Civilização em crise – Parte 1
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Esta é aprimeira parte do post intitulado «Civilização em Crise», decorrente da palestra «Crise Civilizatória, Mudança De Paradigma Cultural e Projeto Nacional», da autoria de Geraldo Luís Lino, um dos diretores da Editora Capax Dei (que edita, dentre outros, os livros «Máfia Verde», 1 e 2) – proferida no painel Brasil Soberano e a Expressão Psicossocial, na ADESG-RJ, em 31/07/2000. Este artigo mostra a atuação das principais oligarquias internacionais e os grupos que as compões, tais como o Grupo Bilderberg, a Comissão Trilateral, o CFR etc, o RIIA, o Instituto Tavistock que implementa as mudanças de paradigmas culturais necessárias a facilitar o domínio social, como por exemplo, a chamada contracultura, tudo isso a fim de quebrar a soberania nacional dos Estados com o intuito da implantação de um governo mundial. Em seguida o texto de Geraldo Luis Lino.
Os subtítulos foram acrescentados por mim para melhor leitura do texto.
Civilização em crise – Parte 1
Para mim, é um privilégio poder dirigir-me a uma platéia tão seleta, para trocar idéias sobre um tema de tanta relevância para o nosso futuro como cidadãos de um Estado Nacional Republicano, que pretendemos ver reconstruído e consolidado, a despeito das abrumadoras perspectivas apontadas pela realidade presente. Por isso, agradeço a direção da ADESG-RJ, nas pessoas do prof. Marcos Coimbra e do almirante Sergio Tasso de Aquino, pela oportunidade, que espero ser proveitosa para todos.
A crise brasileira, nos diversos aspectos que têm sido discutidos neste fórum, não pode ser dissociada da crise civilizatória que, hoje, assola todo o mundo, em especial no que se refere à mudança de paradigma cultural responsável por ela, que nos remete ao tema do painel de hoje. Creio que poucos questionarão a percepção de estarmos envolvidos numa profunda crise da civilização, uma crise marcada por um processo que podemos qualificar como a “desumanização da Humanidade”, com a retirada do ser humano do centro do processo de organização da sociedade e da economia, em favor de entidades abstratas como o “mercado” ou o “meio ambiente”, artificialmente dotadas de direito próprio. Para ilustrar essa “desumanização”, vejamos alguns exemplos pinçados de manchetes recentes da imprensa brasileira.
O biocentrismo
N’O Globo de 24/junho, podemos ler: «Lavrador é preso por raspar casca de árvore». A notícia se refere à prisão de um lavrador goiano de 55 anos, analfabeto, que foi mantido encarcerado por sete dias pelo terrível e inafiançável crime de ter sido apanhado em flagrante raspando a casca de uma árvore conhecida como almesca, dentro de uma área de preservação ambiental, para fazer um chá para sua mulher, que tem a doença de Chagas. Aqui, temos uma demonstração do conceito do biocentrismo, tão caro aos radicais do ambientalismo, conceito esse que pretende rebaixar o ser humano e seus direitos inalienáveis de progresso e ao bem-estar, derivados de sua condição de constituído à imagem e semelhança do Criador, ao nível dos demais seres vivos.
Lamentavelmente, tal distorção, que está no cerne do movimento ambientalista, está fortalecendo a sua posição nas políticas públicas e nas relações internacionais. No Jornal do Brasil de 21/maio, temos esta manchete: «Dinheiro vale mais que bom caráter». Trata-se de uma pesquisa feita entre alunos da PUC – Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, sobre os valores mais prezados por eles. Entre cerca de 1.000 estudantes que responderam à pesquisa, o dinheiro foi o item mais votado, com quase 400 votos, mais do dobro do segundo colocado, o emprego, e 4 vezes mais que o amor, com apenas 95 votos. O altruísmo recebeu apenas 3 votos e o patriotismo, apenas 1. Os valores materiais em geral receberam quase 4 vezes mais votos que os valores morais. Sendo a PUC-RJ um dos principais centros de formação das elites brasileiras, por aí podemos avaliar o estado de espírito dos nossos futuros líderes.
Menos emprego, mais preservação ambiental?
Mas, a que para mim é a mais emblemática dos nossos tempos é esta manchete da Folha de S. Paulo de 03/junho: «Mercados comemoram alta do desemprego» – que se refere ao anúncio que o aumento da taxa de desemprego nos EUA implicaria numa retração ainda maior da economia estadunidense. Com isto, a taxa de inflação se manteria baixa e a Reserva Federal (o banco central privado dos EUA) não precisaria aumentar a sua taxa de juros, prejudicando o consumo e novos investimentos.
A retórica do “economês” não esconde a evidência de estarmos diante de uma total inversão do processo econômico, no qual o ser humano e o seu bem-estar e progresso passam a subordinar-se aos caprichos do sistema financeiro, e não o oposto. Afinal, etimologicamente, economia significa “organização da casa” – casa de quem? Evidentemente, do homem.
Outro exemplo igualmente chocante é o relatório sobre Desastres Mundiais de 1999, recentemente divulgado pela Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, o qual afirma que a grande maioria das 13 milhões de mortes decorrentes de doenças infecciosas, ocorridas no ano passado, poderiam ter sido evitadas com um investimento de apenas 5 dólares per capita. Ou seja, estamos falando de 65 milhões de dólares, quantia irrisória diante dos 2 ou 3 trilhões de dólares que circulam diariamente nos mercados financeiros especulativos, ou também, corresponderia a uma reles gorjeta de qualquer um dos múltiplos escândalos financeiros em que o nosso Brasil tem sido pródigo.
A crise não acabou
Diante dessas e numerosas outras evidências, com as quais nos deparamos no nosso cotidiano, dificilmente os historiadores do futuro escaparão à conclusão de que o final do século 20 foi marcado por uma das maiores crises da história da Humanidade, uma crise que ameaça mergulhar-nos numa nova idade de trevas, que poderá fazer empalidecer a de meados do S14, que resultou na Peste Negra e na eliminação de mais de 1/3 da população da Europa. A diferença é que, naquela época, a Humanidade não dispunha de conhecimento e meios para, por exemplo, deter uma epidemia de peste bubônica como a da Peste Negra. Hoje, ao contrário, pela primeira vez na História, temos condições materiais de solucionar praticamente todos os grandes problemas que têm acompanhado a Humanidade em sua evolução – a fome, as doenças epidêmicas, a pobreza e a miséria. O próprio BIRD (Banco Mundial), no seu relatório de 1998 sobre o desenvolvimento do mundo, admite que com investimentos anuais da ordem de 100 bilhões de dólares, seria possível erradicar a pobreza e a miséria de todo o planeta. Ora, apenas o Brasil irá gastar este ano 2/3 desta quantia com o serviço de sua dívida interna e externa – quer dizer, em lugar de combater a pobreza, aplacamos o apetite voraz da usura financeira.
Uma perspectiva otimista
Existem também estudos sérios indicando que em menos de uma geração, seria possível proporcionar a cada habitante do planeta, em uma população maior que a atual – que é da ordem de 6 bilhões de pessoas – um padrão de vida pelo menos igual ao de um cidadão estadunidense de meados da década de 60 – que era bem superior ao atual. Se isto não ocorre, não é pela escassez de recursos naturais, humanos ou financeiros, ou por causa da “fragilidade” do meio ambiente, mas da escassez de vontade política entre os poderes hegemônicos e as classes dominantes na maioria dos países do planeta.
Ainda assim, essa perspectiva otimista era o sentimento que dominava as classes educadas e grande parte das elites dirigentes no período do pós-guerra. Este foi um período de grande otimismo, que alguns autores, como a pesquisadora Carmem Soriano Puig, chamam a «revolução das expectativas crescentes». Este otimismo não se baseava apenas em fatores subjetivos, mas tinha um fundamento real: o período decorrido aproximadamente entre 1950 e 1973 foi o de maior crescimento do PIB per capita mundial em toda a História da Humanidade. Observando-se os dados compilados pelo economista estadunidense Angus Maddison, atualmente na Universidade de Gröningen, na Holanda, considerado uma das maiores autoridades mundiais em estatísticas econômicas históricas, podemos ver que a taxa média anual de crescimento mundial do PIB per capita nesse período foi de 2,9%, mais do triplo dos 0,9% registrados entre 1913 e 1950 – que atravessou duas guerras mundiais e a depressão dos anos 30 – e quase 2,5 vezes os 1,3% registrados desde 1973.
Saudades de Bretton Woods…
Este desempenho foi em grande parte proporcionado pelo bom funcionamento do sistema monetário de Bretton Woods, estabelecido ao final da 2GM (Segunda Guerra Mundial) e que, apesar das suas imperfeições, propiciou uma base estável de referência para a economia mundial, com taxas de câmbio fixas entre as moedas dos diversos países, que eram determinadas em relação ao dólar dos EUA, que, por sua vez, era fixado em relação ao ouro, o que dava um “lastro” físico para as economias, ao contrário da especulação desenfreada que ocorre hoje em dia. Adiante, veremos que o desmantelamento desse sistema foi uma das causas principais da desordem econômica que enfrentamos agora.
Juntamente com a recuperação econômica da reconstrução do pós-guerra, havia entre a sociedade em geral o que se pode chamar de um grande “otimismo tecnológico”, ensejado por conquistas da ciência e da tecnologia, como a corrida espacial entre os EUA e a URSS, as perspectivas de utilização pacífica da energia nuclear, a “Revolução Verde” e as conquistas da medicina. Este foi também o período influenciado pelas “Décadas de Desenvolvimento” das Nações Unidas e pela promulgação da Doutrina Social da Igreja Católica, cujo marco foi a encíclica Populorum Progressio.
Por que a crise?
Diante disso, é preciso perguntar: como tudo isso foi revertido? Como regredimos de um crescimento recordista e de um quadro de otimismo para um cenário de depressão, para um quadro geral de um grande pessimismo cultural, em que as perspectivas de um futuro melhor se vêem completamente ofuscadas pela desalentadora perspectiva da luta pela mera sobrevivência, em meio a um cotidiano abrumador? A resposta é: por meio de uma gigantesca operação de “engenharia social”, que os seus próprios planejadores chamam de “mudança de paradigma cultural” – artificialmente induzida entre as classes educadas da sociedade de quase todo o mundo a partir de meados da década de 1960.
Antes de falar dessa “mudança de paradigma cultural”, quero advertir-lhes de que, quando tocamos neste assunto, muitas pessoas – algumas desinformadas, outras céticas e outras mal-intencionadas – costumam desqualificar as constatações dele resultantes como frutos da crença numa “teoria conspiratória da História”. Bem,… isto não é teoria, é a própria História se desenrolando diante de nós. Embora os historiadores e pesquisadores acadêmicos costumem abordar o assunto com a máxima reserva, com medo do patrulhamento e de parecerem ridículos, o fato é que os grupos hegemônicos, as oligarquias, têm manejado os fios condutores da sociedade desde tempos imemoriais, sem que precisemos acreditar em balelas como a mítica conspiração judaico-maçônica internacional.
Os grupos oligárquicos
Vamos a um exemplo referente ao Brasil. Observem essa declaração da Sra. Adele S. Simmons, presidente da Fundação MacArthur, que é a quinta maior fundação oligárquica dos EUA. Como se sabe, cada grande família de “sangue azul” nos EUA tem uma fundação, que serve não apenas para fins de evasão de impostos (o banco Chase Manhattan não é da família Rockefeller, mas da Fundação Rockefeller), mas também para finalidades de “engenharia social”, por intermédio do financiamento de organizações e indivíduos, inclusive na academia, que desempenhem atividades relevantes para os seus propósitos hegemônicos.
Mas vejamos o que disse dona Adele Simmons, numa entrevista às Páginas Amarelas da revista Veja de 10/julho1995: «Há 20 anos, quando a Fundação Ford decidiu investir em um centro de estudos acadêmicos – o CEBRAP – idealizado na época por um sociólogo chamado Fernando Henrique Cardoso, a situação política brasileira não era particularmente sólida. Foi feita uma aposta em um grupo que, vinte anos atrás, parecia ter o perfil de uma futura liderança. Deu certo». Aqui, cabe perguntar: deu certo para quem?
Cumplicidade nacional
Pois vejamos agora o que disse o nosso [ex-]Presidente numa entrevista à Folha de S. Paulo de 13/outubro/1996: «Indiscutivelmente, o regime está rearticulando o sistema produtivo do Brasil. Portanto, ele está dando possibilidade a que os setores mais avançados do capitalismo tenham prevalência… Nesse sentido, ele é socialmente progressista… Não é das classes médias burocráticas, nem das classes médias que ficaram desligadas desses dois processos – a modernização produtiva e da universalização dos bens sociais. Não é dos corporativistas, não é do setor burocrático anterior. Mas também não vou dizer que seja dos excluídos, porque não tem condição de ser. Aspiraria a poder incorporar mais, mas não posso dizer que seja». Como vêem, o próprio presidente admite que seu Governo privilegia «os setores mais avançados do capitalismo», que são exatamente aqueles que dona Adelia Simmons representa. Aqui, é preciso dizer que isso não significa que o nosso Presidente receba diariamente um ‘fax’ com instruções sobre a maneira de privilegiar esses setores. A coisa é um pouco mais sutil.
O “Diálogo Interamericano”
Talvez, todos já tenham ouvido falar de uma organização chamada Diálogo Interamericano. O Diálogo foi fundado em 1982, depois da Guerra das Malvinas, como um centro de planejamento estratégico e propaganda política da oligarquia anglo-americana para o Hemisfério Ocidental. Ele reúne cerca de 100 personalidades políticas, acadêmicas, da mídia e de outros setores relevantes, de quase todos os países americanos, inclusive do Brasil. Eles se reúnem anualmente, para discutir uma agenda de “interesses comuns” aos países do Hemisfério, que, posteriormente, não por coincidência, se transformam em políticas de governo nos países dos membros do Diálogo. Entre outras: a política neoliberal de abertura econômica desenfreada; a defesa da legalização do uso das drogas entorpecentes; a politização dos problemas do meio ambiente; e a desestabilização das Forças Armadas íbero-americanas, sob o pretexto da sua subordinação ao poder civil.
Quem pertence ao “Diálogo”
Entre os membros do Diálogo, encontramos vários personagens que foram ou são chefes de Estado ou candidatos a chefes de Estado. Entre eles, destacamos: Raúl Alfonsín, da Argentina; Julio Sanguinetti, do Uruguai; Gonzalo Sanchez de Lozada, da Bolívia; e o nosso Fernando Henrique Cardoso. Aliás, Fernando Henrique é membro fundador, levado ao Diálogo por Peter Bell, que é diretor do grupo desde a sua fundação. Não por coincidência, Peter Bell era o representante da Fundação Ford no Brasil quando a Fundação financiou a criação do CEBRAP. Segundo o falecido professor Florestan Fernandes, foram 700.000 dólares – o que, em 1969, era um bocado de dinheiro.
Entre os membros brasileiros do Diálogo Interamericano, encontramos outras figuras conhecidas, como o Sr. Luiz Inácio Lula da Silva, que está lá desde 1990, e o Sr. Ciro Gomes, que lá esteve entre 1994 e 1998. Então, temos um quadro interessante no qual, nas últimas eleições presidenciais brasileiras, os três candidatos mais votados eram membros do Diálogo Interamericano. Ou seja, as oligarquias fizeram aqui um jogo triplo, para garantir os seus interesses por todas as pontas. Como vêem, assim caminha a Humanidade…
Os candidatos a “donos do mundo”
Vejamos agora como estão estruturados esses “candidatos a donos do mundo”. O filho do Presidente dos EUA Franklin Roosevelt, Elliott Roosevelt, que foi oficial da Força Aérea na 2GM e acompanhou o pai em quase todas as conferências internacionais de que ele participou durante a guerra, escreveu um livro muito interessante, chamado «Como Meu Pai Os Via», que existe em português. Nele, ele chamava essa gente de os “inimigos do progresso”. É o que são: inimigos do progresso humano, adeptos do oligarquismo, que é uma visão do mundo intrinsecamente egoísta, contrária ao republicanismo dos Estados Nacionais soberanos. Quem são eles?
São um conglomerado de famílias oligárquicas da Europa – principalmente do Reino Unido – e da América do Norte – reunido em torno da liderança da Casa de Windsor, a família real britânica. Entre eles, autodenominam-se como o Clube das Ilhas, que é uma denominação formal, que não se encontra na lista telefônica de Londres. O nome é uma homenagem ao rei inglês Eduardo VII, filho da rainha Vitória, que reinou entre 1901 e 1910 e em cujo reinado se consolidou a articulação dos dois principais ramos dessa oligarquia internacional, o britânico e o estadunidense.![]()
Geraldo Luís Lino
Para saber mais sobre o tema, visitar os sites da MSIa/Capax Dei:
http://www.alerta.inf.br/ e http://www.msia.org.br/
Imagem: fazendomediaemmadri.blogspot.com
[continua no próximo artigo]