Por que a eletricidade é cara no Brasil

No início de junho, o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, defendeu a redução da carga tributária sobre a energia demandada pela indústria como forma de dar maior competitividade ao setor. Na avaliação de Tolmasquim, o país tem condições de fornecer energia a preços mais competitivos para a indústria, uma vez que a matriz brasileira é predominantemente hídrica e, portanto, mais barata. Ressaltou, contudo, a necessidade de se encontrar fórmulas que não prejudiquem a arrecadação dos estados, o que pressupõe uma “ampla reforma tributária e um novo pacto federativo” (Agência Brasil, 7/06/2010).


Aqui a tributação sobre a eletricidade é muito alta

Em editorial alusivo ao assunto, o jornal O Estado de S. Paulo enfatiza que a indústria brasileira poderia fabricar produtos mais baratos, faturar mais dólares e criar mais empregos se a sua conta de energia elétrica não fosse uma das mais altas do mundo, só inferior às da Itália e do Reino Unido. E, novamente, replica estudos feitos por associações de produtores e consumidores do setor elétrico brasileiro apontando uma carga tributária de 51,6%, mais que o dobro da incluída nas tarifas de eletricidade pagas pelas indústrias da Itália (23,3%), da Alemanha (22%) ou da Noruega (21,6%); e que em vários outros países da Europa a tributação sobre a eletricidade usada pela indústria fica abaixo de 20%. Na Espanha, em Portugal e no Reino Unido é inferior a 10% (O Estado de S. Paulo, 8/06/2010).


Privatização é responsável

Só que o venerável Estadão deixou de mencionar a origem da escalada nas tarifas elétricas brasileiras e que Tolmasquim apontou. Ele lembrou que o problema ocorre porque, desde 2002, está sendo retirado gradativamente das contas de energia o chamado subsídio cruzado, quando as tarifas residenciais mais altas bancavam o baixo custo da energia cobrada das indústrias. E esse descruzamento, assim como a sua irmã gêmea, a “desverticalização” do setor eltérico, foi fruto do processo predatório e atabalhoado de privatização do setor iniciado pelo governo anterior, onde os chamados agentes da área – geradores e distribuidores – não têm o que reclamar, uma vez que a conta está sendo paga por todos.

Movimento de Solidariedade Íbero-americana

 

Créditos:Este post é matéria apresentada no Boletim Eletrônico,Volume II, n° 10, de 24/06/2010, do MSIa – Movimento de Solidariedade Íbero-americana. Introduzi subtítulos no texto para facilitar e incentivar a leitura.

Para outras informações sobre o mesmo tema, visitar o site do MSIa no seguinte endereço: http://www.msia.org.br

Imagem: baixaki.com.br.

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Comentários

2 Comentários em “Por que a eletricidade é cara no Brasil”
  1. J Francisco Alff ( RS) disse:

    Ilustres :

    Jamais haverá ” ampla reforma tributária e novo pacto federativo ” com esse Congresso ! Enquanto Estados e Municípios ( seus eleitores ) deficitários puderem eleger representantes ( se naum majoritários , quase ! ) , nada de significativo ocorrerá pois essa turma de ” compatriotas ” vive muito bem assim , sem reforma e pacto !!!!!!!!!!

    • husc disse:

      Sr. Francisco:
      É isso mesmo. Não há interesse político em se modificar os impostos e tarifas neste país, pois tudo gira em torno dos lucros da corporatocracia internacional. Enquanto as multinacionais permanecerem comandando o comércio mundial e os bancos controlando o dinheiro, a taxa de inflação etc, nada será feito. O nosso Banco Central é todo voltado para os interesses dos bancos privados, assim como as concessionárias de luz e as corporações internacionais, que controlam tudo no Brasil.
      E se o PSDB ganhar as eleições, a primeira que será privatizada será a Petrobrás, como o FHC fez com a Vale, a CSN etc etc etc. Não dá mais para apoiar esses caras. E a mulherzinha do PT também é uma mala-sem-alça… Tá difícil sair dessa!
      Obrigado pelo contato.
      Saúde, vida longa e sabedoria.
      Husc

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