Os donos invisíveis do movimento ambientalista
Como tantos outros artigos, este, da autoria de Nilder Costa, trata de mostrar quem está por trás do movimento ambientalista internacional, o qual, sob a égide das onipresentes oligarquias internacionais que almejam um governo mundial único, age no sentido de obstaculizar o desenvolvimento socioeconômico das nações, principalmente as do Terceiro Mundo, com o intuito de que os recursos naturais do planeta sejam “economizados” com o estrito fim de que os mesmos sejam controlados (e utilizados) por aquelas elites internacionais, para a manutenção de seu poder e usufruto de seus benefícios em termos de consumo e de manutenção de seu status de conforto. Apesar do artigo ter sido escrito em 1997, ainda é, perfeitamente, pertinente e tempestivo, pois o quadro geopolítico de hoje não é em nada diferente. Incluí subtítulos no texto para facilitar a leitura. Eis a matéria.![]()
Os donos invisíveis do movimento ambientalista
Hidrovias brasileiras naturais
A idéia é obstaculizar os projetos de infraestrutura na América Latina
Como já expusemos em profundidade no relatório «A Grande Hidrovia», um dos principais projetos do aparato internacional ambientalista e de direitos humanos, que tem nas ONGs seus principais operativos, é evitar a todo custo que seja viabilizada a consecução da maior rede de integração física da América do Sul, a hidrovia que vai do delta do Rio Orinoco ao Rio da Prata, que significaria o desenvolvimento do interior do sub-continente e que, por várias razões estratégicas, inclusive comerciais, não é desejado que se concretize.
Para tanto, criaram-se obstáculos formidáveis nos dois pontos críticos da Grande Hidrovia: a Reserva Ianomâmi (Brasil e Venezuela), na interligação das bacias Orinoco-Amazonas, e o mito da intocabilidade do Pantanal, na interligação das bacias Amazonas-Prata. Assim, a intensa e renovada campanha contra a Hidrovia Paraguai-Paraná deve ser analisada sob um ângulo estratégico bem mais amplo e que, historicamente, iniciou-se em meados do século passado com a geopolítica britânica do Prata, que culminou com a Guerra do Paraguai.
O que descreveremos a seguir é um estudo sobre como três das maiores destas Fundações – especificamente, a Fundação Rockefeller, a Fundação W. Alton Jones e a Fundação C. S. Mott – canalizaram recursos e suporte a dezenas de ONGs brasileiras e internacionais para impedir a implantação da Hidrovia Paraguai-Paraná que, uma vez concluída, induziria os nacionais sul-americanos, principalmente nós, brasileiros, a se perguntar: por que não estendê-la até à Bacia Amazônica? O estudo gira em torno do livro «O Projeto de Navegação da Hidrovia Paraguai-Paraná: Relatório de Uma Análise Independente», libelo contra a hidrovia lançado no último dia 20 de agosto, simultaneamente no Brasil e nos Estados Unidos. Ao final, apresentamos um esquema simplificado destas operações.
A Fundação Rockefeller
A Fundação Rockefeller tem sido uma instituição crucial no processo de desenvolvimento dos programas de “engenharia social” que desembocaram na criação do movimento ambientalista. Desde a sua criação, em 1913, tem participado diretamente da estruturação e do financiamento, inicialmente, do movimento eugênico e, quando este caiu em descrédito após as atrocidades nazistas, dos movimentos de controle populacional e ambientalista.
O malthusianismo logo de cara
A Fundação Rockefeller e as demais fundações da família Rockefeller participaram diretamente da criação do Clube de Roma, em 1968 – uma das instituições-chaves do movimento ambientalista internacional. Na década de 70, os Rockefeller patrocinaram amplamente o projeto A Agenda Inacabada (The Unfinished Agenda) – estudo que determinou as principais diretrizes de ação que seriam seguidas pelos ambientalistas e que orientaria a elaboração do relatório «Global 2.000», do governo Carter, iniciativa que consolidaria o malthusianismo como diretriz fundamental da política exterior dos Estados Unidos.
Em 1990, a Fundação Rockefeller criou o programa LEAD – Leadership for Environmental and Development (Programa de Lideranças em Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável), «para cultivar uma rede de talentosos profissionais de diversas disciplinas e setores, comprometidos com o desenvolvimento sustentável». Durante dois anos, os bolsistas, criteriosamente escolhidos pelo LEAD, passam por intenso treinamento «multidisciplinar e multisetorial para diagnosticar e resolver problemas relacionados ao desenvolvimento sustentável a nível regional, nacional e internacional». Desde 1992, mais de 500 profissionais já foram treinados no Brasil, Canadá, China, Comunidade de Estados Independentes (ex-União Soviética), Europa, Índia, Indonésia, México, Nigéria, Paquistão e África do Sul.
Ação de base no Brasil
No Brasil, o LEAD foi fundado em meados de 1991 e, segundo a Gazeta Mercantil (11/06/91), «a Fundação Rockefeller pretende investir no Brasil US$ 5 milhões nos próximos cinco anos na formação de líderes na área ambiental, com a finalidade de preparar formadores de opinião capazes de ter uma visão ampla dos problemas ambientais e de suas implicações econômicas». Na ocasião, All Binger, diretor internacional do LEAD, declarou com surpreendente franqueza: «Esperamos que, em dez anos, muitos dos bolsistas estejam atuando como ministros de meio ambiente e desenvolvimento, reitores de universidades e presidentes de empresas».
Brasileiros?
A filial brasileira do LEAD chama-se Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Lideranças (ABDL) e tem na Universidade de São Paulo, que aderiu ao programa, seu principal celeiro de recrutamento. O Comitê Diretivo Nacional da ABDL tem José Goldemberg como presidente e Henrique Rattner como Diretor Nacional do Programa. Entre os membros do Comitê Diretivo encontram-se Israel Klabin (presidente da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável), Enéas Salati, Eduardo Martins (atual secretário de Meio Ambiente do ministério de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, ex-presidente do IBAMA, ex-dirigente do WWF-Brasil), Maria Teresa Jorge Pádua (FUNATURA) e outros. José Goldemberg, um dos ex-ministros notáveis do governo Fernando Collor de Mello, que criou a Reserva Ianomâmi, vem a ser também membro da diretoria internacional do LEAD.
Financiando as ONGs
A Fundação Rockefeller tem sido muito pródiga com essa sua criatura, para a qual já desembolsou mais de US$ 20 milhões. Sua filial brasileira recebeu ano passado US$ 570.000 e, em anos anteriores, outras quantias igualmente polpudas. O enlace do LEAD com a matriz do aparato ambientalista internacional, dirigida por famílias aristocráticas britânicas e agregados, é estabelecido por meio de Sir Shridath Ramphal, que ocupa a presidência do Comitê Internacional do programa. Sir Ramphal integra o mais alto escalão do aparato: ex-Secretário Geral da Comunidade Britânica de 1975 a 1990, é também o atual presidente da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN).
A mais recente contribuição da Fundação Rockefeller para a campanha contra a Hidrovia Paraguai-Paraná estabeleceu-se por intermédio do LEAD, quando três dirigentes de sua filial brasileira integraram o grupo dos 11 magníficos que escreveram o citado libelo «Relatório de Uma Análise Independente». São eles: Israel Klabin, Henrique Rattner e Enéas Salati.
A Fundação W. Alton Jones
O envolvimento da Fundação W. Alton Jones nos esforços internacionais contra a Hidrovia Paraguai-Paraná ficou mais evidente a partir de 1994, ano que marcou o início da campanha mundial comandada pelo WWF contra a Hidrovia e que culminou com a realização de um grande evento internacional, ocorrido em dezembro deste ano no Memorial Latino-Americano, em São Paulo, quando foi formalizada a criação da ONG Rios Vivos – tropa de choque que reúne militantes de 300 OGNs internacionais. Neste ano, a W. Alton Jones financiou a Wetlands for the Americas para publicar em português o primeiro libelo mais amplo contra a hidrovia, intitulado «Hidrovia: uma Análise Ambiental Inicial da Via Fluvial Paraguai-Paraná», cujos argumentos, alegadamente científicos, embasaram a campanha. O lançamento foi saudado pelo Financial Times, secular porta-voz dos interesses do establishment britânico, reafirmando a tese de que a Hidrovia não poderia ser construída porque «secaria o Pantanal».
Mais financiamentos de ONGs e o fundamentalismo ambiental
Ainda em 1994, a W. Alton Jones soltou mais US$ 34.000 para e Ecotrópica, ONG sediada em Cuiabá e dirigida por Adalberto Eberhard, bem como US$ 62.000 para a International Rivers Network, que passou a coordenar as ações contra a hidrovia por intermédio de seu agente Glenn Switkes. Switkes notabilizou-se pela coordenação da campanha no Equador contra a exploração petrolífera em vastas áreas amazônicas, mobilizando dezenas de ONGs e organizações indígenas. Isto ocorreu no período 1992-1994, quando ainda pertencia à Rainforest Action Network, em cuja diretoria assenta-se Mike Roselle, também fundador e diretor do grupo ecoterrorista Earth First!, responsável por inúmeros atos de sabotagem contra instalações e equipamentos industriais nos Estados Unidos. Foi da Eco-Fucker Hit List!, publicada pela Earth First!, que o terrorista Theodore Kaczynski, até então conhecido pela alcunha “Unabomber”, escolheu as duas últimas vítimas de seus ataques. Kaczynski assassinou três pessoas e feriu várias outras em atentados a bomba, cometidos em nome de uma ideologia ambientalista radical.
Os financiamentos não param
Em 1995 e 1996, a W. Alton Jones destinou mais US$ 259.00 para a campanha, sendo os beneficiários a International Rivers Network, a Ecologia e Ação (de Campo Grande, MS, dirigida por Alcides Faria), o Instituto Centro e Vida (Cuiabá, dirigida por Sérgio Henrique Guimarães), a Rios Vivos (coalizão), a Sobrevivência (ONG paraguaia) e a Environmental Defense Fund (EDF), uma das responsáveis pelo lançamento do Relatório de Uma Análise Independente. Entre 1994 e 1996, a W. Alton Jones deu US$ 704.000 para a campanha contra a Hidrovia. Ainda em 1994, a W. Alton Jones concedeu mais US$ 100.000 para a Fundação para o Desenvolvimento Sustentável, de Israel Klabin, a título de manter a biodiversidade na Amazônia. Sob a mesma rubrica, a W. Alton Jones repassou mais US$ 100.000 para a Fundação Vitória Amazônica, ONG envolvida em um rumoroso escândalo de R$ 19 milhões que lhe foram repassados pelo Tesouro Nacional e que foram aplicados, segundo seu presidente Cláudio Nina, na realização de uma grande exposição nos Estados Unidos sobre produtos “não madeiráveis”, cuja exploração evita corte de árvores. Além deste montante, a Fundação W. Alton Jones cofinanciou a elaboração e publicação do citado «Relatório de Uma Análise Independente».
A Fundação C. S. Mott
Este C. S. vem de Charles Stewart Mott, bilionário norte-americano falecido em 1973. Em 1990, os ativos da Fundação ultrapassaram 929 milhões de dólares. Apesar de tradicionalmente canalizar a maior parte de suas contribuições para organizações educacionais e comunitárias, a Fundação C. S. Mott tem sido bastante generosa com o movimentos ambientalista internacional. Somente em 1990, deu, entre outros, US$ 450 mil para os Amigos da Terra (Friends of the Earth), US$ 100 mil para o National Wildlife Federation, US$ 115 mil para a Natural Resources Defense Council, US$ 130.000 para a The Nature Conservancy, US$ 545 mil para o World Resources Institute e US$ 115.000 para o Environemntal Defense Fund, o EDF. A família Mott mantém ainda o C. S. Mott Fund e o Ruth Mott Fund, igualmente generosos com o movimento ambientalista internacional. A Fundação C. S. Mott tem também contribuído para a revista Rios Vivos, publicada em espanhol e português pela coalizão Rios Vivos, e foi a outra cofinanciadora do Relatório de Uma Análise Independente.
O CEBRAC e o EDF
O Centro Brasileiro de Referência a Apoio Cultural (CEBRAC), de Brasília, apareceu como co-patrocinador, juntamente com o EDF, do lançamento do «Relatório de Uma Análise Independente».
O CEBRAC foi fundado em 1986 e é encabeçado por Maurício Galinkin, um dos mais antigos articuladores contra a Hidrovia Paraguai-Paraná. O CEBRAC possui vínculos com a ONG holandesa Both Ends, que recebe a maior parte de seus ingressos do governo da Holanda (ministérios de Relações Exteriores, da Agricultura e da Habitação), bem como da filial do WWF neste país.
O WWF por trás
Em 1994, o CEBRAC foi comissionado pelo WWF para engrossar a campanha contra a Hidrovia e em setembro deste ano Maurício Galinkin lançou o panfleto «Quem paga a conta?» – onde tenta demonstrar, sem sucesso, que o projeto é economicamente inviável. Em outubro de mesmo ano, o panfleto foi lançado em inglês, na cidade de Gland, Suíça, sede mundial do WWF. Na ocasião, Leonardo Lacerda, diretor do WWF para a América Latina, disse que «o projeto [da Hidrovia Paraguai-Paraná] não deve ser levado adiante».
Ainda as teorias malthusianas
Galinkin utiliza o mesmo método falacioso empregado no livro «Limites ao Crescimento», do Clube de Roma, convertido em manual de referência para todos os ambientalistas, de fazer extrapolações lineares para analisar efeitos a longo prazo de fenômenos que, por sua natureza, são necessariamente não-lineares. Esta técnica é a base de sustentação dos teóricos ambientalistas para estabelecer conceitos enganosos como o da “capacidade de carregamento da Terra” ou o do “desenvolvimento sustentável”, de onde derivam suas campanhas para o controle populacional e limite do crescimento econômico, uma vez que não consideram – por ignorância ou má fé – que os novos avanços científicos e tecnológicos, simplesmente, jogam no lixo qualquer projeção baseada em parâmetros que já perderam a validade.
O EDF
Já as ações do Environmental Defense Fund (EDF), têm sido descritas com freqüência, no Alerta Científico e Ambiental, por seu envolvimento na formação do Instituto Socioambiental, autor de ação judicial contra a Hidrovia Araguaia-Tocantins. Apenas para relembrar que trata-se de uma ONG jurídica, criada especialmente para viabilizar o absurdo banimento do DDT, produto que trouxe enormes benefícios para a Humanidade e salvou milhões de vidas.
Os efeitos multiplicadores das obras de infra-estrutura
É fato inconteste que o transporte, a infra-estrutura urbana, energia, grandes obras hidráulicas e comunicações têm sido fatores decisivos para o desenvolvimento econômico. São exatamente os efeitos multiplicadores das grandes obras de infra-estrutura, como a Hidrovia Paraguai-Paraná, de característica não-linear e geralmente incomensuráveis, o que os donos do aparato ambientalista internacional mais temem e querem impedir. Sabem eles que tais empreendimentos não agregam à economia um produto propriamente dito mas algo muito mais importante: agregam eficiência e produtividade aos setores da economia que produzem bens para a sociedade; criam novos mercados onde não existiam, viabilizam novas fronteiras agrícolas ou a exploração econômica de recursos naturais, possibilitam o surgimento de novas cidades, são um fator importante para a integração e ocupação territorial e têm um papel fundamental para a logística da defesa nacional. Por conseguinte, a decisão de sua implantação deve obedecer a diretrizes de um planejamento estratégico da Nação, necessariamente de longo prazo, e não a análises tipo custo-benefício, que são critérios auxiliares – mas jamais decisórios – feitos por incompetentes.
Problemas ambientais existem e devem ser solucionados, pois afetam a vida humana. Entretanto, o fato dos ambientalistas tratarem de forma secundária os verdadeiros problemas ambientais, como o tratamento de esgotos e a poluição atmosférica das grandes cidades, demonstra uma clara e consciente inversão de valores, pelo que deveriam ser chamados de “desindustrialistas” e não de ambientalistas.
O livro a ler é: «A Hora das Hidrovias – Estradas para o Futuro do Brasil», de Geraldo Luís Lino e outros (Capax Dei Editora Ltda., RJ).
Para saber mais sobre o tema: visitar os sites da MSIa/Capax Dei: http://www.alerta.inf.br/ e http://www.msia.org.br/ . Mensagens e sugestões, favor enviar para msia@msia.org.br.

Ótimo texto a esclarecer aquilo tão maliciosamente ocultado pela imprensa comum