Histórico da batalha de Belo Monte
Este post, de 15/04/2010, publicado no boletim eletrônico do MSIa é anterior ao leilão da hidrelétrica de Belo Monte, que já se realizou, tendo saído vencedor o Governo Brasileiro, com a adjudicação da obra ao consórcio de empresas que executará a usina. De qualquer forma o artigo é pertinente para dar uma idéia dos precedentes relativos a este episódio de Belo Monte, que terminou com a vitória brasileira frente os interesses oligárquicos estrangeiros envolvidos. Eis a matéria.![]()
A batalha de Belo Monte
A batalha pelo desenvolvimento da Amazônia, em especial as perspectivas de uma modernização econômica baseada num processo de industrialização e agregação de valor aos recursos naturais da região, terá nos próximos dias um lance crucial com a definição sobre o projeto da usina hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu (PA). No momento em que estas linhas são escritas, o leilão da usina, marcado para o próximo dia 20 de abril, encontra-se suspenso por uma liminar da Justiça Federal do Pará. Embora seja pouco provável que a decisão se mantenha, o fato é que o projeto original foi tão modificado, para se tentar uma inócua acomodação com a agenda ambientalista (cujo objetivo é simplesmente obstaculizar projetos do gênero), que o atual ficou recheado de incertezas que podem encarecê-lo grandemente e, até mesmo, inviabilizá-lo em termos técnicos e econômicos.
O planejamento da guerra
Após a sua retumbante vitória na “Batalha de Roraima”, com a definição da reserva indígena Raposa Serra do Sol em território contínuo, a campanha ambientalista contra o pleno desenvolvimento amazônico voltou a concentrar as baterias contra Belo Monte, como parte da estratégia definida em 2005 pela Agência de Desenvolvimento Internacional dos EUA (USAID), um dos órgãos de planejamento dessa autêntica “guerra irregular” contra o País. O plano de campanha foi delineado na chamada Iniciativa para a Conservação da Bacia Amazônica (ABCI, em inglês), apresentada em junho daquele ano.
Segundo o jornalista Lorenzo Carrasco, do conselho editorial deste boletim, a Iniciativa não oculta o propósito de coordenar as ações de diversos grupos ambientalistas e indigenistas nacionais e estrangeiros, provendo-os dos recursos e instrumentos de “governança ambiental” para o controle efetivo da região. A intenção é recrutar povos indígenas, “populações tradicionais” e ONGs nacionais e estrangeiras, para criar uma rede que em nada difere de um exército de ocupação pós-moderno a serviço de um esquema de “governo mundial” controlado por grupos hegemônicos do establishment anglo-americano. Neste contexto, a ação da USAID vem reforçar, financeiramente, as intensas atividades de ONGs como o Fundo Mundial para a Natureza (WWF), Survival International, Conservation International, The Nature Conservancy e outras, financiadas tanto pela USAID como por agências governamentais do Canadá, Reino Unido, Holanda e outros países europeus, além de fundações familiares do establishment (Resenha Estratégica, 16/05/2007).
Dificuldades desde Altamira
Na verdade, a campanha contra os projetos hidrelétricos no rio Xingu constituiu foi a primeira grande investida do aparato ambientalista contra o Brasil, desde o famigerado Encontro de Altamira, ocorrido em fevereiro de 1989, convescote que reuniu centenas de militantes “verdes” do Brasil e do exterior, lideranças indígenas da região e outros atores. A pajelança contou com um generoso financiamento de órgãos governamentais estrangeiros do porte da Canadian International Development Agency (CIDA), como demonstrou a jornalista canadense Elaine Dewar em seu livro «Uma Demão de Verde», publicado em 2007 no Brasil pela Capax Dei Editora.
Apesar de o afastamento deliberado do Estado dos grandes projetos energéticos, no início dos anos 90, também ter contribuído, as pressões ambientalistas tiveram grande influência nos sucessivos adiamentos do projeto de Belo Monte (anteriormente chamada Kararaô), privando o País da eletricidade que poderia ter contribuído bastante para amenizar os efeitos do apagão de 2000-2001. Ademais, a campanha contra ele proporcionou um importante treinamento para os ativistas brasileiros e estrangeiros, que puderam refinar as suas táticas obstrucionistas, especialmente a mobilização das populações das áreas do entorno do projeto e a construção de uma eficiente rede de apoio no Poder Judiciário.
O engajamento de artistas
Desde o início, a intervenção ambientalista no Brasil contou com a participação de um braço de “guerra cultural” do establishment anglo-americano, que emprega artistas de renome internacional para dar visibilidade às suas ruidosas campanhas. Nas primeiras fases das campanhas amazônicas, o papel mais visível dessa participação coube ao decadente cantor inglês Sting, que vivia viajando pelo mundo arrastando pelo braço o cacique caiapó Raoni. Agora, a batuta foi transferida ao celebrado cineasta canadense James Cameron, que em menos de um mês esteve no Brasil duas vezes, inclusive, participando de uma manifestação pública contra Belo Monte, em Brasília, em 12 de abril.
A “convocação” é estudada: o recente megassucesso hollywoodiano de Cameron, «Avatar», tem contribuído para divulgar a mensagem “bucólica” e anticivilizatória do ambientalismo, com a sua ambientação num mundo idílico onde todos os seres vivos encontram-se “em comunhão” com a natureza. No Brasil, a pré-candidata presidencial do Partido Verde (PV), Marina Silva (que se reuniu com Cameron em Brasília), tem se desdobrado em delirantes comparações entre a luta dos personagens fictícios do filme e as vicissitudes das populações amazônicas.
Apesar de admitir o seu desconhecimento da Amazônia, Cameron tornou-se um “especialista instantâneo” na região, credenciando-se para ampliar a visibilidade internacional da campanha contra Belo Monte. Sua mensagem simplificadora foi sintetizada numa entrevista publicada nas Páginas Amarelas da revista Veja de 14 de abril: «Quando a civilização bate de frente com a natureza, não dá para ter meio-termo. Ou o governo constrói a represa de Belo Monte, ou não a constrói.»
O que está errado em Belo Monte
Independentemente dos seus desdobramentos, o projeto de Belo Monte já pode ser considerado um caso exemplar da interferência do movimento ambientalista internacional na política interna do Brasil e, não menos, das respostas inadequadas a ele. Em seu projeto original, elaborado no final da década de 1980, Kararaô/Belo Monte teria uma potência de cerca de 15 mil megawatts e seria uma de seis usinas a serem construídas no rio Xingu, de forma a maximizar o aproveitamento múltiplo do rio. Entretanto, as sucessivas concessões ao ambientalismo acabaram por descaracterizar totalmente o projeto.
Uma das principais concessões foi a decisão de reduzir grandemente os reservatórios das hidrelétricas, que passaram a ser projetadas para operar quase que “a fio d’água”, com vazões mínimas. Embora tal medida diminua bastante a extensão da área afetada pelo reservatório, por outro lado, priva as usinas das “reservas de energia potencial” que as permitem continuar gerando energia em níveis mais próximos aos da sua potência máxima mesmo durante períodos de estiagem – ou seja, aumentando a chamada energia firme de cada usina. Por ironia, este é um dos argumentos que têm sido utilizados contra o atual projeto de Belo Monte, alegando-se que a sua energia firme, em torno de 4 mil megawatts, será muito inferior à capacidade instalada de 11,2 megawatts e, nos períodos mais secos, poderá cair para algo como 1.000 megawatts.
Outra falha clamorosa, motivado tanto pelas pressões ambientalistas como por um descaso histórico com a navegação fluvial, é a exclusão de eclusas no projeto, que implicará em mais um obstáculo ao inadiável desenvolvimento do transporte hidroviário no País (desafortunadamente, o atual ministro das Minas e Energia, Márcio Zimmerman, é um ferrenho adversário das eclusas nas barragens, vício que acomete muitos técnicos do setor elétrico). Evidentemente, a solução ideal para semelhante imbróglio seria a retomada de um projeto pelo menos parecido com o original e mais abrangente, que possibilitasse uma grande maximização de efeitos sinergéticos para o desenvolvimento amazônico. Como isto parece ser uma impossibilidade, resta ao País decidir se continuará permitindo a intromissão de uma agenda e de personagens alienígenas na definição de políticas e ações internas cruciais para as perspectivas de desenvolvimento nacional.![]()
MSIa – Movimento de Solidariedade Íbero-americana
Créditos:Este post é matéria apresentada no Boletim Eletrônico, n° 66, de 15/04/2010, do MSIa – Movimento de Solidariedade Íbero-americana. Introduzi subtítulos no texto para facilitar e incentivar a leitura.
O livro a le é: «Uma Demão de Verde», de Elaine Dewar (Capax Dei Editora Ltda., RJ).
Para outras informações sobre o mesmo tema, visitar o site do MSIa no seguinte endereço: http://www.msia.org.br
Imagem: site do vereador Vital Caló: vitalvereador.wordpress.com – onde se vê o local da futura localização da usina hidrelétrica de Belo Monte.![]()


Concordo com tudo que foi dito, porém se olharmos o Brasil nos proximos 20 anos, serar dificil um crescimento mesmo a 3% o que demandaria uma necessidade de energia de 5800 MW ano. do ponto de vista de não se utilizar UTE, o governo tem razão e os ambientelistas também, além de caro muito poluente, resta procurar alternativas concretas e que provoquem o minimo impacto ambiental, sou contra usina nuclear, simplesmente pelo lixo, quem é da área sabe o que estou falando. Acredito muito nas médias UHE até 3000 MW em locais propicios e pouco impacto, necessario melhorar o projeto Plataforma, é muito viável e tem ótimos resultados.
Temos que ter uma visão futurista não resta outra saida, e no momento existe a necessidade de UHE, a verdade é que não temos energia nem para copa, só completando com UTE, até criar condições de diminuir, o governo atual mais do que dobrou a utilização de termicas com receio de apagões, e a verdade, o meio ambiente paga a conta.
Acredito na união de todos com pensamento em soluções e encontraremos, precisamos de um governo que escute.
Um brasileiro da amazonia e do mundo.
Sr. Francisco:
O livro a ler é:
Tennenbaum, Jonathan — ENERGIA NUCLEAR – DÍNAMO DA RECONSTRUÇÃO ECONÔMICA MUNDIAL — Rio de Janeiro, Brasil: Capax Dei Editora Ltda., 2009.(Rua México 31, sala 202, Centro, Rio de Janeiro, CEP 20031-144 (21 2532-4086), falar em nome deste meu blog).
Não posso deixar de concordar que a energia nuclear tem problemas quanto aos seus resíduos, mas eles podem ser adequadamente dispostos, pois há tecnologia suficiente para isso. Devemos nos lembrar que a França, por exemplo, um país muito pequeno, se comparado ao Brasil, tem cerca de 80% de sua energia proveniente do sistema nuclear.
Concordo que a energia hidrelétrica é uma boa solução para um país rico em rios como o nosso, mas os impedimentos “socioambientais” impostos pelas ONGs de origem estrangeira, em função dos “pobres indiozinhos” e dos lambaris, colocam grandes dificuldades para a construção das barragens. Por icrível que pareça, ao que tudo indica, é mais fácil hoje obter-se uma licença ambiental para a construção de uma usina nuclear do que para uma hidrelétrica. É só não dar bola para o Greenpeace.
Obrigado pelo contato.
Saúde, vida longa e sabedoria.
Husc