Cuba, entre o neoliberalismo e a Doutrina Social da Igreja

«A maldade e a ignorância dos homens não são capazes de frear o plano divino de salvação, a redenção. O mal não pode tanto. Não há motivos, pois, para se render ao despotismo do mal.» Tais palavras foram pronunciadas pelo papa Bento XVI, na homilia das vésperas, celebrada em 26 de março, em León, México, junto com os bispos da América Latina. Com isso, o Pontífice alentava o povo mexicano a resistir, em um dos momentos mais turbulentos de sua história, marcado pela violência do narcotráfico, pobreza extremada, famílias divididas pela emigração em massa – principalmente, para os EUA -, corrupção e um futuro incerto, que coloca em risco a própria unidade nacional.

HSBC: Senado dos EUA investigam lavagem de dinheiro

O HSBC Holdings PLC está sob investigação por um comitê do Senado dos EUA em uma investigação de lavagem de dinheiro, o mais recente passo em um esforço dos EUA, de longa duração, para deter o fluxo de dinheiro através de bancos globais sombrios, de acordo com pessoas familiarizadas com a situação de depósitos de valores mobiliários de empresas.

Aldo Rebelo: “Miriam Leitão, por que mentir?”

“O artigo “Código do Erro”, assinado por Miriam Leitão, expressa a pilhéria de Charles Dana de que o “jornalista separa o joio do trigo, e publica o joio”. Miriam é tida como jornalista bem informada, mas seu texto sobre o Código Florestal é uma sucessão de inverdades e erros carregados de má-fé e piores intenções.

FAO quer evitar “enclaves agrícolas”

A Agência das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) está promovendo negociações entre os 192 países membros da ONU, para limitar a compra de terras por estrangeiros em todo o mundo. A intenção é estabelecer um código de conduta capaz de regular tais investimentos, cuja redação se encontra em uma fase avançada de negociações, visando impedir a prática da aquisição em massa de terras estrangeiras por empresas de certos países, em detrimento da segurança alimentar destes últimos.

Brasil: proteção e projeto nacional

A palavra “protecionismo” e suas variantes ganharam uma conotação anacrônica, como se quem a proferisse estivesse fora de sintonia com os ventos modernizantes da “globalização”. No Brasil, é comum verem-se editoriais e comentários midiáticos empregando-as de forma quase pejorativa, sugerindo que o seu uso já seria suficiente para se rotular alguém como um retrógrado ou saudosista de tempos idos. Não obstante, países com governos mais assertivos têm tomado medidas ostensivamente protetoras de seus setores produtivos, ou pelo menos parte deles, demonstrando que colocam seus interesses acima da retórica.

O HSBC e a lavanderia de dinheiro “globalizada”

O fato de que o sistema bancário internacional se tornou “viciado” em operações de lavagem de dinheiro proveniente de atividades ilícitas não constitui nenhum segredo de Estado, tendo sido apontado por diversos órgãos internacionais. Em dezembro de 2009, o diretor-geral do Gabinete sobre Drogas e Crime das Nações Unidas (UNODC), Antonio Maria Costa, afirmou que o dinheiro do narcotráfico contribuiu consideravelmente para salvar os bancos da bancarrota, no auge da crise deflagrada pela quebra do Lehman Brothers, em setembro do ano anterior.

O que está por trás da crise na Hungria?

A declaração abaixo foi escrita pelo bispo auxiliar da arquidiocese de Esztergom/Budapest, monsenhor Janos Szekely, e divulgada em 13 de janeiro no jornal católico Magyar Kurír. O manifesto se refere aos recentes ataques desfechados contra o governo húngaro, após a reforma constitucional efetuada pelo país, que inclui dispositivos de defesa da família e da Igreja e limitadores da independência do Banco Central.

Guerra econômica e “terrorismo financeiro”

O rebaixamento da classificação dos títulos públicos da França, seguido de outros oito países europeus e do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF), pela agência Standard & Poor’s, não se baseou em qualquer fundamento econômico ou financeiro racional. Ao contrário, foi mais um episódio da feroz guerra intestina que se trava no contexto da crise sistêmica global, entre o eixo Wall Street-City de Londres e o bloco europeu, em torno de uma agenda mínima de re-regulamentação do sistema financeiro internacional.

Canadá: no meio ambiente alheio é refresco

Pimenta nos olhos dos outros é refresco, diz o ditado. Pois o Canadá, um dos países mais ativos na promoção do ambientalismo radical, especialmente, em países em desenvolvimento, está provando do próprio remédio – e não está gostando. O imbróglio envolve o megaprojeto de um oleoduto-gasoduto ligando a província petrolífera de Alberta à costa do Pacífico, que, como todo empreendimento do gênero, caiu na alça de mira do aparato ambientalista internacional. Em uma reação surpreendente, o próprio governo canadense tomou a situação nos dentes, com uma inusitada e contundente denúncia pública da agenda dos radicais “verdes”.

“A floresta da mãe Joana”: urge uma contraofensiva diplomático-ambiental

Por encomenda da revista Veja, uma pesquisa internacional sobre a imagem do Brasil no exterior revelou a eficiência da campanha de mais de duas décadas do movimento ambientalista-indigenista, para colocar o País como um dos alvos principais da sua agenda antidesenvolvimentista, em particular, quanto à preservação da Amazônia no estado mais “natural” possível. Em um contexto em que o País obteve resultados gerais positivos, mais da metade dos entrevistados considerou que a importância ambiental global da Floresta Amazônica justifica restrições à soberania brasileira sobre a região. A pesquisa foi efetuada pela CNT/Sensus em 18 países (Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México, EUA, Portugal, Espanha, França, Itália, Inglaterra, Alemanha, Rússia, China, Japão, Índia, Líbano e África do Sul), tendo sido entrevistadas 7.200 pessoas.

“Modernização autoritária”: uma avaliação sobre o futuro da Rússia

No final de 2012, enquanto a mídia ocidental concentrava as atenções nas manifestações organizadas pela chamada oposição russa, o ex-premier eslovaco Ján Carnogurský proporcionou uma sóbria avaliação sobre a orientação estratégica da Federação Russa, um dos elementos que terá importância crucial para os desdobramentos da crise global. Em vista da piora das relações entre a Rússia e a União Europeia (UE), Carnogurský antevê uma guinada russa, afastando-se da UE e privilegiando a configuração de uma União Eurasiática, englobando as nações que formavam a extinta URSS.

Bem-vindos a 2012

Prognósticos sobre o fim do mundo têm sido recorrentes em períodos históricos caracterizados por crises que atingem a essência do processo civilizatório, em que o conjunto de referências que fundamenta as atividades humanas se mostra crescentemente disfuncional, sem que uma alternativa viável, mesmo existente, esteja contemplada nas agendas das lideranças de todos os setores – como é o caso da atualmente vivida pela Humanidade.

Agências de classificação ou de governo?

Há algo de perverso em se acompanhar na televisão os difíceis andamentos das reuniões de chefes de Estado e de governo sobre o futuro do euro e da União Europeia (UE), enquanto, na parte inferior da tela, se sucedem as últimas avaliações das agências de classificação de risco, proclamando os rebaixamentos iminentes de suas cotações. Nos últimos dias, as “três irmãs” ofereceram “gratuitamente” as suas avaliações para baixo para toda a zona do euro em conjunto.

Por quem dobram os sinos em Bagdá

«E esses americanos e todos os americanos que servem [nas Forças Armadas] são a encarnação da coragem, do desprendimento e do patriotismo. E quando eles lutam juntos e, às vezes, morrem juntos… eles trabalham como uma equipe e fazem o seu trabalho, e eles fazem isto por algo maior do que eles.» Com essas palavras, proferidas na Casa Branca, em 20 de dezembro, o presidente Barack Obama comentou a breve cerimônia realizada pouco antes, na Base Aérea de Andrews, nos arredores de Washington, com a qual encerrou oficialmente a invasão do Iraque.

É hora de mudar a agenda ambiental global

O desfecho da Conferência de Durban, a COP-17, reforça a percepção que se tem diante dos demais aspectos da crise global, referente ao abismo que separa as agendas políticas prevalecentes na maior parte do planeta dos fatos do mundo real, que influenciam o cotidiano e as aspirações e necessidades da grande maioria das sociedades. De fato, ao se observar o enorme empenho colocado na preservação da irracional agenda de “descarbonização” da economia mundial, com uma sobrevida comercial ao Protocolo de Kyoto e o estabelecimento de uma “declaração de boas intenções”, que prevê a adoção global de cotas de emissões de carbono para 2020, só se pode lamentar a profunda perda de contato com a realidade por parte de setores que deveriam liderar as sociedades na busca de uma superação da crise global.

Narcotráfico e crise financeira: uma advertência de Moscou

Não é todo dia que um alto funcionário governamental, independentemente do seu país, demonstra o conhecimento e a determinação necessários para fazer uma avaliação realista da crise global, apontando simultaneamente as suas causas, os múltiplos efeitos e, principalmente, os beneficiários da instabilidade provocada por ela – que, por conseguinte, têm resistido a toda e qualquer iniciativa política para revertê-la. Este é o caso do diretor do Serviço Federal de Controle de Drogas da Federação Russa (FSKN, na sigla em russo), Viktor Ivanov, em diversas intervenções públicas, inclusive, nos EUA e na Europa, que fala sem rodeios sobre os vínculos entre o tráfico internacional de drogas e o sistema financeiro global.

Luzes e sombras na cúpula da UE

Uma vez mais, os chefes de Estado e de governo europeus, fortemente influenciados pelos acordos preferenciais entre Angela Merkel e Nicolas Sarkozy, não foram capazes de combinar a necessidade de rigor com a do crescimento econômico. De acordo com os líderes da zona do euro, em primeiro lugar, devem vir os cortes orçamentários, as medidas de austeridade para reduzir as dívidas públicas e as mudanças dos tratados e, só depois, se poderá pensar na recuperação econômica! Parece ser ideologicamente impossível fazer rodarem juntos o trem do rigor e o da recuperação.

O abismo Reino Unido-Europa

Às vésperas da recente cúpula europeia, um importante economista e ex-funcionário do governo alemão me disse que não nos deveríamos preocupar em demasia com o desfecho da reunião. Segundo ele, o processo de consolidação das presentes turbulências que abalam a zona do euro seria prolongado, mas com tendência a seguir o rumo dado pela dupla formada pela chanceler alemã Angela Merkel e o presidente francês Nicolas Sarkozy – já devidamente apelidada “Merkozy”. A primeira, afirmou, havia aprendido certas lições, e o segundo, que enfrentará eleições presidenciais em 2012, sabe que suas chances de reeleição são diminutas.

A Europa já passou por dias piores…

A crescente onda de pessimismo no que diz respeito à situação político-econômico-financeira da União Européia e do euro é um exagero. Não quero, com isso, dizer que não hajam problemas. O maior deles é o desnível econômico e fiscal entre os países que aderiram ao euro. Países europeus “periféricos” não se comportam da mesma maneira que os principais, como a Alemanha e a França.

As advertências de Medvedev e o que está em jogo para a segurança europeia

Não poucos se surpreenderam com o inesperado pronunciamento televisivo de Dmitri Medvedev, em 23 de novembro, quando o presidente russo fez uma dura advertência aos EUA e seus aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). O recado foi direto: se as preocupações de segurança da Federação Russa continuarem a ser ignoradas, com a implementação do sistema de defesa antimísseis na Europa (envolvendo a Polônia, Turquia, Romênia e Espanha), Moscou estará preparada para responder com medidas defensivas adequadas.

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