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	<title>Blog do Ambientalismo &#187; Sustentabilidade</title>
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	<description>O que você precisa saber sobre Ambientalismo, Indigenismo e Governo Mundial</description>
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		<title>Brasil: desindustrialização &#8220;é ato de vandalismo&#8221;</title>
		<link>http://blogdoambientalismo.com/brasil-desindustrializacao-e-ato-de-vandalismo/</link>
		<comments>http://blogdoambientalismo.com/brasil-desindustrializacao-e-ato-de-vandalismo/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 25 Jan 2012 11:21:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sustentabilidade]]></category>
		<category><![CDATA[Crise global]]></category>
		<category><![CDATA[Defesa nacional]]></category>
		<category><![CDATA[Desenvolvimento sustentável]]></category>
		<category><![CDATA[Desindustrialização]]></category>
		<category><![CDATA[Economia nacional]]></category>
		<category><![CDATA[Infraestrutura]]></category>
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		<description><![CDATA[Nos últimos anos, numerosas vozes têm se levantado para advertir sobre o perigoso processo de retração do setor industrial brasileiro, cuja participação no PIB vem caindo rapidamente, já se situando nos níveis da década de 1940, antes mesmo do início da industrialização do País. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp"><img class="aligncenter  wp-image-10770" title="msiA iNFORMA" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp" alt="" width="235" height="49" /></a></strong></p>
<blockquote><p><strong>Nos últimos anos, numerosas vozes têm se levantado para advertir sobre o perigoso processo de retração do setor industrial brasileiro, cuja participação no PIB vem caindo rapidamente, já se situando nos níveis da década de 1940, antes mesmo do início da industrialização do País.</strong></p></blockquote>
<h2><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2012/01/desindustrializacao.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-12453" title="desindustrializacao" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2012/01/desindustrializacao.jpg" alt="" width="300" height="284" /></a></h2>
<h2>“Custo-Brasil” causa desindustrialização</h2>
<p>Tal processo é resultante de uma combinação de fatores que nenhum esforço de ganhos de competitividade pode neutralizar. Entre eles, destacam-se a enxurrada de importações asiáticas ultrabaratas, a excessiva valorização do real, deficiências de infraestrutura e logística, entraves burocráticos, juros extorsivos e carga tributária escorchante. Desafortunadamente, as advertências não têm sido suficientes para despertar a sociedade, em geral, e as lideranças políticas, em particular, para a gravidade do problema, e motivar uma reação articulada e eficaz dos setores industriais.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Um país rural?</h2>
<p>O assunto foi um dos temas de um seminário internacional promovido, na semana passada, pela Universidade de Cambridge e a Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo (SP), para discutir novas políticas macroeconômicas e desenvolvimento na América Latina. Na oportunidade, o economista chileno Gabriel Palma, professor da Universidade britânica, somou-se ao coro dos brasileiros que clamam contra o processo de desindustrialização do País, qualificando-o como <em>«um ato de vandalismo econômico sem igual»</em>. Em entrevista ao jornal <em>Valor Econômico</em> (17/01/2012), ele enfatizou que a economia brasileira corre sérios riscos ao privilegiar um crescimento baseado na exportação de <em>commodities</em> e na expansão paliativa do consumo interno. Segundo ele:</p>
<blockquote><p><em>«Na superfície, de fato, a situação do Brasil é fantástica. Mas, se analisarmos com calma, veremos que o País cresce impulsionado, principalmente, por pontos que fogem do seu controle. Os preços muito elevados das commodities, que sustentam enormes saldos comerciais desde 2004, não vão ficar nesse patamar para sempre. Na realidade, vivemos a fase final da era de boom das commodities. A economia está preparada par essa realidade diferente? Claramente, não. Outra base de sustentação do vigoroso crescimento econômico recente, a entrada de capitais estrangeiros em ritmo de tsunami, tem sido impulsionada, cada vez mais, porque o resto do mundo está em gravíssima crise&#8230; Isso vai durar para sempre? Acho que não.»</em></p></blockquote>
<h2>Investimentos sem controle</h2>
<p>Perguntado pelo jornalista João Villaverde sobre a eficácia dos controles dos ingressos de recursos externos, Palma respondeu com o óbvio:</p>
<blockquote><p><em>«Esses controles de capitais aplicados pelo Brasil são muito porosos, é muito fácil evitar. Os investidores estrangeiros que recolhem IOF </em>[Imposto sobre Operações Financeiras]<em> são aqueles que têm um mau contador. O Brasil tem controle de capitais só para dizer que tem&#8230; Sem dúvida que é necessário controlar o fluxo de capitais estrangeiros, mas os países latino-americanos, de forma geral, e o Brasil, de forma especial, não estão fazendo com o rigor necessário. E não fazem, porque estão se aproveitando disso.»</em></p></blockquote>
<h2>Perda de oportunidade</h2>
<p>Para o economista chileno, o Brasil perdeu uma oportunidade histórica de desenvolver novas bases para o seu desenvolvimento econômico, a partir de 2008:</p>
<blockquote><p><em>«A saída da crise foi por meio de um incentivo desenfreado ao consumo, o que foi positivo em termos, porque o país foi um dos que mais rapidamente deixaram o cenário recessivo mundial. Mas não há, no Brasil, nenhum estímulo para mudanças estruturais, como um apelo maior aos investimentos. Se há uma baixa na economia, o estímulo é sempre ao consumo.»</em></p></blockquote>
<p>Segundo ele, a opção mais correta seria <em>«produzir uma boa política industrial, e não esses planos paliativos que o governo brasileiro está habituado a lançar»</em>.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Brasil com futuro frágil</h2>
<p>Entretanto, Palma guardou suas palavras mais contundentes para falar sobre a desindustrialização:</p>
<blockquote><p><em>«A desindustrialização que o Brasil está passando é inconcebível. Em 1980, o parque industrial brasileiro era maior que o da Tailândia, da Malásia, da Coreia do Sul e da China somados. Em 2010, a indústria brasileira representava pouco menos de 15% do que esses países somados produziram. Construir o que vocês construíram e depois destruir, em tão pouco tempo, é um ato de vandalismo econômico sem igual. Por que o Brasil representa 75% do comércio mundial de minério de ferro, mas apenas 2% do comércio total de aço? Algum economista brasileiro consegue me explicar por que o país que tem a Embraer não consegue ser minimamente competitivo também no segmento de aço? Além das fracas políticas industriais adotadas e do desprezo com a indústria nas últimas décadas, não consigo encontrar uma boa resposta. A situação brasileira é cada vez mais frágil.»</em></p></blockquote>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #ff6600;"><strong><em><em><strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em></em></strong></span></p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo.png"><img class="aligncenter" title="div-novo" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo-300x13.png" alt="" width="300" height="13" /></a></p>
<blockquote><p><strong>Créditos </strong>➞<strong> </strong>este post é matéria apresentada no Boletim Eletrônico <strong><em>MSIa INFORMA</em></strong>, do <strong><em>MSIa –</em></strong><em> <strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em>, Vol. III, N<sup>o</sup> 34, de 19 de janeiro de 2012. Subtítulos meus.</p>
<p><strong><em>MSIa INFORMA</em></strong><strong> </strong>➞<strong> </strong>é uma publicação do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa). Conselho Editorial: Angel Palacios, Geraldo Luís Lino, Lorenzo Carrasco (Presidente), Marivilia Carrasco e Silvia Palacios. Endereço: Rua México, 31 &#8211; sala 202 &#8211; Rio de Janeiro (RJ) &#8211; CEP 20031-144; Telefax: 0xx 21-2532-4086.</p>
<p><strong>Para saber mais sobre o tema </strong>➞<strong> </strong>visitar os sites da MSIa/Capax Dei:<strong> </strong><a href="http://www.alerta.inf.br/">http://www.alerta.inf.br/</a> e <a href="http://www.msia.org.br/">http://www.msia.org.br/</a>.</p>
<p><strong>Mensagens e sugestões </strong>➞<strong> </strong>favor enviar para msia@msia.org.br</p>
<p><strong><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-10bMicro.jpg"><img class="alignright" title="harpia-10bMicro" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-10bMicro.jpg" alt="" width="60" height="49" /></a>Para adquirir as publicações da Capax Dei Editora Ltda.</strong> ➞ loja virtual em: <a href="http://www.capaxdei.com.br/">www.capaxdei.com.br</a>; e-mail : capaxdeieditora@gmail.com</p>
<p>Imagem →<a href="http://blogdoalexandremarinho.blogspot.com"> http://blogdoalexandremarinho.blogspot.com</a></p></blockquote>
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		<title>Brasil: crescimento socioeconômico? Onde, cara-pálida?</title>
		<link>http://blogdoambientalismo.com/brasil-crescimento-socioeconomico-onde-cara-palida/</link>
		<comments>http://blogdoambientalismo.com/brasil-crescimento-socioeconomico-onde-cara-palida/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 18 Dec 2011 17:56:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sustentabilidade]]></category>
		<category><![CDATA[Crise financeira]]></category>
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		<category><![CDATA[Desindustrialização]]></category>
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		<category><![CDATA[Fome no mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Infraestrutura]]></category>
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		<description><![CDATA[Tem sido extremamente alardeado pela midia que o Brasil – agora pertencente a um privilegiado grupo de países, os BRICs (Brasil, Russia, Índia e China) que, teoricamente, estariam saindo da suas fases terceiro-mundistas – está se desenvolvendo social e economicamente, e que, por isso, alguns milhões de pessoas teriam saído da qualidade de miseráveis, de pobres, para a classe média. As perguntas são: Quem são essas pessoas? Alguém conhece alguém que tenha deixado de ser pobre e tenha passado à classe média? O Brasil melhorou em quê?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-23cJpegMini.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-9605" title="harpia-23cJpegMini" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-23cJpegMini.jpg" alt="" width="100" height="55" /></a>Tem sido extremamente alardeado pela midia, nacional e internacional, que o Brasil – agora pertencente a um “privilegiado” grupo de países, os BRICs (Brasil, Russia, Índia e China) – teoricamente, estaria saindo da sua fase terceiro-mundista e está se desenvolvendo social e economicamente, e que, por isso, alguns milhões de pessoas teriam saído da qualidade de miseráveis, de pobres, para a classe média. As perguntas são:</strong></p>
<blockquote><p><span style="color: #ff0000;"><strong>Quem são essas pessoas?</strong></span></p>
<p><span style="color: #ff0000;"><strong>Alguém conhece alguém que tenha deixado de ser pobre e tenha passado à classe média?</strong></span></p>
<p><span style="color: #ff0000;"><strong>O Brasil melhorou em quê?</strong></span></p></blockquote>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/mendigo6.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-12187" title="mendigo6" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/mendigo6-300x234.jpg" alt="" width="300" height="234" /></a></p>
<p>Dirigi essas perguntas a várias pessoas de minhas relações e ninguém soube responder, ou melhor, responderam apenas à última questão: O Brasil melhorou em quê? Resposta comum: em nada – pelo menos que se saiba.</p>
<p>Observação: sei que, na avaliação de se um país está melhorando, ou não, saindo do subdesenvolvimento, ou não, inúmeros índices socioeconômicos são observados, principalmente a nível internacional (em comparações com outros países). No entanto, o que é que uma eventual melhoria poderia significar para nós, brasileiros, na prática? Será que esses eventuais índices de melhoria são tão significativos assim, a ponto de nós sentirmos as diferenças? Para melhor, acho eu. Infelizmente, ao que parece, nós, que moramos aqui, não estamos vendo grandes diferenças. E aí, quando perguntamos às pessoas o que elas acham do Brasil, se ele está melhorando, ou não, elas nos olham com caras de bestas&#8230;</p>
<p>Isso é muito fácil de se entender, no que diz respeito às eventuais &#8220;melhorias&#8221; brasileiras. É só ligarmos a televisão para compreendermos a dúvida das pessoas. Como se o Brasil tivesse melhorado, a ponto de se tornar uma nação diferente das demais subdesenvolvidas, uma nação agora tida como “emergente” (eufemismo moderno para “subdesenvolvida”) – ou seja, querem tentar convencer os incautos de que os BRICs não mais correspondem a nações pobres – repito: subdesenvolvidas. Quer dizer: no mínimo, nós brasileiros, residentes aqui, deveríamos ter notado alguma ou algumas diferenças para melhor. Mas, ao que tudo indica, essa diferença, ou diferenças, não são notáveis. Vejamos então:</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>PIB</h2>
<p><strong></strong>Um dos índices internacionais que pode avaliar a posição relativa dos países no mundo, é o PIB (Produto Interno Bruto). O Brasil não melhorou nesse índice. Dizem que em 2010 o país cresceu a uma taxa de cerca de 7%. Mentira. Esse dado não se sustenta. E agora, em 2011, se chegarmos a um PIB aumentado em torno de 2,9% será muito. E em 2010. 2,6% já estará muito bom. Nisso, melhoramos em quê?</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/01/bolso_vazio.jpg"><img class="alignright  wp-image-6493" title="bolso_vazio" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/01/bolso_vazio-300x225.jpg" alt="" width="226" height="169" /></a>Poder de compra</h2>
<p><strong></strong>Tenho a impressão que o poder aquisitivo do brasileiro, ou seja, o volume das compras no varejo pode ter feito com que fôssemos avaliados mais benevolentemente. As vendas aumentaram? Aumentaram. Equívoco: o que aumentou não foi o poder de compra das pessoas, mas as facilidades de crédito. A filha da minha empregada compra nas lojas Marisa uma blusa de R$30,00 em 6 vezes sem juros, ou seja, pagando R$5,00 por mês! Um balconista de loja compra um carro zero do tipo &#8220;1000&#8243; em 60 ou 70 prestações, pagando R$299,00 por mês&#8230; É assim que aumentaram as compras, não porque nosso povo tenha mais dinheiro. Nisso, melhoramos em quê?</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/desigualdade.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-12189" title="desigualdade" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/desigualdade.jpg" alt="" width="250" height="200" /></a>Desigualdades econômicas e sociais</h2>
<p><strong></strong>Não me consta que esteja havendo menos desigualdades econômicas e sociais no Brasil – pelo contrário. Todas as pesquisas indicam que a desigualdade aumentou e que aqueles 10% da população mais rica já possuem mais de 50% das riquezas do Brasil.  Este é o ponto principal, e, baseado nele foi que perguntei a inúmeras pessoas se elas conheciam alguém que tivesse saído da pobreza e a resposta foi sempre negativa. Alguém conhecia um porteiro de edifício que tivesse ingressado na classe média? Algum motorista? Algum gari? Não, não e não. Alguma empregada doméstica? Não. Minto, minha própria empregada conhecia uma, segundo ela: amiga dela, além de trabalhar como doméstica a mulher vendia roupas de casa em casa. Trabalho árduo que, se não fosse por ela mesma – e não pelo governo, não pela condição do próprio país – ainda seria uma simples doméstica. A mulher acabou indo morar na favela da Rocinha e lá montou uma loginha. Será que, realmente, ela ascendeu à classe média? Na minha opinião, não. Rocinha não é classe média.</p>
<p>Argumentam que o Brasil está desenvolvendo um “sério” programa de distribuição de renda. Para quem? Por acaso alguém acha que os miseráveis e famintos que agora recebem o “Bolsa Família” (que não passa de um artifício eleitoreiro – uma clara compra de votos) saíram da miséria? Será que alguém considera que essas pessoas seriam as que, eventualmente, teriam sido alçadas à classe média?</p>
<p>Será que os discursos demagógicos que nosso messias particular professa em reuniões internacionais, em prol da erradicação da fome e da miséria, são suficientes para convencer alguém (como se os representantes internacionais fossem uns tolos) de que o Brasil está, realmente, acabando com a miséria?</p>
<p>A propósito, alguém já disse que quem ganha R$3.000,00 é da classe média. Será isso uma piada de mau gosto? Ou o cúmulo do cinismo? Cinismo este oriundo, evidentemente, das hostes dos partidos governistas. Um deboche, um insulto à inteligência das pessoas, uma desconsideração total com a população – melhor dizendo. Nisso tudo, portanto, o Brasil melhorou em quê? Continuemos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/educacao.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-12190" title="educacao" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/educacao-300x240.jpg" alt="" width="300" height="240" /></a>Educação</h2>
<p><strong></strong>A educação no Brasil continua em níveis alarmantemente vergonhosos. O ensino público é uma catástrofe, a maioria das crianças ao término do primeiro grau é composta de analfabetos funcionais e no nível superior muitas universidades e faculdades correm o risco de ser fechadas pelo governo por não proporcionarem um mínimo de qualidade de ensino a seus alunos. Quem é que coloca seus filhos em escolas públicas? As famílias de classe média? O ricos? Não e não. Os professores melhoraram? Ganham mais? Não e não. Os prédios das escolas públicas e das universidades estatais estão em melhores condições físicas? Não. Outro dia fui à Ilha do Fundão, visitar minha faculdade – a faculdade Nacional de Arquitetura – e fiquei horrorizado com o estado de deterioração do prédio. Nos banheiros, nem lavatórios existiam mais! Nisso, o Brasil melhorou em quê?</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/saude-publica.jpg"><img class="alignleft  wp-image-12191" title="saude-publica" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/saude-publica.jpg" alt="" width="223" height="223" /></a>Saúde pública</h2>
<p><strong></strong>Esse assunto é motivo até de piada – humor negro. Os hospitais públicos melhoraram o atendimento? Que eu saiba, não. Dá pena ver as pessoas serem atendidas até mesmo no chão. Marcar uma consulta médica? Seis meses, no mínimo, na agenda pública. Há mais médicos no setor público de saúde em relação aos que o utilizam? Não. Estão sendo construídos abrigos para idosos, e até mesmo mais hospitais, principalmente fora dos grandes centros? Que eu saiba, não. Quem é que pode viver no Brasil sem pagar um plano de saúde particular? – os quais, inclusive, estão também piorando muito em atendimento. Em setembro passado, minha empregada (que continua pobre) marcou uma consulta a um médico ginecologista num hospital público. A consulta foi marcada? Foi – para fevereiro de 2012! Cinco meses depois! Nisso tudo, o Brasil melhorou em quê? Onde?</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/monotralha.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-12192" title="monotralha" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/monotralha-300x197.jpg" alt="" width="300" height="197" /></a>Transportes públicos e outros serviços urbanos</h2>
<p><strong></strong>Os sistemas de transportes públicos nas cidades grandes melhorou? Não. Nas cidades pequenas quase não existe. Ônibus lotados, tarifas caras, metrô insuficiente (quando há), trens urbanos e suburbanos igualmente lotados e caindo aos pedaços. Como consequência, as pessoas (das classes A e B) usam seus próprios carros para o deslocamento nas cidades. Resultado: imensos engarrafamentos, consumo elevado de gasolina, poluição. As nossas ruas (pistas de rolamento e calçadas) são esburacadas, mal iluminadas e sujas. Meu falecido pai, quando andava nas ruas de Copacabana (Copacabana!) preferia andar no asfalto do que nas calçadas, pois essas eram tão esburacadas que ele tinha medo de tropeçar em algum buraco, em alguma pedra solta e cair&#8230; As pracinhas, imundas e infestadas de mendigos, vítimas da desigualdade econômica e do desemprego no Brasil. Nisso, melhoramos em quê? Onde?</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/EsperaAeroportos.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-12193" title="EsperaAeroportos" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/EsperaAeroportos-300x210.jpg" alt="" width="300" height="210" /></a>Rodovias, ferrovias, aeroportos e portos</h2>
<p><strong></strong>Salvo raras  exceções, raras mesmo, nossas estradas também estão em petição de miséria. As mais interioranas e longe das regiões sudeste e sul, são uma verdadeira vergonha. Lembrei-me da trans-amazônica&#8230; Mesmo as melhores, devido ao intenso tráfego, não são seguras e requerem manutenção intensa, o que acarreta pedágios muito altos. Isso porque o transporte ferroviário e hidroviário, no Brasil, podem ser considerados como inexistentes. Quando chegamos aos aeroportos, em dias quando o movimento aumenta só um pouco, o caos é geral. Imagine, caro Visitante, na Copa e nas Olimpíadas vindouras, como será&#8230; Não vai dar tempo de melhorar o sistema. Os portos, por sua vez, possuem equipamentos antigos, completamente obsoletos, gerando custos e tempo de operação muito altos. E máfias sindicais controlando tudo&#8230; É o “Custo Brasil”&#8230; Nisso, o Brasil melhorou em quê? Onde?</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/saneamento-basico2.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-12194" title="saneamento-basico2" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/saneamento-basico2-300x207.jpg" alt="" width="300" height="207" /></a>Saneamento básico</h2>
<p><strong></strong>Este, sem dúvida, é o maior problema ambiental do Brasil. Mais da metade da população brasileira não tem, integralmente, os serviços de saneamento minimamente necessários. Esgotos a céu aberto incrementam as doenças, encarecem e congestionam os serviços hospitalares, já originalmente deficientes, oferecidos pelo Poder Público. No interior, quando há água, ela (não potável) é obtida em lagos ou poços barrentos e poluídos – ou a população acaba vítima das máfias dos caminhões-pipa. O desperdício de água pode chegar à casa de quase 50% em muitos casos. Nisso, o Brasil melhorou em quê? Onde?</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/habitacao.jpg"><img class="alignleft  wp-image-12195" title="habitacao" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/habitacao-217x300.jpg" alt="" width="163" height="226" /></a>Habitação/urbanização</h2>
<p><strong></strong>Quem chega de avião no Rio de Janeiro, no aeroporto Antonio Carlos Jobim (antigo Galeão), ao pegar a Linha Vermelha, rumo à “cidade”, o que vê é um mar de favelas indo até o horizonte, dos dois lados da pista. Uma vergonha. Tanto vergonha que as autoridades estão colocando painéis ao longo da linha a fim de tapar a vergonha das habitações “populares”. Será que aquela turma toda já passou à classe média? O déficit habitacional no Brasil vai à casa de milhões. E os preços de apartamentos pequenos na Zona Sul do Rio também vai à casa de milhões.</p>
<p>Urbanização? No rio de Janeiro, só na Zona Sul temos um mínimo de cuidados com a urbanização – mesmo assim, precários. No resto da cidade, o crescimento orgânico não obedece a nanhum projeto prévio – e nem queremos falar de favelas&#8230; Coleta de lixo? Rsrsrs Nisso tudo, o Brasil melhorou em quê?</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/politica_seguranca_publica.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-12196" title="politica_seguranca_publica" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/politica_seguranca_publica-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a>Segurança pública</h2>
<p><strong></strong>Rsrsrs! Atualmente está se construindo uma “zona verde” no entorno dos pontos a serem utilizados na Copa de 1014 e nas Olimpíadas de 2016. Acordos com o tráfico estão sendo feitos com o intuito de “pacificar” as favelas que, eventualmente, estejam nessas áreas. UPPs são a moda, como se elas fossem resolver o problema da criminalidade e/ou do tráfico de drogas, e realmente, proporcionar alguma segurança e melhoria nas favelas. Sim, não há mais garotos portando fuzis de assalto, pistolas e outros artefatos semelhantes. Sim, dimunuiram muito os confrontos abertos entre facções do tráfico. O acordo&#8230; Mas o tráfico desceu às ruas, nas praças da “zona verde”. Tenho informações, inclusive, de que o tráfico continua sendo feito nas favelas “pacificadas”, “atrás das UPPs”, como dizem. E as zonas da cidade, fora da “verde” estão repletas de bandidos. Estes, se acotovelam na Baixada Fluminense&#8230;</p>
<p>De fato, o Poder Público, que, tradicionalmente, trabalha para proteger as classes mais abastadas, está atuando, mas o problema da insegurança no Rio de Janeiro e em outros grandes centros urbanos do Brasil continua. Nisso, o Brasil melhorou em quê?</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Um país lider mundial da &#8220;sustentabilidade&#8221;</h2>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/desmatamento.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-12197" title="desmatamento" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/desmatamento-300x158.jpg" alt="" width="300" height="158" /></a>Sustentável em quê? Onde?</p>
<p>Hoje em dia todo mundo tem a mania de dizer que é &#8220;sustentável&#8221;. Jornal sustentável, banco sustentável, companhia de petróleo sustentável, mineradora sustentável, automóvel sustentável, casa sustentável etc etc etc&#8230; Repito: sustentáveis em quê?</p>
<p>Economizar energia, adotar uma planta energética mais barata e menos poluente, reciclar, economizar e reutilizar água, produzir coisas biodegradáveis, economizar as florestas, manter, na medida do possível, a biodiversidade, reconstituir o meio-ambiente, reflorestar etc etc etc, assim como pagar bem aos funcionários das empresas, cuidar da saúde, da habitação e da educação dos mesmos – tudo isso é obrigação das pessoas, das empresas e do Poder Público.</p>
<p>Isso não tem nada de sustentabilidade, embora essas coisas estejam diretamente ligadas ao conceito e as firmas dizem que fazem isso tudo, apenas com o intuito de agregar às suas imagens o poder propagandístico e o emblema de bonzinhos, que estão preocupados com o planeta, com as pessoas, principalmente, com as gerações futuras. O pior é que muitas delas, simplesmente, mentem. Não fazem nada disso e dizem que fazem, em seus relatórios de sustentabilidade que ninguém lê, muito menos alguém vai averiguar <em>in loco</em> se o que dizem é verdade. Dizer que a Vale é sustentável é piada! Itaú, idem!</p>
<p>Gerações futuras. Esse é o ponto. Nada que se faça poderá garantir nada às gerações futuras. Por mais que se economize hoje, um dia os recursos naturais se esgotarão e, por isso, esse negócio de sustentabilidade não passa de uma falácia, uma mentira, conversa para boi dormir.</p>
<p>Mesmo porque, quem garante que as gerações futuras necessitarão que hoje, nós economizemos para elas? Não nos esqueçamos de que o avanço vertiginoso da ciência e da tecnologia proporcionarão às gerações futuras um panorama mundial completamente diferente do que o atual, inclusive no que diz respeito às necessidades das suas futuras sociedades, assim como dos insumos a ser consumidos. A ideia altruística de poupar para o futuro, baseada nos conceitos das necessidades de hoje, não funciona. É uma teoria de precaução totalmente irreal.</p>
<blockquote><p><strong>Dizer para um país terceiro-mundista, subdesenvolvido, para ele economizar para as gerações futuras, permanecendo na miséria é, igualmente, uma piada!</strong></p></blockquote>
<p>E nisso tudo, em quê que o Brasil melhorou? Fora a demagogia, as mentiras, em nada.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Conclusão</h2>
<p>Poderíamos continuar listando coisas em que o Brasil ainda permanece no Terceiro Mundo (como nosso nível cultutal – baseado nos &#8220;domingões&#8221;, &#8220;engenhões&#8221; e &#8220;atacadões&#8221; – o estado dos aposentados, dos idosos etc etc) e, consequentemente, no estado de nossa população, pobre e sofrida. No entanto, como afirmado no início deste artigo, continuam dizendo que o Brasil está &#8220;emergindo&#8221; e que está conseguindo se constituir numa nação digna de crédito – literalmente. Claro que nosso menino propaganda petista contribuiu para isso, e parece que foi só isso.</p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/brasil.jpg"><img class="aligncenter  wp-image-12198" title="brasil" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/brasil-300x191.jpg" alt="" width="397" height="252" /></a>Assim, talvez ele possa me responder:</p>
<blockquote><p><strong><em>«Onde estamos melhores, cara-pálida?»</em></strong></p></blockquote>
<p><strong>Imagens:</strong> <a href="http://diariodetangarafotos.blogspot.com/">http://diariodetangarafotos.blogspot.com</a> ;  <a href="http://www.guiavilamascote.com.br/">http://www.guiavilamascote.com.br</a>;</p>
<p><a href="http://mercadoetico.terra.com.br/">http://mercadoetico.terra.com.br</a>  ; <a href="http://www.essaseoutras.com.br/">http://www.essaseoutras.com.br</a> ;</p>
<p><a href="http://tomataria.blogspot.com/">http://tomataria.blogspot.com</a>;  <a href="http://blogs.d24am.com/">http://blogs.d24am.com</a>;  <a href="http://blogdomarson.zip.net/">http://blogdomarson.zip.net</a>;</p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-23dJpegMicro.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-9606" title="harpia-23dJpegMicro" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-23dJpegMicro.jpg" alt="" width="80" height="45" /></a><a href="http://profdanielantonietto.blogspot.com/">http://profdanielantonietto.blogspot.com</a>; <a href="http://sandro-anjodanoite.blogspot.com/">http://sandro-anjodanoite.blogspot.com</a>;</p>
<p><a href="http://atualidades8a.blogspot.com/">http://atualidades8a.blogspot.com</a>; <a href="http://professor.bio.br/">http://professor.bio.br</a></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Brasil: infraestrutura para ativar a economia</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Dec 2011 11:27:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sustentabilidade]]></category>
		<category><![CDATA[Crise global]]></category>
		<category><![CDATA[Desenvolvimento sustentável]]></category>
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		<description><![CDATA[A notícia de que o crescimento do PIB brasileiro foi nulo no terceiro trimestre do ano não deveria surpreender, uma vez que o governo da presidente Dilma Rousseff continua empenhado em um delicado equilíbrio entre o atendimento aos mercados financeiros e as expectativas de crescimento. Por exemplo, mesmo com as sucessivas - embora tímidas - reduções da taxa Selic do Banco Central, os juros brasileiros continuam sendo de longe os mais altos do mundo, o que continua favorecendo as operações especulativas de arbitragem, boa parte das quais com capitais nacionais depositados em paraísos fiscais estrangeiros. Ao mesmo tempo, os setores produtivos, em especial, os industriais, continuam sofrendo com as importações baratas asiáticas, câmbio desfavorável, cipoal burocrático, deficiências de infraestrutura e demais óbices que se convencionou incluir sob o rótulo "custo Brasil".]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp"><img class="aligncenter size-full wp-image-10770" title="msiA iNFORMA" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp" alt="" width="235" height="49" /></a><strong>A notícia de que o crescimento do PIB brasileiro foi nulo no terceiro trimestre do ano não deveria surpreender, uma vez que o governo da presidente Dilma Rousseff continua empenhado em um delicado equilíbrio entre o atendimento aos mercados financeiros e as expectativas de crescimento. Por exemplo, mesmo com as sucessivas – embora tímidas – reduções da taxa Selic do Banco Central, <span style="color: #ff0000;">os juros brasileiros continuam sendo de longe os mais altos do mundo</span>, o que continua favorecendo as operações especulativas de arbitragem, boa parte das quais com capitais nacionais depositados em paraísos fiscais estrangeiros. Ao mesmo tempo, os setores produtivos, em especial, os industriais, continuam sofrendo com as importações baratas asiáticas, câmbio desfavorável, cipoal burocrático, deficiências de infraestrutura e demais óbices que se convencionou incluir sob o rótulo &#8220;custo Brasil&#8221;.</strong></p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/Custo-de-mposto.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-12182" title="Custo-de-mposto" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/Custo-de-mposto-300x250.jpg" alt="" width="300" height="250" /></a></p>
<h2>Prevenir, para não ter que remediar depois&#8230;</h2>
<p>Independentemente das condições externas, o enfrentamento desses problemas pode e deve ser colocado na agenda do governo federal, com o apoio das lideranças dos setores produtivos e da sociedade em geral, para ajudar o País a se preparar para o mais que provável aprofundamento da crise global, que não dá sinais de ceder e ainda deverá piorar antes de melhorar. Alguns, como os juros e o câmbio, que dependem basicamente de determinação para confrontar os mercados financeiros e o &#8220;pensamento estabelecido&#8221;, talvez tenham que aguardar uma fase mais aguda da crise, para que se criem as necessárias condições políticas. Outros, como as reformas tributária e burocrática, exigem a superação de vícios seculares e dificilmente verão progressos a curto prazo. A infraestrutura, porém, pode produzir efeitos quase imediatos, inclusive, para facilitar a recuperação do crescimento, que terá que dar grande ênfase no mercado interno, de modo a minimizar os efeitos das tempestades financeiras globais.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/paulo-godoy.jpg"><img class="alignright  wp-image-12184" title="paulo-godoy" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/paulo-godoy.jpg" alt="" width="300" height="199" /></a>Infraestrutura agora!</h2>
<p>Neste particular, foi bastante oportuno o artigo assinado pelo presidente da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústria de Base (Abdib), Paulo Godoy, divulgado no sítio da entidade em 6 de novembro, com o título <strong>«Infraestrutura Pode Ser Plataforma para Manter Economia em Atividade»</strong>, do qual reproduzimos os parágrafos abaixo:</p>
<blockquote><p><em>«Diante de carências e gargalos existentes nas mais diversas áreas, <strong>o investimento em infraestrutura pode se transformar numa correia de transmissão de crescimento para outras cadeias produtivas</strong>, significar um impulso importante na geração de renda e emprego, combater sensivelmente pressões inflacionárias e colaborar para o fortalecimento da competitividade da economia brasileira.»</em></p>
<p><em>«O que o País precisa, então, é manter o foco na viabilização de programas e <strong>projetos que signifiquem a expansão dos investimentos na infraestrutura acima dos 10% ao ano</strong>. O Brasil oferece boas perspectivas de crescimento econômico no longo prazo, o que contribui para a atração de recursos internos e externos pra empreendimentos na infraestrutura.»</em></p>
<p><em>«Algumas medidas adotadas recentemente ajudam a melhorar o ambiente para negócios no setor. Entre elas, a <strong>regulamentação</strong> do investimento em debêntures de infraestrutura, a aprovação de lei que <strong>regulamenta</strong> o exercício das competências comuns entre governos nas atividades de licenciamento e fiscalização e a publicação de portarias esclarecendo e <strong>padronizando procedimentos relativos ao licenciamento ambiental</strong>.»</em></p>
<p><em>«A Abdib tem convicção de que <strong>a expansão dos investimentos em infraestrutura é condição essencial para o Brasil melhorar as condições sociais da população e aumentar a participação do mercado internacional</strong>. Com condições adequadas de financiamento, bons projetos e boa gestão nos processos preparatórios das obras, o setor pode contribuir mais fortemente para o PIB no médio e longo prazo.»</em></p></blockquote>
<h2>Há espaço para todos no Brasil</h2>
<p>Bons projetos não faltam. Não obstante, talvez seja preciso se começar a pensar em deixar de lado alguns dogmas que se impuseram nas últimas décadas, em particular, no tocante à iniciativa direta do Estado em determinados empreendimentos, como a geração energética e projetos viários. Não faz sentido, por exemplo, que um projeto como o da usina hidrelétrica de Belo Monte seja majoritariamente financiado com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Estado se veja compelido a ceder o seu controle à iniciativa privada, apenas para que isto não pareça uma tentativa de &#8220;reestatização&#8221; do setor – no qual há espaço bastante para todos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Energia e hidrovias</h2>
<p>Um projeto como o da usina binacional no rio Mamoré, com a Bolívia (3000 MW), poderia ser tocado diretamente com investimentos públicos. Além da geração de eletricidade (que aumentaria em mais de 50% a atual capacidade de geração boliviana), o projeto poderia, ainda, proporcionar um grande impulso ao transporte hidroviário. Com a usina dotada das necessárias eclusas e a construção de estruturas semelhantes nas usinas de Jirau e Santo Antônio, que estão sendo construídas a jusante no rio Madeira, abrir-se-ia à navegação um trecho de mais de 3000 km, desde a foz do rio Madeira até Vila Bela da Santíssima Trindade (MT). Como esta cidade se situa a apenas 270 km de Cáceres (MT), ponto inicial da hidrovia Paraguai-Paraná, criar-se-ia um formidável eixo rodoferroviário ligando as bacias do Amazonas e do Prata, de enormes efeitos multiplicadores para o processo da integração física sul-americana.</p>
<p style="text-align: right;" align="right"><span style="color: #ff6600;"><strong><em>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</em></strong></span></p>
<p><strong> <a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/03/2000px-Decorative_text_divider_4.svg_.png"><img class="aligncenter size-medium wp-image-7413" title="2000px-Decorative_text_divider_4.svg" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/03/2000px-Decorative_text_divider_4.svg_-300x12.png" alt="" width="300" height="12" /></a></strong></p>
<p><strong>Créditos </strong>➞<strong> </strong>este post é matéria apresentada no Boletim Eletrônico <strong><em>MSIa INFORMA</em></strong>, do <strong><em>MSIa –</em></strong><em> <strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em>, Vol. III, N<sup>o</sup> 30, de 08 de dezembro de 2011. Subtítulos e grifos meus.</p>
<p><strong><em>MSIa INFORMA</em></strong><strong> </strong>➞<strong> </strong>é uma publicação do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa). Conselho Editorial: Angel Palacios, Geraldo Luís Lino, Lorenzo Carrasco (Presidente), Marivilia Carrasco e Silvia Palacios. Endereço: Rua México, 31 &#8211; sala 202 &#8211; Rio de Janeiro (RJ) &#8211; CEP 20031-144; Telefax: 0xx 21-2532-4086.</p>
<p><strong>Para saber mais sobre o tema </strong>➞<strong> </strong>visitar os sites da MSIa/Capax Dei:<strong> </strong><a href="http://www.alerta.inf.br/">http://www.alerta.inf.br/</a> e <a href="http://www.msia.org.br/">http://www.msia.org.br/</a>.</p>
<p><strong>Mensagens e sugestões </strong>➞<strong> </strong>favor enviar para msia@msia.org.br</p>
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<p><strong><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-0aMicro.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-9609" title="harpia-0aMicro" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-0aMicro.jpg" alt="" width="50" height="64" /></a>Imagens</strong> ➞ <a href="http://acelinopontes.blogspot.com/">http://acelinopontes.blogspot.com</a>  ; <a href="http://colunistas.ig.com.br/">http://colunistas.ig.com.br</a></p>
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		<title>América do Sul: integração física na pauta</title>
		<link>http://blogdoambientalismo.com/america-do-sul-integracao-fisica-na-pauta-2/</link>
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		<pubDate>Fri, 09 Dec 2011 11:59:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sustentabilidade]]></category>
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		<description><![CDATA[Um promissor pacote de investimentos em projetos de infraestrutura voltados para a integração regional foi anunciado em Brasília, na reunião ministerial do Conselho Sul-Americano de Infraestrutura e Planejamento (Cosiplan), em 30 de novembro. São 31 projetos viários e de telecomunicações, que deverão receber investimentos da ordem de 14 bilhões de dólares até 2022 e beneficiarão todos os 12 países do subcontinente.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp"><img class="aligncenter size-full wp-image-10770" title="msiA iNFORMA" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp" alt="" width="240" height="50" /></a></strong></p>
<p><strong>Um promissor pacote de investimentos em projetos de infraestrutura voltados para a integração regional foi anunciado em Brasília, na reunião ministerial do Conselho Sul-Americano de Infraestrutura e Planejamento (Cosiplan), em 30 de novembro. São 31 projetos viários e de telecomunicações, que deverão receber investimentos da ordem de 14 bilhões de dólares até 2022 e beneficiarão todos os 12 países do subcontinente.</strong></p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/cosiplan.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-12092" title="cosiplan" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/cosiplan-300x121.jpg" alt="" width="546" height="220" /></a></p>
<h2>Projetos garantidos</h2>
<p>Os recursos para os projetos deverão provir dos próprios governos nacionais e de organismos multilaterais.<em> «São projetos nacionais que já têm a sua garantia financeira definida. Para essa agenda prioritária, vamos trabalhar com organismos internacionais, mas também com a receita de cada um dos países»</em> — disse a ministra do Planejamento Miriam Belchior, anfitriã e presidente da reunião (<em>Brasil Econômico</em>, 1º./12/2011).</p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/miriam-belchior.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-12094" title="miriam-belchior" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/miriam-belchior-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p>Em uma demonstração da crescente percepção dos benefícios dos investimentos em infraestrutura para a integração regional, inclusive, como iniciativas anticrise, a ministra defendeu a necessidade de mobilização dos bancos de desenvolvimento regionais, como forma de minimizar os efeitos da crise global nas economias sul-americanas. <em></em></p>
<blockquote><p><em>«Há ainda desafios adicionais de continuarmos trabalhando individualmente e de forma coordenada</em> [em áreas] <em>como o financiamento. Aumentos de financiamento são fundamentais e os aumentos recentes são sinal dos avanços da nossa região»</em> — disse ela.</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Prtojetos de infraestrutura são fundamentais</h2>
<p>Por sua vez, o chanceler Antonio Patriota ressaltou que os países da União de Nações Sul-americanas (Unasul) precisam se empenhar de forma conjunta em processos de desenvolvimento autônomos, nos quais a infraestrutura desempenha um papel fundamental. Segundo ele, desde 2003, o processo de integração recebeu 11,7 bilhões de dólares em recursos públicos encabeçados pelo Brasil.</p>
<p><em>«Estamos substituindo a lógica dos eixos de exportação pela dos eixos de desenvolvimento regional» </em>— disse o chefe da Coordenação-Geral de Assuntos Econômicos da América Latina e do Caribe do Itamaraty, João Mendes Pereira. De acordo com ele, a orientação exportadora era defendida pela Iniciativa para a Integração da Infraestrutura Regional Sul-Americana (IIRSA), estabelecida após a cúpula sul-americana de Brasília, em 2000.<em></em></p>
<blockquote><p><em> «A IIRSA não ofereceu uma solução efetiva e de alto nível para a integração voltada ao desenvolvimento dos nossos países. Ela deu um suporte enorme a estudos e projetos, mas falhou para encontrar mecanismos de financiamento»</em> — afirmou (<em>Valor Econômico</em>, 28/11/2011).</p></blockquote>
<p>Entre os projetos prioritários, destacam-se o corredor ferroviário bioceânico que deverá ligar o porto brasileiro de Paranaguá ao chileno de Antofagasta, via Paraguai e Argentina, e um mega-anel de fibra ótica de 10 mil quilômetros, para interligar toda a região e aumentar a eficiência e baratear os custos de uso da Internet, com uma rede de banda larga.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>BNDES em destaque</h2>
<p>Os projetos da IIRSA tinham como principal financiador o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Para os projetos aprovados em Brasília, outras entidades deverão ganhar maior peso, como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Corporação Andina de Fomento (CAF), o Fundo Financeiro para o Desenvolvimento da Bacia do Prata (Fonplata) e outros de menor peso, como os argentinos Banco de Inversiones y Comercio Exterior (Bice) e Banco de la Nación e o venezuelano Banco de Desarrollo Econômico y Social (Bandes).</p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/Luiz-Eduardo-Melin.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-12095" title="Luiz-Eduardo-Melin" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/Luiz-Eduardo-Melin-300x225.jpg" alt="" width="244" height="183" /></a>Para o diretor da área internacional do BNDES, Luiz Eduardo Melin, é preciso <em>«escaparmos da armadilha de submeter a agenda de integração da infraestrutura à lógica corporativa de apenas uma instituição financeira»</em>. Ele afirma que as dificuldades de financiamento de tais projetos diminuiu, embora seja preciso atentar para as garantias financeiras:</p>
<blockquote><p><em>«Hoje há mais facilidade de crédito disponível do que mecanismos de garantia desses projetos. Vale a pena até explorarmos fontes privadas de financiamento, já que o horizonte de rentabilidade dos fundos de investimento estrangeiros caiu com a crise no Hemisfério Norte.»</em></p></blockquote>
<p>Melin sugere que os governos deverão ser avaliar mecanismos como a instituição de fundos específicos que permitam uma alavancagem de recursos de até seis a sete vezes, o que significa que, para uma carteira de projetos de 18 bilhões de dólares, os governos precisarão oferecer cerca de 3 bilhões de dólares de garantias a eles. Valores que, é forçoso reconhecer, são irrisórios diante das perspectivas dos efeitos multiplicadores incalculáveis oferecidos pelos projetos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Alguns projetos:</h2>
<p>A reportagem do <em>Valor Econômico</em> destaca o projeto do corredor bioceânico Paranaguá-Antofagasta, cujo custo total seria da ordem de 3,7 bilhões de dólares. O traçado tem uma extensão de 3.576 km em bitola métrica e aproveita a malha já existente em 17 dos seus 26 lotes, sendo a principal lacuna a travessia do Paraguai, com 608 km, cuja malha ferroviária é praticamente inexistente e teria que ser totalmente reconstruída (como o país dificilmente disporá dos recursos necessários, a participação brasileira terá que ser considerada). A Argentina precisaria construir 63 km adicionais e o Chile, nada.</p>
<p>No Brasil, seria preciso construir três trechos: um entre Cascavel (PR) e Foz do Iguaçu (PR), com 173 km e orçamento de R$ 583 milhões, em área de concessão da Ferroeste; outro entre Cascavel e Maracaju (MS), com 440 km e orçado em R$ 1,4 bilhão; e contornos das áreas urbanas de Joinville (SC), Curitiba (PR) e Jaraguá do Sul (SC), em áreas operadas pela América Latina Logística (ALL). Além disto, seria preciso construir uma ponte ferroviária sobre o rio Paraná.</p>
<p>Segundo um estudo técnico contratado pelo BNDES, o projeto pode ser implementado até 2015, proporcionando uma economia imediata de custos de transporte da ordem de 200 milhões de dólares anuais, na sua área de influência, valor que poderia chegar a mais de 500 milhões de dólares, até 2045. Entretanto, tais números são apenas estimativas, pois as oportunidades de implementação de novas atividades econômicas criadas pela existência de um moderno eixo ferroviário, eventualmente integrado com a utilização plena da hidrovia Paraguai-Paraná, tem um grande potencial de efeitos multiplicadores quase impossíveis de serem prognosticados.</p>
<p>Um trecho do documento assinala:</p>
<blockquote><p><em>«Em médio prazo, as unidades territoriais Paraguai Centro e Antofagasta tornam-se mais dinâmicas, enquanto o Sudoeste do Mato gRosso do Sul e Atacama ganham mais importância, dentre outras mudanças menos evidentes.»</em></p></blockquote>
<p>Outro projeto de enorme alcance é um anel de fibra ótica com 10 mil km de extensão, que deverá beneficiar todos os países sul-americanos. Na verdade, apenas cerca de 2 mil km precisarão ser construídos, para interconectar as redes de fibra ótica já existentes em cada país. O projeto tem um custo estimado em menos de R$ 100 milhões e poderá estar concluído até 2014.</p>
<p>Além de baratear o acesso à Internet em toda a região, a rede permitirá uma considerável redução no tráfego de dados que passa pelos EUA. Hoje, um e-mail entre o Brasil e a Colômbia precisa viajar aos EUA antes de chegar ao seu destino. Um outro enviado de Cruzeiro do Sul (AC) a Puerto Maldonado, no Peru, a poucas centenas de quilômetros, precisa seguir o trajeto que passa por Brasília, Fortaleza, Miami, Califórnia e Lima.</p>
<p>Outra vantagem, apontada pelo diretor do Departamento de Banda Larga do Ministério das Comunicações, Artur Coimbra, é a redução da vulnerabilidade da Internet sul-americana a um atentado terrorista nos EUA, que poderia limitar as conexões na região. Segundo ele, os ajustes tecnológicos necessários para interconectar as redes locais são pequenos e não representam maiores problemas.</p>
<p>O projeto deverá envolver as empresas estatais de telecomunicações de todos os países sul-americanos, com a exceção do Chile e do Peru, que só têm <em>backbones</em> privados.</p>
<p style="text-align: right;" align="right"><span style="color: #ff6600;"><strong><em>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</em></strong></span></p>
<p><strong> <a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/03/2000px-Decorative_text_divider_4.svg_.png"><img class="aligncenter size-medium wp-image-7413" title="2000px-Decorative_text_divider_4.svg" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/03/2000px-Decorative_text_divider_4.svg_-300x12.png" alt="" width="300" height="12" /></a></strong></p>
<p><strong>Créditos </strong>➞<strong> </strong>este post é matéria apresentada no Boletim Eletrônico <strong><em>MSIa INFORMA</em></strong>, do <strong><em>MSIa –</em></strong><em> <strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em>, Vol. III, N<sup>o</sup> 29, de 02 de dezembro de 2011.</p>
<p><strong><em>MSIa INFORMA</em></strong><strong> </strong>➞<strong> </strong>é uma publicação do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa). Conselho Editorial: Angel Palacios, Geraldo Luís Lino, Lorenzo Carrasco (Presidente), Marivilia Carrasco e Silvia Palacios. Endereço: Rua México, 31 &#8211; sala 202 &#8211; Rio de Janeiro (RJ) &#8211; CEP 20031-144; Telefax: 0xx 21-2532-4086.</p>
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		<title>Brasil adota (oportunas) medidas anticrise</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Nov 2011 12:04:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sustentabilidade]]></category>
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		<description><![CDATA[Sem fazer muito alarde, o governo brasileiro vem adotando certas medidas de proteção contra o mais que provável aprofundamento da crise sistêmica global, as quais poderão proporcionar ao País melhores condições para enfrentar a combinação de furacão classe 5 e tsunami que ameaça engolfar o cada dia mais disfuncional sistema financeiro e monetário mundial.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp"><img class="aligncenter size-full wp-image-10770" title="msiA iNFORMA" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp" alt="" width="240" height="50" /></a></p>
<p><strong>Sem fazer muito alarde, o governo brasileiro vem adotando certas medidas de proteção contra o mais que provável aprofundamento da crise sistêmica global, as quais poderão proporcionar ao País melhores condições para enfrentar a combinação de furacão classe 5 e tsunami que ameaça engolfar o cada dia mais disfuncional sistema financeiro e monetário mundial.</strong></p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/11/dilma-rousseff.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-12014" title="dilma-rousseff" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/11/dilma-rousseff-300x186.jpg" alt="" width="300" height="186" /></a></p>
<h2>Queda oportuna</h2>
<p>Para tanto, foi fundamental o enquadramento do Banco Central de Alexandre Tombini na orientação da política econômica geral do governo, manifestada com a redução das taxas de juros básicos (Selic) que vem ocorrendo desde agosto. Neste caso, é significativo que os próprios mercados financeiros parecem ter se ajustado aos fatos, após certas reações negativas iniciais, grandemente motivadas por reflexos condicionados dos setores que passaram as últimas décadas exercendo uma hegemonia quase absoluta sobre a orientação do BC. Nas últimas semanas, desapareceram quase totalmente as críticas à posição do banco sobre o agravamento do cenário global, que foi a principal justificativa para a reversão da alta dos juros. Como afirmam alguns analistas, o mercado <em>«encampou a visão do BC»</em>.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Imposto sobre a especulação</h2>
<p>Uma providência de grande alcance foi o Projeto de Lei de Conversão 26/2011, que determina o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre contratos de derivativos vinculados à taxa de câmbio do dólar. De acordo com o texto, já aprovado no Congresso, os contratos do gênero assinados a partir de 17 de setembro último terão que pagar 1% de IOF, valor que poderá ser aumentado para 25%, no caso de operações especulativas que, no entendimento do governo, coloquem em risco a estabilidade do real (<em>Agência Brasil</em>, 16/11/2011).</p>
<p>Por iniciativa do senador Blairo Maggi (PR-MT), relator do projeto no Senado, o governo publicará um decreto isentando os exportadores da cobrança do imposto. Apesar de considerar a medida como <em>«muito forte»</em> e <em>«um cheque em branco»</em> para o governo, Maggi entende que ela é necessária para combater a especulação de fundos internacionais que apostam na valorização do real.</p>
<p>Considerando a enorme relutância dos governos em geral para taxar operações especulativas, a medida é das mais oportunas e indicativas de que, se necessário, outras providências semelhantes poderão entrar na pauta.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Fundo latino-americano de reservas</h2>
<p>Outra iniciativa relevante é a discussão sobre a criação de um fundo regional de reservas para ajudar países eventualmente afetados pela crise, que vem ocorrendo desde agosto. Na sexta-feira 25 de novembro, os ministros da Fazenda e presidentes dos bancos centrais sul-americanos se reunirão em Buenos Aires para discutir a proposta. De acordo com funcionários do governo, as discussões técnicas têm avançado bastante, embora ainda não tenha sido tomada uma decisão oficial sobre a criação do fundo e o seu formato, se seria criado um novo fundo ou haveria uma ampliação do já existente Fundo Latino-Americano de Reservas (FLAR), que conta com recursos de 4 bilhões de dólares – quase insignificantes para uma emergência séria. O agravamento da crise global e a falta de resultados concretos na recente cúpula do G-20 estão entre os motivos mencionados para justificar a iniciativa (<em>Brasil Econômico</em>, 21/11/2011).</p>
<p>A iniciativa denota um amadurecimento da percepção da integração regional como uma prioridade estratégica para o Brasil. Apesar dos altos e baixos que têm marcado o processo integracionista, ele não tem deixado de avançar e são promissoras as perspectivas para o seu aprofundamento. Em um futuro não distante, é possível vislumbrar a consolidação de uma autêntica união aduaneira regional, com os necessários ajustes referentes às assimetrias entre as economias da região, da qual o País seria um grande beneficiário.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Agravamento da crise mundial</h2>
<p>Em sua coluna semanal na revista <em>Carta Capital</em> (21/11/2011), o ex-ministro Delfim Netto também considera como favas contadas o agravamento da crise global, comentando as especulações sobre a desaceleração econômica nos EUA, Alemanha, China e eurozona em geral.</p>
<p>Para ele, o Brasil <em>«tem se conduzido bastante bem diante dessas situações de crise que estão abalando a sociedade mundial»</em>. Citando a crise de 2007-2008, destacou a atitude do governo Lula, com políticas de estímulo à produção e manutenção dos empregos:</p>
<blockquote><p>(&#8230;) <em>«Enquanto na maioria dos países a prioridade passou a ser a salvação do sistema bancário, aqui a intuição do presidente mostrou que o dever sagrado dos governos era garantir às pessoas as condições de continuar trabalhando e consumindo. E tão logo superou a fase crítica tratou de renovar os incentivos aos setores privados para a retomada do crescimento, com ênfase no aumento da produção industrial e nos investimentos na infraestrutura.»</em> (&#8230;)</p>
<p><em>«O principal objetivo do governo Dilma – da mesma forma que no governo Lula – é claramente manter a economia brasileira crescendo o mais próximo possível do pleno emprego e, na medida em que as condições externas não se tornem determinantes, acelerar o ritmo do desenvolvimento. Em nenhum instante isso significou leniência diante das pressões inflacionárias, e sim uma atitude mais inteligente de combater a inflação dilatando apenas o prazo para que a taxa retorne ao centro da meta. Hoje, os agentes do mercado financeiro, antes reticentes, já trabalham com a expectativa de que o núcleo da meta seja atingido no fim de 2012.»</em></p></blockquote>
<h2>Crítica às ONGs</h2>
<p>Prosseguindo, Delfim observa que o País tem superado obstáculos que, anteriormente, costumavam criar grandes problemas. Entre eles, faz uma oportuna referência às questões ligadas ao meio ambiente:</p>
<blockquote><p><em>«O Brasil está superando duas das três principais dificuldades que frequentemente interrompiam o seu desenvolvimento: as crises de pagamentos externos e a escassez de energia. O terceiro problema, o da autonomia alimentar, já estava sendo resolvido neste início de século e se consolidou de forma extraordinária por um processo de expansão da fronteira agrícola e de rápido crescimento da produtividade (inclusive na pecuária), fruto dos investimentos em pesquisa de empresas privadas e públicas, notadamente da Embrapa.»</em> (&#8230;)</p>
<p><em>«A ameaça de crises de pagamento e de falta de energia foi afastada quase que pelo mesmo fator, a confirmação das reservas petrolíferas do pré-sal. No caso da autonomia energética, é de justiça que se reconheça a participação decisiva e corajosa do presidente Lula e de sua ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, quando derrotaram as objeções das inúmeras organizações (supostamente não governamentais) no Brasil e no exterior, as quais conseguiam retardar o aproveitamento da hidroenergia dos rios da Amazônia.»</em></p></blockquote>
<h2>Enquadrando as ONGs</h2>
<p>De fato, a despeito de certas concessões, a área ambiental é outra na qual a presidente tem demonstrado uma inusitada disposição de limitar a interferência do movimento ambientalista nos processos decisórios sobre políticas públicas e projetos específicos. O enquadramento das organizações não-governamentais (ONGs), proporcionado pelas denúncias de irregularidades em convênios assinados com certos ministérios, e a recente edição da Portaria Interministerial 419/2011, que regulamenta a atuação dos órgãos e entidades do governo federal envolvidos no licenciamento ambiental, podem vir a ser um divisor de águas para limitar a enorme influência política do movimento ambientalista-indigenista no País.</p>
<p>Com tais medidas, e outras que poderão vir a ser tomadas em caso de necessidade, a presidente sinaliza pelo menos uma intenção de não se deixar conduzir pelos atores que, até agora, vinham dando as cartas nas políticas financeiras, ambientais e indigenistas. O País aplaude e apoia.</p>
<p style="text-align: right;" align="right"><span style="color: #ff6600;"><strong><em>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</em></strong></span></p>
<p><strong> <a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/03/2000px-Decorative_text_divider_4.svg_.png"><img class="aligncenter size-medium wp-image-7413" title="2000px-Decorative_text_divider_4.svg" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/03/2000px-Decorative_text_divider_4.svg_-300x12.png" alt="" width="300" height="12" /></a></strong></p>
<p><strong>Créditos </strong>➞<strong> </strong>este post é matéria apresentada no Boletim Eletrônico <strong><em>MSIa INFORMA</em></strong>, do <strong><em>MSIa –</em></strong><em> <strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em>, Vol. III, N<sup>o</sup> 28, de 24 de novembro de 2011. Introduzi subtítulos no texto para facilitar e incentivar a leitura.</p>
<p><strong><em>MSIa INFORMA</em></strong><strong> </strong>➞<strong> </strong>é uma publicação do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa). Conselho Editorial: Angel Palacios, Geraldo Luís Lino, Lorenzo Carrasco (Presidente), Marivilia Carrasco e Silvia Palacios. Endereço: Rua México, 31 &#8211; sala 202 &#8211; Rio de Janeiro (RJ) &#8211; CEP 20031-144; Telefax: 0xx 21-2532-4086.</p>
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<p>&nbsp;</p>
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		<title>Uma agenda protetora para o Brasil</title>
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		<pubDate>Sat, 19 Nov 2011 15:00:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sustentabilidade]]></category>
		<category><![CDATA[Crise financeira]]></category>
		<category><![CDATA[Crise global]]></category>
		<category><![CDATA[Desenvolvimento sustentável]]></category>
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		<category><![CDATA[Oligarquias internacionais]]></category>
		<category><![CDATA[Política internacional]]></category>
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		<description><![CDATA[O Governo Federal tomou, recentemente, duas medidas protecionistas para reduzir a erosão da capacidade produtiva nacional diante dos impactos combinados da enxurrada de importações asiáticas e dos efeitos recessivos da crise global. A primeira foi a elevação em 30% do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para os automóveis importados. A segunda, a concessão de uma vantagem de até 25% nos preços oferecidos por empresas nacionais em licitações para compras governamentais. Embora sejam limitadas e temporárias, ambas provocaram reações no exterior, motivando acusações de protecionismo contra o Brasil, em órgãos como a Organização Mundial do Comércio (OMC) e a União Europeia (UE).]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp"><img class="aligncenter size-full wp-image-10770" title="msiA iNFORMA" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp" alt="" width="235" height="49" /></a></p>
<p><strong>O Governo Federal tomou, recentemente, duas medidas protecionistas para reduzir a erosão da capacidade produtiva nacional diante dos impactos combinados da enxurrada de importações asiáticas e dos efeitos recessivos da crise global. A primeira foi a elevação em 30% do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para os automóveis importados. A segunda, a concessão de uma vantagem de até 25% nos preços oferecidos por empresas nacionais em licitações para compras governamentais. Embora sejam limitadas e temporárias, ambas provocaram reações no exterior, motivando acusações de protecionismo contra o Brasil, em órgãos como a Organização Mundial do Comércio (OMC) e a União Europeia (UE).</strong></p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/11/organizacao-mundial-do-comercio.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-11802" title="organizacao-mundial-do-comercio" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/11/organizacao-mundial-do-comercio.jpg" alt="" width="292" height="280" /></a></p>
<h2>Retaliações possíveis</h2>
<p>Na OMC, o Japão e a Coreia do Sul se apressaram em apontar o dedo contra o Brasil, no Comitê de Acesso ao Mercado. O passo seguinte poderá ser um questionamento oficial, passível de abrir caminho a retaliações. Para a recente cúpula do G-20, a OMC elaborou um relatório no qual acusa o Brasil, a Índia e a Rússia de serem os países do grupo que mais impuseram novas medidas restritivas do comércio nos últimos meses (<em>Valor Econômico</em>, 31/10/2011).</p>
<p>Por sua vez, a UE também colocou o Brasil e seus colegas do grupo BRICS, China e Rússia, na alça de mira. Em dezembro, o bloco europeu deverá anunciar uma nova legislação sobre compras governamentais, visando em especial os três países, exigindo reciprocidade nas vantagens concedidas às suas empresas, sob ameaça de fechar o seu mercado às deles.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Diretrizes escapistas</h2>
<p>As reações denotam o alto grau de desorientação das lideranças globais quanto diretrizes políticas mais eficazes para a superação da crise sistêmica: em lugar de uma estratégia concertada que vá às raízes da crise, com uma ampla reforma do sistema financeiro mundial e a reorientação da economia para a produção física (que, reconhecidamente, contraria muitos interesses hegemônicos), prefere-se uma abordagem do gênero &#8220;farinha-pouca-meu-pirão-<wbr>primeiro&#8221;, com disputas em torno de fatias dos mercados nacionais. Apesar de terem efeitos limitados e, em última análise, não poderem assegurar a superação da crise global como um todo, a proteção das capacidades produtivas e dos mercados internos são uma atribuição e responsabilidade dos governos nacionais. Por isso, as iniciativas sugerem que o governo da presidente Dilma Rousseff está atento aos &#8220;sinais meteorológicos&#8221; da tempestade global.</wbr></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/11/carlos_lessa.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-11804" title="carlos_lessa" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/11/carlos_lessa-270x300.jpg" alt="" width="270" height="300" /></a></p>
<h2>A presidente sabe&#8230;</h2>
<p>Essa avaliação é compartilhada pelo economista Carlos Lessa, ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em sua coluna mensal no <em>Valor Econômico</em> de 9 de novembro, devidamente intitulada «A Presidente Sabe». No texto, Lessa faz um preciso diagnóstico do cenário global e sugere linhas de ação que poderão ampliar consideravelmente a margem de manobra do País em meio às turbulências. Vale a pena atentar para elas:</p>
<blockquote><p><strong><em>♦ «A presidente sabe que a crise mundial, explicitada em 2008, será de longa duração e que o mundo pós-crise não é previsível, mas haverá a modificação geopolítica do planeta, uma profunda onda de inovações tecnológicas e alteração em padrões comportamentais.»</em></strong></p>
<p><em>♦ «A presidente sabe que o futuro exige conhecimento das restrições para, no âmbito do raio de manobra, serem a nação, o povo e sua economia uma folha ao vento da História ou, com a vontade civilizatória e solidária do povo, explicita r e desdobrar um projeto nacional.»</em></p>
<p><strong><em>♦ «A presidente sabe a perversa tendência do sistema financeiro de, em tempos de crise, adotar políticas defensivas que aprofundam a crise. Keynes falava da &#8220;preferência pela liquidez&#8221;, que desvia as empresas da realização de investimentos de ampliação de capacidade produtiva e passam a optar pr aplicações financeiras&#8230; O coletivo de empresas, acreditando na crise, adota uma conduta que acelera e aprofunda a crise. No limite, participam de um estouro de boiada que corre para o precipício.»</em></strong></p>
<p><strong><em>♦ «A presidente sabe que o Fed (Federal Reserve) adquiriu ativos podres e duvidosos e injetou volumes colossais de recursos no sistema bancário americano. Entretanto, esses bancos não estão reativando a economia&#8230; Os indicadores macroeconômicos dos EUA são inquietantes.»</em></strong></p>
<p><em>♦ «A presidente sabe que os bancos</em> [provavelmente, ele quis dizer "países" - n.e.]<em> da zona do euro não conseguem coordenar suas políticas nacionais e tendem a praticar um contracionismo que sinaliza persistência e aprofundamento da crise.»</em></p>
<p><strong><em>♦ «A presidente sabe que tanto os EUA como a comunidade europeia estão reduzindo importações. A China, que vinha sustentando o crescimento, vem perdendo ímpeto e já sinaliza procedimentos de reforço de seus bancos oficiais&#8230;»</em></strong></p>
<p><em>♦ «A presidente sabe que a Bolsa de Mercadorias de Chicago sustenta os preços relativos de alimentos, de algumas matérias-primas e do petróleo </em>[na verdade, estes são controlados pela International Petroleum Exchange, New York Mercantile Exchange e International Exchange - n.e.]<em>. Há uma preferência crescente dos especuladores mundiais por aplicações arbitradas pela Bolsa de Mercadorias de Chicago, mas isto pode mudar.»</em></p>
<p><strong><em>♦ «A presidente sabe que, frente à crise mundial, o Brasil deve &#8220;botar suas barbas de molho&#8221;. Felizmente, temos o Banco do Brasil, a Caixa Econômica e o BNDES, que respondem à orientação soberana nacional de não participar da manada&#8230;»</em></strong></p>
<p><em>♦ «A presidente sabe que é importante reforçar o sistema bancário oficial e reduzir os juros básicos. A presidente, corretamente, quer estimular a construção civil em um programa de habitação popular&#8230; Manter a demanda interna ampliando o endividamento familiar com a compra de veículos automotores e outros bens duráveis tem um efeito macrodinâmico menor e é patrimonialmente equivocado em relação à família brasileira&#8230; Porém, é necessário planejar o futuro das cidades e ampliar o investimento na infraestrutura urbana.»</em></p>
<p><em>♦ «A presidente sabe que é possível e necessário fazer muito mais. O câmbio tem que voltar a ser controlado&#8230; Devemos selecionar com critério aplicações financeiras do exterior, reduzir o endividamento com risco cambial do setor privado, ampliar a proteção a ramos industriais clássicos e adotar uma política pública de &#8220;comprar o produto brasileiro&#8221;.»</em></p>
<p><strong><em>♦ «A presidente está informada das pressões externas. Algumas deveriam ser ridicularizadas; as associações americanas de indústrias de confecção e calçados protestaram contra a adoção&#8230; de medidas defensivas desses ramos industriais clássicos e ameaçados. Quero crer que são as matrizes interessadas em que suas filiais da China ampliem a avalanche de exportações para o Brasil.»</em></strong></p></blockquote>
<p>Lessa conclui com uma professoral chamada de atenção:</p>
<blockquote><p><span style="color: #ff0000;"><em><strong>«Somente critico a presidente pela modéstia das medidas&#8230; A timidez não é sábia em momentos de crise mundial.»</strong></em></span></p></blockquote>
<p style="text-align: right;" align="right"><span style="color: #ff6600;"><strong><em>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</em></strong></span></p>
<p><strong> <a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo.png"><img class="aligncenter size-medium wp-image-10922" title="div-novo" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo-300x13.png" alt="" width="300" height="13" /></a></strong></p>
<p><strong>Créditos </strong>➞<strong> </strong>este post é matéria apresentada no Boletim Eletrônico <strong><em>MSIa INFORMA</em></strong>, do <strong><em>MSIa –</em></strong><em> <strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em>, Vol. III, N<sup>o</sup> 26, de 11 de novembro de 2011. Introduzi subtítulos no texto para facilitar e incentivar a leitura.</p>
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		<title>Esquizofrenia energética europeia</title>
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		<pubDate>Fri, 28 Oct 2011 23:44:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O confronto da realidade dos fatos com a ideologia ambientalista está redundando em um comportamento verdadeiramente esquizofrênico por parte das lideranças europeias, no que se refere à política energética. No Reino Unido, o preocupante fenômeno da "pobreza energética" aumenta o número dos afetados pela dificuldade de pagamento das tarifas crescentes, em razão dos subsídios às fontes "renováveis", e a "descarbonização" da economia se mostra cada vez mais inviável. Na Espanha, chega-se à conclusão de que a energia nuclear não poderá ser abandonada a médio prazo. E, na Alemanha, ainda permanece um clima de euforia com as fontes "renováveis", ignorando-se todos os sinais de que tal aventura poderá resultar em uma catástrofe econômica.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp"><img class="aligncenter size-full wp-image-10770" title="msiA iNFORMA" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp" alt="" width="240" height="50" /></a></strong></p>
<p><strong>O confronto da realidade dos fatos com a ideologia ambientalista está redundando em um comportamento verdadeiramente esquizofrênico por parte das lideranças europeias, no que se refere à política energética. No Reino Unido, o preocupante fenômeno da &#8220;pobreza energética&#8221; aumenta o número dos afetados pela dificuldade de pagamento das tarifas crescentes, em razão dos subsídios às fontes &#8220;renováveis&#8221;, e a &#8220;descarbonização&#8221; da economia se mostra cada vez mais inviável. Na Espanha, chega-se à conclusão de que a energia nuclear não poderá ser abandonada a médio prazo. E, na Alemanha, ainda permanece um clima de euforia com as fontes &#8220;renováveis&#8221;, ignorando-se todos os sinais de que tal aventura poderá resultar em uma catástrofe econômica.</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/10/Christopher-Booker.jpeg"><img class="alignright size-medium wp-image-11607" title="Christopher-Booker" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/10/Christopher-Booker-204x300.jpg" alt="" width="204" height="300" /></a>Euforia &#8220;verde&#8221; em declínio</h2>
<p>Em um artigo publicado no londrino <em>Sunday Telegraph</em> (23/10/2011), o colunista Christopher Booker apresenta reflexões oportunas sobre a questionável política energética do Reino Unido. Entre outros itens, ele ressalta o fracasso do ambicioso projeto de &#8220;sequestro de carbono&#8221; incluído acoplado à central termelétrica de Longannet, na Escócia – que tinha um custo estimado de 1 bilhão de libras esterlinas – para sublinhar que a realidade está se impondo aos planos &#8220;verdes&#8221; do governo britânico, fazendo-o retroceder em algumas de suas ambições.</p>
<p>Sobre os preços, Booker destaca que a progressiva tributação sobre a energia (atualmente em 18%), que cresceu vertiginosamente nos últimos anos para custear os programas de promoção de fontes renováveis, contribuiu para elevar a inflação no país ao patamar mais alto dos últimos 20 anos. Tal situação tem ampliado a chamada &#8220;pobreza energética&#8221;, situação em que as famílias passam a comprometer mais de 10% das suas rendas com as contas de energia, ficando comprometidas para as funções mais básicas, como o aquecimento doméstico nos períodos mais frios.</p>
<p>Um recém divulgado estudo do economista John Hills, professor da Escola de Economia de Londres, estima que cerca de 2.700 pessoas estão morrendo por ano, na Inglaterra e em Gales, como resultado da impossibilidade de aquecer os seus lares, número superior ao de mortes por acidentes de trânsito nos dois países.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Imposição &#8220;verde&#8221;</h2>
<p>Booker critica, especialmente, o ministro de Energia e Mudanças Climáticas Chris Huhne, pela insistência na preservação de tal política energética, com a imposição de medidas como forçar as empresas geradoras de eletricidade a pagar 16 libras por cada tonelada de carbono emitido, com uma meta de que o valor seja elevado gradativamente até 70 libras por tonelada, em 2030.</p>
<p>Enquanto isso, em uma demonstração de que a lição não foi aprendida, o governo alemão tem aprofundado os seus planos com relação às fontes &#8220;renováveis&#8221;, em especial a eólica. Na edição de 23 de outubro, a revista <em>Der Spiegel</em> publicou uma reportagem exaltando a central eólica de Alpha Ventus, no mar do Norte, proclamando-a como sendo capaz de gerar até 12 vezes mais eletricidade do que a primeira usina nuclear da História. A façanha parece digna de nota, se o leitor não se der ao trabalho de constatar que a primeira usina nuclear, a soviética Obnisk, que começou a operar em 1954, era pouco mais do que uma iniciativa experimental e gerava apenas 5 megawatts, 100 a 250 vezes menos do que qualquer uma das atuais centrais alemãs, que o governo federal pretende fechar até 2022.</p>
<p>Composta de 12 aerogeradores, cada qual capaz de gerar 5 MW, a fazenda eólica de Alpha Ventus é apresentada na reportagem como um caso de sucesso, que viria a demonstrar a viabilidade econômica dessa opção energética. De fato, o governo da chanceler Angela Merkel pretende que as usinas eólicas sejam o principal instrumento para reduzir a grande dependência do país em relação ao gás importado da Rússia e, cada vez mais, da eletricidade importada da França e da República Checa, onde é gerada em usinas nucleares. O objetivo é fazer com que a energia dos ventos seja responsável por 20% da matriz energética alemã até 2020.</p>
<h2 style="text-align: left;" align="center"><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/07/energia-nuclear.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-10016" title="energia-nuclear" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/07/energia-nuclear-300x226.jpg" alt="" width="300" height="226" /></a></h2>
<h2 style="text-align: left;" align="center">Espanha: nuclear é indispensável</h2>
<p>Todavia, o peso da realidade costuma ser maior do que as ideologias alarmistas e salvacionistas, como o ambientalismo. Um exemplo inconteste deste fato é o caso da Espanha, país que se orgulha de ser líder mundial na geração renovável, mas onde já se reconhece que não se poderá prescindir da energia nuclear nas próximas décadas, apesar da percepção amplamente negativa desta fonte.</p>
<p>Sendo pobre em recursos energéticos (a produção interna de petróleo atende apenas a 2% do consumo, além de não contar com grandes reservas de gás natural e ter carvão de baixa qualidade), a Espanha se vê obrigada a rever os seus planos de desativar as oito usinas nucleares do país, com potência conjunta de 7.400 MW, responsáveis por 20% da geração total de eletricidade, como informa o jornal <em>El País</em> de 23 de outubro.</p>
<p>Tal realidade fica mais evidente quando se leva em consideração que, entre o 2000 e 2013, os espanhóis terão investido 65 bilhões de euros em geração &#8220;renovável&#8221;, mas continuam profundamente dependentes das importações de gás natural e petróleo para atender à sua demanda interna, permanecendo extremamente vulneráveis às intempéries no cenário internacional. Um aumento de 10 dólares no preço do barril de petróleo faz com que o país tenha que desembolsar 5 bilhões de dólares a mais com importações do insumo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Comparação de preços</h2>
<p>Outro fator que ressalta a relevância da energia nuclear é a comparação de custos: um megawatt/hora (MW/h) gerado por usinas fotovoltaicas custa entre 300-460 euros; por eólicas, 85 euros; por termelétricas a gás, 50-65 euros; por termelétricas a carvão, 42-58 euros; por usinas nucleares, 45 euros. Tais números ganham ainda mais relevância quando se leva em consideração que a Espanha é um dos países mais afetados pela atual crise econômica e financeira internacional.</p>
<p>Portanto, fica extremamente difícil para os espanhóis justificar a continuidade de investimentos bilionários em fontes energéticas ineficientes e dispendiosas. Esta é a realidade que os políticos europeus insistem em ignorar, ao pretender dar continuidade às suas pretensões de promoção da &#8220;agenda verde&#8221;.</p>
<p>A propósito, é de todo conveniente que os setores públicos e privados brasileiros tomem nota dos acontecimentos europeus, para que não incorram no mesmo equívoco de dar à geração eólica e solar uma importância maior do que a de fontes pontuais para a geração de ponta, como sugerem os últimos leilões de oferta de eletricidade realizados no País.</p>
<p style="text-align: right;" align="right"><span style="color: #ff6600;"><strong><em>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</em></strong></span></p>
<p><strong> <a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2010/12/div4.gif"><img class="aligncenter size-full wp-image-5750" title="div4" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2010/12/div4.gif" alt="" width="149" height="21" /></a></strong></p>
<p><strong>Créditos </strong>➞<strong> </strong>este post é matéria apresentada no Boletim Eletrônico <strong><em>MSIa INFORMA</em></strong>, do <strong><em>MSIa –</em></strong><em> <strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em>, Vol. III, N<sup>o</sup> 24, de 26 de outubro de 2011. Introduzi subtítulos no texto para facilitar e incentivar a leitura.</p>
<p><strong><em>MSIa INFORMA</em></strong><strong> </strong>➞<strong> </strong>é uma publicação do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa). Conselho Editorial: Angel Palacios, Geraldo Luís Lino, Lorenzo Carrasco (Presidente), Marivilia Carrasco e Silvia Palacios. Endereço: Rua México, 31 &#8211; sala 202 &#8211; Rio de Janeiro (RJ) &#8211; CEP 20031-144; Telefax: 0xx 21-2532-4086.</p>
<p><strong>Para saber mais sobre o tema </strong>➞<strong> </strong>visitar os sites da MSIa/Capax Dei:<strong> </strong><a href="http://www.alerta.inf.br/">http://www.alerta.inf.br/</a> e <a href="http://www.msia.org.br/">http://www.msia.org.br/</a>.</p>
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<p><strong><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-17bMicro.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-9618" title="HARPIAÁGUIA REALHARPIA HARPYJA137-001-04" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-17bMicro.jpg" alt="" width="60" height="47" /></a>Imagens</strong> ➞ <a href="http://derekbennetteu-sceptic.blogspot.com/">http://derekbennetteu-sceptic.blogspot.com</a>; <a href="http://www.eletronuclear.gov.br/">http://www.eletronuclear.gov.br</a></p>
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		<title>A Vale quer ser verde</title>
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		<pubDate>Mon, 24 Oct 2011 13:58:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sustentabilidade]]></category>
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		<description><![CDATA[Em sua última campanha publicitária, que estreou no início de junho na TV, a Vale investiu na imagem de companhia sustentável, capaz de transformar minérios em sonhos e ainda fazer tudo isso respeitando o meio ambiente e as comunidades nos arredores de suas minas e instalações. A campanha faz parte de um colossal projeto de lançamento da nova marca da empresa, que, em novembro do ano passado, deixou de ser a Vale do Rio Doce para se chamar apenas Vale. Com orçamento de 59 milhões de reais, a estratégia de divulgação do novo nome aproveita para colocar a Vale na onda da “companhia verde”, a mais nova tendência entre as grandes empresas globais que querem agregar uma imagem positiva ao seu nome — seja ela uma mineradora, um banco ou uma companhia de celulose.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/10/planeta-sustentavel.gif"><img class="alignleft size-full wp-image-11512" title="planeta-sustentavel" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/10/planeta-sustentavel.gif" alt="" width="156" height="182" /></a>A maior empresa privada do Brasil lança uma campanha com apelo ecológico – seu maior desafio será provar que sua preocupação vai além do marketing.</strong></p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/10/vale.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-11515" title="vale" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/10/vale-300x154.jpg" alt="" width="412" height="211" /></a></p>
<p><strong>Em sua última campanha publicitária, que estreou no início de junho na TV, a Vale investiu na imagem de companhia sustentável, capaz de transformar minérios em sonhos e ainda fazer tudo isso respeitando o meio ambiente e as comunidades nos arredores de suas minas e instalações. A campanha faz parte de um colossal projeto de lançamento da nova marca da empresa, que, em novembro do ano passado, deixou de ser a Vale do Rio Doce para se chamar apenas Vale. Com orçamento de 59 milhões de reais, a estratégia de divulgação do novo nome aproveita para colocar a Vale na onda da “companhia verde”, a mais nova tendência entre as grandes empresas globais que querem agregar uma imagem positiva ao seu nome — seja ela uma mineradora, um banco ou uma companhia de celulose.</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Para aparecer bem na foto</h2>
<p>Essas corporações já perceberam que empresas amigas do planeta têm maiores chances de ganhar a simpatia dos consumidores e investidores – principalmente na Europa e nos Estados Unidos. <em>«Há uma busca desenfreada por aparecer bonito na foto» —</em> diz Alejandro Pinedo, da consultoria Interbrand, especializada em avaliação e construção de marcas. <em>«O apelo à sustentabilidade passou a ser considerado um dos requisitos para tornar as empresas mais competitivas.»</em><br />
Um relatório da consultoria Ernst&amp;-Young divulgado em abril passado, aponta pela primeira vez a preocupação ambiental dos consumidores e investidores – qualificada como <em>radical greening</em> – como um dos dez principais riscos para os negócios de uma empresa. Nenhuma companhia quer ver colado à sua imagem o atributo de destruidora da natureza – e isso é particularmente dramático no caso de corporações que atuam em setores que já têm uma imagem ruim por seu alto impacto ambiental, como é o caso da mineração.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>O <em>ranking</em> “sustentável” da Vale</h2>
<p>No caso específico da Vale, a situação é complexa. Dois estudos recentes de bancos internacionais sobre sustentabilidade no setor de mineração colocaram a Vale em uma situação constrangedora. No primeiro, do Citigroup, a brasileira ficou em penúltimo lugar numa lista de 15 empresas. No segundo, da Goldman Sachs, a Vale foi a 14<sup>a</sup> entre 15 no <em>ranking</em> ambiental e a nona no <em>ranking</em> de investimentos sociais. Os bancos fazem esse tipo de relatório para orientar decisões de investimentos para clientes e instituições que levam em conta critérios de sustentabilidade na hora de aplicar seus recursos. Em maio passado, outro estudo, da Fundação Brasileira do Desenvolvimento Sustentável, fez uma comparação entre os relatórios de sustentabilidade divulgados em 2007 pelas cinco maiores mineradoras do mundo. O estudo avaliou 13 itens. A Vale ficou em último lugar entre nove.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Outras irregularidades</h2>
<p>A nova estratégia de <em>marketing</em> da Vale coincide com a expansão internacional da companhia. No ano passado, a empresa passou por seu primeiro teste de imagem global, meses depois do processo de aquisição da canadense Inco. O principal projeto da empresa era uma gigantesca mina de níquel na Nova Caledônia, uma ilha paradisíaca do oceano Pacífico, que enfrentava forte resistência dos aborígines que vivem próximo à área de extração. Ambientalistas europeus tomaram o partido dos aborígines e começaram a protestar contra a empresa. Preocupado com o impacto, o presidente da Vale, Roger Agnelli, se envolveu pessoalmente na solução da crise. Recentemente, a empresa anunciou que pararia de fornecer minério para os produtores de ferro-gusa acusados de usar trabalho escravo ou queimar carvão de madeira ilegal da Amazônia.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Nobre preocupação&#8230;</h2>
<p>A Vale não queria correr o risco de passar pelo que passaram os produtores de soja de Mato Grosso, após uma campanha internacional deflagrada pelo Greenpeace em maio de 2006. A ONG organizou protestos em lanchonetes do McDonald’s na Europa acusando a rede de vender produtos contendo carne de frango alimentado com soja proveniente de áreas de desmatamento irregular na Amazônia. Imediatamente, a rede de <em>fast food</em> pressionou seus fornecedores internacionais para não comprar mais a soja brasileira proveniente dos arredores da floresta. A Vale nega que esteja reforçando suas políticas de sustentabilidade em decorrência do processo de internacionalização. <em>«Sempre fomos preocupados com sustentabilidade. Apenas estamos investindo mais no processo de informação do que fazemos»</em> — diz Orlando Lima, diretor de sustentabilidade da Vale.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Falsas imagens “verdes”</h2>
<p>As iniciativas tomadas pela Vale nos últimos meses mostram que a empresa sabe que, pior do que não ter uma imagem de “companhia verde”, é ser acusada de que essa imagem é falsa. <em>«Algumas empresas que nos pedem para construir uma imagem “verde” no fundo não são tão verdes assim. Alertamos que o efeito de se forçar um vínculo que não existe pode ser um desastre»</em> — diz Pinedo, da Interbrand. <em>«A empresa precisa realmente ter comprometimento ambiental.»</em></p>
<p>Um dos casos que ainda despertam muita desconfiança, por exemplo, é o da British Petroleum. A BP, que sempre esteve associada à poluição, investiu 200 milhões de dólares nos últimos anos para se transformar numa companhia preocupada com meio ambiente, com grande espaço para energias alternativas. Isso, no entanto, não foi suficiente para livrá-la das acusações de <em>“greenwashing”</em> (maquiagem verde). Ainda hoje, a BP é patrulhada pelos ambientalistas, como provam as recentes denúncias de que estaria envolvida em um pesado<em> lobby</em> contra o endurecimento das leis ambientais nos Estados Unidos. No caso da Vale, por enquanto, a estratégia de aparecer como uma “companhia verde” não enfrentou reveses. Mas só o tempo – e as ações que vierem com ele – dirão se a campanha é apenas uma estratégia de <em>marketing</em> ou uma preocupação concreta.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>O apelo da sustentabilidade</h2>
<p>Três grandes empresas que apostaram no meio ambiente para melhorar sua imagem:</p>
<p><strong>MCDONALDS</strong><strong> </strong><strong><br />
</strong>A rede foi acusada pelo Greenpeace de ser cúmplice da destruição da Amazônia por vender<em> nuggets</em> feitos de carne de frango alimentado com soja plantada na floresta. A rede pressionou os fornecedores, que baniram a ração à base de soja da Amazônia.</p>
<p><strong>BRITISH PETROLEUM</strong></p>
<p>Em uma estratégia preventiva, a petrolífera inglesa decidiu anteciparse às cobranças dos consumidores e investiu 200 milhões de dólares para limpar sua imagem, apresentando-se como companhia de energia e não de petróleo.</p>
<p><strong>GENERAL MOTORS</strong></p>
<p>A GM estuda abrir mão da linha de utilitários <em>Hummer</em>, um dos grandes sucessos de venda da empresa nos últimos anos. O carro tem péssima imagem entre os americanos politicamente corretos por consumir grande quantidade de combustível.</p>
<p style="text-align: right;" align="right"><strong><em>Malu Gaspar</em></strong></p>
<p style="text-align: center;" align="right"><strong><em></em><br />
</strong><strong><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo.png"><img class="aligncenter size-medium wp-image-10922" title="div-novo" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo-300x13.png" alt="" width="300" height="13" /></a><a href="http://www.portalexame.com.br/" target="_blank"><br />
</a></strong></p>
<p><strong>Notas do Editor:</strong> <strong>em que pese o fato do texto acima ser de 2008, ainda é perfeitamente atual, pois ainda não se sabe, exatamente, o que a Vale está fazendo com respeito à sustentabilidade. As preocupações com sustentabilidade (coisa que ninguém sabe, exatamente, o que é), por parte das grandes corporações, nada mais são do que apenas um tipo de maquiagem devido a preocupações de <em>marketing </em>– ou seja, agregar ao nome da marca a imagem de boazinha e politicamente correta no que diz respeito à preservação ambiental – a grande moda no momento. Preocupações no que diz respeito à chamada &#8220;responsabilidade social&#8221;, reciclagem, reposição ambiental, economia de energia e outras coisas do gênero – que fazem parte do conceito global de sustentabilidade – não passam de obrigações óbvias que qualquer empresa tem que observar. Isso não é sustentabilidade, mas como não há outras atribuições factíveis e viáveis para sustentar a teoria da sustentabilidade, essas iniciativas passaram a ser consideradas como &#8220;qualidades&#8221; das empresas que se dizem sustentáveis&#8230; Mas o cerne da questão da sustentabilidade, teoricamente falando, que é a de se preservar os recursos naturais para as gerações futuras, ninguém comenta, pois isso é uma meta absolutamente impossível de se conseguir. Um dia os recursos acabarão, mesmo que se economize tudo o que for possível, pois, para haver a produção de alguma coisa, recursos naturais sempre serão consumidos. Essa onda de sustentabilidade, portanto, é uma farsa, apenas um truque de <em>marketing</em>. Conversa para boi dormir e para os tolos.</strong></p>
<p><strong>Mas o pior da Vale é dizer-se &#8220;Cada vez mais verde e amarela&#8221;. A venda do controle acionário da Vale foi concretizada em 6 de maio de 1997 para o Consórcio Brasil, liderado pela Companhia Siderúrgica Nacional, de <span style="color: #ff0000;">Benjamin Steinbruch</span>, que adquiriu o controle acionário da Vale por US$ 3.338.178.240 ou cerca de 3,3 bilhões de dólares, na ocasião, representando 27% do capital total da empresa, antes pertencente à União, que representavam 41,73% das ações ordinárias (com direito a voto) da empresa. As ações preferenciais (sem direito a voto) continuaram em mãos de acionistas privados. O preço total que o Tesouro Nacional do Brasil recebeu pela venda do controle acionário da empresa, equivale hoje a uma fração lucro trimestral da companhia; o valor atual da empresa é de 196 bilhões de dólares.</strong></p>
<p><strong><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-17bMicro.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-9618" title="HARPIAÁGUIA REALHARPIA HARPYJA137-001-04" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-17bMicro.jpg" alt="" width="60" height="47" /></a>Créditos:</strong> este post é matéria originalmente publicada na <strong></strong><strong><a href="http://www.portalexame.com.br/" target="_blank">Revista Exame &#8211; 02/07/2008</a></strong>, da autoria de Malu Gaspar. Introduzi subtítulos no texto para facilitar e incentivar a leitura.</p>
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		<title>Brasil: o Copom da discórdia</title>
		<link>http://blogdoambientalismo.com/brasil-o-copom-da-discordia/</link>
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		<pubDate>Sat, 08 Oct 2011 19:44:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sustentabilidade]]></category>
		<category><![CDATA[Crise financeira]]></category>
		<category><![CDATA[Crise global]]></category>
		<category><![CDATA[Economia nacional]]></category>
		<category><![CDATA[Infraestrutura]]></category>
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		<description><![CDATA[Em março de 2003, durante a sabatina para a sua aprovação pelo Senado, para o cargo de diertor de Política Monetária do Banco Central, o economista Luiz Augusto Candiota sentenciou: «Existem três grandes invenções desde o começo dos tempos: o fogo, a roda e o banco central». Pouco mais de um ano depois, no final de julho de 2004, Candiota pediu demissão, depois de a revista Isto É ter denunciado que ele e o então presidente do BC, Henrique Meirelles, haviam sonegado informações à Receita Federal. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2010/01/MSIamedio.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1848" title="MSIamedio" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2010/01/MSIamedio.jpg" alt="" width="85" height="43" /></a>Em março de 2003, durante a sabatina para a sua aprovação pelo Senado, para o cargo de diertor de Política Monetária do Banco Central, o economista Luiz Augusto Candiota sentenciou: <em>«Existem três grandes invenções desde o começo dos tempos: o fogo, a roda e o banco central»</em>. Pouco mais de um ano depois, no final de julho de 2004, Candiota pediu demissão, depois de a revista <em>Isto </em><em>É</em> </strong><strong>ter denunciado que ele e o então presidente do BC, Henrique Meirelles, haviam sonegado informações à Receita Federal. </strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Prerrogativa estatal</h2>
<p>Para a Humanidade, o banco central “independente” fica longe de ser um invento crucial como os outros dois citados na bravata de Candiota. Porém, para os grupos oligárquicos que se encastelam no topo do poder, ele é a maior das invenções, pois, tanto no Brasil como na maioria dos países ocidentais, é permitido o controle direto sobre algo que deveria ser uma prerrogativa exclusiva dos Estados nacionais – a emissão de moeda e crédito.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>O início dos bancos centrais</h2>
<p>A “fórmula” foi introduzida com a Criação do Banco da Inglaterra, estabelecido em 1694 por um consórcio de negociantes e financistas ingleses e holandeses, em troca do apoio financeiro dado ao príncipe holandês Guilherme de Orange para assumir o trono britânico como Guilherme III. O sucesso do banco incentivou as famílias bancárias que o controlavam a repetir a receita nos EUA, que, nas décadas finais do século XIX, já despontavam como a grande potência econômica mundial. A empreitada resultou na criação do Sistema da Reserva Federal, em 1913, sobre o qual o então deputado Charles A. Lindbergh Sr. [pai do aviador famoso] sintetizou, numa definição que, quase um século depois, se mostra precisa e atual:</p>
<blockquote><p><em>«Essa lei estabelece o mais gigantesco truste do planeta. Quando o presidente assinar essa lei, o governo invisível do poder financeiro será legalizado.» </em></p></blockquote>
<h2>Reação esperada</h2>
<p>Por isso, o controle do banco central, “independente” ou “autônomo”, em relação ao poder político, é uma das prerrogativas com as quais os grupos oligárquicos dominam as políticas monetárias e financeiras em favor dos seus interesses percebidos. Assim, não surpreendem as reações histéricas dos rentistas brasileiros e seus porta-vozes midiáticos à decisão do Conselho de Política Monetária (Copom) do BC, de reduzir a taxa Selic em meio ponto percentual, desde que a medida foi anunciada, em 31 de agosto.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/10/delfim-netto.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-11332" title="delfim-netto" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/10/delfim-netto-198x300.jpg" alt="" width="198" height="300" /></a>Críticas aos rentistas</h2>
<p>Com a sua conhecida verve irônica, o ex-ministro Antonio Delfim Netto se fez porta-voz dos brasileiros que não se beneficiam com os jogos financeiros com títulos da dívida pública, usando sua coluna no jornal <em>Valor Econômico </em>de 6 de setembro, para dar «Um Viva para o Copom»:</p>
<blockquote><p><em>«A indignada e quase raivosa reação de alguns analistas, que se supõem portadores da “verdadeira” ciência monetária, à recente decisão do Coporn, de baixar 50 pontos na Selic, revela que, para eles, a sacrossanta “independência” do Banco Central só é reconhecida quando este decide de acordo com os conselhos que eles, paciente, gratuita e patrioticamente, lhe dão todos os dias, através da mídia escrita, radiofônica e televisiva. Qualquer desvio só pode ser atribuído e explicado pela “pecaminosa” intervenção do governo que teria jogado a toalha: abandonou a “meta de inflação” e colocou em seu lugar a “meta de crescimento do PIB” – não importa a que “custo inflacionário”.» </em></p></blockquote>
<h2>A honesta posição de um banco central</h2>
<p>Em seguida, Delfim vai ao cerne da questão ao definir o que deveria ser a natureza do BC:</p>
<blockquote><p>«Trata-se, obviamente, de uma acusação irresponsável, injusta e arrogante. Irresponsável, porque colhida furtivamente de “fontes preservadas”, que podem não passar de pura e conveniente imaginação, desmentida, aliás, pelos votos divergentes. Injusta, porque pela primeira vez, em quase duas décadas, o Banco Central mostrou que é, efetivamente, um órgão de Estado com menor influência do setor financeiro privado. Arrogante, porque supõe que nenhuma outra visão e interpretação alternativa da realidade diferente da sua possa existir.»</p></blockquote>
<p>De fato, em qualquer governo minimamente comprometido com o bem comum e os interesses nacionais, qualquer sugestão de “autonomia” ou “independência” para o seu banco central é absurda por princípio, uma vez que as funções reguladoras da moeda e do crédito cabíveis ao banco não devem – ou não deveriam – ser dissociadas das diretrizes e ações do Estado. Ou seja, o banco tem que ser um instrumento das políticas públicas, e não dos mercados financeiros, como tem sido nas últimas décadas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/10/yoshiaki_nakano.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-11334" title="yoshiaki_nakano" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/10/yoshiaki_nakano-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a>Independência do BC</h2>
<p>Nessa mesma linha, outro comentarista que saudou a decisão do Copom foi Yoshiaki Nakano, da Fundação Getúlio Vargas, ex-secretário estadual da Fazenda (Governo Mário Covas), em sua coluna mensal no <em>Valor Econômico </em>de 13 de setembro, à qual deu o irônico título «Finalmente a Independência do BC». Depois de destacar o fato relevante de que a atual diretoria do BC não tem funcionários de bancos privados, como as anteriores, Nakano alfinetou tal promiscuidade e explicou o seu funcionamento anterior:</p>
<blockquote><p><em>«Nessa relação, o Banco Central reagia às expectativas de inflação dos economistas dos bancos privados, materializadas na pesquisa Focus e nas taxas de juros futuras das operações efetuadas pelas tesourarias. Na véspera das reuniões do Copom, a imprensa fazia a pesquisa informando o Banco Central, qual ou aumento ou redução em que a maioria dos bancos e empresas apostavam. Lógico que a maioria sempre acertava. Esse era o protocolo ou a liturgia seguidos pelas diretorias anteriores do Banco Central sempre ocupadas por funcionários do sistema bancário. Na última reunião de agosto, esse protocolo foi de fato abandonado. Daí a grande surpresa e perplexidade do mercado financeiro. A rigor, o BC finalmente tornou-se independente do mercado.»</em></p></blockquote>
<h2>Alerta de Dilma</h2>
<p>Dois outros fatos deixam a expectativa de que o governo da presidente Dilma Rousseff pode estar se preparando a sério para enfrentar o aprofundamento da crise global, ao mesmo tempo em que se liberta aos poucos dos receios de contrariar os interesses dos mercados financeiros. O primeiro foi o próprio discurso da presidente na véspera do Dia da Independência, quando, além de afirmar que a crise <em>«é mais complexa que a de 2008»</em>, destacou que <em>«nossa principal arma é ampliar e defender nosso mercado interno, que já é um dos mais vigorosos do mundo»</em>. Para tanto, completou:</p>
<blockquote><p><em>«Quero deixar bem claro que o meu governo não irá permitir ataques às nossas indústrias e aos nossos empregos. Não vai permitir, jamais, que artigos estrangeiros venham concorrer, de forma desleal, com os nossos produtos».</em> (<em>Planalto. gov.br</em>, 6/09/2011)</p></blockquote>
<h2>“Musculatura” de Mantega</h2>
<p>O segundo fato, destacado pelo <em>Valor Econômico </em>de 12 de setembro, é a ascensão do ministro da Fazenda Guido Mantega na hierarquia palaciana, ocorrida sem grande alarde nos últimos meses. Para Delfim Netto, <em>«ele é, sem dúvida, o homem mais forte do governo»</em>. Com uma agenda que privilegia o crescimento econômico e tendo estabelecido com o presidente do BC, Alexandre Tombini, o que o jornal qualifica como <em>«uma convivência pacífica, embora não sem percalços»</em> (ao contrário do que ocorreu na gestão de Henrique Meirelles), Mantega já mostrou ser adepto dos instrumentos de crédito público em momentos de crise, como ocorreu em 2008. Como a crise poderá, no futuro imediato, forçar que os governos optem entre governar para as sociedades em geral ou para os mercados, a “musculatura” de Mantega poderá ser determinante para que o Brasil possa atravessar o furacão sistêmico em condições toleráveis.</p>
<p style="text-align: right;" align="right"><strong><em>Editores do MSIa</em></strong></p>
<p style="text-align: right;" align="right"><span style="color: #ff6600;"><strong><em>Solidariedade Ibero-americana</em></strong></span></p>
<p align="right"><strong><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo.png"><img class="aligncenter size-medium wp-image-10922" title="div-novo" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo-300x13.png" alt="" width="300" height="13" /></a> </strong></p>
<p> <strong>Créditos </strong><strong>➞</strong> este post é artigo apresentado no jornal quinzenal <em>Solidariedade Ibero-americana</em> do <strong><em>MSIa –</em></strong><em> <strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em>, Vol. XVIII, n<sup>o</sup> 7 (primeira quinzena de setembro de 2011). Introduzi subtítulos no texto para incentivar e facilitar a leitura.</p>
<p><strong><em>Solidariedade Ibero-americana </em></strong>➞<strong> </strong>é uma publicação quinzenal do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa). Conselho Editorial: Angel Palacios, Geraldo Luís Lino, Lorenzo Carrasco (Presidente), Marivilia Carrasco e Silvia Palacios. Endereço: Rua México, 31 &#8211; sala 202 &#8211; Rio de Janeiro (RJ) &#8211; CEP 20031-144; Telefax: 0xx 21-2532-4086.</p>
<p><strong>Para saber mais sobre o tema </strong>➞<strong> </strong>visitar os sites da MSIa/Capax Dei:<strong> </strong><a href="http://www.alerta.inf.br/">http://www.alerta.inf.br/</a> e <a href="http://www.msia.org.br/">http://www.msia.org.br/</a>.</p>
<p><strong>Mensagens e sugestões </strong>➞<strong> </strong>favor enviar para msia@msia.org.br ou para Editoria MSIa: geraldo@msia.org.br.</p>
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<p><strong><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-17bMicro.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-9618" title="HARPIAÁGUIA REALHARPIA HARPYJA137-001-04" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-17bMicro.jpg" alt="" width="60" height="47" /></a>Imagens</strong> ➞ <a href="http://www.scielo.br/">http://www.scielo.br</a>; <a href="http://www.asiacomentada.com.br/">http://www.asiacomentada.com.br</a><strong> </strong></p>
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		<title>Brasil mantém expansão do setor nuclear</title>
		<link>http://blogdoambientalismo.com/brasil-mantem-expansao-do-setor-nuclear/</link>
		<comments>http://blogdoambientalismo.com/brasil-mantem-expansao-do-setor-nuclear/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 04 Oct 2011 13:28:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sustentabilidade]]></category>
		<category><![CDATA[Ambientalismo]]></category>
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		<description><![CDATA[Os planos do governo brasileiro para a expansão do setor nuclear nacional serão mantidos. Quem garante é o ministro da Minas e Energia, Edson Lobão. Em um evento no Rio de Janeiro (RJ), em 15 de setembro, ele afirmou que a revisão programa nuclear estabelecida após o desastre da usina japonesa de Fukushima já foi concluída, ressaltando que a central nuclear de Angra dos Reis tem segurança absoluta.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp"><img class="aligncenter size-full wp-image-10770" title="msiA iNFORMA" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp" alt="" width="235" height="49" /></a></strong></p>
<p><strong>Os planos do governo brasileiro para a expansão do setor nuclear nacional serão mantidos. Quem garante é o ministro da Minas e Energia, Edson Lobão. Em um evento no Rio de Janeiro (RJ), em 15 de setembro, ele afirmou que a revisão programa nuclear estabelecida após o desastre da usina japonesa de Fukushima já foi concluída, ressaltando que a central nuclear de Angra dos Reis tem <em>«segurança absoluta»</em> (<em>Efe</em>, 15/09/2011).</strong></p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/10/Edison-Lobao.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-11286" title="Edison-Lobao" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/10/Edison-Lobao.jpg" alt="" width="292" height="280" /></a><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/10/Edison-Lob%C3%A3o.jpg"><br />
</a></p>
<h2>Brasil manterá projetos nucleares</h2>
<p>Lobão enfatizou que os resultados das inspeções atestam que não há perigo de um problema similar no Brasil. <em>«Apesar dos recentes episódios no Japão e na França, o Brasil irá manter sua política de expansão do programa nuclear»</em> — garantiu.</p>
<p>A revisão da segurança no programa nuclear brasileiro foi realizada pela operadora Eletronuclear e pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), por encomenda do próprio ministério. Lobão sublinhou que o modelo das usinas nucleares brasileiras, tal como o seu sistema de segurança, são distintos do usado em Fukushima, e acrescentou: <em>«Não foi um problema da usina nuclear, mas um problema com as consequências de um tsunami e de um terremoto.»</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>5 usinas nucleares no Brasil, 100 na China&#8230;</h2>
<p>Atualmente, está em construção a usina Angra III, com 1.300 MW de capacidade de geração, com previsão de entrar em operação em 2015. O programa prevê a construção de quatro usinas, sendo que sua localização deverá ser decidida até 2012, sendo duas no Nordeste e duas no Sudeste. Para justificar a expansão, Lobão citou o exemplo da China, que está construindo 28 reatores nucleares e prevê a construção de mais 100 usinas nos próximos 40 anos.</p>
<p>A notícia é muito bem vinda, em um momento em que o setor nuclear se vê às voltas com as repercussões do acidente de Fukushima e o movimento antinuclear ganha um novo ímpeto de que não dispunha há anos. No Brasil, aliás, a bem sucedida campanha desenvolvida pelo setor contra as pressões ambientalistas acabou se convertendo em uma referência internacional. Mas não se pode baixar a guarda, pois o adversário é persistente e insidioso.</p>
<p style="text-align: right;" align="right"><span style="color: #ff6600;"><strong><em>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</em></strong></span></p>
<p><strong> <a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo.png"><img class="aligncenter size-medium wp-image-10922" title="div-novo" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo-300x13.png" alt="" width="300" height="13" /></a></strong></p>
<p><strong>Créditos </strong>➞<strong> </strong>este post é matéria apresentada no Boletim Eletrônico <strong><em>MSIa INFORMA</em></strong>, do <strong><em>MSIa –</em></strong><em> <strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em>, Vol. III, N<sup>o</sup> 19, de 22 de setembro de 2011. Introduzi subtítulos no texto para facilitar e incentivar a leitura.</p>
<p><strong><em>MSIa INFORMA</em></strong><strong> </strong>➞<strong> </strong>é uma publicação do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa). Conselho Editorial: Angel Palacios, Geraldo Luís Lino, Lorenzo Carrasco (Presidente), Marivilia Carrasco e Silvia Palacios. Endereço: Rua México, 31 &#8211; sala 202 &#8211; Rio de Janeiro (RJ) &#8211; CEP 20031-144; Telefax: 0xx 21-2532-4086.</p>
<p><strong>Para saber mais sobre o tema </strong>➞<strong> </strong>visitar os sites da MSIa/Capax Dei:<strong> </strong><a href="http://www.alerta.inf.br/">http://www.alerta.inf.br/</a> e <a href="http://www.msia.org.br/">http://www.msia.org.br/</a>.</p>
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<p><strong><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-17bMicro.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-9618" title="HARPIAÁGUIA REALHARPIA HARPYJA137-001-04" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-17bMicro.jpg" alt="" width="60" height="47" /></a>Imagem ➞ <a href="http://www.jornalextra.com.br/">http://www.jornalextra.com.br</a></strong></p>
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		<title>Agência Espacial Brasileira quer R$ 1 bilhão para programa espacial</title>
		<link>http://blogdoambientalismo.com/agencia-espacial-brasileira-quer-r-1-bilhao-para-programa-espacial/</link>
		<comments>http://blogdoambientalismo.com/agencia-espacial-brasileira-quer-r-1-bilhao-para-programa-espacial/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 16 Sep 2011 19:54:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sustentabilidade]]></category>
		<category><![CDATA[Defesa nacional]]></category>
		<category><![CDATA[Desenvolvimento sustentável]]></category>
		<category><![CDATA[Economia nacional]]></category>
		<category><![CDATA[Infraestrutura]]></category>
		<category><![CDATA[Política nacional]]></category>

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		<description><![CDATA[O Governo Federal precisa decidir o que fará com o programa espacial brasileiro: ou passa a considerá-lo prioridade de Estado e dotá-lo dos necessários recursos financeiros, ou ele continuará pequeno e incapaz de avançar e atender as necessidades nacionais nas áreas de defesa, vigilância, comunicações, meteorologia e proteção ambiental.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp"><img class="aligncenter size-full wp-image-10770" title="msiA iNFORMA" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp" alt="" width="240" height="50" /></a></p>
<p><strong>O Governo Federal precisa decidir o que fará com o programa espacial brasileiro: ou passa a considerá-lo prioridade de Estado e dotá-lo dos necessários recursos financeiros, ou ele continuará pequeno e incapaz de avançar e atender as necessidades nacionais nas áreas de defesa, vigilância, comunicações, meteorologia e proteção ambiental.</strong></p>
<p>A advertência, da maior gravidade, foi feita pelo presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Marco Antonio Raupp, em uma entrevista ao jornal <em>Valor Econômico</em> de 2 de setembro.</p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/DCTA-INPE-foguete-brasileiro2.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-11136" title="DCTA-INPE-foguete-brasileiro2" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/DCTA-INPE-foguete-brasileiro2-300x132.jpg" alt="" width="437" height="192" /></a></p>
<h2>Programa basileiro ameaçado</h2>
<p>Em seu estado atual, o programa não dispõe de recursos humanos qualificados, nem de uma gestão organizada, o que também não permitirá a criação de uma indústria fornecedora nacional competitiva e inovadora (um dos principais objetivos de qualquer programa de tecnologia de ponta) — avalia Raupp.</p>
<p>A reduzida prioridade do programa espacial se reflete na sua dotação orçamentária, historicamente pífia. Raupp afirma que seria preciso aumentá-la para a casa de R$ 1 bilhão, três vezes mais do que o orçamento atual de R$ 320 milhões, que, para piorar a situação, ainda padece com as restrições impostas pela tecnocracia fazendária, tendo sido reduzido este ano para R$ 270 milhões. Destes, R$ 50 milhões representam o compromisso assumido pelo Brasil na integralização do capital da empresa Alcantara Cyclone Space (ACS), uma <em>joint-venture</em> com a Ucrânia para o lançamento de foguetes <em>Cyclone-4 a partir do Centro de Lançamento de Alcântara.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Brasil na lanterninha entre os BRICs</h2>
<p>Para comparação, Raupp comenta que a Índia investe mais de 1 bilhão de dólares anualmente em seu programa espacial e a China, o dobro disto. <em>«Estou olhando apenas para o BRIC e ainda assim nós estamos atrás de todos eles»</em> — lamenta.</p>
<p>A miopia estratégica dos dirigentes brasileiros em relação ao setor é ressaltada pela evidência de que, nos países que têm programas espaciais sérios, eles servem para estimular inovações em suas indústrias. <em>«De 2005 para cá, 25% dos recursos destinados ao PEB </em>[Programa Espacial Brasileiro] <em>vão para a indústria. Nos países com programas espaciais avançados essa participação é de 66%. Isso significa que temos um longo caminho pela frente»</em> — ressaltou Raupp.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Dependência estrangeira</h2>
<p>Raupp apontou algumas demandas básicas jamais atendidas pelo programa, quadro que ficará ainda mais difícil com as restrições orçamentárias:</p>
<blockquote><p><em>«Temos de estabelecer prioridades. Por exemplo: não temos nenhum satélite meteorológico ou de comunicação estratégica militar</em> [áreas totalmente dependentes de satélites estrangeiros - n.e.]. <em>Isso é fundamental e crítico ao nosso programa espacial.»</em></p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Iniciativas importantes</h2>
<p>O presidente da AEB destacou duas iniciativas que poderão sinalizar uma guinada positiva no programa. A primeira é a criação do Conselho Nacional de Política Espacial, que seria constituído pela presidente da República e os ministros das áreas de interesse do setor, com a transformação da AEB em um órgão executivo das políticas estabelecidas pelo conselho. Segundo ele, em seu formato atual, a agência é apenas um órgão coordenador sem capacidade de governança.</p>
<p>A segunda é o projeto do Satélite Geoestacionário Brasileiro (SGB), capaz de atender a várias necessidades civis e militares, que poderia viabilizar-se por meio de uma parceria público-privada, envolvendo empresas nacionais e internacionais, os institutos de pesquisa e – embora não tenha sido mencionado por ele – as Forças Armadas (o SGB é um dos projetos contemplados na Estratégia Nacional de Defesa). <em>«A Embraer Defesa e Segurança é uma empresa que poderia se candidatar a um arranjo desses. Outras empresas brasileiras que estão se capacitando na área de defesa também devem ser consideradas nesse projeto» </em>— afirmou.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/satelite-sino-brasileiro.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-11137" title="satelite-sino-brasileiro" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/satelite-sino-brasileiro-300x202.jpg" alt="" width="300" height="202" /></a>Um programa que está funcionando</h2>
<p>Do lado positivo, Raupp destacou que, apesar dos atrasos acarretados pelas contramarchas brasileiras (<em>MSIa Informa</em>, 01/09/2011), o Programa de Satélites Sino-Brasileiros de Recursos Terrestres (CBERS, na sigla em inglês) prevê o desenvolvimento de mais quatro satélites, sendo o último deles equipado com um radar de abertura sintética (especialmente adequado para a vigilância de fronteiras terrestres e do litoral). Em uma demonstração da importância do setor, o programa converteu o Brasil em um dos maiores distribuidores mundiais de imagens de satélites, além de dominar a tecnologia de fornecimento de dados de sensoriamento remoto, que está sendo exportada a outros países.</p>
<p>Em 2010, o Brasil e a China estabeleceram uma parceria para a distribuição das imagens do CBERS, com ênfase em nações que não dispõem de satélites próprios. A África já tem três estações de recepção das imagens dos satélites sino-brasileiros, na África do Sul, Egito e Ilhas Canárias. Outras estações deverão ser instaladas no Gabão (em acordo com a França), México, Argentina, Tailândia e Austrália.</p>
<p>No Brasil, as imagens do CBERS podem ser acessadas gratuitamente no sítio do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Rumo ao futuro</h2>
<p>Sob todos os aspectos, o tratamento conferido ao programa espacial deverá ser um dos fatores determinantes do futuro imediato do País, podendo proporcionar um grande salto qualitativo na capacitação científico-tecnológica nacional ou, se mantida a tendência atual, simbolizar com o seu descaso o conformismo com a condição subalterna de fornecedor de alimentos e matérias-primas.</p>
<p style="text-align: right;" align="right"><span style="color: #ff6600;"><strong><em>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</em></strong></span></p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/01/MSIa-mini.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-6138" title="MSIa-mini" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/01/MSIa-mini.jpg" alt="" width="48" height="24" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/01/divisor3.gif"><img class="aligncenter size-medium wp-image-6135" title="divisor3" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/01/divisor3-300x15.gif" alt="" width="300" height="15" /></a></p>
<p><strong>Créditos </strong>➞<strong> </strong>este post é matéria apresentada no Boletim Eletrônico <strong><em>MSIa INFORMA</em></strong>, do <strong><em>MSIa –</em></strong><em> <strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em>, Vol. III, N<sup>o</sup> 17, de 08 de setembro de 2011. Introduzi subtítulos no texto para facilitar e incentivar a leitura.</p>
<p><strong><em>MSIa INFORMA</em></strong><strong> </strong>➞<strong> </strong>é uma publicação do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa). Conselho Editorial: Angel Palacios, Geraldo Luís Lino, Lorenzo Carrasco (Presidente), Marivilia Carrasco e Silvia Palacios. Endereço: Rua México, 31 &#8211; sala 202 &#8211; Rio de Janeiro (RJ) &#8211; CEP 20031-144; Telefax: 0xx 21-2532-4086.</p>
<p><strong>Para saber mais sobre o tema </strong>➞<strong> </strong>visitar os sites da MSIa/Capax Dei:<strong> </strong><a href="http://www.alerta.inf.br/">http://www.alerta.inf.br/</a> e <a href="http://www.msia.org.br/">http://www.msia.org.br/</a>.</p>
<p><strong>Mensagens e sugestões </strong>➞<strong> </strong>favor enviar para msia@msia.org.br ou para Editoria MSIa: geraldo@msia.org.br.</p>
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<p><strong><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-1bMicro.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-9622" title="harpia-1bMicro" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-1bMicro.jpg" alt="" width="60" height="48" /></a>Imagens</strong> ➞ <a href="http://gaea-araujo.blogspot.com/">http://gaea-araujo.blogspot.com</a>;</p>
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		<title>Brasil: o “charme” (dos juros) do real</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Sep 2011 19:45:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Economia nacional]]></category>
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		<description><![CDATA[A inesperada decisão do Conselho de Política Monetária (Copom) do Banco Central, de reduzir em meio ponto percentual a taxa básica de juros (Selic), deflagrou a esperada onda de reações histéricas por parte dos jogadores do mercado financeiro e seus porta-vozes midiáticos. Entre estes, pontificou a indefectível colunista Miriam Leitão, do jornal O Globo: «Não era hora de baixar os juros» (2/09/2011).]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp"><img class="aligncenter size-full wp-image-10770" title="msiA iNFORMA" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp" alt="" width="240" height="50" /></a></p>
<p><strong>A inesperada decisão do Conselho de Política Monetária (Copom) do Banco Central, de reduzir em meio ponto percentual a taxa básica de juros (Selic), deflagrou a esperada onda de reações histéricas por parte dos jogadores do mercado financeiro e seus porta-vozes midiáticos. Entre estes, pontificou a indefectível colunista Miriam Leitão, do jornal<em> </em><em>O Globo</em>: <em>«Não era hora de baixar os juros»</em> (2/09/2011).</strong></p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/dilma_juros_mercado.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-11141" title="dilma_juros_mercado" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/dilma_juros_mercado-300x197.jpg" alt="" width="371" height="243" /></a></p>
<h2>Nossos juros ainda são muito altos</h2>
<p>Saudado por praticamente todos os setores produtivos da economia e pelos sindicatos de trabalhadores, o corte na Selic ainda mantém os juros domésticos no nível estratosférico de 12%, mas a histeria dos “mercados” foi mais uma didática demonstração da sua desconexão cada vez maior dos requisitos básicos da economia real.</p>
<p>Em uma reportagem que recebeu o irônico título «BC Corta Juros e Real Perde Seu Charme», o jornalista Eduardo Campos, do <em>Valor Econômico </em>(2/09/2011), ouviu um dos representantes do “mercado”: «O real ficou bem menos atrativo» — diz um gestor, complementando que <em>«a crise nem começou e o Banco Central já está cortando os juros. Imagine se a situação piorar»</em>. Fora isso, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, já falou que vai atuar mais se o preço do dólar for para baixo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Artifício financeiro</h2>
<p>De acordo com esse gestor, mesmo com as perdas recentes, o real ainda está entre as moedas mais valorizadas do mundo. <em>«O real está em um preço ótimo para se ficar vendido [aposta de queda] frente outras moedas»</em> — resume.</p>
<p>Se o real perde brilho, os favorecidos são outras moedas de “carry trade”. Aqui se destacam o peso mexicano, o dólar canadense e dólar australiano.<em> «Essas são moedas que oferecem boa taxa de retorno no carry e são de países que administram bem suas políticas fiscal e monetária»</em> — explica.</p>
<p>Para os leitores não versados nos jogos financeiros, <em>carry trade</em> é uma operação em que se compram moedas a custo baixo, como os juros zero atualmente praticados nos EUA e no Japão, para comprar reais e aplicar em ativos no Brasil. Os “investidores” ganham com as diferenças entre as taxas de captação e as de retorno. Evidentemente, a economia real recolhe pouco ou nenhum benefício de tais jogadas especulativas, que, não obstante, têm sido uma das operações favoritas nos mercados desregulamentados prevalecentes nas últimas décadas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Banco Central em sintonia com o governo</h2>
<p>Em outra demonstração de sua visão tendenciosa, alguns críticos, em relação à medida do BC, chegaram a afirmar que o Copom estaria apostando, prematuramente, em uma deterioração da economia mundial – que está visível para quem quiser enxergá-la.</p>
<p>Porém, o motivo maior da histeria foi a percepção do fato de que, pela primeira vez em muitos anos, o BC abriu parcialmente mão da sua “autonomia” para atuar em sintonia com o Ministério da Fazenda e a Presidência da República, sinalizando que os dias da “República de Meirelles” podem ter ficado para trás. O <em>Wall Street Journal Americas</em>, o porta-voz, por excelência, da alta finança global, manifestou tal preocupação na manchete de sua nota de 1º de setembro: <em>«BC do Brasil arrisca sua credibilidade com redução surprendente nos juros»</em>. O texto afirma:</p>
<blockquote><p><em>«A decisão pode ter um efeito ainda mais preocupante sobre a credibilidade do Banco Central como entidade independente de pressões políticas quando se trata de determinar a taxa de juros. O corte aconteceu um dia após a presidente Dilma Rousseff praticamente exigir um corte dos juros numa entrevista no rádio.»</em></p></blockquote>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/inflacao.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-11142" title="inflacao" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/inflacao-300x237.jpg" alt="" width="413" height="327" /></a></p>
<h2>E a inflação?</h2>
<p>No mesmo dia, comentando a decisão, o senador José Pimentel (PT-CE) contrariou a explicação tradicional para a manutenção dos juros siderais no País – o combate à inflação. Segundo ele, se juros altos combatessem a inflação, esta seria negativa no Brasil, já que os juros domésticos são os mais altos do mundo, com o dobro da segunda colocada em termos de juros reais – a Turquia.</p>
<p>Em uma didática entrevista à <em>Agência Senado</em>, Pimentel disse ainda que é falso o argumento de quem diz que – se o BC reduzisse mais ainda os juros, poderia haver fuga de capitais do País. Em sua avaliação, há espaço para uma queda de até três pontos percentuais na Selic, o que geraria, anualmente, um ganho no pagamento dos serviços da dívida entre R$ 30-35 bilhões. Além de reduzir os pagamentos de juros, a medida permitiria a manutenção dos investimentos públicos de que o País tanto necessita, ressaltou.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>O lance dos juros altos</h2>
<p>O senador cearense coroou a entrevista apontando o dedo para os beneficiários diretos dos juros altos no Brasil:</p>
<blockquote><p><em>«Todas as vezes que o BC eleva um ponto percentual na taxa de juros, está dando R$ 11 bilhões para 12 mil financistas que vivem à custa da sociedade brasileira. Portanto, ao aumentarmos um ponto percentual, estamos tirando de 190 milhões de brasileiros, através de impostos, e doando para 12 mil pessoas que são os financistas no Brasil.»</em></p></blockquote>
<p>Como a alta finança globalizada não ficará passiva diante do que considera uma ameaça à sua hegemonia até agora incontestável na formulação das políticas monetárias e financeiras, será fundamental que os representantes dos setores produtivos e dos trabalhadores se mobilizem para apoiar o Governo Federal no enquadramento do BC em uma estratégia de longo alcance para a proteção da economia brasileira dos efeitos do inexorável aprofundamento da crise global. Neste particular, quanto menos “charme” tiver o real para os frequentadores do cassino global, maiores serão os ganhos para o País como um todo.</p>
<p style="text-align: right;" align="right"><span style="color: #ff6600;"><strong><em>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</em></strong></span></p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/01/MSIa-mini.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-6138" title="MSIa-mini" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/01/MSIa-mini.jpg" alt="" width="48" height="24" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo.png"><img class="aligncenter size-medium wp-image-10922" title="div-novo" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo-300x13.png" alt="" width="300" height="13" /></a></p>
<p><strong>Créditos </strong>➞<strong> </strong>este post é matéria apresentada no Boletim Eletrônico <strong><em>MSIa INFORMA</em></strong>, do <strong><em>MSIa –</em></strong><em> <strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em>, Vol. III, N<sup>o</sup> 17, de 08 de setembro de 2011. Introduzi subtítulos no texto para facilitar e incentivar a leitura.</p>
<p><strong><em>MSIa INFORMA</em></strong><strong> </strong>➞<strong> </strong>é uma publicação do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa). Conselho Editorial: Angel Palacios, Geraldo Luís Lino, Lorenzo Carrasco (Presidente), Marivilia Carrasco e Silvia Palacios. Endereço: Rua México, 31 &#8211; sala 202 &#8211; Rio de Janeiro (RJ) &#8211; CEP 20031-144; Telefax: 0xx 21-2532-4086.</p>
<p><strong>Para saber mais sobre o tema </strong>➞<strong> </strong>visitar os sites da MSIa/Capax Dei:<strong> </strong><a href="http://www.alerta.inf.br/">http://www.alerta.inf.br/</a> e <a href="http://www.msia.org.br/">http://www.msia.org.br/</a>.</p>
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</strong></p>
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		<title>Sustentabilidade, o novo disfarce do malthusianismo</title>
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		<pubDate>Fri, 09 Sep 2011 17:36:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sustentabilidade]]></category>
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		<description><![CDATA[Seria, realmente, muito bom se esses tolos, ingênuos, politicamente corretos e/ou ignorantes, parassem com esse negócio de sustentabilidade, atribuindo essa "qualidade" a tudo aquilo que, de alguma forma necessite de um marketing adicional. Eles não sabem o quê e de quê estão falando. Provavelmente, acham que sustentabilidade é um novo tipo de moda e saem por aí repetindo isso sem saber o que o conceito realmente significa e suas verdadeiras raízes. Talvez, depois de lerem esta matéria, eles se manquem pelo fato de verificar que, no fundo, no fundo, a sustentabilidade, o desenvolvimento sustentável etc, tem, por trás, conceitos sinistros, malignos e anti-humanos...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2010/07/harpia-8a.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-9613" title="harpia-8a" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2010/07/harpia-8a-300x220.jpg" alt="" width="151" height="111" /></a>Um dos grandes passos para o aprimoramento da “agenda ambiental” foi a criação da Comissão Mundial Sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento – a Comissão Brundtland – estabelecida pala Assembléia-Geral da ONU, em 1983. O objetivo principal da Comissão – que ficou mais conhecida pelo nome da sua principal coordenadora, a ex-primeira ministra norueguesa Gro-Harlem Brundtland – foi a consolidação do conceito de “desenvolvimento sustentável”, que se tornaria a pedra-de-toque do discurso ambientalista, a partir da publicação do relatório oficial da comissão, em 1987, denominado <em>«</em><em>Nosso Futuro Comum»</em>.</p>
<p>Em essência, o conceito não constituiu novidade, pois representa tão-somente uma retomada, sob nova roupagem, do conceito de “crescimento limitado”, definido, em anos anteriores, pelo Clube De Roma, com seus informes alarmistas sobre os “limites ao crescimento” – e então continuados pela Comissão Brundtland, e pelas teses “neofisiocráticas” do <em>«</em><em>Relatório Global 2000»</em> (ver adiante).</p>
<p>A herança malthusiana do conceito é manifesta, como se verifica na seguinte passagem de <em>«Nosso Futuro Comum»</em>:</p>
<blockquote><p><em>«O desenvolvimento sustentável é mais que crescimento. Ele exige uma mudança no teor do crescimento, a fim de torná-lo menos intensivo de matérias-primas e energia e mais equitativo em seu impacto.»</em> Em outra parte, lê-se: <em>«Padrões de vida que estejam além do mínimo básico só são sustentáveis se os padrões gerais de consumo tiverem por objetivo alcançar o desenvolvimento sustentável a longo prazo. Mesmo assim, muitos de nós vivemos acima dos meios ecológicos do mundo, como demonstra, por exemplo, o uso da energia.»</em></p></blockquote>
<p>Adiante, os autores do relatório enfatizam a importância do fator cultural para a estratégia de promoção de paradigmas malthusianos:</p>
<blockquote><p><em>«As necessidades são determinadas social e culturalmente e o desenvolvimento sustentável requer a promoção de valores que mantenham os padrões de consumo dentro dos limites das possibilidades ecológicas a que todos podem, de modo razoável, aspirar.»</em></p></blockquote>
<p style="text-align: left;" align="center"><strong>Observação: para se reduzir o consumo de forma “sustentável”, a Humanidade, mantendo os atuais níveis de desenvolvimento demográfico, teria que, de fato consumir tão menos que quase que seria o mesmo que voltar ao consumo a níveis pré-industrialização – ou então, de alguma forma, mantendo os padrões de consumo, reduzir, quantitativa e drasticamente, a própria Humanidade. Esta é uma forma &#8220;politicamente incorreta&#8221; da sustentabilidade, que ninguém comenta.<br />
</strong></p>
<p>Em outro trecho, a Comissão Brundtland<em> </em>torna ainda mais explícitos os seus pendores malthusianos e confirma a necessidade de controle populacional:</p>
<blockquote><p><em>«A cada ano aumenta o número de seres humanos, mas parece finita a quantidade de recursos naturais destinados ao sustento dessa população, à melhoria da qualidade de vida e à eliminação da pobreza generalizada.»</em> Ou: <em>«Um aumento populacional excessivo faz com que os frutos do desenvolvimento sejam repartidos por um número cada vez maior de pessoas, não permitindo que, em muitos países em desenvolvimento, os padrões de vida se elevem; é imperativo reduzir as taxas atuais de aumento populacional a fim de se atingir o desenvolvimento sustentável.»</em></p></blockquote>
<p>A segunda conferência internacional da indústria sobre o controle do meio ambiente (WICEM II), realizada em Rotterdan, Holanda, em abril/1991, enumera, como condições básicas para a adoção do desenvolvimento sustentado, também a redução do crescimento populacional e a ampla adoção do livre-comércio. Como foi sintetizado pela <em>Gazeta Mercantil</em> (14/04/1991) sobre as conclusões da conferência:</p>
<blockquote><p><em>«As mais poderosas companhias do Primeiro Mundo admitem agora, publicamente, e em conjunto, que, se os seu próprios padrões de crescimento forem imitados pelo resto do mundo, o planeta não irá resistir muito tempo.»</em></p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<h2>A interferência na soberania das nações</h2>
<p>O relatório da Comissão Brundtland não oculta a vinculação dos temas ambientais à limitação das sobreanias nacionais. Em suas próprias palavras, o&#8230;</p>
<blockquote><p><em>«&#8230;conceito de soberania nacional foi basicamente alterado pela interdependência nos campos econômico, ambiental e de segurança. Os bens comuns a todos não podem ser geridos a partir de um centro nacional; o Estado-Nação não basta quando se trata de lidar com ameaças a ecossistemas que pertencem a mais de um país. Só é possível lidar com ameaças à segurança ambiental através da administração conjunta e de processos e mecanismos multilaterais.»</em></p></blockquote>
<p><em></em>Por conseguinte, o texto recomenda a criação de uma agência ambiental com poderes supranacionais, suplantando as soberanias dos diversos países e, ao mesmo tempo, alerta para as possibilidades de futuros conflitos em torno de disputas por recursos naturais ou de contencioso ambientais.</p>
<p style="text-align: left;" align="center"><strong>Observação: nesse contexto enquadra-se a floresta amazônica.</strong></p>
<p>Ainda citando, textualmente, o <em>«</em>Relatório Brundtland:</p>
<blockquote><p><em>«Seria mais fácil a transição para o desenvolvimento sustentável se cada agência de assistência ao desenvolvimento e o FMI passassem a contar com um escritório de alto nível, com autoridade e recursos para assegurar que todos os projetos, políticas e condições de empréstimos apóiem o desenvolvimento sustentável.»</em></p></blockquote>
<p><em> </em>De fato essa recomendação vem sendo implementada ao pé da letra por intermédio da limitação dos créditos financeiros e a imposição de políticas econômicas monetaristas, tanto aos países em desenvolvimento como aos do Leste Europeu, por intermédio das agências financeiras internacionais, como o FMI, o BIRD, o BID e outras.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Argumentos gerais da sustentabilidade</h2>
<p>Quando se fala em sustentabilidade, a primeira coisa que se diz é: preservar os recursos naturais do planeta (principalmente os recursos não-renováveis – insumos energéticos tais como o petróleo, gás natural e minérios em geral), assim como poluir o menos possível – a fim de garantir a sobrevivência planetária e das gerações futuras.</p>
<p>O argumento básico é o de que a maioria dos recursos naturais está com os dias contados. Isso inclui até mesmo a água (potável), como se este recurso estivesse de fato acabando. Não está, assim como os demais recursos não-renováveis, inclusive o petróleo – apesar dos pessimistas afirmarem que ele terá, no máximo, uns 30 anos de vida – o que também não é verdade.</p>
<p>Essas inverdades e exageros são combatidos por muita gente, e, de forma inquestionável, pelo estatístico dinamarquês (ex-Greenpeace), Børn Lomborg em seu livro <strong><em>«O Ambientalista Cético»</em></strong>.</p>
<p style="text-align: left;" align="center"><strong>Por mais que sejam economizados os recursos naturais não-renováveis, eles sempre terão de ser utilizados e, um dia, acabarão.</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Responsabilidade social</h2>
<p>Paralelamente a todo esse universo, inclui-se no bojo do conceito de sustentabilidade, nos dias atuais, o que alguns chamam de “responsabilidade social”. Isso significa, em última análise, em tomadas de atitudes e ações junto às comunidades e populações que, de alguma forma, estejam, comprometidas/envolvidas com projetos econômico-industriais-comerciais, como participantes ativos, diretos ou indiretos (funcionários de fábricas, principalmente).</p>
<p>Os projetos de “responsabilidade social” constam, em sua maioria, de prover as comunidades envolvidas, assim como a níveis individuais, de pagamentos justos pela mão-de-obra e de benefícios na infraestrutura física e social das comunidades – pela disponibilidade de moradia, saneamento básico, educação, saúde e previdência social. As empresas que se “preocupam” com as responsabilidades sociais, obviamente, o fazem pressionadas pela opinião pública e, como não poderia deixar de ser, como uma forma de <em>marketing</em>, ao associar suas marcas à “responsabilidade social”, angariando simpatia popular pelo fato de parecer preocupadas com o bem-estar de seus funcionários. Pura propaganda.</p>
<p>A “responsabilidade social” se fez presente em inúmeras empresas supranacionais (ou multinacionais) em decorrência de vir a público, a nível mundial, os ecândalos referentes a certas empresas que, instaladas em países periféricos, onde a mão-de obra é barata, exploravam aquelas comunidades, oferecendo salários de fome e moradias miseráveis, deixando-as sem qualquer tipo de assistência. Exemplo emblemário foi o caso da Nike e sua fábrica na Indonésia, que provocou escândalo mundial. Assim como a Nike, inúmeras outras marcas conhecidas transferiram parte de suas unidades fabris para países pobres a fim de, explorando suas comunidades, baratear seus produtos.</p>
<p style="text-align: left;" align="center"><strong>Os itens classificados como de “responsabilidade social” devem e podem ser implementados. São como que uma obrigação daqueles que usam as comunidades para seus fins. Basta haver uma redução de lucros.</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Externalidades</h2>
<p>Também faz parte do modismo da sustentabilidade o que se chama, em conjunto, de “externalidades”, ou seja, as providências de manutenção do meio ambiente onde são implantados os projetos econômico-industriais-comerciais – a não-poluição ambiental de uma forma geral, a reciclagem, a preservação da natureza do jeito que ela está, e também sua restauração.</p>
<p>No que diz respeito à não-poluição, a utilização de combustíveis “limpos”, ou “verdes”, não-poluentes/renováveis é a tônica (como também a utilização de veículos elétricos, a utilização da energia solar e eólica, biocombustíveis etc). Efluentes e resíduos, sejam de que tipo forem, devem ser coletados e tratados adequadamente. O que for possível reciclar, desses rejeitos – inclusive a própria água – é reciclado.</p>
<p>Os ambientalistas radicais dizem que a poluição está aumentando e que os ecossistemas naturais estão em extinção (animais a reboque) – o que Lomborg também combate em seu livro.</p>
<p>No que diz respeito à poluição do ar através do CO<sub>2</sub>, resultando no “aquecimento global antropogênico” – tão propalado pela mídia como a razão das mudanças climáticas e das grandes catástrofes climáticas mundiais – já é assunto desacreditado. Assim como o malthusianismo, que hoje se chama sustentabilidade, a expressão “aquecimento global” foi substituída por “mudanças climáticas” (como se mudanças climáticas fossem uma novidade no planeta).</p>
<p>A reciclagem é uma prática já comum, mas ainda pode ser feito muita coisa – se bem que a necessidade de reciclar seja algo extremamente discutível, pois os recursos naturais, mesmo os não-renováveis, estão longe de acabar. Além disso, o processo de coleta e processamento dos materiais recicláveis, muitas vezes, dependendo do tipo de material, são muito caros, em comparação com a utilização de materiais virgens.</p>
<p>Quanto à restauração da natureza – pelo menos em parte – deve-se reconstituir o que foi utilizado pelo homem e, ao mesmo tempo, não se expandirem mais os negócios em outras áreas, mesmo que potencialmente utilizáveis, mantendo-se o que existe de Natureza de forma intocada – através do aumento da produtividade e de novas técnicas de produção.</p>
<p style="text-align: left;" align="center"><strong>As “externalidades” – reciclar, não poluir e/ou restaurar a natureza, são coisas possíveis de se fazer, além de obrigatórias. Basta haver uma redução de lucros.</strong></p>
<p>No entanto, a reposição dos recursos naturais não-renováveis utilizados não é possível de se realizar. Esses recursos poderão vir a ser reconstituídos, sim, pela própria Natureza, mas para isso são necessários, na maioria dos casos, milhões de anos – o que é o mesmo que dizer que esses recursos são finitos, na escala humana.</p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/Zardoz.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-11071" title="Zardoz" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/Zardoz-300x176.jpg" alt="" width="441" height="259" /></a></p>
<h2>Origens da teoria neomalthusiana</h2>
<p>Na década de 1970 foram divulgados alguns dos mais famosos manifestos ambientalistas:</p>
<p>♦ O relatório <strong><em>«Blueprint For Survival»</em></strong> (<em>«Roteiro para a Sobrevivência»</em>) – editado pela revista inglesa <em>The Ecologist </em>(dirigida por Edward Goldsmith e patrocinada por seu irmão <em>sir</em> James Goldsmith e por <em>lord</em> Victor Rothschild;</p>
<p>♦ A <strong><em>«Carta Mansholt</em>»</strong> – redigida pelo então secretário da Comissão da Comunidade Européia, o francês Sicco Mansholt (protegido de <em>lord</em> Rothschild); e</p>
<p>♦ O relatório do Clube de Roma, <strong><em>«Limites Do Crescimento»</em></strong>. <em></em></p>
<p>Esses três documentos batem na mesma tecla: a impossibilidade de expansão contínua da sociedade industrial e da população do planeta.</p>
<p><em></em>♦ <em>«The Unfinished Agenda»</em> (<em>«A Agenda Inacabada»</em>) – patrocinado pelo Rockefeller Brothers Fund (Fundo dos Irmãos Rockefeller) – recomendava uma série de medidas que representavam uma degradação deliberada dos setores intensivos em tecnologia da economia dos EUA, com a consequente imposição de um regime de “crescimento zero”, coerente com as sugestões explícitas dos relatórios do Clube de Roma. Entre outras recomendações, a <em>«Agenda Inacabada»</em> sugeria:</p>
<p>① estabelecer a redução populacional como meta nacional;</p>
<p>② promover uma política de esterilização feminina nos países do Terceiro Mundo;</p>
<p>③ imposição de fortes restrições à imigração para os EUA, especialmente a proveniente de países pobres;</p>
<p>④ vincular a ajuda alimentícia aos países pobres a metas de redução das taxas de natalidade;</p>
<p>⑤ reduzir a intensidade energética da agricultura estadunidense;</p>
<p>⑥ eliminar a utilização de fertilizantes e pesticidas na agricultura;</p>
<p>⑦ eliminar a fissão nuclear como fonte energética; e</p>
<p>⑧ fomentar o uso de fontes energéticas de pequena escala.</p>
<p>Na conclusão é abertamente admitido que o objetivo do projeto do movimento ambientalista não é resolver o problema de recursos escassos, mas promover uma mudança de valores na Sociedade, afastando-a do compromisso com o progresso: <em></em></p>
<blockquote><p><em>«</em><em>Aqueles que vivem no ambiente comum do planeta estão agora experimentando a transição da abundância para a escassez. Os desafios imediatamente à frente não são os limites físicos ao crescimento, mas o desafio de uma grande transformação nos valores humanos.»</em></p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<h2><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/Limits-to-Growth.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-11073" title="Limits-to-Growth" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/Limits-to-Growth.jpg" alt="" width="200" height="297" /></a>O Clube de Roma</h2>
<p>A criação do Clube de Roma, em 1968, que foi presidido, inicialmente, por Aurelio Peccei (até sua morte, em 1984), resultou diretamente de deliberações das conferências da OTAN – Organização do Tratado do Atlântico Norte, e da OCDE – Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico. Outro de seus fundadores foi o Dr. Alexander King, o principal responsável pela elaboração das “reformas educacionais” na OCDE. Sintomaticamente, a reunião de fundação do Clube de Roma foi realizada na propriedade da família Rockefeller, em Bellagio, Itália.</p>
<p>Desde a sua fundação, o Clube de Roma tem atuado, ativamente, como principal centro de difusão da ideologia malthusiana do “crescimento zero”. Em 1972, o Clube publicou seu primeiro relatório, o célebre <em>«Limites do Crescimento»</em>, que pretendia demonstrar a impossibilidade de um crescimento econômico permanente devido à <em>«</em><em>escassez de recursos»</em>, e que <em>«</em><em>os limites de crescimento neste planeta serão alcançados em algum dia dentro dos próximos 100 anos, cujo resultado provável será um declínio súbito e incontrolável, tanto da população como da capacidade industrial»</em>. Tal conclusão foi obtida, entre outros artifícios, com a fraude malthusiana de considerar a base tecnológica fixa. Posteriormente, o truque foi admitido pelo próprio Aurelio Peccei, sob o argumento de que as nações industriais do Ocidente necessitavam de um <em>«</em><em>tratamento de choque»</em> – que era o objetivo do estudo.</p>
<p>O Clube de Roma profetizou que o petróleo acabaria em 1980: <em></em></p>
<blockquote><p><em>«Procurando um novo inimigo que nos unisse, nós chegamos à idéia de que a poluição, a ameaça do aquecimento global, a falta de água, a fome e coisas do gênero fariam o serviço… Todos esses perigos são provocados pela intervenção humana… então, o inimigo real é a humanidade, ela própria… um adversário comum para realizar o governo mundial. Não importa se este inimigo comum é real ou… se a gente o inventa para servir no caso.»</em></p></blockquote>
<p>Alexander King fala sobre as articulações e as <em>«reformas educacionais»</em> e à fundação do Clube de Roma:</p>
<blockquote><p><em>«</em><em>O Clube de Roma se originou de um sentimento de que o crescimento pelo crescimento não era uma boa coisa&#8230; a questão da inquietação educacional, a questão da necessidade de profundas reformas educacionais para tornar a juventude mais sintonizada com o que estava acontecendo, muito mais sintonizada com a realidade da Sociedade. As discussões levantaram a questão da destruição ambiental, a questão da alienação do indivíduo, a rejeição da autoridade e outros temas do gênero. Tudo isso surgiu ao mesmo tempo. </em>[...]<em> Na verdade, o Clube de Roma nasceu dentro do OCDE, em torno dessas preocupações»</em>.</p></blockquote>
<p>E continuando King:</p>
<blockquote><p><em>«</em><em>A Fundação Ford nos ajudou muito na OCDE, assim como a Royal Dutch Shell&#8230; O início do Clube de Roma foi aí.»</em></p></blockquote>
<p>Em 1991, Alexander King e Bertrand Schneider (então secretário-geral do Clube de Roma), declaram em <em>«A Primeira Revolução Global»</em> que:</p>
<blockquote><p><em>«Na busca</em><em> de um novo inimigo para unir-nos, chegamos à idéia de que a poluição, a ameaça do aquecimento global, a escassez de água, a fome, e coisas do gênero, preenchiam esse papel&#8230; Todos esses perigos são causados pela intervenção humana&#8230; O inimigo real, então, é a própria humanidade.»</em></p></blockquote>
<p>Assim pensam os chamados <em>zerocrescimentistas</em>.</p>
<p>Em entrevista (1980), o então secretário-geral do Clube de Roma, Maurice Guernier, declara que, quanto aos problemas com a aceitação de suas idéias, <em>«</em><em>o grande problema é o lider nacional de um país, pois, por definição, um chefe-de-estado é altamente nacionalista </em>[...]<em> Mas o nosso problema ainda é um problema de poder. A nossa chave para o poder é o movimento ecologista, os partidos ambientalistas. O Clube de Roma começou esses partidos. </em>[...]<em> O movimento ecológico transcende fronteiras, porque englobam tanto a esquerda como a direita </em>[...]<em> As pessoas não acreditam nos políticos, mas elas acreditam nos ambientalistas. </em>[...]<em> e então os chefes-de-estado também terão que mudar as suas idéias.»</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>O <em>«Relatório Global 2000»</em></h2>
<p><em>            </em>Este documento foi elaborado no governo Carter, coordenado por Geraldo O. Barney, e publicado no início de 1980. A principal recomendação do Relatório se referia ao papel de liderança que os EUA deveriam assumir no processo de conduzir o mundo ao pesadelo malthusiano idealizado pelo <em>establishment</em> oligárquico: <em>«As mudanças necessárias vão muito além da capacidade e responsabilidade desta ou de qualquer outra nação individual. É essencial uma era de cooperação e compromissos sem precedentes. Porém, há oportunidades – e fortes motivos – para que os EUA proporcionem a liderança entre as nações. Para esta nação, deve ser uma alta prioridade uma profunda avaliação das suas políticas externas e domésticas referentes aos assuntos de população, recursos e meio ambiente. Possuindo a maior economia do mundo, os EUA podem esperar que suas políticas tenham uma significativa influência nas tendências globais. &#8230; Cooperação adicional entre as nações é também necessária para reforçar os mecanismos internacionais para a proteção e utilização das “áreas comuns globais” – os ocaanos e a atmosfera.»</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/kissinger.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-11074" title="kissinger" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/kissinger.jpg" alt="" width="175" height="218" /></a>O <em>«Memorando NSSM-200»</em></h2>
<p>O Conselho de Segurança Nacional do governo dos EUA, em 1974, na nocasião em que esteve sob a orientação de Henry Kissinger, elaborou um famigerado documento: o <em>«National Security Study Memorandum 200»</em>, mais conhecido como <em>«NSSM-200»</em>, que tinha como título: <em>«Implicações do Crescimento Populacional Mundial para a Segurança e os Interesses Externos dos EUA»</em>. O tema central do estudo era o impacto do crescimento demográfico dos países em desenvolvimento (do Terceiro Mundo, hoje chamados de “países periféricos”) sobre a utilização de recursos naturais de interesse para a economia dos EUA.</p>
<p>Em 1975, ainda sob a orientação pessoal de Henry Kissinger, o Conselho de Segurança Nacional dos EUA determinou que o crescimento populacional das nações em desenvolvimento – todas ricas em recursos naturais – constituía uma ameaça à segurança dos EUA e seus aliados (leia-se: Inglaterra). Tal política, manifestada no <em>«NSSM-200»</em>, era explícita em assinalar que a ameaça decorria da utilização dos recursos naturais, por parte daquelas nações, especialmente os recursos minerais, no atendimento de suas necessidades de bem-estar de suas crescentes populações.</p>
<p>Como recomendação, o estudo sugeriu a adoção de uma política de contenção do crescimento demográfico em 13 países-chave – dentre eles o Brasil (os demais eram: Bangladesh, Colômbia, Egito, Etiópia, Filipinas, Índia, Indonésia, México, Nigéria, Paquistão, Tailândia e Turquia) – o que foi efetivado com o apoio de agências oficiais, como a USAID &#8211; Agência para o Desenvolvimento Internacional, e “entidades privadas”, Como a IPPF &#8211; Federação Internacional de Paternidade Planejada, controlada pela família Rockefeller.</p>
<p>O <em>«NSSM-200»</em> foi o primeiro passo do governo estadunidense para “oficializar” o malthusianismo como política:</p>
<blockquote><p><em>«A fim de que as regiões orientais não atinjam um aumento populacional insuportável para nós, é urgente e necessário omitir todos os métodos que usamos no Oriente para aumentar o número de nascimentos. Devemos pôr em ação, nas referidas regiões, uma política populacional conscientemente negativa. Pela propaganda, especialmente pela imprensa, rádio, cinema, plásticos, brochuras, conferências etc, repetidas vezes sem conta, o pensamento do povo será persuadido de que é mau ter muitos filhos. Devem ser uma vez mais apontadas as despesas que os filhos requerem, maiores do que as necessárias ao adulto. Os grandes perigos à saúde que podem ocorrer à mulher na gravidez devem ser assinalados etc. Depois da propaganda, uma campanha em grande escala deve ser feita sobre os meios de prevenção. Nem o auxílio, nem a disseminação destes meios, nem o aborto devem ser punidos. Deve ser promovido o estabelecimento de clínicas de aborto por toda parte. &#8230; Quanto mais apropriado se tornar o aborto, mais o povo será levado a confiar nele. Também o médico deve obviamente ser competente para tomar essas medidas, sem que isto seja considerado ofensa à honra da profissão médica. A esterilização voluntária também deve ser promovida.» </em></p></blockquote>
<p>Essa instrução sobre a política populacional das regiões orientais ocupadas pelo nacional socialismo vem de Martin Bormann, secretário de Adolf Hitler, em 1941-1942. Após 1945, numerosos chefes nazistas foram enforcados em Nuremberg por sua política racista e genocida. Na Convenção para Prevenção e Punição do Genocídio, de 1948, este crime foi assim definido no art. II: <em>«Uma das medidas principais, que tem a intenção específica de destruir, no todo ou em parte substancial, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso como tal. &#8230; 4) sujeitar o grupo a condições de vida direcionadas a causar a destruiçãp física do grupo no todo ou em parte; 5) impor medidas direcionadas a impedir nascimentos dentro do grupo&#8230;»  </em>Grande parte das medidas de controle da natalidade já estava especificada nas políticas do <em>establishment</em> anglo-americano no começo do séc. 20; Hitler apenas a implantou na Europa.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Eugenia nos EUA&#8230;</h2>
<p>Nos Estados Unidos, a quantidade de italianos, poloneses e judeus crescia constantemente e ameaçava, sob o ponto de vista de certas autoridades, a pureza da raça da “aristocracia” WASP (abreviatura, em inglês, de “Branco, Americano, Saxão e Protestante”). Após o assassinato do presidente Willian McKinley, a ascensão de Theodore Roosevelt à Presidência, no período de 1901 a 1909, colocou no poder um declarado representante dessa corrente. [...] Teddy Roosevelt, exigia que a elite estadunidense criasse uma <em>«&#8230;raça forte e poderosa». Em seu livro de 1914, «Race Decadence» («Decadência da Raça»), ele apresentou o seguinte ponto de vista:</em></p>
<blockquote><p><em>«Gostaria muito que os povos errados pudessem ser impedidos inteiramente de se reproduzir; e quando a natureza ruim dessa gente estiver suficientemente flagrante, isto deve ser feito. </em>[...]<em> Os criminosos devem ser esterilizados e pessoas de mente fraca proibidos de deixar descendência&#8230;» </em></p></blockquote>
<p>George Bush (pai), enquanto presidente (1989-1993), tinha um retrato de seu ídolo Teddy Roosevelt em seu gabinete. [...] Em 1969, como presidente do grupo de trabalho republicano sobre recursos naturais e população, convocou para depor notórios racistas como William Shockley e Arthur Jensen, que proclamavam que os negros eram geneticamente inferiores, e que se declarasse favorável a programas de esterilização, para que o sistema de bem-estar social encorajasse a “descendência negativa”. A família Bush pertence aos círculos do <em>establishment</em> anglo-americano que se devotam, desde o começo do século (20) ao movimento eugênico racista.</p>
<p>Em 1932, na Alemanha, a Union Banking Corporation, de Fritz Thyssen, que, de 1924 até os anos 1940, foi dirigida pelo banco de Harriman-Bush, concedeu um generoso crédito equivalente a mais de US$ 100.000 para a campanha eleitoral do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores, inclusive para a campanha de Hitler para a presidência da Alemanha.</p>
<p>Vários personagens importantes desse drama devem ser aqui apresentados: o escritório de advocacia Sullivan &amp; Cromwell, que representa, entre outros, o Banco Morgan, a família Rockefeller, o pai de Bush, Prescott Bush, o empresário ferroviário E.H. Harriman e seus sócios com os nazistas (que teve papel central nas aventuras coloniais de Teddy Roosevelt). Mais tarde o escritório produziu os contratos de negócios anglo-americanos com a Alemanha Nazista.</p>
<p>Quando, em 1919, W. Averell Harriman fundou o banco de investimentos W.A. Harriman &amp; Co., Herbert G. Walker, avô materno de Bush, foi nomeado presidente do mesmo. Em 1926, Prescott Bush ascendeu à sua vice-presidência. A partir de 1931, ele passou também a administrar as finanças pessoais dos Harrimans e a atuar como gerente da empresa. O banco passou a se chamar Brown Brothers Harriman.</p>
<p>Na realidade, o movimento Harriman-Rockefeller implantou total e decisivamente a política racista na América nos anos 20 e 30. As duras leis de cotas de imigração de 1921-24, que até hoje pouco mudaram em substância, surgiram como resultado dos esforços do <em>lobby</em> eugênico estadunidense, reunido em torno dos Harrimans e de seu escritório. As leis foram apresentadas e promovidas na segunda conferência de 1921, em Nova York, organizada por Averell Harriman. Pelos seus termos, apenas as “raças nórdicas” podiam de fato imigrar para os EUA: ingleses, escandinavos e alemães.</p>
<p>Em 1914, o escritório formou a comissão para <em>«&#8230;estudar os melhores caminhos práticos e aconselhar os métodos para acabar com os genes defeituosos do povo estadunidense».</em> O estudo concluiu que cerca de 15 milhões de estadunidenses deveriam ser esterilizados. Assumia-se como comprovado que a preguiça era uma desigualdade social e genética, baseada em predisposições naturais, e portanto, era necessário esterilizar os pobres, criminosos, doentes mentais, tuberculosos, cegos, surdos e epiléticos.</p>
<p>O relatório afirmava:</p>
<blockquote><p><em>«É considerado por algumas escolas de pesquisadores sociais que melhores escolas, igrejas, alimento e vestuário, melhor convivência e vida social remediarão quase toda a inadequação social dos indivíduos. Os estudos do comitê apontam fortemente na direção oposta. Eles provam, conclusivamente, que muita inadequação social é de uma natureza biológica profundamente enraizada e só pode ser remediada pela supressão das raças humanas que a produzem.»</em></p></blockquote>
<p>Como resultado desses esforços, em meados dos anos 1930, já havia leis de esterilização em quase todos os Estados dos EUA. Projetos do gênero foram implementados em grande estilo na Califórnia pela Fundação para a Melhoria Humana, organização depois chamada Associação para a Esterilização Voluntária. Os nazistas estudaram tais “experiências”, intensamente, antes de darem início aos seus próprios “grandes projetos”.</p>
<p>A Associação sobreviveu à 2ª GM. [...] Em 1988, a USAID fechou com a Associação (renomeada Associação para Contracepção Cirúrgica Voluntária) um contrato de cinco anos, no valor de 80 milhões de dólares, para programas de esterilização no exterior. Segundo seus relatórios, a organização acompanha programas do gênero em 58 países da Ásia, América Latina e África, e afirma ter esterilizado 2 milhões de pessoas. Suas operações no exterior são financiadas em 87% pelo Governo estadunidense. [...] No Brasil, em anos recentes, 44% das mulheres férteis foram esterilizadas, de acordo com um relatório do ex-ministro da Saúde, Alceni Guerra. Mas também, no industrializado Canadá, em 1984, 54% de todas as mulheres abaixo dos 50 anos e que usavam contraceptivos estavam esterilizadas.</p>
<p>O terreno do prédio da ONU em Nova York foi presente de John Rockefeller III. [...] O <em>lobby</em> populacional continuou seu trabalho após a 2ª GM, sem perder o ritmo. Acima de tudo, encaravam a pergunta: como, após o fim do colonialismo, poderiam assegurar que as novas nações emergentes, da África, Ásia e América Latina, não obtivessem seu lugar de direito no mundo futuro? Resposta: o <em>NSSM-200</em>.</p>
<p>O Japão, após Hiroshima e Nagasaki, era uma área experimental para “questões populacionais”: naquele ano (1948), sob controle militar estadunidense, o aborto foi legalizado, e, como resultado, a taxa de natalidade japonesa caiu maciçamente. No final dos anos 40, Rockefeller viajou várias vezes à Ásia com John Foster Dulles, tendo participado como conselheiro especial à conferência de paz estadunidense-japonesa de Los Angeles, em 1951. Em 1952, Rockefeller e Dulles fundaram o Conselho de População (Population Concil). Dulles foi presidente da Fundação Rockefeller em 1950-51, antes de ser nomeado secretário de Estado pelo presidente Dwight Eisenhower (1951-1959). Seu irmão Allen foi diretor da CIA até o governo Kennedy.</p>
<p>Frederick Osborn era secretário da Sociedade Eugênica dos EUA, e foi curador do Conselho de População, de 1952 a 1968, e seu presidente, de 1957 a 1959. A ONU também enviou um representante à cerimônia de fundação do Conselho Rockefeller. Hoje, a organização tem numerosos departamentos envolvidos no controle da natalidade, especialmente o UNFPA &#8211; Fundo para Atividades Populacionais. O Conselho de População tem estado no centro do controle do movimento mundial de controle da natalidade. [...] Um relance à carta de fundação do Conselho (que não foi publicada), revela a extensão de suas ações:</p>
<blockquote><p><em>«Pesquisa básica dos processos vivos de proliferação humana; pesquisa aplicada à eficácia das medidas de prevenção-contracepção, considerando costumes, atitudes e circunstâncias da vida das pessoas em regiões com a maior pressão de risco populacional; desenvolvimento de centros de estudo e pesquisa em questões populacionais em regiões com maior pressão populacional; atenção ao significado do trabalho coordenado em demografia, saúde pública, ciência social e outras áreas importantes para a política populacional; treinamento de pessoal de alto nível &#8230; incluindo a garantia de estipêndios para estudos externos &#8230; ; investigação dos aspectos qualitativo e quantitativo da população dos EUA, em relação a possíveis recursos materiais e culturais.»</em></p></blockquote>
<p>Os Rockefellers asseguraram para si mesmos uma influência fundamental sobre o estabelecimento da ONU, com a doação do terreno no qual foi construída a sede da entidade. Rapidamente, aumentou também o tamanho da comissão do Conselho Econômico e Social da ONU, que trabalhava intimamente com o Conselho Rockefeller. Igualmente, as outras organizações da ONU, como a UNESCO, estavam apinhadas de racistas: o primeiro diretor desta foi Sir Julian Huxley, que em 1962, defendeu publicamente o estabelecimento de um programa eugênico. Na mesma época, diretores da FAO sugeriram que fosse considerada a possibilidade de se misturarem substâncias esterililadoras aos alimentos e á água dos países em desenvolvimento.</p>
<p>Em 1959, o Conselho de População organizou uma conferência sobre população mundial em West Point, EUA, com cientistas internacionais importantes, para discutir o controle da fertilidade. Na conferência, o Dr. Pincus, criador da pílula anticoncepcional, apresentou os primeiros resultados das experiências com mulheres portorriquenhas.</p>
<p>John D. Rockefeller III organizou a chamada “Declaração dos Líderes Mundiais”, no qual 30 chefes de Estado (dentre eles a primeira-ministra indiana Indira Gandhi) declaravam a quastão populacional como importante prioridade nacional – a declaração foi apresentada no dia dos Direitos Humanos de 1967 à ONU (ao secretário-geral U Thant).</p>
<p>Em 1967 foi criado o Fundo Curador da ONU para Questões Populacionais. Hoje, transformado (dois anos após) em Fundo para Atividades Populacionais, coordena a política populacional de todas as agências da ONU pelo mundo. A UNESCO, o UNICEF, o PNUD, a FAO, a OIT, têm programas populacionais combinados com as suas “medidas especiais de ajuda”. Os escândalos de Bangladesh, onde as mulheres tinham que se submeter à esterilização em troca de alimentos do programa de ajuda da FAO, deu manchetes principais nos anos 80. Igualmente, os programas especiais de ajuda às mães visam o controle da natalidade. A OMS é outro exemplo da minuciosidade com que se lida na área de “direcionamento da fertilidade”. Com os projetos de pesquisa da OMS, o controle da natalidade foi consideravelmente intensificado. [...] Quem se recordar do <em>«Admirável Mundo Novo»</em>, novela futurista de Aldous Huxley, de 1931, estará certo.</p>
<p>Um dos parceiros mais importantes da ONU (segundo relatórios da UNFRA) nos programas de controle da natalidade é a IPPF &#8211; Federação Internacional de Paternidade Planejada. A entidade foi estabelecida em 1952 em Bombaim, Índia, quase ao mesmo tempo que o Conselho de População. [...] Na Europa, a já conhecida família Osborn estabeleceu a sede da IPPF nas salas da Sociedade Eugênica de Londres. [...] Em 1983, a IPPF ganhou um prêmio da ONU por sua obra na área do “controle populacional”, e é hoje considerada a segunda maior ONG do mundo, logo após a Cruz Vermelha Internacional, mantendo filiais em 103 países, com orçamento anual acima de 100 milhões de dólares, apenas para as atividades internacionais, dos quais mais de 40% vêm dos EUA. [...] A filial brasileira, BEMFAM &#8211; Sociedade de Bem-Estar Familiar, esteve envolvida na esterilização de 44% das mulheres brasileiras em idade fértil, segundo relatórios da USAID. [...] Na maioria dos países a IPPF goza de apoio governamental. [...] Em 1984, o Governo Alemão deu 6 milhões de marcos à seção alemã da IPPF, que lá recebe o nome enganador de Pró-Família. Ela oferece “serviços de planejamento familiar” e educação sexual em todas as cidades alemãs. [...] As gigantescas campanhas para relaxamento das leis sobre o aborto (lema: “Minha barriga me pertence.”), nos EUA e Europa, foram deslanchadas pela IPPF.</p>
<p>Patrono muito influente da IPPF foi o general William Draper, fundador do Comitê de Crise Populacional, e promotor da 3ª Conferência Eugênica, em Nova York, em 1932. [...] No Governo Eisenhower, em 1959, Draper chefiava o comitê presidencial que analisaria a influência da ajuda econômica aos países em desenvolvimento. Embora Eisenhower declarasse, no mesmo ano, que os EUA não se envolveriam em questões populacionais de outros países, o chamado “Relatório Draper” foi o primeiro documento oficial do pós-guerra que apresentou a questão populacional como um problema. Draper era de opinião de que a espécie humana necessitava de um “guarda-caça” (<em>park ranger</em>), que, de tempos em tempos, eliminaria o excesso populacional, como se faz com os animais.</p>
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<h2><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/Margaret-sanger.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-11075" title="Margaret Sanger" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/Margaret-sanger-225x300.jpg" alt="" width="225" height="300" /></a>Margaret Sanger</h2>
<p>Em 1914, Margaret Sanger fundou a antecessora da IPPF, a Liga de Paternidade Voluntária, ou Liga do Controle da Natalidade da América. A partir de 1917, passou a publicar a Revista do Controle da Natalidade, e nos anos 30, fundou o Escritório de Pesquisa Populacional, em cujo conselho diretor estava Frederick Osborn (fundador da Sociedade de Pesquisa Eugênica). Em 1942, por sugestão de Henry Pratt Fairchild (presidente da Sociedade Eugênica Americana), a Liga mudou o nome para Aliança de Planejamento Familiar da América.</p>
<p>Margaret Sanger era, abertamente, neomalthusiana e racista, e foi apoiada pelo <em>establishment</em> estadunidense tão logo seus talentos organizacionais e demagógicos foram reconhecidos. Desde 1902, Margaret frequentava o ambiente boêmio e anarquista de Greenwich Village, em Nova York, onde foi protegida por Emma Goldman, a sacerdotiza do “amor livre”. Em 1901, um dos numerosos amantes de Emma matou a tiros o presidente William McKinley.</p>
<p>Em 1914, Margaret escreveu seu primeiro panfleto intitulado <em>mulheres rebeldes</em>, no qual pontificava: <em>«Não há influência mais degeneradora da ordem social do que o casamento».</em> Sua apologia ao aborto livre resultou num processo do qual escapou fugindo para a Inglaterra, via Canadá. Na Inglaterra, tornou-se amante de Havelock Ellis, autor de mais de 50 livros sobre as mais variadas práticas sexuais, e que a introduziu no consumo da mescalina. Havelock Ellis participava dos círculos de H.G. Wells, Aldous e Julian Huxley, Bertrand Russell, John Maynard Keynes e George Bernard Shaw, e era um eugenista convicto. [...] Quando voltou aos EUA, em 1916, Margaret fundou a primeira clinica de abortos, nas vizinhanças de Nova York, onde viviam judeus e católicos pobres do Leste Europeu. [...] Desde 1925, a Liga para o Controle da Natalidade é financiada pela Fundação Rockfeller, e depois, pela Fundação Ford.</p>
<p>Margaret Sanger era amiga do escritor e agente da inteligência britânica H.G. Wells, que escreveu a introdução de seu livro (dela) <em>«Pivô da Civilização»</em> (<em>«Pivot of Civilization»</em>), publicado em 1922. Nele, ela rotula como inúteis os programas de bem-estar para os pobres, e ataca duramente a Igreja Católica. No prefácio, Wells exige a fundação de um “governo mundial”, ao qual as pessoas  deveriam subordinar a sua liberdade pessoal.</p>
<p>Sir Julian Huxley também pertenceu ao bando de amantes de Margaret Sanger. No seu livro <em>admirável mundo novo</em>, seu irmão Aldous Huxley perpetuou os sonhos dela sobre o sexo livre sem consequências e a introdução de um “Conselho de Supervisão Mundial” para o controle populacional. No enredo, o “Governo Mundial” controlava a humanidade com a droga “soma” e uma ilimitada licenciosidade sexual, por meio da total abolição da família e da punição “artística” do povo.</p>
<p>Em 1923, Margaret Sanger organizou uma conferência em Chicago sobre o tema do controle da natalidade. O objetivo estava claramente formulado no convite:</p>
<blockquote><p><em>«Os altos custos do programa de bem-estar e reabilitação são uma carga em permanente crescimento, pesando sobre todas as comunidades estadunidenses. Os membros independentes e respeitáveis da sociedade devem suportar a carga dos imperfeitos, dos criminosos e dos dependentes. Os recursos óbvios que devem ser fornecidos às  crianças em posição de usar frutiferamente a sua educação, de acordo com seus talentos, são cortados a fim de manter os fracos e desajustados. As autoridades sociais confessam sua inabilidade para extirpar as raízes desse mal. Diminuí-lo não é suficiente. Devemos impedí-lo. Por isto, apelamos aos trabalhadores sociais, doutores, servidores de saúde pública etc para participar.»</em></p></blockquote>
<p>Da agenda constavam temas como <em>«&#8230;pobreza hereditária, decadência moral, custos dos valores sociais e espirituais, custos de doenças, enfermidades, criminalidade e dependência».</em> O relatório final se intitulava: <em>«Eugenia – e Super-raça»</em>.</p>
<p>O “Plano Para a Paz” de Margaret Sanger, de 1932, propunha ainda leis de imigração estrangeiras mais duras, esterilização e separação para os menos afortunados. No <em>«baby-codex»</em> da população estadunidense, ela colocou os custos de ajuda social aos pobres no fim, e propôs o estabelecimento de clínicas de aborto. Seu “Projeto Negro”, de 1939, tinha como objetivo reduzir a população negra do Sul dos EUA e nas cidades. Para tanto, foram treinados médicos e intelectuais negros, porque Margaret compreendeu corretamente que de outra forma as campanhas para aborto e esterilização pelos brancos pareceriam simplesmente uma campanha de extermínio.</p>
<p>Margaret Sanger é também, reputada como a “mãe” da pílula, desenvolvida pelo Dr. Pincus sob comissão da Fundação Rockefeller, e primeiramente testada em portorriquenhos. Nos anos 1920, Margaret contrabandeou diafragmas para os EUA, e depois estabeleceu uma empresa para sua fabricação, com ajuda financeira das famílias Kellogg, McCormick e Roosevelt. Posteriormente, a IPPF se encarregaria da  distribuição maciça de pílulas, DIUs, preservativos etc, o que foi organizado em todos os países do mundo.</p>
<p>Sem dúvida, John Rockefeller III moldou decisivamente a política governamental estadunidense na questão demográfica. [...] Em maio de 1968, ainda no Governo Johnson, Rockefeller se tornou presidente da Comissão Estadunidense para a Divulgação e Política Populacional. [...] Sob influência dessa comissão, o presidente Nixon assinou uma longa “Mensagem ao Congresso Estadunidense” sobre a situação demográfica do país. E perguntou: <em>«Onde viverão os próximos 100 milhões de estadunidenses?»</em> À época, o país tinha uma densidade demográfica de 27 pessoas por km<sup>2</sup> (contra 221 da Alemanha atual).</p>
<p>Em 1970, foi aprovada uma lei para o estabelecimento de uma Comissão Nacional Sobre o Crescimento Demográfico e o Futuro da América, tendo como presidente ninguém menos que John D. Rockefeller III.</p>
<p>Em 1966, George Bush (pai), representante do Texas no Congresso, teve o controle da natalidade o centro de suas atividades. [...] Patrocinou uma audiência após a outra, para as quais todos os conhecidos lobistas malthusianos foram convidados, entre os quais o general Draper e Paul Ehrlich, autor do livro <em>«A Bomba Populacional» </em>(«<em>The Population Bomb»</em>), no qual propunha a esterilização em massa por meio de produtos químicos na água potável.</p>
<p>Diante da crescente pobreza mundial, o desejo ardente de Bush era trabalhar contra a “explosão demográfica” nos EUA e no exterior. A realidade estava na inundação da pobreza que se manifestou nos anos 70 nas cidades estadunidenses, e que hoje choca cada visitante do país que não se restrinja a passeios turísticos, pelas amedrontadoras e enormes quantidades de pobres, sem-tetos e dependentes da Previdência Social. [...] Em discurso, repetindo o que Margaret Sanger já dissera, Bush expressou o medo de que os programas de planejamento familiar (propostos por ele), pudessem ser compreendidos como esforços para “eliminar negros”. De fato, como resultado dos “programas”, o número de esterilizações – sobretudo forçadas entre negros e outras minorias, mas também entre brancos pobres – cresceu maciçamente.</p>
<p>O juiz Gerhard Gesell afirmou, em 1974: <em>«Nos últimos anos, cerca de 100 a 150 mil pessoas de baixa renda foram esterilizadas anualmente, nos programas de fundos federais.»</em> Há provas incontestáveis de que <em>«&#8230;um número indefinido de pobres foi impropriamente coagido a aceitar a esterilização, sob a ameaça de que vários benefícios federais da Previdência seriam retirados se elas não se submetessem à esterilização irreversível»</em>. Gesell concluiu que <em>«&#8230;a linha divisória entre planejamento familiar e eugenia está indefinida»</em>.</p>
<p>De 1970 a 1972, Bush foi embaixador estadunidense na ONU. Em seu primeiro discurso, mencionou como seus principais objetivos as políticas demográficas e ambiental. Aqui ressoa a sua posição sobre “Governo Mundial” e “Nova Ordem Mundial”: <em>«O problema demográfico não é mais assunto particular </em>[...]<em> Está bem claro que um dos principais desafios dos anos 70 será reduzir a fertilidade mundial.»</em> E ele seguiu exatamente tal política nos anos seguintes.</p>
<p>De 1973 a 1976, Bush foi embaixador estadunidense em Pequim, China (a qual foi aceita na ONU em 1971). Na ocasião, a China efetuava a mais brutal política de controle de natalidade do mundo, incluindo o aborto legal até o 9º mês – o infanticídio disseminado – a negação de rações alimentícias e similares a famílias com mais de um filho, e outras medidas. Em 1979, o regime comunista prescreveu a família de um só filho; em 1983, o controle da natalidade foi colocado na Constituição Chinesa. Em 1988, o conselho de população (de Rockefeller) elogiou a política chinesa, afirmando que seria necessário proceder ditatorialmente para se ter “sucesso” neste campo.</p>
<p>Em 1968, com a participação ativa da OTAN, e dos círculos da OCDE &#8211; Organização Para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico, e o conselho de população de Rockefeller, foi fundado o Clube de Roma, sob a presidência de Aurelio Peccei. [...] O Clube de Roma defendia (além da redução drástica da humanidade), explicitamente, a abolição da soberania dos Estados Nacionais, proposta que, desde então, tem estado presente nas inciciativas internacionais sobre população e meio ambiente e, hoje, está óbvia na “Nova Ordem Mundial” de Bush.</p>
<p>O livro <em>«</em><em>Limites ao Crescimento»</em> («<em>Primeiro Relatório Ao Clube De Roma – Limits to Growth»</em>), cuja divulgação ocorreu em paralelo com a artificialmente deflagrada “crise do petróleo”, se tornou a bíblia dos partidários do crescimento zero, que ajudou a decolar o movimento ambientalista, agora com o tema: <em>«Os limites ao crescimento foram alcançados; se não limitarmos imediatamente a população, virá o apocalipse.»</em> Famosos príncipes consortes, como o Príncipe Philip da inglaterra e Bernardo da Holanda ajudam organizações como o WWF – World Wilde Fund for Nature. Tecnologia e crescimento econômico são <em>out</em>, conservação é <em>in</em>, e os aspectos amedrontadores da “explosão demográfica” e da “catástrofe ambiental” foram introduzidas em nossos lares.</p>
<p>Nesse ambiente, ocorreu a conferência mundial sobre população, em Bucareste, em 1974 – a primeira organizada em âmbito governamental. Naturalmente, após a “crise do petróleo” de 1973, o mote ideológico <em>«&#8230;nenhuma tecnologia – mas controle da natalidade – para os países em desenvolvimento&#8230;»</em> não poderia ser melhor. O Governo dos EUA estava firmemente nas mãos do <em>lobby</em> dos Rockefeller, e elaborou o esboço de um chamado “plano de ação mundial” para reduzir o crescimento da população global. A inspiração, como hoje sabemos, veio de Henry Kissinger.</p>
<p>O objetivo do “plano de ação mundial” estava delineado no <em>Memorando NSSM-200</em>. [...] Mas, ainda em Bucareste, surgiu uma oposição nas fileiras dos países em desenvolvimento, liderada pela Argélia, que viu corretamente, no plano, uma tentativa imperialista de privá-la da sua soberania e negar-lhe o desenvolvimento econômico. [...] O <em>lobby</em> malthusiano registrou a derrota e tomou providências. Sintomaticamente, no período subsequente, as melhores personalidades líderes dos países em desenvolvimento foram, uma a uma, derrubadas ou assassinadas.</p>
<p>George Bush (pai) foi, finalmente, eleito presidente de 1989 a 1993. Nesse período, o conflito Norte-Sul entrou numa nova fase: do controle da natalidade por meios econômicos e políticos, passou-se à aberta militarização do conflito. A invasão do Panamá, no final de 1989, foi uma amostra disto, o mesmo ocorrendo com a guerra contra o Iraque.</p>
<p>Hoje, a política de controle da natalidade representa uma grande ameaça à paz mundial. Se não quisermos sofrer um colapso no século 21, com uma guerra mundial e uma barbárie sem paralelo, devemos parar com as atividades do <em>lobby</em> da morte e voltar à política no sentido como a entendia e praticava o presidente francês Charles de Gaulle, que afirmou (23/04/1960):</p>
<blockquote><p><em>«Em nossos tempos, não pode haver uma verdadeira paz sem desenvolvimento. Nos países em desenvolvimenmto vivem dois bilhões de pessoas. Creio que a grande tarefa do mundo – acima e além de todas as teorias, doutrinas e governos – é ajudá-las a saírem da miséria.»</em></p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Higiene racial</h2>
<p>Antes de Theodore Roosevelt (e de Gifford Pinchot), já na década de 1840, nos EUA, os grupos oligárquicos haviam criado a Sociedade Etnológica Americana (1842), e o Instituto Smithsoniano (1846), com a finalidade de promover um ideário racista e malthusiano de superioridade racial da população anglo-saxônica, a redução da população não-branca – e não-protestante – e o controle dos recursos naturais.</p>
<p>Em coerência com o “conservacionismo” (ambiental), T. Roosevelt também foi um promotor de teses de “higiene racial” – ou eugenia. Esta pseudociência foi criada no final do século 19 pelo inglês Francis Galton (primo de Charles Darwin). Seu objetivo declarado era o “melhoramento” da espécie humana:</p>
<blockquote><p><em>«&#8230;dar às raças ou linhagens de sangue mais aptas, uma melhor chance de prevalecer rapidamente sobre as menos aptas.»</em></p></blockquote>
<p>Nos EUA, o centro do movimento para o “melhoramento racial” era o Museu de História Natural de Nova York (então dirigido por Henry Fairfield Osborn). Os adeptos da eugenia nos EUA propunham, entre outras medidas, a esterilização forçada de inválidos e deficientes físicos, e a restrição da imigração de indivíduos não-brancos para o país.</p>
<p>Em 1932, Osborn, Averell Harriman, John D. Rockefeller e Andrew Carnegie (todos destacados membros do <em>establishment</em> anglo-americano) organizaram a 3ª Conferência Eugênica Internacional, em Nova York, na qual foi eleito para a presidência da federação internacional de organizaçõpes eugências, o Dr. Ernst Rüdin, o qual, anos depois, escreveria as leis raciais do regime nazista de Adolf Hitler.</p>
<p>A associação de teorias racistas com o “conservadorismo” ambiental frutificou na Alemanha nazista – o primeiro país europeu que estabeleceu um sistema policial de proteção de reservas naturais e de <em>habitats</em> silvestres, por meio de grupos especiais de tropas SS. Igualmente, os nazistas se horrorizavam com a construção de usinas hidroelétricas nos rios “sagrados”, e aprovavam várias leis sobre os direitos dos animais. Segundo a escritora inglesa Anna Branwell, os nazistas foram os primeiros ambientalistas radicais a governar um Estado, além de terem influenciado <em>«&#8230;alguns dos dogmas do ambientalismo britânico»</em>.</p>
<p>Após a 2GM, as atrocidades cometidas pelos nazistas em nome do “melhoramento racial” tornaram a eugenia altamente impopular. Assim, os oligarcas anglo-americanos que apoiavam o movimento eugênico transferiram seus esforços para o “controle demográfico” e a “conservação ambiental”. Esta reorientação foi elaborada pelos mais altos órgãos de planejamento estratégico da oligarquia britânica: o RIIA e o Pep &#8211; Planejamento Político E Econômico (criado em 1931) – com o apoio direto da Sociedade Zoológica de Londres e da Real Sociedade Geográfica.</p>
<p>Os dois “engenheiros sociais” mais profundamente envolvidos no projeto foram Julian Huxley e Max Nicholson, ambos membros do PEP britânico, e da Sociedade Eugênica (Huxley foi seu presidente de 1936 a 1944). Em 1948, ambos desempenharam papel fundamental na fundação da Unesco – Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, para a qual Huxley foi nomeado primeiro-secretário-geral. Na carta de fundação dessa nova entidade, Huxley coloca entre as suas finalidades a promoção da necessidade da eugenia e da proteção da vida silvestre. Para Huxley, escreveu ele:</p>
<blockquote><p><em>«A proliferação do homem deve estar em segundo lugar, depois da conservação de outras espécies.»</em></p></blockquote>
<p>No mesmo ano (1948), Huxley e Nicholson foram os mentores da criação das duas primeiras organizações ambientalistas do <em>Establishment</em> anglo-americano, a UICN – União Internacional para a Conservação da Natureza e a Conservation Foundation dos EUA. A carta de constituição da UICN foi elaborada pelo Foreign Office, do Governo Britânico, por solicitação direta de Nicholson.</p>
<p>Participando tanto da UICN quanto da Conservation Foundation (como patrocinadores) figura Frederick Fairfield Osborn (sobrinho de Henry Fairfield Osborn), o qual foi um dos pioneiros da literatura apocalíptica sobre sistemas ambientais – com a publicação do livro <em>«Our Plundered Planet»</em> (<em>«Nosso Planeta Espoliado»</em>), no qual, já em 1948, alertava para a ameaça de “destruição” do planeta pela superpopulação e pelo uso indevido dos recursos naturais.</p>
<p>Para Huxley e Nicholson, a “conservação da vida silvestre” representava elemento crucial para a implementação de um “Governo Mundial”. Para não deixar dúvidas sobre as reais intenções da UICN – União Internacional para a Conservação Da Natureza, recentemente, seu diretor David McDowell afirmou que <em>«&#8230;a anacrônica noção de que os Estados Nacionais são os únicos agentes legítimos para implementar políticas de desenvolvimento, tem que morrer»</em>. Em outra ocasião, McDowell expressou sua repulsa pela existência de fronteiras nacionais que separavam ecossistemas e dificultavam a cooperação entre os “eco-gerentes” – propondo a criação de “Parques da Paz” para reduzir as tensões históricas ao longo das fronteiras de países conflitantes.</p>
<p>Os ensinamentos evolucionistas de Darwin, sobre a “seleção natural” dos mais capacitados e o consequente direito do mais forte constituem até hoje a base “científica” do <em>lobby</em> malthusiano.</p>
<p>Henry Fairfield Osborn foi presidente da sociedade eugênica americana, e por seus serviços ao movimento engênico, Hitler o condecorou com a Medalha Goethe. Seu sobrinho Frederick Osborn ajudou a fundar a Associação de Pesquisa Eugênica, em Cold Spring Harbor. Os dois Osborn ajudaram a família Rockefeller a fundar o Conselho de População, em 1952 – da qual Frederick seria curador, e depois presidente.</p>
<p>Henry Fairfield Osborn pronunciou o discurso de abertura perante os notáveis, no qual defendeu a eugenia, afirmando a necessidade de que o homem conservasse os recursos naturais escassos (observe-se já aí a vinculação entre eugenia e a “conservação” da Natureza).</p>
<blockquote><p><em>«Cheguei à conclusão de que o excesso populacional e o subemprego devem ser vistos como irmãos gêmeos. Deste ponto de vista, até opino que os EUA está superpovoado atualmente &#8230; Na Natureza, os indivíduos menos capazes desaparecerão gradualmente, mas na civilização nós os estamos conservando nas comunidades, esperando que eles achem emprego em dias melhores. Este é outro exemplo da civilização humana indo diretamente contra a ordem da Natureza, e encorajando a sobrevivência dos menos capazes</em>.»</p></blockquote>
<p>O Dr. Alexis Carrel, colaborador do Instituto Rockefeller (e ganhador do Prêmio Nobel de 1912 em Medicina), foi um dos cientistas que desde cedo apoiaram os cientistas racistas e nazistas, oferecendo conselho e aprovação. Em seu livro <em>«</em><em>O Homem, Esse Desconhecid»</em>, publicado em 1935 (e traduzido depois para nove idiomas), Carrel propunha, no capítulo final (intitulado <em>«</em><em>Para Construir Novos Homens»</em>), a morte na câmara de gás dos doentes mentais e criminosos, em pequenas instituições de eutanásia.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Frases de neomalthusianistas famosos</h2>
<p><strong>Carlos Vicente — da “Ação Internacional pelos Recursos Genéticos”: </strong><em>«Precisamos substituir o transporte de carros individuais, que consomem muita gasolina e álcool, pelo transporte coletivo,</em> (…) <em>as conseqüências perversas do aquecimento do planeta, das mudanças climáticas, podem levar para pressionar os governos a que realizem tais mudanças.»</em> (revista <em>Biodiversidad</em>, 04/06/2007).</p>
<p><strong>David Attenborough — diretor de </strong><em><strong>«The Optimum Population Trust»</strong></em><strong>: </strong><em>«Eu já vi a vida selvagem ameaçada pela crescente pressão humana em todo o mundo, e não é por causa da economia ou da tecnologia. É que por trás de cada ameaça está a estarrecedora explosão dos números da população humana.» &#8230; «Qualquer ambientalista sério sabe perfeitamente bem que o crescimento da população é o cerne de todos os problemas ambientais.»</em> (<em>The Telegraph</em>, 14/04/2009)</p>
<p><strong>David Foreman — porta-voz da ONG Earth First!: </strong><em>«Eu não vejo outra solução para evitar a ruína da Terra salvo uma drástica redução da população humana.»</em> (Citado por Gregg Easterbrook em <em>«The New Republic»</em>, 30/04/1990, p. 18); <em>«O homem não é mais importante do que qualquer outra espécie… Bem poderia ser que nossa extinção conserte as coisas.» </em>Citado por John Fayhee na revista <em>Backpacker</em>, setembro/1988, p. 22.</p>
<p><strong>David Graber — do U. S. National Park Services: </strong><em>«Nós viramos uma praga para nós mesmos e para a Terra. É cosmicamente improvável que o mundo desenvolvido opte por acabar com a orgia de consumo de energia fóssil, e que o Terceiro Mundo abandone seu consumo suicida da natureza. Enquanto o Homo Sapiens não voltar ao estado de natureza, para alguns de nós só resta aguardar o vírus certo para ficarmos sozinhos.»</em></p>
<p><strong>Faye Dunaway — porta-voz de </strong><em><strong>«Mother Earth/Gaia»</strong></em><strong> na série </strong><em><strong>«Voice of the Planet»</strong></em><strong>: </strong><em>«Você acha que Hiroshima foi ruim, mas eu quero te dizer: Hiroshima não foi suficientemente ruim!»</em></p>
<p><strong>James Lovelock — teorizador da Terra como ser vivo ou Gaia: </strong><em>«Temos bocas demais para alimentar e o inverno se aproxima. Se acontecer o aumento da temperatura que eu prevejo de 6 a 8° C, a civilização poderia estar ameaçada: nós veremos uma extinção em massa das espécies; a agricultura ficará impossível em boa parte do globo. Não haverá alimentos suficientes, haverá conflitos, a humanidade concentrar-se-á em volta das regiões polares.»</em> Livro <em>«A Vingança de Gaia»</em>.</p>
<p><strong>John Holdren — assessor para Ciência do presidente Obama: </strong><em>«Um envolvente Regime Planetário controlaria o desenvolvimento, administração, conservação e distribuição de todos os recursos naturais, renováveis e não-renováveis. Ele teria o poder de controlar a poluição não só da atmosfera e dos oceanos, mas também da água doce de rios e lagos. Regularia todo o comércio incluindo todos os alimentos. Ele determinaria a população ótima para o mundo. Ele deveria ter poder para impor limites populacionais aos países. E se Vs. querem saber quem faria o aborto e a esterilização de massa forçados, eu respondo: “pois o Regime Planetário, com certeza!”»</em> (Livro: <em>«Ecoscience: Population, Resources, Environment»</em>)</p>
<p><strong>Jeremy Hsu — jornalista: </strong><em>«As extinções massivas serviram como grandes teclas para dar um reset que mudaram drasticamente a diversidade das espécies no mundo… </em>(…) <em>Alguns cientistas especulam que os efeitos causados pelos humanos ‒ desde a caça até a mudança climática ‒ estão impulsionando outra grande extinção de massa.»</em></p>
<p><strong>Leonardo Boff — ex-frade e teólogo da libertação: </strong><em>«A roda do aquecimento global não pode mais ser parada, </em>(…) <em>a Terra como conjunto de ecossistemas já se tornou insustentável porque o consumo humano, especialmente dos ricos que esbanjam, já passou em 40% de sua capacidade de reposição. Esta conjuntura pode levar a uma tragédia ecológico-humanitária de proporções inimagináveis e, até pelo final do século, ao desaparecimento da espécie humana.»</em> (<em>Agência Adital</em>)</p>
<p><strong>Michael Oppenheimer — professor de Geociências e Relações internacionais, Universidade de Princeton: </strong><em>«Não podemos permitir que outros países tenham o mesmo número de carros, o mesmo patamar de industrialização que nós temos nos EUA. Nós temos que parar esses países do Terceiro Mundo exatamente onde eles estão.»</em></p>
<p><strong>Monika Kopacz — pesquisadora e ativista: </strong><em>«Só o exagero sensacional cria o caso que vai atrair a atenção dos políticos e dos leitores. Então, sim, os climatólogos podem exagerar, mas no mundo de hoje essa é a única forma de garantir qualquer ação política e, mais ainda, mais verbas federais.»</em></p>
<p><strong>Paul Ehrlich — professor da Universidade Stanford: </strong><em>«Fornecer energia abundante e barata à sociedade equivaleria a dar uma metralhadora a uma criança idiota.»</em><strong> </strong>No livro <em><strong>«The Population Bomb»</strong></em>, <em>Ballantine Books, </em>1968: <em>«Um câncer é uma multiplicação descontrolada de células; a explosão populacional é uma multiplicação descontrolada de pessoas… Nossos esforços devem passar do tratamento dos sintomas para a extirpação do câncer… Nós devemos ter um controle populacional… compulsivo se os métodos voluntários fracassam.»</em></p>
<p><strong>Paul Singer — apologista da “economia solidária”: </strong><em>«O padrão de consumo no mundo vai ter que mudar. Teremos que fazer um só automóvel levar mais gente, criar bolsões de bicicleta e ciclovias, entre outras coisas. O aquecimento global deve ser contido o mais depressa possível. Teremos que voltar a uma dieta de cereais. Seremos condenados à fome se não mudarmos nossa forma de alimentação.»</em></p>
<p><strong>Rajendra K. Pachauri — presidente do IPCC: </strong><em>«Há necessidade de mudar os estilos de consumo. Reduzir o tamanho da indústria pecuarista por meio da redução do consumo é a via mais efetiva para cortar as emissões de gases estufa. </em>(…) <em>Uma mudança nos níveis de consumo será necessário para ter um CO<sub>2</sub> baixo e uma sociedade sustentável.» «O estilo de vida ocidental é insustentável. Eu não entendo por que não pode haver um medidor em cada quarto de hotel para registrar quanto V. consome com o ar condicionado ou aquecimento e depois V. pagar. Com mudanças deste tipo, poder-se-ia obter que o pessoal comece a medir seus atos consumistas. O uso de carros deve ser reprimido. Acho que podemos manipular os preços para regular o uso de veículos particulares. Os restaurantes oferecerem água gelada aos clientes, um esbanjamento enorme. Acho que </em>(…) <em>os adultos foram corrompidos por causa dos caminhos que percorremos há anos.»</em> (<em>The Observer</em>, 29/11/2009)</p>
<p><strong>Ross Gelbsan — ativista ambiental: </strong><em>«Não somente os jornalistas não estão obrigados a informar o que dizem os cientistas céticos sobre o aquecimento global. Eles estão obrigados a não noticiar o que esses cientistas dizem.»</em></p>
<p><strong>Stephen H. Schneider — professor de Biologia Ambiental e Mudança Global na Universidade Stanford: </strong><em>«Isso, naturalmente, implica a obtenção de muita cobertura da mídia. Portanto, temos que oferecer cenários assustadores, fazer simplificações, declarações dramáticas, e fazer pouca menção de quaisquer dúvidas que possamos ter.»</em></p>
<p><strong>Stewart Brand — em </strong><em><strong>«The Whole Earth Catalog»</strong></em><strong>: </strong><em>«Nós fazíamos votos… por um desastre ou por uma mudança social vindoura que nos catapultasse de volta para a idade de pedra.»</em> Brand abdicou de muitas idéias extremistas partilhadas com ambientalistas.</p>
<p><strong>Ted Turner — bilionário fundador da CNN: </strong><em>«O ideal seria que a população mundial fosse de 250-300 milhões de pessoas, quer dizer uma diminuição de 95% dos níveis atuais.»</em></p>
<p><strong>Thomas E. Lovejoy — conselheiro do Banco Mundial: </strong><em>«O planeta está no ponto de ser tomado pela febre, se é que já não o fez, e nós humanos somos a doença. Nós deveríamos estar em guerra contra nós mesmos e contra nossos estilos de vida.»</em></p>
<p><strong>Via Campesina Internacional — </strong><em>«As atuais formas globais de produção, consumo e mercado causaram uma destruição massiva do meio ambiente, incluindo o aquecimento global, as espécies animais e vegetais estão desaparecendo num ritmo sem precedentes. Exigimos urgentemente: 1) O desmantelamento completo das companhias de agrocombustíveis. 2) A substituição da agricultura industrializada pela agricultura sustentável apoiada por verdadeiros programas dereforma agrária.»</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Conclusão: a sustentabilidade como um disfarce malthusiano</h2>
<p>Como pode-se, de antemão, compreender, apesar das iniciativas acima descritas, não funcionaram totalmente, pois a população mundial continuou crescendo, mormente nos países periféricos, bem como o sesenvolvimento sócio-econômico, hoje em dia, engloba praticamente todas as nações do globo – exceto as de alguns países claramente falidos, como grande parte daqueles do cntinente africano. Estima-se que em finais deste século, a população mundial esteja por volta dos 11 bilhões de pessoas, quando então, segundo especialistas, haverá de se estabilizar (não se sabe, inclusive, exatamente, por quê).</p>
<p>Estabilizada ou não, como sustentar essa massa humana? Com os mecanismos/programas/ações decorrentes da noção de “sustentabilidade”, certamente. Haverá, no entanto, alguma forma de conter o consumo de bens naturais do planeta, mesmo que sejam utilizados recursos renováveis, que se pratique, ostensivamente, a reciclagem e outras providências do gênero? Resposta: não. Então qual seria (ou, qual é) a solução? A sustentabilidade, encarada, dessa vez, sob a ótica da severa diminuição da industrialização mundial e da redução drástica da polpulação do mundo.</p>
<p>Isso é o mesmo que o malthusianismo? Sim, é. É o mesmo que o ambientalismo, com suas restrições ao avanço sócio-econômico? Sim, é. A suatentabilidade, portanto, tem raízes não só na eugenia, quanto no severo controle populacional, bem como no malthusianismo (que permeia tudo isso) – e é o novo nome, talvez mais politicamente correto, do ambientalismo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Solução final: a diminuição da população mundial</h2>
<p>Isso já está em curso, em especial nos países tidos pelas elites ocidentais como “perigosos” e/ou “excedentes”. E esse movimento começa na Àfrica. É claro o fomento de guerras intestinas e a manutenção da fome na maioria de seus países – assim como a completa inassistência médica no que diz respeito às doenças tropicais endêmicas e ao avanço da AIDS. A fome é mantida como, provavelmente, a mais severa e desumana forma de genocídio em África.</p>
<p>Só para se ter uma idéia, toda a fome do mundo poderia ser resolvida se fosse utilizado para isso apenas o orçamento de um mês do Pentágono. Quer dizer, só não se resolvem essas questões porque não se quer.</p>
<p>Esse é o lado negro da “sustentabilidade”. Como a redução do consumo dos recursos naturais com uma mudança radical no <em>modus vivendi</em> da população mundial desenvolvida, com o ingresso nesse mundo desenvolvido e industrializado de países em desenvolvimento que rapidamente se tornam desenvolvidos, onde o consumo impera sem que possa ser impedido – a solução para minorar e/ou retardar o fim dos recursos naturasis do planeta só pode ser a maciça redução da população mundial  – e, repito, isso já está sendo feito, abertamente, em África.</p>
<p>E fica a mídia martelando na nossa cabeça essa lenga-lenga de sustentabilidade. Hoje, tudo é sustentável: banco sustentável, casa sustentável, emprego sustentável, energia sustentável, carro sustentável etc etc. Mas o que, certamente, será a única coisa sustentável mesmo, é o extermínio quase total da raça humana. Mesmo assim, se a Humanidade constasse de uma única família de cinco pessoas, um dia os recursos naturais também acabariam, talvez a uns três ou quatro bilhões de anos, mas acabariam. A sutentabilidade, portanto, é uma falácia, um disfarce para o malthusianismo, para a eugenia e o genocídio. Nada mais sinistro.</p>
<blockquote><p><strong><span style="color: #ff0000;">Seria, realmente, muito bom se esses tolos, ingênuos, politicamente corretos e/ou ignorantes, parassem com esse negócio de sustentabilidade, atribuindo essa &#8220;qualidade&#8221; a tudo aquilo que, de alguma forma necessite de um <em>marketing</em> adicional. Eles não sabem o quê e de quê estão falando. Provavelmente, acham que sustentabilidade é um novo tipo de moda e saem por aí repetindo isso sem saber o que o conceito realmente significa e suas verdadeiras raízes. Talvez, depois de lerem esta matéria, eles se manquem pelo fato de verificar que, no fundo, no fundo, a sustentabilidade, o desenvolvimento sustentável etc, tem, por trás, conceitos sinistros, malignos e anti-humanos&#8230;</span></strong></p></blockquote>
<p align="right"> <strong><em>Humberto Camargo</em></strong></p>
<p align="right"><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-23dJpegMicro.jpg"><img class="size-full wp-image-9606 alignright" title="harpia-23dJpegMicro" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-23dJpegMicro.jpg" alt="" width="80" height="45" /></a></p>
<p style="text-align: left;" align="right"><strong>Imagens →</strong> <a href="http://holosgaia.blogspot.com/">http://holosgaia.blogspot.com</a> ; <a href="http://radiocristiandad.wordpress.com/">http://radiocristiandad.wordpress.com</a></p>
<p style="text-align: left;" align="right"><a href="http://www.answers.com/">http://www.answers.com</a></p>
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		<title>Brasil e Nigéria: contrastes espaciais</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Sep 2011 14:21:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Defesa nacional]]></category>
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		<category><![CDATA[Política nacional]]></category>

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		<description><![CDATA[No último dia 17 de agosto, a Nigéria anunciou o lançamento de dois satélites de observação e vigilância, que serão utilizados em tarefas civis, militares e de segurança. Os satélites, batizados NigeriaSat-2 e NigeriaSat-X, foram lançados da base de Yasny, Rússia, por um lançador da empresa russa Dnepr (que, no mesmo lançamento, colocou em órbita outros cinco satélites, para os EUA, Ucrânia, Turquia e Itália).

 ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp"><img class="aligncenter size-full wp-image-10770" title="msiA iNFORMA" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp" alt="" width="240" height="50" /></a></strong></p>
<p><strong>No último dia 17 de agosto, a Nigéria anunciou o lançamento de dois satélites de observação e vigilância, que serão utilizados em tarefas civis, militares e de segurança. Os satélites, batizados NigeriaSat-2 e NigeriaSat-X, foram lançados da base de Yasny, Rússia, por um lançador da empresa russa Dnepr (que, no mesmo lançamento, colocou em órbita outros cinco satélites, para os EUA, Ucrânia, Turquia e Itália).</strong><strong></strong></p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/satelite-nigeria.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-11077" title="satelite-nigeria" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/satelite-nigeria-300x168.jpg" alt="" width="439" height="246" /></a></p>
<h2>Quem construiu</h2>
<p>O NigeriaSat-2, considerado um dos mais avançados satélites de observação terrestre existentes, com uma resolução máxima de 2,5 m (capaz de identificar objetos com tais dimensões), foi projetado e construído no Reino Unido pela empresa Surrey Space Technology Limited (SSTL). Embora tenha utilizado as instalações da SSTL, o NigeriaSat-X, com resolução de 22 m, foi projetado e construído por cientistas e engenheiros da Agência Nacional de Pesquisas Espaciais e Desenvolvimento (NASRDA) nigeriana (<em>The Guardian</em>, 17/08/2011 e Angop, 23/08/2011).</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Funções dos satélites</h2>
<p>Os dois satélites deverão ser utilizados para a gestão florestal, cartografia, vigilância de catástrofes naturais e funções militares e de segurança, entre outras. Em particular, o NigeriaSat-2, estacionado a 668 km de altitude e com um período orbital de cerca de 98 minutos, oferece a possibilidade de cobrir 70% da superfície terrestre em um único dia. Com a sua elevada resolução de imagens, o satélite pode ser utilizado para uma gama de funções ligadas à segurança nacional e atividades militares.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>E no Brasil&#8230;</h2>
<p>Enquanto isso, na outra margem do Atlântico Sul, o presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), <span style="text-decoration: underline;">Marco Antonio Raupp</span>, alertava para os potenciais prejuízos causados pelo atraso de cinco anos no lançamento do próximo satélite conjunto com a China, o CBERS-3, acarretado pela incapacidade brasileira de cumprir os prazos de entrega dos equipamentos a seu encargo (<em>Agência Estado</em>, 23/08/2011). Segundo ele, um novo atraso poderá “implodir” o bem sucedido acordo de cooperação aeroespacial com o país asiático.</p>
<p>Retornando de Pequim, onde participou de uma reunião do grupo bilateral de coordenação do acordo, Raupp foi categórico: <em>«Temos de cumprir nosso cronograma porque estamos cinco anos atrasados.»</em><em></em></p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Dificuldades tupiniquins</h2>
<p>O programa foi iniciado em 1998 e já foi responsável pelo lançamento de três satélites, os CBERS (sigla em inglês para Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres) 1, 2 e 2-B. O CBERS-3 deveria ter sido lançado em 2007, mas até agora o Brasil não entregou os equipamentos previstos no acordo. O novo prazo é novembro de 2012. O satélite seguinte, CBERS-4, deverá ser lançado no ano seguinte, se não houver novos atrasos.</p>
<p>De acordo com o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), <span style="text-decoration: underline;">Gilberto Câmara</span>, uma das razões para o atraso é a dificuldade da indústria nacional em desenvolver e produzir os equipamentos a cargo do País. Nos três primeiros satélites, a China era responsável por 70% dos componentes, mas, nos seguintes, a proporção foi dividida ao meio. <em>«Aumentou a complexidade e a parcela que cabe ao Brasil»</em> — disse ele.</p>
<p>Outro problema é a redução do quadro técnico ligado ao projeto. A montagem do satélite, que começará em novembro, exigirá a contratação de 60 funcionários para trabalharem na China pelo período de um ano, em esquema de rodízio.</p>
<p>Câmara, que deixará o cargo em dezembro, dois anos antes do término de seu mandato, se declarou <em>«frustrado, porque o INPE não recebeu do Ministério</em> [de Ciência e Tecnologia] <em>os recursos humanos necessários para renovar sua equipe»</em>. Um eventual novo atraso no cronograma colocará em xeque não só o programa, mas a capacidade do País de cumprir acordos internacionais.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Não dá para comparar&#8230;</h2>
<p>Por sua vez, Raupp afirmou que é “incomparável” a velocidade de desenvolvimento dos programas espaciais dos dois países: “A China lançará 19 satélites até 2015 e o Brasil, três.”</p>
<p>Se a comparação com a China, que há décadas lança satélites em seus próprios foguetes, já colocou astronautas em órbita (ou “taikonautas”, como são lá chamados) e pensa em uma missão lunar e uma estação orbital própria, na próxima década, pode parecer indevida, dadas as colossais diferenças de visão estratégica entre as elites dirigentes dos dois países, o exemplo nigeriano seria suficiente para envergonhar os brasileiros que levam a sério a preparação do País para o futuro.</p>
<p>Com território, litoral, PIB, IDH e capacidades científico-tecnológicas e industriais muito maiores que o país africano, o Brasil não só não dispõe de nada sequer parecido com o NigeriaSat-2, mas, pior, não tem planos anunciados para tanto. Por exemplo, a disponibilidade de pelo menos dois satélites de alta resolução (preferencialmente, com radares de abertura sintética) será crucial para a vigilância do litoral brasileiro, principalmente, com a perspectiva de exploração das jazidas de petróleo e gás da camada pré-sal e dos demais recursos da chamada Amazônia Azul.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Brasil na rabada</h2>
<p>O descaso com o programa aeroespacial torna o Brasil o único integrante da formação original do grupo BRIC que não dispõe de capacidades avançadas no setor, nem mesmo de um foguete lançador de satélites, após os sucessivos fracassos do VLS. Embora apontado como um dos pilares tecnológicos da Estratégia Nacional de Defesa, juntamente com as áreas nuclear e cibernética, o setor aeroespacial tem sido historicamente negligenciado, o que torna a reversão deste quadro um imperativo para o futuro imediato.</p>
<p style="text-align: right;" align="right"><span style="color: #ff6600;"><strong><em>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</em></strong></span></p>
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<p>&nbsp;</p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo.png"><img class="aligncenter size-medium wp-image-10922" title="div-novo" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo-300x13.png" alt="" width="300" height="13" /></a></p>
<p><strong>Créditos </strong>➞<strong> </strong>este post é matéria apresentada no Boletim Eletrônico <strong><em>MSIa INFORMA</em></strong>, do <strong><em>MSIa –</em></strong><em> <strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em>, Vol. III, N<sup>o</sup> 16, de 01 de setembro de 2011. Introduzi subtítulos no texto para facilitar e incentivar a leitura.</p>
<p><strong><em>MSIa INFORMA</em></strong><strong> </strong>➞<strong> </strong>é uma publicação do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa). Conselho Editorial: Angel Palacios, Geraldo Luís Lino, Lorenzo Carrasco (Presidente), Marivilia Carrasco e Silvia Palacios. Endereço: Rua México, 31 &#8211; sala 202 &#8211; Rio de Janeiro (RJ) &#8211; CEP 20031-144; Telefax: 0xx 21-2532-4086.</p>
<p><strong>Para saber mais sobre o tema </strong>➞<strong> </strong>visitar os sites da MSIa/Capax Dei:<strong> </strong><a href="http://www.alerta.inf.br/">http://www.alerta.inf.br/</a> e <a href="http://www.msia.org.br/">http://www.msia.org.br/</a>.</p>
<p><strong>Mensagens e sugestões </strong>➞<strong> </strong>favor enviar para msia@msia.org.br ou para Editoria MSIa: geraldo@msia.org.br.</p>
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		<item>
		<title>América do Sul terá que dobrar geração de energia para evitar apagão</title>
		<link>http://blogdoambientalismo.com/america-do-sul-tera-que-dobrar-geracao-de-energia-para-evitar-apagao/</link>
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		<pubDate>Thu, 25 Aug 2011 12:56:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sustentabilidade]]></category>
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		<category><![CDATA[Desindustrialização]]></category>
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		<category><![CDATA[Globalização]]></category>
		<category><![CDATA[Infraestrutura]]></category>
		<category><![CDATA[Política nacional]]></category>

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		<description><![CDATA[Os países da América do Sul terão que dobrar a sua geração de eletricidade, caso queriam evitar blecautes num futuro próximo. O alerta consta de um recente estudo da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal).]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp"><img class="aligncenter size-full wp-image-10770" title="msiA iNFORMA" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp" alt="" /></a></p>
<p><strong>Os países da América do Sul terão que dobrar a sua geração de eletricidade, caso queriam evitar blecautes num futuro próximo. O alerta consta de um recente estudo da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal).</strong></p>
<blockquote><p><em>«A energia pode chegar a ser um obstáculo para o desenvolvimento da região, se a produção energética não acompanhar o aumento da demanda gerada pelo crescimento econômico.»</em></p></blockquote>
<p>Assim afirmou o engenheiro e economista uruguaio <span style="text-decoration: underline;">Beno Ruchansky</span>, da Divisão de Recursos Naturais e Infraestrutura da Cepal (<em>BBC Brasil</em>, 12/08/2011).</p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/apagao.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-10813" title="apagao" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/apagao-300x151.jpg" alt="" width="420" height="211" /></a></p>
<h2>Não há almoço grátis</h2>
<p>Segundo o especialista, o risco de apagão para os próximos anos é consequência do forte crescimento das economias da região, o que redunda na ampliação da demanda por energia. De acordo com ele:</p>
<blockquote><p><em>«São necessários aproximadamente mais 200 gigawatts de capacidade de geração de energia. No total, incluindo as linhas de transmissão, este pacote custaria mais de 500 bilhões de dólares&#8230; Sabemos que não existe varinha mágica, mas também sabemos que este debate é importante para que os avanços necessários sejam realizados.»</em><em></em></p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Garantia energética</h2>
<p>O estudo da Cepal ressalta outros aspectos importantes em relação à eletrificação da América do Sul, como a importância de se garantir o acesso das populações da região à energia elétrica, destacando a importância não só econômica – mas também social – de tal insumo tecnológico. Para a Comissão, é importante que haja um consenso político e econômico, de modo a que o consumidor possa pagar pelo serviço, assim como garantir que o fornecimento chegue às áreas que atualmente carecem de tal recurso.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Obstáculos ambientalistas</h2>
<p>Ruchansky destacou também as pressões abientalistas contra os projetos de eletrificação da região, em especial em relação à construção de hidrelétricas. O especialista da Cepal citou os casos de Belo Monte, no norte do Brasil, e de Hidroaysen, no sul do Chile, como exemplos da obstaculização promovida por ONGs internacionais.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Já há déficit energético</h2>
<p>Todavia, o alerta da Cepal não é mera especulação, já havendo exemplos concretos de apagões na América do Sul. Um exemplo é o Peru, cujo presidente, Ollanta Humala, anunciou no início deste mês que o país terá que importar energia do vizinho Equador, devido ao déficit de linhas de transmissão que conecte os centros geradores do sul do país às cidades ao norte. Outro exemplo é a Bolívia, cujo presidente, Evo Morales, fez um apelo, há duas semanas, para que os cidadãos racionem o consumo eletricidade. O mandatário boliviano sublinhou que a principal hidrelétrica do país, Guaracachi, está &#8220;sobrecarregada&#8221; e afirmou que <em>«devemos ter mais cuidado com o uso da nossa eletricidade»</em>.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Ambientalismo radical</h2>
<p>Já o diretor do Centro de Economia dos Recursos Naturais e Meio ambiente da Universidade do Chile, o economista Eugenio Figueroa, disse que a economia local cresce a um ritmo de cerca de 5% anual nos últimos 20 anos. Com isso, é de suma importância desengavetar projetos de geração de energia, como a hidrelétrica de Hidroaysen, que gera críticas dos ambientalistas, de <em>«forma exagerada»</em> — nas palavras do próprio especialista chileno.</p>
<p style="text-align: right;" align="right"><span style="color: #ff6600;"><strong><em>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</em></strong></span></p>
<p> <a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/01/MSIa-mini.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-6138" title="MSIa-mini" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/01/MSIa-mini.jpg" alt="" width="48" height="24" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/01/div-01-pb.png"><img class="aligncenter size-medium wp-image-6767" title="div-01-pb" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/01/div-01-pb-300x30.png" alt="" width="300" height="30" /></a></p>
<p><strong>Créditos </strong>➞<strong> </strong>este post é matéria apresentada no Boletim Eletrônico <strong><em>MSIa INFORMA</em></strong>, do <strong><em>MSIa –</em></strong><em> <strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em>, Vol. III, N<sup>o</sup> 14, de 19 de agosto de 2011. Introduzi subtítulos no texto para facilitar e incentivar a leitura.</p>
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		<title>Brasil: integração regional pode ser antídoto para &#8220;sinodependência&#8221;</title>
		<link>http://blogdoambientalismo.com/brasil-integracao-regional-pode-ser-antidoto-para-sinodependencia/</link>
		<comments>http://blogdoambientalismo.com/brasil-integracao-regional-pode-ser-antidoto-para-sinodependencia/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 25 Aug 2011 12:50:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sustentabilidade]]></category>
		<category><![CDATA[Crise global]]></category>
		<category><![CDATA[Defesa nacional]]></category>
		<category><![CDATA[Desenvolvimento sustentável]]></category>
		<category><![CDATA[Economia nacional]]></category>
		<category><![CDATA[Nova ordem mundial]]></category>
		<category><![CDATA[Política internacional]]></category>
		<category><![CDATA[Política nacional]]></category>

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		<description><![CDATA[O ideograma chinês que simboliza o conceito de crise é composto por dois outros, que significam risco e oportunidade. Para o Brasil, o esperado agravamento da crise econômico-financeira global pode representar, exatamente, uma oportunidade para reduzir a sua dependência da vitalidade da economia chinesa para a formação de saldos comerciais e, ao mesmo tempo, melhorar o perfil das exportações, com uma maior participação dos produtos manufaturados. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp"><img class="aligncenter size-full wp-image-10770" title="msiA iNFORMA" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp" alt="" /></a></p>
<p><strong>O ideograma chinês que simboliza o conceito de crise é composto por dois outros, que significam risco e oportunidade. Para o Brasil, o esperado agravamento da crise econômico-financeira global pode representar, exatamente, uma oportunidade para reduzir a sua dependência da vitalidade da economia chinesa para a formação de saldos comerciais e, ao mesmo tempo, melhorar o perfil das exportações, com uma maior participação dos produtos manufaturados.</strong></p>
<p>O caminho para isto, segundo o presidente da Federação das Câmaras de Comércio e Indústria da América do Sul (Federasur), <strong><span style="text-decoration: underline;">Darc Costa</span></strong>, é investir mais na integração econômica do subcontinente.</p>
<h2><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/brasil-china2.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-10974" title="brasil-china2" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/brasil-china2-300x173.jpg" alt="" width="346" height="199" /></a></h2>
<h2>A crise não vai livrar a cara da China</h2>
<p>Em entrevista ao jornal <em>Brasil Econômico</em> de 16 de agosto, Costa, que já foi vice-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), afirmou que a crise não deverá poupar a China e a maior integração com os países vizinhos constitui uma estratégia de defesa comercial, capaz de compensar uma eventual queda das importações chinesas, com a vantagem de reanimar as exportações de manufaturados, principais itens da pauta de exportações para a região. Disse ele:</p>
<p><em>«A crise vai chegar à China, que já começa a sentir os efeitos da inflação. O problema é que a China, ao sustentar as exportações brasileiras nos últimos anos, foi responsável pelo crescimento do país. A desaceleração chinesa, no entanto, poderá trazer problemas daqui para a frente. E a integração regional contribuiria para mitigar os efeitos perversos que teriam sobre o Brasil. A vantagem é que, ao contrário dos embarques para a China, a preferência dos vizinhos sul-americanos é marcada por manufaturados.»</em><em></em></p>
<p>Na avaliação de Costa, a crise já está ensejando em todo o mundo uma espécie de inflexão protecionista, para a qual o governo brasileiro precisa estar atento. Porém, insiste, este protecionismo não é incompatível com a proposta de integração regional, para a qual a região precisa evoluir para a formação de uma união aduaneira, com a extensão da Tarifa Externa Comum (TEC) vigente no Mercosul a outros países e a uma gama maior de produtos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Vantagem latina</h2>
<p>Uma amostra do potencial da integração é o fato de que o saldo comercial brasileiro com a região, no primeiro semestre, foi de 6,3 bilhões de dólares, superior aos 5,3 bilhões com a China. Ademais, segundo dados da Fundação Centro de Estudos de Comércio Exterior (Funcex), entre 2005 e 2010 – período em que a China superou os EUA como maior parceira comercial do Brasil – as exportações de manufaturados, apenas para o Mercosul, cresceram 90,3%, chegando a responder por quase 68% do aumento setorial registrado no período. Em contraste, as matérias-primas constituíram 84% do total de exportações para a China, sendo mais de três quartos representados por minério de ferro, soja e petróleo bruto (contra 98% das importações chinesas para o Brasil).</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Dependência da China</h2>
<p>Além dos impactos sobre a &#8220;reprimarização&#8221; da pauta de exportações e na desindustrialização, a dependência das relações comerciais com o Império do Centro está levando o mercado financeiro a considerar o Brasil como um &#8220;derivativo da China&#8221;, segundo o presidente da BR Partners, Ricardo Lacerda. <em>«A performance do mercado brasileiro é muito ligada à China. O Brasil tem o ônus e o bônus dessa relação»</em> — disse ele ao jornal <em>O Estado de S. Paulo</em> de 14 de agosto.</p>
<p>Essa &#8220;sinodependência&#8221; se revela em um estudo da Funcex, segundo o qual, sem a China, o déficit em conta corrente (que inclui todas as transações com o exterior) registrado nos 12 meses até junho, de 49 bilhões de dólares, subiria para 89 bilhões. Para o economista-chefe da Funcex, Fernando Ribeiro, uma desaceleração da economia chinesa seria <em>«uma catástrofe»</em> para o Brasil, com queda nos preços das <em>commodities</em>, menos exportações, mais déficit em conta corrente, queda do real e inflação.</p>
<p>Não obstante, tais riscos também ofereceriam uma oportunidade para a adoção de medidas de proteção da sua capacidade produtiva, que outros países começam a considerar e adotar, das quais um renovado impulso na integração regional pode ser uma parte importante.</p>
<p style="text-align: right;"><em><strong>Leandro Batista Pereira</strong></em></p>
<p style="text-align: right;" align="right"><span style="color: #ff6600;"><strong><em>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</em></strong></span></p>
<p> <a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/01/MSIa-mini.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-6138" title="MSIa-mini" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/01/MSIa-mini.jpg" alt="" width="48" height="24" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/01/div-01-pb.png"><img class="aligncenter size-medium wp-image-6767" title="div-01-pb" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/01/div-01-pb-300x30.png" alt="" width="300" height="30" /></a></p>
<p><strong>Créditos </strong>➞<strong> </strong>este post é matéria apresentada no Boletim Eletrônico <strong><em>MSIa INFORMA</em></strong>, do <strong><em>MSIa –</em></strong><em> <strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em>, Vol. III, N<sup>o</sup> 14, de 19 de agosto de 2011. Introduzi subtítulos no texto para facilitar e incentivar a leitura.</p>
<p><strong><em>MSIa INFORMA</em></strong><strong> </strong>➞<strong> </strong>é uma publicação do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa). Conselho Editorial: Angel Palacios, Geraldo Luís Lino, Lorenzo Carrasco (Presidente), Marivilia Carrasco e Silvia Palacios. Endereço: Rua México, 31 &#8211; sala 202 &#8211; Rio de Janeiro (RJ) &#8211; CEP 20031-144; Telefax: 0xx 21-2532-4086.</p>
<p><strong>Para saber mais sobre o tema </strong>➞<strong> </strong>visitar os sites da MSIa/Capax Dei:<strong> </strong><a href="http://www.alerta.inf.br/">http://www.alerta.inf.br/</a> e <a href="http://www.msia.org.br/">http://www.msia.org.br/</a>.</p>
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<p><strong><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-17bMicro.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-9618" title="HARPIAÁGUIA REALHARPIA HARPYJA137-001-04" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-17bMicro.jpg" alt="" width="60" height="47" /></a>Imagem</strong> ➞ <a href="http://www.blogger-index.com/">http://www.blogger-index.com</a><strong> </strong></p>
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		</item>
		<item>
		<title>Campo brasileiro ainda usa pouca tecnologia moderna</title>
		<link>http://blogdoambientalismo.com/campo-brasileiro-ainda-usa-pouca-tecnologia-moderna/</link>
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		<pubDate>Fri, 12 Aug 2011 14:46:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sustentabilidade]]></category>
		<category><![CDATA[Economia nacional]]></category>
		<category><![CDATA[Infraestrutura]]></category>
		<category><![CDATA[Política nacional]]></category>

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		<description><![CDATA[A grande maioria das propriedades rurais brasileiras incorpora pouco das últimas inovações tecnológicas à sua produção. Esta é a conclusão e um estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), na semana passada. Do total de produtores rurais entrevistados, 22% responderam que usam apenas sete de 22 métodos de auxílio à produção - dentre os quais se incluem os corretivos de solos, defensivos agrícolas, orientação técnica, utilização de fertilizantes, cooperativismo, entre outros.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2010/01/MSIapequeno.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1849" title="MSIapequeno" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2010/01/MSIapequeno.jpg" alt="" width="57" height="29" /></a><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/agricultura-trator.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-10725" title="agricultura-trator" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/agricultura-trator-300x250.jpg" alt="" width="300" height="250" /></a>A grande maioria das propriedades rurais brasileiras incorpora pouco das últimas inovações tecnológicas à sua produção. Esta é a conclusão e um estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), na semana passada. Do total de produtores rurais entrevistados, 22% responderam que usam apenas sete de 22 métodos de auxílio à produção – dentre os quais se incluem os corretivos de solos, defensivos agrícolas, orientação técnica, utilização de fertilizantes, cooperativismo, entre outros.</p>
<p>Segundo o documento, dos 5,2 milhões de estabelecimentos rurais no País, conforme o último levantamento realizado pelo Censo Agropecuário do IBGE, somente 983 mil empregam alta tecnologia (classificação dada aos produtores que aplicam mais de nove dos 22 métodos de produção disponíveis). Além disso, o estudo apontou que, das 4,3 milhões de unidades classificadas como de agricultura familiar, apenas 19% se enquadram na categoria superior de usos tecnológicos, proporção quase igual às 18% das 809 mil unidades enquadradas como agricultura empresarial.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><span style="color: #003300;">A difícil obtenção de lucros</span></h2>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/gesmar-rosa-dos-santos.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-10724" title="gesmar-rosa-dos-santos" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/gesmar-rosa-dos-santos.jpg" alt="" width="170" height="113" /></a>Além de avaliar a incorporação de tecnologia pelos estabelecimentos rurais, a pesquisa do IPEA também avaliou critérios econômicos para identificar a renda bruta gerada pelas propriedades. Segundo o estudo, somente 40% dos 5,2 milhões de propriedades apresentam uma renda bruta superior aos custos totais – sendo a maioria, 60%, classificada como deficitária em 2006, ano em que o Censo do IBGE foi realizado. Além disso, a agricultura empresarial, que representa 76% da área cultivada, gera somente 66% da renda bruta total do setor agrícola. Para Gesmar Rosa, técnico da Diretoria e de Estudos e Políticas Setoriais, de Inovação, Regulação e Infraestrutura do IPEA, <em>«esse dado é interessante, pois mesmo com mais terra, a agricultura comercial não consegue produzir o equivalente em renda»</em> (<em>Valor Online</em>, 26/07/2011).</p>
<p>Entretanto, para ele, é necessário relativizar tais dados, de acordo com uma análise temporal: <em>«Esses números não querem dizer, obrigatoriamente, que 60% são deficitários sempre. Temos que ter em mente que em determinado ano pode ter havido alguma flutuação de preços ou choques exógenos, como mudanças climáticas, quebra de safra, surgimento de novas pragas, dentre outros.»</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><span style="color: #003300;">Reforma agrícola</span></h2>
<p>Os dados do estudo sugerem que o País ainda tem um grande desafio a ser enfrentado, no tocante à modernização das atividades agropecuárias, de modo a proporcionar um considerável aumento da produtividade geral do setor, independentemente das dimensões das unidades produtivas. E o problema não se resume às tecnologias, mas inclui também o acesso ao crédito, à assistência técnica e à infraestrutura física para o acesso aos mercados consumidores, de modo a assegurar níveis de rentabilidade e sustentabilidade às unidades produtivas. Quando apenas 40% das propriedades rurais se mostram economicamente viáveis, pode-se perceber a extensão do que se precisa avançar para consolidar o setor como um todo – cuja vitalidade não pode depender predominantemente dos grandes produtores inseridos nos mercados internacionais.</p>
<p>Para tanto, talvez, seja necessário superar preconceitos e antagonismos ideológicos, que se manifestam na própria separação ministerial das atividades agropecuárias e no estudo do IPEA, de acordo com as dimensões das propriedades rurais. Ou seja, mais que de uma reforma agrária, o Brasil necessita de uma reforma agrícola.</p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #ff6600;"><em> <strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em></span></p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/01/MSIa-mini.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-6138" title="MSIa-mini" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/01/MSIa-mini.jpg" alt="" width="48" height="24" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/01/div-01-pb.png"><img class="aligncenter size-medium wp-image-6767" title="div-01-pb" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/01/div-01-pb-300x30.png" alt="" width="300" height="30" /></a></p>
<p><strong>Créditos </strong>➞<strong> </strong>este post é matéria apresentada no Boletim Eletrônico <strong><em>MSIa INFORMA</em></strong>, do <strong><em>MSIa –</em></strong><em> <strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em>, Vol. III, N<sup>o</sup> 12, de 04 de agosto de 2011.</p>
<p><strong><em>MSIa INFORMA</em></strong><strong> </strong>➞<strong> </strong>é uma publicação do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa). Conselho Editorial: Angel Palacios, Geraldo Luís Lino, Lorenzo Carrasco (Presidente), Marivilia Carrasco e Silvia Palacios. Endereço: Rua México, 31 &#8211; sala 202 &#8211; Rio de Janeiro (RJ) &#8211; CEP 20031-144; Telefax: 0xx 21-2532-4086.</p>
<p><strong>Para saber mais sobre o tema </strong>➞<strong> </strong>visitar os sites da MSIa/Capax Dei:<strong> </strong><a href="http://www.alerta.inf.br/">http://www.alerta.inf.br/</a> e <a href="http://www.msia.org.br/">http://www.msia.org.br/</a>.</p>
<p><strong>Mensagens e sugestões </strong>➞<strong> </strong>favor enviar para msia@msia.org.br ou para Editoria MSIa: geraldo@msia.org.br.</p>
<p><strong><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-1bMicro.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-9622" title="harpia-1bMicro" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-1bMicro.jpg" alt="" width="60" height="48" /></a>Para adquirir as publicações da Capax Dei Editora Ltda.</strong> ➞ loja virtual em: <a href="http://www.capaxdei.com.br/">www.capaxdei.com.br</a>; e-mail : capaxdeieditora@gmail.com</p>
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		<title>Sistemas funcionais na agricultura do futuro</title>
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		<pubDate>Fri, 12 Aug 2011 14:40:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sustentabilidade]]></category>
		<category><![CDATA[Desenvolvimento sustentável]]></category>
		<category><![CDATA[Economia nacional]]></category>
		<category><![CDATA[Fome no mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Política nacional]]></category>

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		<description><![CDATA[São amplamente conhecidos pelos agricultores modernos os principais aspectos relativos às técnicas e procedimentos criados pelo homem no sentido de se obter índices de produtividade agrícola compatíveis com suas expectativas. Da mesma forma, seria injusto dizer que a humanidade não conseguiu modificar os potenciais produtivos de espécies cultivadas, assim como um aumento expressivo das expectativas produtivas para o setor. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/07/revista-do-crea.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-10160" title="revista-do-crea" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/07/revista-do-crea-300x104.jpg" alt="" width="217" height="75" /></a><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/JPG0009b.png"><img class="alignleft size-medium wp-image-10546" title="JPG0009b" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/JPG0009b-300x55.png" alt="" width="300" height="55" /></a>São amplamente conhecidos pelos agricultores modernos os principais aspectos relativos às técnicas e procedimentos criados pelo homem no sentido de se obter índices de produtividade agrícola compatíveis com suas expectativas. Da mesma forma, seria injusto dizer que a humanidade não conseguiu modificar os potenciais produtivos de espécies cultivadas, assim como um aumento expressivo das expectativas produtivas para o setor. Mesmo em áreas de agricultura tradicional, é evidente a utilização de modernas técnicas de manejo dos recursos envolvidos no processo produtivo como um todo. No entanto, mesmo diante de tantas inovações é também evidente a necessidade, cada vez maior, da intervenção de métodos mais aprimorados pela ciência, no sentido de conter o avanço paralelo do ataque cada vez mais intenso de agentes patogênicos que interferem nos índices de produtividade das lavouras cultivadas com interesse econômico. Essas intervenções, invariavelmente, consistem em despesas crescentes e isso tem causado cada vez mais a perda da lucratividade das culturas exploradas pelo setor, ocorrendo de forma mais intensa a cada período, com exceção das localidades ambientalmente isoladas e que ainda conseguem manter expectativas de rendimento agrícola positivo – fato cada vez mais raro nas últimas décadas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><span style="color: #000080;">Conceito</span></h2>
<p>O conceito básico do “Sistema Funcional de Cultivo Agrícola” tem como principal objetivo evitar a interferência de agentes externos na busca e manutenção de índices de colheita satisfatórios, ao mesmo tempo em que permite ao agricultor o seu aperfeiçoamento pessoal na observação constante do ambiente que o cerca, dentro de uma visão amplificada dos fatores que interferem em seu patrimônio vegetal. Tais procedirnentos, com absoluta certeza, permitem que os produtores estejam sempre um passo adiante das interferências naturais que possam diminuir seus índices produtivos, bem como lhes fornecem meios concretos de agir no sentido de corrigir, adequada e preventivamente, o processo evolutivo ambiental, de forma a minimizar o aumento de custos de manejo – inevitáveis nos sistemas modernos atualmente aplicados à agricultura.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/regador-industrial.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-10547" title="regador-industrial" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/regador-industrial-300x238.jpg" alt="" width="300" height="238" /></a><span style="color: #000080;">Modernidade versus tradicionalismo</span></h2>
<p>As técnicas modernas de produção agrícola, indiscutivelmeute, propiciam, num primeiro momento, um incremento significativo na produtividade das lavouras. Sobretudo quando uma cultura é introduzida numa nova localidade, constatam-se expressivos índices de rendimento nas culturas exploradas pelo homem, quando comparados aos lucros originais esperados. No entando, a partir de determinado momento, tem inicio um processo silencioso, porém contínuo, de interação ambiental que, também invariavelmente, leva os produtores a utilizar recursos externos voltados para a manutenção dos índices produtivos originais. Salvo em localidades específicas, esse é um fenômeno Já aceito como inevitável, pois o comprometimento dos produtores com a atividade faz com que deterrninadas medidas, ditas corretivas, sejam adotadas, sob pena de serem perdidos todos os investimentos anteriormente destinados à atividade. O conceito do Sistema Funcional de Agricultura tem como principal objetivo permitir aos agricultores a adoção de medidas concretas e eficazes no sentido de evitar os custos adicionais de adaptação ambiental de seus cultivos. Da mesma forma, esse sistema permite a utilização de modificações ambientais constantes e contínuas, de modo a retardar – e mesmo evitar – o estabelecimento de agentes patogênicos nocivos à atividade produtiva.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><span style="color: #000080;">Ambiente dinâmico versus ambiente estático</span></h2>
<p>O maior erro conceitual da agricultura moderna está relacionado com a desconsideração dos aspectos dinâmicos ambientais. Isto faz com que os produtores, crentes de que as soluções tecnológicas possam resolver todos os problemas que possam vir a existir em suas lavouras, deixem de analisar de forma permanente a evolução das alterações ambientais causadas pelo desenvolvimento de sua atividade. E como os processos ocorrem simultaneamente, existe sempre a possibilidade de que o desenvolvimento de condições ambientais favoráveis aos agentes patogênicos se instalem em sua lavoura, o que irá, certamente, levar a custos adicionais destinados à correção dos problemas que poderão surgir, naturalmente, em sua atividade. Esta é, em suma, a maior causa da perda de rendimento da agricultura moderna.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><span style="color: #000080;">Agricultura Migratória versus Rotação de Culturas</span></h2>
<p>No Brasil, é antiga a técnica da Rotação de Culturas. No entanto, ela é praticada de forma totalmente ingênua e limitada, uma vez que são, invariavelmente, eleitas duas ou três alternativas para o “descanso” das áreas, como se isso fosse suficiente. Da mesma forma, nessa técnica, parte-se do princípio de que os agentes patogênicos do meio ambiente são tão ingênuos quanto os agricultores. Isto, mais uma vez, gera custos corretivos crescentes, o que leva à diminuição dos índices de rendimento. E – como não poderia deixar de ser dito – tal fato é algo amplamente favorável às empresas que desenvolvem, produzem e comercializam os insumos necessários para as correções específicas para cada caso. A Agricultura Migratória, no entanto, engloba princípios mais amplos e profundos, o que, seguramente, irá evitar os custos adicionais de manejo e manutenção da rentabilidade agrícola como um todo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><span style="color: #000080;">Culturas permanentes</span></h2>
<p>No caso de culturas permanentes, a diversificação de técnicas é ainda maior, visto que tem por objetivo a manutenção de lavouras ou pomares pelo maior tempo possível dentro de uma propriedade rural. Da mesma forma, isso se faz com o uso de procedimentos amplos e que considerem diversos fatores preliminares a cada ação efetiva. Salvo em localidades onde as condições ambientais sejam amplamente favoráveis às culturas perenes, essas ações devem ser cada vez mais intensas, de modo a permitir a manutenção dessas culturas na localidade sem custos adicionais significativos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><span style="color: #000080;">Dinamismo ambiental</span></h2>
<p>Assuntos ambientais são hoje muito abordados pelos mais diversos segmentos da sociedade. Existe, na atualidade, um entendimento consolidado acerca de grande número de interações entre os diversos componentes do meio ambiente. No entanto, quando se trata de sistemas produtivos em agricultura, o que se nota é que, invariavelmente, o assunto é abordado de forma estática e – com absoluta certeza – essa é a principal fonte dos problemas de produtividade. Isto porque, na medida em que o assunto é visualizado de forma parcial, é notável a falta de foco na análise dos agentes causadores da diminuição progressiva dos índices de produtividade das lavouras – que reduzem, de forma signiticativa, os rendimentos finais da atividade agrícola como um todo – a não ser que sejam adotadas as já citadas medidas corretivas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><span style="color: #000080;">O fator solo</span></h2>
<p>Na agricultura moderna, o solo deixou de ser um fator limitante. Devido a técnicas inovadoras desenvolvidas pela ciência dos solos, nos dias atuais o papel desempenhado por esse componente produtivo se limita apenas em ser uma base de sustentação das plantas de cultivo. Em algumas ocasiões – e para determinados tipos de lavoura – os agricultores, simplesmente, dispensam o uso do solo e, ao mesmo tempo, lançam mão de outros elementos, tais como a água, substratos pré-elaborados e outros elementos, naturais e artificiais. Tudo isso é válido, porém existem consequências da adoção desses procedimentos tecnológicos nos processos produtivos. E, invariavelmente, essas consequências se manifestam a partir de um determinado período quando, muitas vezes<em>, </em>é tarde para que sejam adotadas medidas corretivas com o objetivo de recuperação das plantas atingidas e debilitadas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><span style="color: #000080;">Matéria orgânica versus elementos químicos</span></h2>
<p>Na correção e adaptação dos soIos para a exploração agrícola, são, atualmente, utilizadas metodologias desenvolvidas para fins específicos. Na maioria dos casos, alguns fatores preponderantes deixam de ser normalmente considerados e, como não poderia deixar de ser, os índices de produtividade das lavouras sempre tendem a diminuir – especialmente em regiões de clima tropical. As condições físico-químicas dos solos destinados aos processos produtivos apresentam comportamento dinâmico no decorrer do tempo, e quando se desconsidera esse fator, as consequências, sabidamente nocivas ao sistema produtivo como um todo, podem facilmente ser previstas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><span style="color: #000080;">Mineralização versus eutrofização</span></h2>
<p>Os processos biológicos dos solos estão sempre relacionados com a temperatura ambiente. Nesse sentido, é evidente que a temperatura está intimamente relacionada com as condições climáticas de cada localidade. Seguindo o mesmo raciocínio, é fácil concluir que a imensa maioria dos solos brasileiros se encontra sob condições tropicais. Como consequência da interação entre a temperatura ambiente e o nível de desenvolvimento da microfauna e microflora dos solos, pode-se, da mesma forma, prever o comportamento dos solos em função das localidades onde esses solos estão situados. Ao mesmo tempo, outros fatores relacionados com a origem dos solos atuam no sentido de determinar seu comportamento ao longo do tempo, ou seja, não é difícil de se prever como um determinado solo deverá apresentar-se quando destinado ao uso agrícola. Assim, devido às elevadas temperaturas enfrentadas pelos solos situados em regiões de clima tropical, os processos biológicos aos quais estão submetidos são muitas vezes mais intensos do que aqueles constatados em solos sob clima subtropical ou temperado. Nesse sentido, a degradação dos solos tropicais é algo que sempre se pode esperar, sob a forma de mineralização natural dos componentes orgânicos do sistema. Ao contrário, é também natural a expectativa de enriquecimento orgânico dos solos situados em regiões de clima sub-tropical ou temperado devido às baixas temperaturas ambientais durante as estações frias do ano. Tais fenômenos, associados às chuvas abundantes e frequentes, normalmente esperadas para as estações quentes do ano, fazem com que seja também natural a expectativa de empobrecimento contínuo dos solos localizados em condições tropicais – tanto nos aspectos físicoquímicos, quanto no que diz respeito à presença de microfauna e microflora nesses solos. E, como não poderia deixar de ser, esses fatores interferem de forma negativa e progressiva na produtividade das áreas agrícolas localizadas em regiões tropicais – salvo quando são adotados procedimentos específicos de reposição da parcela de matéria orgânica ativa desses solos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><span style="color: #000080;"><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/alimentos-2.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-10548" title="alimentos-2" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/alimentos-2-300x213.jpg" alt="" width="300" height="213" /></a>Agricultura orgânica</span></h2>
<p>Existe hoje uma corrente fortemente ligada à Agricultura Orgânica no segmento agrícola. Essa é uma tendência que abrange, praticamente, todas as sociedades mundiais. Porém, quando utilizada de forma errônea, os resultados podem ser negativos, visto que elevados teores de nitratos, nitritos e outros compostos orgânicos são nocivos à saúde humana e ao sistema produtivo como um todo. Normalmente, os compostos ricos em nitratos são associados ao uso de fertilizantes químicos. Mas, em determinadas condições, pode também haver excesso de nitratos em culturas exploradas sob condições de cultivo orgânico – muito embora em dosagens sempre menores do que aquelas observadas na forma de manejo que lança mão de fertilizantes químicos altamente concentrados. Por outro lado, a corrente de pensamento que atua hoje junto ao segmento da agricultura orgânica possui uma forte tendência política, contrária a tudo o que venha a ser estabelecido de forma convencional. O ideal é a busca de um ponto de equilíbrio, onde não se causem danos ambientais – quando se busca obter produtividade na agricultura –lançando-se mão de procedimentos nocivos ao ambiente, às culturas exploradas com interesse econômico e à saúde humana e dos animais. Existe, também, muito interesse financeiro na exploração do mercado de produtos orgânicos como um todo, na medida em que é evidente o paradoxo entre menores investimentos versus maiores preços finais ao consumidor – mesmo diante de inquestionáveis índices de produtividade satisfatórios nessas atividades. Por esses motivos, é prudente que as pessoas ajam com muita cautela antes de aderir a correntes com forte conteúdo ideológico quanto os opostos ora constatados para o setor.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><span style="color: #000080;">Reciclagem</span></h2>
<p>Outra tendência amplamente observada nos dias de hoje é a reciclagem de resíduos orgânicos. O que, aparentemente, apresenta-se como uma solução, pode também ser visto como uma forma de concentração de agentes contaminantes, uma vez que o lixo urbano é, na sua imensa maioria, proveniente de resíduos de produtos obtidos através de métodos convencionais, ou seja, que utilizam, em larga escala, produtos nocivos e de origem química questionados pelas correntes ideológicas contrárias. Assim sendo, esse é um segmento que necessita de muito cuidado, sobretudo quando o produto final, devidamente reciclado, é destinado ao consumo humano e à restauração ambiental. Existem formas alternativas de utilização desses resíduos processados, de maneira a minimizar os impactos provenientes da reciclagem.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><span style="color: #000080;">Mercado versus produto</span></h2>
<p>Nos dias atuais, com o estabelecimento de princípios econômicos neoliberais (mesmo que de forma velada, em algumas sociedades menos esclarecidas como a nossa), o “Mercado” assume importância expressiva. Nessas condições, é normal a constante busca, por parte dos agricultores, de uma adequação a esse fator. Isto, invariavelmente, atua como agravante em termos de qualidade final e preço dos produtos, na medida em que os esforços direcionados no sentido da adaptação às exigências do mercado, levam a custos mais elevados, principalmente pelo fato de que o sistema como um todo funciona na contramão da lógica. Na realidade, o caminho deve sempre ser outro, com a busca de condições ótimas para que se obtenha um “produto” de qualidade espontaneamente satisfatória. Isto somente ocorre quando outros princípios norteiam os investimentos no setor agrícola.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><span style="color: #000080;">Visão crítica e soluções específicas</span></h2>
<p>Conforme já citado anteriormente acerca do nível de conhecimento de nossa sociedade a respeito dos fatores que interferem na produtividade da agricultura, é também evidente a falta de integração desse conhecimento para que se possa obter índices constantes e satisfatórios para o setor. Isto porque, invariavelmente, existe uma lacuna entre o conhecimento e sua difusão para os segmentos específicos como um todo, principalmente após o modelo de desenvolvimento adotado pela sociedade brasileira a partir do início de sua modernização. Dessa forma, e devido ao fato de que a política adotada no Brasil para o segmento agropecuário obedece a interesses difusos, não tem sido interessante unir as duas pontas, pois isso iria contra esses interesses. Ou seja, o conhecimento existe, porém não se encontra disponibilizado em sua plenitude para os diversos segmentos da sociedade – ao menos até o presente momento. O que mais carece ao nosso sistema produtivo é a articulação necessária e fundamental para que os índices produtivos sejam devidamente atingidos e mantidos no decorrer do tempo nas atividades agrícolas propriamente ditas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><span style="color: #000080;">Tecnologias sugeridas</span></h2>
<p>Em termos de medidas técnicas, pode ser relacionada uma ampla gama de soluções – todas elas previamente analisadas diante de cada situação. De forma geral, essas medidas podem ser aplicadas na maioria dos empreendimentos agrícolas brasileiros, com grandes chances de sucesso duradouro para o produtor rural.</p>
<p style="text-align: right;" align="right"><strong><em>Neves Terriani Laera</em><br />
Engenheiro Agrônomo</strong></p>
<p align="right"><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/07/revista-do-crea.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-10160" title="revista-do-crea" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/07/revista-do-crea-300x104.jpg" alt="" width="75" height="26" /></a></p>
<p align="right"><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2010/07/div-01.png"><img class="aligncenter size-medium wp-image-6617" title="div-01" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2010/07/div-01-300x30.png" alt="" width="300" height="30" /></a></p>
<p><strong>Créditos ➞</strong> o presente post é composto pelo artigo <em><strong>«Sistemas Funcionais na Agricultura do Futuro»</strong></em>, da autoria de Neves Terriani Laera, engenheiro agrônomo<strong><em> – </em></strong>apresentado na <em><strong>Revista do CREA-RJ</strong></em>, nº 87, abril/maio de 2011, publicação oficial do <strong>Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Rio de Janeiro</strong>, enviada a seus afiliados.</p>
<p><strong>Para maiores informações ➞</strong> Portal CREA, em: <a href="http://www.crea-rj.org.br/">www.crea-rj.org.br</a></p>
<p><strong></strong><strong>e-mail</strong>: portal@crea-rj.org.br</p>
<p style="text-align: left;" align="right"><strong><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-17bMicro.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-9618" title="HARPIAÁGUIA REALHARPIA HARPYJA137-001-04" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-17bMicro.jpg" alt="" width="60" height="47" /></a>Imagens ➞</strong> Revista do CREA, nº 87; <strong></strong> <a href="http://www.brasilautogestionario.org/">http://www.brasilautogestionario.org</a></p>
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		<title>&#8220;Brasil desistiu de ser país desenvolvido&#8221;</title>
		<link>http://blogdoambientalismo.com/brasil-desistiu-de-ser-pais-desenvolvido/</link>
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		<pubDate>Fri, 12 Aug 2011 14:36:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sustentabilidade]]></category>
		<category><![CDATA[Desindustrialização]]></category>
		<category><![CDATA[Economia nacional]]></category>
		<category><![CDATA[Infraestrutura]]></category>
		<category><![CDATA[Política nacional]]></category>

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		<description><![CDATA[Em um artigo com o título acima, publicado em 21 de julho no sítio Inovação Tecnológica, o economista Agostinho Rosa, editor do sítio, produziu um dos mais veementes libelos sobre a situação atual do Brasil, em especial, no tocante à percepção de futuro das classes dirigentes nacionais e à passividade com que observam a destruição do parque industrial nacional. Em suas palavras, a incapacidade – «ou, eventualmente, a má-fé» – dos dirigentes do País está negando «o direito de construir uma economia moderna, fundada em uma educação digna do nome, em mecanismos institucionais e legais que criem um ambiente de inovação e de desenvolvimento».]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2010/01/MSIapequeno.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1849" title="MSIapequeno" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2010/01/MSIapequeno.jpg" alt="" width="57" height="29" /></a><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/Agostinho-Rosa.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-10732" title="Agostinho-Rosa" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/Agostinho-Rosa.jpg" alt="" width="125" height="125" /></a>Em um artigo com o título acima, publicado em 21 de julho no sítio Inovação Tecnológica, o economista Agostinho Rosa, editor do sítio, produziu um dos mais veementes libelos sobre a situação atual do Brasil, em especial, no tocante à percepção de futuro das classes dirigentes nacionais e à passividade com que observam a destruição do parque industrial nacional. Em suas palavras, a incapacidade – <span style="color: #ff0000;"><strong><em>«ou, eventualmente, a má-fé»</em></strong></span> – dos dirigentes do País está negando <strong><em>«o direito de construir uma economia moderna, fundada em uma educação digna do nome, em mecanismos institucionais e legais que criem um ambiente de inovação e de desenvolvimento».</em></strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><span style="color: #ff0000;">Melhor voltarmos ao estado neolítico&#8230;</span></h2>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/Carlos-Nobre2.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-10734" title="Carlos-Nobre2" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/Carlos-Nobre2-244x300.jpg" alt="" width="120" height="148" /></a>O autor inicia com uma crítica irônica à nomeação do climatologista Carlos Nobre (imagem à esquerda – um dos principais promotores da falácia do aquecimento global antropogênico no País) como coordenador de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência e Tecnologia:</p>
<blockquote><p><strong><em>«Que visões de futuro passarão na mente do condutor das políticas e programas de pesquisas científicas do ministério que cuida da ciência e da tecnologia de um dos países mais promissores do mundo? Deve ser inebriante conversar com uma pessoa que pensa em todas as tendências tecnológicas mundiais, e nos rumos mais promissores e mais socialmente urgentes das pesquisas científicas, sem contar aquelas áreas em que se deve deixar a ciência ser ciência, sem utilitarismos, indo atrás daquilo que desafia a curiosidade humana em seu sentido mais nobre.»</em></strong></p>
<p><strong><em>«Bem, deveria. Infelizmente, aqui no Brasil, a visão de futuro daqueles de quem mais se espera, assemelham-se mais a faróis que tenham sido instalados na traseira de um carro. O discurso desanimador pode ser resumido em uma única frase: &#8220;O futuro do País é explorar o potencial da nossa biodiversidade.»</em></strong></p>
<p><strong><em>«O personagem que pensa o futuro da nossa ciência, da nossa tecnologia e, por decorrência, do nosso desenvolvimento e bem-estar enquanto sociedade, acredita que devemos nos limitar a sermos agricultores, no máximo coletores de frutos e raízes de uma floresta que calhou de estar por aqui.»</em></strong></p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<h2><span style="color: #ff0000;">Desindustrialização do Brasil</span></h2>
<p>Fazendo a ressalva de que não critica Nobre diretamente, mas os responsáveis pela sua indicação de Nobre para um posto <strong><em>«tão fora de sua especialidade»</em></strong>, Rosa dispara contra a passividade diante do processo de desindustrialização:</p>
<blockquote><p><strong><em>«Mas o que esperar de um governo que nada faz para combater uma situação cambial que está destruindo a indústria brasileira, pelo simples temor de alguém dizer que o Brasil não é assim tão bonzinho ou de levar nota baixa de agências de risco que já mostraram mais de uma vez a complicada rede de interesses de que fazem parte?»</em></strong></p>
<p><strong><em>«Este governo provavelmente nada teria a dizer sobre desenvolvimento de software e de hardware, satélites artificiais, robótica, nanotecnologia, novos materiais, computação quântica, fotônica, spintrônica. É melhor se calar sobre aquilo que se pretende destruir. Ou sobre o que nada se sabe.»</em></strong></p>
<p><strong><em>«Quer o governo que nossa missão seja nos mantermos como um país agrário. Com todo o respeito ao setor agroindustrial e a todos os necessários cuidados com o meio ambiente que esse setor nunca teve. Trata-se sim, de incentivar a agricultura e, com os devidos cuidados, fomentar uma indústria de biocombustíveis, mas que seja um setor especializado na área de energia, e não de um subproduto do açúcar.»</em></strong> (&#8230;)</p>
<p><strong><em>«O que se trata é de criar no Brasil um setor industrial, já que aquele que chegamos a ter até o fim do século passado, esse já está desenganado por uma política cambial maléfica e pela falta de instituições que incentivem a inovação tecnológica – cuja responsabilidade é das empresas, o que só aumenta os elogios às poucas inovações que vemos surgir nas universidades brasileiras.»</em></strong></p></blockquote>
<h2><span style="color: #ff0000;"><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/neolitico.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-10735" title="neolitico" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/neolitico-300x199.jpg" alt="" width="408" height="271" /></a></span></h2>
<h2><span style="color: #ff0000;">Não queremos mais nos desenvolver?</span></h2>
<p>Adiante, o economista fulmina a agenda política de inclusão passiva na &#8220;globalização&#8221;, embora não utilize esta expressão:</p>
<blockquote><p><strong><em>«E por que não reproduzimos a experiência em outras áreas? Porque não queremos. Porque o Brasil como uma potência agrária, fornecedor de alimentos e insumos agrícolas e minerais é tudo o que o núcleo central da economia mundial necessita. Já temos Coreia, Índia, China e outros países que emergiram, não precisamos de mais, começa a ficar problemático demais dividir o mercado quando os jogadores são muitos.»</em></strong></p>
<p><strong><em>«Fomos tolerados enquanto tínhamos um presidente pitoresco, que ficava bem na fotografia com aqueles que querem fazer o discurso politicamente correto de posar ao lado de um operário que &#8220;deu certo&#8221;. Agora não temos nem isso, então só resta a verdade desnuda. O mundo precisa de um celeiro, e o Brasil aceitou passivamente a condição, sem ter forças de argumentar que temos condições de ser mais do que uma coisa única, que podemos plantar, criar e coletar sem precisarmos nos condenar a uma economia pobre e ultrapassada.»</em></strong></p>
<p><strong><em>«Não é o nosso futuro que está na exploração da biodiversidade, é o nosso passado.»</em></strong> (&#8230;)</p></blockquote>
<p>Rosa conclui com um questionamento sobre a falta de uma mudança de rumo: <strong><em>«Por que não fazemos isso? Se eu ainda tivesse a ingenuidade de esperar alguma sinceridade na resposta, diria que essa pergunta poderia ser dirigida àqueles que nos guiam para o passado.»</em></strong></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #ff6600;"><em> <strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em>,</span></p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/01/MSIa-mini.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-6138" title="MSIa-mini" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/01/MSIa-mini.jpg" alt="" width="48" height="24" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/03/2000px-Decorative_text_divider_-_central_flare.svg_.png"><img class="aligncenter size-medium wp-image-7351" title="2000px-Decorative_text_divider_-_central_flare.svg" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/03/2000px-Decorative_text_divider_-_central_flare.svg_-300x19.png" alt="" width="300" height="19" /></a></p>
<p><strong>Créditos </strong>➞<strong> </strong>este post é matéria apresentada no Boletim Eletrônico <strong><em>MSIa INFORMA</em></strong>, do <strong><em>MSIa –</em></strong><em> <strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em>, Vol. III, N<sup>o</sup> 12, de 04 de agosto de 2011.</p>
<p><strong><em>MSIa INFORMA</em></strong><strong> </strong>➞<strong> </strong>é uma publicação do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa). Conselho Editorial: Angel Palacios, Geraldo Luís Lino, Lorenzo Carrasco (Presidente), Marivilia Carrasco e Silvia Palacios. Endereço: Rua México, 31 &#8211; sala 202 &#8211; Rio de Janeiro (RJ) &#8211; CEP 20031-144; Telefax: 0xx 21-2532-4086.</p>
<p><strong>Para saber mais sobre o tema </strong>➞<strong> </strong>visitar os sites da MSIa/Capax Dei:<strong> </strong><a href="http://www.alerta.inf.br/">http://www.alerta.inf.br/</a> e <a href="http://www.msia.org.br/">http://www.msia.org.br/</a>.</p>
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		<title>Para que servem submarinos nucleares</title>
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		<pubDate>Sat, 06 Aug 2011 15:03:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sustentabilidade]]></category>
		<category><![CDATA[Defesa nacional]]></category>
		<category><![CDATA[Economia nacional]]></category>
		<category><![CDATA[Energia nuclear]]></category>
		<category><![CDATA[Mudanças de paradigmas]]></category>
		<category><![CDATA[Nova ordem mundial]]></category>
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		<category><![CDATA[Política nacional]]></category>

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		<description><![CDATA[No sábado 16 de julho, a presidente Dilma Rousseff deu a partida oficial ao Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub) da Marinha do Brasil, em uma cerimônia realizada nas instalações da Nuclep, em Itaguaí (RJ). O evento assinalou o início da construção do primeiro dos quatro submarinos convencionais classe Scorpène – aqui chamados S-BR – contemplados no âmbito do acordo estratégico estabelecido com a França em 2008, o qual inclui também a construção de um casco para o futuro submarino nuclear brasileiro. O primeiro S-BR deverá ser concluído em 2016, os demais, a cada ano e meio, e o submarino nuclear (SN-BR) tem a sua conclusão prevista para 2023.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2010/01/MSIapequeno.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1849" title="MSIapequeno" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2010/01/MSIapequeno.jpg" alt="" width="57" height="29" /></a>No sábado 16 de julho, a presidente Dilma Rousseff deu a partida oficial ao Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub) da Marinha do Brasil, em uma cerimônia realizada nas instalações da Nuclep, em Itaguaí (RJ). O evento assinalou o início da construção do primeiro dos quatro submarinos convencionais classe Scorpene – aqui chamados S-BR – contemplados no âmbito do acordo estratégico estabelecido com a França em 2008, o qual inclui também a construção de um casco para o futuro submarino nuclear brasileiro. O primeiro S-BR deverá ser concluído em 2016, os demais, a cada ano e meio, e o submarino nuclear (SN-BR) tem a sua conclusão prevista para 2023.</p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/submarino-nuclear-brasileiro.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-10474" title="submarino-nuclear-brasileiro" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/submarino-nuclear-brasileiro-300x147.jpg" alt="" width="436" height="213" /></a></p>
<h2><span style="color: #000080;">A importância dos projetos</span></h2>
<p>A construção dos submarinos será efetuada pela empresa Itaguaí Construções Navais (ICN), criada por uma parceria entre a estatal francesa de construção naval DCNS, a brasileira Odebrecht e a Marinha do Brasil.</p>
<p>Em seu discurso, Dilma ressaltou a importância da empreitada, no contexto do que chamou <em>«um momento estratégico para o Brasil»</em>, em que o País <em>«dá mais um passo em direção à afirmação cada vez maior da sua condição de país desenvolvido, de país com uma indústria sofisticada e, portanto, de país que é capaz de absorver, dominar e utilizar tecnologias avançadas»</em> (<em>Presidência da República/Secom</em>, 16/07/2011).</p>
<p>Além de mencionar a importância dos submarinos para a capacidade de defesa nacional, a presidente destacou os outros aspectos cruciais do Prosub:</p>
<blockquote><p><em>«Ele é um programa, também, que tem por objetivo adquirir conhecimento. Conhecimento é um valor fundamental para a afirmação da soberania do nosso país. É também um programa para assimilar tecnologia, como eu já disse, das mais avançadas. É um programa para fortalecer a indústria nacional de defesa do país, um programa de capacitar e qualificar profissionais. Sobretudo, é um programa que nos dá orgulho de ver que nesses últimos dois anos e meio, desde 2008, nós conseguimos trilhar este caminho e, agora, damos o primeiro passo em direção da construção do primeiro submarino.»</em></p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<h2><span style="color: #000080;">Participação nacional</span></h2>
<p>A indústria nacional terá uma expressiva participação na construção dos S-BR, com o envolvimento de 30 empresas do setor naval, para a produção de componentes como quadros elétricos, válvulas de casco, bombas hidráulicas, motores elétricos, sistemas de combate e controle, motores diesel e baterias elétricas, além de serviços de usinagem e mecânica. A participação nacional deverá ampliar-se no SN-BR, cujo reator está sendo projetado no Centro Experimental Aramar, em Iperó (SP).</p>
<p><strong>Estima-se que o Prosub deverá gerar cerca de 2 mil postos de trabalho diretos e 8 mil indiretos, apenas na construção naval, com alta qualificação de mão-de-obra.</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><span style="color: #000080;">Brasil: força militar independente</span></h2>
<p>Em termos estritamente militares, o pleno domínio da tecnologia de construção e a posse de uma flotilha de submarinos convencionais e nucleares, com pelo menos 12 unidades (considerando os existentes e os novos), deverá proporcionar à MB uma capacidade operacional e dissuasória inusitada na história do País, dando-lhe condições de vedar o acesso à margem ocidental do Atlântico Sul de qualquer força aeronaval potencialmente hostil. E a percepção deste fato tem incomodado sobremaneira certos estrategistas do Hemisfério Norte, que mostram grandes dificuldades de aceitar que países em desenvolvimento possam desenvolver estratégias de defesa não mais subordinadas aos seus desígnios hegemônicos e implementadas com o apoio de recursos tecnológicos avançadas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><span style="color: #000080;">Argumentos tolos</span></h2>
<p>No Reino Unido, algumas reportagens da mídia local refletiram um misto de desconforto com o vício de quem só consegue ver o mundo em termos de &#8220;equilíbrio de poder&#8221; e outros conceitos geopolíticos desgastados. A manchete do <em>Daily Mail</em> de 18 de julho foi emblemática:<em><strong>«Brasil irá construir submarinos nucleares que alterarão dramaticamente o equilíbrio de poder na América do Sul.»</strong></em></p>
<p>A da <em>BBC Brasil</em>, no dia seguinte, foi idêntica: <em><strong>«Submarino nuclear pode desequilibrar região e gerar sentimento anti-Brasil.»</strong></em></p>
<p>A nota da BBC, curiosamente, escrita pelo brasileiro Maurício Moraes, sugere explicitamente que o submarino nuclear <strong><em>«deve aprofundar diferenças com os vizinhos sul-americanos e eventualmente fomentar o discurso antibrasileiro por parte de setores populistas da região, segundo especialistas»</em></strong>.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><span style="color: #000080;">Preocupação inglesa</span></h2>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/michael_moran.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-10475" title="michael_moran" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/michael_moran.jpg" alt="" width="100" height="100" /></a>Porém, foi um artigo de Michael Moran, da agência estadunidense <em>Global Post</em>, em 15 de julho («Brazil Goes Nuclear»), que colocou o dedo na ferida, explicitando as preocupações de setores do Almirantado britânico com a perspectiva de submarinos nucleares indígenas nas águas do Atlântico Sul. Sem meias palavras, ele afirma:</p>
<blockquote><p><em><strong><span style="color: #ff0000;">«É o cenário de pesadelo de um almirante britânico: em um futuro não muito distante, um governo quase falido na Argentina invade as Ilhas Falklands, ricas em petróleo. Pela segunda vez em meio século, Las Malvinas – as ilhas que toda a América Latina considera território roubado da Argentina – deflagram uma guerra.</span></strong></em></p>
<p><em><strong><span style="color: #ff0000;">«Com cortes orçamentários, os britânicos não têm um porta-aviões. Do outro lado do Atlântico, o Brasil tem um, o São Paulo, junto com uma flotilha de submarinos de ataque de propulsão nuclear sendo construídos em parceria com a Argentina. (&#8230;)</span></strong></em></p>
<p><em><strong><span style="color: #ff0000;">«Mas os submarinos do Brasil mudam o equilíbrio de poder naval na região ainda mais dramaticamente do que os próprios dilemas de defesa da Grã-Bretanha. Estrategistas britânicos receiam que o Brasil possa, agora, impor a sua própria versão da Doutrina Monroe dos EUA, nas águas da região – com efeito, exigindo que as potências estrangeiras, simplesmente, deixem livre o seu quintal, assim como os EUA fizeram nos séculos XIX e XX.»</span></strong></em></p></blockquote>
<p>À parte a imprecisão da construção conjunta brasileiro-argentina (e a duvidosa utilidade do vetusto <em>A12 São Paulo</em> em qualquer conflito de alta intensidade), o texto de Moran deixa escapar a inquietação daqueles círculos hegemônicos com o salto qualitativo da capacitação tecnológico-militar brasileira e, não menos, a estratégia assertiva de que o Brasil vem demonstrando para estabelecer um ambiente geral de cooperação entre as Forças Armadas sul-americanas, a partir do Conselho de Defesa da União de Nações Sul-americanas (Unasul).</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><span style="color: #000080;">A preservação dos recursos da região</span></h2>
<p>Como comentamos na edição de 3 de junho deste boletim, apesar das rivalidades e idiossincrasias históricas e das dificuldades geradas por elas, há um consenso de que a América do Sul constitui o espaço estratégico mais pacífico do planeta – como tem enfatizado o ministro da Defesa Nelson Jobim. Este fato e uma crescente percepção dos interesses comuns configuram um amplo espaço para se trabalhar o estabelecimento de um pensamento estratégico regional, baseado em três diretrizes centrais:</p>
<blockquote><p><strong>a) a proteção comum dos ativos estratégicos da região, em especial, os seus recursos naturais (hídricos, energéticos, terras cultiváveis etc.); </strong></p>
<p><strong>b) a redução dos desequilíbrios internos da região, tanto dentro dos países como entre eles; e </strong></p>
<p><strong>c) uma considerável integração das indústrias de defesa da região.</strong></p></blockquote>
<h2><span style="color: #000080;"> Argentina idem</span></h2>
<p>Quanto ao &#8220;desequilíbrio&#8221; militar alegadamente ensejado pelo SN-BR, se é certo que o projeto brasileiro reacendeu nos argentinos uma discussão sobre a conveniência de dotar a sua Armada de uma belonave semelhante, seguramente, isto se deu muito menos por qualquer intenção de desenterrar a antiga rivalidade entre os dois países, do que pela percepção do fato de que, se o Brasil (cuja capacitação nuclear era inferior à argentina até a década de 1990) pode desenvolver tal projeto, a Argentina também pode – e deve, por suas implicações tecnológicas e estratégicas.</p>
<p>Em junho de 2010, a então ministra da Defesa Nilda Garré anunciou a intenção do governo argentino de desenvolver um submarino nuclear, que seria baseado no projeto do submarino convencional alemão IKL 209, classe da qual a Armada argentina dispõe de duas belonaves. O projeto, denominado Submarino de Propulsão Nuclear com Armamento Convencional, encontra-se em estudos na Comissão Nacional de Energia Atômica (CNEA) e prevê a utilização de um reator nuclear baseado no modelo Carem, projetado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Aplicadas (INVAP), o principal centro tecnológico do país. O projeto, que necessita de recursos da ordem de 2 bilhões de dólares, poderia estar concluído até 2023, o mesmo ano em que o Brasil pretende ter o SN-BR (<em>Impulsonegocios.com</em>, 25/07/2011).</p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/Juan-Pablo-Lohle.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-10476" title="Juan-Pablo-Lohle" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/Juan-Pablo-Lohle-300x239.jpg" alt="" width="171" height="136" /></a>Em entrevista ao jornal <em>Página 12</em> de 25 de julho, o embaixador Juan Pablo Lohlé, que está em Brasília há oito anos, destacou os projetos tecnológicos em que os dois países estão cooperando, como um satélite de pesquisas oceânicas e a participação argentina no projeto do avião de transporte KC-390, e falou sobre os planos de seu país:</p>
<blockquote><p><em>«Se o Brasil está em condições de construir um submarino atômico, a Argentina também está. Afinal, é uma decisão política. Estamos em uma relação cooperativa e cada país tem suas prioridades. Temos um litoral marítimo muito importante e não é descartável que a Argentina também desenvolva um submarino, em seu momento&#8230; Creio que ter um submarino nuclear dá uma capacidade de dissuasão, a Argentina pode pensar em algum momento que precisa fazer o mesmo ou não&#8230; A Argentina constrói reatores nucleares, tem um potencial nuclear reconhecido internacionalmente, o desenvolvimento nuclear é decisão política. Mas, insisto, temos uma relação de cooperação e um forte compromisso com a integração.»</em></p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/submarino.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-10477" title="submarino" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/submarino-300x197.jpg" alt="" width="366" height="240" /></a></p>
<h2><span style="color: #000080;">União Brasil-Argentina</span></h2>
<p>Apesar das diferenças dos projetos, a disponibilidade de submarinos nucleares nas respectivas marinhas, a partir de meados da próxima década, pode abrir oportunidades singulares de cooperação, em termos de qualificação de pessoal (submarinistas argentinos já são regularmente treinados no Brasil), armamentos e outros recursos que otimizariam sobremaneira a capacidade operacional de tais belonaves. Entre estes, por exemplo, ambos poderiam cooperar no desenvolvimento, lançamento e operação de satélites de vigilância marítima com radares de abertura sintética – projeto de altíssima sofisticação tecnológica, que representaria um enorme salto de qualificação compartilhada.</p>
<p>Ademais, no âmbito interno, o submarino nuclear poderia representar para os argentinos um ponto de inflexão definitivo nas políticas antimilitares que têm se sucedido desde a década de 1990, que deixaram as Forças Armadas nacionais em uma situação calamitosa, em termos de dotação orçamentária, efetivos, capacidade operacional e obsolescência de equipamentos.</p>
<p>Em síntese, mais do que convincentes fatores dissuasórios, tanto para o Brasil como para a Argentina, a disponibilidade de submarinos nucleares poderá representar poderosos instrumentos para grandes &#8220;saltos quânticos&#8221; no pensamento estratégico, doutrinas operacionais, capacitação tecnológica e, até mesmo, para a integração regional.</p>
<p style="text-align: right;"> <span style="color: #ff6600;"><em><strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em></span></p>
<p> <a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/01/MSIa-mini.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-6138" title="MSIa-mini" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/01/MSIa-mini.jpg" alt="" width="48" height="24" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/03/2000px-Decorative_text_divider_-_central_flare.svg_.png"><img class="aligncenter size-medium wp-image-7351" title="2000px-Decorative_text_divider_-_central_flare.svg" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/03/2000px-Decorative_text_divider_-_central_flare.svg_-300x19.png" alt="" width="300" height="19" /></a></p>
<p><strong>Créditos </strong>➞<strong> </strong>este post é matéria apresentada no Boletim Eletrônico <strong><em>MSIa INFORMA</em></strong>, do <strong><em>MSIa –</em></strong><em> <strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em>, Vol. III, N<sup>o</sup> 11, de 28 de julho de 2011. Introduzi subtítulos no texto para facilitar e incentivar a leitura.</p>
<p><strong><em>MSIa INFORMA</em></strong><strong> </strong>➞<strong> </strong>é uma publicação do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa). Conselho Editorial: Angel Palacios, Geraldo Luís Lino, Lorenzo Carrasco (Presidente), Marivilia Carrasco, Nilder Costa e Silvia Palacios. Endereço: Rua México, 31 &#8211; sala 202 &#8211; Rio de Janeiro (RJ) &#8211; CEP 20031-144; Telefax: 0xx 21-2532-4086.</p>
<p><strong>Para saber mais sobre o tema </strong>➞<strong> </strong>visitar os sites da MSIa/Capax Dei:<strong> </strong><a href="http://www.alerta.inf.br/">http://www.alerta.inf.br/</a> e <a href="http://www.msia.org.br/">http://www.msia.org.br/</a>.</p>
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<p><strong><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-17bMicro.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-9618" title="HARPIAÁGUIA REALHARPIA HARPYJA137-001-04" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-17bMicro.jpg" alt="" width="60" height="47" /></a>Imagens </strong>➞ <a href="http://energianuclearbr.blogspot.com/">http://energianuclearbr.blogspot.com</a>; <a href="http://www.globalpost.com/">http://www.globalpost.com</a>;</p>
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