Sem a Inglaterra, a escravidão duraria muito mais
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Lendo a palavra “Inglaterra”, talvez chegue à sua mente a palavra “interesses”. Nos livros didáticos brasileiros, a Inglaterra quase sempre aparece acompanhada desse termo. O livro «Nova História Crítica» para a 7ª série, de Mário Schmidt, aponta três possíveis motivos que teriam levado os ingleses a ficar contra a escravidão – os três relacionados aos tais interesses.
Informações históricas inconvenientes
«Há historiadores que insistem em que a Inglaterra era um país capitalista interessado em ampliar seus mercados consumidores. [ ... ] É claro que os ingleses não eram contra o tráfico por uma questão humanitária.» Em 2007, os jornais revelaram que os livros de Schmidt tinham trechos com uma carga ideológica pesadíssima, como «A Princesa Isabel é uma mulher feia como a peste e estúpida como uma leguminosa». Outros livros didáticos, se não têm frases tão emblemátícas, contam histórias igualmente simplistas. «Interessava à Inglaterra a formação de um amplo mercado consumidor, principalmente de produtos manufaturados», pontifica o livro «História e Vida», de Nelson Piletti e Claudino Piletti.
Abolição da escravatura: motivos ideológicos ingleses
Na verdade, o movimento abolicionista inglês teve uma origem muito mais ideológica que econômica. Organizado em 1787 por 22 religiosos ingleses, foi um dos primeiros movimentos populares bem-sucedidos da história moderna, um molde para as lutas sociais do século 19. Os abolicionistas se organizavam em comitês, contavam com o apoio de homens comuns e mulheres defensoras do voto universal, que saíam de porta em porta distribuindo panfletos, juntando abaixo-assinados e promovendo boicotes. Os comitês arrecadavam dinheiro para a propaganda, publicando livretos com discursos abolicionistas e plantas de navios negreiros. Essas publicações deixaram a população horrorizada com as condições dos escravos e propensa a boicotar produtos feitos por eles. Para pressionar o Parlamento britânico a votar o direito dos negros, os abolicionistas entraram com petições na Câmara dos Comuns – equivalentes aos projetos de iniciativa popular da nossa Câmara dos Deputados. Foram em média 170 por ano entre 1788 e 1800, chegando a 900 em 1810. No total, até o fim da escravidão na Inglaterra, em 1833, foram mais de cinco mil petições, cada uma com centenas de milhares de assinaturas. Esse radicalismo faria o tráfico de escravos ser extinto em 1807, forçando todo o Atlântico a tomar a mesma posição.
Contra seus próprios interesses?
Os livros não só dão pouca ressonância a esse movimento popular como erram ao contar a história dos interesses econômicos. Sabe-se disso desde 1979, quando o historiador americano Seymour Drescher publicou o livro «Econocide» («Econocídio»). Para ele, não foi o declínio do comércio com a América que possibilitou a abolição, mas o contrário: o fim da escravidão abalou a economia britânica na América. Muitas das cidades mais ativas na abolição, como Manchester e Liverpool, eram as que mais lucravam vendendo para reinos escravagistas da África e da América. «Quem apoiava o tráfico poderia muito bem acusar os abolicionistas de agir contra seus próprios interesses», escreveu Orescher. Como diz o historiador Manolo Florentino:
«Quando se trata de avaliar os motivos da pressão inglesa pelo fim do tráfico atlântico de escravos, paira nos bancos escolares do ensino médio o estigma do “Ocidentalismo” – crença que reduz a civilização ocidental a uma massa de parasitas sem alma, decadentes, ambiciosos, desenraizados, descrentes e insensíveis. Não podem ser levadas a sério teses que vinculam a ação britânica a imaginárias crises econômicas do cativeiro no Caribe na passagem do século 18 para o seguinte. O tráfico seguia lucrativo e não passava pela cabeça de nenhum líder inglês sério que a demanda americana por bens britânicos pudesse aumentar com o fim da escravidão. Mas tudo isso continua a ser ensinado aos nossos filhos e netos.»
Em 2007, completaram-se duzentos anos da proibição do tráfico de escravos, a primeira vitória da campanha abolicionista da Inglaterra. Nenhum país da África ou movimento negro da América prestou homenagens ou agradecimentos aos ingleses.![]()
Leandro Narloch
Créditos e o livro a ler: Este post é parte do capítulo «Agradeçam aos Ingleses», do livro «Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil», da autoria de Leandro Narloch (Leya/Textos Editores Ltda.).
Imagens: /maniadehistoria.wordpress.com; congulolundo.blogspot.com (uma favela em Angola).![]()

Ilustres :
Jamais haveria escravidaao Negra naum fossem os próprios Negros D’África escravizarem seus semelhantes para posteriormente vendee-los aos traficantes ocidentais ! A populaçaao Negra das Américas , descendente desses escravos , possui padraao de vida várias vezes superior aos seus pares Africanos , descendentes tb dos primeiros escravagistas !!!!!!!!!!
Sr. Francisco:
Certíssimo. Minha idéia, neste blog, é a de desmistificar o conceito de que os negros foram e são uns coitadinhos, pois, baseados nisso, eles reivindicam coisas às quais não têm o menor direito. O que chamei de “quilombolismo” tem as mesmas raízes políticas das do indigenismo, e só servem para acirrar o racismo e o sentimento separatista na sociedade brasileira.
E, de fato, aqui eles são muito mais felizes do que na “Mãe África”! E mesmo lá, na época do colonialismo europeu, eles desfrutavam de muito mais paz do que agora. Soltos, os líderes negros, em troca de armas para manter suas ditaduras, dilapidam as riquezas naturais de seus países e ainda escravizam as suas populações. Não dá para se sustentar a idéia de que a África é um paraíso, pois até hoje os negros praticam a escravidão. Não são, portanto, uns coitadinhos.
Obrigado pelo contato.
Saúde, vida longa e sabedoria.
Husc