A Comissão Trilateral

Entre as quase quatrocentras “fábricas de pensamentos” espalhadas pelo globo, a Comissão Trilaterial é a mais influente. Cerca de 300 membros reúnem-se uma vez por ano, em locais diferentes.

Após cada encontro, a Comissão publica documentos sobre os temas e implementações. O relatório de 1995, por exemplo, intitulava-se «Engaging Russia» («Fazendo a Rússia Participar»), ao qual foi acrescentado em 1996 o subtítulo «Mantendo a Segurança Energética em um Contexto Global para a Globalização e os Mercados de Trabalho Trilaterais: Evidên­cias e Implicações».

A comissão tem três escritórios: em Nova York, Tó­quio e Paris. Seus dirigentes são economistas com poder de decisão. Mas como surgiu uma organização “trilateral”, com sede na América do Nor­te, na Europa e no Japão?


Como surgiu a Comissão Trilateral

Em 1973, David Rockefeller convidou Zbigniew Brzezinski, mais tarde conselheiro de segurança do presidente Jimmy Carter, para ser diretor de uma organização composta pelos mais influen­tes líderes políticos e industriais do mundo. Ele a chamou de Comissão Trilateral (TC, Trilateral Comission).

Em 1994, a Comunidade Européia, a América do Norte (Estados Unidos e Canadá) e o Japão – os três redutos democráticos mais importantes desde aquela época (1973) – montaram, finalmente, os três escritóri­os da TC. Ela tem hoje aproximadamente 325 membros dessas três re­giões – personalidades importantes exercendo inúmeras e variadas funções de liderança.


Objetivos, aparentemente, nobres

A meta da TC no auge da Guerra Fria era combater o peri­go de aniquilação global através de uma guerra atômica e um conflito generalizado entre os regimes, formando um grupo não oficial de líderes de diferentes países, os quais se reuniriam para discutir os problemas, elabo­rar possíveis soluções, e levar propostas aos seus países de origem, utili­zando-se de seu poder de influência. A Europa e o Japão deveriam ter uma participação mais decisiva no desenvolvimento e nas oportunidades comerciais em todo o mundo, pois os Estados Unidos não conseguiam mais dominar o cenário internacional sozinhos.

Nas próprias palavras da TC: «…uma forma mais subdividida de liderança – que inclua a Europa (Ocidental) e, principalmente, o Japão, ­seria útil ao sistema internacional para que este lide de maneira eficaz com as exigências do ano seguinte. Essas intenções (em 1973, quando a cri­ação da TC foi formulada), determinam as bases do trabalho da Comis­são. O crescimento do Japão e o progresso da Comunidade Européia nos últimos vinte anos – particularmente no setor econômico – confir­mam a visão dos fundadores da Comissão. Ao mesmo tempo, o fim da Guerra Fria exige uma nova visão, que alcance novos parceiros nos anos que estão por vir. As chances são notáveis; e, com o bem-vindo fim da antiga ameaça soviética, dissolve-se parte da “cola”, que mantinha nossas regiões (América do Norte, Europa e Japão) coesas. Sobreviver às exigências da futura capacidade de liderança é o ponto central dos esfor­ços da Comissão Trilateral. A Comissão geral reúne-se uma vez ao ano ­1992 em Lisboa, 1993 em Washington, 1994 em Tóquio.»

(de um comunicado oficial da TC, em março de 1994; os trechos entre parênteses são do autor)


Uma nova ordem mundial?

Não é visível aqui o nascimento de uma nova ordem mundial, engen­drada pelos Estados Unidos e por eles liderada, da qual participam a Europa Ocidental e o Japão, por causa de seu crescimento econômico, na condição de assumirem posições de líderes subalternos, certamente mais cômoda para o primeiro líder do que se os outros dois redutos permanecessem independentes, entrando em concorrência? Vej a a seguinte visão crítica da TC:

«Em 1970, um jovem intelectual polonês chamado Zbigniew Brzezinski previu o crescimento da economia do Japão e da Europa pós- guerra. Brzezinski idealizou as teorias de Karl Max. Em seu livro «Between Two Ages» («Entre Duas Eras»), bem como em suas publicações posteriores, ele argumentava que a política de equilíbrio do poder (entre dois blocos) estava superada, e já estava na hora de se criar a política de uma ordem para todo o mundo. A ordem mundial inicial deveria consistir de uma união econômica trilateral entre Japão, Europa e Estados Unidos. David Rockefeller deu todo apoio financeiro a Brzezinski e criou uma organiza­ção a qual denonimou Comissão Trilateral, oferecendo ao intelectual po­lonês o cargo duplo de primeiro secretário e diretor.»

«As metas oficiais da Comissão Trilateral são: realizar um trabalho estreito e conjunto para promover a paz, orientar a economia mundial, promover o desenvolvimento econômico e minimizar a pobreza do mun­do. Todo esse esforço conjunto aumentará as chances da frágil e pacífica evolução do sistema global.»

(extraído de The New World Order, de Pat Robertson, conhe­cido conservador e evangelista em programas na televisão,Dallas, Texas, 1991; citação do site www.4rie.com)


Membros comuns ao CFR

O autor James Perloff diz em seu livro «The Shadows of Power» («As Sombras do Poder»): «Como começou a TC? …Com uma recomendação de que líderes e pessoas de influência dos Estados Unidos, da Europa Ocidental e do Japão deveriam reunir-se regularmente. No mesmo ano, Brzezinski expressou esse e outros pensamentos inter-relacionados em seu livro «Between Two Ages». Brzezinski parece ser um clássico exemplo de membro do CFR (Council of Foreign Relations) – um globalista com tendências comunistas. Ele explica que «soberania nacional não é mais uma fundação viável» e o «marxismo representa um passo vital e criativo no desenvolvimento da visão universal do homem. O marxismo é a vitória do homem externo e ativo sobre o interno e passivo; ou seja, a vitória da lógica sobre a fé»

«A Comissão Trilateral foi fundada formalmente em 1973, e era com­posta de personalidades líderes da indústria, dos bancos, dos governos e da mídia originários da Europa, Estados Unidos e Japão. David Rockefeller foi o presidente-fundador, e Brzezinski, o diretor-fundador da filial ame­ricana, cuja maioria dos membros faz parte do CFR. David Rockefeller explicou em uma declaração ao Wall Street Journal que «a Comissão Trilateral é um grupo de cidadãos conscientes que têm interesse em me­lhorar o entendimento e a cooperação entre os países unidos, dando-lhes constante apoio»

(Perloff, The Shadows of Power)


Não existe almoço grátis…

Contudo, a Comissão não foi – e nem é – totalmente inofensiva, como podemos verificar nos artigos de Jeremiah Novak (e de outros editores e articulistas), no periódico Atlantic, em julho de 1977: «O interesse princi­pal dos trilateralistas com relação à economia internacional não é altruísta, pois a crise do petróleo obrigou muitos países em desenvolvimento a se endividar, em condições duvidosas quanto à capacidade de pagar o débito. Se fizermos um cálculo geral, veremos que os bancos privados multinacionais, particularmente o Rockefeller Chase Manhattan, empres­taram quase 52 bilhões de dólares a esses países. Um novo e restruturado FMI (Fundo Monetário Internacional) deveria abrir uma nova fonte de crédito para essas nações, o que deixaria os grandes bancos privados livres do anzol. Essa proposta é a pedra fundamental da Comissão Trilateral. O senador Barry Goldwater a expressou de maneira menos misericordiosa. Em seu livro «With No Apologies» («Sem Desculpas»), ele chama a comissão de «A mais recente cabala internacional de David Rockefeller» e escreve: «Ela serve de veículo para a consolidação interna­cional dos interesses industriais do comércio e dos bancos, assumindo o controle político do governo dos Estados Unidos»

«Muitos acham que a Comissão Trilateral é uma continuação do mo­vimento Illuminati, que luta pelo domínio do mundo. De qualquer forma, não resta dúvida que a comis­são é um lobby poderoso para o patrocínio das empresas multinacionais e que já conquistou a influência necessária na política, sobretudo america­na. Pouco depois da criação da TC, um trilateralista foi eleito presidente dos Estados Unidos: Jimmy Carter.»


Fontes americanas informam

«Em 1973, Carter encontrou-se com o presidente do CFR, David Rockefeller, na sede do Conselho em Tarrytown, Nova York. Zbigniew Brzezinski estava presente e ajudou Rockefeller a inspecionar candi­datos para a Comissão Trilateral. Mais tarde, Brzezinski informaria a Peter Pringle, do London Sunday Times, que «ficamos muito im­pressionados pelo fato de Carter (na época, governador da Geórgia) ter aberto representações comerciais em Bruxelas e Tóquio. Era algo que se encaixava peifeitamente no conceito da Comissão Trilateral»

Carter foi um dos membros fundadores da Comissão Trilateral – o que determinou seu destino. Citando novamente o senador Barry Goldwater em seu livro:

«David Rockeffeler e Zbigniew Brzezinski decidiram que Carter se­ria seu candidato ideal. Eles o ajudaram a conquistar a indicação (pelo Partido Democrático) e a Presidência (através das eleições). Para al­cançarem sua meta, eles mobilizaram o poder monetário dos banqueiros de Wall Street, a influência intelectual da comunidade acadêmica – cujas instalações de pesquisas estavam entre as maiores fundações isentas de imposto – e os líderes da mídia, todos representantes do CFR e da Comissão Trilateral.»

Sete meses antes da indicação do Partido Democrático, uma pes­quisa Gallup apurou que menos de 4% dos democratas apoiariam Carter para a presidência. Entretanto, da noite para o dia, ele se tornou o candi­dato oficial. Esse fato demonstra claramente a existência dos poderes de uma elite que, no estilo das sociedades secretas, usa de todos os métodos para alcançar seus interesses. Eles poderiam, praticamente, fazer de qual­quer um presidente, assim como destruir ou atrapalhar qualquer candida­to. Carter teve apoio e ganhou. Goldwater, mais conhecido e apreciado – a despeito de sua angularidade populista de direita – perdeu.


Sempre as mesmas pessoas

Justamente por não serem associações secretas e não negarem a própria existência, a TC, o CFR e o Bohemian Club ser­vem de um bom acobertamento para que outras metas sejam seguidas a partir dos bastidores.

Entre os membros da TC estão alguns atuais e futu­ros presidentes, ministros de relações exteriores, investidores de Wall Street, banqueiros internacionais, industriais, presidentes de grandes fundações e “fábricas de pensamento”, representantes da OTAN e do Pentágono, presidentes de universidades e professores distintos, senadores, capitães de mídia, juízes e outros indivíduos influentes.

Poucas pessoas são convi­dadas para as suas reuniões anuais. Além de comunicados vagos, que servem apenas como panfletos filantrópicos e não têm substância, nada das conversas de pauta chega ao público. O CFR tem uma estrutura se­melhante. Não podemos deixar de ver na TC e no CFR um “governo das sombras” internacional e nada democrático, que provavelmente almeja o domínio do mundo, apoiando e estruturando todos os órgãos e departa­mentos que lhes servem.

(há um endereço oficial da TC: Trilateral Commission, US Headquarter, 345 East 46th Street, Suite 711, New York, NY 10017, USA; maiores informações pela Internet: www.icie. or. ip/thinknet/tc/index. html).

Wulfing von Rohr

Créditos: Este post é parte do livro de Wolfing von Rohr, intitulado «Governo Oculto do Mundo», de 2005, publicação da Editora Madras, SP. Introduzi subtítulos no texto, bem como mudei a sequência de alguns parágrafos a fim de facilitar a leitura e o entendimento da matéria. Recomendo este livro, bem como os demais, listados abaixo, para todos aqueles que desejam seber, de fato, “como é que a banda toca” neste nosso mundo.


Os livros a ler são: «Governo Oculto do Mundo», de Wulfing von Rohr (Madras Editora Ltda., SP); «A Verdadeira História do Clube Bilderberg», de Daniel Estulin (Editora Planeta do Brasil Ltda.); «A Corporação – A História Secreta do Século XX e o Início do Governo Mundial do Futuro», de Nicholas Hagger (Editora Pensamento-Cultrix Ltda.); «As Redes Secretas do Poder», de Pablo Allegritti (Editora Planeta do Brasil Ltda.); e «O Governo Secreto», de Jim Marrs (Madras Editora Ltda.).

Imagens: 4.bp.blogspot.com; idem; e img.youtube.com.

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Comentários

2 Comentários em “A Comissão Trilateral”
  1. guitarrista3579 disse:

    Estou ciente disto essa nova ordem mundial já aconteceu realmentea,mas será um só governo para todo o mundo.A redução da populacao novas epidemias,viros poderosos,se voces lecem a biblia no livro do profeta isaías veriam todas as suas profecias se cumprindo,pois ainda virá o anti-cristo ai vocês vão ver o que e bom para tosse,eles querem até emplantar o dinheiro vitual com a ultilazao do chip a biblia tambem´diz no livro de Mateus que nunca houve e nem haverá dias tao terriveis na terra ninguem escapará, somente aqueles que se curvarem diante do ante cristo e aceitarem o chip em seus corpos.Mas quero ti dizer algo que pode salvar a sua vida e a da sua familia Jesus Cristo é a única saída de todas essas tribulacoes que irão de acontecer e não existe outro caminho, acontecera um fenômeno historico mmilhares de pessoas desapareceram serão arrebatadas isso acontecerá pode acredtar!!!!

    • husc disse:

      Sr. Guitarrista:
      Obrigado pelo contato.
      Lamentavelmente, a existência de Jesus é, hoje, uma dúvida. A única referência à sua existência é a bíblia, mas, infelizmente (para os crentes), esse livro não tem valor histórico nenhum. Nenhum, repito. É apenas um livro religioso, e nada mais. Assim, suas interpretações podem ser feitas ao bel prazer de quem quer que seja, pois essa é uma característica dos livros religiosos. Há sempre uma situação no livro parecida com a situação corrente e aí, pronto, os fanáticos ligam uma coisa com a outra (na maior cara-de-pau) e ainda se gabam por isso. rsrsrs
      A religião, Sr. Guitarrista, é um dos maiores males do mundo. Basta observar as guerras, genocídios, assassinatos, destuições, retrocessos e atrasos na Ciência que causou, e isso ficará muito claro – obviamente, para os não-crentes.
      Os crentes? Esses não têm jeito. Não enxergam nada e serão, eternamente, escravos das religiões e de seus mestres – porque não costumam raciocinar, só isso.
      As religiões são, em minha opinião, algumas das maiores formas de governança mundial, e das piores, pois elas se apoderam das mentes das pessoas, fazendo-as verdadeiros fantoches e meios (massa de manobra) de enriquecimento de seus gurus e mentores.
      Vender a existência de um deus, de paraísos e infernos é mais cretino do que vender terrenos na Lua, pois esta, pelo menos, a gente sabe que existe.
      Desculpe, Sr. Guitarrista, se discordo, mas acho que sua visão está errada, fora de moda e do nosso tempo. Já passamos muito da Idade Média…
      Vida longa, prosperidade e sabedoria.
      Hasta siempre.
      Husc

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