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	<title>Blog do Ambientalismo &#187; Governo mundial</title>
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	<description>O que você precisa saber sobre Ambientalismo, Indigenismo e Governo Mundial</description>
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		<title>Guerra econômica e &#8220;terrorismo financeiro&#8221;</title>
		<link>http://blogdoambientalismo.com/guerra-economica-e-terrorismo-financeiro/</link>
		<comments>http://blogdoambientalismo.com/guerra-economica-e-terrorismo-financeiro/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 25 Jan 2012 10:54:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
				<category><![CDATA[Governo mundial]]></category>
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		<description><![CDATA[O rebaixamento da classificação dos títulos públicos da França, seguido de outros oito países europeus e do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF), pela agência Standard &#038; Poor's, não se baseou em qualquer fundamento econômico ou financeiro racional. Ao contrário, foi mais um episódio da feroz guerra intestina que se trava no contexto da crise sistêmica global, entre o eixo Wall Street-City de Londres e o bloco europeu, em torno de uma agenda mínima de re-regulamentação do sistema financeiro internacional. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp"><img class="aligncenter  wp-image-10770" title="msiA iNFORMA" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp" alt="" width="250" height="52" /></a></p>
<blockquote><p><strong>O rebaixamento da classificação dos títulos públicos da França, seguido de outros oito países europeus e do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF), pela agência Standard &amp; Poor&#8217;s, não se baseou em qualquer fundamento econômico ou financeiro racional. Ao contrário, foi mais um episódio da feroz guerra intestina que se trava no contexto da crise sistêmica global, entre o eixo Wall Street-City de Londres e o bloco europeu, em torno de uma agenda mínima de re-regulamentação do sistema financeiro internacional.</strong></p></blockquote>
<h2><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2012/01/aranha-financeira.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-12440" title="aranha-financeira" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2012/01/aranha-financeira.jpg" alt="" width="231" height="218" /></a></h2>
<h2>Uma guerra contra o euro</h2>
<p>Como o presidente francês Nicolas Sarkozy tem sido um dos mais veementes defensores da medida, aí incluindo restrições ao funcionamento dos paraísos fiscais, os senhores da alta finança globalizada decidiram ser chegado o momento de colocar seu país na alça de mira, principalmente, em função das próximas eleições presidenciais de abril-maio, nas quais Sarkozy enfrenta uma difícil disputa pela reeleição.</p>
<p>Com uma sutileza alguns graus abaixo do habitual, o <em>Financial Times</em> londrino praticamente admitiu que se tratava de uma ação política, usando a palavra &#8220;vingança&#8221;:</p>
<blockquote><p><em>«A crise da dívida da eurozona retornou com uma vingança, na sexta-feira, quando a agência classificadora de crédito Standard &amp; Poor&#8217;s rebaixou a França e a Áustria, dois dos países triplo A da zona monetária, bem como outras nações que não estavam no nível superior»</em> (<em>FT</em>, 14/01/2012).</p></blockquote>
<h2>Resistência europeia</h2>
<p>Curiosamente, no mesmo dia, a agência <em>Bloomberg</em> informava que o bloco europeu vem fazendo progressos para colocar sua casa em ordem:</p>
<blockquote><p><em>«A S&amp;P agiu ao final de uma semana em que aumentavam os sinais de que as feridas da Europa podem estar cicatrizando, na medida em que os custos dos empréstimos caíram, uma evidência de resiliência econômica emergente, e o Banco Central Europeu disse ter dominado um aperto de crédito junto aos bancos.»</em></p></blockquote>
<p>A medida da agência estadunidense é uma ostensiva retaliação contra a anunciada intenção do presidente francês e sua colega alemã, a chanceler Angela Merkel, de estabelecer um imposto sobre transações financeiras, à qual se opôs veemente o fiel escudeiro da City, o premier britânico David Cameron – <em>et pour cause</em>. O imposto, nos moldes da chamada taxa Tobin, seria instituído apenas a partir de 2014, mas Wall Street e a City não pretendem permitir que a proposta progrida, de modo a criar um arcabouço favorável a uma regulamentação mais abrangente do sistema financeiro – a qual, não obstante, terá que ser estabelecida cedo ou tarde.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Vacilo francês</h2>
<p>A batalha pela regulamentação se trava no âmbito da reconfiguração da agenda de poder político e econômico em escala global, na qual a Europa se vê diante da alternativa de continuar se mantendo subordinada à agenda hegemônica do eixo anglo-americano ou estabelecer uma pauta própria, que contemple uma participação ativa e direta no processo de integração do eixo eurasiático, para onde se desloca o centro de gravidade geoeconômico-geopolítico global. Neste particular, só se pode lamentar que o presidente Sarkozy tenha renunciado ao papel central que a França poderia ter desempenhado para acelerar essa dinâmica, preferindo, em vez disto, atuar como preposto dos interesses anglo-americanos em questões cruciais, como a ação militar na Líbia, o cerco ao regime de Bashar al-Assad na Síria e a campanha de fustigamento contra o Irã.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>A batalha “Strauss-Kahn”</h2>
<p>Ainda assim, a alta finança tem na França um alvo estratégico, como se viu na derrubada do então diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), em maio de 2011, na esteira do fraudulento escândalo de uma suposta agressão sexual a uma camareira de um hotel de Nova York. Como escrevemos na ocasião:</p>
<blockquote><p><em>«Não se pode descartar a hipótese de que o ex-todo-poderoso chefe do FMI tenha incorrido no desagrado dos grão-senhores do olimpo financeiro global, pelo seu empenho em colocar um mínimo de ordem e supervisão no sistema financeiro devastado pela jogatina especulativa – iniciativa para a qual contava com o apoio decidido de seu rival político Sarkozy, que tem defendido abertamente uma re-regulamentação do sistema financeiro e restrições aos paraísos fiscais.»</em></p></blockquote>
<h2>Terrorismo financeiro</h2>
<p>Comentando a investida da S&amp;P, o cineasta e escritor estadunidense Danny Scheckter, um dos mais contundentes comentaristas da blogosfera, foi incisivo:</p>
<blockquote><p><em>«O objetivo da S&amp;P não teve nada a ver com a economia. Ele foi político, para pressionar os líderes políticos da Europa a se mover mais depressa para agradá-la – quer dizer, suspender os controles e contrapesos democráticos, se for preciso, e fazer o que Wall Street quer, o mais rapidamente possível!&#8230; Vamos usar o nome correto: um sistema de terrorismo financeiro»</em> (<em>Information Clearing House</em>, 14/01/2012).</p></blockquote>
<h2>Sistema financeiro hegemônico quer continuar livre</h2>
<p>Em entrevista ao <em>Monitor Mercantil</em> de 17 de janeiro, o economista Carlos Lessa, ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), bateu na mesma tecla:</p>
<blockquote><p><em>«O sistema financeiro quer liberdade total e nada foi alterado no poder que ele possui para manter a desregulamentação. Mas, sob o aspecto geopolítico, rebaixar a França tem repercussão internacional, pois é o país de maior porte que assume posição pró-regulação, apesar de todos os limites do atual governo francês.»</em></p></blockquote>
<h2>Uma velha e boa política</h2>
<p>O resultado da batalha pela regulamentação do sistema financeiro será decisivo, não apenas para a superação da crise econômico-financeira deflagrada pela financeirização da economia mundial, como também para a própria reconfiguração da ordem de poder global. As potências europeias continentais, especialmente França e Alemanha, terão que se decidir a romper o círculo de giz do sistema oligárquico e ajudar a reconstruir as finanças e a economia global fora dos esquemas de poder &#8220;atlanticistas&#8221;. Para a França, seria um retorno à politica gaullista <em>«do Atlântico aos Urais»</em>, com a percepção de que o futuro da Europa continental e da própria economia mundial depende fundamentalmente da ampliação dos mercados consumidores, na Rússia e seu entorno, Ásia Central, China e Índia, a partir de grandes programas de infraestrutura e industrialização.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Inconsequência oligárquica</h2>
<p>A oligarquia financeira anglo-americana tem plena consciência de que esta é a verdadeira porta de saída para a crise mundial, o que implica na derrocada da geopolitica colonial anglo-americana e, por isso, está recorrendo a todo o seu arsenal, para tentar dar uma sobrevida ao seu sistema condenado, ainda que, para isto, seja preciso provocar uma megadepressão mundial, com o perigo de uma nova guerra mundial.</p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #ff6600;"><strong><em><em><strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em></em></strong></span></p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo.png"><img class="aligncenter" title="div-novo" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo-300x13.png" alt="" width="300" height="13" /></a></p>
<blockquote><p><strong>Créditos </strong>➞<strong> </strong>este post é matéria apresentada no Boletim Eletrônico <strong><em>MSIa INFORMA</em></strong>, do <strong><em>MSIa –</em></strong><em> <strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em>, Vol. III, N<sup>o</sup> 34, de 19 de janeiro de 2012. Subtítulos meus.</p>
<p><strong><em>MSIa INFORMA</em></strong><strong> </strong>➞<strong> </strong>é uma publicação do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa). Conselho Editorial: Angel Palacios, Geraldo Luís Lino, Lorenzo Carrasco (Presidente), Marivilia Carrasco e Silvia Palacios. Endereço: Rua México, 31 &#8211; sala 202 &#8211; Rio de Janeiro (RJ) &#8211; CEP 20031-144; Telefax: 0xx 21-2532-4086.</p>
<p><strong>Para saber mais sobre o tema </strong>➞<strong> </strong>visitar os sites da MSIa/Capax Dei:<strong> </strong><a href="http://www.alerta.inf.br/">http://www.alerta.inf.br/</a> e <a href="http://www.msia.org.br/">http://www.msia.org.br/</a>.</p>
<p><strong>Mensagens e sugestões </strong>➞<strong> </strong>favor enviar para msia@msia.org.br</p>
<p><strong><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-10bMicro.jpg"><img class="alignright" title="harpia-10bMicro" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-10bMicro.jpg" alt="" width="60" height="49" /></a>Para adquirir as publicações da Capax Dei Editora Ltda.</strong> ➞ loja virtual em: <a href="http://www.capaxdei.com.br/">www.capaxdei.com.br</a>; e-mail : capaxdeieditora@gmail.com</p>
<p>Imagem   <a href="http://xatoo.blogspot.com">http://xatoo.blogspot.com</a></p></blockquote>
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		<title>Irã provoca luta faccional em Washington</title>
		<link>http://blogdoambientalismo.com/ira-provoca-luta-faccional-em-washington/</link>
		<comments>http://blogdoambientalismo.com/ira-provoca-luta-faccional-em-washington/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 25 Jan 2012 10:49:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Oriente Médio]]></category>
		<category><![CDATA[Política internacional]]></category>

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		<description><![CDATA[O mundo continua refém de um cenário potencial de conflito de grandes proporções, na região do Oriente Médio e seu entorno. Entretanto, a temperatura e a concentração de vapores explosivos na atmosfera diminuíram um pouco, tanto por conta de iniciativas da cúpula político-estratégica dos EUA, como de certos posicionamentos de protagonistas como a Rússia e a União Europeia (UE). ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp"><img class="aligncenter  wp-image-10770" title="msiA iNFORMA" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp" alt="" width="240" height="50" /></a><strong></strong></p>
<blockquote><p><strong>O mundo continua refém do cenário de um potencial conflito de grandes proporções, na região do Oriente Médio e seu entorno. Entretanto, a temperatura e a concentração de vapores explosivos na atmosfera diminuíram um pouco, tanto por conta de iniciativas da cúpula político-estratégica dos EUA, como de certos posicionamentos de protagonistas como a Rússia e a União Europeia (UE).</strong></p></blockquote>
<h2><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2012/01/EUAxIran.jpg"><img class="aligncenter  wp-image-12442" title="EUAxIran" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2012/01/EUAxIran-205x300.jpg" alt="" width="258" height="377" /></a></h2>
<h2>A Europa é contra</h2>
<p>A primeira reforçou, nos últimos dias, as advertências de que não ficará de braços cruzados diante de qualquer agressão militar contra o Irã ou a Síria. E o bloco europeu adiou até meados do ano a adoção de eventuais sanções econômicas contra o regime de Teerã, embora ainda se mostre pouco disposto a abandonar a posição de caudatário da agenda de Washington e Londres.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Confissão dos EUA</h2>
<p>Apesar de tanto os EUA como o Reino Unido serem participantes ativos da campanha contra Teerã, aparentemente, certas lideranças em Washington tomaram a decisão de desativar a bomba-relógio, pelo menos no curto prazo. O primeiro sinal foi a entrevista do secretário de Defesa Leon Panetta à rede de televisão CBS, divulgada em 8 de janeiro, na qual admitiu que o programa nuclear do Irã não tem como objetivo a fabricação de armas nucleares, apenas a capacidade científica e industrial de construí-las, eventualmente – e Teerã deve ser dissuadida de dar tal passo por meio de pressões econômicas e diplomáticas. Igualmente, Panetta advertiu que qualquer ação militar israelense seria contraproducente e colocaria em risco os interesses estadunidenses na região.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Terá sido mesmo o Mossad?</h2>
<p>Outra evidência foi a imediata reação de Washington ao assassinato do cientista nuclear iraniano Mustafa Ahmadi Roshan, no centro de Teerã, em 11 de janeiro, em uma ação que está sendo abertamente atribuída ao serviço de inteligência exterior de Israel, o Mossad. Por meio de um porta-voz, o Departamento de Estado não apenas repudiou o atentado, como enfatizou que os EUA não tinham, <em>«absolutamente nada»</em> a ver com ele – negativa que repercutiu negativamente em Israel, tanto em círculos governamentais como na mídia (<em>AP</em>, 11/01/2012). Roshan, que era um dos diretores do centro de enriquecimento de urânio de Natanz, foi o quarto cientista ligado ao programa nuclear iraniano assassinado nos últimos dois anos, como parte da campanha clandestina que vem sendo movida contra o Irã pelos serviços de inteligência israelense, estadunidense e britânico.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Pé no freio</h2>
<p>Ato contínuo, foi anunciado o adiamento do exercício militar conjunto que forças estadunidenses e israelenses deveriam realizar em abril, como treinamento para a interceptação de hipotéticos mísseis iranianos em um cenário de conflito. Embora o sítio <em>Debka File</em>, que atua como porta-voz oficioso do Mossad, tenha afirmado que a iniciativa do adiamento teria partido do premier Benjamin Netanyahu, o fato é que a decisão foi tomada pelo presidente Barack Obama, com o apoio de seus assessores militares, tendo sido por ele comunicada ao premier em uma conversa telefônica, na quinta-feira 12 de janeiro (<em>Inter Press Service</em>, 16/01/2012).</p>
<p>Em uma iniciativa paralela e incomum, Obama enviou uma mensagem ao líder iraniano, aiatolá Ali Khamenei, por intermédio da embaixada da Suíça em Teerã, que representa os interesses dos EUA no país, comunicando-lhe que seria inaceitável qualquer tentativa de fechamento do estreito de Ormuz, como vêm ameaçando líderes militares iranianos. Embora parte da mídia estadunidense e internacional tenha apresentado a iniciativa como uma ameaça aberta, analistas menos belicosos sugerem, pelo inusitado, que ela pode sinalizar uma disposição de um entendimento que há muito está ausente da agenda de Washington.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>O lobby sionista</h2>
<p>Evidentemente, não se pode ignorar os efeitos da campanha presidencial estadunidense no desdobramento dos acontecimentos, pois Obama não pode correr o risco de aparentar uma atitude que a parcela mais belicosa do eleitorado considere &#8220;débil&#8221; em relação ao Irã. Neste contexto, o poderoso <em>lobby</em> sionista não deixará de pressionar para que o presidente adote uma atitude mais belicosa frente ao país persa.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Interesses mundiais em jogo</h2>
<p>Ademais, o complexo de segurança nacional estadunidense tem a sua agenda própria, que se beneficia do estado de tensões permanentes, em especial, diante da perspectiva de cortes orçamentários já anunciados pela Casa Branca. E, também, não se pode descartar a possibilidade de que algum incidente, espontâneo ou induzido, possa reativar a escalada belicista. Porém, as recentes atitudes de Washington oferecem uma janela de oportunidade para que as cabeças mais frias e sensatas prevaleçam sobre os &#8220;falcões&#8221; e os &#8220;guerreiros de gabinete&#8221;, criando condições para o estabelecimento de uma agenda construtiva, da qual os maiores beneficiários seriam os EUA e o Irã, mas que interessa a todo o mundo.</p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #ff6600;"><strong><em><em><strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em></em></strong></span></p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo.png"><img class="aligncenter" title="div-novo" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo-300x13.png" alt="" width="300" height="13" /></a></p>
<blockquote><p><strong>Créditos </strong>➞<strong> </strong>este post é matéria apresentada no Boletim Eletrônico <strong><em>MSIa INFORMA</em></strong>, do <strong><em>MSIa –</em></strong><em> <strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em>, Vol. III, N<sup>o</sup> 34, de 19 de janeiro de 2012. Subtítulos meus.</p>
<p><strong><em>MSIa INFORMA</em></strong><strong> </strong>➞<strong> </strong>é uma publicação do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa). Conselho Editorial: Angel Palacios, Geraldo Luís Lino, Lorenzo Carrasco (Presidente), Marivilia Carrasco e Silvia Palacios. Endereço: Rua México, 31 &#8211; sala 202 &#8211; Rio de Janeiro (RJ) &#8211; CEP 20031-144; Telefax: 0xx 21-2532-4086.</p>
<p><strong>Para saber mais sobre o tema </strong>➞<strong> </strong>visitar os sites da MSIa/Capax Dei:<strong> </strong><a href="http://www.alerta.inf.br/">http://www.alerta.inf.br/</a> e <a href="http://www.msia.org.br/">http://www.msia.org.br/</a>.</p>
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<p><strong><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-10bMicro.jpg"><img class="alignright" title="harpia-10bMicro" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-10bMicro.jpg" alt="" width="60" height="49" /></a>Para adquirir as publicações da Capax Dei Editora Ltda.</strong> ➞ loja virtual em: <a href="http://www.capaxdei.com.br/">www.capaxdei.com.br</a>; e-mail : capaxdeieditora@gmail.com</p>
<p><strong>Imagem ➞</strong>  <a href="http://neccint.wordpress.com"> http://neccint.wordpress.com</a></p></blockquote>
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		<title>&#8220;Modernização autoritária&#8221;: uma avaliação sobre o futuro da Rússia</title>
		<link>http://blogdoambientalismo.com/modernizacao-autoritaria-uma-avaliacao-sobre-o-futuro-da-russia/</link>
		<comments>http://blogdoambientalismo.com/modernizacao-autoritaria-uma-avaliacao-sobre-o-futuro-da-russia/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 17 Jan 2012 16:10:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
				<category><![CDATA[Governo mundial]]></category>

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		<description><![CDATA[No final de 2012, enquanto a mídia ocidental concentrava as atenções nas manifestações organizadas pela chamada oposição russa, o ex-premier eslovaco Ján Carnogurský proporcionou uma sóbria avaliação sobre a orientação estratégica da Federação Russa, um dos elementos que terá importância crucial para os desdobramentos da crise global. Em vista da piora das relações entre a Rússia e a União Europeia (UE), Carnogurský antevê uma guinada russa, afastando-se da UE e privilegiando a configuração de uma União Eurasiática, englobando as nações que formavam a extinta URSS. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp"><img class="aligncenter  wp-image-10770" title="msiA iNFORMA" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp" alt="" width="235" height="49" /></a></p>
<blockquote><p><strong>No final de 2012, enquanto a mídia ocidental concentrava as atenções nas manifestações organizadas pela chamada oposição russa, o ex-premier eslovaco Ján Carnogurský proporcionou uma sóbria avaliação sobre a orientação estratégica da Federação Russa, um dos elementos que terá importância crucial para os desdobramentos da crise global. Em vista da piora das relações entre a Rússia e a União Europeia (UE), Carnogurský antevê uma guinada russa, afastando-se da UE e privilegiando a configuração de uma União Eurasiática, englobando as nações que formavam a extinta URSS.</strong></p></blockquote>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2012/01/Jan-Carnogursky.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-12446" title="Ján Èarnogurský - právnik, bývalý politik, KDH" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2012/01/Jan-Carnogursky-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></p>
<p>Carnogurský é um dos poucos especialistas em assuntos russos do Leste Europeu regularmente convidados a participar dos debates anuais do chamado Clube Valdai, um fórum informal de discussões organizado desde 2004 pela agência Novosti e o Conselho Russo de Política Externa e de Segurança. Com frequência, os seus 40 integrantes, recrutados entre especialistas ocidentais e orientais, têm a oportunidade de se reunir com o presidente Dmitri Medvedev e o premier Vladimir Putin, bem como outros altos funcionários governamentais russos, com os quais abarcam temas relevantes para a formulação de estratégias do Kremlin.</p>
<p>A avaliação de Carnogurský se torna ainda mais relevante, no contexto da longa entrevista de Putin na televisão russa, em 15 de dezembro, na qual o premier respondeu perguntas de convidados e telespectadores, durante quatro horas e meia. Na ocasião, um dos temas centrais foram as eleições parlamentares de 4 de dezembro e as manifestações populares contra a sua legalidade. Ao mesmo tempo em que admitiu a existência de deficiências na estrutura de poder político do país e reconheceu a validade de certas críticas, Putin afirmou que parte dos protestos representava uma intervenção externa com propósitos desestabilizadores quanto à sociedade russa.</p>
<p>Sobre a posição internacional da Rússia, Putin lembrou que os EUA ainda seguem uma &#8220;lógica da Guerra Fria&#8221;, acreditando que a Rússia poderia tornar-se um leal aliado, uma vez que abrisse mão do seu potencial nuclear. Em paralelo, enfatizou a importância de um melhor entendimento com a UE e o papel russo na criação de uma União Eurasiática.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2 style="text-align: left;" align="center">Valdai 2011</h2>
<p>Nos trabalhos do Clube Valdai, em 2011, segundo Carnogurský, foram discutidos cinco diferentes cenários que determinarão o futuro desenvolvimento da Rússia. O primeiro pressupõe a preservação do presente status quo do país. O segundo prevê uma &#8220;modernização autoritária&#8221; como um modelo de desenvolvimento realista. O terceiro e o quarto pressupoem a possibilidade de reformas liberal-democráticas, nos moldes da perestroika (abertura) soviética. E o quinto contempla a possibilidade de um &#8220;regime autoritário&#8221; de linha dura.</p>
<p>Para Carnogurský, o cenário mais provável é o da &#8220;modernização autoritária&#8221;, acompanhada por reformas econômicas e políticas. Durante as discussões, disse ele, vários dos russos presentes enfatizaram que o &#8220;centro de gravidade das relações Leste-Oeste&#8221; está se desviando cada vez mais para o Leste. Em suas palavras, &#8220;para Moscou, a independência da Rússia e a sua insistência na liberdade de tomar decisões sobre questões estratégicas são essenciais. É por isso que, no momento, a Rússia está se orientando cada vez mais para o Leste do que para o Ocidente. O modelo ocidental de sociedade está perdendo os seus atrativos e a Rússia apenas estará disposta a se abrir ao Ocidente, na medida em que o Ocidente esteja disposto a se abrir à Rússia. Do ponto de vista russo, as relações bilaterais com alguns Estados europeus, como a Alemanha e a Itália, são mais importantes do que as relações com a UE&#8221;.</p>
<p>De acordo com ele, a &#8220;era pós-soviética&#8221; chegou ao fim. No momento, o relevante não é analisar o passado da Rússia, mas perguntar que papel a Rússia pode e deverá desempenhar no mundo futuro. A UE é um fator-chave, que tem contribuído para a insegurança russa, e tais questões não podem ser resolvidas &#8220;de forma cosmética&#8221;. Neste quadro, o desenvolvimento da União Eurasiática &#8220;é uma tentativa de apresentar um conceito estratégico realista das relações Leste-Oeste entre a Rússia e a UE&#8221;.</p>
<p>Na visão de Carnogurský, o futuro será crescentemente delineado pela cooperação entre a União Eurasiática e a UE, por meio de negociações e tratados, que contribuirão para a integração do continente europeu como um todo. &#8220;Para a Rússia, essa orientação para a Ásia não é uma decisão de civilização, mas uma necessidade política, que dá à Rússia a oportunidade de desempenhar um papel adequado na política mundial&#8221;, afirma.</p>
<p>No fórum de Valdai, Putin discutiu a sua visão da União Eurasiática, que concebe como uma união econômica com uma territorialidade maior que a UE e orientada tanto para o bloco europeu como para a China. Não obstante, o premier ressaltou que a &#8220;piora&#8221; das relações com a UE está forçando uma reorientação para o continente asiático, em particular, a China, o que inclui a possibilidade do redirecionamento dos fornecimentos energéticos &#8211; a &#8220;diplomacia dos gasodutos&#8221;, que Moscou tem praticado com maestria.</p>
<p>Comentando a reação da elite política russa diante da crise econômico-financeira global, em particular, da Europa, Carnogurský destacou que, para a Rússia, o desenvolvimento de sua economia física é mais importante que salvar o sistema bancário. Segundo ele, embora o país tenha sido fortemente afetado pela crise financeira global, o impacto não foi semelhante ao ocorrido no Ocidente.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2 style="text-align: left;" align="center">As advertências de Medvedev não devem ser subestimadas</h2>
<p>A propósito do discurso do presidente Medvedev em meados de novembro, no qual advertiu sobre as possíveis consequências da insistência dos EUA em instalar um sistema de defesa antimísseis na Europa, Carnogurský enfatizou que tais advertências não devem ser subestimadas: &#8220;A Rússia dá uma grande importância ao sistema antimísseis, que deve ser posicionado em torno do país. Do ponto de vista russo, o equilíbrio entre a Rússia e o Ocidente está sendo perturbado e eles não tolerarão isto. Se os planos prosseguirem, a Rússia instalará os seus próprios mísseis e intensificará a cooperação com a China e outros estados asiáticos. Possivelmente, isto poderá ocorrer com o apoio de vários grupos asiáticos que resistem à influência ocidental.&#8221;</p>
<p>A propósito de uma nova visão para a Europa, Carnogurský afirmou que, no Clube Valdai, houve intensas discussões a respeito de uma futura configuração europeia. Na visão mais otimista, uma nova Europa funcionaria como uma união política e econômica capaz de confrontar os futuros desafios globais. Ao mesmo tempo, ele deixou claro que a Europa deveria deixar de ver a Rússia como um sócio minoritário: &#8220;A Europa deve decidir se quer negociar com a Rússia ou a União Eurasiática como um &#8216;parceiro igual&#8217;, ou não. A Europa deveria parar de tentar impor à Rússia o seu modelo de sociedade.&#8221;</p>
<p style="text-align: right;"><strong><em>Elisabeth Hellenbroich, de Wiesbaden</em><a href="https://mail.google.com/mail/?ui=2&amp;view=bsp&amp;ver=ohhl4rw8mbn4#134d35202f2794d5_topo"><br />
</a></strong><span style="color: #ff6600;"><strong><em><em><strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em></em></strong></span></p>
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<blockquote><p><strong>Créditos </strong>➞<strong> </strong>este post é matéria apresentada no Boletim Eletrônico <strong><em>MSIa INFORMA</em></strong>, do <strong><em>MSIa –</em></strong><em> <strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em>, Vol. III, N<sup>o</sup> 33, de 12 de janeiro de 2012. Subtítulos meus.</p>
<p><strong><em>MSIa INFORMA</em></strong><strong> </strong>➞<strong> </strong>é uma publicação do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa). Conselho Editorial: Angel Palacios, Geraldo Luís Lino, Lorenzo Carrasco (Presidente), Marivilia Carrasco e Silvia Palacios. Endereço: Rua México, 31 &#8211; sala 202 &#8211; Rio de Janeiro (RJ) &#8211; CEP 20031-144; Telefax: 0xx 21-2532-4086.</p>
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		<title>Primakov: &#8220;Rússia pagou mais pelo fim da URSS que pela II Guerra Mundial&#8221;</title>
		<link>http://blogdoambientalismo.com/primakov-russia-pagou-mais-pelo-fim-da-urss-que-pela-ii-guerra-mundial/</link>
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		<pubDate>Tue, 17 Jan 2012 15:59:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
				<category><![CDATA[Governo mundial]]></category>

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		<description><![CDATA[Os desdobramentos do desmantelamento da União Soviética cobraram à Federação Russa um preço mais alto do que a II Guerra Mundial. A afirmativa não veio de um pesquisador afastado dos acontecimentos, mas de um altíssimo insider da estrutura política do país, o ex-premier Evgeny Primakov, em entrevista divulgada pela rede de televisão Russia Today, em 26 de dezembro último.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: medium;"><strong><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp"><img class="aligncenter  wp-image-10770" title="msiA iNFORMA" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp" alt="" width="235" height="49" /></a></strong></span></p>
<blockquote><p><strong>Os desdobramentos do desmantelamento da União Soviética cobraram à Federação Russa um preço mais alto do que a II Guerra Mundial. A afirmativa não veio de um pesquisador afastado dos acontecimentos, mas de um altíssimo insider da estrutura política do país, o ex-premier Evgeny Primakov, em entrevista divulgada pela rede de televisão Russia Today, em 26 de dezembro último.</strong></p></blockquote>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2012/01/primakov_evgeny.png"><img class="aligncenter size-medium wp-image-12449" title="primakov_evgeny" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2012/01/primakov_evgeny-238x300.png" alt="" width="238" height="300" /></a>Para Primakov, que considera que as principais ameaças à economia russa provêm dos neoliberais, oligarcas e os que querem criar uma &#8220;sociedade administrativa de mercado&#8221;, afirmou que esse custo se deveu, em grande medida, à brutal privatização do patrimônio do Estado. Em suas palavras:</p>
<blockquote><p><em>«O preço foi tremendo. Em termos econômicos, a Rússia pagou mais caro pelo fim da URSS, que durante toda a II Guerra Mundial. O custo alcançou essa escala. Tremendo. Todos veríamos mais claramente o que a Rússia pagou pelo fim da URSS, se todos pudessem assistir às audiências, em Londres, dos processos em curso, aos quais respondem [os oligarcas exilados] Boris Berezovsky e Roman Abramovich, e se todos ouvissem as histórias horrendas de como os empresários gozavam da proteção de funcionários do Kremlin. Ou se todos conhecêssemos os detalhes dos processos de privatização, na Rússia. Se se sabe daqueles crimes, ninguém, em sã consciência, jamais dirá que o país obteve qualquer ganho, qualquer avanço, do que se fez nos anos 90.»</em></p></blockquote>
<p>Primakov afirmou que, em lugar de dissolver a URSS, dever-se-ia ter estabelecido um tratado que criasse um espaço econômico semelhante ao processo de integração da Europa e ao que a América Latina tenta fazer. Com isto, &#8220;acho que teríamos dado o passo oportuno e necessário, naquele momento, na direção de preservar uma União Soviética aprimorada, modernizada, que, adiante, teria os meios necessários para livrar-se das partes necrosadas do seu próprio legado&#8221;.</p>
<p>Segundo ele, não teria sido necessário usar a força militar para a preservação da URSS. Bastaria, afirmou, ter prendido &#8220;aqueles três políticos na Floresta de Belovezhskaya, que lá estavam, bêbados, mal se segurando sobre as pernas, e que só pensavam em assinar logo os documentos daquele tratado, e, simplesmente, tê-los levado, no camburão, cada um para sua casa. Bastaria prendê-los, tirá-los de lá, apreender aqueles documentos e levar os bêbados para casa&#8221;.</p>
<p>Primakov se refere aos presidentes da Rússia, Boris Yeltsin, Ucrânia, Leonid Kravchuk, e Bielo-Rússia, Stanislau Shushkevich, signatários dos Acordos de Belavezha, que determinaram o fim da URSS e a criação da Comunidade dos Estados Independentes (CEI), em dezembro de 1991.<br />
Na ocasião, Mikhail Gorbatchov era presidente da URSS e, segundo Primakov, se opôs à proposta de criação de uma zona econômica comum. &#8220;Muitos estavam já convencidos disso e dispostos a trabalhar nessa direção. Até os estados do Báltico estavam dispostos a trabalhar sobre a ideia de preservar um espaço econômico comum&#8221;, afirmou.</p>
<p>Primakov diz que a zona econômica não teria sido suficiente para evitar a fragmentação da URSS. Porém, &#8220;mesmo hoje, já se vê a importância de criar uma zona econômica comum. Se a coisa é feita adequadamente, na escala adequadamente ampla &#8211; e, de fato, a Rússia já tem acordos com a Bielorrússia e com o Cazaquistão e é possível que o Quirguistão logo se una, também -, se tudo for conduzido adequadamente, o que se está vendo é que a formação de blocos econômicos &#8211; não a dissolução dos blocos existentes &#8211; é um dos pilares indispensáveis à segurança e ao desenvolvimento locais&#8221;.</p>
<p>Segundo ele, a atual proposta do premier Vladimir Putin para a criação de uma Comunidade Econômica Eurasiática não é uma tentativa de reviver a URSS sob nova roupagem:</p>
<blockquote><p><em>«Não penso, de modo algum, em alguma coisa semelhante à União Soviética. Nada mais, hoje, pode, sequer remotamente, ser semelhante à União Soviética, de modo algum. Mas a integração é uma das forças mais ativas da globalização. Isso, precisamente, é o que se vê hoje, em todo o mundo. E se nos pusermos a andar a favor dessas forças&#8230; Hoje, pode-se dizer que o que se vê em todo o mundo é a tendência à transnacionalização nos negócios e no comércio. E também há transnacionalização e integração dos processos no plano dos estados. Portanto, se conseguirmos andar a favor dessas tendências, para chegar aos fóruns planetários, para promover neles nossa agenda&#8230; A verdade é que esse tipo de movimento em nada difere do que o Ocidente está fazendo! A vantagem, no nosso caso, é que nós, desse lado do mundo, sempre teremos de nos focar mais nos interesses de cada um dos estados-membros da Comunidade Econômica Eurasiática. Acho que essa será uma grande vantagem.»</em></p></blockquote>
<p>O ex-premier concluiu dizendo que ainda falta à Rússia uma linha de pensamento própria para a sua inserção no mundo: &#8220;Ainda não há, articulada, coisa alguma que se aproxime do que se chama &#8216;ideia nacional&#8217;. Estamos todos trabalhando para melhorar a vida das pessoas, para que tenham vida melhor, mais segura. A situação demográfica precisa de atenção. O modelo econômico precisa de reforma geral, porque o que havia antes da crise de 2008 não servirá para o futuro. Esses desafios são evidentes. E todos eles, tomados em conjunto, manifestam a ideia nacional da Rússia.&#8221;</p>
<p style="text-align: right;"> <span style="color: #ff6600;"><strong><em><em><strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em></em></strong></span></p>
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<blockquote><p><strong>Créditos </strong>➞<strong> </strong>este post é matéria apresentada no Boletim Eletrônico <strong><em>MSIa INFORMA</em></strong>, do <strong><em>MSIa –</em></strong><em> <strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em>, Vol. III, N<sup>o</sup> 33, de 12 de janeiro de 2012.</p>
<p><strong><em>MSIa INFORMA</em></strong><strong> </strong>➞<strong> </strong>é uma publicação do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa). Conselho Editorial: Angel Palacios, Geraldo Luís Lino, Lorenzo Carrasco (Presidente), Marivilia Carrasco e Silvia Palacios. Endereço: Rua México, 31 &#8211; sala 202 &#8211; Rio de Janeiro (RJ) &#8211; CEP 20031-144; Telefax: 0xx 21-2532-4086.</p>
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		<title>O declínio da geopolítica anglo-americana</title>
		<link>http://blogdoambientalismo.com/o-declinio-da-geopolitica-anglo-americana/</link>
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		<pubDate>Tue, 17 Jan 2012 15:52:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
				<category><![CDATA[Governo mundial]]></category>

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		<description><![CDATA[Reza um ditado que não se ensinam truques novos a cachorros velhos. E isto parece ser ainda mais verdadeiro quando se trata do "top dog", principalmente, quando este se vê confrontado com a incômoda realidade de que as mudanças globais o estão privando da condição de mandachuva incontestável do pedaço. Evidentemente, estamos falando dos EUA de Barack Obama, que fez uma inusitada visita ao Pentágono, em 5 de janeiro, para anunciar ao mundo as novas diretrizes estratégicas de defesa do país, agrupadas sob o autoexplicativo rótulo: «Sustentando a Liderança Global dos EUA».]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp"><img class="aligncenter  wp-image-10770" title="msiA iNFORMA" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp" alt="" width="245" height="51" /></a><strong></strong></p>
<blockquote><p><strong>Reza um ditado que não se ensinam truques novos a cachorros velhos. E isto parece ser ainda mais verdadeiro quando se trata do &#8220;top dog&#8221;, principalmente, quando este se vê confrontado com a incômoda realidade de que as mudanças globais o estão privando da condição de mandachuva incontestável do pedaço. Evidentemente, estamos falando dos EUA de Barack Obama, que fez uma inusitada visita ao Pentágono, em 5 de janeiro, para anunciar ao mundo as novas diretrizes estratégicas de defesa do país, agrupadas sob o autoexplicativo rótulo: «Sustentando a Liderança Global dos EUA».</strong></p></blockquote>
<p>&#8220;Os EUA são a maior força para a liberdade e a segurança que o mundo já conheceu. E, em grande medida, isto se deve ao fato de termos construído as melhor treinadas, melhor lideradas e melhor equipadas Forças Armadas na História &#8211; e, como comandante-em-chefe, vou mantê-las desta maneira&#8221;, proclamou Obama.</p>
<p>Sintetizando o que qualificou como uma &#8220;virada de página&#8221;, após uma década de guerras, o comandante-em-chefe afirmou: &#8220;Nós fomos bem-sucedidos em defender nossa nação, levar o combate aos nossos inimigos, reduzir o número de estadunidenses em perigo e restauramos a liderança global dos EUA. Isto nos torna mais seguros e mais fortes. E esta é uma façanha de que cada estadunidense&#8230; deve ter um grande orgulho.&#8221;</p>
<p>Mesmo após anunciar a necessidade de cortes no orçamento militar, Obama manteve a linguagem do &#8220;top dog&#8221;, advertindo que, &#8220;sim, nossa capacidade militar será mais enxuta, mas o mundo deve saber que os EUA irão manter a nossa superioridade militar com Forças Armadas que são ágeis, flexíveis e prontas para o pleno espectro de contingências e ameaças&#8221;.</p>
<p>Como objetivos centrais, o presidente afirmou a intenção de &#8220;continuar investindo em nossas parcerias e alianças críticas, inclusive a OTAN [Organização do Tratado do Atlântico Norte]&#8220;, manter a &#8220;vigilância, especialmente no Oriente Médio&#8221; e, principalmente, &#8220;reforçar a nossa presença na Ásia-Pacífico&#8221;.</p>
<p>Pelo menos um observador captou bem a essência da declaração de intenções geopolíticas estadunidense. Escrevendo no sítio Information Clearing House.info, em 9 de janeiro, o historiador e jornalista Gwynne Dyer, afirmou:</p>
<blockquote><p>Curiosamente, o presidente Obama não estava usando peles de animais e brandindo um machado de pedra quando fez o anúncio, embora a sua lógica viesse direto da Idade da Pedra. Naquela época, quando a terra era a única coisa de valor, fazia sentido ser pesadamente armado, porque alguém mais poderia tentar tirá-la de você. Isto não faz mais sentido. A China não está ficando rica por enviar exércitos para conquistar outros países asiáticos. Ela está enriquecendo, vendendo a eles (e aos EUA) bens e serviços que pode produzir mais barato em casa e comprando coisas que são mais baratas fora. Na verdade, há pelo menos um século, conquistar outros países não faz mais sentido econômico &#8211; mas velhas atitudes demoram a sair de cena.</p></blockquote>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2012/01/Brzezinski3.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-12451" title="Brzezinski3" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2012/01/Brzezinski3-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a>Uma demonstração cabal desses hábitos enraizados no pensamento estratégico do <em>establishment</em> oligárquico estadunidense, herdado da geopolítica britânica, foi o artigo de Zbigniew Brzezinski, no qual o ex-conselheiro de Segurança Nacional e assessor informal do governo Obama explicita a percepção de grande parte dos formuladores de políticas da Casa Branca e do Pentágono. Originalmente publicado na revista Foreign Policy de janeiro-fevereiro e republicado em numerosos jornais de vários países (inclusive, n&#8217;O Globo de 9 de janeiro), o texto recebeu no Washington Post o sugestivo título &#8220;Sobrevivência do mais forte&#8221; e adverte o mundo de que a retração dos EUA no cenário global aumenta o potencial de conflitos regionais. Diz ele:</p>
<blockquote><p>Com o declínio da proeminência global dos EUA, os países mais fracos estarão mais suscetíveis à influência assertiva de grandes potências regionais. A Índia e a China estão em ascensão, a Rússia demonstra uma mentalidade crescentemente imperial e o Oriente Médio se mostra cada vez mais instável. O potencial de conflitos regionais na ausência de uns EUA internacionalmente ativos é real. Se preparem para uma realidade global caracterizada pela sobrevivência do mais forte.</p></blockquote>
<p>Em seguida, Brzezinski lista cinco países que, pelo seu monóculo geopolítico, seriam os mais ameaçados por esse sombrio cenário. Três deles, sob a alça de mira da &#8220;Rússia imperial&#8221;: Geórgia, Ucrânia e Bielo-Rússia; Taiwan, em &#8220;risco de uma séria colisão com a China&#8221;; e Coreia do Sul, que, com o declínio estadunidense, teria duas opções dolorosas: &#8220;ou aceitar a dominação regional chinesa e confiar na China para controlar o Norte nuclearmente armado, ou buscar uma relação mais forte, embora historicamente impopular, com o Japão&#8221;.</p>
<p>No Afeganistão, Brezinski teme que &#8220;um rápido desengajamento das tropas estadunidenses, ocasionado pela fadiga de guerra ou pelos efeitos preliminares do declínio estadunidense, muito provavelmente, resultaria em desintegração interna e numa disputa de poder externa entre os estados vizinhos, em torno de influência no Afeganistão &#8211; com o Irã, também, provavelmente envolvido&#8221;. Vale recordar que Zbigniew se gaba de ser o mentor da tramoia de inteligência e política &#8211; a desestabilização do regime pró-soviético de Kabul &#8211; que resultou na invasão do Afeganistão pelo Exército Vermelho, em 1979.</p>
<p>Para o nuclearizado Paquistão, ele teme que o declínio estadunidense poderia transformar o país em &#8220;um Estado governado pelos militares, um Estado islâmico radical, um Estado que combine tanto o governo militar como o islâmico, ou um &#8216;Estado&#8217; sem qualquer governo centralizado&#8221;, o que poderia provocar uma &#8220;instabilidade regional na Ásia Central, com a violência se espalhando, potencialmente, pela China, Índia e Rússia&#8221;.</p>
<p>Finalmente, para o Grande Oriente Médio e Israel, Brzezinski receia que o enfraquecimento percebido dos EUA, sem que o conflito israelense-palestino tenha sido solucionado, pode levar os estados mais poderosos da região &#8211; especialmente, Israel e Irã &#8211; a se antecipar às ameaças previstas, o que poderia levar a &#8220;sangrentos embates armados&#8221; e ensejar uma explosão de radicalismo e extremismo islâmico, uma crise energética mundial e a vulnerabilidade dos aliados dos EUA no Golfo Pérsico.</p>
<p>Embora tais prognósticos não sejam totalmente desprovidos de fundamento, o fato é que a maior parte dessas ameaças decorre, precisamente, das maquinações do <em>establishment</em> anglo-americano, que demonstra um virtual desespero de causa diante da visível incapacidade de preservação da sua agenda hegemônica, baseada na combinação de força militar e controle do sistema financeiro e de fontes de recursos naturais. Como o complexo de &#8220;segurança nacional&#8221; e o eixo Wall Street-Londres funcionam como virtuais centros de poder semiautônomos, voltados para a preservação dos seus interesses percebidos, qualquer reorientação estratégica que contemple, por exemplo, um entendimento com a Rússia e a China para a integração econômica eurasiática, não tem qualquer possibilidade de entrar espontaneamente na pauta política de Washington e Londres.</p>
<p>Com isso, somente o aprofundamento da crise global até um nível que provoque a implosão de um dos pilares dessa estrutura hegemônica, como o sistema Wall Street-Londres, em paralelo com a adoção de estratégias cooperativas e construtivas pelas potências emergentes, terá condições de devolver parcialmente a sanidade àqueles círculos decisórios e impedir que a crise global em curso se transforme em uma catástrofe planetária de proporções históricas.</p>
<p style="text-align: right;"> <span style="color: #ff6600;"><strong><em><em><strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em></em></strong></span></p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo.png"><img class="aligncenter size-medium wp-image-10922" title="div-novo" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo-300x13.png" alt="" width="300" height="13" /></a></p>
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		<title>Agências de classificação ou de governo?</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Jan 2012 16:53:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Crise financeira]]></category>
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		<description><![CDATA[Há algo de perverso em se acompanhar na televisão os difíceis andamentos das reuniões de chefes de Estado e de governo sobre o futuro do euro e da União Europeia (UE), enquanto, na parte inferior da tela, se sucedem as últimas avaliações das agências de classificação de risco, proclamando os rebaixamentos iminentes de suas cotações. Nos últimos dias, as “três irmãs” ofereceram “gratuitamente” as suas avaliações para baixo para toda a zona do euro em conjunto.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/11/MSIa-jornal.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-11715" title="MSIa-jornal" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/11/MSIa-jornal-300x74.jpg" alt="" width="300" height="74" /></a></p>
<p><strong>Há algo de perverso em se acompanhar na televisão os difíceis andamentos das reuniões de chefes de Estado e de governo sobre o futuro do euro e da União Europeia (UE), enquanto, na parte inferior da tela, se sucedem as últimas avaliações das agências de classificação de risco, proclamando os rebaixamentos iminentes de suas cotações. Nos últimos dias, as “três irmãs” ofereceram “gratuitamente” as suas avaliações para baixo para toda a zona do euro em conjunto.</strong></p>
<p><strong><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2012/01/standardpoors.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-12313" title="standard&amp;poors" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2012/01/standardpoors-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a> </strong></p>
<h2>A vez da França</h2>
<p>A Standard &amp; Poor’s (S&amp;P) informou que os últimos seis países europeus com a classificação AAA, incluindo a Alemanha e a França, poderão ser rebaixados em breve – o que já aconteceu com a França na sexta-feira 13 passada. Se um único destes Estados perder tal classificação, até mesmo o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (EFSF, na sigla em inglês) perderá credibilidade e ficará comprometido. Hoje, com 440 bilhões de dólares, o EFSF mantém um papel certamente insuficiente, mas de qualquer modo, essencial na defesa contra o risco de inadimplência soberana.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Agências apolíticas, mas políticas&#8230;</h2>
<p>É cada vez mais evidente que as agências assumem uma atuação crescentemente política! Com as suas recentes ameaças coordenadas, elas pretendiam forçar as decisões da cúpula europeia em seu favor. De fato, os seus relatórios são cada vez mais cheios de recomendações sobre políticas econômicas, mais próprios de tomadores de decisões oficiais do que de agências classificadoras. Alegadamente, elas falam em nome de investidores, que muitas vezes são obrigados a seguir as implicações das avaliações por força de normas impostas por lei, mas não detêm qualquer responsabilidade política. Trata-se de uma anomalia intolerável!</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Agências de Wall Street</h2>
<p>Nos últimos dias, finalmente, a imprensa alemã e francesa começou a levantar os véus que cobrem as histórias dos “três irmãs”. Falando sobre a S&amp;P, o maior jornal da Alemanha, o <em>Frankfurt Allgemeine Zeitung, </em>afirmou que ela <strong><em>«é uma agência dos Estados Unidos, que, quando avalia nações e empresas, o faz com lentes estadunidenses. Neste trabalho, ela representa os interesses de Wall Street»</em></strong>.</p>
<p>Realmente, como tem ficado claro desde a grande crise de 2007-2008, as agências de classificação estão a serviço da grande finança, de quem recebem vultosos pagamentos por conta das avaliações “triplo A” conferidas aos piores títulos “tóxicos” e derivativos altamente especulativos. Isso foi relatado com uma riqueza documental por duas grandes investigações feitas nos EUA, a Comissão de Inquérito Sobre a Crise Financeira (FCIC, em inglês) e a Comissão Dodd-Frank do Congresso. O Presidente da FCIC, Phil Angelides, qualificou a agência Moody&#8217;s como <strong><em>«uma fábrica de triplo As»</em></strong> – em 2006, chegaram a ser 30 por dia! Os MBRs (títulos lastreados por hipotecas) agraciados com tal classificação atingiram um montante 869 bilhões de dólares, mas, após a eclosão da crise, 83 % deles foram drasticamente rebaixados.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Guerra ao euro</h2>
<p>Os compromissos e conflitos de interesse das três agências ainda estão sendo investigados. Existem muitos processos legais em curso, com pedidos de ressarcimento de centenas de bilhões de dólares, abertos pelos que ficaram com tais papeis “micados” nas mãos, inclusive vários bancos.</p>
<p>Enquanto isso, as “três irmãs”prosseguem com êxito em suas operações, colocando na mira as dívidas soberanas, especialmente da Europa e do sistema do euro. Juntamente com a alta finança, elas conseguiram a façanha de promover a mais bem-sucedida operação de “transferência” de responsabilidades pela crise: não é mais o sistema bancário com os seus desvios que está no centro das atenções públicas, mas dos Estados europeus em dificuldades com suas dívidas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Por que essa dependência?</h2>
<p>O problema que incomoda é este: por que as instituições europeias e os investidores ainda são tão dependentes das avaliações de três agências privadas? Talvez, porque os governos europeus gozaram das classificações “triplo A” durante décadas e, oportunisticamente, tenham ignorado o que ocorreu na Ásia e/ou na América Latina como resultado de avaliações negativas. Algumas economias foram devastadas.</p>
<p>Infelizmente, as referências às classificações das três agências têm sido incorporadas em muitos regulamentos, como as diretivas europeias para a implernentação dos requisitos dos acordos de Basileia II e Basileia III<strong>, </strong>referentes aos capitais dos bancos e às exigências de solvência para as agências de seguros que operam na Europa. Até o BCE se refere ao “triplo A” das agências para muitas operações de garantia e de crédito. Os políticos europeus, irresponsavelmente, deram às agências um poder quase de lei. As suas avaliações têm um efeito real, quase automático, em muitas decisões e avaliações econômicas.</p>
<p>Desde o início de 2011, a autarquia europeia dos ativos financeiros europeus e dos mercados, a ESMA (European Securities and Markets Authority), introduziu uma forma de regulamentação das atividades das agências, ameaçando retirar as suas licenças europeias, se não obedecessem às normas de Bruxelas. Tudo em vão, enquanto o “triplo A” das “três irmãs” continuar a estabelecer a lei nas instituições europeias!</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>E elas ainda querem proteção!</h2>
<p>Seria adequado, pelo menos, tomar nota da decisão de um juiz federal do estado do Novo México (EUA), que recusou o pedido das agências para ter <em>«a proteção da Primeira Emenda da Constituição sobre o direito à liberdade de expressão, ainda que para avaliações e opiniões comprovadas como falsas»</em>.</p>
<p>Acreditamos que seria correto, da parte da nossa mídia, se, cada vez que divulgassem um anúncio das agências sobre os títulos soberanos europeus e italianos, recordassem aos leitores, telespectadores e/ou ouvintes que <strong>elas são empresas privadas cuja reputação está muito longe de ser positiva</strong>.</p>
<p align="right"><strong>De Roma, <em>Mario Lettieri e Paolo Raimondi</em> </strong></p>
<p align="right"><span style="color: #ff6600;"><strong><em>Solidariedade Ibero-americana</em></strong></span></p>
<p align="center"><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo.png"><img class="aligncenter size-medium wp-image-10922" title="div-novo" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo-300x13.png" alt="" width="300" height="13" /></a></p>
<p><strong>Créditos </strong><strong>➞</strong> este post é artigo apresentado no jornal quinzenal <em>Solidariedade Ibero-americana</em> do <strong><em>MSIa –</em></strong><em> <strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em>, Vol. XVIII, n<sup>o</sup> 13 (dezembro de 2011).</p>
<p><strong><em>Solidariedade Ibero-americana </em></strong>➞<strong> </strong>é uma publicação quinzenal do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa). Conselho Editorial: Angel Palacios, Geraldo Luís Lino, Lorenzo Carrasco (Presidente), Marivilia Carrasco e Silvia Palacios. Endereço: Rua México, 31 &#8211; sala 202 &#8211; Rio de Janeiro (RJ) &#8211; CEP 20031-144; Telefax: 0xx 21-2532-4086.</p>
<p><strong>Para saber mais sobre o tema </strong>➞<strong> </strong>visitar os sites da MSIa/Capax Dei:<strong> </strong><a href="http://www.alerta.inf.br/">http://www.alerta.inf.br/</a> e <a href="http://www.msia.org.br/">http://www.msia.org.br/</a>.</p>
<p><strong>Mensagens e sugestões </strong>➞<strong> </strong>favor enviar para msia@msia.org.br ou para Editoria MSIa: geraldo@msia.org.br.</p>
<p><strong><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-10bMicro.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-9620" title="harpia-10bMicro" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-10bMicro.jpg" alt="" width="60" height="49" /></a>Para adquirir as publicações da Capax Dei Editora Ltda.</strong> ➞ loja virtual em: <a href="http://www.capaxdei.com.br/">www.capaxdei.com.br</a>; e-mail : capaxdeieditora@gmail.com</p>
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		<title>México: novo escândalo com inteligência dos EUA</title>
		<link>http://blogdoambientalismo.com/mexico-novo-escandalo-com-inteligencia-dos-eua/</link>
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		<pubDate>Mon, 26 Dec 2011 12:38:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
				<category><![CDATA[Governo mundial]]></category>
		<category><![CDATA[Oligarquias internacionais]]></category>
		<category><![CDATA[Política internacional]]></category>
		<category><![CDATA[Terrorismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Abalado pelas revelações sobre a crescente atuação dos serviços de inteligência dos EUA no país, a pretexto do combate ao narcotráfico, o México se vê às voltas com um novo escândalo envolvendo os ativos vizinhos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp"><img class="aligncenter  wp-image-10770" title="msiA iNFORMA" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp" alt="" width="240" height="50" /></a></p>
<p><strong>Abalado pelas revelações sobre a crescente atuação dos serviços de inteligência dos EUA no país, a pretexto do combate ao narcotráfico, o México se vê às voltas com um novo escândalo envolvendo os ativos vizinhos.</strong></p>
<p>Desta feita, trata-se da cooptação de dezenas de ex-funcionários e, possivelmente, funcionários de agências governamentais em serviço, pelas agências de inteligência estadunidenses, em particular a DEA (Drug Enforcement Agency), a ATF (Bureau of Alcohol, Tobacco, Firearms and Explosives) e ICE (Immigration and Customs Enforcement).</p>
<p>Segundo o jornal <em>La Jornada</em> de 18 de dezembro, informações da Procuradoria Geral da República e das secretarias de Segurança Pública e Governo dão conta de que pelo menos 80 ex-funcionários governamentais de áreas sensíveis de inteligência, investigações e análise trabalham para as agências estadunidenses, em atividades diversas, inclusive a coleta direta de informações. Tais fontes acrescentaram que não se descarta a possibilidade de que funcionários em serviço aliciados por seus ex-colegas também estejam trabalhando para as agências do país vizinho.</p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/guerra-trafico-mexico11.jpg"><img class="aligncenter  wp-image-12284" title="MEXICO-CRIME-ARSENAL-SEIZURE" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/guerra-trafico-mexico11-300x204.jpg" alt="" width="401" height="272" /></a></p>
<p>Os mexicanos cooptados trabalham sob a cobertura de atividades consulares estadunidenses e operam, inclusive, a partir da própria embaixada na Cidade do México. Eles se somam aos cerca de 200 agentes estadunidenses que atuam oficialmente no país, envolvidos em uma pletora de operações ostensivas e clandestinas, algumas delas aberrantes, como a infiltração de armas de fogo nos carteis de drogas mexicanos (Operação Velozes e Furiosos) e o envolvimento da própria DEA em operações de lavagem de dinheiro proveniente da venda de drogas.</p>
<p style="text-align: right;" align="right"><span style="color: #ff6600;"><strong><em>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</em></strong></span></p>
<p><strong> <a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo.png"><img class="aligncenter size-medium wp-image-10922" title="div-novo" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo-300x13.png" alt="" width="300" height="13" /></a></strong></p>
<p><strong>Créditos </strong>➞<strong> </strong>este post é matéria apresentada no Boletim Eletrônico <strong><em>MSIa INFORMA</em></strong>, do <strong><em>MSIa –</em></strong><em> <strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em>, Vol. III, N<sup>o</sup> 32, de 22 de dezembro de 2011.</p>
<p><strong><em>MSIa INFORMA</em></strong><strong> </strong>➞<strong> </strong>é uma publicação do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa). Conselho Editorial: Angel Palacios, Geraldo Luís Lino, Lorenzo Carrasco (Presidente), Marivilia Carrasco e Silvia Palacios. Endereço: Rua México, 31 &#8211; sala 202 &#8211; Rio de Janeiro (RJ) &#8211; CEP 20031-144; Telefax: 0xx 21-2532-4086.</p>
<p><strong>Para saber mais sobre o tema </strong>➞<strong> </strong>visitar os sites da MSIa/Capax Dei:<strong> </strong><a href="http://www.alerta.inf.br/">http://www.alerta.inf.br/</a> e <a href="http://www.msia.org.br/">http://www.msia.org.br/</a>.</p>
<p><strong>Mensagens e sugestões </strong>➞<strong> </strong>favor enviar para msia@msia.org.br</p>
<p><strong>Para adquirir as publicações da Capax Dei Editora Ltda.</strong> ➞ loja virtual em: <a href="http://www.capaxdei.com.br/">www.capaxdei.com.br</a>; e-mail : capaxdeieditora@gmail.com</p>
<p><strong><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-10bMicro.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-9620" title="harpia-10bMicro" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-10bMicro.jpg" alt="" width="60" height="49" /></a>Imagem</strong> ➞ <a href="http://veja.abril.com.br/">http://veja.abril.com.br</a></p>
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		<title>O Irã e a guerra dos drones</title>
		<link>http://blogdoambientalismo.com/o-ira-e-a-guerra-dos-drone/</link>
		<comments>http://blogdoambientalismo.com/o-ira-e-a-guerra-dos-drone/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 26 Dec 2011 12:16:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
				<category><![CDATA[Governo mundial]]></category>
		<category><![CDATA[Mudanças de paradigmas]]></category>
		<category><![CDATA[Nova ordem mundial]]></category>
		<category><![CDATA[Oligarquias internacionais]]></category>
		<category><![CDATA[Política internacional]]></category>

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		<description><![CDATA[A captura de um sofisticado drone de reconhecimento estadunidense representa um duro golpe assestado pelo Irã, na guerra de baixa intensidade não declarada desfechada contra o país pelo eixo anglo-americano-israelense, devido ao seu polêmico programa nuclear. Poucos analistas e observadores do cenário internacional têm dúvidas de que Washington, Londres e Tel Aviv sejam as origens dos ataques cibernéticos, explosões em instalações militares e de pesquisa, atentados contra cientistas nucleares e outras ações semelhantes desfechadas contra o país, nos últimos tempos. Porém, a captura do Lockheed Martin RQ-170 Sentinel, uma das mais avançadas aeronaves não tripuladas do arsenal dos EUA, dotada de capacidade furtiva e dedicada a missões de inteligência eletrônica, demonstra que Teerã tem em mãos cartas bem mais valiosas do que suspeitavam seus adversários.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp"><img class="aligncenter  wp-image-10770" title="msiA iNFORMA" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp" alt="" width="240" height="50" /></a></p>
<p><strong>A captura de um sofisticado <em>drone</em> de reconhecimento estadunidense representa um duro golpe assestado pelo Irã, na guerra de baixa intensidade não declarada desfechada contra o país pelo eixo anglo-americano-israelense, devido ao seu polêmico programa nuclear. Poucos analistas e observadores do cenário internacional têm dúvidas de que Washington, Londres e Tel Aviv sejam as origens dos ataques cibernéticos, explosões em instalações militares e de pesquisa, atentados contra cientistas nucleares e outras ações semelhantes desfechadas contra o país, nos últimos tempos. Porém, a captura do Lockheed Martin RQ-170 Sentinel, uma das mais avançadas aeronaves não tripuladas do arsenal dos EUA, dotada de capacidade furtiva e dedicada a missões de inteligência eletrônica, demonstra que Teerã tem em mãos cartas bem mais valiosas do que suspeitavam seus adversários.</strong></p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/drone.jpg"><img class="aligncenter  wp-image-12277" title="drone" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/drone-300x196.jpg" alt="" width="388" height="254" /></a></p>
<h2>Tecnologia iraniana</h2>
<p>Para grande desconforto do Pentágono e seus aliados, o RQ-170 caiu em mãos iranianas praticamente intacto, o que confere credibilidade às alegações das autoridades militares locais, segundo as quais ele foi capturado por meios eletrônicos, e não derrubado pela artilharia antiaérea ou meramente escapado aos seus controladores, como alegaram os estadunidenses. Que o Irã dispunha de avançadas técnicas de guerra eletrônica era um fato conhecido, mas as capacidades demonstradas na detecção do RQ-170 – supostamente, uma aeronave furtiva (<em>Stealth</em>) – e na sua captura eram insuspeitadas fora do país.</p>
<p>Em entrevista ao jornal <em>Christian Science Monitor</em> de 15 de dezembro, um engenheiro iraniano não identificado disse que os especialistas em guerra eletrônica de seu país foram capazes de cortar os<em> links</em> de comunicação por satélite entre o <em>drone</em> e seus controladores terrestres e, em seguida, reconfigurar as coordenadas de orientação por GPS da aeronave, podendo, assim, conduzi-la a um novo destino. As imagens divulgadas pela televisão e a imprensa iranianas mostram, efetivamente, uma aeronave sem danos visíveis na fuselagem, indicando um pouso relativamente suave, em vez de uma queda, como seria o caso em caso de abate ou perda de controle dos operadores.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Americanos sem-graça</h2>
<p>Para o Pentágono e a CIA, operadora do RQ-170, o episódio é desastroso em todos os aspectos, a começar pela demonstração da capacidade tecnológica iraniana, que coloca em xeque todo o processo de aquisição de inteligência eletrônica sobre as instalações nucleares e militares que seriam alvos de um eventual ataque aéreo &#8220;preventivo&#8221;, à maneira do ataque israelense ao reator nuclear iraquiano, em 1981. Apesar das bravatas do secretário de Defesa Leon Panetta, insistindo em que tais atividades não sofreriam interrupção, dificilmente, a Agência Central de Inteligência arriscará outra de suas preciosas aeronaves no espaço aéreo iraniano sem saber exatamente o que ocorreu com o <em>Sentinel</em> capturado.</p>
<p>A posse dos dados dos computadores de bordo poderá, igualmente, dar aos militares iranianos importantes informações sobre as operações de inteligência estadunidenses, inclusive, os alvos de possíveis ataques aéreos.</p>
<p>Além disso, os iranianos são mestres na arte da engenharia reversa e poderão se beneficiar grandemente com o estudo da tecnologia empregada na aeronave, para aperfeiçoar os seus próprios <em>drones</em>, cujas tecnologias básicas já dominam.</p>
<h2></h2>
<h2>Novo mundo militar</h2>
<p>Em meio à agitação provocada pelo incidente, outra informação surpreendente pode indicar que as capacidades defensivas de Teerã são ainda mais sofisticadas. Segundo o jornal francês <em>Le Post</em> de 18 de dezembro, fontes de dois serviços de inteligência europeus teriam confirmado que o Irã foi capaz de &#8220;cegar&#8221; um satélite-espião da CIA com disparos de laser, em ocasião não determinada. Embora a notícia tenha recebido pouca repercussão e a própria mídia iraniana tenha se limitado a citar as fontes ocidentais, o jornal afirma que a façanha deixou espantados os estadunidenses e europeus.</p>
<p>Apesar de ser difícil estabelecer com exatidão os fatos por detrás de tais acontecimentos, eles apontam para importantes caminhos que a tecnologia militar deverá tomar no futuro imediato. Por isso, é de grande importância que outros países, especialmente, os interessados em aumentar o seu protagonismo no cenário global, passem a dar a devida importância a eles.</p>
<p style="text-align: right;" align="right"><span style="color: #ff6600;"><strong><em>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</em></strong></span></p>
<p><strong> <a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo.png"><img class="aligncenter size-medium wp-image-10922" title="div-novo" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo-300x13.png" alt="" width="300" height="13" /></a></strong></p>
<p><strong>Créditos </strong>➞<strong> </strong>este post é matéria apresentada no Boletim Eletrônico <strong><em>MSIa INFORMA</em></strong>, do <strong><em>MSIa –</em></strong><em> <strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em>, Vol. III, N<sup>o</sup> 32, de 22 de dezembro de 2011. Subtítulos meus.</p>
<p><strong><em>MSIa INFORMA</em></strong><strong> </strong>➞<strong> </strong>é uma publicação do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa). Conselho Editorial: Angel Palacios, Geraldo Luís Lino, Lorenzo Carrasco (Presidente), Marivilia Carrasco e Silvia Palacios. Endereço: Rua México, 31 &#8211; sala 202 &#8211; Rio de Janeiro (RJ) &#8211; CEP 20031-144; Telefax: 0xx 21-2532-4086.</p>
<p><strong>Para saber mais sobre o tema </strong>➞<strong> </strong>visitar os sites da MSIa/Capax Dei:<strong> </strong><a href="http://www.alerta.inf.br/">http://www.alerta.inf.br/</a> e <a href="http://www.msia.org.br/">http://www.msia.org.br/</a>.</p>
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<p><strong><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-10bMicro.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-9620" title="harpia-10bMicro" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-10bMicro.jpg" alt="" width="60" height="49" /></a>Imagem</strong> ➞ <a href="http://www.worldnewstribune.com/">http://www.worldnewstribune.com</a></p>
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		<title>Por quem dobram os sinos em Bagdá</title>
		<link>http://blogdoambientalismo.com/por-quem-dobram-os-sinos-em-bagda/</link>
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		<pubDate>Mon, 26 Dec 2011 12:04:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
				<category><![CDATA[Governo mundial]]></category>
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		<category><![CDATA[Desindustrialização]]></category>
		<category><![CDATA[Globalização]]></category>
		<category><![CDATA[Nova ordem mundial]]></category>
		<category><![CDATA[Oligarquias internacionais]]></category>
		<category><![CDATA[Oriente Médio]]></category>
		<category><![CDATA[Política internacional]]></category>
		<category><![CDATA[Terrorismo]]></category>

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		<description><![CDATA[    «E esses americanos e todos os americanos que servem [nas Forças Armadas] são a encarnação da coragem, do desprendimento e do patriotismo. E quando eles lutam juntos e, às vezes, morrem juntos... eles trabalham como uma equipe e fazem o seu trabalho, e eles fazem isto por algo maior do que eles.» Com essas palavras, proferidas na Casa Branca, em 20 de dezembro, o presidente Barack Obama comentou a breve cerimônia realizada pouco antes, na Base Aérea de Andrews, nos arredores de Washington, com a qual encerrou oficialmente a invasão do Iraque.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp"><img class="aligncenter  wp-image-10770" title="msiA iNFORMA" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp" alt="" width="240" height="50" /></a></p>
<blockquote><p><strong><em>«E esses americanos e todos os americanos que servem</em> [nas Forças Armadas] <em>são a encarnação da coragem, do desprendimento e do patriotismo. E quando eles lutam juntos e, às vezes, morrem juntos&#8230; eles trabalham como uma equipe e fazem o seu trabalho, e eles fazem isto por algo maior do que eles.»</em></strong></p></blockquote>
<p><strong>Com essas palavras, proferidas na Casa Branca, em 20 de dezembro, o presidente Barack Obama comentou a breve cerimônia realizada pouco antes, na Base Aérea de Andrews, nos arredores de Washington, com a qual encerrou oficialmente a invasão do Iraque.</strong></p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/SoldadosAmericanos.jpg"><img class="aligncenter  wp-image-12271" title="SoldadosAmericanos" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/SoldadosAmericanos-300x199.jpg" alt="" width="372" height="247" /></a></p>
<h2>Estabilidade no Iraque? Rsrsrs</h2>
<p>Dias antes, na Turquia, o secretário de Defesa Leon Panetta havia afirmado:</p>
<blockquote><p><em>«Por mais difícil que</em> [a guerra] <em>tenha sido, eu acho que o preço foi válido, para estabelecer um governo estável em uma região muito importante do mundo.»</em></p></blockquote>
<p>Fora do virtualismo das declarações oficiais, o rescaldo do conflito parece um tanto diferente para qualquer observador minimamente atento aos fatos reais, mesmo entre integrantes do <em>establishment</em> estadunidense. Para os EUA, a destruição do Iraque de Saddam Hussein tende a representar um ponto de inflexão da tentativa de imposição da hegemonia unipolar e neoimperial no cenário mundial pós-Guerra Fria, tanto em termos estratégicos e militares, como econômicos e financeiros – sem se esquecer do descrédito da imagem internacional do país.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>O preço da guerra&#8230;</h2>
<p>Os custos diretos da guerra, estimados na casa de 1 trilhão de dólares, contribuíram para ampliar dramaticamente os gastos e o déficit orçamentário do governo federal estadunidense, agravando ainda mais os efeitos das vicissitudes econômico-financeiras da última década. Quanto aos custos futuros, que incluem, entre outros itens, a assistência a centenas de milhares de veteranos de guerra, poderão atingir a marca de 4 trilhões de dólares, ao longo das próximas décadas.</p>
<p>O preço humano foi colossal, tanto para os invasores como para os invadidos. No Iraque, as Forças Armadas estadunidenses deixaram quase 4.500 mortos e cerca de 33 mil feridos em graus diversos de gravidade, além de um número incalculável de traumatizados que terão que receber assistência permanente em seu retorno às vidas &#8220;normais&#8221;. <strong>Para os iraquianos, o número de mortos, feridos graves, mutilados e traumatizados é igualmente incalculável, com as estimativas variando entre centenas de milhares e milhões de indivíduos.</strong> A estes números insondáveis, devem-se somar cerca de dois milhões de pessoas forçadas a abandonar o país, entre as quais grande parte das elites profissionais e intelectuais iraquianas, cuja sobrevivência no Iraque se tornou impossível, pelas perseguições e lutas sectárias deflagradas pela invasão.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>“Motivos de guerra”</h2>
<p>Quanto aos objetivos da invasão, recordamos aqui o editorial da edição da primeira quinzena de março de 2003 do jornal<em> Solidariedade Ibero-americana</em>, oportunamente intitulado «Imperium Insanum» e publicado na véspera do início do ataque:</p>
<blockquote><p><em>«A guerra pretendida não representa nem a &#8220;fase final do capitalismo&#8221;, nem uma maneira de provocar uma recuperação econômica, pela simples razão de que os EUA não dispõem mais da pujante base industrial sobre a qual o presidente Franklin Roosevelt pode implementar o seu célebre New Deal e a mobilização econômica para a II Guerra Mundial, da qual o país emergiu como a maior potência econômica da História. Ao contrário, ao longo das últimas três décadas, a indústria e a infraestrutura econômica estadunidenses foram devastadas pela mesma ideologia liberal herdada da experiência colonial anglo-holandesa, cuja hegemonia transformou a economia mundial num cassino financeiro especulativo, provocando a crise sistêmica que agora vive os seus estertores.»</em></p>
<p><em>«Igualmente, não se trata de uma simples guerra pelo controle de recursos naturais, como o petróleo do Oriente Médio e do Cáucaso, ainda que seja inegável que os EUA e seus escassos aliados poderiam beneficiar-se disto no curto prazo.»</em></p>
<p><em>«Essas explicações minimizam a natureza geopolítica global dos interesses anglo-americanos e seus aliados em Israel&#8230; a investida anglo-americana contra o Iraque representa um divisor de águas&#8230; Um ataque anglo-americano ao Iraque poderá definir prontamente um cenário de guerra perpétua, que começaria contra povos islâmicos e se estenderia como rastilho de pólvora ao longo das rotas de integração eurasiática. A destruição do esforço de estabelecimento de uma Ponte Terrestre Eurasiática, capaz de deflagrar um inadiável processo de recuperação econômica mundial, é um objetivo primário do impulso imperial.»</em> (&#8230;)</p></blockquote>
<h2>Lições históricas</h2>
<p>A despeito da dimensão da ameaça, o texto apontava para lições históricas que foram deixadas de lado pelos mentores e planejadores da investida:</p>
<blockquote><p><em>«Os autores desses planos são claramente partidários de que os EUA adotem o desígnio de impor ao mundo um &#8220;Novo Império Romano&#8221;. O único senão é que os impérios são construções sócio-político-econômicas historicamente inviáveis e, à diferença de Roma, que iniciou sua fase imperial no auge do seu poderio econômico, a nova pretensão se manifesta em plena decadência econômica dos EUA e com líderes cuja conduta pouco difere dos imperadores romanos mais doentios, como Calígula ou Nero.»</em></p></blockquote>
<h2>Quem ganha com a guerra?</h2>
<p>Quase nove anos depois, os únicos beneficiários da guerra parecem ter sido:</p>
<blockquote><p>1) o Irã xiita, que herdou de bandeja a destruição do Estado iraquiano dominado pela minoria sunita favorecida por Saddam Hussein, tornando-se uma das principais influências políticas no país; e</p>
<p>2) as empresas do aparato de &#8220;segurança nacional&#8221; estadunidense e seus apêndices, aí incluídas as companhias de mercenários que foram mantidas no Iraque, para proteger a gigantesca embaixada em Bagdá (a maior do mundo) e as empresas dos EUA no país, além de atuar como &#8220;instrutores&#8221; das forças militares e de segurança iraquianas.</p></blockquote>
<p>Até mesmo na área petrolífera, cujo controle os &#8220;neoconservadores&#8221; que planejaram a invasão contavam em transferir às grandes empresas estadunidenses, a grande maioria das concessões de exploração acabaram nas mãos de empresas de outros países, muitas delas estatais, integrantes do impulso que está reconfigurando rapidamente a exploração de hidrocarbonetos em âmbito mundial, recolocando-a nas mãos de Estados nacionais.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Poderio militar?</h2>
<p>De fato, embora não tenham padecido da devastação imposta aos iraquianos, as consequências da guerra já se mostram trágicas para os EUA, e não apenas nos custos humanos, econômicos e políticos, mas, também, na desmoralização da força militar como instrumento de política externa e sobre o próprio sentido de humanidade e justiça da cidadania em geral, fator subjetivo de importância crucial para toda sociedade, ao qual lideranças afetadas pela soberba e pela cegueira causada pela sensação de onipotência não costumam dar a devida atenção.</p>
<p>Por isso, parafraseando a prosa de John Donne, os sinos de Bagdá não dobram apenas pelas vítimas, mas, não menos, pelos agressores do Iraque.</p>
<p style="text-align: right;" align="right"><span style="color: #ff6600;"><strong><em>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</em></strong></span></p>
<p><strong> <a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo.png"><img class="aligncenter size-medium wp-image-10922" title="div-novo" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo-300x13.png" alt="" width="300" height="13" /></a></strong></p>
<p><strong>Créditos </strong>➞<strong> </strong>este post é matéria apresentada no Boletim Eletrônico <strong><em>MSIa INFORMA</em></strong>, do <strong><em>MSIa –</em></strong><em> <strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em>, Vol. III, N<sup>o</sup> 32, de 22 de dezembro de 2011. Subtítulos meus.</p>
<p><strong><em>MSIa INFORMA</em></strong><strong> </strong>➞<strong> </strong>é uma publicação do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa). Conselho Editorial: Angel Palacios, Geraldo Luís Lino, Lorenzo Carrasco (Presidente), Marivilia Carrasco e Silvia Palacios. Endereço: Rua México, 31 &#8211; sala 202 &#8211; Rio de Janeiro (RJ) &#8211; CEP 20031-144; Telefax: 0xx 21-2532-4086.</p>
<p><strong>Para saber mais sobre o tema </strong>➞<strong> </strong>visitar os sites da MSIa/Capax Dei:<strong> </strong><a href="http://www.alerta.inf.br/">http://www.alerta.inf.br/</a> e <a href="http://www.msia.org.br/">http://www.msia.org.br/</a>.</p>
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		<title>Os Estados Unidos e as Nações Unidas</title>
		<link>http://blogdoambientalismo.com/os-estados-unidos-e-as-nacoes-unidas/</link>
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		<pubDate>Sat, 24 Dec 2011 17:49:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
				<category><![CDATA[Governo mundial]]></category>
		<category><![CDATA[Nova ordem mundial]]></category>
		<category><![CDATA[Oligarquias internacionais]]></category>
		<category><![CDATA[Política internacional]]></category>

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		<description><![CDATA[Um verdadeiro império precisa de aliados ou consegue obter o que quer sozinho? Aos olhos de muitos comentaristas, a ameaça representada pelo Iraque de Saddam Hussein expôs uma dicotomia simples entre “unilateralismo” e “multilateralismo”. Ao longo de toda a década de 1990, os Estados Unidos buscaram lidar com Saddam por meio das estruturas institucionais da “comunidade internacional”, uma expressão vaga que pretende normalmente se referir às Nações Unidas, mas que às vezes na verdade adula umas poucas nações que se opõem à política americana. Críticos do presidente George Bush pai alegam que ele foi muito suscetível aos desejos da comunidade internacional quando deixou de completar a expulsão do Iraque do Kuwait autorizada pela ONU com uma invasão do Iraque e uma mudança de regime em Bagdá. Doze anos depois, críticos do presidente George Bush filho alegaram o exato oposto: que ele foi surdo demais aos desejos da comunidade internacional quando ordenou – sem autorização explícita da ONU – a invasão do Iraque e a derrubada de Saddam Hussein. Na opinião deles, o governo francês estava consistentemente certo ao defender uma abordagem multilateral para o Iraque. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/Colosso.jpg"><img class="alignleft  wp-image-10739" title="capa_Colosso_28mm.indd" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/Colosso-202x300.jpg" alt="" width="101" height="151" /></a>Um verdadeiro império precisa de aliados ou consegue obter o que quer sozinho? Aos olhos de muitos comentaristas, a ameaça representada pelo Iraque de Saddam Hussein expôs uma dicotomia simples entre “unilateralismo” e “multilateralismo”. Ao longo de toda a década de 1990, os Estados Unidos buscaram lidar com Saddam por meio das estruturas institucionais da “comunidade internacional”, uma expressão vaga que pretende normalmente se referir às Nações Unidas, mas que às vezes na verdade adula umas poucas nações que se opõem à política americana. Críticos do presidente George Bush pai alegam que ele foi muito suscetível aos desejos da comunidade internacional quando deixou de completar a expulsão do Iraque do Kuwait autorizada pela ONU com uma invasão do Iraque e uma mudança de regime em Bagdá. Doze anos depois, críticos do presidente George Bush filho alegaram o exato oposto: que ele foi surdo demais aos desejos da comunidade internacional quando ordenou – sem autorização explícita da ONU – a invasão do Iraque e a derrubada de Saddam Hussein. Na opinião deles, o governo francês estava consistentemente certo ao defender uma abordagem multilateral para o Iraque. </strong></p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/ONU-e-eua.jpg"><img class="aligncenter  wp-image-12246" title="ONU-e-eua" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/ONU-e-eua-300x225.jpg" alt="" width="359" height="269" /></a></p>
<h2>Ambiguidades da ONU</h2>
<p>Essa é, porém, uma falsa dicotomia em muitos sentidos. A invasão do Iraque em 2003 não se deu sem uma base legítima no direito internacional e foi apoiada de várias formas por cerca de 40 outros países. Nenhum país era tão contra a mudança de regime que estivesse disposto a lutar contra ela com algo além da menos cara e eficaz das armas: a retórica. Por outro lado, é difícil pintar o governo francês como exemplo de virtude “multilateral”, assim como é difícil enxergar o Conselho de Segurança das Nações Unidas como a única fonte de legitimidade nas relações internacionais.</p>
<p>A crise no Iraque surgiu da profunda ambiguidade no modo como a ONU – e especialmente o Conselho de Segurança – tinha se comportado nos 13 anos anteriores a 2003. Eram os anos em que, com a Guerra Fria terminada, deveria surgir uma “nova ordem mundial”, na qual a ONU, apoiada pelos Estados Unidos, teria um papel crucial. Quem hoje exalta as Nações Unidas e censura os Estados Unidos tem memória seletiva. Porque os pecados mortais por omissão por parte da primeira pesam muito mais do que os pecados veniais por atos por parte do segundo.</p>
<p>Estadistas vitorianos costumavam falar ironicamente sobre o “esplêndido isolamento”, que, na opinião deles, não era uma situação desejável para um império. Os anos 1990, porém, revelaram que uma obediência excessiva a instituições internacionais também pode ter desvantagens. O multilateralismo também pode não ser tão esplêndido.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Rockefeller foi quem doou o terreno para a ONU&#8230;</h2>
<p>As Nações Unidas são, em larga medida, uma criação dos Estados Unidos. O próprio nome foi sugerido por Franklin Roosevelt quando os 26 Estados aliados que lutavam contra as potências do Eixo estavam rascunhando uma declaração conjunta, no fim de 1941. Três anos e meio depois, a Carta da ONU foi formalmente adotada por delegados dos 50 Estados membros originais na Opera House de São Francisco.</p>
<p>Embora tenham se reunido inicialmente em Londres, o Conselho de Segurança e a Assembleia Geral estão alojados desde os anos 1950 num local em Nova York doado pela família Rockefeller. E, embora os Estados Unidos tenham suspendido o pagamento de suas dívidas com as Nações Unidas em 1996 por instigação do Congresso dominado pelos republicanos, essas contribuições foram retomadas e os atrasados parcialmente pagos em 1999.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Quem sustenta a ONU são os EUA</h2>
<p>No momento, os Estados Unidos continuam a ser, como têm sido desde o início da ONU, o maior contribuinte individual. Mais de <sup>1</sup>/<sub>5</sub> (22%) do orçamento bianual regular de US$ 2,54 bilhões da ONU é pago pelos Estados Unidos, só ligeiramente menos do que a quota de 25% anterior a 1999. Além disso, a contribuição americana também responde por metade do orçamento do Programa Alimentar Mundial; 25% dos orçamentos das missões de paz da ONU, da Agência Internacional de Energia Atômica, do escritório do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados e da Organização Internacional de Aviação Civil; e cerca de 20% dos orçamentos da Organização Mundial de Saúde, do Fundo para a Infância e do Programa de Desenvolvimento da ONU. No total, os Estados Unidos afirmam que suas contribuições voluntárias e obrigatórias para todo o sistema de organizações internacionais da ONU em 2002 chegaram a US$ 3 bilhôes.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>ONU: criatura dos EUA</h2>
<p>A questão sobre as Nações Unidas não é ela ser uma alternativa para os Estados Unidos. Ela é uma criação dos Estados Unidos. E seus recursos são tão menores do que os do governo dos EUA que suas funções nunca podem ser mais do que complementares ao poderio americano.</p>
<p><strong>Para ser exato, o orçamento anual das Nações Unidas é equivalente a cerca de 0,07% do orçamento federal dos EUA, 0,4% do orçamento de defesa dos EUA e 17,6% do orçamento de assistência internacional humanitária e de desenvolvimento dos EUA.</strong></p>
<p>Nas palavras da ex-secretária de Estado Madeleine K. Albright, que, de 1993 a 1996, era a representante americana permanente na ONU, o orçamento anual das Nações Unidas é <strong><em>«aproximadamente o que o Pentágono gasta a cada 32 horas»</em></strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Quem paga, manda</h2>
<p>Assim, as Nações Unidas nunca poderiam esperar ir contra os Estados Unidos e vencer; todas as vezes em que houve diferenças, como quanto à questão da jurisdição da Corte Internacional de Justiça, os Estados Unidos simplesmente seguiram seu próprio caminho.</p>
<p>Embora a América tenha feito mais isso sob o presidente Bush, não é uma novidade. Os Estados Unidos precisam das Nações Unidas, mas não precisam assinar todos os acordos internacionais que elas produzem. As Nações Unidas precisam ainda mais dos Estados Unidos, assim, têm que ser tolerantes com seu principal patrono. Se ocorresse um rompimento completo entre os Estados Unidos e as Nações Unidas, elas estariam, para todos os fins práticos, mortas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Quem tem poder?</h2>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/Conselho-ONU.jpg"><img class="aligncenter  wp-image-12247" title="UN General Assembly" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/Conselho-ONU-300x200.jpg" alt="" width="436" height="290" /></a></p>
<p>As restrições ao poder dos Estados Unidos tal como existem hoje devem ser, portanto, procuradas através do véu do “multilateralismo”. Elas vão ser encontradas na exagerada representação permanente no Conselho de Segurança da ONU de três ex-impérios e de um império ainda existente: Grã-Bretanha, França, Rússia e China. São eles, e não a ONU em si, que têm o poder de negar à política externa dos Estados Unidos a sanção da “comunidade internacional” na forma de resoluções do Conselho de Segurança, e eles podem exercer esse papel individual ou coletivamente.</p>
<p>Assim, ironicamente, o selo de aprovação multilateral pode ser negado pela ação unilateral de apenas um dos outros membros permanentes do Conselho de Segurança. Que os Estados Unidos tolerem isso quando acontece, como aconteceu em relação ao Iraque em 2002, é um sinal de seu autocontrole, mas também é de seu interesse próprio.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>A ONU é conveniente apenas para alguns</h2>
<p>O Conselho de Segurança da ONU – bastante semelhante às conferências regulares de ministros das Relações Exteriores das grandes potências durante o século XIX – é uma comodidade, uma agência para os interesses de algumas (embora não todas) grandes potências de hoje. Quando legitima a política americana, é positivamente útil. Quando não, por outro lado, não é mais do que uma irritação.</p>
<p>E talvez por fornecer o palco em que os ex-impérios podem se permitir um sentimento de autoimportância, ele os torna ainda menos importantes do que poderiam ser de outra forma – precisamente porque sua presença é um fator sutilmente irritante para as potências econômicas em ascensão do presente que, por razões puramente históricas, <em>não </em><em>são</em> membros permanentes do conselho.</p>
<p>Hoje, os outros quatro membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU têm economias com um PIB somado de US$ 4,5 trilhões. É um pouco menos do que a metade do PIB dos Estados Unidos. Também é menos do que <sup>3</sup>/<sub>4</sub> do PIB somado dos três maiores não membros do Conselho de Segurança: Japão, Alemanha e Índia.</p>
<p style="text-align: right;" align="right"><strong><em>Niall Ferguson</em></strong></p>
<p><strong><em><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2010/12/div4.gif"><img class="aligncenter  wp-image-5750" title="div4" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2010/12/div4.gif" alt="" width="149" height="21" /></a></em></strong></p>
<p><strong><em> </em>Créditos → </strong>este post é composto por um capítulo <em><strong></strong></em>do livro <em><strong>«Colosso – Ascensão e Queda do Império Americano»</strong></em>, escrito em 2004 por Niall Fergusson (1964) – historiador inglês, professor/pesquisador em Harvard, Oxford e Stanford e correspondente do <em>Financial Times</em> e da <em>Newsweek</em>, dentre outras atividades e livros publicados, inclusive no Brasil. Deve-se levar em conta o ano em que o livro foi escrito e os acontecimentos posteriores, até os dias de hoje. Introduzi subtítulos no texto para incentivar e facilitar a leitura.<strong></strong></p>
<p><strong>Imagens:</strong> <a href="http://burgos4patas.blogspot.com/">http://burgos4patas.blogspot.com</a> ; <a href="http://blogs.estadao.com.br/">http://blogs.estadao.com.br</a></p>
<p><strong><br />
</strong></p>
<h2>Os livros a ler são:</h2>
<p><strong>Chomsky</strong>, Noam — <strong><em>O Império Americano – Hegemonia ou Sobrevivência</em></strong><strong> </strong>— Rio de Janeiro, Brasil: Campus/Elsevier Editora Ltda., 2004.</p>
<p><strong>Ferguson</strong>, Niall — <strong><em>Colosso – Ascensão e Queda do Império Americano</em></strong> — São Paulo, Brasil: Editora Planeta do Brasil Ltda., 2011.</p>
<p><strong>Kiernan</strong>, V. G. — <em><strong>Estados Unidos – O Novo Imperialismo</strong></em> — Rio de Janeiro, Brasil: Editora Record Ltda., 2009.</p>
<p><strong>Landes</strong>, David — <strong><em>Dinastias – Esplendores e Infortúnios das Grandes Famílias Empresariais</em></strong> — Rio de Janeiro, Brasil: Elsevier Editora Ltda./Editora Campus., 2007.</p>
<p><strong>Lens</strong>, Sidney — <strong><em>A Fabricação do Império Americano – Da Revolução ao Vietnã: Uma História do Imperialismo dos Estados Unidos</em></strong><strong> </strong>— Rio de Janeiro, Brasil: Editora Civilização Brasileira/Editora Record Ltda., 2006.</p>
<p><strong>Lottman</strong>, Herbert R. — <strong><em>A Dinastia Rothschild</em></strong> — Porto Alegre, Brasil: L&amp;PM Editores, 2011.</p>
<p><strong>Moniz Bandeira</strong>, Luiz Alberto — <strong><em>Formação do Império Americano – Da Guerra Contra a Espanha à Guerra do Iraque </em></strong>— Rio de Janeiro, Brasil: Editora Civilização Brasileira/Editora José Olympio, 2009.</p>
<p><strong>Morris</strong>, Charles R. — <strong><em>Os Magnatas</em></strong> — Porto Alegre, Brasil: L&amp;PM Editores, 2006.</p>
<p><strong>Perkins</strong>, John — <strong><em>A História Secreta do Império Americano</em></strong> — São Paulo, Brasil: Editora Pensamento-Cultrix Ltda., 2008.</p>
<p><strong>Pieterse</strong>, Jan Nederveen — <strong><em>O Fim do Império Americano? – Os Estados Unidos Depois da Crise</em></strong> — Belo Horizonte, Brasil: Geração Editorial, 2009.</p>
<p><strong>Tocqueville</strong>, Alexis de — <strong><em>A Democracia na América</em></strong> (livro I – <strong><em>Leis e Costumes</em></strong>; livro II – <strong><em>Sentimentos e Opiniões</em></strong>) — São Paulo, Brasil: Livraria Martins Fontes Ltda., 2005 e 2004.</p>
<p><strong>Wolf</strong>, Naomi — <strong><em>O Fim da América</em></strong><strong> </strong>— Rio de Janeiro, Brasil: Editora Record Ltda., 2010.</p>
<p><strong>Wallerstein</strong>, Immanuel — <strong><em>O Declínio do Poder Americano</em></strong> — Rio de Janeiro, Brasil: Contraponto Editora Ltda., 2004.</p>
<p><strong><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-0aMicro.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-9609" title="harpia-0aMicro" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-0aMicro.jpg" alt="" width="50" height="64" /></a>Zakaria</strong>, Fareed — <em><strong>O Mundo Pós-Americano</strong></em> — São Paulo, Brasil: Editora Schwarcz Ltda./Companhia das Letras, 2008.</p>
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		</item>
		<item>
		<title>Narcotráfico e crise financeira: uma advertência de Moscou</title>
		<link>http://blogdoambientalismo.com/narcotrafico-e-crise-financeira-uma-advertencia-de-moscou/</link>
		<comments>http://blogdoambientalismo.com/narcotrafico-e-crise-financeira-uma-advertencia-de-moscou/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 19 Dec 2011 12:20:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Crise financeira]]></category>
		<category><![CDATA[Crise global]]></category>
		<category><![CDATA[Globalização]]></category>
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		<category><![CDATA[Oligarquias internacionais]]></category>
		<category><![CDATA[Política internacional]]></category>

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		<description><![CDATA[Não é todo dia que um alto funcionário governamental, independentemente do seu país, demonstra o conhecimento e a determinação necessários para fazer uma avaliação realista da crise global, apontando simultaneamente as suas causas, os múltiplos efeitos e, principalmente, os beneficiários da instabilidade provocada por ela - que, por conseguinte, têm resistido a toda e qualquer iniciativa política para revertê-la. Este é o caso do diretor do Serviço Federal de Controle de Drogas da Federação Russa (FSKN, na sigla em russo), Viktor Ivanov, em diversas intervenções públicas, inclusive, nos EUA e na Europa, que fala sem rodeios sobre os vínculos entre o tráfico internacional de drogas e o sistema financeiro global.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp"><img class="aligncenter  wp-image-10770" title="msiA iNFORMA" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp" alt="" width="240" height="50" /></a></strong></p>
<p><strong>Não é todo dia que um alto funcionário governamental, independentemente do seu país, demonstra o conhecimento e a determinação necessários para fazer uma avaliação realista da crise global, apontando simultaneamente as suas causas, os múltiplos efeitos e, principalmente, os beneficiários da instabilidade provocada por ela &#8211; que, por conseguinte, têm resistido a toda e qualquer iniciativa política para revertê-la. Este é o caso do diretor do Serviço Federal de Controle de Drogas da Federação Russa (FSKN, na sigla em russo), Viktor Ivanov, em diversas intervenções públicas, inclusive, nos EUA e na Europa, que fala sem rodeios sobre os vínculos entre o tráfico internacional de drogas e o sistema financeiro global.</strong></p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/Viktor-Ivanov.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-12290" title="Viktor-Ivanov" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/Viktor-Ivanov-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p>Ivanov não é um burocrata qualquer, mas um integrante do círculo íntimo do premier Vladimir Putin, com grande experiência nos serviços de inteligência e no mundo empresarial, ocupando cargos nos conselhos de administração de importantes empresas estratégicas para o Estado russo, como a Almaz-Antei, que produz sistemas de defesa antiaérea, e a companhia aérea Aeroflot. Com o mais que provável retorno de Putin à Presidência da República, nas eleições de março de 2012, é praticamente certo que Ivanov continue ocupando cargos estratégicos para o Kremlin. Portanto, suas palavras adquirem uma especial relevância e o fato de chefiar o FSKN (desde 2008) denota a importância do tema para o governo russo.</p>
<p>Em novembro, Ivanov esteve nos EUA, para consultas com seu colega estadunidense Gil Kerlikowske, diretor do Gabinete Política Nacional de Controle de Drogas e parceiro na Comissão Presidencial Bilateral Russo-Americana, estabelecida pelos presidentes Dmitri Medvedev e Barack Obama, para coordenar iniciativas na luta antidrogas. No dia 18, ele esteve no Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS, em inglês), um dos mais importantes think-tanks de Washington, onde proferiu uma conferência significativamente intitulada &#8220;O tráfico mundial de drogas como fator-chave da crescente crise financeira e econômica global&#8221;.</p>
<p>O foco principal da atuação do FSKN é o tráfico de heroína proveniente do Afeganistão, que, nas palavras de Ivanov, &#8220;está inundando a Rússia e a União Europeia&#8221;. Mas, segundo ele, &#8220;apenas medidas repressivas são insuficientes&#8221; para a reversão do problema. Seu enfoque é o da promoção de um ambiente favorável ao desenvolvimento e às atividades produtivas:</p>
<blockquote><p><em>«A chave para liquidar o tráfico global de drogas é reformar a economia existente e orientá-la para uma economia que exclua o dinheiro criminoso e garanta a geração contínua de ativos líquidos limpos, ou seja, uma economia de desenvolvimento, em que as decisões sejam baseadas em projetos de desenvolvimento e créditos orientados de longo prazo. Um exemplo dessa abordagem poderia ser o &#8220;Plano Arco-íris 2&#8243; da Rússia&#8230; apresentado em março último ao Conselho Rússia-OTAN. O seu parágrafo 2 se intitula: &#8220;Elaboração e implementação de um programa para a recuperação econômica e o desenvolvimento afegãos por meio do desenvolvimento de infraestrutura&#8221;.»</em></p>
<p><em>«O caso do Afeganistão é o mais visível e demonstrativo, em termos do problema. Quanto mais esse país longamente sofrido for destruído, mais hostilidades ocorrerem por lá e mais e mais agudas tensões geopolíticas persistam, por mais tempo o Afeganistão será o centro global e monopolista da produção de opiáceas e, desde 2010, de canabinóides e haxixe.»</em></p></blockquote>
<p>Se a proposta de combater o narcotráfico com desenvolvimento e infraestrutura parece uma questão de bom senso, Ivanov usa a maior parte da palestra para explicar por que isso não está na pauta política. A resposta é direta: a lavagem dos rendimentos do narcotráfico constitui hoje um dos principais &#8220;nutrientes&#8221; dos fluxos financeiros especulativos do cassino global. Vale a pena ouvi-lo:</p>
<blockquote><p><em>«As análises mostram que cerca de 10-15% das drogas são interceptadas, ao passo que a proporção do dinheiro das drogas confiscado é menor que 0,5%. Isto significa que a quase totalidade da economia global das drogas entra livremente em circulação e se torna parte dos fluxos de dinheiro globais, aproveitando as vantagens das capacidades do sistema financeiro legal.»</em></p>
<p><em>«Enquanto isso, bancos inescrupulosos, que praticam operações financeiras em larga escala, além de sua capacidade de enfrentar os riscos que assumem, procuram assegurar a liquidez de que necessitam recorrendo à atração criminosa, ou, para ser mais preciso, à absorção de vastos montantes de dinheiro criminoso, a maior parte do qual é dinheiro das drogas.»</em></p>
<p><em>«Aqui, nós temos reveladoras estimativas oficiais feitas por Antonio Costa, ex-subsecretário-geral das Nações Unidas e diretor-executivo do ODC </em>[Gabinete de Drogas e Crime da ONU]<em>, de que, durante a crise global, em 2008-2009, cerca de 352 bilhões de narcodólares foram injetados em grandes bancos mundiais, para evitar problemas críticos de escassez de liquidez; depois, esse dinheiro foi usado para empréstimos interbancários.»</em></p>
<p><em>«É bastante relevante que esse funcionário internacional de alto escalão tenha enfatizado que isso não é um problema de bancos individuais, mas de todo o arranjo geral do sistema financeiro mundial. O Sr. Costa sabe do que fala: ele é um experiente banqueiro internacional que, entre outras coisas, foi, durante dez anos&#8230; secretário-geral do Banco Europeu para Reconstrução e Desenvolvimento.»</em></p></blockquote>
<p>Prosseguindo, Ivanov deu mais detalhes sobre o tenebroso cenário da cumplicidade do sistema financeiro &#8220;globalizado&#8221; com o narcotráfico internacional:</p>
<blockquote><p><em>«É igualmente óbvio, e confirmado analiticamente, que o sistema financeiro existente, que opera usando um número grande e crescente de instrumentos financeiros, como opções, futuros, swaps e outros derivativos que inflam a chamada &#8220;bolha de sabão financeira&#8221;, não pode mais existir sem infeções de dinheiro &#8220;sujo&#8221;. Esta análise é plenamente confirmada pelas avaliações de especialistas apresentadas no relatório publicado no mês passado pelo ODC, &#8220;Estimando os fluxos financeiros ilícitos resultantes do tráfico de drogas e outros crimes organizados transnacionais&#8221;.»</em></p>
<p><em>«O relatório afirma abertamente que, hoje, o dinheiro sujo pode entrar facilmente nos fluxos financeiros legais; ao mesmo tempo, os &#8220;investimentos&#8221; desse dinheiro desarticulam seriamente a economia real e impedem, substancialmente, o crescimento econômico. O relatório estima os fluxos totais de dinheiro sujo do crime organizado transnacional em mais de 1 trilhão de dólares, ou 1,5% do PIB global, e nada menos que 70% desse dinheiro é lavado por meio de instituições financeiras. O setor mais produtivo da dessa economia &#8220;negra&#8221;, segundo o relatório, é o tráfico de drogas, que representa pelo menos a metade de todos os fluxos criminosos globais.» (&#8230;)</em></p>
<p><em>«O custo econômico da circulação de drogas na sociedade é verdadeiramente enorme. As estimativas do relatório mostram que os prejuízos econômicos do tráfico de drogas representam o dobro ou o triplo do valor das drogas. Assim, enquanto o mercado de cocaína nos EUA é estimado em 35 bilhões de dólares e o mercado da heroína e outras drogas, em 15 bilhões, os prejuízos diretos causados pelas drogas à economia dos EUA é de 150 bilhões de dólares, em termos monetários!»</em></p>
<p><em>«Levando-se em conta o fato de que mercados de drogas similares estão ativos na União Europeia e na China, os principais parceiros comerciais e econômicos dos EUA, esse efeito negativo em grande escala se reproduz na forma de uma sinergia negativa. E, uma vez que a Europa é o maior mercado para a heroína afegã, bem como representa a metade do mercado para a cocaína latino-americana, o resultado é que o setor real das economias dos países líderes do mundo está entrando em colapso cada vez mais rapidamente. O dinheiro sujo das drogas, em combinação com uma bolha especulativa, estão, simplesmente, exaurindo a economia de criação e desenvolvimento [grifos nossos].» (&#8230;)</em></p>
<p><em>«O problema é ainda maior, pelo fato de que a bolha é aumentada por um pesado óbice na forma de gastos militares irrecuperáveis. Os estudos mostram que a persistente falta de liquidez e as tentativas de se manter à tona durante a crise promovem, não apenas uma tolerância com as atividades criminosas, mas também uma atitude de encorajamento da disponibilidade desse dinheiro.»</em></p></blockquote>
<p>Como exemplo de grandes bancos internacionais identificados como participantes desse circuito global de &#8220;narcolavagem&#8221;, Ivanov mencionou o Wachovia (absorvido em 2008 pelo Wells Fargo), o American Express e o HSBC.</p>
<p>Ivanov deixou claro que o enfrentamento a sério do desafio das drogas requer uma &#8220;drástica transformação do sistema financeiro internacional&#8221;. E, para ser mais claro ainda, ele apontou para a necessidade de regulamentação e controle das atividades financeiras especulativas.</p>
<p>&#8220;De certa maneira, estamos observando um renascimento da lógica da Lei Glass-Steagall, adotada nos EUA, em 1933, no auge da Grande Depressão, que separou as funções de depósito e investimento dos bancos. Mas restrições duras para evitar a atração de dinheiro criminoso são requeridas ainda mais&#8221;, disse ele (possivelmente, para desconforto de alguns de seus ouvintes).</p>
<p>Aos nossos leitores, sugerimos a leitura do <a href="http://www.fskn.gov.ru/includes/periodics/eventsmain/2011/1118/012115810/detail.shtml" target="_blank">texto completo da palestra</a> de Ivanov, disponível em inglês no sítio do FSKN, inclusive, com os gráficos usados para ilustrar a exposição.</p>
<p style="text-align: right;"><strong>Geraldo Luís Lino</strong></p>
<p style="text-align: right;" align="right"><span style="color: #ff6600;"><strong><em>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</em></strong></span></p>
<p><strong> <a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/03/2000px-Decorative_text_divider_4.svg_.png"><img class="aligncenter size-medium wp-image-7413" title="2000px-Decorative_text_divider_4.svg" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/03/2000px-Decorative_text_divider_4.svg_-300x12.png" alt="" width="300" height="12" /></a></strong></p>
<p><strong>Créditos </strong>➞<strong> </strong>este post é matéria apresentada no Boletim Eletrônico <strong><em>MSIa INFORMA</em></strong>, do <strong><em>MSIa –</em></strong><em> <strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em>, Vol. III, N<sup>o</sup> 31, de 16 de dezembro de 2011.</p>
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		<title>Luzes e sombras na cúpula da UE</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Dec 2011 12:10:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
				<category><![CDATA[Governo mundial]]></category>
		<category><![CDATA[Crise financeira]]></category>
		<category><![CDATA[Crise global]]></category>
		<category><![CDATA[Globalização]]></category>
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		<category><![CDATA[Política internacional]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma vez mais, os chefes de Estado e de governo europeus, fortemente influenciados pelos acordos preferenciais entre Angela Merkel e Nicolas Sarkozy, não foram capazes de combinar a necessidade de rigor com a do crescimento econômico. De acordo com os líderes da zona do euro, em primeiro lugar, devem vir os cortes orçamentários, as medidas de austeridade para reduzir as dívidas públicas e as mudanças dos tratados e, só depois, se poderá pensar na recuperação econômica! Parece ser ideologicamente impossível fazer rodarem juntos o trem do rigor e o da recuperação.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp"><img class="aligncenter  wp-image-10770" title="msiA iNFORMA" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp" alt="" width="235" height="49" /></a></strong></p>
<p><strong>Uma vez mais, os chefes de Estado e de governo europeus, fortemente influenciados pelos acordos preferenciais entre Angela Merkel e Nicolas Sarkozy, não foram capazes de combinar a necessidade de rigor com a do crescimento econômico. De acordo com os líderes da zona do euro, em primeiro lugar, devem vir os cortes orçamentários, as medidas de austeridade para reduzir as dívidas públicas e as mudanças dos tratados e, só depois, se poderá pensar na recuperação econômica!</strong></p>
<p><strong>Parece ser ideologicamente impossível fazer rodarem juntos o trem do rigor e o da recuperação.</strong></p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/euro-banco-central-europeu.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-12262" title="euro-banco-central-europeu" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/euro-banco-central-europeu-300x168.jpg" alt="" width="300" height="168" /></a></p>
<p>No entanto, todos sabemos – como, aliás, já apontou até mesmo o Banco da Itália – que, no intervalo entre o novo pacto de equilíbrio orçamentário e as futuras medidas de recuperação ainda a ser definidas, haverá uma desaceleração econômica, com a redução do PIB, especialmente nos países mais débeis. Na verdade, isto tende a prejudicar a temida relação dívida/PIB e a exacerbar as crescentes e justificadas tensões sociais, como já está ocorrendo na Itália.</p>
<p>Além dos detalhes agora conhecidos sobre a estabilidade fiscal e a correção automática de déficits fiscais, a Declaração de Bruxelas revela que o casal franco-alemão não vive exatamente um mar de rosas. Na verdade, a leitura ao pé da letra da carta que Merkel e Sarkozy enviaram poucos dias antes ao presidente do Conselho Europeu, Herman van Ronpuy, permite deduzir que o projeto de impor o seu eixo dominante é para valer.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Tentativas de reorganização da Europa</h2>
<p>Para criar uma forte governança europeia e assegurar a disciplina orçamentária, a carta pedia a definição de uma arquitetura institucional com base em cúpulas regulares dos chefes de Estado e de governo, que se realizariam duas vezes ao ano em tempos normais e mensalmente, em casos de crises como a atual, com um presidente permanente. Outra proposta era a criação de um &#8220;eurogrupo&#8221; em nível ministerial e de uma estrutura preparatória para implementar as decisões das cúpulas. A este processo se deveriam &#8220;associar&#8221; tanto a Comissão Europeia, como os parlamentos de Estrasburgo [Parlamento Europeu - n.e.] e os nacionais.</p>
<p>Embora se possa rotular o processo de determinação decisória dos governos europeus, na realidade, trata-se de uma tentativa da Alemanha, apoiada por conveniência pela França, para controlar as alavancas econômicas da Europa. Se isto se concretizar, acreditamos que haverá uma desautorização de fato da Comissão − evidentemente, considerada muito lenta e muito influenciada pelos governos.</p>
<p>Felizmente, a declaração de 9 de dezembro relegou a solicitação franco-alemã ao item 10, o qual afirma que <em><strong>«será reforçada a governança da zona do euro, tal como foi acordado na cúpula europeia de 26 de outubro. Em particular, serão realizadas cúpulas europeias pelo menos duas vezes por ano»</strong></em>.</p>
<p>Mais uma vez, ficou clara a vacilação de Merkel. Em vez de tomar decisões corajosas como a emissão de títulos europeus (eurobonds), a chanceler parece preferir tergiversar em torno da construção da arquitetura, das condicionantes e dos novos acordos que distorcem o processo interno de unificação europeia.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/david-cameron-caricatura.jpg"><img class="alignleft  wp-image-12265" title="OPI-3001.eps" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/david-cameron-caricatura-266x300.jpg" alt="" width="157" height="178" /></a>A Inglaterra fora da Europa</h2>
<p>A outra grande notícia da cúpula foi a decisão da Grã-Bretanha de não assinar o acordo e acelerar a ruptura anunciada com a UE. O primeiro-ministro David Cameron disse que pretendia defender a soberania e a independência britânicas. Entretanto, a verdadeira razão por trás da ruptura reside no papel da City de Londres como o verdadeiro centro mundial das finanças, derivativos, fundos de <em>hedge</em> e do &#8220;sistema bancário paralelo&#8221;. Londres quer, a todo custo, proteger a City de quaisquer impostos sobre operações financeiras e outras regras que a Europa, finalmente, venha a implementar.</p>
<p>O fato de que a City representa mais de 10% do PIB do Reino Unido levanta ainda mais dúvidas sobre a solvência efetiva de Londres. Tal decisão lança luz sobre o papel das finanças na atual crise sistêmica e suas responsabilidades pelos efeitos de contágio. Enquanto os britânicos permanecerem ao serviço da City, não poderão fazer outra coisa senão executar a tarefa que lhes é atribuída, ou seja, a sabotagem da reforma do sistema financeiro global.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Inglaterra fora, bom para a Europa</h2>
<blockquote><p><span style="color: #ff0000;"><strong>O abandono britânico poderá se transformar em uma aceleração para a construção política da Europa, sempre que se decida libertar-se da &#8220;doutrina Thatcher&#8221; herdada das ilhas do outro lado do Canal da Mancha.</strong></span></p></blockquote>
<p>No entanto, independentemente da decisão de Cameron, a situação europeia continua preocupante e especuladores continuam com as rédeas nas mãos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2 style="text-align: left;" align="center">Agências de classificação ou de governo?</h2>
<p>Há algo de perverso em se acompanhar na televisão os difíceis andamentos das reuniões de chefes de Estado e de governo sobre o futuro do euro e da União Europeia (UE), enquanto, na parte inferior da tela, se sucedem as últimas avaliações das agências de classificação de risco, proclamando os rebaixamentos iminentes de suas cotações. Nos últimos dias, as &#8220;três irmãs&#8221; ofereceram &#8220;gratuitamente&#8221; as suas avaliações para baixo para toda a zona do euro em conjunto.</p>
<p>A Standard &amp; Poor&#8217;s informou que os últimos seis países europeus com a classificação AAA, incluindo a Alemanha e a França, poderão ser rebaixados em breve. Se um único destes Estados perder tal classificação, até mesmo o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (EFSF) perderá credibilidade e ficará comprometido. Hoje, com 440 bilhões de dólares, o EFSF mantém um papel certamente insuficiente, mas de qualquer modo, essencial na defesa contra o risco de inadimplência soberana.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Quem realmente manda no mundo&#8230;</h2>
<p>É cada vez mais evidente que as agências assumem um atuação crescentemente política! Com as suas recentes ameaças coordenadas, elas pretendiam forçar as decisões da cúpula europeia em seu favor. De fato, os seus relatórios são cada vez mais cheios de recomendações sobre políticas econômicas, mais próprios de tomadores de decisões oficiais do que de agências classificadoras. Alegadamente, elas falam em nome de investidores, que muitas vezes são obrigados a seguir as implicações das avaliações por força de normas impostas por lei, mas não detêm qualquer responsabilidade política. Trata-se de uma anomalia intolerável!</p>
<p>Nos últimos dias, finalmente, a imprensa alemã e francesa começou a levantar os véus que cobrem as histórias dos &#8220;três irmãs&#8221;. Falando sobre a S&amp;P, o maior jornal da Alemanha, o <em>Frankfurt Allgemeine Zeitung</em>, afirmou que ela <span style="color: #ff0000;"><strong>«é uma agência dos Estados Unidos, que, quando avalia nações e empresas, o faz com lentes estadunidenses. Neste trabalho, ela representa os interesses de Wall Street»</strong></span>.</p>
<p>Realmente, como tem ficado claro desde a grande crise de 2007-2008, as agências de classificação estão a serviço da grande finança, de quem recebe vultosos pagamentos por conta das avaliações &#8220;triplo A&#8221; conferidas aos piores títulos &#8220;tóxicos&#8221; e derivativos altamente especulativos. Isso foi relatado com uma riqueza documental por duas grandes investigações feitas nos EUA, a Comissão de Inquérito sobre a Crise Financeira (FCIC, em inglês) e a Comissão Dodd-Frank do Congresso. O Presidente da FCIC, Phil Angelides, qualificou a agência Moody&#8217;s como <em><strong>«uma fábrica de triplo As»</strong></em> – em 2006, chegaram a ser 30 por dia! Os MBRs (títulos lastreados por hipotecas) agraciados com tal classificação atingiram um montante 869 bilhões de dólares, mas, após a eclosão da crise, 83% deles foram drasticamente rebaixados.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Agências de risco (dolar) atacam o euro</h2>
<p>Os compromissos e conflitos de interesse das três agências ainda estão sendo investigados. Existem muitos processos legais em curso, com pedidos de ressarcimento de centenas de bilhões de dólares, abertos pelos que ficaram com tais papeis &#8220;micados&#8221; nas mãos, inclusive vários bancos.</p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/Dolar-ataca-euro.jpg"><img class="aligncenter  wp-image-12266" title="Dolar-ataca-euro" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/Dolar-ataca-euro-300x237.jpg" alt="" width="401" height="316" /></a></p>
<p>Enquanto isso, as &#8220;três irmãs&#8221; prosseguem com êxito em suas operações, colocando na mira as dívidas soberanas, especialmente da Europa e do sistema do euro. Juntamente com a alta finança, elas conseguiram a façanha de promover a mais bem-sucedida operação de &#8220;transferência&#8221; de responsabilidades pela crise: <strong>não é mais o sistema bancário com os seus desvios que está no centro das atenções públicas, mas dos Estados europeus em dificuldades com suas dívidas.</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Por que depender das agências?</h2>
<p>O problema que incomoda é este: por que as instituições europeias e os investidores ainda são tão dependentes das avaliações de três agências privadas? Talvez, porque os governos europeus gozaram das classificações &#8220;triplo A&#8221; durante décadas e, oportunisticamente, tenham ignorado <strong>o que ocorreu na Ásia ou na América Latina como resultado de avaliações negativas. Algumas economias foram devastadas.</strong></p>
<p>Infelizmente, as referências às classificações das três agências têm sido incorporadas em muitos regulamentos, como as diretivas europeias para a implementação dos requisitos dos acordos de Basileia II e Basileia III, referentes aos capitais dos bancos e às exigências de solvência para as agências de seguros que operam na Europa. Até o BCE se refere ao &#8220;triplo A&#8221; das agências para muitas operações de garantia e de crédito. <strong>Os políticos europeus, irresponsavelmente, deram às agências um poder quase de lei.</strong> As suas avaliações têm um efeito real, quase automático, em muitas decisões e avaliações econômicas.</p>
<p>Desde o início de 2011, a autarquia europeia dos ativos financeiros europeus e dos mercados, a ESMA [European Securities and Markets Authority], introduziu uma forma de regulamentação das atividades das agências, ameaçando retirar as suas licenças europeias, se não obedecessem às normas de Bruxelas. Tudo em vão, enquanto o &#8220;triplo A&#8221; das &#8220;três irmãs&#8221; continuar a estabelecer a lei nas instituições europeias!</p>
<p>Seria adequado, pelo menos, tomar nota da decisão de um juiz federal do estado do Novo México (EUA), que recusou o pedido das agências para ter <em>«a proteção da Primeira Emenda da Constituição sobre o direito à liberdade de expressão, ainda que para avaliações e opiniões comprovadas como falsas»</em>.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Agências suspeitas</h2>
<p>Acreditamos que seria correto, da parte da nossa mídia, se, cada vez que divulgassem um anúncio das agências sobre os títulos soberanos europeus e italianos, recordassem aos leitores, telespectadores ou ouvintes que elas são empresas privadas cuja reputação está muito longe de ser positiva.</p>
<p style="text-align: right;"><strong><em>Mario Lettieri e Paolo Raimondi</em>, de Roma</strong></p>
<p style="text-align: right;" align="right"><span style="color: #ff6600;"><strong><em>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</em></strong></span></p>
<p><strong> <a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/03/2000px-Decorative_text_divider_-_central_flare.svg_.png"><img class="aligncenter size-medium wp-image-7351" title="2000px-Decorative_text_divider_-_central_flare.svg" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/03/2000px-Decorative_text_divider_-_central_flare.svg_-300x19.png" alt="" width="300" height="19" /></a></strong></p>
<p><strong>Créditos </strong>➞<strong> </strong>este post é matéria apresentada no Boletim Eletrônico <strong><em>MSIa INFORMA</em></strong>, do <strong><em>MSIa –</em></strong><em> <strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em>, Vol. III, N<sup>o</sup> 31, de 16 de dezembro de 2011. Subtítulos e grifos meus.</p>
<p><strong><em>MSIa INFORMA</em></strong><strong> </strong>➞<strong> </strong>é uma publicação do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa). Conselho Editorial: Angel Palacios, Geraldo Luís Lino, Lorenzo Carrasco (Presidente), Marivilia Carrasco e Silvia Palacios. Endereço: Rua México, 31 &#8211; sala 202 &#8211; Rio de Janeiro (RJ) &#8211; CEP 20031-144; Telefax: 0xx 21-2532-4086.</p>
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<p><strong><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-10bMicro.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-9620" title="harpia-10bMicro" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-10bMicro.jpg" alt="" width="60" height="49" /></a>Imagem</strong> ➞ <a href="http://veja.abril.com.br/">http://veja.abril.com.br</a>  ; <a href="http://amarildocharge.wordpress.com/">http://amarildocharge.wordpress.com</a></p>
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		<pubDate>Mon, 19 Dec 2011 12:03:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Às vésperas da recente cúpula europeia, um importante economista e ex-funcionário do governo alemão me disse que não nos deveríamos preocupar em demasia com o desfecho da reunião. Segundo ele, o processo de consolidação das presentes turbulências que abalam a zona do euro seria prolongado, mas com tendência a seguir o rumo dado pela dupla formada pela chanceler alemã Angela Merkel e o presidente francês Nicolas Sarkozy - já devidamente apelidada "Merkozy". A primeira, afirmou, havia aprendido certas lições, e o segundo, que enfrentará eleições presidenciais em 2012, sabe que suas chances de reeleição são diminutas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp"><img class="aligncenter  wp-image-10770" title="msiA iNFORMA" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp" alt="" width="240" height="50" /></a></strong></p>
<p><strong>Às vésperas da recente cúpula europeia, um importante economista e ex-funcionário do governo alemão me disse que não nos deveríamos preocupar em demasia com o desfecho da reunião. Segundo ele, o processo de consolidação das presentes turbulências que abalam a zona do euro seria prolongado, mas com tendência a seguir o rumo dado pela dupla formada pela chanceler alemã Angela Merkel e o presidente francês Nicolas Sarkozy – já devidamente apelidada &#8220;Merkozy&#8221;. A primeira, afirmou, havia aprendido certas lições, e o segundo, que enfrentará eleições presidenciais em 2012, sabe que suas chances de reeleição são diminutas.</strong></p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/sarkozy-merkel-.jpg"><img class="aligncenter  wp-image-12257" title="sarkozy-merkel-" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/sarkozy-merkel--300x230.jpg" alt="" width="326" height="249" /></a></p>
<h2>A Europa sairá da crise</h2>
<p>De acordo com esse especialista, a despeito das diferenças sobre a maneira de enfrentar a crise da dívida, ao final, os membros da eurozona chegarão a um acordo para estabelecer controles orçamentários mais estritos e assegurar tanto a disciplina fiscal como o crescimento econômico, bem como um acordo para a criação de uma &#8220;união fiscal&#8221;, com as devidas alterações no tratado constitutivo da União Europeia (UE), que deverão ser aprovadas pelos respectivos parlamentos.</p>
<p>Com essa avaliação em mente, analisemos os resultados da cúpula de 8-9 de dezembro. A imprensa alemã a considerou um grande avanço político, pois, pela primeira vez, os chefes de Estado e governo europeus concordaram em promover uma disciplina orçamentária mais rigorosa e impor sanções às violações de tal regime. Ademais, concordou-se com a ativação do Mecanismo de Estabilização Europeu (ESM, em inglês), a partir de meados de 2012, seguindo-se o Fundo Europeu de Estabilização Financeira (EFSF, em inglês), em 2013. Quanto à discussão sobre os títulos europeus (eurobonds), o tema sequer foi tocado na cúpula.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Inglaterra revela seu caráter</h2>
<p>A grande dissidência veio do Reino Unido, com o premier David Cameron resistindo ferozmente a qualquer proposta de alteração do tratado, com o argumento de que seu país nunca o aceitaria e, se aceitasse, seria apenas nos seus termos. Em outras palavras: a política de desregulamentação da City de Londres, responsável primária pelas bolhas financeiras dos últimos anos, deve ser preservada para que Londres preserve o seu <em>status</em> como centro financeiro global.</p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/Merkel-Hitler.jpg"><img class="alignleft  wp-image-12259" title="Polnischer Zeitschriften-Titel zeigt Merkel-Fotomontage mit Hitler-Bärtchen" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/Merkel-Hitler-300x200.jpg" alt="" width="195" height="130" /></a>A mídia continental também qualificou a cúpula como um divisor de águas, pelo que muitos consideraram uma inusitada &#8220;humilhação&#8221; da Grã-Bretanha. De fato, independentemente dos desdobramentos da situação, os britânicos expuseram ao mundo o seu real caráter liberal de seguidores de Adam Smith. Agora, parece mais clara a origem da campanha germanófoba deflagrada por parte da imprensa europeia nas últimas semanas. A imprensa britânica tem liderado a carga, com uma série de artigos e reportagens advertindo sobre uma Europa &#8220;germanizada&#8221;. Em jornais italianos, espanhois, franceses e gregos, têm sido publicadas caricaturas apresentando Merkel com um bigode &#8220;à la Hitler&#8221; e falando sobre a ameaça de um &#8220;Quarto Reich&#8221;.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Ataque dos EUA ao euro</h2>
<p>E é curioso que, no mesmo período, o governo dos EUA, ele próprio às voltas com uma dívida oficial de 15 trilhões de dólares, tenha desfechado fortes críticas contra a zona do euro, acusando-a de não fazer o que é preciso para controlar a crise. Significativamente, em 30 de novembro, a Reserva Federal estadunidense anunciou uma ação coordenada com outros cinco bancos centrais (Banco da Inglaterra, Banco Central Europeu-BCE, Banco do Japão, Banco do Canadá e Banco Nacional Suíço), sinalizando a disposição de inundar os mercados financeiros com liquidez imediata, se necessário. O mais curioso foi que, dias antes, o BCE de Mario Draghi havia reiterado a linha oficial de não comprar ilimitadamente títulos de dívida de países europeus com problemas.</p>
<p>Dois dias antes da cúpula europeia, a agência Standard &amp; Poor&#8217;s anunciou o &#8220;rebaixamento&#8221; dos títulos de todos os países da eurozona, inclusive, do EFSF. Na Alemanha, da chancelaria para baixo, passando por vários ministérios e redações, os comentários oscilaram entre acusações de cinismo e de &#8220;conspiração&#8221; dos EUA para interferir na Europa.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Faltam os empregos</h2>
<p>O que ficou claro após a cúpula: o Reino Unido sofreu uma grande derrota política e, como afirmaram vários comentaristas, perdeu muito de sua influência na Europa. Porém, permanece a questão: a disciplina orçamentária pode ser boa para a coesão do bloco continental, mas ainda faltam as iniciativas de crescimento econômico que precisam ser tomadas pelos governos europeus, para promover a estabilidade de seus países. E o que será feito com os &#8220;resíduos tóxicos&#8221; (papeis especulativos) no sistema monetário global.</p>
<p style="text-align: right;"><strong><em>Elisabeth Hellenbroich</em>, de Wiesbaden</strong></p>
<p style="text-align: right;" align="right"><span style="color: #ff6600;"><strong><em>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</em></strong></span></p>
<p><strong> <a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/03/2000px-Decorative_text_divider_4.svg_.png"><img class="aligncenter size-medium wp-image-7413" title="2000px-Decorative_text_divider_4.svg" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/03/2000px-Decorative_text_divider_4.svg_-300x12.png" alt="" width="300" height="12" /></a></strong></p>
<p><strong>Créditos </strong>➞<strong> </strong>este post é matéria apresentada no Boletim Eletrônico <strong><em>MSIa INFORMA</em></strong>, do <strong><em>MSIa –</em></strong><em> <strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em>, Vol. III, N<sup>o</sup> 31, de 16 de dezembro de 2011.</p>
<p><strong><em>MSIa INFORMA</em></strong><strong> </strong>➞<strong> </strong>é uma publicação do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa). Conselho Editorial: Angel Palacios, Geraldo Luís Lino, Lorenzo Carrasco (Presidente), Marivilia Carrasco e Silvia Palacios. Endereço: Rua México, 31 &#8211; sala 202 &#8211; Rio de Janeiro (RJ) &#8211; CEP 20031-144; Telefax: 0xx 21-2532-4086.</p>
<p><strong>Para saber mais sobre o tema </strong>➞<strong> </strong>visitar os sites da MSIa/Capax Dei:<strong> </strong><a href="http://www.alerta.inf.br/">http://www.alerta.inf.br/</a> e <a href="http://www.msia.org.br/">http://www.msia.org.br/</a>.</p>
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<p><strong><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-10bMicro.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-9620" title="harpia-10bMicro" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-10bMicro.jpg" alt="" width="60" height="49" /></a>Imagens</strong> ➞ <a href="http://www.forexbrazuca.com/">http://www.forexbrazuca.com</a>  ; <a href="http://joaomfgabriel.blogspot.com/">http://joaomfgabriel.blogspot.com</a><strong> </strong></p>
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		<title>A Europa já passou por dias piores&#8230;</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Dec 2011 13:28:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A crescente onda de pessimismo no que diz respeito à situação político-econômico-financeira da União Européia e do euro é um exagero. Não quero, com isso, dizer que não hajam problemas. O maior deles é o desnível econômico e fiscal entre os países que aderiram ao euro. Países europeus "periféricos" não se comportam da mesma maneira que os principais, como a Alemanha e a França.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-23cJpegMini.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-9605" title="harpia-23cJpegMini" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-23cJpegMini.jpg" alt="" width="100" height="55" /></a><strong>A crescente onda de pessimismo no que diz respeito à situação político-econômico-financeira da União Européia e do euro é um exagero. Não quero, com isso, dizer que não hajam problemas. O maior deles é o desnível econômico e fiscal entre os países que aderiram ao euro. Países europeus &#8220;periféricos&#8221; não se comportam da mesma maneira que os principais, como a Alemanha e a França.</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>O euro em processo de implantação</h2>
<p>Essas diferenças eram previsíveis, principalmente se considerarmos que a implementação do euro jamais se daria, completamente, em menos de duas décadas. Muito menos a união política da Europa. O que acontece hoje é um processo, justamente, de adaptação dos países periféricos ao sistema global do euro, além de outros, como a Itália e a Espanha, que devem adaptar suas administrações econômicas ao novo sistema.</p>
<p>Não é uma crise de números que vai desestabilizar a Europa. O &#8220;velho Continente&#8221; já passou por catástrofes realmente reais em inúmeras ocasiões, mormente no século próximo passado, com a devastadora destruição que as duas grandes guerras causaram na região.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/segunda-guerra-mundial.png"><img class="alignleft size-medium wp-image-12150" title="segunda-guerra-mundial" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/segunda-guerra-mundial-251x300.png" alt="" width="251" height="300" /></a>O aprendizado europeu</h2>
<p>A Alemanha foi destruída duas vezes e se reergueu. Suas cidades foram arrasadas, sua população jovem foi dizimada, sua economia (como na Primeira Guerra Mundial) foi varrida do mapa. A Rússia perdeu 30 milhões de pessoas, a França, se não sofreu tanto quanto a Alemanha, fisicamente, teve suas finanças, igualmente, destruída. Inglaterra e Itália, idem. Isso sem se falar de países menores, como a Polônia, Holanda, Bégica e outros, do Leste Europeu, inclusive a Grécia.</p>
<blockquote><p><em>«O <strong>Plano Marshall</strong>, um aprofundamento da Doutrina Truman, conhecido oficialmente como <strong>Programa de Recuperação Européia</strong>, foi o principal plano dos Estados Unidos para a reconstrução dos países aliados da Europa nos anos seguintes à Segunda Guerra Mundial. A iniciativa recebeu o nome do Secretário do Estado dos Estados Unidos, George Marshall.»</em><sup>[Wikipedia]</sup> Ao que parece, a criatura ameaça, agora, o criador&#8230;</p></blockquote>
<p>Realmente, a Europa é o único contingente, ou continente, capaz de fazer frentre aos EUA no mundo. Uma das principais razões para isso é que <em>«a Europa é o terceiro continente mais populoso do mundo, após a Ásia e a África, com uma população de 731 milhões ou cerca de 11% da população mundial»</em>.<sup>[Wikipedia]</sup> Isso inclui a Rússia.</p>
<p>Em muito menos de 50 anos esses países, na medida do possível, uns mais do que os outros, se reergueram, e assim – repito – não vai ser uma crise de números que vai, agora, destruir a União Européia. Os europeus sofreram com as duas guerras do século passado e sabem o quanto é importante ter a Europa unida – o que minimiza muito a possibilidade de novos conflitos bélicos. E o europeu sabe e se conforma em se sacrificar para chegar à paz e à reconquista da estabilidade.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Ataque ao euro</h2>
<p>O que acontece é que o euro está sofrendo uma desestabilização de fundo especulativo por parte do dolar. E se é por parte do dolar, sabemos muito bem quem pode estar por trás de tudo. E isso não é de hoje. Um dos motivos para a deposição de Saddam Hussein foi que ele começou a vender petróleo tendo como moeda nas transações, o euro, e não o dolar&#8230; Resultado: mataram o cara!</p>
<p>Uma moeda única de poupança internacional – o dolar – é de capital importância para os EUA. Isso garante sua hegemonia mundial. Os EUA são o país mais devedor do mundo e dever em dolar não é problema para ele, pois basta rodar mais dinheiro&#8230; Dever em euro não é tão fácil de administrar&#8230;</p>
<p>Haver mais de uma moeda garantidora de investimentos internacionais é contrário às políticas econômicas e da corporatocracia dos EUA. O euro é uma ameaça a essa hegemonia, e por isso, foi atacado. A Europa unida, financeira e politicamente, pode ser a única força real contra a hegemonia norte-americana e essa união é representada, não pela União Européia em si, com seus 27 países, mas pelo euro, com as 17 nações que aderiram à nova moeda.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>O euro não acabará</h2>
<p>Acabar com o euro ou diminuir o número de países que o adotam, não é negócio para a Europa. Isso requeriria enormes custos operacionais, tornando a crise européia ainda mais trágica. Países menores, voltando às suas moedas originais, estariam ainda mais vulneráveis à especulação em dolares – e, pior, estariam devendo também em euros – e os maiores teriam seus investimentos nos países menores reduzidoa a zero, por exemplo.</p>
<p>Além disso, o euro não é apenas uma moeda única. O euro é um símbolo político e, realmente, seria um vexame de proporções bíblicas para toda a Europa, caso o euro se perdesse. Assim, acabar com o euro é uma hipótese fora de questão (por vontade dos europeus), assim como a eventual saída de sua esfera por parte de um ou mais países.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>A ameaça de mais de uma moeda internacional</h2>
<p>A importância de haver no mundo mais de uma moeda responsável pelas transações e investimentos internacionais é do conhecimento de todos. A Rússia está cansada de fazer propaganda pela instituição de uma nova moeda internacional, talvez junto com a China (que também batalha nessa direção) ou mesmo com o resto da Europa – o que acho mais viável e lógico, pois, afinal, a Rússia pertence à Europa. A China pode fazer o mesmo, talvez junto com o Japão e outros países asiáticos, o que seria outra grande catástrofe para o dolar. E a nossa América do Sul, mais o México, porque não fazermos a mesma coisa?&#8230; Aí os EUA iriam pirar!</p>
<p>Destruir o euro é como que dar uma lição ao resto do mundo para que ninguém mais tente criar uma nova moeda internacional: não ousem destronar o dolar&#8230; olhem as consequências&#8230;</p>
<p>Não nos esqueçamos, entretanto, de uma coisa. Hoje em dia, com a globalização financeira mundial, todo mundo investindo em todos os lugares, prejudicar um país ou grupo de países é coisa muito fácil – e é o que estão fazendo com o euro. Basta retirar os investimentos do país ou dos países-alvo e pronto: a crise econômico-financeira estará instalada nesses países. É como retirar a escada e deixar o pintor pendurado na broxa&#8230; Já conhecemos essa história, quando o mega investidor George Soros retirou seu dinheiro de países asiáticos, quebrando-os rapidamente.</p>
<p>E não podemos deixar de considerar a velha doutrina do choque: fomentar uma crise e depois emprestar dinheiro aos desesperados, dinheiro este, obviamente, em dolares&#8230;</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/Lagerfeld.jpg"><img class="alignright  wp-image-12151" title="VIP Room Theater Paris Official Inauguration" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/Lagerfeld-219x300.jpg" alt="" width="114" height="157" /></a>Quem tem razão?</h2>
<p>Alguns dirão que essas minhas opiniões são equivocadas, mas o tempo dirá quem tem razão. A Alemanha já está começando a ajudar a Europa, depois de deixar a coisa ficar bem crítica, dentro de limites administráveis, ao cabo dos quais, numa manobra inteligente, mostrar aos países que, realmente, têm que assumir a austeridade comum.</p>
<p>Certa vez ouvi uma frase de um alemão, Karl Lagerfeld, designer da Chanel, quando perguntaram a ele sobre uma eventual ajuda que ele daria a alguém, e ele respondeu, ao repórter, mais ou menos assim:</p>
<blockquote><p>— <em>«Não vou ajudar ninguém&#8230; Você já viu alemão ajudar alguém?»</em></p></blockquote>
<p>Só que dessa vez, a Alemanha vai ter que ajudar. E por quê? Porque ela vai ter que ajudar a si mesma. <a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-23dJpegMicro.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-9606" title="harpia-23dJpegMicro" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-23dJpegMicro.jpg" alt="" width="80" height="45" /></a></p>
<p><strong>Imagens:</strong> <a href="http://pt.wikipedia.org">http://pt.wikipedia.org</a> ;<a href="http://style.popcrunch.com"> http://style.popcrunch.com</a></p>
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		<title>O México no jogo da &#8220;narcogeopolítica&#8221;</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Dec 2011 11:14:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Oligarquias internacionais]]></category>
		<category><![CDATA[Política internacional]]></category>
		<category><![CDATA[Terrorismo]]></category>
		<category><![CDATA[Tráfico de drogas]]></category>

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		<description><![CDATA[As atividades anticonstitucionais realizadas pelos serviços de inteligência dos EUA dentro do território mexicano, especialmente a agência antidrogas DEA, fornecendo armas aos carteis de drogas do país e, segundo notícias recentes, até mesmo ajudando-os a "lavar" os seus lucros no sistema bancário, obedece a bem pensadas jogadas do poder anglo-americano. Em um momento em que a sua hegemonia global se vê cambaleante, seus mentores procuram repetir os mecanismos de controle utilizados na Guerra do Afeganistão de 1979-1988, para acelerar a desestabilização do país e deixá-lo dependente dos "narconegócios", o que, em sua visão distorcida, poderá facilitar-lhes o controle dos recursos energéticos mexicanos, inclusive, com o uso de força militar.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp"><img class="aligncenter size-full wp-image-10770" title="msiA iNFORMA" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp" alt="" width="235" height="49" /></a></p>
<p><strong>As atividades anticonstitucionais realizadas pelos serviços de inteligência dos EUA dentro do território mexicano, especialmente a agência antidrogas DEA, fornecendo armas aos carteis de drogas do país e, segundo notícias recentes, até mesmo ajudando-os a &#8220;lavar&#8221; os seus lucros no sistema bancário, obedece a bem pensadas jogadas do poder anglo-americano. Em um momento em que a sua hegemonia global se vê cambaleante, seus mentores procuram repetir os mecanismos de controle utilizados na Guerra do Afeganistão de 1979-1988, para acelerar a desestabilização do país e deixá-lo dependente dos &#8220;narconegócios&#8221;, o que, em sua visão distorcida, poderá facilitar-lhes o controle dos recursos energéticos mexicanos, inclusive, com o uso de força militar.</strong></p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/drogas-mexico.jpg"><img class="aligncenter  wp-image-12161" title="drogas-mexico" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/drogas-mexico-300x169.jpg" alt="" width="379" height="213" /></a></p>
<h2>EUA ajudando o narcotráfico mexicano?</h2>
<p>Em 4 de dezembro, o jornal <em>The New York Times </em>publicou uma reportagem de primeira página, intitulada «DEA Ajuda Carteis Mexicanos a Lavar Dinheiro», com explosivas revelações sobre as intrincadas operações de inteligência e contrainteligência realizadas sob uma quimérica rubrica de combate ao narcotráfico, mas que, na verdade, apenas tem fortalecido a máfia das drogas no México. Segundo o jornal, tais operações integram um pacote de mais de 50 operações semelhantes em todo o mundo, as quais não necessitam da autorização direta do secretário de Justiça (para assegurar o que, nos EUA, se chama &#8220;negação plausível&#8221;, para evitar o comprometimento de altas autoridades se estas tiverem que prestar juramento em juízo). Ou seja, tratam-se de operações típicas de estruturas de &#8220;governo paralelo&#8221;.</p>
<h2>Comentando a reportagem, o jornal mexicano <em>Milenio </em>(5/12/2011) observou:</h2>
<blockquote><p><em>«Agentes antinarcóticos estadunindenses encobertos têm lavado ou traficado milhões de dólares procedentes da venda de drogas, como parte do crescente papel de Washington na luta contra os carteis no México.»</em></p>
<p><em>«Sob o pretexto de detectar e identificar as estratégias usadas pelos narcotraficantes para lavar dinheiro, os agentes da DEA&#8230; inclusive, depositam o dinheiro nas contas designadas pelos próprios narcotraficantes ou em outras criadas pelas autoridades do governo de Barack Obama.»</em></p>
<p><em>«As atividades de alto risco levantam perguntas delicadas sobre a efetividade da DEA para capturar os capos, ressalta as preocupações diplomáticas sobre a soberania mexicana e apaga a linha entre a supervisão e a facilitação das atividadaes criminosas»</em> — pontualiza a reportagem do <em>Times</em>.</p>
<p><em>«O mais grave desse tipo de atividades da DEA – que também está sendo acusada de protetora do Cartel de Sinaloa – de acordo com os documentos apresentados perante a Corte Federal do Distrito Norte de Illinois, onde se prepara o julgamento do suposto narcotraficante Jesús Vicente Zambada Niebla, é que <strong>“permite aos carteis manter as suas operações por meses ou anos, antes de fazer apreensões ou prisões”</strong>.»</em></p>
<p><em>«No ano passado, a DEA apreendeu cerca de 1 bilhão de dólares </em>[sic]<em> em dinheiro vivo e bens, enquanto o governo mexicano confiscou cerca de 26 milhões de dólares nas investigações sobre lavagem de dinheiro, <strong>o que é uma pequena fração dos 18 a 39 bilhões de dólares que se estima que circulem entre os países, provenientes da venda de drogas</strong>»</em> — arrematou o artigo do <em>NYT</em>.</p></blockquote>
<h2 style="text-align: left;" align="center">A lavagem de dinheiro na nova Guerra do Ópio</h2>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/lavagem-de-dinheiro.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-12163" title="lavagem-de-dinheiro" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/lavagem-de-dinheiro.jpg" alt="" width="261" height="193" /></a></p>
<p>É um fato notório que a lavagem de dinheiro do narcotráfico e de outras atividades ilícitas concomitantes representa um dos sustentáculos do sistema bancário internacional. Hoje, o mundo assiste a uma nova versão em escala global da <strong>Guerra do Ópio deflagrada pelo Império Britânico</strong> <strong>no século XIX</strong>, facilitada pela ruptura dos controles anteriormente exercidos sobre as atividades financeiras, ensejada pela &#8220;globalização&#8221;.</p>
<p>Como afirmou o diretor do Serviço Federal de Controle de Drogas da Federação Russa, Victor Ivanov, em uma conferência realizada em 18 de novembro último, no Centro Internacional de Estudos Estratégicos, em Washington:</p>
<blockquote><p><em><strong><span style="color: #ff0000;">«As análises mostram que cerca de 10-15% das drogas são interceptadas, enquanto a proporção do dinheiro das drogas confiscado é inferior a 0,5%. Isto significa que a quase totalidade dos rendimentos da economia das drogas global entra livremente em circulação e se torna parte dos fluxos de dinheiro globais, aproveitando as capacidades do sistema financeiro legal.»</span></strong></em></p></blockquote>
<p>O México, por sua posição geográfica e submissão à economia estadunidense e suas oscilações políticas, foi convertido em uma plataforma central do narcotráfico e da lavagem de dinheiro. O crescimento vertiginoso desta última, com a participação aberta de grandes casas bancárias, tem atraído as atenções de vários órgãos de comunicação. Em 3 de abril último, o jornal inglês <em>The Observer</em> publicou uma retumbante reportagem sobre o papel desempenhado na &#8220;narcolavagem&#8221; pelo gigante bancário estadunidense Wachovia, que quebrou na crise de 2008 e foi absorvido pelo Wells Fargo.</p>
<p>As investigações das autoridades estadunidenses revelaram que, entre 2004 e 2007, o banco efetuou operações de lavagem de dinheiro por intermédio de uma cadeia de casas de câmbio mexicanas, no quase impensável montante de 378 bilhões de dólares – <strong>equivalente a um terço do PIB mexicano</strong>!</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Segundo o jornal inglês:</h2>
<blockquote><p><em>«Tudo isso ocorreu, a despeito do fato de que o escritório do Wachovia ficava em Miami, designada pelo governo dos EUA como uma “área de alta intensidade de lavagem de dinheiro e atividades financeiras criminosas correlatas”, e uma “área de tráfico de drogas de alta intensidade”. Desde o início da guerra dos carteis de drogas, em 2005, o México tem sido designado como uma fonte de lavagem de dinheiro de alto risco.»</em></p>
<p><em>«Já em 2004»</em> — como se lê na citação do tribunal — <em>«o Wachovia entendia o risco associado aos negócios com casas de câmbio mexicanas. O Wachovia estava consciente das advertências gerais da indústria. Já em julho de 2005, o Wachovia estava a par de que outros grandes bancos estavam deixando o negócio das casas de câmbio, com base em preocupações (de lavagem de dinheiro)&#8230; a despeito dessas advertências, o Wachovia permaneceu no negócio».</em></p>
<p><em>«Em 16 de março de 2010, Douglas Edwards, vice-presidente sênior do Wachovia Bank, colocou sua assinatura na página 10 de um acordo de 25 páginas, no qual o banco admitia o seu papel, segundo definido pelos promotores&#8230; No período entre 1º. de maio de 2004 e 31 de maio de 2007, o Wachovia processou&#8230; um total de mais de 378,3 bilhões de dólares, uma soma incomparavelmente maior que os orçamentos destinados pelas autoridades dos EUA e do Reino Unido para proporcionar serviços aos cidadãos.»</em></p></blockquote>
<p>Sobre o Wachovia, Ivanov comentou:</p>
<blockquote><p><em>«O fato mais deprimente e essencial foi que o banco foi considerado culpado de transferir 378,4 bilhões de dólares (quantia que equivale a um terço do PIB mexicano) a contas em dólares nos assim chamados escritórios de câmbio no México.»</em></p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Mais uma vez o HSBC</h2>
<h2><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/01/hsbc.jpg"><img class=" wp-image-6061 aligncenter" title="hsbc" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/01/hsbc-300x193.jpg" alt="" width="300" height="193" /></a></h2>
<blockquote><p><span style="color: #ff0000;"><strong>Mais recentemente, uma reportagem do <em>Los Angeles Times</em> de 28 de novembro retornou ao caso do Wachovia, acrescentando que o HSBC participa da lavagem de dinheiro a partir do México (o que não admira, já que <span style="text-decoration: underline;">o antigo Hong Kong and Shangai Banking Corporation foi fundado na década de 1860, exatamente para canalizar os rendimentos do tráfico de ópio no Oriente</span>).</strong></span></p>
<p><span style="color: #ff0000;"><strong>Segundo o jornal, o Gabinete da Controladoria da Moeda dos EUA (OCC) estabeleceu que o HSBC tinha <em>«deficiências críticas»</em> em seus relatórios de atividades suspeitas para o período 2006-2009 e o seu controle de volume de dinheiro dessas transferências. O órgão emitiu uma ordem de cessar-e-desistir (<em>cease-and-desist</em>) para o banco, acrescentando que <em>«o programa do Banco de conformidade e a sua implementação são ineficazes e acompanhados por fatores agravantes, como atividades altamente suspeitas, criando um potencial significativo para a lavagem de capitais ou o financiamento do terrorismo»</em>.</strong></span></p></blockquote>
<h2>Sistema orquestrado de cima&#8230;</h2>
<p>A participação avassaladora do sistema bancário na desestruturação do México e o envolvimento da DEA e outras agências de segurança e inteligência estadunidenses em operações como as mencionadas somente podem ser entendidas como partes de uma estratégia mais abrangente. Não é crível que os tropeços em tais operações são &#8220;acidentes&#8221; de um sinuoso percurso, da mesma forma como com a &#8220;Operação Velozes e Furiosos&#8221;, que colocou quase 3 mil armas nas mãos dos narcotraficantes mexicanos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Para acabar com a criminalidade e o terrorismo é necessário, antes, acabar com a lavagem de dinheiro</h2>
<p>A combinação de drogas, armas e lavagem de dinheiro representa um modelo que o &#8220;governo paralelo&#8221; dos EUA e seus cúmplices estrangeiros ensaiaram exaustivamente no Afeganistão (e, em paralelo, com a operação Irã-Contras), com o propósito de projetar o seu controle sobre os recursos estratégicos da Ásia Central. Na época, para contra-arrestar a presença soviética no país, os EUA armaram um exército de combatentes islâmicos, os mujahidin, de cujas células sairiam, na década seguinte, os grupos terroristas que alimentam o terrorismo internacional de hoje, com assustadora frequência, controlado pelas mesmas agências de inteligência. Grande parte da infraestrutura bancária criada para sustentar esse esforço continua em pleno funcionamento e o ensaio geopolítico culminou com a virtual destruição do Afeganistão, hoje convertido em um vasto abastecedor de ópio e heroína para os mercados de drogas internacionais.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>México: um novo Afeganistão?</h2>
<p>Guardadas as devidas proporções, o México corre um risco semelhante. Atualmente, já se fala abertamente sobre um cenário de invasão militar por forças estadunidenses, sob o mesmo pretexto do combate direto aos narcocarteis. Por isso, pode não ser mera coincidência o fato de o atual embaixador de Washington na Cidade do México ser Earl Anthony Wayne, que, antes de sua nomeação, em setembro último, ocupava o segundo posto na representação estadunidense em Cabul.</p>
<p style="text-align: right;"><em><strong>Silvia Palacios</strong></em></p>
<p style="text-align: right;" align="right"><span style="color: #ff6600;"><strong><em>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</em></strong></span></p>
<p><strong> <a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo.png"><img class="aligncenter size-medium wp-image-10922" title="div-novo" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo-300x13.png" alt="" width="300" height="13" /></a></strong></p>
<p><strong>Créditos </strong>➞<strong> </strong>este post é matéria apresentada no Boletim Eletrônico <strong><em>MSIa INFORMA</em></strong>, do <strong><em>MSIa –</em></strong><em> <strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em>, Vol. III, N<sup>o</sup> 30, de 08 de dezembro de 2011. Subtítulos meus.</p>
<p><strong><em>MSIa INFORMA</em></strong><strong> </strong>➞<strong> </strong>é uma publicação do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa). Conselho Editorial: Angel Palacios, Geraldo Luís Lino, Lorenzo Carrasco (Presidente), Marivilia Carrasco e Silvia Palacios. Endereço: Rua México, 31 &#8211; sala 202 &#8211; Rio de Janeiro (RJ) &#8211; CEP 20031-144; Telefax: 0xx 21-2532-4086.</p>
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		<title>Arábia Saudita nuclear, o Retorno</title>
		<link>http://blogdoambientalismo.com/arabia-saudita-nuclear-o-retorno/</link>
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		<pubDate>Tue, 13 Dec 2011 12:16:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
				<category><![CDATA[Governo mundial]]></category>
		<category><![CDATA[Crise global]]></category>
		<category><![CDATA[Energia nuclear]]></category>
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		<category><![CDATA[Oriente Médio]]></category>
		<category><![CDATA[Política internacional]]></category>
		<category><![CDATA[Usina nuclear]]></category>

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		<description><![CDATA[Enquanto as atenções mundiais estão voltadas para o programa nuclear do Irã, submetido a uma intensa pressão política e a ações de guerra irregular não declarada, seu arquiinimigo saudita volta a proclamar aos quatro ventos a intenção de se "nuclearizar", tanto em usos civis como militares. Como já havia ocorrido em abril último, quando os sauditas manifestaram publicamente pela primeira vez uma possível opção nuclear, o porta-voz de Riad foi novamente o príncipe Turki al-Faisal, que, entre outros postos de alto nível, já foi chefe do serviço de inteligência e embaixador em Washington.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp"><img class="aligncenter size-full wp-image-10770" title="msiA iNFORMA" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp" alt="" width="240" height="50" /></a><strong>Enquanto as atenções mundiais estão voltadas para o programa nuclear do Irã, submetido a uma intensa pressão política e a ações de guerra irregular não declarada, seu arquiinimigo saudita volta a proclamar aos quatro ventos a intenção de se &#8220;nuclearizar&#8221;, tanto em usos civis como militares. Como já havia ocorrido em abril último, quando os sauditas manifestaram publicamente pela primeira vez uma possível opção nuclear, o porta-voz de Riad foi novamente o príncipe Turki al-Faisal, que, entre outros postos de alto nível, já foi chefe do serviço de inteligência e embaixador em Washington.</strong></p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/arabia-saudita-nuclear.jpg"><img class="aligncenter  wp-image-12172" title="arabia-saudita-nuclear" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/arabia-saudita-nuclear-300x215.jpg" alt="" width="337" height="241" /></a></p>
<h2>“Dever” saudita</h2>
<p>Falando em um seminário sobre segurança, em Riad, Sua Alteza deixou claro que seu governo não pretende deixar a primazia nuclear regional a Israel e ao Irã.</p>
<blockquote><p><em>«Os nossos esforços e os do mundo fracassaram em convencer Israel a abandonar as suas armas de destruição em massa, bem como o Irã&#8230; Portanto, é nosso dever para com a nossa nação e o nosso povo considerar todas as opções possíveis, incluindo a posse dessas armas» </em>— afirmou (<em>AFP</em>, 5/12/2011).</p></blockquote>
<p>Em junho último, o diretor da agência nuclear saudita, Abdul Ghani Malibari, anunciou que o país tem planos para construir 16 reatores nucleares nas próximas duas décadas, para a geração de eletricidade e a dessalinização da água do mar. O programa teria um valor estimado de 80 bilhões de dólares e será baseado na cooperação internacional.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Corrida nuclear</h2>
<p>Quanto à posse das armas nucleares, o veterano editor itinerante da <em>UPI</em>, Arnaud de Borchgrave, considera que não seria inconcebível que os sauditas possam obtê-las do Paquistão, como já foi levantado em uma visita do rei Abdala àquele país, em 2006. Para ele, <em>«se a opção nuclear saudita se materializar, a Turquia não ficaria e não poderia se manter com um status não-nuclear»</em> (<em>UPI</em>, 7/12/2011).</p>
<p>Embora alguns analistas considerem que a &#8220;opção nuclear&#8221; saudita representaria mais uma forma de pressionar os EUA para investir contra o programa nuclear do Irã do que uma intenção real, ela não pode ser desconsiderada. Se ela prosperar, ou parecer prosperar, poderá desmantelar definitivamente o arcabouço vigente da não-proliferação nuclear, pois será quase impossível impedir que outros países que já detêm tecnologia nuclear abandonem o caduco Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares (TNP) e se lancem à produção dos seus próprios artefatos nucleares. As consequências, no contexto da já suficientemente conflituosa transformação da ordem de poder mundial em curso, poderão ser simplesmente catastróficas.</p>
<p style="text-align: right;" align="right"><span style="color: #ff6600;"><strong><em>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</em></strong></span></p>
<p><strong> <a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2010/12/div4.gif"><img class="aligncenter size-full wp-image-5750" title="div4" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2010/12/div4.gif" alt="" width="149" height="21" /></a></strong></p>
<p><strong>Créditos </strong>➞<strong> </strong>este post é matéria apresentada no Boletim Eletrônico <strong><em>MSIa INFORMA</em></strong>, do <strong><em>MSIa –</em></strong><em> <strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em>, Vol. III, N<sup>o</sup> 30, de 08 de dezembro de 2011. Subtítulos meus.</p>
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		<title>&#8220;Projeto Democracia&#8221; em ação na Rússia</title>
		<link>http://blogdoambientalismo.com/projeto-democracia-em-acao-na-russia/</link>
		<comments>http://blogdoambientalismo.com/projeto-democracia-em-acao-na-russia/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 13 Dec 2011 12:09:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
				<category><![CDATA[Governo mundial]]></category>
		<category><![CDATA[Crise global]]></category>
		<category><![CDATA[Máfia Verde]]></category>
		<category><![CDATA[Nova ordem mundial]]></category>
		<category><![CDATA[Oligarquias internacionais]]></category>
		<category><![CDATA[ONGs]]></category>
		<category><![CDATA[Política internacional]]></category>

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		<description><![CDATA[As eleições parlamentares na Federação Russa proporcionaram, uma vez mais, uma demonstração às claras dos métodos de "guerra irregular" do Establishment oligárquico anglo-americano, para interferir em processos políticos em países-chave - no caso, com a utilização do seu aparato de organizações não-governamentais (ONGs) engajadas na promoção da "democracia".]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp"><img class="aligncenter size-full wp-image-10770" title="msiA iNFORMA" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp" alt="" width="235" height="49" /></a><strong>As eleições parlamentares na Federação Russa proporcionaram, uma vez mais, uma demonstração às claras dos métodos de &#8220;guerra irregular&#8221; do <em>establishment </em>oligárquico anglo-americano, para interferir em processos políticos em países-chave – no caso, com a utilização do seu aparato de organizações não-governamentais (ONGs) engajadas na promoção da &#8220;democracia&#8221;.</strong></p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/russia-protesto.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-12177" title="russia-protesto" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/russia-protesto-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<h2>Putin ainda firme</h2>
<p>Nas eleições, realizadas no domingo 4 de dezembro, estavam em disputa as 450 cadeiras da Duma, a Câmara Baixa do Parlamento, o partido Rússia Unida conquistou 238 cadeiras, com pouco menos de 50% dos votos. Apesar de ter perdido a maioria absoluta, o partido do presidente Dmitri Medvedev e do premier Vladimir Putin ainda manteve um firme domínio da casa, seguido de longe pelo Partido Comunista, com 19,15% dos votos, o Rússia Justa, com 13,16%, e o Partido Democrático Liberal, com 11,67%. O pró-liberal Yabloko, um favorito do <em>establishment</em> ocidental, conquistou apenas 3,21% dos votos e ficou fora da Duma, por não ter conseguido superar a barreira dos 7% da votação.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Eleições bem administradas?&#8230;</h2>
<p>As eleições contaram com a participação de pouco mais da metade (50,4%) dos 109 milhões de eleitores registrados, inclusive, 2 milhões de eleitores em 140 países estrangeiros. A Comissão Eleitoral Central (CEC) anulou 1% das urnas, por irregularidades diversas, tendo as eleições sido monitoradas por 500 mil observadores locais e 700 estrangeiros. Em nota oficial conjunta, o Conselho da Europa e a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) afirmaram que as eleições foram tecnicamente <strong><em>«bem administradas através de um vasto território»</em></strong>, mas marcadas por <em>«flagrantes violações de procedimento»</em>, além de uma <em>«convergência do Estado e do partido governante»</em> (sic), limitada competição política e uma falta de equilíbrio.</p>
<p>Foi o suficiente para que autoridades estadunidenses e britânicas disparassem uma barragem de críticas ao processo eleitoral russo, o que ocorreu em paralelo com protestos internos, envolvendo, de forma proeminente, organizações locais vinculadas ao aparato do &#8220;Projeto Democracia&#8221; estadunidense, que saíram às ruas de Moscou e São Petersburgo, pedindo a anulação das eleições.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Estados Unidos &amp; cia. se metendo</h2>
<p>A secretária de Estado Hillary Clinton pediu uma investigação dos resultados, afirmando que <em>«os eleitores russos merecem uma investigação plena de todos os relatos críveis de fraude eleitoral e manipulação e esperamos, em particular, que as autoridades russas a façam»</em> (<em>Daily Telegraph</em>, 5/12/2011)&#8221;.</p>
<p>O chanceler britânico William Hague afirmou que seu governo aceitava sem contestação o relatório da OSCE:</p>
<blockquote><p><em>«Ele dá margem a sérias preocupações e espero que isto seja levado em conta seriamente pelas autoridades russas. Vejamos como elas irão atuar.»</em></p></blockquote>
<p>Por sua vez, o senador John McCain explicitou o alvo central de semelhante empenho &#8220;democrático&#8221;, ao postar uma mensagem no Twitter:</p>
<blockquote><p><em>«Caro Vlad, a Primavera Árabe está chegando perto de você.»</em></p></blockquote>
<p>O destinatário óbvio é o premier Vladimir Putin, quase certo sucessor do presidente Medvedev nas eleições de março de 2012, e a menção à Primavera Árabe está longe de ser uma premonição, mas o conhecimento do <em>modus operandi</em> das redes do &#8220;Projeto Democracia&#8221;.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Gorbachov suspeito</h2>
<p>Evidentemente, o veterano Mikhail Gorbachov, um dos principais agentes de influência ocidental na Rússia, não poderia ficar de fora. Em entrevista à agência <em>Interfax</em> (7/12/2011), ele disparou:</p>
<blockquote><p><em>«Literalmente, a cada dia, mais e mais russos duvidam de que os resultados anunciados da eleição são honestos. A meu ver, ao ignorar a opinião pública, as autoridades estão se desacreditando e piorando a situação.»</em></p></blockquote>
<p>Por &#8220;opinião pública&#8221;, o ex-presidente da URSS se refere a alguns milhares de manifestantes, que, de forma significativa, não representavam quaisquer dos partidos representados na Duma. Entre eles, destacou-se o movimento Solidarnost (Solidariedade), fundado em 2008 por notórios ativistas anti-Putin, como o enxadrista Garry Kasparov e o ex-vice-premier Boris Nemtsov.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Blogueiro emergente e queridinho</h2>
<p>Outro participante dos protestos foi o conhecido advogado e blogueiro Alexei Navalny, que acabou detido pela polícia. Navalny é um &#8220;queridinho&#8221; dos círculos &#8220;pró-democracia&#8221; estadunidenses. Em 2010, fez um &#8220;estágio&#8221; no Yale World Fellows Program, projeto da Universidade Yale para criar uma <em>«rede global de líderes emergentes»</em>. Ao retornar ao país, o diário financeiro <em>Kommersant</em>, estreitamente vinculado aos interesses anglo-americanos, promoveu uma eleição simulada para prefeito de Moscou, &#8220;vencida&#8221; por Navalny com 45%. Outro diário, o <em>Vedomosti</em>, que tem entre seus proprietários o <em>Financial Times</em> londrino, já o havia eleito &#8220;Personalidade do Ano&#8221; em 2009.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Demagogis russa</h2>
<p>O mais curioso é que, com a exceção óbvia do Yabloko, nenhum dos demais partidos acompanhou os protestos. O presidente do Rússia Justa, Nikolay Levichev, disse à <em>Interfax</em> (7/12/2011) que considera «demagogia política barata» os pedidos de anulação das eleições.</p>
<p>O líder dos democratas liberais na Duma, Igor Lebedev, também não se mostrou entusiasmado, dizendo que <em>«esses são apelos de pessoas inadequadas»</em>. Para ele, a cidadania se manifestou e elegeu os seus representantes, que devem trabalhar nas condições existentes.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Advertência de Putin</h2>
<p>Em 26 de novembro último, falando no congresso do Rússia Unida que oficializou a sua candidatura presidencial, Putin já havia advertido em termos fortes os grupos de oposição ao Kremlin e seus financiadores externos:</p>
<blockquote><p>«<em>Judas não é o personagem da Bíblia mais popular na Rússia. Será dinheiro jogado fora. É melhor guardá-lo para pagar as suas dívidas&#8230; Essa gente já ocupou o poder em diferentes ocasiões. Alguns levaram o país ao colapso e outros o roubaram. Eles enterraram a faca no coração da guerra civil na Rússia e levaram ao banho de sangue no Norte do Cáucaso»</em> (<em>Interfax</em>, 26/11/2011).</p></blockquote>
<h2>Atuação de ONGs</h2>
<p>Entre os patrocinadores externos da oposição a Putin, destaca-se a indefectível Fundação Nacional para a Democracia (National Endowment for Democracy-NED), que, em 2010, proporcionou 2,8 milhões de dólares em ajuda financeira a uma constelação de 52 ONGs russas, entre as quais a Organização Cívica Regional em Defesa dos Direitos e Liberdades Democráticos (Golos), apontada em documentário exibido na televisão estatal, na sexta-feira 2 de dezembro, como instrumento de governos ocidentais para deflagrar manifestações populares inspiradas na Primavera Árabe, após as eleições (<em>The New York Times</em>, 2/12/2011).</p>
<p>Sintomaticamente, no dia seguinte, o Instituto Democrático Nacional (National Democratic Institute-NDI), um dos integrantes da NED, divulgou em seu sítio um protesto contra a &#8220;perseguição&#8221; das autoridades russas contra a Golos.</p>
<p>O NDI opera um escritório em Moscou desde a década de 1990, com o objetivo declarado:</p>
<blockquote><p><em>«O Instituto visa compartilhar a sua experiência internacionalmente reconhecida com grupos não-partidários de observação de eleições, promover um diálogo construtivo sobre assuntos de interesse mútuo para os russos e suas contrapartes internacionais, reforçar organizações cívicas e partidos políticos, por meio de programas internacionais de intercâmbio e apoio a iniciativas russas para o engajamento de cidadãos na política, ao nível regional.»</em></p></blockquote>
<h2>Conversa para boi dormir</h2>
<p>Ligado ao Partido Democrata, o NDI tem uma contraparte republicana, o Instituto Republicano Internacional (IRI), que, apesar de não tenha presença física na Rússia, tem programas orientados para o país, com o objetivo de <em>«apoiar líderes nos níveis local e regional, que possam lançar as bases para a próxima geração de lideranças democráticas na Rússia»</em>.</p>
<p>Felizmente para a cidadania russa, embora não se possa subestimar a capacidade desestabilizadora desse aparato, o seu sucesso no país tem sido limitado, em grande medida, pela vigilância permanente mantida pelas autoridades nacionais sobre as suas atividades. Exemplo que, a propósito, deveria ser seguido por outros países às voltas com intervenções do gênero.</p>
<p style="text-align: right;"><em><strong>Lorenzo Carrasco</strong></em> e <em><strong>Geraldo Luís Lino</strong></em></p>
<p style="text-align: right;" align="right"><span style="color: #ff6600;"><strong><em>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</em></strong></span></p>
<p><strong> <a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo.png"><img class="aligncenter size-medium wp-image-10922" title="div-novo" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo-300x13.png" alt="" width="300" height="13" /></a></strong></p>
<p><strong>Créditos </strong>➞<strong> </strong>este post é matéria apresentada no Boletim Eletrônico <strong><em>MSIa INFORMA</em></strong>, do <strong><em>MSIa –</em></strong><em> <strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em>, Vol. III, N<sup>o</sup> 30, de 08 de dezembro de 2011. Subtítulos meus.</p>
<p><strong><em>MSIa INFORMA</em></strong><strong> </strong>➞<strong> </strong>é uma publicação do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa). Conselho Editorial: Angel Palacios, Geraldo Luís Lino, Lorenzo Carrasco (Presidente), Marivilia Carrasco e Silvia Palacios. Endereço: Rua México, 31 &#8211; sala 202 &#8211; Rio de Janeiro (RJ) &#8211; CEP 20031-144; Telefax: 0xx 21-2532-4086.</p>
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		<title>Egípcios vão às urnas e derrotam desestabilização</title>
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		<pubDate>Tue, 06 Dec 2011 15:52:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Na primeira rodada das eleições para a Câmara Baixa do Parlamento, que só terminarão em janeiro, os egípcios compareceram às urnas em números recordes e sem a violência que assustou o país e o mundo nas duas semanas anteriores ao pleito. Mesmo enfrentando várias dificuldades, como cédulas eleitorais de difícil entendimento e deficiências logísticas e operacionais, que resultaram em longas filas e esperas de horas nos postos eleitorais, mais da metade dos eleitores registrados se apresentou para manifestar a sua confiança majoritária na possibilidade de um novo futuro para o país. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp"><img class="aligncenter size-full wp-image-10770" title="msiA iNFORMA" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp" alt="" width="240" height="50" /></a>Na primeira rodada das eleições para a Câmara Baixa do Parlamento, que só terminarão em janeiro, os egípcios compareceram às urnas em números recordes e sem a violência que assustou o país e o mundo nas duas semanas anteriores ao pleito. Mesmo enfrentando várias dificuldades, como cédulas eleitorais de difícil entendimento e deficiências logísticas e operacionais, que resultaram em longas filas e esperas de horas nos postos eleitorais, mais da metade dos eleitores registrados se apresentou para manifestar a sua confiança majoritária na possibilidade de um novo futuro para o país.</strong></p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/eleicoes-egito.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-12068" title="eleicoes-egito" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/eleicoes-egito-300x169.jpg" alt="" width="401" height="226" /></a></p>
<h2>Reação contra a junta militar</h2>
<p>Uma clara vitória para os manifestantes que saíram as ruas para desafiar e derrubar o aparentemente vitalício regime de Hosni Mubarak e, ao mesmo tempo, uma rejeição das tentativas de desestabilização do processo eleitoral encabeçado pelo Conselho Supremo das Forças Armadas (CSFA), que governa interinamente o país – as quais vêm sendo, em boa medida, insufladas por forças estrangeiras, em especial, o aparato intervencionista do Departamento de Estado dos EUA, o chamado &#8220;Projeto Democracia&#8221;.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Luta pela democracia</h2>
<p>Sugestivamente, a secretária de Estado Hillary Clinton se lançou contra o CSFA, ao mesmo tempo em que eclodiam os novos confrontos. E, por outro lado, o Instituto Democrático Nacional (NDI, em inglês), um dos braços do &#8220;Projeto Democracia&#8221;, opera três escritórios no Egito, no Cairo, Alexandria e Assiut. Em seu sítio, a organização afirma que:</p>
<blockquote><p><em>«O Instituto tem trabalhado com dúzias de partidos políticos, grupos cívicos e organizações de mulheres e de jovens egípcios, na medida em que trabalham para organizar e participar no processo político em evolução no país. O NDI está apoiando uma coalizão de organizações de monitoramento das eleições domésticas, em sua preparação para as eleições parlamentares.»</em></p></blockquote>
<p>Conhecendo-se o histórico das participações fundamentais do NDI e outras entidades do &#8220;Projeto Democracia&#8221; na organização e fomento das chamadas &#8220;revoluções coloridas&#8221;, em países da antiga URSS – &#8220;rosa&#8221; na Geórgia, em 2003; &#8220;laranja&#8221; na Ucrânia, em 2005; e &#8220;tulipa&#8221;, no Quirguistão, no mesmo ano – não devemos surpreender-nos com a semelhança com os métodos de mobilização de &#8220;turbas insatisfeitas&#8221;, atualmente, bastante facilitada pela disponibilidade de recursos de comunicação eletrônica sofisticados, como a Internet, o Twitter e o Facebook.</p>
<p>De fato, em uma entrevista publicada em 1991 no Washington Post, Allen Weinstein, primeiro presidente da Fundação Nacional para a Democracia (NED, em inglês), a organização-mãe do &#8220;Projeto Democracia&#8221;, admitia abertamente que <em>«muito do que fazemos hoje, há 25 anos, era feita de forma clandestina pela CIA»</em>.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Eleições ao invés de protestos</h2>
<p>Curiosamente, enquanto a esmagadora maioria dos seus compatriotas se regozijava pela oportunidade de participação ativa na determinação dos destinos do país, alguns dos participantes dos protestos das semanas anteriores, que deixaram um saldo de 42 mortos e centenas de feridos, não ocultavam o seu desagrado com o desfecho do processo eleitoral. O contraste foi oportunamente observado pelo correspondente da rede estadunidense <em>McClatchy Newspapers</em>, Mohannad Sabry, escrevendo em 29 de novembro:</p>
<blockquote><p><em>«A ironia da bem-sucedida votação parlamentar do Egito é esta: com cada voto lançado nas urnas, se ofuscam as chances para os manifestantes da Praça Tahrir exigirem um governo civil imediato. O comparecimento inesperadamente alto e a votação relativamente suave que caracterizou os dois dias de votação&#8230; ilustraram o que as pesquisas mostravam durante meses: a maioria dos egípcios preferem eleições rápidas a protestos desestabilizadores no período de transição conduzido pelos militares.»</em></p>
<p><em>«Os vencedores da primeira rodada das eleições não serão conhecidos pelo menos até a quarta-feira </em>[30 de novembro]<em>. Mas os perdedores foram óbvios: os cabeça-duras de Tahrir, que se agitavam sob suas finas tendas e sacos de dormir plásticos. Os seus minguaram, com ativistas renitentes sendo substituídos por vendedores de rua e jovens valentões enfastiados. Mulheres revolucionárias reclamaram que não se sentiam mais seguras no local.»</em></p></blockquote>
<h2>Perigo radical</h2>
<p>Um dos &#8220;cabeça-duras&#8221;, Shimaa Salah, membro da Coalizão Jovem Socialista, reclamou:</p>
<blockquote><p>«<em>É verdade que as pessoas estão de saco cheio com a continuação da greve na Praça Tahrir, e isto é o que a mídia estatal conseguiu, espalhando rumores de que nós somos pagos e a serviço de mãos estrangeiras.»</em></p></blockquote>
<p>Na mesma linha, o general Ismail Atman, integrante da CSFA, afirmou que o grande comparecimento às urnas, por ele estimada em mais de 70%, demonstrou a irrelevância dos protestos dos dias anteriores (<em>Reuters</em>, 29/11/2011).</p>
<p>Em especial, embora a Irmandade Muçulmana deva sair como a principal depositária dos votos, um aspecto relevante da eleição foi o comparecimento maciço da comunidade cristã copta, que vem sendo alvo de insidiosas operações provocativas, que, em outubro último, resultaram em choques que provocaram a morte de 24 pessoas e ferimentos em mais de 300. A despeito dos temores com a ascensão dos islamistas radicais, particularmente os fanáticos salafistas, o diretor da Liga da Cidadania da Igreja de Todos os Santos de Alexandria, Hani Mikhail, sintetizou à <em>Associated Press</em> (29/11/2011) o otimismo geral dos seus irmãos de fé:</p>
<blockquote><p><em>«Nosso país nos foi roubado por 30 anos e não sentíamos que vivíamos no nosso próprio país. Depois da revolução, este estranho sentimento se apossou de nós – começamos a sentir novamente o país como sendo nosso e que queremos fazer alguma coisa pelo Egito.»</em></p></blockquote>
<p style="text-align: right;" align="right"><span style="color: #ff6600;"><strong><em>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</em></strong></span></p>
<p><strong> <a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo.png"><img class="aligncenter size-medium wp-image-10922" title="div-novo" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo-300x13.png" alt="" width="300" height="13" /></a><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/01/divisor3.gif"><br />
</a></strong></p>
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		<title>As advertências de Medvedev e o que está em jogo para a segurança europeia</title>
		<link>http://blogdoambientalismo.com/as-advertencias-de-medvedev-e-o-que-esta-em-jogo-para-a-seguranca-europeia/</link>
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		<pubDate>Tue, 06 Dec 2011 15:50:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
				<category><![CDATA[Governo mundial]]></category>
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		<category><![CDATA[Globalização]]></category>
		<category><![CDATA[Mudanças de paradigmas]]></category>
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		<category><![CDATA[Política internacional]]></category>

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		<description><![CDATA[Não poucos se surpreenderam com o inesperado pronunciamento televisivo de Dmitri Medvedev, em 23 de novembro, quando o presidente russo fez uma dura advertência aos EUA e seus aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). O recado foi direto: se as preocupações de segurança da Federação Russa continuarem a ser ignoradas, com a implementação do sistema de defesa antimísseis na Europa (envolvendo a Polônia, Turquia, Romênia e Espanha), Moscou estará preparada para responder com medidas defensivas adequadas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp"><img class="aligncenter size-full wp-image-10770" title="msiA iNFORMA" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp" alt="" width="235" height="49" /></a></p>
<p><strong>Não poucos se surpreenderam com o inesperado pronunciamento televisivo de Dmitri Medvedev, em 23 de novembro, quando o presidente russo fez uma dura advertência aos EUA e seus aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). </strong></p>
<p><strong>O recado foi direto: se as preocupações de segurança da Federação Russa continuarem a ser ignoradas, com a implementação do sistema de defesa antimísseis na Europa (envolvendo a Polônia, Turquia, Romênia e Espanha), Moscou estará preparada para responder com medidas defensivas adequadas.</strong></p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/Medvedev.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-12070" title="Medvedev" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/Medvedev-300x199.jpg" alt="" width="300" height="199" /></a></p>
<h2>Nova corrida armamentista?</h2>
<p>Tais medidas incluem: a colocação da estação de alerta antecipado de Kalinigrado em alerta de combate permanente; o reforço prioritário da proteção das armas nucleares estratégicas, dentro do programa de desenvolvimento das defesas aéreas e espaciais russas; e a dotação dos mísseis balísticos russos com ogivas mais eficientes e recursos para desorientar os sistemas de defesa. Além disto, modernos sistemas ofensivos seriam estacionados no Oeste e no Sul do país, para assegurar a capacidade de <em>«eliminar qualquer parte do sistema de defesa antimísseis dos EUA na Europa»</em>.</p>
<p>Para Medvedev, as recentes iniciativas referentes à instalação do sistema antimísseis na Europa representam um <em>«fato consumado»</em>.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Desacordo e reação russa</h2>
<p>Uma semana antes do pronunciamento – que, a propósito, teve escassa repercussão fora do país – Medvedev havia se reunido com seu colega Barack Obama, em Honolulu, durante a cúpula da Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico (APEC, em inglês), quando Obama explicitou a nova orientação política dos EUA para o Pacífico. Como ressaltou o próprio Medvedev, na ocasião, os dois não chegaram a um acordo sobre a questão da defesa antimísseis.</p>
<p>O pronunciamento de Medvedev deve ser cuidadosamente revisto e entendido pelos chefes de Estado europeus, em particular, pelo governo e as elites políticas alemães, tradicionalmente interessados em boas relações com a Rússia. A dureza incomum das declarações do presidente russo somente podem ser explicadas no contexto de uma série de eventos ocorridos nos últimos meses.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Falta de garantias</h2>
<p>A Rússia está reagindo às quebras de compromisso por Obama, que, em setembro de 2009, revogou os planos de seu antecessor George W. Bush para a instalação de um sistema de defesa antimísseis na Europa e, posteriormente, assinou com Medvedev uma nova versão do Tratado de Redução de Armas Estratégicas (START, em inglês). Em novembro de 2010, na cúpula Rússia-OTAN, em Lisboa, Medvedev apresentou pessoalmente a proposta de estabelecimento de um sistema antimísseis europeu, com participações iguais de todos parceiros, a qual foi arrogantemente ignorada por Obama e sua entourage. Não obstante, foi estabelecido que a proposta seria examinada e a Rússia queria garantias de que o sistema não seria voltado contra ela, as quais não foram dadas até o momento.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Uma guerra velada à Europa</h2>
<p>Outro fator que pode explicar a reação russa foram os eventos na Líbia, onde a França e o Reino Unido encabeçaram uma intervenção militar que contrariou o mandato original do Conselho de Segurança das Nações Unidas, desfechando uma ofensiva que incluiu 27 mil missões aéreas, inclusive 6 mil ataques contra alvos militares e civis diversos, com o claro objetivo de promover uma mudança de regime. A isto se podem incluir os acontecimentos na Síria, onde o Kremlin traçou uma &#8220;linha vermelha&#8221;.</p>
<p>O pronunciamento de Medvedev é uma advertência e a pergunta que se deve fazer é: o que, realmente, está em risco em termos da futura segurança europeia?</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2 style="text-align: left;" align="center">O papel da Alemanha no mundo</h2>
<p>De uma perspectiva alemã, as políticas exterior e de segurança alemãs têm sido e serão sempre vinculadas a uma parceria funcional com a Rússia, ou, melhor dizendo, uma <em>«parceria de segurança russo-europeia»</em>. Esta autora teve a oportunidade de constatar esta visão, em um recente seminário sobre o tema &#8220;O Papel da Alemanha no Mundo&#8221;, promovido pela Academia Tutzing para Educação Política, em 11-13 de novembro.</p>
<p>No evento, o ex-diretor da Conferência de Segurança de Munique (ex-Wehrkunde), Horst Teltschik, que falou sobre a política de segurança alemã, enfatizou que tal parceria estratégica sempre foi e continuará sendo do maior interesse da Alemanha. Fazendo uma <em>tour d&#8217;horizon</em>, ele destacou que, desde o final da II Guerra Mundial, o país tem desfrutado de 66 anos de paz ininterrupta, <em>«uma incrível história de sucesso»</em>. Para ele, a chave deste sucesso foi a criação dos &#8220;Estados Unidos da Europa&#8221;, por iniciativa de estadistas como Jean Monnet, Robert Schumann, Konrad Adenauer, Charles de Gaulle e políticos que tinham uma clara visão estratégica. «Hoje, 27 estados e 500 milhões de pessoas integram a União Europeia, um dos maiores mercados do mundo» — afirmou.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Alemães desconfiados</h2>
<p>Teltschik contrastou essa realidade com outra realidade subjetiva, comentando que 85% do povo alemão pensam que as elites políticas estão fugindo de suas responsabilidades e, com frequência, não sabem do que estão falando; que os &#8220;interesses particulares&#8221; se colocam acima do &#8220;bem comum&#8221; e que os cidadãos têm muito pouca participação nos processos políticos decisórios.</p>
<p>Da mesma forma, apontou os atuais conflitos políticos potenciais que estão às portas da Europa, que incluem a Ucrânia, Bielo-Rússia e &#8220;conflitos congelados&#8221;, como Nagorno-Karabach e a Moldávia. E deu atenção particular ao &#8220;Grande Oriente Médio&#8221;, um caldeirão fervente para futuros conflitos, bem como à Ásia Central, que, devido à sua riqueza em recursos energéticos, se apresenta como uma área de interesses conflitantes, envolvendo a Rússia, China, UE, Índia e Turquia.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Parceria privilegiada</h2>
<p>Teltschik discorreu longamente sobre os interesses de segurança russos e alemães:</p>
<blockquote><p><em>«A meu ver, cada governo alemão deve ser um motor para o desenvolvimento de relações amistosas e uma estreita cooperação com a Rússia, tanto de forma bilateral como junto com a UE e a OTAN. Ou desenvolvemos relações estreitas com a Rússia, no arcabouço das instituições existentes, ou seguimos a proposta de Medvedev e criamos um novo arcabouço. A UE e a Rússia devem formar uma espécie de “parceria privilegiada”.»</em></p></blockquote>
<p>Sua sugestão é a de reviver a Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), que deveria ser desenvolvida com o fim de lançar as bases para uma <em>«ordem europeia de paz e segurança, de Vancouver a Vladivostok, na qual todos os membros desfrutem da mesma segurança»</em>.</p>
<p>Teltschik enfatizou com toda clareza que as <em>«necessidades de segurança da Rússia»</em> devem ser levadas a sério, em particular, no tocante à defesa antimísseis. Neste contexto, ele se referiu à proposta russa para um sistema conjunto, a qual, se concretizada, <em>«poderia abrir uma nova era para a Europa e, talvez, até mesmo, globalmente»</em>.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Alternativa chinesa</h2>
<p>Durante o debate, esta autora perguntou a Teltschik o que ele pensava sobre a tese do &#8220;kremlinologista&#8221; Alexander Rahr, de que a Rússia poderá reorientar a sua cooperação energética com a China, após a conclusão dos gasodutos Nord Stream e South Stream.</p>
<p>Teltschik, que conhece pessoalmente o premier Vladimir Putin e outros políticos russos, disse que a Rússia, claramente, não quer priorizar a China em suas relações, mas o fará se a Europa não lhe oferecer alternativas, como um tratado de parceria estratégica e cooperação energética ampla. Ele citou Putin, que já afirmou:</p>
<blockquote><p><em>«Nós não queremos isso, mas vocês europeus não nos dão oportunidade.»</em></p></blockquote>
<h2>A Rússia pertence à Europa&#8230;</h2>
<p>E se referiu ao discurso de Putin no Parlamento alemão, no qual disse que «a Rússia pertence à Europa». Teltschik afirmou, ainda, que há <em>«uma falta de grupos de trabalho funcionais entre a Rússia e a Europa, que possam criar uma nova parceria estratégica»</em>.</p>
<p>Tais discussões deixam claro que a perspectiva de superação das presentes tensões irá depender muito da iniciativa alemã, para abrir caminho a uma nova parceria estratégica entre a Rússia e a Europa.</p>
<p style="text-align: right;"><em><strong>Elisabeth Hellenbroich</strong></em><strong>, de Wiesbaden</strong></p>
<p style="text-align: right;" align="right"><span style="color: #ff6600;"><strong><em>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</em></strong></span></p>
<p><strong> <a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo.png"><img class="aligncenter size-medium wp-image-10922" title="div-novo" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo-300x13.png" alt="" width="300" height="13" /></a><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/01/divisor3.gif"><br />
</a></strong></p>
<p><strong>Créditos </strong>➞<strong> </strong>este post é matéria apresentada no Boletim Eletrônico <strong><em>MSIa INFORMA</em></strong>, do <strong><em>MSIa –</em></strong><em> <strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em>, Vol. III, N<sup>o</sup> 29, de 02 de dezembro de 2011. Introduzi subtítulos no texto para facilitar e incentivar a leitura.</p>
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		<title>E se o Irã cruzar a linha?</title>
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		<pubDate>Tue, 06 Dec 2011 15:49:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
				<category><![CDATA[Governo mundial]]></category>
		<category><![CDATA[Crise global]]></category>
		<category><![CDATA[Energia nuclear]]></category>
		<category><![CDATA[Mudanças de paradigmas]]></category>
		<category><![CDATA[Nova ordem mundial]]></category>
		<category><![CDATA[Oligarquias internacionais]]></category>
		<category><![CDATA[Política internacional]]></category>
		<category><![CDATA[Revolta no mundo árabe]]></category>
		<category><![CDATA[Terrorismo]]></category>

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		<description><![CDATA[O Irã já tem capacidade nuclear, mas a construção de armas nucleares não é uma consequência necessária dessa constatação. A Suécia, Alemanha e Japão também a têm e nunca a cruzaram, e não são suspeitos de terem a intenção de cruzar a linha entre "ter capacidade nuclear" e "ter armas nucleares". No Brasil, cruzar essa linha é proibido pela Constituição. Mas Israel, Índia, Paquistão e Coreia do Norte fizeram isso.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp"><img class="aligncenter size-full wp-image-10770" title="msiA iNFORMA" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp" alt="" width="240" height="50" /></a></p>
<p><strong>O Irã já tem capacidade nuclear, mas a construção de armas nucleares não é uma consequência necessária dessa constatação. A Suécia, Alemanha e Japão também a têm e nunca a cruzaram, e não são suspeitos de terem a intenção de cruzar a linha entre &#8220;ter capacidade nuclear&#8221; e &#8220;ter armas nucleares&#8221;. No Brasil, cruzar essa linha é proibido pela Constituição. Mas Israel, Índia, Paquistão e Coreia do Norte fizeram isso.</strong></p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/usina-nuclear.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-12072" title="usina-nuclear" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/usina-nuclear-300x265.jpg" alt="" width="415" height="366" /></a></p>
<h2>Posse nuclear não é argumento</h2>
<p>Se o Irã vier a cruzar a essa linha nos próximos anos, irá descobrir rapidamente aquilo que todos os líderes das potências que possuem armas nucleares já sabem, ou deveriam saber: as armas por si só têm pouca valia – os estados que as tem não podem usá-las para forçar os que não as tem a curvar-se às suas demandas. Se pudessem, os estados nucleares e não-nucleares nunca entrariam em conflito armado [convencional].</p>
<p>A posse de armas nucleares não foi suficiente para obrigar a rendição de Saddam Hussein nem em 1991, nem em 2003. Também não conseguiu forçar a Sérvia a abrir mão do Kosovo em 1999. Nem as armas nucleares americanas, em 1965, nem as chinesas em 1979, conseguiram intimidar os vietnamitas.</p>
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<h2>Ter ou não ter, não faz diferença</h2>
<p>Paradoxalmente, existem casos em que estados que não possuem armas nucleares terem se lançado em conflitos contra os que as tem. As armas nucleares israelenses não impediram os ataques sírios e egípcios em 1973, nem as armas nucleares russas intimidaram a Geórgia em 2008 nem aos chechenos até hoje.</p>
<p>Kim Jong-Il, da Coreia do Norte, tem armas nucleares há dois ou cinco anos, dependendo de considerar se o seu primeiro teste nuclear funcionou ou não, e ainda assim não só não conseguiu intimidar a Coréia do Sul, mas nem sequer forçou outros países a fornecer, por exemplo, alimentos suficientes para afastar a desnutrição endêmica que grassa em seu país.</p>
<p>A posse de armas nucleares não garante que os vizinhos de um país se curvem a seus interesses nem podem resolver litígios fronteiriços . As armas nucleares não podem impedir ataques terroristas nem podem derrubar governos estrangeiros. De fato, como o Paquistão aprendeu recentemente, armas nucleares nem mesmo garantem a própria integridade territorial, visto as ações do talibã afegão.</p>
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<h2>Quem tem não usa&#8230;</h2>
<p>Não é necessário ir muito longe para ver a influência limitada que as armas nucleares propiciam. Israel tem armas nucleares isso não lhe concedeu capacidade de dominar o Oriente Médio, e nem evitou a necessidade de buscar a supremacia em todo o espectro de armas convencionais. As armas nucleares dos EUA por si só não lhe concederam a capacidade de dominar o Oriente Médio e nem mesmo intimidar o Irã ou o Iraque. Da mesma forma, as eventuais armas nucleares iranianas não concederão à República Islâmica capacidade de dominar sua região.</p>
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<h2>Se o Irã usar, é suicídio</h2>
<p>Mas o seria Irã é diferente? Muitos argumentam que o Irã seja dirigido por um culto messiânico-apocalíptico que não pode ser contido nem dissuadido. Essas mesmas acusações já foram feitas, com melhores justificativas, ao Partido Comunista da China sob Mao Zedong.</p>
<p>Entretanto, embora o Irã, sem dúvida, exerça uma influência negativa na região, não se tem de forma alguma indícios que planeje realizar um suicídio nacional. Para intimidar seus vizinhos ou para abrigar o Hezbollah sob um guarda-chuva nuclear, o Irã precisaria de credibilidade da ameaça do uso de suas potenciais armas nucleares. Isso implicaria, dada a esmagadora superioridade nuclear israelense e americana, credibilidade na ameaça de cometer o suicídio nacional, o que seria auto-contraditório.</p>
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<h2>Papo furado</h2>
<p>De fato, existem muitos aspectos em que o Irã é diferente das outras potências nucleares, o mais notável deles é a fraqueza de suas forças armadas e vulnerabilidade de sua economia. Em todos os casos citados, as potências nucleares também possuíam esmagadora superioridade em armamento convencional. Dado que o Irã nem sequer tem superioridade convencional sobre seus potenciais inimigos no Oriente Médio e Ásia Central e do Sul, supor que ele poderia vir a intimidá-los com armas nucleares não parece razoável.</p>
<p>Mas como outros Estados poderiam reagir se Irã cruzasse a linha? Israel parece estar profundamente preocupado com o programa nuclear iraniano e indicou que vai atacar preventivamente para evitar que isso ocorra. Os Estados do Golfo também expressaram preocupações sobre o programa iraniano. Alguns argumentam que a Turquia e a Arábia Saudita poderiam iniciar seus próprios programas nucleares. Apesar da aparente falta de indícios, até agora, pode-se levantar sérias questões sobre essas possibilidades.</p>
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<h2>Alarmismo infundado</h2>
<p>Entretanto, o surgimento de um alarmismo internacional sobre o tema é um fato preocupante. Deve-se buscar separar o alarmismo dos reais efeitos de um Irã dotado de armas nucleares, observando que o primeiro tem pouco fundamento no segundo. As lideranças políticas fariam um trabalho mais construtivo explicando à sociedade os perigos reais de uma arma nuclear iraniana, do que alimentando o alarmismo.</p>
<p>Há ainda que se considerar o efeito de &#8220;bumerangue&#8221;. Teerã, sofrendo de violenta pressão e isolamento, pode pensar seriamente na criação de um contrapeso nuclear a fim de se pôr a salvo das ameaças por parte do Ocidente. Vai seguir o princípio: já que todos dizem que sou mau, serei mau mesmo, para que todos em redor me temam. As autoridades iranianas simplesmente não podem admitir que o seu país tenha o mesmo destino do que o Iraque e a Líbia.</p>
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<h2>Retaliação demolidora</h2>
<p>Em todo caso, as declarações de Teerã são perfeitamente claras: o Irã não planeja nenhuma agressão contra quem quer que seja, mas responderá com um golpe demolidor à agressão contra ele próprio. Ao mesmo tempo, os dirigentes da República Islâmica admitem o processo de conversações. Mas será que o ponto de não retorno, depois do qual as conversações com os seus representantes serão impossíveis será ultrapassado?</p>
<p>Há excelentes razões para preferir que o Irã nunca venha a cruzar a linha. O regime poderá sofrer um colapso em algum momento no futuro, deixando as armas para facções rivais num cenário de guerra civil. Novos estados nucleares correm um maior risco de acidentes.</p>
<p>Substanciais esforços de não-proliferação são uma resposta apropriada ao programa nuclear iraniano, em grande parte devido ao fato de que sanções e isolamento internacional ajudam a dissuadir outros candidatos à proliferação. Exagerar nas consequências do Irã vir a cruzar a linha no curto prazo, no entanto, não traz benefícios à solução do impasse.</p>
<p style="text-align: right;"><em><strong>Leonam dos Santos Guimarães</strong></em>*</p>
<blockquote><p>* Leonam dos Santos Guimarães é doutor em engenharia naval e nuclear, assessor da presidência da Eletronuclear e membro do Grupo Permanente de Assessoria em Energia Nuclear do Diretor Geral da Agência Internacional de Energia Atômica.</p></blockquote>
<p style="text-align: right;" align="right"><span style="color: #ff6600;"><strong><em>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</em></strong></span></p>
<p><strong> <a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo.png"><img class="aligncenter size-medium wp-image-10922" title="div-novo" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo-300x13.png" alt="" width="300" height="13" /></a><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/01/divisor3.gif"><br />
</a></strong></p>
<p><strong>Créditos </strong>➞<strong> </strong>este post é matéria apresentada no Boletim Eletrônico <strong><em>MSIa INFORMA</em></strong>, do <strong><em>MSIa –</em></strong><em> <strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em>, Vol. III, N<sup>o</sup> 29, de 02 de dezembro de 2011. Introduzi subtítulos no texto para facilitar e incentivar a leitura.</p>
<p><strong><em>MSIa INFORMA</em></strong><strong> </strong>➞<strong> </strong>é uma publicação do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa). Conselho Editorial: Angel Palacios, Geraldo Luís Lino, Lorenzo Carrasco (Presidente), Marivilia Carrasco e Silvia Palacios. Endereço: Rua México, 31 &#8211; sala 202 &#8211; Rio de Janeiro (RJ) &#8211; CEP 20031-144; Telefax: 0xx 21-2532-4086.</p>
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