Sequestro de carbono – chega de insânia aquecimentista
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Este é um artigo publicado na revista eletrônica do MSIa – Movimento Solidariedade Íberoamericana, de 19/08/2009 (número 33), publicado antes da reunião de Copenhague. Os créditos de carbono, que já estão sendo negociados em “bolsas” especificamente criadas para esse fim, não passam de, por um lado, pelos que emitem dióxido de carbono, uma permissão para continuar poluindo, pagando para isso, e os que vendem esses créditos, são os países que evitam a utilização de combustíveis fósseis e, assim, têm limitadas, drasticamente, suas possibilidades de crescimento, pois, ou não usam essa forma de energia, ou usam outra de custo infinitamente superior ao do petróleo, carvão e gás natural. A negociação dos chamados “créditos de carbono” é, pois, uma imposição derivada do poderio econômico das nações industrializadas, as ditas nações “centrais”, e uma forma de inibir o desenvolvimento das chamadas, pejorativamente, nações “periféricas” – e, dentre estas últimas, está o Brasil, que, ingenuamente, está alimentando esse tipo de transação espúria. E o ambientalismo internacional, obviamente, está por trás disso tudo. Eis a seguir o artigo do MSIa.
Os subtítulos foram acrescentados por mim para melhor leitura do texto.
Sequestro de carbono – hora de dar um basta na insânia aquecimentista
A sigla CCS é o novo cavalo de batalha do ambientalismo radical, cuja meta é estabelecer um “padrão-carbono” para a economia mundial nas próximas décadas. Por “padrão-carbono”, entenda-se a intenção de reduzir drasticamente a utilização de combustíveis fósseis na matriz energética mundial, para combater o suposto aquecimento global antropogênico. CCS é a abreviatura em inglês da expressão captura e sequestro de carbono, que qualifica um conjunto de métodos para separar o dióxido de carbono (CO2) de fontes emissoras como usinas termelétricas e armazená-lo de forma permanente, para impedir que chegue à atmosfera.
Em meio à escalada de pressões políticas para o estabelecimento de um arranjo global de limitações de emissões, que deverá ser o tema principal da 15ª. Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-15), em Copenhague, em dezembro próximo, as tecnologias CCS estão no centro das discussões, inclusive no Brasil. Entretanto, elas têm um enorme potencial de se revelarem como autênticos cavalos de Tróia, não apenas para os setores econômicos que eventualmente venham a ser obrigados a empregá-las, mas também para a sociedade como um todo, devido aos seus elevados custos econômicos – e também ambientais, estes raramente discutidos pelos seus proponentes.
Como tem ocorrido com outros subprodutos da campanha alarmista sobre o aquecimento global, como os chamados créditos de carbono, a aplicação das técnicas CCS somente proporcionará benefícios diretos às empresas que já estão se mobilizando para desenvolvê-las e oferecê-las, na medida em que as legislações ambientais nacionais as forem exigindo. Em paralelo, os ambientalistas contam com elas para aumentar artificialmente o custo da utilização dos combustíveis fósseis, de modo a viabilizar economicamente as dispendiosas “energias alternativas”, como costumam referir-se a fontes energéticas como a solar, eólica, maremotriz, geotérmica e outras (que, em conjunto, fornecem menos de 2% de toda a eletricidade gerada no planeta).
O “pré-sal” está na mira
No Brasil, o alvo mais recente dessa investida é a exploração do petróleo da camada pré-sal das bacias de Campos e Santos, que, além dos já elevados custos econômicos e logísticos decorrentes da exploração em águas ultraprofundas, se vê às voltas com a perspectiva de aumentá-los ainda mais por conta da irracional e insana campanha para transformar artificialmente um fenômeno natural em uma inexistente emergência climática global.
Na última reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o seu ministério, em 13 de julho, o ministro do Meio Ambiente Carlos Minc chamou a atenção para o que chamou “um pequeno detalhe”, o fato de o petróleo do pré-sal conter 3-4 vezes mais CO2 do que o seu equivalente das demais áreas. Em entrevista à Folha de S. Paulo de 9 de agosto, Minc foi enfático:
«Vai ter de ter CCS… Temos de aproveitar a riqueza do pré-sal, mas sem explodir as emissões. O CCS é a saída. Não é bicho de sete cabeças. Não vai atrasar nem inviabilizar o pré-sal.»
Segundo a reportagem de Marta Salomon («Área Ambiental Traz Custo Extra ao Pré-sal»), Minc calcula que a aplicação das técnicas CCS impliquem num aumento de custos da ordem de 1-1,5% na exploração. «Comparado a não fazer nada, é caro, mas não é nada que inviabilize o pré-sal. O preço do CCS tem de ser considerado», afirmou.
Desafortunadamente, o performático ministro está mal informado ou se precipitando. Primeiro, a própria Petrobras não confirmou a informação sobre as concentrações maiores de CO2 no petróleo do pré-sal. «Como estamos ainda no período de obtenção dos primeiros dados sobre isso, tanto os teores médios como as quantidades volumétricas e a distribuição geográfica dessas concentrações não foram estabelecidos», afirmou uma nota da empresa. Segundo, mesmo que ainda estejam em fase experimental, os custos das técnicas CCS tendem a ser muito mais altos do que o sugerido e, pior ainda, os seus impactos ambientais são de monta a anular quaisquer supostos benefícios que possam ter – isto, independentemente da própria irracionalidade da campanha “aquecimentista”.
Na reportagem, Marta Salomon sintetiza as conclusões de um relatório oficial do governo da Noruega, cuja estatal petrolífera Statoil é uma das pioneiras do desenvolvimento e aplicação das técnicas CCS: «A tecnologia disponível é muito cara».
Custos ambientais do “pré-sal”…
A jornalista menciona também um estudo apresentado em fevereiro na Coordenação dos Cursos de Pós-Graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (COPPE), o qual estima preliminarmente o custo das técnicas CCS nos campos de Tupi e Iara, na bacia de Santos, em 63 dólares por tonelada de CO2, o que implicaria num custo adicional de nada menos que 190 bilhões de dólares para a extração de todo o petróleo das bacias. Embora tais números sejam, evidentemente, passíveis de revisão, na medida em que se aprofundar o conhecimento sobre os campos, qualquer aumento artificial dos custos de exploração de tais áreas em um ambiente tão volátil como o que determina os preços do petróleo, poderá, sim, reduzir consideravelmente a sua rentabilidade econômica e até mesmo inviabilizá-las.
Embora a indústria petrolífera tenha uma experiência acumulada de pelo menos três décadas na reinjeção de CO2 para aumentar a vazão e a recuperação do petróleo de poços maduros, já explorados há algum tempo (a chamada recuperação avançada de petróleo, EOR em inglês), a utilização da técnica para o armazenamento definitivo do gás envolve problemas bem distintos. A propósito, consultemos duas autoridades no assunto, a engenheira petrolífera Xina Xie, da Universidade de Wyoming, e seu colega Michael J. Economides, da Universidade de Houston. Em um trabalho apresentado na conferência sobre segurança ambiental da Sociedade dos Engenheiros de Petróleo dos EUA, em março último («O Impacto do Sequestro Geológico de Carbono»), os autores afirmam:
«Sob condições supercríticas… [de pressões e... temperaturas encontradas em profundidades superiores a 800 m – n.e.] …o CO2 é menos denso que a água e tende a migrar para o topo da formação no qual é armazenado, devido ao empuxo. É inevitável que uma certa proporção de CO2 sob alta pressão venha a vazar, devido à natureza permeável das rochas porosas, acarretando incertezas quanto à capacidade de armazenamento dos reservatórios.» (…)
Abordagem crítica
Os temas críticos para o seqüestro de CO2 em formações geológicas em escala comercial são as incertezas da geologia, os riscos para o meio ambiente e os encargos financeiros, que são inevitavelmente imensos. As vantagens proclamadas na maior parte da literatura sobre o seqüestro de carbono, sobre a compensação dos custos pelo emprego das técnicas EOR nos reservatórios de petróleo e o uso de CO2 na recuperação ampliada de metano de camadas de carvão (ECBM), se referem apenas à injeção de CO2 em escala relativamente pequena. Os benefícios se tornam desprezíveis quando o CO2 é injetado em uma escala tal como os níveis estabelecidos pelo Protocolo de Kyoto, uma vez que os custos da obtenção de CO2 de alta pureza e das operações de injeção serão maiores em várias ordens de grandeza.
Os dois especialistas avaliam que, para cumprir com as metas de cortes de emissões do Protocolo de Kyoto em sua forma atual, os EUA precisariam perfurar mais de 66.000 poços para reinjetar o CO2 emitido em 2008, número que teria que ser ampliado para 160.000 poços, em 2030. Em todo o mundo, seriam necessários, respectivamente, 370.000 e 890.000 poços. Os custos diretos do processo, apenas nos EUA, seriam superiores a 1 trilhão de dólares anuais (sem falar nos custos ambientais dos mais que prováveis vazamentos de gás dos reservatórios de armazenamento).
As alternativas são caríssimas
Em suma, embora o custo político de se enfrentar a tsunami “aquecimentista” possa ser considerado alto por muitas lideranças políticas e setoriais, o preço global de se permitir a continuidade de propostas delirantes como as mencionadas acabará se revelando proibitivo para as sociedades em geral. Portanto, é mais que hora de se reunirem a determinação e a vontade política necessárias para se colocar os imprescindíveis freios no radicalismo ambientalista, sob pena de se comprometerem as metas de desenvolvimento de que a humanidade precisa para reduzir as imorais desigualdades prevalecentes no planeta. Em lugar de se iludir com qualquer pretensão de liderar o mundo no rumo de uma “economia de baixo carbono”, o Brasil pode e deve, isto sim, dar o exemplo para enterrar definitivamente a ideologia ambientalista.![]()
Movimento Solidariedade Íbero-americana
Para saber mais sobre o tema, visitar os sites da MSIa/Capax Dei:
http://www.alerta.inf.br/ e http://www.msia.org.br/
Imagens: 4.bp.blogspot.com; 3.bp.blogspot.com.
