Ecologia econômica ligada a escusos e obscuros interesses econômicos

Belo Monte – uma hidrelétrica projetada para ser construída no Rio Xingu, no  Pará.  Os movimentos sociais e as lideranças indígenas da região são contrários à obra porque consideram que os impactos socioambientais não estão, suficientemente, dimensionados. Em outubro de 2009, por exemplo, um painel de especialistas debruçou-se sobre o EIA (Estudo de Impacto ambiental) e questionou os estudos e a viabilidade do empreendimento. Antes, diversas audiências públicas haviam sido realizadas sob uma saraivada de críticas, especialmente do Ministério Público Estadual, seguidas pelos movimentos sociais, que apontavam problemas em sua forma de realização. O Diretor de cinema canadense/americano, James Cameron, veio ao Brasil e pediu ao governo brasileiro que revisse a construção da Usina de Belo Monte, no Pará. Segundo ele, a usina vai desviar as águas do Rio Xingu e o impacto vai afetar a vida de cerca de 25 mil moradores locais. Cameron afirmou ainda que pretende ir ao local conhecer de perto as conseqüencias da obra.

 

E a tragédia do Golfo do México?

O diretor conservacionista e ecologista de conveniência, palpiteiro de plantão, não visitou (nem fala sobre o assunto), a região que sofre com o petróleo que está sendo derramado, no Golfo do México, ao largo da costa da Louisiana e do Mississipi, Estados Unidos, depois da explosão e afundamento da  plataforma petrolífera. Não há registros dos barcos ou botes do Greenpeace na área; noticiou-se que dois ecologistas do Greenpeace escalaram o edifício da companhia petrolífera British Petroleum (BP), em Londres, para protestar e foi só. Enquanto a tragédia ambiental continua,  o WWF pesquisa insetos e invertebrados na ilha de Bornéu.

 

Descasos brasileiros

Voltando ao Pará, a região é esquecida pelo Brasil, sofrendo um abandono estrutural crônico, um processo real de atrofia econômica e, consequentemente, da sua estrutura social. Pela ausência quase que total de investimentos governamentais na região, a infraestrutura é precária. Altamira, principal cidade, com cerca de 80.000 habitantes, não tem esgoto, água tratada, escolas decentes, empregos e estradas. Não há perspectivas reais, já que há interesse em que continue assim. No sul da Bahia, empresários e a maior parte da população clamam por empregos e renda, para reduzir a dependência dos benefícios do governo federal e benevolências de turistas.

 

Sempre as ONGs atuando

Jornais de todo país noticiaram protestos promovidos e patrocinados por  mais de 30 ONGs, como SOS Mata Atlântica, Greenpeace, Floresta Viva, Projeto Tamar e Ação Ilhéus, que se mobilizaram contra o complexo intermodal de Ilhéus – o projeto Porto Sul. A Cáritas Diocesana de Ilhéus promoveu no mês passado, à noite, a caminhada da luz. Todos levaram velas que foram acesas para mostrar que «neste momento de escuridão surgem luzes».

Estes, na verdade, lutam para impedir o escoamento da produção da jazida de ferro da região de Caetité, na região do agreste baiano, onde os investimentos diretos de cerca de US$ 1,8 bilhão, possibilitaram a extração de 25 milhões de toneladas de ferro por ano. O projeto é de grande importância para o desenvolvimento socioeconômico do sul do Estado, com previsão de gerar de oito mil a dez mil empregos na primeira fase de implantação. Além de solucionar o gargalo dos portos da Bahia, o Porto Sul poderá ser um ponto de apoio para outros Estados. Devemos suspeitar dos apoios a estas mobilizações contra o projeto, pois a  Bahia Mineração Ltda. A BML é uma empresa 100% controlada pelo indiano Pramod Agarwal (que atua na área de commodities) com suporte de instituições financeiras, lideradas pela Merrill Lynch.

 

Extremismos ambientalistas

Extremismos são sempre ruins, e tendem a piorar. A moda da ecologia e ambientalismos  escondem guerras econômicas absurdas e tendem a aumentar, à medida que nas nações, principalmente nas mais desenvolvidas, aumentam as demandas e suas populações, enquanto que suas reservas e capacidade produtiva diminuem.  Há que se ter atenção redobrada aos conceitos, propostas e tendências  ambientalistas.

Por exemplo, em dezembro de 2009, durante a Conferência do Clima em Copenhague, políticos brasileiros (incluindo-se, nesta lista vergonhosa, todos os atuais candidatos à presidência) apoiavam a idéia da criação de um fundo, inclusive com a destinação de vultuosos recursos do Estado Brasileiro, para uma “cesta” (um fundo) destinada a financiar ações de adaptação às mudanças climáticas. Pois bem, nos meses seguintes (janeiro, fevereiro, março e abril), o Brasil, passou por grandes catástrofes, incluindo a inundação de parte de São Paulo e os deslizamentos no Rio de Janeiro. Eventos aos quais não se destinou nem um quarto do US$ 1 bilhão (dólares) defendidos por estes políticos para a “cesta” – e sem a infraestrutura necessária o problema vai se repetir.

 

Hipocrisia?

Ainda em Brasília, o respeitoso Ministério Público Federal lança campanha ambientalista naturalista, na TV aberta, contra consumo de carne de áreas desmatadas, esquecendo que sua própria sede está em terras consideradas de florestas  a menos de 50 anos, e que para estar lá hoje, um valoroso ambiente ecológico de rica fauna e flora foi destruído.

Esta  campanha faz parecer que nosso agronegócio é “tocado” (gíria comum no ramo), somente por pessoas irresponsáveis, fortalecendo argumentos  de  países consumidores, que impõem  barreiras às nossas exportações. Isso é um desserviço à nação, promovido com dinheiro público, e sob a argumentação de que o consumidor deve fiscalizar, transferindo, portanto, suas reais atribuições a quem lhes pagam os salários.

Mauro Machado

Créditos: este post é matéria da autoria do Sr. Mauro Machado, enviado a este blog, em 15/06/2010, como uma colaboração espontânea sua. Achei pertinente. Inseri subtítulos no texto para facilitar e incentivar a sua leitura.

Para contatar o autor: mauro-machado@bol.com.br .

Imagem: Luis Royo

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