ONU: falta de saneamento é o pior problema ambiental

Por ocasião do Dia Mundial da Água, em 22 de março, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), a Organização Mundial da Saúde (OMS) e outras agências da ONU lançaram um relatório sobre o estado do saneamento básico no mundo. A conclusão básica: as águas do planeta estão cada vez mais poluídas e mais pessoas morrem hoje em todo mundo por causa dessa contaminação do que por todas as formas de violência, inclusive as guerras.
“O esgoto está literalmente matando as pessoas”, disse Achim Steiner, diretor do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) (O Globo, 23/03/2010).
As principais vítimas são as crianças
De acordo com o estudo, a falta de água limpa mata 1,8 milhão de crianças com menos de 5 anos de idade anualmente, o que representa uma morte a cada 20 segundos. Grande parte do despejo de resíduos acontece nos países em desenvolvimento, que lançam 90% da água de esgoto sem tratamento. No Brasil, uma das maiores causas de morte associada à falta de saneamento é a diarréia. A doença mata cerca de 2,2 milhões de pessoas em todo o mundo anualmente. Mais da metade dos leitos de hospital no planeta, diz o estudo, é ocupada por pessoas com doenças ligadas à água contaminada.
Além disso, mais da metade das escolas primárias em 60 países em desenvolvimento não tem instalações adequadas de água e 2/3 não tem saneamento apropriado.
O PAC funcionará?
Aqui no Brasil, o governo acaba de anunciar que o saneamento contará, no chamado PAC 2, com cerca de R$ 40 bilhões no período de 2011 e 2014. São cerca de 7.466 empreendimentos distribuídos em 24 unidades da federação, dos quais 2.337 (31%) estão em andamento seguindo o critério de atender preferencialmente cidades de regiões metropolitanas – acima de 100 mil habitantes, no Sul e Sudeste, e acima de 70 mil habitantes nas demais regiões.
Segundo a coordenadora das ações do PAC 2, Miriam Belchior, o governo federal acredita que não terá problemas para aplicar os recursos destinados ao setor de saneamento no PAC 2 uma vez que a situação hoje é de mais projetos do que recursos, diferentemente do que aconteceu na primeira fase do PAC quando, por ausência de projetos, os investimentos em saneamento demoraram a ser iniciados. «Já em 2009, fizemos nova seleção de projetos para as áreas de drenagem e de água e esgoto e o cenário tinha mudado. Todo mundo tinha projeto, porque tinha perspectiva de ter recurso», disse ela, após reunião com empresários do setor da infraestrutura, em São Paulo (Valor Econômico, 7/04/2010).
Os investimentos necessários são muito altos
Contudo, segundo o Instituto Trata Brasil (ITB), para que todos os brasileiros tenham acesso a água e esgoto tratados, seriam necessários investimentos da ordem de R$ 270 bilhões. «Como o PAC está destinando R$ 40 bilhões para água, esgoto, resíduos sólidos e drenagem, serão necessários pelo menos sete PAC’s para que a meta de universalização seja alcançada», disse Raul Pinho, presidente do ITB. Pinho concorda com o governo sobre o principal fator que tem contribuído para o atraso nas obras: a formatação dos projetos. «A lentidão na obtenção de licenciamento ambiental e exigências não previstas de órgãos estaduais e municipais também contribuem para o ritmo fraco de execução», ponderou o estudo do instituto, com base em levantamento feito com operadoras de rede de esgotos e prefeituras. «Temos a cultura de economizar em projeto porque projeto não dá voto, não dá para inaugurar», afirmou Pinho.
ONGs “ambientalistas” ignoram o assunto
Insuficientes ou não, merece comemoração a decisão do governo em investir pesado para solucionar o que muitos, inclusive este Alerta, vem apontando há anos como o maior problema ambiental do País e do mundo. Neste sentido, uma vez mais, as grandes ONGs, que se autointitulam ambientalistas, praticamente ignorarm o assunto. Ao contrário, a importância que dão para o saneamento pode ser aquilatado pela manifestação do Greenpeace, no Dia Mundial da Água, quando seus ativistas colocaram um vaso sanitário em frente ao Parlamento… do Reino Unido, país que investiu pesadamente em saneamento básico desde o final do século XIX e dificilmente necessitaria desse tipo de protesto. Por aqui, tais ONGs continuam preferindo se manifestar contra o desmatamento da Amazônia e outros temas mais «apropriados» para os países do Sul.
MSIa – Movimento Solidariedade Íbero-americana![]()
Créditos:Este post é matéria apresentada no Boletim Eletrônico, de n° 65, de 09/04/2010, do MSIa – Movimento Solidariedade Íbero-americana. Introduzi sub-títulos no texto para facilitar a leitura.
Para outras informações sobre o mesmo tema, visitar o site do MSIa no seguinte endereço: http://www.msia.org.br
Imagens: portalibahia.com.br; f.i.uol.com.br.![]()
