Copenhague 2009 – a morte do aquecimento global

Esta matéria, apresentada no boletim eletrônico do Movimento Solidariedade Íbero-americana, de número 56, de 28/12/2009, trata das conclusões sobre os resultados da conferência sobre o clima (COP-15), já encerrada, em Copenhague, que constituiu um dos maioores fracassos da história da política internacional dos últimos anos, muito mais porque a expectativa em torno dela era uma das maiores já vistas até então – e uma derrota espetacular para o ambientalismo radical. Não deu em nada. O aquecimento global mostrou, apenas, que está, completamente desacreditado, tal o volume de contestações e “mancadas” dadas por seus defensores, a se destacar o escândalo das adulterações dos dados climáticos que veio a público por parte de uma universidade européia, a qual servia de base para os cálculos do IPCC! Foi um vexame. Ninhuém consegue enganar todo mundo para sempre, e este ditado popular fez-se, particularmente, verdadeiro, em todo o episódio, que envolveu, inclusive, a própria Conferência. Introduzi subtítulos ao texto para facilitar a leitura do mesmo. Eis o artigo.



Copenhague 2009 – Waterloo para a fraude do aquecimento global

Por ironia, enquanto as dezenas de milhares de participantes da 15ª. Conferência das Partes sobre Mudanças Climáticas das Nações Unidas (COP-15) ainda estavam reunidas em Copenhague, os efeitos das nevascas de dezembro mais intensas em muitas décadas se alastravam pelo Hemisfério Norte. No Reino Unido, onde o premier Gordon Brown fez da luta contra o aquecimento global uma profissão de fé, desde 1895 não caía tanta neve em dezembro, provocando uma cascata de transtornos, principalmente para os sistemas de transportes. Na Europa continental, além de problemas idênticos, o frio intenso provocou 80 mortes nos últimos dias, a metade delas na Polônia, onde as temperaturas atingiram 30ºC negativos. O choque térmico entre as temperaturas glaciais no exterior e o calor no interior do Eurotúnel chegou a provocar panes elétricas e a paralisação de cinco composições do Eurostar, o ultramoderno trem de passageiros que liga Londres a Paris e Bruxelas (embora as locomotivas menos sofisticadas dos trens de transporte de carga e veículos que atravessam o túnel não tenham tido problemas). Na Costa Leste dos EUA e do Canadá, a nevasca já é considerada a pior em 60 anos (em Filadélfia, foi a segunda pior desde o início dos registros, em 1884).


General Inverno

Ao que parece, o “general Inverno” resolveu se apresentar em grande estilo aos “aquecimentistas”. Evidentemente, extremos meteorológicos nada significam por si mesmos, mas não deixaram de ser um contraponto irônico às surrealistas discussões sobre as melhores maneiras de se limitar o aumento da temperatura média mundial a 2ºC sobre os níveis pré-industriais, que o lobby “aquecimentista”, encabeçado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), considera o limite “seguro” para a humanidade e a biosfera. Para tanto, projetam-se percentuais totalmente hipotéticos de cortes nas emissões de carbono de origem humana, como se os modelos climáticos utilizados para tais projeções tivessem, realmente, tal precisão matemática para correlacionar concentrações de gases de efeito estufa e temperaturas.

Entretanto, também é possível que, futuramente, a conferência de Copenhague seja apontada como um ponto de inflexão na histeria “aquecimentista”, uma espécie de Waterloo para a verdadeira indústria em que se converteu o conjunto de interesses que promove a fraude do aquecimento global antropogênico. Pois não apenas os mentores do processo falharam em conseguir a pretendida fixação de metas numéricas para os cortes de emissões com efeito vinculante, como, também, os entrechoques entre os países industrializados e a grande maioria dos demais e, até mesmo, no interior de ambos os grupos, deixaram explícito o fato de que os interesses nacionais continuam falando mais alto na hora de se decidir sobre quem devem recair os sacrifícios socioeconômicos da “proteção” do meio ambiente global.


Estragos no establishment

Ao mesmo tempo, apesar dos esforços de controle de danos, os estragos causados na credibilidade dos cenários catastrofistas do IPCC pelas repercussões do escândalo Climagate foram visíveis no convescote na capital dinamarquesa, a ponto de forçar o questionado Gabinete Meteorológico britânico (Met Office) a divulgar um novo estudo apontando a década atual como a mais quente desde o início dos registros com termômetros, em meados do século XIX. Poucos se deram ao cuidado de observar que, dias antes, em função do escândalo, o próprio órgão anunciara a intenção de promover uma reavaliação da evolução das temperaturas no século XX, tarefa que levaria nada menos que três anos. Seja como for, dificilmente, os cientistas engajados no “aquecimentismo” voltarão a ter a mesma credibilidade de antes.

Igualmente, em Copenhague, emergiu sem disfarces o caráter malthusiano do movimento ambientalista em sua feição mais radical, a que pretende utilizar a histeria sobre as mudanças climáticas para limitar as fontes energéticas e, por conseguinte, o desenvolvimento da maior parte da humanidade. Pouco antes da cúpula, o Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA) divulgou o relatório sobre o «Estado da População Mundial 2009», o qual propõe, ostensivamente, que o controle demográfico é a melhor maneira de se evitar os efeitos do aquecimento global.


Não nasce, não polui!

Como reforço, o Optimum Population Trust (OPT), ONG britânica que propõe a redução da população do Reino Unido à metade, propôs um esquema de compensação de emissões de carbono pelo controle de natalidade nos países subdesenvolvidos. Um exemplo emblemático da mentalidade misantrópica e neocolonial representada no estudo é a sugestão de que as dez toneladas de carbono emitidas em uma viagem aérea de Londres a Sydney poderiam ser compensadas evitando o nascimento de uma criança em um país como o Quênia (The Guardian, 3/12/2009). Em agosto, o OPT divulgou um relatório cuja conclusão principal foi a de que:

«A análise de custo/benefício revela que o planejamento familiar é consideravelmente mais barato do que muitas tecnologias que visam a diminuir as emissões de carbono… Com base nos resultados do estudo, propõe-se que os métodos de planejamento familiar sejam considerados uma ferramenta básica na estratégia de contenção das emissões de carbono.»


A fala do Papa

Não por acaso, em 15 de dezembro, quando os trabalhos da cúpula se encaminhavam para a fase final, o papa Bento XVI divulgou a sua mensagem para o próximo Dia Mundial da Paz (1°. de janeiro), na qual advertiu contra os riscos do ambientalismo e das proposta de controle demográfico como meio de proteção ambiental. Segundo ele:

«Se o magistério da Igreja exprime perplexidades acerca de uma concepção do ambiente inspirada no ecocentrismo e no biocentrismo, fá-lo porque tal concepção elimina a diferença ontológica e axiológica entre a pessoa humana e os outros seres vivos… Os deveres para com o ambiente derivam dos deveres para com a pessoa considerada em si mesma e no seu relacionamento com os outros.» (…)

Para o Pontífice, tal tendência a se eliminar «a identidade e a função superior do homem» representa um «novo panteísmo com acentos neopagãos que fazem derivar apenas da natureza, entendida em sentido puramente naturalista, a salvação para o homem».


Copenhague não deu em nada!

As reações de dois graduados representantes do aparato “aquecimentista” em Copenhague sugerem a irritação dos integrantes do conluio com o desfecho inócuo de duas semanas de exaustivas e acidentadas negociações. Um deles foi um delegado não-identificado da União Européia, que, informado de que a África do Sul havia se unido à China, Índia, Brasil e EUA, para retirar qualquer compromisso com metas vinculantes do texto final do evento, desabafou com a correspondente científica da BBC, Susan Watts: «A África do Sul assinou isso! Eles vão ser fritados – e merecem!»

O outro foi o premier britânico Gordon Brown, que, antes de deixar a capital dinamarquesa, anunciou planos para a criação de uma organização européia de monitoramento das emissões de carbono em âmbito global, em colaboração com a França:

«Eu trabalharei com o presidente [Nicolas] Sarkozy por uma organização européia que irá monitorar a transparência do que estiver sendo feito, não só na Europa e em nossos países, mas em cada país ao redor do mundo. Nós somos a favor da transparência; somos a favor de se olhar para o que está acontecendo, não só no nosso país e no nosso continente, mas em todo o mundo.» (Daily Telegraph, 20/12/2009)


Mais uma agência de controle?

A proposta de Brown reflete, nada mais, nada menos, as sugestões do estudo «Uma Arquitetura Institucional Para as Mudanças Climáticas», divulgado em maio último pelo Departamento para o Desenvolvimento Internacional (DFID) do governo britânico, que, entre outras medidas para combater o suposto aquecimento global antropogênico, propõe a criação de uma agência internacional com poderes policiais para controlar o consumo de combustíveis fósseis. Embora tais metas tenham sido rejeitadas em Copenhague, Brown quer recolocar o tema na pauta nas próximas conferências climáticas previstas para 2010, em especial na COP-16, em dezembro, na Cidade do México.

Comentando as declarações do delegado europeu, o colunista do Sunday Times (20/12/2009), Dominic Lawson, sintetizou as visões diametralmente opostas representadas no convescote:


Desabafo realista

«Não se pode ter sentimentos cálidos com quem expressa tais sentimentos, mas é fácil se entender a fúria que deve ter acometido esse delegado. Aqui estava a Europa, se oferecendo para impor enormes custos às suas próprias indústrias e povos, para salvar a África dos alegados perigos das emissões descontroladas de CO2 – e a voz internacional mais poderosa daquele continente diz, muito obrigado pela oferta, mas nós achamos que podemos proporcionar melhores saúde e prosperidade para os nossos povos, ficando livres para expandir as nossas economias, exatamente como vocês fizeram na Revolução Industrial, usando as formas maravilhosamente baratas de energia proporcionadas pela natureza: os combustíveis fósseis. Afinal de contas, por que é que muito menos gente morre hoje nos EUA, como resultado de temperaturas muito altas, do que há 100 anos? Ar condicionado.»

«Eu sei que, para esses milhares de “ativistas climáticos” que invadiram Copenhague, a idéia de ar condicionado em lares africanos é alguma coisa quase revoltante demais para ser contemplada; mas eles nunca entenderam que, para os habitantes reais do mundo em desenvolvimento, o exemplo estadunidense de obter saúde e conforto por meio da tecnologia e submeter a natureza selvagem aos fins humanos é algo que deve ser emulado, e não evitado.»


As pessoas já não se deixam enganar facilmente

Apesar das ameaças de Brown et alii, o fracasso da agenda planejada para a COP-15, somado à crescente conscientização da opinião pública em geral sobre os exageros do catastrofismo climático, perceptível em vários países, proporciona uma grande oportunidade para a neutralização do ambientalismo como instrumento geopolítico no futuro próximo. Em troca da sua desmoralização, é hora de se promover as reais iniciativas em prol do pleno desenvolvimento de todos os povos e países, tanto no campo socioeconômico, como no científico-tecnológico.

Quanto às mudanças climáticas, é um fato estatisticamente comprovado que as catástrofes naturais causam muito mais vítimas e prejuízos materiais nos países menos desenvolvidos e menos dotados de infra-estrutura moderna – aí incluídos os serviços públicos eficientes. Portanto, a maneira mais garantida de aumentar a resiliência da humanidade como um todo diante de mudanças climáticas inexoráveis é pela elevação geral dos níveis de bem-estar e progresso aos patamares permitidos pela ciência e a tecnologia modernas – e não com a sua restrição ou virtual congelamento, menos ainda pelos pretextos irracionais defendidos pelos “aquecimentistas”.

Nesse contexto, é de grande relevância a implementação de grandes projetos compartilhados de infra-estrutura energética e viária, como a interligação transcontinental e até intercontinental de redes de transmissão de eletricidade, além de redes ferroviárias e hidroviárias modernas.

Uma providência fundamental, cujo alcance iria muito além dos estudos climáticos, seria a substituição do IPCC por uma iniciativa mais condizente com os requisitos de um entendimento abrangente da dinâmica climática. Ao mesmo tempo, tal medida proporcionaria uma mais que necessária recondução da verdadeira ciência ao lugar que lhe cabe na orientação das ações humanas.

Movimento Solidariedade Íbero-americana

Para saber mais sobre o tema, visitar os sites da MSIa/Capax Dei:

http://www.alerta.inf.br/ e http://www.msia.org.br/

Imagem: msia.org.br

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