três razões. A primeira, porque ganha tempo. Outro teste nuclear, acompanhado do anúncio da Coreia do Norte ter conseguido miniaturizar ogivas para mísseis, só faria uma situação ruim ficar ainda pior. O acordo coloca essa possibilidade mais distante, dependendo do progresso a ser feito em novas negociações.</strong></p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2012/03/coreia-do-norte-nuclear.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-12952" title="coreia-do-norte-nuclear" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2012/03/coreia-do-norte-nuclear-300x232.jpg" alt="" width="300" height="232" /></a></p></blockquote>
<p>Em segundo lugar, além de parar as atividades de sua usina de enriquecimento de urânio, se a Coreia do Norte permitir que os inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) verifiquem a suspensão de seu funcionamento, será possível conhecer mais sobre o atual estágio de seu programa nuclear. Note-se que apenas um grupo de estrangeiros convidados viu o interior da instalação, e apenas brevemente. O interessante é que os norte-coreanos sabem que um futuro monitoramento irá revelar mais informações sobre suas capacidades. Por que eles estão dando esse passo? É difícil dizer.</p>
<p>Finalmente, este arranjo pode ajudar a construir uma base para novos progressos no sentido de parar e, eventualmente, até reverter, o esforço nuclear da Coreia do Norte. Muitos especialistas falam sobre a &#8220;desnuclearização&#8221;, não sabendo que tal processo não pode acontecer do dia para a noite, especialmente, com um programa que já tem quase cinco décadas. Note-se que a Coreia do Norte não é a Líbia: a sua eventual &#8220;desnuclearização&#8221; exigirá, em primeiro lugar, um &#8220;congelamento&#8221;, para depois ser iniciada uma &#8220;reversão&#8221;, que vai levar tempo.</p>
<p>Uma série de problemas potenciais parece clara nas declarações unilaterais de ambos os países. A distribuição de alimentos não será um problema, já que grande parte dos detalhes já estão resolvidos. A implementação da moratória, no entanto, parece ser difícil, pois requer que a Coreia do Norte e a AIEA trabalhem em medidas de salvaguardas, particularmente, na usina de enriquecimento de urânio de Yongbyon. Há uma história de péssimas relações entre os dois, embora todas as poucas vezes que a Coreia do Norte consentiu cooperar com a AIEA, claramente, o fez porque era do seu interesse, como parece ser dessa vez.</p>
<p>A declaração unilateral da Coreia do Norte deixa, igualmente, claro que a <em>«prioridade será dada à discussão das questões relativas ao levantamento das sanções e fornecimento de usinas nucleares»</em>. Pyongyang insiste em que isto deverá acontecer, para que ela desista de seu programa de enriquecimento de urânio e armas nucleares. Isto é problemático, pois nenhum país está interessado em fornecer usinas nucleares à Coreia do Norte. Mas a China pode ser uma exceção, desde que o Ocidente pague a conta.</p>
<p>Alguém poderia perguntar: por que este acordo foi alcançado agora? É uma boa pergunta. Todos os especialistas vinham opinando que nada iria acontecer em 2012, uma vez que este é um ano eleitoral nos EUA e Pyongyang teria pouco interesse em chegar a novos acordos. O acordo foi uma grande surpresa para muitos. É difícil dizer o que está acontecendo, exceto que, agora, os EUA parecem ter entendido que a sua política de &#8220;paciência estratégica&#8221;, tentando convencer Pyongyang a mudar o seu mau comportamento, por meio de pressão e isolamento, falhou. A pressão e o isolamento são positivos, mas sem que se estenda a mão pela diplomacia, se transformam num beco sem saída. Qualquer semelhança com o caso iraniano não é mera coincidência.</p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2012/03/coreia-do-norte-nuclear2.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-12953" title="coreia-do-norte-nuclear2" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2012/03/coreia-do-norte-nuclear2-300x265.jpg" alt="" width="300" height="265" /></a></p>
<p>Sobre o porquê de a Coreia do Norte ter feito este movimento, alguns poderiam dizer que esse acordo prova que a <em>«paciência estratégica&#8221; dos EUA tem trabalhado e Pyongyang está &#8220;dando o braço a torcer»</em>. Analistas mais atentos, entretanto, acreditam que isso pode refletir um desejo da Coreia do Norte de escapar do &#8220;abraço do urso chinês&#8221;, no contexto de um relacionamento que hoje é muito mais forte do que já foi no passado. Outros o veem como um passo tático, feito porque a Coreia do Norte quer manter um ambiente externo calmo, durante o primeiro ano de sua transição de liderança. Outros ainda acreditam que o Norte concordou com uma moratória, porque, realmente, não está pronto para realizar mais testes nucleares ou de mísseis e precisa de tempo para trabalhar mais o seu programa de enriquecimento nas instalações de Yongbyon. Todas essas explicações são possíveis.</p>
<p style="text-align: right;"><strong><em>Leonam dos Santos Guimarães*</em></strong></p>
<p style="text-align: right;" align="right"><span style="color: #ff6600;"><strong><em>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</em></strong></span></p>
<blockquote><p><strong>* Doutor em engenharia naval e nuclear, assistente da Presidência da Eletrobrás Eletronuclear e membro do Grupo Permanente de Assessoria da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).</strong></p></blockquote>
<p><strong><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/03/2000px-Decorative_text_divider_4.svg_.png"><img class="aligncenter size-medium wp-image-7413" title="2000px-Decorative_text_divider_4.svg" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/03/2000px-Decorative_text_divider_4.svg_-300x12.png" alt="" width="300" height="12" /></a></strong></p>
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