O novo presidente da Rússia e o mundo em transformação

Vários eventos ocorridos em 2011 demonstraram, de forma explícita, que o mundo entrou em uma fase de profundas mudanças e transformações políticas, ideológicas, financeiras e econômicas. Na medida em que a situação econômica e os padrões sociais continuam a se deteriorar, nos EUA e na Europa, a Nova Ordem Mundial tem se mostrado cada vez mais espalhafatosa em promover um caos controlado. Isto ficou particularmente aparente desde o caso da Líbia, onde os aliados da OTAN [Organização do Tratado do Atlântico Norte] estabeleceram um precedente muito perigoso para intervir em nações soberanas e semear o caos. Hoje, estamos vendo o mesmo cenário se desenvolvendo na Síria. Onde deveríamos esperá-lo, em seguida – na China, Índia ou Rússia?

Putin e a “dimensão espiritual” da crise global

A vitória do premier Vladimir Putin nas eleições presidenciais russas oferece várias leituras que proporcionam um melhor entendimento da natureza e dimensão da crise sistêmica global e, principalmente, do papel que se espera da Federação Russa neste cenário, tanto os seus cidadãos como os estrangeiros, em especial, as lideranças ocidentais.

Dois príncipes na América do Sul

A presença simultânea de dois rebentos da família real britânica na América do Sul e, em especial, a festiva recepção conferida a um deles no Brasil, denotam o longo caminho que as lideranças brasileiras, diplomacia inclusive, têm a percorrer para inserir o País no posto de protagonista global ensejado pela sua crescente importância política e econômica.

“Banco dos BRICS” pode apontar caminho para recuperação mundial

A proposta do “Banco dos BRICS”, ou “Banco Sul-Sul”, à falta de nomes melhores, foi apresentada pela Índia, na reunião dos ministros da Fazenda do grupo, realizada à margem da reunião dos ministros do G-20, na Cidade do México, como já vem se tornando uma praxe em encontros do gênero. A entidade funcionaria como um banco multilateral de desenvolvimento, comandado apenas por economias emergentes. A sugestão já vinha sendo discutida desde o final de 2011, mas ganhou um reforço diante da intenção manifesta dos EUA de indicarem outro estadunidense para a sucessão de Robert Zoellick na presidência do Banco Mundial, em junho próximo, em uma indicação de que não estão dispostos a abrir mão do acordo informal que tem mantido o controle do banco nas mãos de Washington, enquanto o Fundo Monetário Internacional (FMI) é controlado pelos europeus.

Nova agenda estratégica, um ano após a “Primavera Árabe”: comentários sobre a Conferência de Segurança de Munique

O discurso do chanceler russo Sergei Lavrov, na 48a. edição da Conferência de Segurança de Munique, recebeu escassa atenção da mídia internacional. Na oportunidade, comentando os planos dos EUA para a instalação de um escudo antimísseis na Europa, Lavrov advertiu que tal política poderia colocar uma cunha entre “a Rússia e outras culturas europeias diferentes”, e que seu país não apoiaria um sistema “que conduz a uma confrontação com a China, nosso aliado estratégico”.

“Modelo Grécia” acorrenta país e o mundo

«Por muitos indicadores, a Grécia está retrocedendo em algo sem precedentes na moderna experiência ocidental. Um quarto de todas as empresas gregas fechou as portas desde 2009, e a metade de todas as pequenas empresas do país se diz incapaz de pagar as contas. A taxa de suicídios aumentou 40%, no primeiro semestre de 2011. Uma economia de escambo se estabeleceu, na medida em que as pessoas tentam contornar os efeitos de um sistema financeiro quebrado. Quase a metade da população abaixo de 25 anos está desempregada. Em setembro último, os organizadores de um seminário sobre emigração para a Austrália, patrocinado pelo governo, que havia atraído 42 pessoas no ano anterior, se viram sobrecarregados com 12 mil inscrições. Banqueiros gregos me disseram que as pessoas retiraram de suas contas um terço do seu dinheiro; ao que parece, muitas delas estavam guardando o que tinham de economias debaixo de suas camas ou enterradas nos quintais. Um banqueiro, que, atualmente, tem como parte do seu trabalho persuadir as pessoas a manter seu dinheiro no banco, me disse: “Quem confiaria num banco grego?”»

Brzezinski: não existe mais um hegemon

O mundo não tem mais espaço para um hegemon que exerça isoladamente o poder global, como ocorreu com os EUA após a Guerra Fria e, antes deles, o Reino Unido. A afirmativa vem de ninguém menos que do veterano Zbigniew Brzezinski, um dos mais influentes estrategistas estadunidenses da segunda metade do século XX, tendo sido conselheiro de Segurança Nacional do presidente Jimmy Carter e, atualmente, assessor informal do governo de Barack Obama (além de ser senior fellow do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, um dos principais think-tanks de Washington).

Robert Kagan e o fascismo imperial

«A ordem internacional não é uma evolução: é uma imposição. Ela durará apenas enquanto aqueles que a favorecem retiverem a vontade e a capacidade de defendê-la.» (Robert Kagan) Não é todo dia que um destacado prócer dos círculos hegemônicos globais expõe o pensamento desses grupos de forma explícita. Quando o fazem, geralmente, é um indício de que se encontram diante de situações limite, nas quais não importa muito manter o disfarce ideológico com o qual costumam encobrir a sua agenda supremacista.

O HSBC e a lavanderia de dinheiro “globalizada”

O fato de que o sistema bancário internacional se tornou “viciado” em operações de lavagem de dinheiro proveniente de atividades ilícitas não constitui nenhum segredo de Estado, tendo sido apontado por diversos órgãos internacionais. Em dezembro de 2009, o diretor-geral do Gabinete sobre Drogas e Crime das Nações Unidas (UNODC), Antonio Maria Costa, afirmou que o dinheiro do narcotráfico contribuiu consideravelmente para salvar os bancos da bancarrota, no auge da crise deflagrada pela quebra do Lehman Brothers, em setembro do ano anterior.

Síria: os limites da “guerra de recursos”

A despeito da histeria causada pelos vetos da Rússia e da China a uma nova resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre o conflito na Síria, eles deveriam ser esperados por qualquer observador minimamente atento do cenário global. De fato, a intervenção internacional na Líbia, encabeçada pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), que transformou a “zona de exclusão aérea” aprovada na Resolução 1973 do conselho em uma devastadora campanha de bombardeios aéreos, apenas os mais ingênuos – ou hipócritas – poderiam esperar atitudes diferentes das duas potências.

Cameron quer impor “solução Versalhes II”

O premier britânico David Cameron assumiu, definitivamente, o papel de campeão do sistema financeiro internacional em seu presente formato de um dipolo Wall Street-City de Londres. Para tanto, não tem demonstrado melindres em rechaçar agressivamente quaisquer sugestões de controle externo ou taxação para o sistema financeiro, além de propor como “solução” para a crise da dívida europeia um receituário com uma incômoda semelhança com certos aspectos do Tratado de Versalhes, sugerindo que a Alemanha se sacrifique para salvar o bloco europeu.

Europa perdida entre ortodoxia financeira e “neoatlanticismo”

Inobstante as diatribes do premier britânico David Cameron, em sua pretensão de ditar cátedra sobre a política econômico-financeira mais adequada para a Europa, o fato inescapável é que o Velho Continente se encontra desorientado quanto a uma resposta efetiva própria à crise global. Em termos econômicos, os europeus não conseguem enxergar além da aplicação de políticas ortodoxas de “austeridade”, que tendem a agravar ainda mais a situação produtiva e dos empregos, além de impor sérias restrições às soberanias nacionais, rejeitadas por parcelas crescentes das populações de diversos países. No campo estratégico, o bloco europeu mostra uma enorme impedância em se livrar do molde “atlanticista” herdado da Guerra Fria, atrelando-se sem questionamentos de monta aos desígnios hegemônicos do eixo Washington-Londres, como se viu na intervenção militar na Líbia e, agora, na campanha de pressões contra o Irã e a Síria.

Malvinas: cinismo colonial britânico

No ano em que a Guerra das Malvinas completa o seu trigésimo aniversário, o tema da posse das ilhas do Atlântico Sul volta às manchetes midiáticas, com uma escalada de ações diplomáticas e retórica inflamada, envolvendo o Reino Unido, a Argentina e o Mercosul. Na semana passada, em resposta a novas iniciativas do governo argentino em sua campanha permanente de pressões diplomáticas contra Londres em torno da soberania sobre o arquipélago, o premier britânico David Cameron reagiu intempestivamente no Parlamento, acusando Buenos Aires de atuar com uma atitude “colonialista”. Segundo ele, os habitantes das ilhas querem continuar sendo britânicos, e a Argentina pretende o contrário (BBC Brasil, 20/01/2012)”.

Davos e Porto Alegre: duas colunas de uma Babel globalizada

Esta semana, se realizam os dois foros internacionais que são, geralmente, apontados como representantes de duas visões opostas sobre os assuntos globais, o Fórum Econômico Mundial (FEM), mais conhecido como Fórum de Davos, e o Fórum Social Mundial (FSM), vulgo Fórum de Porto Alegre. Este ano, ambos têm a crise global como tema central: no resort suíço, “A grande transformação: criando novos modelos”; na capital gaúcha, “Crise capitalista, justiça social e ambiental”.

Rússia se afasta do Ocidente

A cada dia, a Federação Russa dá novas mostras de uma disposição para reorientar a sua agenda estratégica, deixando de priorizar o Ocidente. Uma demonstração disto foi o artigo publicado no sítio Russia Today, no final de 2011, pelo presidente do Presidium do Conselho de Política Externa e de Defesa, Sergei Karaganov, um dos principais estrategistas do país, no qual analisou a situação das relações da Rússia com os EUA e a União Europeia (UE). O texto é uma rude “chamada de atenção” para o Ocidente e, em função das eleições presidenciais russas de março próximo, contém, igualmente, certos elementos de um “pôquer estratégico”.

Guerra econômica e “terrorismo financeiro”

O rebaixamento da classificação dos títulos públicos da França, seguido de outros oito países europeus e do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF), pela agência Standard & Poor’s, não se baseou em qualquer fundamento econômico ou financeiro racional. Ao contrário, foi mais um episódio da feroz guerra intestina que se trava no contexto da crise sistêmica global, entre o eixo Wall Street-City de Londres e o bloco europeu, em torno de uma agenda mínima de re-regulamentação do sistema financeiro internacional.

Irã provoca luta faccional em Washington

O mundo continua refém de um cenário potencial de conflito de grandes proporções, na região do Oriente Médio e seu entorno. Entretanto, a temperatura e a concentração de vapores explosivos na atmosfera diminuíram um pouco, tanto por conta de iniciativas da cúpula político-estratégica dos EUA, como de certos posicionamentos de protagonistas como a Rússia e a União Europeia (UE).

“Modernização autoritária”: uma avaliação sobre o futuro da Rússia

No final de 2012, enquanto a mídia ocidental concentrava as atenções nas manifestações organizadas pela chamada oposição russa, o ex-premier eslovaco Ján Carnogurský proporcionou uma sóbria avaliação sobre a orientação estratégica da Federação Russa, um dos elementos que terá importância crucial para os desdobramentos da crise global. Em vista da piora das relações entre a Rússia e a União Europeia (UE), Carnogurský antevê uma guinada russa, afastando-se da UE e privilegiando a configuração de uma União Eurasiática, englobando as nações que formavam a extinta URSS.

Primakov: “Rússia pagou mais pelo fim da URSS que pela II Guerra Mundial”

Os desdobramentos do desmantelamento da União Soviética cobraram à Federação Russa um preço mais alto do que a II Guerra Mundial. A afirmativa não veio de um pesquisador afastado dos acontecimentos, mas de um altíssimo insider da estrutura política do país, o ex-premier Evgeny Primakov, em entrevista divulgada pela rede de televisão Russia Today, em 26 de dezembro último.

O declínio da geopolítica anglo-americana

Reza um ditado que não se ensinam truques novos a cachorros velhos. E isto parece ser ainda mais verdadeiro quando se trata do “top dog”, principalmente, quando este se vê confrontado com a incômoda realidade de que as mudanças globais o estão privando da condição de mandachuva incontestável do pedaço. Evidentemente, estamos falando dos EUA de Barack Obama, que fez uma inusitada visita ao Pentágono, em 5 de janeiro, para anunciar ao mundo as novas diretrizes estratégicas de defesa do país, agrupadas sob o autoexplicativo rótulo: «Sustentando a Liderança Global dos EUA».

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