O Ambientalista Cético – Prefácio
Um dos maiores erros do ambientalismo é a propagação da idéia de que o nosso planeta está sendo destruído, irreversivelmente, pelo ser humano, principalmente através de suas atividades industriais. Prega-se o fim dos tempos, devido, principalmente, ao aquecimento global, a destruição das florestas e outras coisas mais. No entanto, Bjorn Lomborg, em seu livro «O Ambientalista Cético», usando os mesmos dados estatísticos que os principais órgãos climatológicos do mundo usam, demonstra que nada disso é verdade, ou, ao menos, que os prejuízos que causamos ao meio ambiente não só são perfeitamente controláveis, como também temos que nos livrar dessa onda de catastrofismo que nos amedronta, a fim de que nosso dinheiro seja dirigido para os assuntos que, realmente, podem melhorar a vida humana. Paralelamente, devo informar que todo esse clima de terror tem uma outra finalidade, altamente maligna, muito mais maligna que um eventual aquecimento global, que é o desejo de muitas oligarquias estrangeiras em instituir um governo mundial.
Observação: Lomborg publicou, recentemente, uma espécie de “atualização” de seu livro original de 2002, intitulado: «Cool it – Muita Calma Nessa Hora!» (Rio de Janeiro, Brasil: Editora Campus/Elsevier, 2007). Este livro aborda, com mais ênfase, o tema do aquecimento global, e deve ser lido por todos.
Este livro, «O Ambientalista Cético», do estatístico dinamarqueês Bjørn Lomborg, embora de 2002, deve ser lido por todos aqueles que se interessam por ecologia e preservação do meio ambiente, mas, sobretudo, pelos fatores que influenciam e proporcionam, de fato, o aumento da qualidade de vida do ser humano – o que não implica, necessariamente, na destruição da natureza, obviamente.
Antes de qualquer coisa, por razões éticas e morais, está o bem-estar do homem. No entanto, muitas pessoas – por motivos escusos, mas sob uma argumentação nobre, mas falsa, mentirosa mesmo – parecem esquecer isso. Vamos então ao texto – o Prefácio – de Bjørn Lomborg.![]()
Prefácio do livro «O Ambientalista Cético»
A idéia
A idéia deste livro surgiu em uma livraria de Los Angeles, em fevereiro de 1997. Eu folheava a revista Wired, quando notei uma entrevista com o economista americano Julian Simon, da Universidade de Maryland. Simon afirmava que grande parte de nosso conhecimento tradicional sobre o meio ambiente baseia-se simplesmente em preconceitos e estatísticas inadequadas. Nossos conceitos catastróficos a respeito do meio ambiente são equivocados. Simon enfatizou que só usava estatísticas oficiais, às quais todos têm acesso e que podem ser usadas para verificar a veracidade das informações.
Fiquei empolgado. Sou um antigo membro esquerdista do Greenpeace e há muito me preocupo com as questões ambientais. Ao mesmo tempo, dou aulas de estatística e, portanto, teria facilidade de verificar as fontes de Simon. Além disso, costumo repetir para meus alunos que a estatística é um dos melhores meios de que a ciência dispõe para verificar se nossas veneráveis crenças sociais resistem a um exame minucioso ou se são apenas mitos. Entretanto, na verdade nunca questionei minha crença na deterioração de nosso meio ambiente – e ali estava Simon, orientando-me a colocar minhas crenças sob o exame minucioso do microscópio da estatística.
Trabalho em grupo
No segundo semestre de 1997, formei um grupo de estudos com dez de meus melhores alunos. Tentávamos estudar Simon de cabo a rabo. Para falar a verdade, esperávamos demonstrar que grande parte do que Simon dizia era mera propaganda direitista americana. E é verdade, nem tudo que ele disse estava correto, mas ao contrário de nossas expectativas – descobrimos que uma parte surpreendentemente grande de seus argumentos passou em nossos testes, conflitando com o que acreditávamos saber. O ar nos países desenvolvidos está ficando menos poluído, e não mais poluído; a fome nos países em desenvolvimento está diminuindo, e não aumentando, e assim por diante.
Perguntei-me por que eu estava tão certo de que a situação do meio ambiente é ruim e piora cada vez mais. E, se minhas crenças sobre o meio ambiente estavam de fato equivocadas, eu provavelmente não estava sozinho. Assim, procurei um dos principais jornais dinamarqueses, o Politiken, de centro-esquerda, e indiquei alguns artigos sobre nossa compreensão de diversos problemas ambientais. Resultado: escrevi quatro artigos que deram origem a uma das maiores polêmicas da Dinamarca, envolvendo todos os jornais e para lá de 400 artigos, comentários e críticas. Mais tarde, tentei acompanhar o debate com um livro que abrangesse uma área muito maior e tentasse abordar nossas principais preocupações.
A negação por parte dos ambientalistas
Entretanto, o debate como um todo parecia estranhamente incompleto. Para início de conversa, fiquei surpreso com a reação de muitos grupos ambientalistas: a completa negação. Esta também fora a minha reação inicial, mas à medida que o debate avançava, eu acreditava que a negação daria lugar à reflexão sobre a imensa quantidade de dados que eu havia apresentado e levaria à genuína reavaliação de nossa abordagem sobre o meio ambiente. Surpreendentemente, conheci muitos – mesmo entre meu círculo mais íntimo de amizades – que haviam apenas lido os comentários críticos e chegado à simples conclusão de que eu estava errado e de que poderíamos tranqüilamente continuar acreditando na iminente chegada do dia do Juízo Final. Isso sugeriu que as visões do Juízo Final estão profundamente arraigadas em nosso pensamento.
Sou professor de estatística da Universidade de Aarhus e minhas habilidades consistem basicamente em lidar com estatísticas internacionais. Normalmente, associamos estatísticas a uma série entediante e interminável de números – embora todo semestre eu tente convencer meus alunos novos de que isso não é necessariamente verdade. De fato, a estatística pode ser interessantíssima exatamente porque confronta nossos mitos com dados e nos permite ver o mundo com mais clareza. Essa empolgação, espero, pode ser detectada ao longo do livro («O Ambientalista Cético»). Embora contenha muitas informações quantitativas, o conhecimento do verdadeiro estado do mundo deveria ser estimulante e revigorante – um questionamento saudável e recompensador da nossa visão de mundo.
Estastística depende da ótica
Em ocasiões sociais, quando menciono minha profissão, raramente consigo evitar um comentário que, corretamente ou não, baseia-se em uma declaração atribuída ao primeiro-ministro inglês Benjamin Disraeli (1804-1981): «Existem três tipos de mentiras: a mentira, a mentira deslavada e as estatísticas». A estatística pode, de fato, ser usada para manipular a verdade. Mas, se usada com sensatez, é a melhor fonte de informação sobre o nosso mundo.
Por quê? Porque a pequena parte do mundo que vemos junto com nossos amigos e conhecidos raramente revela um quadro equilibrado do mundo como um todo. Por diversas razões diferentes, nossos amigos e conhecidos assemelham-se muito mais a nós do que a população como um todo. Assim, ao basearmos nossas impressões do mundo apenas nos nossos amigos, teremos uma visão viesada da realidade. Da mesma maneira, costumamos ouvir na televisão reportagens distorcidas e sensacionalistas de muitas formas diferentes e previsíveis.
Portanto, a estatística nos oferece uma forma de ver o mundo com mais clareza. De fato, em muitas áreas a estatística é nosso único meio de fazer uma descrição cientificamente válida do mundo.
O livro sugere que analisemos melhor as prioridades
Pedi a especialistas que analisassem capítulos específicos deste livro, mas não sou especialista em problemas ambientais. Meu objetivo foi oferecer uma descrição das abordagens aos problemas como os próprios especialistas os apresentaram em livros e periódicos relevantes e examinar as diferentes áreas de uma perspectiva que nos permitisse avaliar sua importância na definição de prioridades sociais gerais.
A idéia central do livro é de que não devemos deixar que organizações de defesa do meio ambiente, os lobistas ou a mídia, apresentem verdades e prioridades unilaterais. Ao contrário, devemos lutar pela cuidadosa verificação democrática do debate sobre o meio ambiente, conhecendo o verdadeiro estado do mundo – os fatos e as conexões mais importantes nas áreas essenciais de nosso planeta. Espero que este livro contribua para tal compreensão.![]()
Bjørn Lomborg
➥ Os livros a ler são: «O Ambientalista Cético» e «Cool it! Muita Calma Nessa Hora», ambos de Bjørn Lomborg (Editora Campus/Elsevier, RJ).
Imagemm: halgeranon.blogspot.com

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