Uma radiografia do “Sistema da Dívida”
Em uma entrevista publicada na edição de março do Jornal dos Economistas, do Conselho Regional de Economia (Corecon-RJ), que deveria ser lida por todos os brasileiros interessados no futuro do País, a auditora fiscal da Receita Federal, Maria Lucia Fattorelli, proporciona uma esclarecedora “aula” sobre o funcionamento das finanças públicas no Brasil e, mais especificamente, o controle do processo exercido pelos grupos dominantes. Para ela, este “Sistema da Dívida”, como o denomina, está no cerne da tendência à concentração de riqueza e renda prevalecente e não porporciona quaisquer vantagens ao País como um todo.
Bola da vez: Reino Unido mergulha na recessão
O Reino Unido se encontra oficialmente em recessão, a primeira desde 1975, com o anúncio de que a economia se contraiu 0,2%, no primeiro trimestre do ano, em seguida a uma contração de 0,3%, no último trimestre de 2011. A constatação representa um choque para o governo de coalizão do premier David Cameron, que, como seus colegas europeus, aposta em um plano de austeridade financeira para promover uma recuperação da combalida economia britânica.
Argentina se posiciona frente à “guerra por recursos”
Independentemente das motivações políticas imediatas da presidente Cristina Kirchner, a decisão de renacionalizar o controle da empresa petrolífera YPF, até então controlada pela espanhola Repsol, se insere em um contexto global bem mais amplo e tem uma relevância bem maior do que querem fazer supor as reações estridentes e simplistas de autoridades, especialistas dos mercados e comentaristas midiáticos, que ainda não se deram conta ou preferem ignorar a profundidade e os desdobramentos potenciais da crise sistêmica mundial.
São Paulo projeta hidroanel
Um estudo recém-divulgado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP) propõe a construção de um hidroanel de 117 km de extensão, para desafogar o trânsito na cidade de São Paulo (SP). A proposta alia o transporte hidroviário a obras para tratamento de lixo, combate a enchentes, despoluição dos rios Tietê e Pinheiros, criação de parques e ampliação da capacidade de fornecimento de energia e água na Grande São Paulo (Valor Econômico, 1/04/2012).
Brasil: harmonia de interesses em defesa da indústria
Em um futuro próximo, é possível que os historiadores venham a apontar a organização conjunta do “Grito de Alerta em Favor da Produção e do Emprego”, por entidades representativas do setor industrial e do movimento sindical, como um marco do amadurecimento da sociedade brasileira, no rumo da compreensão dos fatores relevantes para a evolução e consolidação de uma comunidade nacional baseada na harmonia de interesses, em lugar dos desacreditados conceitos da luta de classes e do individualismo exacerbado. De fato, não é todo dia que se veem caravanas de empresários e trabalhadores convergindo para uma manifestação com um objetivo comum: alertar para o processo de desindustrialização em curso no País, que não poderá ser revertido com medidas paliativas, como as do novo pacote de incentivos anunciado pelo Governo Federal.
China: crise do “comunismo de livre comércio”
Líder inconteste da expansão da economia mundial registrada nas últimas duas décadas, a China continua sendo a principal depositária das expectativas de crescimento global, no futuro próximo, principalmente, para países que, como o Brasil, veem o seu vasto mercado como indutor de um processo de expansão de exportações de matérias-primas e commodities. Entretanto, é de bom alvitre que os estrategistas econômicos e políticos que depositam grande parte ou a maioria de suas fichas no Império do Centro prestem a devida atenção a certos acontecimentos e tendências internos no país.
A ilusão da “inflação controlada”
Aparentemente, o governo do premier italiano Mario Monti tem contemplado a ideia da chamada “inflação controlada”, a sugestão de que se poderia obter um “abatimento” da dívida nacional por meio de uma taxa de inflação habilmente controlada. Trata-se da conhecida teoria dos economistas estadunidenses Kenneth Rogoff, ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), e Carmen Reinhart, segundo a qual, para se encurtar o período de “desalavancagem dolorosa” (redução da dívida) e de crescimento lento da economia, se poderia conviver com uma inflação moderada e controlada de 4-6% anuais, por vários anos.
Brasil: movimento contra desindustrialização
“De um lado teremos o setor produtivo; do outro estarão os especuladores. Para que lado o governo irá?” A pergunta, feita pelo presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Wagner Gomes, sintetiza a questão crucial para a reversão do perigoso fenômeno da desindustrialização, que ameaça o País. Gomes se referia à crescente articulada mobilização das centrais sindicais e entidades empresariais, para um enfrentamento coordenado do desafio de sensibilizar a opinião pública e, principalmente, o Governo Federal, para a gravidade e urgência do problema (Abimaq – Clipping e Tendências, 28/02/2012).
Vladimir Yakunin e o desenvolvimento eurasiático
A crise econômica mundial pode ser vista como uma autêntic crise civilizatória dos modelos globais de inspiração ocidental, “o mundialismo, o consenso euroatlântico e a globalização”. Esta é a avaliação do engenheiro Vladimir Yakunin, que desde 2005 preside a megaestatal Ferrovias Russas, que controla toda a malha ferroviária nacional e é a maior empregadora individual do país. Yakunin a tem discutido em várias oportunidades, entre elas, na IX Sessão Anual do Fórum Público Mundial para o Diálogo de Civilizações, em Rodes, Grécia, entre 6-10 de outubro de 2011, à qual compareci como convidado.
Putin e seu projeto para uma nova economia russa
Principal candidato à sucessão do presidente Dmitri Medvedev, sendo considerado como praticamente eleito pela maioria dos observadores, o premier Vladimir Putin tem grandes ambições para modernizar a economia e qualificá-la para funcionar como um fator central para a inserção da Federação Russa no novo cenário global que se configura. Em um longo artigo publicado na edição de 30 de janeiro do jornal Vedomosti, Putin delineou a sua visão de um autêntico projeto nacional de desenvolvimento, capaz de integrar a ação governamental com a iniciativa privada, promovendo uma sinergia de esforços que assegure um salto qualitativo e quantitativo de produtividade ao conjunto da economia.
Rio+20 precisa enfocar desenvolvimento real
Independentemente do rótulo que se queira utilizar, as discussões sobre o desenvolvimento socioeconômico e seus impactos no meio ambiente precisam ser reorientadas para enfocar os requisitos de um processo de desenvolvimento efetivo, que coloque na pauta a perspectiva de estender a todas as nações do planeta os benefícios do conjunto de conhecimentos e possibilidades atingidos pela Humanidade no século XXI.
FAO quer evitar “enclaves agrícolas”
A Agência das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) está promovendo negociações entre os 192 países membros da ONU, para limitar a compra de terras por estrangeiros em todo o mundo. A intenção é estabelecer um código de conduta capaz de regular tais investimentos, cuja redação se encontra em uma fase avançada de negociações, visando impedir a prática da aquisição em massa de terras estrangeiras por empresas de certos países, em detrimento da segurança alimentar destes últimos.
Brasil: proteção e projeto nacional
A palavra “protecionismo” e suas variantes ganharam uma conotação anacrônica, como se quem a proferisse estivesse fora de sintonia com os ventos modernizantes da “globalização”. No Brasil, é comum verem-se editoriais e comentários midiáticos empregando-as de forma quase pejorativa, sugerindo que o seu uso já seria suficiente para se rotular alguém como um retrógrado ou saudosista de tempos idos. Não obstante, países com governos mais assertivos têm tomado medidas ostensivamente protetoras de seus setores produtivos, ou pelo menos parte deles, demonstrando que colocam seus interesses acima da retórica.
Rússia busca parcerias para desenvolver Extremo Oriente
Enquanto os EUA e seus aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) se empenham em prolongar o ambiente da Guerra Fria, estabelecendo um cerco estratégico à Federação Russa, Moscou busca parceiros interessados em ajudá-la em promover o desenvolvimento socioeconômico dos vastos e ermos territórios do Extremo Oriente Russo. Para tanto, diante da atitude geral pouco cooperativa e até mesmo hostil do Ocidente, o Kremlin se volta para o Oriente.
Haiti: real emergência global
A visita da presidente Dilma Rousseff ao Haiti tem o potencial de indicar uma reorientação da agenda brasileira para o país caribenho, deixando para trás o assistencialismo que caracteriza a agenda da “governança global”, para privilegiar o desenvolvimento soberano do país e enquadrando-o na categoria de real emergência global (ao contrário da agenda catastrofista que os ambientalistas pretendem defender na conferência Rio+20).
“Era da comida barata acabou”
A ultrajante frase acima foi proferida pelo presidente da multinacional Unilever, Paul Polman, durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. O executivo sustentou tal afirmativa com base no aquecimento global e no “esgotamento dos recursos naturais” que, segundo ele, seriam os principais fatores causadores do progressivo encarecimento dos alimentos nos últimos tempos (CarbonoBrasil, 26/01/2012).
Brasil: infraestrutura “na gambiarra”
Já se tornou lugar comum afirmar que as deficiências do sistema de transportes e logística constitui um enorme gargalo para o desenvolvimento brasileiro. A falta de investimentos públicos e privados, de segurança jurídica e clareza nas regras do setor, sem falar de uma visão estratégica e integrada sobre a infraestrutura, têm representado pesados óbices para a rentabilidade dos setores produtivos. Deficiente e cara, a infraestrutura de transportes nacional opera no “limite da gambiarra”, como a qualificou o diretor da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Bernardo Figueiredo.
Haiti: Brasil paga preço da falta de visão
Os problemas causados pela onda de refugiados haitianos no Brasil constituem consequências inesperadas da visão estratégica e política distorcida que orientou a decisão de liderar a missão das Nações Unidas que interveio no país caribenho, em 2004, após a deposição do presidente Jean-Bertrand Aristide por um golpe de Estado apoiado pelos EUA e a França. De fato, a evasão em massa de haitianos, e não apenas para o Brasil, denota que as condições de vida no país não melhoraram muito com a intervenção internacional, tendo se agravado ainda mais com o terremoto de janeiro de 2010, o que coloca em questão não apenas a validade de uma intervenção restrita a finalidades políticas, como também a própria continuidade da presença brasileira na ilha Hispaniola – que se encaminha para o seu oitavo ano e necessita tanto de uma estratégia como de uma data de saída.
Brasil: desindustrialização “é ato de vandalismo”
Nos últimos anos, numerosas vozes têm se levantado para advertir sobre o perigoso processo de retração do setor industrial brasileiro, cuja participação no PIB vem caindo rapidamente, já se situando nos níveis da década de 1940, antes mesmo do início da industrialização do País.
Brasil: crescimento socioeconômico? Onde, cara-pálida?
Tem sido extremamente alardeado pela midia que o Brasil – agora pertencente a um privilegiado grupo de países, os BRICs (Brasil, Russia, Índia e China) que, teoricamente, estariam saindo da suas fases terceiro-mundistas – está se desenvolvendo social e economicamente, e que, por isso, alguns milhões de pessoas teriam saído da qualidade de miseráveis, de pobres, para a classe média. As perguntas são: Quem são essas pessoas? Alguém conhece alguém que tenha deixado de ser pobre e tenha passado à classe média? O Brasil melhorou em quê?