MST – Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra

Uma vertente da ameaça que paira sobre a região da hidrovia Araguaia-Tocantins/Amazônia-Cerrado, envolve o MST. São conhecidos os graves problemas fundiários da região, cuja notoriedade internacional aumentou ainda mais no início de 1996, após o trágico incidente de Eldorado de Carajás (no Pará, onde 19 sem-terras foram mortos num confronto com a Polícia Militar – que tentava liberar a rodovia bloqueada pelos militantes do MST) e, dois anos depois, pelo acirramento das ações do MST em Parauapebas (também no Pará). Nessa última ocasião, a “guerra civil de baixa intensidade” pretendida pelo MST só não prosperou graças à rápida mobilização do Exército Brasileiro, que deslocou tropas para a região. Em maio/1996, igualmente, tropas do Exército já haviam ocupado as instalações da Usina Hidroelétrica de Tucuruí, que havia sido ameaçada de ser sitiada e invadida por hostes do MST.

 

Intenções malévolas

O modus operandi e as intenções das lideranças do MST na região podem ser percebidos num pouco divulgado incidente, ocorrido meses antes da tragédia de Eldorado de Carajás. Em 16/11/1995, manifestantes do MST que se dirigiram à fazenda Macaxeira – a mesma de onde saíram as vítimas do incidente posterior – impediram a passagem de um comboio do Batalhão de Infantaria da Selva na rodovia PA-150. Após horas de tensas negociações, durante as quais os soldados chegaram a apontar metralhadoras pesadas contra o grupo, os manifestantes liberaram o caminho, mas foram repreendidos por Márcio Lima, dirigente do MST: «Companheiros, se eles fizessem um massacre seria melhor para mostrar ao mundo inteiro a causa dos sem-terra!» Se lideranças imbuídas de tais propósitos estiveram presentes em Eldorado dos Carajás, a tragédia assume uma conotação diferente das dos relatos de “massacre” trombeteados pelas ONGs de “direitos humanos” e pela mídia conivente.

 

Interesses anglo-americanos

No século passado (S20), nosso continente sofreu um período de contínua desestabilização por meio de guerras civis, golpes de estado, invasões e outros processo violentos. Essa foi a forma pela qual o Império Britânico dominou a Íbero-América, com a ciência política de Thomas Hobbes, segundo a qual os poderes coloniais só podem sobreviver quando as nações subjugadas, ou em vias de sê-lo, são submetidas à permanente instabilidade. Hoje, como no século passado, os interesses britânicos regressaram para cá.

O ataque britânico está em marcha em todas as frentes: está se apoderando de bancos e minas, estatais estratégicas, redesenhando as fronteiras nacionais, e mobilizando hordas jacobinas de narcoterroristas, para destruir todos os aspectos da vida institucional nacional da região.

No Brasil, ao mesmo tempo em que interesses do Império Britânico se apoderam da economia do país, entidades a seu serviço controlam o MST, o melhor instrumento com que contam para desmembrar o país. O reconhecimento, feito pelo lider do MST, Gilmar Mauro, de que sua organização está promovendo uma «guerra civil de baixa intensidade» em vários pontos do país, revela o propósito de encetar uma nova fase de ações ofensivas.

Essa nova ofensiva do MST (como foi determinado no 4º Encontro Nacional do MST, Brasília, janeiro/1999), não é uma decisão soberana da cúpula dirigente local, mas o cumprimento das ordens de marcha recebidas de seus controladores externos – como seu congênere mexicano, o EZLN – Exército Zapatista de Libertação Nacional. Os dois movimentos, clones quase perfeitos, foram criados no laboratório de “engenharia social” da monarquia britânica, cujo objetivo maior é o desmembramento dos Estados Nacionais soberanos.

 

Uma guerra civil separatista

A guerra irregular, como forma de ação, foi importada pelo próprio Gilmar Mauro do EZLN mexicano, a partir do encontro de La Trinidad, promovido pelos “zapatistas” em 1996. Desde então, a coordenação entre os grupos tem sido efetivada por meio de canais organizados dentro do Fôro de São Paulo, do qual ambos são membros. Entretanto, a coordenação mais importante é feita por intermédio de organismos e representantes pessoais do establishment anglo-americano-francês. Um deles é a viúva do falecido presidente francês François Mitterrand, Danielle Mitterrand.

Estes círculos oligárquicos têm uma idéia fixa a respeito de suas iniciativas colonialistas quanto às nações em desenvolvimento: a destruição dos Estados Nacionais soberanos e a criação de “enclaves étnicos”, dentro do esquema geral de formação de um “governo mundial” oligárquico, o qual mobiliza uma vasta rede de ONGs.

Embora o MST tenha intensificado suas ações por todo o país, está claro que sua liderança selecionou algumas regiões estratégicas para tentar criar os enclaves, ou, “zonas liberadas”. O próprio Gilmar Mauro, após voltar do México, afirmou que seu sonho era criar uma “república” do MST no Pontal do Paranapanema. Fontes ligadas aos serviços de inteligência militar do Brasil, apontavam a região do sul do Pará como uma provável “zona livre”, selecionada pela cúpula do MST.

 

As áreas selecionadas eram:

① Rio Grande do Sul – mormente a zona de fronteira;

② Pontal do Paranapanema – englobando parte dos Estados de São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul, área onde é gerada quase a metade da energia elétrica do país, abrangendo a hidrovia Tietê-Paraná;

③ Estado do Pará – zona compreendida por um raio de 200 km em torno do complexo mineiro de Carajás, escolhida por possuir certas características “africanas”, como riquezas minerais, florestas e uma população paupérrima, facilmente manipulável devido à sua marginalização do processo civilizatório. Isso foi criado sob a matriz cultural cristã ocidental – admite um dos líderes do MST na região do Pará, o bispo Dom Pedro Casaldáliga (que é uma das conexões com o EZLN – Exército Zapatista de Libertação Nacional, em íntima colaboração com o bispo Dom Samuel Ruiz, o verdadeiro comandante do “zapatismo” mexicano).

 

Manutenção financeira estrangeira

Praticamente, desde a fundação oficial do MST, a monarquia britânica tem presenteado o movimento com ajuda financeira, ao mesmo tempo em que se converteu, por meio de várias de suas fundações, na principal patrocinadora da imagem internacional do MST, fornecendo-lhe um disfarce de genuíno movimento em prol da justiça social. A relação do MST com a Casa de Windsor se realiza, principalmente, por intermédio de dois canais: o CMI – Conselho Mundial de Igrejas, e o DFID – Departamento do Desenvolvimento para o Gabinete Internacional, o antigo “Colonial”, que centralizou o apoio britânico aos líderes responsáveis pelo genocídio em curso na África Central.

 

O início: as igrejas

O MST foi oficialmente fundado em 1984, pela CPT – Comissão Pastoral da Terra. Esta, por sua vez, deve sua criação a outra entidade que nasceu no Brasil nos anos 1970, graças ao apoio que recebeu do CMI – Conselho Mundial de Igrejas, a Comissão de Justiça e Paz, agora controlada pelo ex-arcebispo de São Paulo, cardeal Dom Paulo Evaristo Arns. Atualmente, as principais figuras da CPT – Comissão Pastoral da Terra se converteram de fato nos verdadeiros comandantes do MST, como os bispos Tomás Balduíno e Pedro Casaldáliga.

A CPT – Comissão Pastoral da Terra foi fundada em Goiânia, em abril/1975; atualmente faz parte da organização Pax Christi, sediada na Bélgica, uma ONG com ativo trabalho na Colômbia, onde intermediou vários sequestros perpetrados pela narcoguerrilha das FARC – Forças Armadas revolucionárias da Colômbia.

Agosto/1997 – Diolinda Alves de Souza, alta dirigente do MST viajou à Europa para evitar a prisão de seu marido José Rainha – considerado o líder militar maoísta do movimento (que fora condenado a 26 anos de prisão por sua suposta participação em dois assassinatos). Sua viagem foi patrocinada pela CA – Christian Aid, organização filantrópica oficial das 40 igrejas da Inglaterra e Irlanda, encabeçada pela Igreja Anglicana e cujo chefe superior é a própria rainha Elizabeth II.

 

O patrocínio de ONGs estrangeiras

A Christian Aid tem financiado o MST desde 1986 e não lhe tem negado apoio político em momentos cruciais. Em abril/1996, após o sangrento confronto com a Polícia Militar provocado pelo MST em Eldorado de Carajás (PA), o diretor do Projeto Brasil da Christian Aid, Domingos Armani, não perdeu tempo em jogar lenha na fogueira, afirmando publicamente: «O massacre é o resultado direto da falta de reforma agrária.»

Além da CA – Christian Aid, a viagem de Diolinda teve patrocínio de várias ONGs, como os Amigos da Terra e a Oxfam … Na França, Diolinda foi recebida por Danielle Mitterrand. Na realidade, esta foi a “madrinha” do casamento do MST com o EZLN – Exército Zapatista de Libertação Nacional mexicano, consagrado durante o encontro de La Trinidad, em junho/1996.

Além da antiga relação com a Christian Aid, o MST desenvolve laços com:

ⓐ RLF – Right Livelihood Foundation (que, dentre outras coisas, patrocinou as pesquisas do líder do MST, João Pedro Stédile, para seu livro «A Luta pela Terra no Brasil»;

ⓑ ASI – Anti-Slavery International (criada em 1787 por famílias oligarcas da Inglaterra, como os Buxton; o atual Lorde Buxton é um dos vice-presidentes do WWF – World Wilde Fund for Nature;

ⓒ a Casa Real da Bélgica, que outorgou em 1997 o Prêmio Internacional Rei Balduíno ao MST, e que também foi conferido ao falecido pedagogo Paulo Freire, que foi um dos principais ideólogos do MST.

 

A orientação de Paulo Freire

O verdadeiro domínio exercido pelos britânicos sobre o MST se coloca mais no reino das idéias do que no dinheiro de prêmios concedidos. Vejamos o exemplo de um dos ideólogos principais do movimento, o falecido pedagogo Paulo Freire, cujo método de alfabetização é usado como “bíblia” nos acampamentos do MST e cujas doutrinas já estão produzindo a primeira colheita de jovens líderes formados nos acampamentos.

Com o advento do regime militar de 1964, Freire foi expulso do Brasil e foi para o Chile, onde escreveu seu famoso livro «A pedagogia do oprimido» – autêntico manual de recrutamento de hordas jacobinas por meio do “mentecídio” (assassinato da mente), do mesmo gênero de «Os Condenados da Terra», de Franz Fanon.

Em 1970, Freire foi nomeado assessor especial do CMI – Conselho Mundial de Igrejas, para o qual trabalhou até seus últimos anos. O CMI o despachou para a África, para trabalhar com vários movimentos terroristas. Em 1970-1971, Freire esteve na Universidade de Dar-es-Salaam, na Tanzânia, elogiado por ter «enriquecido a teoria de Fanon e produzido inovações». Em sua colaboração: « …há argumentos poderosos em prol de uma nova guerrilha, armada somente com técnicas de ensino e aprendizagem expostas por pedagogos como Freire» – declarou Museveni [presidente de Uganda].

De Dar-es-Salaam, Freire foi trabalhar com os líderes da FRELIMO – Frente de Libertação de Moçambique. Em Guiné-Bissau, elaborou o programa educacional do país. Com sua experiência africana – onde ensaiou, fundamentalmente, a idéia de segregar grupos populacionais, para depois opô-las a tudo que represente progresso – pois este simbolizaria o «agressor colonial europeu» – Freire regressou ao Brasil.

 

O que é a Universidade Dar-es-Salaam

A Universidade Dar-es-Salaam foi criada em 1970 por Julius Nyerere, presidente da Tanzânia desde sua indeperdência em 1964, quando renunciou. Foi também reitor da Universidade entre 1970 e 1985. Nyerere ficou famoso nos anos 1960 por sua doutrina ujamaa, às vezes chamada “socialismo africano” (ou “grande família”). As granjas ujamaa não deram certo e a produção agrícola do país caiu à metade. [...] Em 1985, quase 85% dos camponeses haviam abandonado as granjas ujamaa.

O currículo da Faculdade de Ciências Políticas de Dar-es-Salaam exigia que o estudante dominasse três autores: Karl Marx, Lênin e Franz Fanon, este último defensor da “violência purgante” – «A violência é uma força que limpa … libera o nativo do seu complexo de inferioridade … retira-lhe o medo e lhe devolve a auto-estima» (Fanon). Fanon graduou-se em medicina na Universidade de Lyon (França), onde se converteu um estudioso da filosofia existencialista, em particular Martin Heidegger, Nitzsche, Karl Jaspers e Jean-Paul Sartre. Este último escreveu a introdução à obra mais famosa de Fanon, «Os Condenados da Terra».

Fanon serviu como agente de serviços de inteligência britânico e francês para a África, sobretudo nos meios intelectuais que perpetuaram a idéia racista da “cultura negra”. Fanon foi de fato atraído para o projeto de etnologia da inteligência britânica, do qual Sartre foi o maior expoente público. Fanon foi recrutado como membro da divisão de guerra psicológica do Instituto Tavistock de Londres, encarregado de fabricar os novos “paradigmas culturais” da chamada “Nova Era”, que iniciaram com a contracultura dos anos 1960. A ecologia, o feminismo, o indigenismo e as reivindicações das chamadas “minorias” são parte integrante desse projeto de guerra psicológica para minar as bases da cultura cristã ocidental.

«Fanon advoga a violência a fim de realizar a descolonização total e autêntica … A descolonização que demonstra mudança na ordem do mundo é, obviamente, um programa de completa desordem» – comentou o sanguinário Yoweri Museveni, de Uganda, um dos educados em Dar-es-Salaam.

 

Leonardo Boff, frei Beto e Casaldáliga

Junto com Paulo Freire, o outro elemento que contribuiu para a criação da ideologia [...] da adoração irracional da “Mãe-Terra”, professada pelo MST, é a Teologia da Libertação, com suas raízes intelectuais no existencialismo do filósofo pró-nazista Martin Heidegger, com seus gurus Leonardo Boff, Frei Beto e o próprio Dom Pedro Casaldáliga.

Dom Pedro Casaldáliga, famoso por suas conexões com o sandinismo nicaragüense, o EZLN – Exército Zapatista de Libertação Nacional, e Fidel Castro, á atualmente um dos dirigentes da rede de informações Koinonia, com sede na Nicarágua. No Brasil, a rede é representada pela revista Tempo e Presença – órgão oficioso de divulgação do CMI – Conselho Mundial de Igrejas, e anteriormente, a revista oficial do CEDI – Centro Ecumênico de Documentação.

Casaldáliga Chegou ao Brasil em 1968, tendo em mente repetir o modelo de insurreição que começara na África nos anos 1960, onde viveu na Guiné Espanhola. Ele tinha a decisão estratégica de vir para o Brasil e instalar-se no sertão do Centro-Oeste. [...] Declarou ele, quando no Araguaia: «Curioso que, quando veio a repressão forte, nós estávamos usando o método Paulo Freire, das palavras-chave. E a primeira palavra-chave era “mata”, por causa da procura e porque são sílabas simples, diretas. Mas para a repressão era uma intenção subliminar: “Mata, mata, mata”». E adiante: «… aplicávamos o método de alfabetização Paulo Freire … Através do método Paulo Freire, em três meses alfabetizamos e conhecemos o povo … Naquela época, na América Latina, já se sabia que a conscientização é o primeiro passo. A educação formal e informal, por isso partimos para o método Paulo Freire».

 

Um culto à “Mãe-Terra” (Gaia)

Para o MST e a CPT – Comissão Pastoral da Terra, a explicação de seu triunfo insurrecional está na capacidade de difundir o culto à Mãe-Terra ou Gaia: conseguir «espiritualizar a Terra», considerando que esta «é um mistério» no sentido religioso, e «liberar a Terra e criar um espaço vazio para que Deus atue neste mundo». [...] Este aparato celebra os ritos de doutrinação, nos quais encontra justificativa para atos de violência. Esta é também a raiz conceitual que une o MST aos movimentos indigenista e ambientalista internacionais, com sua visão irracional da Natureza.

Leonardo Boff assim sintetiza esta idéia: «A nossa Mãe-Terra é a pátria amada, que é a visão dos povos originais, a visão do camponês … a terra é paisagem, a terra fala, a terra é também nós mesmos, o ser humano!»

Essa é a estrutura de crenças que move os principais líderes visíveis do MST, como João Pedro Stédile, José Rainha, Gilmar Mauro etc. Todos eles estão fanaticamente apegados à idéia de extirpar do Brasil as marcas da civilização cristã ocidental, como se vê em um dos hinos do movimento, o qual promete apagar do continente o «farol de esperança» aceso por Cristóvão Colombo.

 

A filosofia  de Antonio Negri: as multidões

No Brasil, além do movimento indigenista – que está forçando a criação das grandes reservas indígenas e fomentando levantes como o dos índios guaranis-caiovás em Mato Grosso do Sul – o MST se apresenta como outro protagonista portador da semente transfronteiriça apegada às elocubrações do pró-terrorista Antonio Negri. Sempre visando a novos ângulos para intervenções em lugares estratégicos, se interpondo como uma cunha na diplomacia da integração física da América do Sul, o MST segue de vento em popa com suas ações para ajudar a consolidar movimentos similares em nações fronteiriças com o Brasil, como a Bolívia, o Paraguai e a Argentina, criando condições para converter conflitos locais em causas internacionais.

Segundo a formulação do filósofo-terrorista italiano Antonio Negri, em seu livro «Império» (escrito em parceiria com o sociólogo estadunidense Michael Hardt), os autores concedem às “multidões” o papel de novos protagonistas na reformulação do poder e da própria geografia mundial que surgirá após a destruição dos Estados nacionais, seja pela via de pretensos movimentos de autonomia ou por outras formas de secessionismo. [...] Os autores definem o que chamam de “multidões”, como a nova classe portadora da luta global. Desde então, tais idéias começaram a circular em todo o mundo, convertendo-se na nova categoria incendiária que alimenta os ânimos do movimento insurrecional “anti-globalização”.

Em «Império», os autores assim justificam os movimentos transfronteiriços: «A constituição da multidão aparece primeiro como um movimento espacial que a constitui em lugar limitado… Movimento autônomo é o que define o lugar próprio da multidão. Cada vez menos os passaportes e documentos legais serão capazes de regular nossos movimentos através das fronteiras. Uma nova geografia e novos rios e portos… As cidades da Terra se tornarão de imediato grandes depósitos de humanidade cooperativa e locomotivas para a circulação, residências temporárias e redes de distribuição em massa de ativos humanos».

Em meados de 2003, Antonio Negri veio ao Brasil para divulgar uma reelaboração de sua obra, com o lançamento do livro «Multidões». Como afirmou, a multidão «não é o povo que cresce no Estado-nação, mas aquele movimento que “gera poder” e cuja raiva o pode conduzir a “querer apoderar-se dos bens comuns”». Em realidade, a motivação por trás dessas ideias é deflagrar uma versão moderna do movimento jacobino, que se mobilize por demandas que despertem, facilmente, a simpatia global, como a democracia, proteção ao meio ambiente, indigenismo, direitos humanos, minorias, desarmamento e outras.

Depois de citar como exemplo de experimentos democráticos a organização interna do favorito da chamada “resistência antiglobalista”, o EZLN mexicano e as prefeituras de Belém (PA) e Porto Alegre (RS), então administradas pelo PT, Hardt conclui: «Não podemos ainda vislumbrar que instituições poderão ser adequadas para a democracia global, mas experimentos como esses começam a iluminar o caminho que deve ser trilhado à frente».

«O Estado-nação foi uma infâmia.» – esta frase, extraída de «Império», reflete a obsessão de Negri e Hardt. O argumento é de que a comunidade de Estados nacionais criada a partir dos acordos de paz de Westfalia, que puseram fim à sangrenta Guerra dos Trinta Anos na Europa [uma guerra de cunho religioso], está destruída. Essa tese também é compartilhada pelo ex-secretário-de-Estado Henry Kissinger e pelos novos ideólogos do movimento indigenista internacional.

Negri sustenta que, após os ataques de 11/setembro/2001, o mundo passou da “globalização” à criação de um império (ou seja, os EUA), que busca, por meios militares, delimitar a sua soberania. [...] «Os conflitos armados não serão concebíveis de maneira tradicional, como choques entre entidades soberanas: estes devem ser considerados, mais propriamente, como guerras civis no interior do império. A guerra civil torna-se condição normal dentro do império e serve como dispositivo para a definição e a posição hierárquica dos sujeitos. No império, nos encontramos, portanto, em um estado interminável de guerra».

Com tal formulação, Negri et alii se mostram em concordância não apenas com Kissinger, mas também com o mestre dos belicistas que controlavam o governo de George W. Bush, o falecido filósofo político Leo Strauss, que também pregava um estado de conflito permanente como condição ideal para impedir a perda de vigor por parte da civilização.

Com essa lógica absurda e quase surrealista, Antonio Negri apaga, de um único golpe, as nações soberanas. Desse modo, qualquer proposição organizada à globalização se torna impossível ou impotente, não restando ao mundo outra alternativa senão a submissão ao “império” – ou a revoltas suicidas. Por exemplo, para esses “globalizados”, a resistência oposta à invasão do Iraque, encabeçada pela Rússia, Alemanha, França e China, seria, simplesmente, descrita como o antecedente de uma «guerra civil intra-imperial».

Ainda pior é que, em tal concepção, as “multidões” – ou as massas de manobra que crescem alimentadas pela miséria provocada pelo globalismo – se convertem no fator de revolta permanente que destruirá as nações, deflagrando ondas de sangrentas convulsões sociais até que se consiga destruir ou inviabilizar os Estados nacionais. Essas são as “multidões”.

 

Mais apoios internacionais num movimento continental

Em entrevista de 14/09/2004, Juana Chambi, dirigente do MST boliviano, além de se ufanar de sua organização ter crescido segundo o modelo do MST brasileiro, afirmou: «O MST do Brasil tem projetos de desenvolvimento em plena execução e conta com o apoio de organizações internacionais». [...] Segundo ela, o MST boliviano, criado havia quatro anos, tinha 5.000 filiados diretos e 20.000 indiretos [na ocasião da edição deste livro].

Na Bolívia, essa “transnacionalização” dos sem-terras está sendo apoiada pela ONG suíça E-Change, e também conta com recursos do próprio governo suíço e da Ação Quaresma, organização dos bispos do país. A E-Change envia voluntários suíços a diversos países da África e da América Latina. Em setembro/2004, havia 33 deles na Bolívia e 50 no Brasil. Aqui, seus principais associados são o MST, a Associação Brasileira de ONGs (ABONG) e a Central de Movimentos Populares (CMP), fundada pelo teólogo da libertação, frei Beto, ideólogo do MST.

Com tais apoios, o MST brasileiro se firma como o eixo orientador de uma consistente organização camponesa internacional, que se move dentro dos parâmetros delineados por um dos ideólogos do Fórum Social Mundial (FSM), o filósofo-terrorista italiano Antonio Negri.

 

Contra a modernização

Igualmente grave é o fato de que essa nova “internacional camponesa”, que se aglutina em torno da chamada Via Campesina, se rege segundo uma perspectiva “neoludita” [ludita = membro do grupo de operários ingleses que, no S19, destruíram máquinas industriais, temendo o desemprego; indivíduo que se opõe à industrialização intensa ou a novas tecnologias], rechaçando o uso de técnicas modernas na agricultura e, em geral, se opondo ao progresso científico.

No Paraguai, a Mesa Coordenadora de Organizações Campesinas (MCNOC), ligada ao MST brasileiro, começou a se destacar por suas ações. «Vamos invadir extensas áreas em San Pedro, para as ocupar pacificamente. A invasão é o único caminho que nos resta, porque as pessoas pobres necessitam plantar para viver. Essas propriedades, que pertencem a empresários brasileiros, são ociosas e certamente destinadas à plantação de soja». Assim declarou seu dirigente, Elvio Bentez ao jornal uruguaio El País (em 16/08/2004).

O poder atingido pelo MST é exemplo para várias manifestações de revolta social produzidas no continente, devido às penosas condições de miséria que afetam grande parte da população. Uma delas é a dos “piqueteiros” argentinos (considerados pelo próprio Negri como parte de suas “multidões”). Segundo a Folha de São Paulo (13/09/2004), as relações internacionais dos “piqueteiros” incluem uma cooperação com o MST brasileiro, o Movimento Aimara boliviano, a Federação Nacional de Campesinos do Paraguai e grupos mexicanos.

Bom exemplo da maneira como os centros intelectuais colonialistas vêem tais movimentos, é um artigo publicado na Folha de São Paulo (01/04/2001), da autoria de Michel Lowry, da Escola de Altos Estudos da Sorbonne, que rotula o MST e o “zapatismo” como verdadeiros representantes de uma revolução «campesina arcaica» contra a modernidade. Lowry classifica os movimentos campesinos de resistência como «milenaristas primitivos», e como exemplos históricos de «protestos antimodernos (anti-capitalistas)». O principal caso de estudo foi a revolta dos trabalhadores agrícolas ingleses de 1830, os chamados “luditas”, «um movimento de protestos de massas que utilizou métodos arcaicos – incêndios e destruição de máquinas». E: «…citaria dois exemplos: o Exército Zapatista de Libertação Nacional de Chiapas e o MST do Brasil. Ambos são movimentos campesinos de protesto contra a modernização capitalista, ambos possuem componentes milenaristas que se aproximam dos fenômenos estudados pelo historiador inglês (Eric Hobsbaum). O EZLN nasceu da fusão do “guevarismo”, (…) com a revolta arcaica de comunidades indígenas maias e com o messianismo cristão das comunidades de base… Quanto ao MST, que tem suas raízes socioculturais na Pastoral da Terra da Igreja Católica, nas comunidades de base e na Teologia da Libertação, também se caracteriza por uma mescla espantosa de religiosidade popular, revolta campesina arcaica e uma organização moderna na luta radical pela reforma agrária».

 

A ideia é incrementar os conflitos pela posse da terra

Sob essa perspectiva, deve-se ressaltar a experiência da atual presidenta do ISA, a antropóloga Neidi Esterci, oriunda, precisamente, da Escola de Altos Estudos Sociais da Sorbonne, que foi, anteriormente, coordenadora do programa Movimento Camponês do CEDI. Em sua vida acadêmica destacam-se trabalhos-chave para justificar e deflagrar diferentes modalidades de conflitos pela terra.

Ao final da década de 1980, com o apoio da Fundação Ford, Neidi Esterci dirigiu vários trabalhos de campo sobre a reforma agrária, os quais incluíram o envio de muitos jovens aos países onde foram implantados os modelos que, hoje, a oligarquia internacional está empregando para a “africanização” do Brasil, como em Moçambique e no Peru. Com essa experiência de campo, ela repetiu o que os especialistas da Sorbonne pregam ainda hoje, ao atribuir aos camponeses e à luta pela terra, características revolucionárias de primeira ordem. [...] Sua trajetória é um caso típico dos membros que integram o exército de antropólogos que invadiu a Íbero-América e cujas mentes foram colonizadas pela metrópole, convertendo-se em “quintas colunas” convictos do poder anglo-americano.

«A Máfia Verde – O Ambientalismo a Serviço do Governo Mundial» e «Máfia Verde II – Ambientalismo – Novo Colonialismo»

Créditos: este post é matéria apresentada nos livros «A Máfia Verde – O Ambientalismo a Serviço do Governo Mundial», e «A Máfia Verde II – Ambientalismo – Novo Colonialismo», em capítulo específico destinado a apresentação das principais ONGs ambientalistas/indigenistas que atuam, de alguma forma, no Brasil e em diversas outras partes dos referidos livros. Eventualmente, introduzo subtítulos no texto para facilitar e incentivar a leitura.

Os livros a ler são: «A Máfia Verde – O Ambientalismo a Serviço do Governo Mundial» e «A Máfia Verde II – Ambientalismo – Novo Colonialismo» (ambos publicados pela Capax Dei Editora).

Para saber mais sobre o tema, visitar os sites da MSIa/Capax Dei:

http://www.alerta.inf.br/ e http://www.msia.org.br/

Imagem: josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br.

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Comentários

7 Comentários em “MST – Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra”
  1. Fernando disse:

    Lendo varias materias do web-site me pareceu um pouco que baseia-se somente em criticas e teorias sem muita analize geral, uma tendencia de ir contra todo tipo de movimento que nao seja ligado ao governo e nenhuma tentativa de apresentar alternativas e projetos que sao serios, se eh que existe algum no seu ponto de visto, o que parece que nao.
    Qual seria o caminho? Entregar na mao do governo e de empresarios que evidendemente fazem um pessimo servico? Nao fazer nada? Continuar com a ideia capitalista e de recursos eternos, exploratoria que vem se mostrando cada vez mais sem logica?
    Tem alguma materia que colabore com alguma ideia ou solucao aqui nesse site? Se sim, poderia passar o link por favor.
    Obrigado!

    • husc disse:

      Sr. Fernando:
      Obrigado pelo contato.
      Se o Sr. realmente pesquisou no site deve ter visto várias sugestões de soluções implícitas nos posts. Continue lendo.
      Quanto ao MST, será que o caminho das irregularidades, dos litígios, das apropriações ilegais e belicistas, as invasões, depredações, e até crimes, pelos quais alguns dos dirigentes do movimento estão sendo processados etc – seriam os caminhos para qualquer tipo de reivindicação? Agir na ilegalidade e clandestinidade é admissível? Se o Sr. tiver alguma alternativa de utilização para o MST, dentro da legalidade, poderia me passar o link, por favor?
      Vida longa, prosperidade e sabedoria.
      Husc

      • caio disse:

        É interessante a pergunta feita.Realmente uma reindivicação precisa de invasões e de apropriações ilegais?

        Por outro lado,a Constituição determina a desapropriação das propriedades improdutivas.Mas não o faz(por conta da pressão dos latifundiários no sistema jurídico).
        Por conta da falta de iniciativa,o governo e o proprietário de terra que estão na ilegalidade,e a ocupação de uma fazenda improdutiva visa garantir a aplicação da lei,e não o contrário.

        Não esquecendo que a justiça sempre está do lado da classe dominante.Cito o caso do Plano Nacional de Reforma Agrária,feito em 1985,com o objetivo de assentar,num prazo de 15 anos,7 dos 10,5 milhões de sem terra.Por conta desse plano,os grandes proprietários de terra se reuniram para impedir,por meio de lobby,a realização do projeto.
        No final,apenas 6% do total de familias foi assentado.

        Então a definição de justiça se torna no minimo controversa,quando o orgão responsável por perpetrar as leis é controlado por uma poderosa minoria.Afinal,o MST luta por um objetivo que é contrario a essa minoria.Consequentemente suas ações seriam dadas como ilegais.

        • Husc disse:

          Caio:
          O Poder Público, de uma forma geral, principalmente as polícias, serve, praticamente, para defender o patrimônio. Os que não têm nada são considerados a parcela “perigosa” da população, e por isso são os mais perseguidos e presos. A analogia serve para as sociedades/países. Os países chamados hoje de “periféricos”, antes, os do Terceiro Mundo – mormente os da África – são a parte “perigosa” do mundo, consumindo o que os dos países ditos “centrais” acham que pertence a eles. Daí o ambientalismo, que tenta inibir o crescimento das nações “periféricas” a fim de que elas não consumam…
          Saudações.
          Husc

        • Husc disse:

          Caio:
          Tradicionalmente, o Estado (em todos os países) trabalha para proteger o patrimônio (público e privado) – e o patrimônio não é coisa comum a todos. A polícia é uma organização que defende o patrimônio das classes que o possuem, e não dos sem-terra e similares, que não têm nada. No entanto, reivindicar terras não pode se dar com ações ilegais. Não se pode invadir terras à esmo. Isso é crime. O que se tem que fazer é pressionar o Poder Público para que este – este sim – promova uma reforma agrária de forma legal. O MST não devia se rebelar contra os latifundiários, mas pressionar o Estado para promover as reformas sociais necessárias aos menos favorecidos.
          Se o governo apoia um regime político-econômico (o capitalismo) que privilegia os mais ricos – ou seja, um regime excludente – tem que tomar conta dos excluídos. O Estado, portanto, tem que tomar conta dos mais pobres, promovendo a reforma agrária, acabando com a miséria, a pobreza, a fome. O Estado tem que fazer essas coisas. É sua obrigação, por sua opção socioeconômica. Não adianta esperar que outras parcelas da sociedade o façam. Não vão fazer. Esse negócio de “criança esperança” é uma falácia, não adianta praticamente nada, só serve para que as pessoas, a fim de se sentirem aliviadas de seus remorsos por contribuir para a miséria da maioria, se sintam, aparentemente, melhor…
          Saudações
          Husc

  2. silvana disse:

    Amei o tarbalho de vocês sou uma discípula de Paulo Freire. Como devo fazer para agendar uma visita a essa ONG? Sou de Paulista – PE

    • husc disse:

      D. Silvana:
      Obrigado por ter gostado de meu trabalho. Estou fazendo a minha parte em defesa do nosso Brasil.
      Não entendi bem quando a Sra. disse que é discípula de Paulo Freire. Tenho a impressão de que a Sra. não sabe bem quem foi ele, o que ele andou fazendo pelo mundo e aqui no Brasil. O chamado “método Paulo Freire” de educação é, antes de tudo, um sistema de lavagem cerebral, embora, de fato, seja eficiente quando à educação em si. Em breve colocarei neste blog algumas “coisinhas” sobre o educador. Aguarde.
      Não sei como entrar em contato com essa ONG, que presumo seo o MST, não? Sugiro cuidado. Grande parte das atividades do MST não são lícitas, tanto que alguns de seus líderes foram ou estão sendo criminalmente processados. Acompanhe este site e verá, em outros artigos, que o MST, contrariamente ao que se pensa, não trabalha, propriamente, em prol dos “sem terra” (utilizando-os apenas como massa de manobra), mas de forma organizada com outros organismos, muitos deles internacionais, que desejam um processo de secessão (divisão territorial mesmo) no Brasil (como, por exemplo, o que houve na antiga Iugoslávia), o que é, evidentemente, um objetivo nocivo à nação brasileira. E neste mesmo contexto está inserido o movimento indigenista e o quilombolista.
      Saúde, vida longa e sabedoria.
      Husc
      Se eu fosse a Sra. pensaria dez veses antes de se ligar (se este for o seu caso) ao MST.

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