Mensagem do autor de «Estado de Medo»

«Estado de Medo» é um romance sobre ambientalismo, onde o autor, Michael Crichton (formado em Medicina em Harvard, e autor de vários livros, com mais de 150 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo, dentre os quais «Mundo Perdido» – «Jurassic Park»), mostra como funcionam os bastidores do mundo do ambientalismo radical, com suas maquinações para amedrontar a população, a manipulação de informações, mentiras e, sobretudo, com a criação artificial de catástrofes, que são vistas como naturais, a fim de convencer o mundo de que coisas como o aquecimento global e as grandes catástrofes naturais serão inevitáveis e já estão acontecendo. Catástrofes naturais, tais como terremotos, tsunamis e chuvas torrenciais podem ser produzidos artificialmente, pois já há tecnologia para isso.

O autor, de forma romanceada, também mostra a ingenuidade de indivíduos que defendem o ambientalismo sem qualquer noção do que estão fazendo, só porque ouviram – e acreditaram – no que a mídia, controlada por aqueles mesmos organismos que controlam os movimentos ambientalistas e a imprensa, dizem. As organizações ambientalistas fictícias que o autor apresenta podem ser, facilmente, comparadas e identificadas com as verdadeiras organizações que defendem, radical e impunemente, o ambientalismo catastrofista hoje em dia. Por isso, recomendo ao prezado Visitante Desconhecido, a leitura deste livro, que prende a atenção do leitor do princípio ao fim e o deixa pensando em tudo o que é visto por aí, na televisão, nos jornais etc, sobre aquecimento global, tsunamis, furacões, elevação do nível dos oceanos e outras falácias do gênero, as quais, no fundo, no fundo, só estão aí para deixar a população num “estado de medo” tal que o povo, em desespero, aceite qualquer tipo de imposição restritiva ou punitiva – coisas essas que, certamente, deverão enriquecer muita gente…

Neste artigo, cujo texto é apresentado após o encerramento da narrativa, Crichton apresenta uma série de conclusões sobre seus estudos e reflexões sobre o problema do movimento ambientalista internacional, suas dúvidas, apreensões e advertências – tema que é, obscuramente, defendido pela Ciência (que é, na realidade, negligenciada em função de vontades políticas). O assunto é mal estudado, deturpado e, certamente, mal-intencionado e, ao que parece, só tem como objetivo principal o domínio do planeta e a manutenção do poder. Eis a matéria de Michael Crichton. Os subtítulos foram acrescentados por mim para melhor leitura do texto.

 

 

Mensagem do autor de «Estado de Medo»

Os vários pontos de vista considerados

Um livro como «Estado de Medo», onde são expressos tantos pontos de vista divergentes, pode levar o leitor a se perguntar onde exatamente o autor se situa em todos esses assuntos. Há três anos venho lendo textos sobre o meio ambiente; é uma tarefa arriscada. Porém tive oportunidade de examinar muitos dados e considerar vários pontos de vista.


Sabemos muito pouco sobre o meio ambiente

(1) O que sabemos sobre todos os aspectos do meio ambiente é incrivelmente pouco, desde o passado ao seu estado presente, como conservá-lo e protegê-lo. Em todos os debates, todos os lados exageram a extensão do seu conhecimento e seu grau de certeza.

(2) O dióxido de carbono da atmosfera está aumentando e a atividade humana, provavelmente, é a causa.

(3) Estamos também no meio de uma tendência de aquecimento natural que começou em 1850, quando saímos de uma onda de frio de 400 anos, conhecida como a “Pequena Idade do Gelo”.

(4) Ninguém sabe até que ponto a atual tendência para o aquecimento pode ser um fenômeno natural.

(5) Ninguém sabe até que ponto a atual tendência para o aquecimento pode ser obra do homem.


Não podemos avaliar o futuro

(6) Ninguém sabe quanto de aquecimento ocorrerá no próximo século. Os modelos de computador variam em 400%, urna prova real de que ninguém sabe. Mas se eu tivesse de adivinhar o aumento seria de 0,812436°C. Não há evidências de que minha previsão sobre a condição do universo daqui a 100 anos será melhor ou pior do que outra qualquer.

(7) Não podemos “avaliar” nem “prever” o futuro. Isso tudo é eufemismo. Só podemos supor. Uma suposição informada ainda assim é suposição.

(8) Suspeito que parte do aquecimento observado da superfície será no fim atribuído à atividade humana. Creio que o principal efeito humano advirá do uso da terra e que o componente atmosférico será menor.


O perigo doas informações incompletas

(9) Antes de se tornar decisões políticas dispendiosas com base nos modelos climáticos, creio ser sensato exigir que esses modelos façam previsões exatas das temperaturas futuras por um período de 10 anos; 20 anos seria melhor.

(10) Acho que acreditar em uma iminente escassez de recursos, depois de 200 anos de falsos alarmes, não deixa de ser estranho. Não sei se essa crença hoje deve ser atribuída à ignorância da história, à dogmatismos esclerosados, à um amor doentio a Malthus ou se não passa de simples teimosia, mas é, evidentemente, um comportamento perene no cálculo humano.


Quando pudermos pagar, mudaremos os sistemas energéticos

(11) Há muitas razões para nos afastarmos dos combustíveis fósseis e faremos isso no próximo século sem legislação, incentivos financeiros, programas de conservação do carbono ou a interminável gritaria dos fomentadores do medo. Pelo que sei, ninguém precisou proibir o transporte a cavalo no início do século 20.

(12) Suspeito que o mundo em 2100 será muito mais rico do que o nosso, consumirá muito mais energia, terá uma população global menor e desfrutará mais a natureza do que desfrutamos hoje. Não creio que devamos nos preocupar com ele.


Preocupações excessivas com a segurança

(13) A atual preocupação quase histérica com a segurança é, na melhor das hipóteses, um desperdício de recursos e um retardamento no espírito humano e, na pior, um convite ao totalitarismo. A educação de todos é desesperadamente necessária.


Uma nova forma de imperialismo

(14) Minha conclusão é a de que a maioria dos “princípios” ambientalistas (corno desenvolvimento sustentável ou o princípio precautório) tem o efeito de preservar as vantagens econômicas do Ocidente e desse modo constituir um imperialismo moderno em relação ao mundo em desenvolvimento. É um bom modo de dizer: «Nós temos o nosso e não queremos que vocês tenham o de vocês, porque vocês causam muita poluição».


O “princípio da precaução” é imprudente

(15) O “princípio precautório”, devidamente aplicado, exclui o princípio precautório. Ele contradiz a si mesmo. O princípio precautório, portanto, não pode ser expresso em termos muito rigorosos.


As intrenções podem ser boas mas…

(16) Acredito que as pessoas são bem-intencionadas. Mas temo a influência do corrosivo preconceito, da tendenciosidade, da sistemática distorção do pensamento, do poder da racionalização, dos disfarces dos interesses egoístas e da inevitabilidade das conseqüências não-intencionais.

(17) Tenho mais respeito pelas pessoas que mudam de visão depois de adquirir novas informações do que por aquelas que se aferram à mesma visão que têm há 30 anos. O mundo muda. Ideólogos e fanáticos não.


Os ambientalistas não acreditam na evolução científica

(18) Nos 35 anos de existência do movimento ambientalista, a ciência passou por urna importante revolução. Essa revolução trouxe uma nova compreensão da dinâmica não-linear, dos sistemas complexos, da teoria do caos, e da teoria da catástrofe. Transformou nossa visão sobre a evolução e a ecologia. Mesmo assim essas idéias, nem tão novas, não conseguiram entrar na cabeça dos ambientalistas, que parecem estranhamente fixados nos conceitos e na retórica dos anos 1970.

(19) Não temos a menor idéia de como preservar o que chamamos de “natureza intocada” e acho melhor estudá-la em campo e aprender. Não vejo evidências de que estamos conduzindo essa pesquisa de modo sistemático, humilde e racional. Portanto, tenho pouca esperança na administração da natureza intocada no século 21. Culpo as organizações ambientalistas tanto quanto os construtores e os mineradores. Não há diferença nos resultados entre cobiça e incompetência.


Precisamos de um novo movimento ecológico

(20) Precisamos de um novo movimento ambientalista com novos objetivos e novas organizações. Precisamos de mais gente fazendo trabalho de campo, no meio ambiente real e menos na frente das telas dos computadores. Precisamos de mais cientistas e muito menos advogados.

(21) Não podemos esperar que a gestão de um sistema tão complexo quanto o meio ambiente seja feita por meio de litígios. Dessa forma só podemos mudar suas condições temporariamente – em geral evitando alguma coisa – com resultados que não podemos prever, nem controlar.

(22) Nada é mais inerentemente político do que o ambiente físico que compartilhamos e nada é pior servido pela adesão a um único partido político. Precisamente por ser compartilhado, o ambiente não pode ser administrado por uma facção, de acordo com suas preferências econômicas ou estéticas. Mais cedo ou mais tarde, a facção rival estará no poder e as diretrizes do governo anterior serão invertidas. Uma gestão estável do meio ambiente exige o reconhecimento de que todas as preferências têm seu lugar: usuários de jet-ski e pescadores, motociclistas e pedestres, construtores e preservacionistas. Essas preferências são singulares e sua incompatibilidade não pode ser evitada. Mas resolver objetivos incompatíveis é a verdadeira função da política.


Para quem trabalham certos cientistas?

(23) Precisamos – desesperadamente – de um mecanismo apartidário e de patrocínio anônimo para a realização de pesquisas, para determinar políticas apropriadas. Os cientistas de hoje sabem muito bem para quem trabalham. Quem financia as pesquisas – seja uma empresa farmacêutica, uma agência governamental ou uma organização ambientalista – sempre tem em mente um determinado resultado. A pesquisa patrocinada quase nunca tem um objetivo aberto ou é feito com a mente aberta. Os cientistas sabem que a continuação do patrocínio depende de resultados concordantes com os desejos dos patrocinadores. Sendo assim, os “estudos” das organizações ambientalistas são tão parciais e suspeitos quanto os das indústrias. Os “estudos” do governo também são parciais de acordo com quem dirige o departamento ou o governo no momento. Nenhum lado deveria ter passe livre.


Vivemos num mundo muito dogmático

(24) Estou certo de que há certezas demais no mundo. (25) Particularmente, tenho um prazer profundo de estar em contato com a natureza. Meus dias mais felizes a cada ano são os que passo em ambientes naturais. Eu gostaria que eles fossem preservados para as gerações futuras. Não acho que serão preservados em quantidade suficiente, ou com suficiente habilidade. Chego à conclusão de que os “exploradores do meio ambiente” são as organizações ambientalistas, as governamentais e as grandes empresas. Todas têm um histórico de ação desanimador.

Todos têm uma agenda. Menos eu.

Michael Crichton

O livro a ler é: «Estado de Medo», romance de Michael Crichton (Editora Rocco Ltda., RJ).

Imagens: Husc

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