Fórum Internacional de Sustentabilidade, um “Titanic” na Amazônia

O Fórum Internacional de Sustentabilidade foi mais uma tentativa de manter acesa a chama aquecimentista por parte das oligarquias internacionais, que têm no ambientalismo sua forma mais popular de ação – embora disfarçada – de implementar políticas restritivas ao crescimento econômico do mundo como um todo, mas, principalmente, o dos países hoje ditos como “periféricos”. Foi tudo um grande show, de artistas de duvidosa intenção, que não resultou em nada de prático, pois a fama do aquecimento global está cada vez menor, inclusive junto às populações. Pena que o meio artístico, representado pelos astros do filme Avatar, tenham sido corrompidos pela geopolítica internacional, ao invés de fazer o que sabem. Ao contrário, dizem o que não sabem e acham que estão agradando. Não estão. Estão se mostrando, isso sim, inimigos da nação brasileira, ainda mais que retratam, claramente, a cobiça que os estrangeiros têm na Amazônia.

Este post é matéria constante do boletim eletrônico do Movimento Solidariedade Íbero-americana, de nº 63, de 26/03/2010. Nele inseri subtítulos para melhor facilidade de leitura. Eis a matéria.



Fórum Internacional de Sustentabilidade, um “Titanic” na Amazônia

Na sexta-feira 26 e no sábado 27 de março, realiza-se [realizou-se] em Manaus (AM) o Fórum Internacional de Sustentabilidade. O evento é um megaconvescote de alta visibilidade (com direito a um anúncio de duas páginas no jornal O Estado de S. Paulo de 24 de março), no qual o aparato ambientalista internacional e os interesses que gravitam ao seu redor depositam grandes expectativas, no sentido de manter à tona a atenção sobre a “agenda verde”, num momento em que os questionamentos aos exageros e à própria essência das propostas ambientalistas vêm aumentando em todo o mundo. A julgar pela lista de palestrantes e dos temas a serem discutidos, a intenção é reforçar a ligação entre as mudanças climáticas (leia-se aquecimento global “antropogênico”) e a conservação da Amazônia, sem descuidar, claro, da pletora de negócios “ambientalmente amigáveis” que podem daí redundar.


Al Gore & cia. atacam novamente

Entre os debatedores, estarão dois superstars internacionais: o ex-vice-presidente estadunidense Al Gore e o cineasta James Cameron, diretor de megassucessos hollywoodianos como Titanic e o recente Avatar. Outra estrela do evento será o biólogo Thomas Lovejoy, um veterano ativista das causas ambientais amazônicas, atualmente diretor do The H. John Heinz III Center for Science, Economics and the Environment. Além deles, estarão também o governador do Amazonas, Eduardo Braga, e representantes de empresas e ONGs atuantes na região – neste caso, Greenpeace, WWF Brasil, Conservation International, SOS Mata Atlântica e Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB).

O Fórum foi patrocinado por uma constelação de empresas que atuam na Zona Franca de Manaus e a organização ficou a cargo da LIDE, associação empresarial que promove a governança corporativa, presidida pelo jornalista João Dória Jr.


As metas do evento

Embora não se possa afirmar que o evento foi concebido como uma reação aos desdobramentos do escândalo Climagate e do fiasco da Conferência de Copenhague (COP-15, em novembro-dezembro de 2009), já que um simpósio de tal porte dificilmente poderia ter sido planejado em tão pouco tempo, ele será de grande valia para manter os holofotes ambientalistas voltados sobre o Brasil, país considerado chave para as pretensões quanto à COP-16, na Cidade do México, em dezembro próximo. Na capital mexicana, o aparato ambientalista tenciona conseguir o que não foi possível em Copenhague: uma agenda de metas nacionais obrigatórias para limitar o uso de combustíveis fósseis (inclusive nos países em desenvolvimento) e a consolidação e ampliação dos mercados de “créditos de carbono”, vinculando a eles os múltiplos esquemas de “proteção” da Floresta Amazônica, como o chamado REDD (Redução de Emissões do Desmatamento e Degradação Florestal).

A intenção é evidente nos temas das palestras de Gore («A importância da conservação da Amazônia Para Deter o Aquecimento Global e as Mudanças Climáticas»), Lovejoy («A Importância da Amazônia no Contexto das Mudanças Climáticas Globais») e Cameron («Como e Por Quê Sensibilizar a Sociedade Para a Importância e Urgência da Conservação da Amazônia: a Experiência Pessoal de um Cineasta»). Na mesma linha vai o debate sobre o tema «REDD e Outros Mecanismos Para a Valorização Econômica das Florestas Tropicais. Qual o Potencial de Serviços Ambientais?», o qual contará com a participação do governador Braga, do senador Aloizio Mercadante (PT-SP) e do biólogo estadunidense Anthony B. Anderson, do Programa de Conservação do WWF Brasil.


E Marina Silva se promovendo…

Da mesma forma, a senadora Marina Silva (PV-AC) pretende aproveitar o evento para promover a sua candidatura presidencial, inclusive, com um encontro com Cameron. Embora se desconheçam no cineasta conhecimentos específicos sobre a Amazônia que justifiquem a sua presença, a senadora é uma deslumbrada confessa com a mensagem “ambiental” do filme Avatar, a ponto de ter escrito uma lacrimosa coluna sobre ele, comparando a saga dos personagens extraterrestres da película com a luta pela preservação amazônica.

Nesse contexto, o convescote também poderá contribuir para a proposta de indicação de um brasileiro para substituir o holandês Yvo de Boer, que até julho deverá deixar a presidência da Convenção Quadro de Mudanças Climáticas das Nações Unidas. Com a nomeação de um brasileiro ou um representante de outro grande país em desenvolvimento para um dos cargos-chave do aparelho “aquecimentista”, a intenção é reforçar o comprometimento desses países com a agenda de metas vinculantes e os mercados de carbono.


O aquecimento global está nas últimas

Não obstante, a despeito de um empenho tão estelar, será preciso mais que o apoio de Hollywood para sustentar a agenda das mudanças climáticas em sua presente forma, pois as evidências sugerem que o “Titanic” do aquecimento global “antropogênico” já encontrou o seu iceberg, na forma do Climagate e da crescente conscientização sobre os inaceitáveis custos socioeconômicos das restrições aos combustíveis fósseis. Assim, embora a sobrevida do “aquecimentismo” se mostre superior à do malfadado transatlântico inglês, pode ser que o Fórum venha a ser um dos últimos grandes bailes realizados no convés metafórico da nau ambientalista.

Movimento Solidariedade Íbero-americana

 

Para saber mais sobre o tema, visitar os sites da MSIa/Capax Dei:

http://www.alerta.inf.br/ e http://www.msia.org.br/

Imagem: sustentavel20.files.wordpress.com

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