FIESP propõe “resgate de utopias”
Durante uma boa parte das últimas duas décadas e meia, no período de glória da “globalização” financeira, expressões como “planejamento estratégico”, “projeto nacional” e outras, que tivessem o significado de uma pauta de metas compartilhadas entre os diversos setores da sociedade, passaram a ser desqualificadas, como se fossem obsoletas e superadas, diante da alegada auto-suficiência dos mercados na função de motores dos processos econômicos. O Brasil não escapou à tendência – ao contrário, aqui, tais expressões passaram a ser quase objetos de escárnio, entre os setores acadêmicos e midiáticos alinhados com a “globalização”.
Relembrando Chernobyl
O acidente no reator nuclear de Chernobyl, ocorrido em 26 de abril 1986, foi o mais severo da indústria de geração elétrica nuclear. O reator foi destruído no acidente e uma quantidade considerável de material radioativo foi liberada para o meio ambiente. O acidente causou a morte, dentro de algumas semanas, de 30 trabalhadores e ferimentos de radiação a mais de uma centena de outros.
Alerta: descaso com infraestrutura chegou ao limite
Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo de 15 de abril, o economista Marcos Lisboa observou que as deficiências da infraestrutura física do Brasil se encontram em um limite de tolerância. «Talvez tenha chegado num nível tal que não dá mais, como a violência nos anos 90» — disse o especialista do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper).
Brasil: concessão (ou rendição) ao rentismo?
Era quase inevitável. Incapaz de resistir às pressões avassaladoras do lobby do sistema financeiro, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) interrompeu um ciclo de quase dois anos de reduções e elevou a taxa básica de juros (Selic) em 0,25%, passando-a para 7,5%. Com a medida, o governo da presidente Dilma Rousseff, que vinha atuando em estreita sintonia com o BC para reduzir os juros, sinalizou uma perigosa concessão ao rentismo prevalecente, que, se repetida, poderá arruinar quaisquer perspectivas de uma melhora da situação econômica do País, no futuro imediato.
Brasil: juros x investimentos
Os brasileiros têm presenciado, nos últimos dias, mais uma pedagógica onda de manifestações dos porta-vozes do rentismo financeiro no País, bastante incomodados com o fato de a política monetária não estar sendo determinada exclusivamente pelo “mercado”, mas articulada entre o Banco Central (BC) e o Ministério da Fazenda – e, por extensão, o Palácio do Planalto. Enquanto, aqui dentro, multiplicam-se os clamores por uma nova alta dos juros básicos do BC (taxa Selic), com o velho pretexto de se evitar um surto inflacionário, a alta finança globalizada reforça os seus sócios internos com um esdrúxulo rebaixamento das classificações de risco dos bancos públicos brasileiros. Tudo isso, em meio a mais um “apagão logístico”, que escancara as gritantes deficiências da infraestrutura viária nacional, diante da carência de investimentos que tanto a iniciativa privada como o Estado relutam em fazer.
Mitos e realidade sobre a Petrobras
A convite do Fórum de Guadalajara, Fernando Siqueira, vice-presidente da Associação de Engenheiros da Petrobras (AEPET) e vice-presidente do Conselho Deliberativo da Fundação Petrobras de Seguridade (PETROS), fez uma visita ao México, entre os dias 12 e 16 de março. Em uma série de conferências realizadas em Guadalajara e na Cidade do México, com destaque para a realizada na sede do Senado da República do México, a 15 de março, Siqueira analisou os mitos que vêm sendo propagados sobre a Petrobras, veiculados de forma semelhante aos que propõem uma reforma energética ao México, por meio da adoção de medidas que se mostraram negativas para o Brasil. Ao mesmo tempo, lançam-se contra as duas empresas campanhas de desprestígio para ocultar-lhes as respectivas conquistas em pesquisa, exploração e produção de petróleo e gás.
Brasil: ditadura da dívida bloqueia investimentos
No final da década de 1920, Monteiro Lobato escreveu que se o Brasil não acabasse com a saúva, o artrópode acabaria com o País. Mais de oito décadas depois, o prognóstico do grande escritor não se confirmou, mas outros tipos de saúvas se apresentam como sérios candidatos para obstaculizar a trajetória nacional rumo ao pleno desenvolvimento dos seus enormes potenciais de recursos humanos e naturais. Uma dessas saúvas contemporâneas é a virtual ditadura do financiamento público via endividamento, que encabresta as políticas econômicas aos interesses do rentismo financeiro. Com ela, o serviço da dívida pública se torna a prioridade máxima das atividades dos Executivos federal, estadual e municipal, deixando em planos bem inferiores os investimentos na infraestrutura física e social, imprescindíveis para proporcionar os ganhos de produtividade e produção necessários a um processo de desenvolvimento equilibrado e sustentável a longo prazo.
Fusão nuclear pode estar mais próxima do que se pensa
O desenvolvimento da fusão nuclear para a geração de eletricidade, como já é feito com os reatores de fissão nuclear, tem sido perseguido desde a década de 1950, até agora, sem sucesso. A maioria dos projetos em curso utiliza a tecnologia conhecida como tokamak, originada na antiga URSS, que emprega grandes eletroímãs para a geração de fortes campos magnéticos de forma toroidal (semelhante a um pneu), em cujo interior ocorrem as reações de fusão de isótopos de hidrogênio, com a liberação de energia. O problema é que, até hoje, nenhum deles conseguiu gerar mais energia que a consumida no processo. A mais importante dessas iniciativas é o Reator Termonuclear Experimental Internacional (ITER, na sigla em inglês), projeto multinacional sediado na França, que acaba de inaugurar o seu edifício sede e pretende iniciar as suas experiências em meados da década de 2020 (Alerta Científico e Ambiental, 24/01/2013).
Déficit de saneamento segue fazendo vítimas no Brasil: até quando?
Um estudo publicado pelo Instituto Trata Brasil (ITB), no final de fevereiro, apresenta um quadro preocupante sobre a questão do saneamento básico no Brasil: dos 100 maiores municípios do País, 60 detêm altas taxas de internação por diarréia, devido aos seus baixos índices de coleta de esgoto. Segundo o documento, o problema da deficiência de saneamento básico é um mal que atinge, sobretudo, as crianças, que figuram nas estatísticas como as principais vítimas deste grave problema social e ambiental.
O programa nuclear e o futuro do Brasil
O Brasil, considerando apenas a área até aqui prospectada, é o sexto país em reservas de urânio em todo o mundo. Esta reserva é suficiente para manter em funcionamento as atuais usinas Angra I e Angra II, e a futura Angra III e mais quatro novas usinas de 1000 MW cada, por cerca de 100 anos. Não é para ser desconsiderado, portanto.
Sistema elétrico: advertências de Roberto D’Araújo
Em meio às acirradas discussões sobre as vulnerabilidades do sistema elétrico brasileiro, o engenheiro Roberto Pereira D’Araújo, fundador do Instituto de Desenvolvimento Estratégico do Setor Elétrico (Ilumina) e um dos maiores especialistas brasileiros na área, é sempre uma importante voz a ser ouvida. Autor do livro Setor elétrico brasileiro: uma aventura mercantil (Confea, 2009), tem sido um dos mais consistentes críticos do modelo de “comoditização” da energia adotado no País a partir da década de 1990, cujas contradições têm resultado no acúmulo de problemas que ameaça resultar em novas restrições de consumo e, in extremis, na eventual necessidade de um novo racionamento de eletricidade. Em um artigo e uma entrevista recentes, ele oferece oportunos esclarecimentos sobre o dilema energético nacional.
Frente às “guerras por recursos”, urge uma aliança estratégica Pemex-Petrobras
Declaração do Foro de Guadalajara Os centros financeiros anglo-americanos estão engajados em uma nova ofensiva para consolidar uma segunda onda de reformas neoliberais nos principais países ibero-americanos, com os consabidos argumentos de aumento da eficiência econômica e acesso à modernidade. Na verdade, é quase uma repetição das “receitas” oferecidas na década de 1990, durante os [...]
Sobre urânio, Mali e o Brasil
Apesar do acidente de Fukushima, a demanda por energia elétrica nuclear continua a crescer. Esta commodity está num ponto crítico de inflexão para preços mais elevados. Até mesmo o Japão está mudando sua postura sobre o nuclear devido aos maiores custos da geração elétrica substituta. O recém-eleito primeiro-ministro, Shinzo Abe, declarou que o novo governo está disposto a construir novas usinas – mudança radical com respeito à promessa do governo anterior de fechar todas as 50 usinas do país até 2040.
ITER avança projeto de reator de fusão nuclear
Em cerimônia realizada em Cadarache, no sul da França, o projeto do Reator Experimental Termonuclear Internacional (ITER, na sigla inglesa) deu um importante passo, com a inauguração do seu edifício sede. O projeto é uma iniciativa multinacional voltada ao desenvolvimento da tecnologia de fusão nuclear para a geração de energia em escala comercial, objetivo que tem sido perseguido há décadas.
O apagão que incomoda
Afastada a ameaça de ‘apagão’ ou racionamento neste início de 2013, é preciso ter presente que, se os problemas estruturais não forem atacados de imediato, a crise de fornecimento de energia elétrica permanecerá rondando o país na próxima década, a menos que, desgraçadamente, não nos reencontremos com o crescimento econômico.
Crises fronteiriças ameaçam América do Sul
Em 19 de novembro último, a Corte Internacional de Justiça (CIJ) de Haia decidiu em favor da Nicarágua um antigo pleito, em que o país centro-americano disputava com a Colômbia uma área marítima de 90 mil quilômetros quadrados, no mar do Caribe. Surpreendido pela decisão, o presidente Juan Manuel Santos determinou que a Marinha colombiana continuasse patrulhando a área, enquanto a chanceler María Angela Holguín anunciou que seu governo estudava seriamente a possibilidade de abandonar o acordo pelo qual reconhece a jurisdição da CIJ.
Por que The Economist quer a cabeça de Mantega?
Muita gente se surpreendeu com o insólito ataque da revista The Economist à política econômica brasileira e, em particular, ao ministro da Fazenda Guido Mantega, chegando a sugerir a sua demissão à presidente Dilma Rousseff. De fato, mesmo sabendo-se que o vetusto semanário britânico é um dos principais porta-bandeiras da alta finança globalizada, não é comum que suas páginas abriguem semelhantes ataques ad hominem a funcionários governamentais estrangeiros. Por isso, vale a pena indagar-nos sobre os seus motivos para a investida contra o ministro e a política que representa.
Arnaldo Jabor: “A verdade está na cara, mas não se impõe”
“A decisão do TSE que determinou a retirada do comentário de Arnaldo Jabor do site da CBN, a pedido do presidente ‘Lula’ até pode ter amparo na legislação eleitoral, mas fere o preceito constitucional da liberdade de imprensa.”
Fiasco global da “energia limpa”
A derrocada das ilusões com as fontes energéticas ditas “renováveis” se espalha por todo o mundo. Além da União Européia (UE), o bloco que mais investiu na geração de eletricidade com fontes eólicas e solares, também a China, apontada como futura líder do setor, confronta a realidade dos altos custos e da inadequação técnica de tais alternativas. Enquanto isso, um dos grandes investimentos anunciados pela União Européia nas energias “verdes”, o projeto Desertec, também enfrenta um estrondoso fracasso, diante da fuga de investidores.
Clube de Engenharia pede cancelamento da contratação de engenheiros militares dos EUA
Em uma importante, embora tardia, manifestação em defesa da capacidade dos técnicos brasileiros, o Clube de Engenharia enviou à presidente Dilma Rousseff uma carta aberta, na qual solicita o cancelamento da contratação do Corpo de Engenheiros do Exército dos EUA (USACE), para a prestação de estudos visando à navegabilidade na bacia do rio São Francisco. A carta, assinada pelo presidente do Clube, Francis Bogossian, pede à presidente zelo na preservação da soberania do Pais e no desenvolvimento da engenharia nacional.