Deputado acusa ONG (Associação Amazônia) de aumentar área ocupada

O presidente da Assembléia Legislativa de Roraima, deputado Mecias de Jesus (PR), acusa a ONG Associação Amazônia de aumentar a área supostamente grilada no sul do Estado. Segundo ele, a área passou de 172 mil hectares para mais de 200 mil – cerca de 2 mil quilômetros quadrados.

Ele foi uma das testemunhas ouvidas pela primeira CPI das ONGs do Senado, que, em 2002, pediu o indiciamento da Associação Amazônia por todo tipo de acusação. «Eles ocuparam aquilo ali de forma ilegal, fizeram documentos falsos e foram invadindo», disse Mecias ao Congresso em Foco.


Sem punição

O deputado estadual lamentou o fato de a entidade não ter sido punida, embora responda a processos na Justiça e no Ministério Público Federal. «Acredito que esses processos estão dormindo em berço esplêndido em alguma gaveta. A ONG continua lá e com muito mais poder», reclamou Mecias.


Interesses escusos

Para o deputado, o interesse da Associação não é preservar o meio ambiente, mas tomar posse dos minérios no subsolo e da flora. «Querem vender nossas plantas e patentear», acusa.

O presidente da ONG, Christopher Julian Clark, nega as acusações. Diz que não houve grilagem de terras. «Aqui ninguém é dono de terra, não. Não sei se isso foi mal entendido ou mentira», disse. Ele disse que um dos objetivos da Associação Amazônia é defender a criação da reserva extrativista do Baixo Rio Branco-Juauperi. «Isso daria a certeza de que o meio ambiente e os recursos da área seriam preservados.»

Mas o governo de Roraima pensa diferente. Em 2005, um decreto estadual determinou que a região fosse usada para criar assentamentos rurais. A queda de braço entre ambientalistas, políticos e ruralistas é antiga na região. Os primeiros querem mais reservas ambientais; enquanto os outros, mais espaço para o agronegócio e o desenvolvimento econômico.


Suspeitas relações

O coordenador da Comissão Pastoral da Terra (CPT) em Roraima, frei Téo Bocchi, admite não ter dados oficiais sobre a atuação da Associação Amazônia. Mas recebeu informações sobre as “relações suspeitas” da entidade com a Fundação Estadual do Meio Ambiente. «É a conversa que vem rolando aí. Teria um conluio entre eles», disse Bocchi.

Apesar disso, ele aprova a atuação das demais ONGs ambientalistas na região. Para o frei, o discurso de que as reservas engessam o desenvolvimento do estado é velho. Primeiro, o entrave era a falta de uma rodovia. A estrada foi construída, mas o progresso não chegou, segundo Bocchi. Depois, a falta constante de energia elétrica. O abastecimento se normalizou, mas o desenvolvimento não veio.

«O estado continua da mesma situação. Agora, dizem: “Temos pouca terra para trabalhar”. Estamos aguardando para saber qual vai ser o próximo discurso», reclamou o coordenador da CPT. Bocchi disse que muitas das pessoas que criticam os ambientalistas não têm idoneidade para isso porque são grileiros de terra.


Desculpas,… da ABONG

A Associação Brasileira de Organizações Não-Governamentais (ABONG) disse que não comentaria a situação da Associação Amazônia porque ela não era uma afiliada da entidade. Para comentar a atuação da antiga e da atual CPI das ONGs, a ABONG enviou boletins próprios sobre o tema. Neles, a entidade diz apoiar as investigações, mas teme que a comissão «desengavete ações e projetos autoritários, que promovam controle ditatorial sobre as ONGs».

A assessoria da ABONG também indicou uma representante da entidade para falar com a reportagem. Mas Tatiana Dahmer não deu retorno aos contatos do Congresso em Foco.

Congresso em Foco/Eduardo Militão


Créditos: Esta matéria foi apresentada no «Congresso em Foco», em 23/06/2010. Para maiores detalhes, consultar o site http://congressoemfoco.uol.com.br. Inseri subtítulos no texto para facilitar sua leitura.

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