O Código Florestal e o descrédito das ONGs internacionais no Brasil

O movimento ambientalista internacional não vive os seus melhores dias no Brasil, na medida em que setores organizados da sociedade começam a reagir às suas intrusões antidesenvolvimentistas. Na semana passada, parlamentares da Frente Parlamentar da Agropecuária solicitaram à diretoria do Banco do Brasil que suspendesse um protocolo firmado entre o banco e o WWF-Brasil, para que este elaborasse, em parceria com a Fundação Banco do Brasil e a Agência Nacional de Águas (ANA), programas de preservação de mananciais na agricultura e de reciclagem de lixo em cidades (Valor Econômico, 25/05/2010).


Qual é a deles?

Dias antes, os parlamentares estiveram com os vice-presidentes de Agronegócio do BB, Luís Carlos Guedes Pinto, e de Gestão de Pessoas e Desenvolvimento Sustentável, Robson Rocha, para protestar contra os critérios que levaram à assinatura do compromisso com uma ONG estrangeira, em detrimento de instituições públicas nacionais, como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Deles, ouviram que foi assinado apenas um protocolo de intenções, e não um contrato. “Queríamos saber o porquê de contratar ONGs estrangeiras para fazer um serviço que empresas nacionais como a Embrapa poderiam fornecer. Qual é o diferencial deles?”, disse o deputado Valdir Colatto (PMDB-SC).

A situação é considerada delicada no BB, porque os “ruralistas” têm força, coesão e são parte da bancada governista. A solução encontrada pelo banco foi abrir o convênio a outros parceiros locais e nacionais, inclusive a Embrapa, nas cinco regiões do país.


Interferência do Greenpeace

A iniciativa dos parlamentares inclui também a instalação de uma espécie de “mini-CPI” na Câmara de Deputados, que pretende investigar, por exemplo, se o Ibama e o Greenpeace agiram para quebrar o sigilo de pecuaristas e do frigorífico Bertin, acusado de comprar gado de áreas desmatadas. Um relatório do Greenpeace, batizado «A Farra do Boi na Amazônia», teria servido de base para a atuação do Ibama no sul do Pará, apontam os parlamentares; logo em seguida, o Ministério Público Federal acusou pecuaristas e frigoríficos de desmatar 157 mil hectares de floresta, o que teria gerado R$ 2 bilhões em prejuízos ambientais, além da “satanização” dos produtores rurais no Pará.


ONGs estrangeiras dificultam financiamentos

Parlamentares da Frente afirmam que as ONGs, sobretudo aquelas com matrizes no exterior, têm usado a estratégia de questionar empréstimos de bancos internacionais e agências de fomento, com o objetivo de bloquear a expansão do agronegócio no país. Listam como exemplo a oposição de ONGs à concessão de crédito do IFC, braço de financiamento ao setor privado do Banco Mundial, a empreendimentos agrícolas e pecuários na Amazônia. Já em 2004, as ONGs bloquearam um empréstimo de 30 milhões de dólares ao Grupo André Maggi, em razão da pressão liderada pelo WWF, Amigos da Terra e The Nature Conservancy (TNC). Além disso, reclamam de uma pressão indevida das ONGs para influenciar critérios de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a indústrias frigoríficas e usinas de etanol na Amazônia Legal. Em 2007, as ONGs fizeram forte pressão contra a participação acionária de R$ 1,46 bilhão da BNDESPar no grupo JBS, à época chamado Friboi.

Comentando a estratégia das ONGs de questionar entidades financeiras sobre empréstimos ao setor agropecuário brasileiro, o deputado Moacir Micheletto (PMDB-PR), presidente da Comissão Especial da reforma do Código Florestal, foi enfático: «Se eles podem fazer isso, nós também podemos». Já o presidente da Comissão de Agricultura, deputado Abelardo Lupion (DEM-PR), reafirmou que a comissão utilizará os mecanismos legais e regimentais para defender o setor rural brasileiro.


ONGs não querem reformas no Código Florestal

Essa ofensiva dos parlamentares “ruralistas” contra o ambientalismo foi iniciada em março passado quando aprovaram, a pedido do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), relator da comissão especial de revisão do Código Florestal, o envio de convites a financiadores da ONG SOS Mata Atlântica (Bradesco, Volkswagen, Coca-Cola, Colgate-Palmolive e American Express) para participar dos debates sobre as modificações em audiência pública na Câmara de Deputados. A iniciativa de Rebelo se deu em função da campanha “Exterminadores do Futuro”, liderada pela SOS Mata Atlântica, para tentar constranger os parlamentares envolvidos na reforma do caduco Código Florestal.


Rotulando os traidores

Contudo, essa ofensiva deve ser analisada sob uma ótica mais ampla a partir da reativação da Frente Parlamentar Nacionalista, uma iniciativa de Rebelo. Como se recorda, no mesmo tom usado pelas ONGs para constranger os “ruralistas”, a Frente Nacionalista lançou o “Prêmio Joaquim Silvério dos Reis”, sugerindo uma ligação entre o delator do movimento patriótico Inconfidência Mineira e as motivações políticas de ONGs ambientalistas que atuariam em favor de interesses estrangeiros. «Vamos dar essa medalha a quem tiver interesse em prejudicar o Brasil», disse Rebelo na ocasião. «Se querem nos intimidar, estamos para aqui reagir. Se não sabem dialogar, certamente o Bradesco saberá. As cooperativas podem sugerir aos seus produtores que fechem suas contas no banco» – afirmou ele em referência à parceria mantida pelo banco e a SOS Mata Atlântica (Alerta Científico e Ambiental, 26/03/2010).


As ONGs têm que ser enfrentadas

O fato inquestionável é que as ONGs que representam no Brasil o nefasto ambientalismo geopolítico entraram em uma fase de descrédito e decadência que ficou evidenciada, principalmente, com a defenestração de Marina Silva do Ministério do Meio Ambiente. A partir daí, como num passe de mágica, o licenciamento ambiental de hidrelétricas e outras obras estruturantes na Amazônia (e em outras regiões) começaram a ser liberados, como atesta o bem sucedido leilão da emblemática usina de Belo Monte. Porém, se parlamentares e lideranças de outros setores, que não apenas os da agroindústria, passarem a questionar publicamente o papel dessas ONGs, certamente o próximo governo terá menos dificuldades na área ambiental para implantar as urgentes obras de infra-estrutura que o Brasil necessita. A Frente Parlamentar Nacionalista está aí mesmo para essa e outras iniciativas similares.

Movimento de Solidariedade Íbero-americana

Créditos:Este post é matéria apresentada no Boletim Eletrônico,Volume II, n° 6, de 28/05/2010, do MSIa – Movimento de Solidariedade Íbero-americana. Introduzi subtítulos no texto para facilitar e incentivar a leitura.

O livro a le é: «A Fraude do Aquecimento Global: Como um Fenômeno Natural Foi Convertido Numa Falsa Emergência Mundial», de Geraldo Luís Lino (Capax Dei Editora Ltda., RJ).

Ver também, neste blog, o post de Luis Carlos Molion Molion: o Prefácio do livro «A Fraude do Aquecimento Global»

Para outras informações sobre o mesmo tema, visitar o site do MSIa no seguinte endereço: http://www.msia.org.br

Imagens: www.goionews.com.br; e 1.bp.blogspot.com.

Be Sociable, Share!

Posts Relacionados

Deixe seu comentário