O Clube Bilderberg – Participantes e regras

Este post é uma segunda parte do capítulo dedicado ao Clube Bilderberg, constante do livro de Daniel Estulin «A verdadeira História do Clube Bilderberg», o qual, para quem crê nas teorias conspiratórias (as quais, infelizmente, existem mesmo), é literatura obrigatória. Eis a matéria.


A lista de convidados

Ninguém pode adquirir um ingresso para um dos encontros Bilderberg, ainda que muitas multinacionais o tenham tentado. É o Conselho Diretivo que decide quem convidar. Aquilo que o peri­ódico londrino The Guardian denomina “um bilderberger” não mudou nos últimos 50 anos: um socialista fabiano, parti­dário entusiasta de uma ordem mundial única.

Segundo uma fonte do Conselho Diretivo do Grupo, «os convidados devem vir sozinhos, sem esposas, amantes, maridos ou noivos. Os “assistentes pessoais” (quer dizer: guarda-costas fortemente armados, normalmente ex-membros da CIA, do MI6 e do Mossad) não podem assistir às conferências e devem comer em lugar sepa­rado. Nem sequer o “assistente pessoal” de David Rockefeller pode acompanhá-lo durante o almoço. É explicitamente proibido aos convidados conceder entrevistas a jornalistas».


Onde se reunem, e a segurança

Para manter sua aura de hermetismo, os participantes alugam um hotel inteiro durante toda a duração do congresso, normalmente de três a quatro dias. Agentes da CIA e do Mossad encarregam-se de “limpar” até a última e menor dependência. A planta do estabelecimento é estudada, o pessoal é investigado e manda-se para casa qualquer um sobre quem se levante a menor suspeita.

«Agentes da polícia com uniformes pretos inspecionam com cachorros cada um dos veículos dos fornecedores. Nada é deixado para trás e depois escoltam os entregadores até a porta. Guardas armados patrulham os bosques vizinhos e vigilantes com micro­fones vigiam todos os acessos. Quem quer que se aproxime do hotel sem possuir o símbolo com o globo terrestre é enviado de volta para o lugar de onde veio.»

O Governo Nacional anfitrião responsabiliza-se pela segu­rança dos assistentes e do seu séqüito. Este inclui um generoso des­file de militares, membros de serviços secretos, agentes da polícia local e nacional e seguranças particulares. Nada é demais para proteger a intimidade e a segurança dos todo-poderosos membros da elite mundial.


Ninguém estranho por perto

Os seus “assistentes” não são obrigados a seguir as nor­mas e regulamentos que qualquer outro cidadão do Mundo deveria cumprir – como, por exemplo, passar pela Alfândega ou apresentar os vistos.

Quando se reúnem, ninguém “de fora” tem permissão de aproximar-se do hotel. A elite leva seus próprios cozinheiros, camareiros, telefonistas, secretárias, faxineiras e pessoal de segu­rança, que os atendem juntamente com o plantel de funcionários do hotel (que passaram por um processo de investigação prévio).


Luxo e conforto para os participantes

A conferência de 2004, por exemplo, teve lugar no Grande Hotel des Îles Borromées em Stresa, Itália, com «174 impressio­nantes suítes decoradas no estilo belle époque, impero ou mag­giolini. Esplêndidas telas e magníficas luminárias de Murano em todo canto. A maioria das suítes dispõe de um balcão privativo, os banheiros são de mármore italiano e contam com uma luxuosa banheira com hidromassagem. Trata-se de suítes esplêndidas, onde não faltam quadros, estátuas e tudo o que a arte pode ofe­recer».

A diária é paga pela organização – o Grupo Bilderberg – ao preço modesto de €US$1.200 por suíte. A comida fica a cargo de um chef agraciado com três estrelas no Guia Michelin. Um dos crité­rios na hora de escolher o hotel é a disponibilidade dos melhores cozinheiros do Mundo.

Outro critério é o tamanho da cidade, que deve tratar-se de núcleos urbanos pequenos que permitam afugen­tar os olhares curiosos dos habitantes das grandes cidades. As pequenas cidades têm a vantagem adicional de permitir a pre­sença de “assistentes pessoais” armados até os dentes – sem restri­ções. Ninguém pergunta nada.


Serviços “de graça”, mas controlados

Todos os serviços – telefone, lavanderia e cozinha – são pagos pela organização. Um funcionário do Trianon Palace de Versailles me contou que em 2003 a conta telefônica de David Rockefeller alcançou a quantia de €14.000 em três dias. Segundo uma fonte que também participou da conferência, não seria nada exagerado dizer que um desses “festivais globais” de quatro dias custa uns 10 milhões de euros, mais do que custa pro­teger o Presidente dos Estados Unidos ou o Papa numa de suas muitas viagens internacionais. No entanto, é evidente, nem o Pre­sidente nem o Papa são tão importantes quanto o governo das sombras que dirige o planeta.


O funcionamento das reuniões

O Grupo Bilderberg organiza quatro sessões de trabalho diárias, duas pela manhã e duas à tarde, à exceção dos sábados, quando só há uma seção vespertina. Aos sábados de manhã, entre 12:00 e 15:00 horas, os membros do Grupo jogam golfe ou nadam, acompanhados de seus “assistentes pessoais”; fazem excursões de barco ou de helicóptero.

A presidência da mesa de trabalho segue uma ordem alfabética rotativa. Um ano, Umberto Agnelli (ex-presidente da Fiat), senta-se à frente; no ano seguinte, Klaus Zumwinkel (presidente da Deutsche Post Worldnet AG e Deutsche Telekom), ocupa seu lugar. Os EUA são o país com mais participantes em razão do seu tamanho.       ­

Cada país envia, normalmente, uma delegação de três representantes: um industrial, um ministro ou um senador e um intelectual ou editor. Países pequenos como Grécia e Dinamarca dispõem no máximo de dois assentos. As conferências reúnem normalmente um máximo de 130 delegados. 2/3 dos presentes são europeus e o restante provém dos EUA e do Canadá. Os participantes mexicanos pertencem a uma organização irmã “menos poderosa”, a Comissão Trilateral. 1/3 dos delegados é constituído por políticos e os outros 2/3 por representan­tes da indústria, das finanças, da educação, dos sindicatos e dos meios de comunicação. A maioria dos delegados fala inglês, ainda que a segunda língua de trabalho seja o francês.


A regra de Chatham House

O Instituto Real de Assuntos Internacionais (RIIA, em sua sigla em inglês), foi fundado em 1919, conforme o Tratado de Paz de Versalhes, e tem sua sede no Chatham House de Londres. Atualmente utiliza-se o nome “Chatham House” para referir-se a todo o Instituto. O RIIA é o braço executivo da política da monarquia britânica.

«A “Regra de Chatham House” consiste em que os participantes de uma reunião podem divulgar a informação que foi gerada nela, mas devem guardar segredo a respeito da identificação ou filiação de quem a forneceu; tampouco pode-se mencionar que tais dados procedem de um dos encontros do Instituto.» Tradução: os globais não só querem evitar que saibamos o que é que eles estão planejando, mas também pretendem passar desapercebidos.

«A “Regra de Chatham House” permite que as pessoas falem a título individual sem representar as instituições em que trabalham; isto facilita o livre debate. As pessoas costumam sentir-se mais relaxadas se não são mencionadas e deixam de preocupar-se com sua reputação ou com as conseqüências de suas palavras.»

Em 2002 esclareceu-se e reforçou-se a aplicação da norma: «Os encontros de Chatham House podem ser realizados de forma aberta ou debaixo da “Regra de Chatham House”. Nesse último caso acordar-se-á, explicitamente, com os participantes que aquilo que foi apresentado numa reunião é estritamente confidencial e será garantido o anonimato dos que falarem dentro desses muros; tudo isto serve para garantir melhores relações internacionais. Chatham House reserva-se o direito de realizar ações disciplinares em relação a qualquer membro que violar essa regra». Tradução: se você der com a língua nos dentes, está arriscando um destino bem mais dramático.


Os participantes e a Lei Logan

Os participantes declaram que assistem às reuniões na qualidade de cidadãos particulares e não como representantes oficiais – se bem que essa afirmação seja bastante questionável. Nos Estados  Unidos (por meio da Lei Logan) e no Canadá, é ilegal que um funcionário eleito pelo povo se reúna em particular com empresários para debater e planejar políticas públicas.

A Lei Logan foi criada para evitar que cidadãos sem representatividade pública interfiram nas relações entre os EUA e os diferentes governos estrangeiros. Não deixa de ser curioso que em seus 200 anos de história nunca se tenha acusado alguém de violar essa lei. No entanto, houve um bom número de referências à sua violação em diferentes julgamentos – e ela costuma ser usada como arma política. Com isto não quero dizer que uma pessoa comum possa vender, ilegalmente, armas ou drogas a um Estado estrangeiro, porque não é assim. Mas os que podem fazê-lo são membros do super-secreto Clube Bilderberg – os quais, além do mais, são incentivados a interferir em assuntos internos dos Estados independentes.


Alguns participantes / administradores

Algumas das pessoas que participaram desses encontros foram:

Ÿ Allen Dulles (CIA); William J. Fulbright (senador de Arkansas, agraciado com uma das primeiras becas de Rhodes); Dean Acheson (secretário de Estado de Truman); Henry A. Kissinger (presidente da Kissinger Associates); David Rockefeller (Chase Bank, JP Morgan International Council), Nelson Rockefeller e Laurance Rockefeller; Gerald Ford (ex – Presidente dos EUA); Henry J. Heinz II (presidente da H. J. Heinz Co.); o Príncipe Phillip do Reino Unido; Robert S. McNamara (secretário de Defesa de Kennedy e ex-presidente do BIRD); Margareth Thatcher (ex-Primeira-ministra do Reino Unido); Valéry Giscard d’Estaing (ex-Presidente da França); Harold Wilson (ex-Primeiro-­ministro do Reino Unido); Edward Heath (ex-primeiro-ministro do Reino Unido); Donald H. Rumsfeld (Secretário de Defesa dos presidentes Ford e George W. Bush); Helmut Schmidt (ex-Chan­celer da Alemanha Ocidental); Henry Ford III (presidente da Ford Motor Co.); James Rockefeller (presidente do First National City Bank); e Giovanni Agnelli (presidente da Fiat na Itália).

O Bilderberg, desde o início, foi administrado por um núcleo reduzido de pessoas, nomeadas a partir de 1954 por um conselho de sábios assim constituído: pelo assentamento permanente, o assenta­mento americano, as secretarias e os tesoureiros (da Europa e dos EUA). Os convites são enviados unicamente a pessoas «importantes e respeitadas, as quais, por seus conhecimentos especiais, seus contatos pessoais e sua influência em círculos nacionais e internacionais, podem ampliar os objetivos e recursos do Clube Bilderberg».


De vez em quando há divergências

Os encontros são invariavelmente abertos e francos e nem sempre se chega a um consenso. Durante os últimos três anos, franceses, ingleses e americanos têm estado em litígio quase constante; o tema da disputa: o Iraque. Há dois anos, o ministro de Assuntos Internacionais francês, Dominique de Villepin, disse abertamente a Henry Kissinger que «se os americanos tivessem dito a verdade acerca do Iraque» – quer dizer, que a verdadeira razão para a invasão era o controle e a gratuidade do petróleo e do gás natural – talvez eles, os franceses, «não tivessem vetado suas “estúpidas” resoluções na ONU». «Seu presidente é um completo idiota», acrescentou (citação exata transcrita por três assistentes à conferência e confirmada independentemente). «Isso não significa que o resto do mundo seja estúpido», replicou a um mal-humo­rado Kissinger ao sair da sala.

O nacionalismo britânico é outra fonte de preocupação. Em Turnburry, Escócia, Tony Blair, Pri­meiro-ministro britânico, foi tratado como uma criança travessa diante dos outros participantes quando lhe jogaram na cara, em tom bastante hostil, não ter feito o suficiente para incluir o Reino Unido na moeda única européia – o euro. Segundo fontes de Jim Tucker, um jornalista lendário reconhecido entre os profissionais mais honestos por ter perseguido os membros do Clube durante mais de 30 anos com um grande custo pessoal (perdeu vários amigos pes­soais em acidentes misteriosos e um membro de sua família que, supostamente, cometeu o suicídio), «Blair assegurou em Bilderberg que o Reino Unido aceitaria o euro, mas que antes teria que resol­ver alguns “problemas políticos” em virtude de um “ressurgimento do nacionalismo em casa”».

Em 29/05/1989, a revista The Spotlight publicava em uma de suas reportagens a seguinte frase dita por um funcionário alemão a Blair: «Você não passa de uma Maggie Thatcher com calças». Tratava-se de uma dura referência ao fato de que Lady Thatcher fora derrubada por seu próprio Partido Conservador obedecendo às ordens do Clube Bilderberg. Depois o mesmo fórum colocaria no lugar John Major, um personagem mais manipulável.

Como explica John Williams, alguns membros da elite ocidental freqüentam as reuniões do Bilderberg «para reforçar um consenso virtual, uma ilusão de globalização, definida conforme seus próprios termos: o que é bom para os bancos e os grandes empresários, é bom para todos. É inevitável e reverte em benefício da Humanidade».

Daniel Estulin

[continua no próximo post]

Créditos: Este post é matéria do livro «A Verdadeira História do Clube Bilderberg», da autoria de Daniel Estulin, e publicado em 2006 pela Editora Planeta do Brasil Ltda.,  Introduzi subtítulos no texto de Estulin para melhor compreensão e facilidade de leitura.

Os principais livros a ler são: «A Verdadeira História do Clube Bilderberg», de Daniel Estulin (Editora Planeta do Brasil Ltda.); «A Corporação – A História Secreta do Século XX e o Início do Governo Mundial do Futuro», de Nicholas Hagger (Editora Pensamento-Cultrix Ltda.); «As Redes Secretas do Poder», de Pablo Allegritti (Editora Planeta do Brasil Ltda.); e «O Governo Secreto», de Jim Marrs (Madras Editora Ltda.).

Outros livros que tratam do mesmo assunto podem ser encontrados na página de “LIVROS”, deste blog.

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