“Imperativo Extraterrestre” para antecipar terremotos

Uma das principais façanhas do movimento ambientalista foi a disseminação de uma visão intrinsecamente pessimista sobre as perspectivas de modernização econômica oferecidas pelos processos de industrialização, implementados no pós-guerra por um grande número de países em desenvolvimento. Este fato não foi casual, pois era uma das finalidades para as quais o ambientalismo, como ideologia e linha de ação política, foi criado por círculos do establishment oligárquico anglo-americano, na década de 1960, como demonstrado por numerosas evidências de domínio público. Por isso, desde os seus primórdios, o movimento tem colocado na alça de mira uma série de produtos, tecnologias e projetos de infraestrutura de grande importância para o bem-estar geral das sociedades, entre os quais a energia nuclear, que, nas décadas de 1960-70, era vista como uma das tecnologias mais promissoras para assegurar a eletrificação em larga escala, inclusive, nos países em desenvolvimento.

 

Catastrofismo climático

Outro resultado do ambientalismo foi a imposição de um enfoque alarmista sobre as questões climáticas, com a promoção do maldenominado aquecimento global antropogênico, cuja meta principal é a imposição de inviáveis e injustificáveis restrições ao uso dos combustíveis fósseis – atualmente, responsáveis por mais de 80% da energia primária gerada no planeta. Com isto, além de desviar o foco das reais emergências globais, como as insuficientes infra-estruturas de saneamento básico e energética para grande parte da Humanidade, o catastrofismo climático resultante tem distorcido enormemente o próprio conhecimento da dinâmica climática, que tem sido prejudicado pela insistência em atribuir ao dióxido de carbono (CO2) o papel de fator principal na variação das temperaturas atmosféricas e oceânicas – hipótese oriunda apenas de modelos matemáticos e que não se sustenta em evidências observadas no mundo real.

Com essa obsessão, o catastrofismo climático tem contribuído ativamente para a ossificação da visão reducionista na prática científica, a concepção de que os fenômenos e sistemas complexos podem ser entendidos pela sua redução a subsistemas menores – depois reunidos como peças de um quebracabeças. O problema é que este enfoque, eficiente em aplicações tecnológicas e até no estudo de alguns fenômenos mais simples, é totalmente ineficaz no caso de fenômenos complexos, como o clima e a dinâmica tectônica do planeta, cujo entendimento mais preciso é cada vez mais premente para a Humanidade.

 

Indícios climáticos desprezados

Por conta disso, linhas de pesquisa que se mostram bastante promissoras, como a influência de fenômenos extraterrestres – radiação cósmica, atividade solar etc – nos processos climáticos e geológicos da Terra têm sido subestimadas e até desprezadas pelo grosso da comunidade científica e, consequentemente, contado com recursos humanos e financeiros incomparavelmente inferiores aos dedicados a demonstrar a influência humana no clima do planeta.

Há tempos, têm-se observado uma série de fenômenos que antecedem terremotos de grande magnitude. Entre eles, o comportamento estranho de certos animais, variações bruscas nos níveis da água em poços e lagos, inchamentos do terreno, névoa ou nuvens baixas, luminosidade sobre áreas montanhosas, anomalias magnéticas, emissões eletromagnéticas de baixa frequência, anomalias de temperatura e até mesmo variações na densidade do plasma na ionosfera. A questão é: como correlacionar todos esses fenômenos com os abalos e encontrar uma causa comum para todos eles?

 

Há outras explicações

Como a empreitada desafia a corrente principal das ciências geológicas, que considera os terremotos como fenômenos estritamente mecânicos, decorrentes de liberações súbitas das tensões acumuladas pela deformação das rochas da crosta terrestre, não são muitos os cientistas que se atrevem a trilhar outros caminhos na busca de explicações. Tudo indica que a tarefa requer o abandono do reducionismo prevalecente, para englobar a dinâmica geofísica do planeta em um cenário mais abrangente, que inclua certos fenômenos do espaço exterior. Certas correlações (ou co-variâncias) têm sido observadas entre a atividade solar e as ocorrências de terremotos de certas magnitudes, sugerindo que, de alguma forma, mudanças no ambiente Sol-Terra que afetam o campo magnético do planeta podem deflagrar terremotos em áreas sismicamente ativas.

 

Reações eletromagnéticas

Um cientista que tem estudado o assunto é o Dr. Friedemann T. Freund, do Departamento de Física da Universidade de San José e do Centro de Pesquisas Ames da Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço (NASA). Desde a década de 1980, Freund tem se empenhado em demonstrar que as rochas da crosta, quando submetidas às tensões, passam a atuar como fontes de íons positivos que, ao chegar à superfície, provocam campos elétricos da ordem de centenas ou milhares de volts por centímetro, suficientes para explicar vários dos fenômenos de origem eletromagnética que costumam preceder os terremotos, inclusive o comportamento exótico de certos animais. A intensidade desses campos pode ser suficiente para atrair elétrons da ionosfera, fazendo com que ela se aproxime da superfície terrestre. Como a atividade solar afeta diretamente a ionosfera, ela pode também influenciar indiretamente o “circuito” ionosfera-crosta, contribuindo para deflagrar certos sismos.

Pesquisadores de Taiwan, que monitoraram uma série de terremotos com magnitude 6,0 na Escala Richter ou superior, observaram consideráveis variações nos volumes de elétrons da ionosfera, em períodos de um a seis dias antes dos sismos. Tanto os EUA como a França já colocaram em órbita satélites equipados para monitorar os fenômenos eletromagnéticos e térmicos associados aos terremotos. Recentemente, o Reino Unido e a Rússia anunciaram a intenção de colocar em órbita dois satélites especificamente para essa finalidade.

 

Entendimento “cósmico-holístico”

Todas essas iniciativas se beneficiariam enormemente de uma fração dos recursos humanos e financeiros que têm sido desperdiçados com o inexistente aquecimento global antropogênico.

O entendimento “cósmico-holístico” dos fenômenos geotectônicos se enquadra no contexto do que o que o engenheiro alemão Krafft Ehricke, um dos pioneiros do programa espacial dos EUA, chamava o «Imperativo Extraterrestre» – a missão humana de conquistar o Cosmos. Segundo ele, «ao se expandir pelo Universo, o homem cumpre o seu destino como um elemento da vida, dotado do poder da razão e da sabedoria da lei moral em si próprio».

Essa visão otimista, compartilhada naquele período por grande parte da Humanidade e, em grande medida, neutralizada posteriormente pelo pessimismo intrínseco da contracultura e do ambientalismo, é o que se precisa recuperar, como requisito básico para a superação da presente crise global.

Movimento de Solidariedade Íbero-americana

 

Créditos: este post é matéria apresentada no Boletim Eletrônico MSIa INFORMA, do MSIa – Movimento de Solidariedade Íbero-americana, Vol. II, Nº 44, de 18 de março de 2011. Introduzi subtítulos no texto para facilitar e incentivar a leitura.

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