Estratégia de caos em ação

Uma breve revisão dos acontecimentos recentes sugere que as forças hegemônicas que controlam os centros de poder político e financeiro, em Washington, Nova York, Londres, Bruxelas e Basileia, se encontram empenhadas em uma estratégia de caos deliberadamente provocado, com o maldisfarçado objetivo de justificar a implementação de medidas excepcionais que, em sua ótica, possibilitarão a preservação do status quo global. Tais ações implicam na crescente neutralização das soberanias dos Estados nacionais em favor de esquemas de “governo mundial”, como está em curso na União Europeia (UE) e, no extremo, colocam o mundo mais próximo de um conflito generalizado de grandes proporções, que poderá ser deflagrado por qualquer incidente, espontâneo ou provocado, em meio à escalada de provocações retóricas, ações militares e de inteligência e outros atos hostis desfechados, principalmente, contra o Irã, Síria, Egito, Paquistão, China e Rússia.

Banqueiros europeus discutem “grande mudança” no mundo multipolar

A 21ª. edição anual do Congresso Bancário Europeu, realizada em 18 de novembro, em Frankfurt, foi caracterizada por uma atmosfera de sobriedade e pela dolorosa compreensão, por parte de alguns elementos da nata do setor bancário, de que, nas palavras do presidente do Deutsche Bank, Josef Ackermann, “temos que estar preparados para anos de volatilidade”. O tema principal do evento, “A Grande Mudança”, foi um reconhecimento do fato de que, ao longo da última década, o centro de gravidade mundial deixou de ser unipolar para se tornar multipolar, com potências emergentes, como a China, Brasil, Índia, Rússia e outras, passando a atuar crescentemente como atores globais na economia mundial, como ressaltou Ackermann.

“Neoconservadores”, Irã e Copa do Mundo

A investida do governo do presidente Barack Obama contra o Irã colocou em destaque as tentativas realizadas pelo poderoso grupo político estadunidense conhecido como os “neoconservadores”, para envolver os países ibero-americanos, do México à Argentina, em suas manobras de inteligência visando à reativação da “guerra ao terror” na região. Uma evidência disto é a entrevista de um de seus ícones diplomáticos, Roger Noriega, à revista Veja, publicada na edição de 9 de novembro, na qual adverte o Brasil e a Argentina de que ambos os países estão diante do perigo “real e iminente” de sofrer atentados terroristas por organizações aliadas ao Irã que atuam na região.

Europa cria “Politburo financeiro” para apaziguar rentistas

Embora alguns de seus membros estejam ferrenhamente empenhados em levar a “democracia” a países como a Líbia, a União Europeia (UE) parece não ter o mesmo apreço pelo conceito internamente. Pelo menos se a sua aplicação implicar em conflitos de interesses com a alta finança global, engajada a todo custo na preservação do sistema financeiro internacional em sua presente forma.

Ainda sobre o “excepcionalismo” no sistema internacional

A campanha de rufar de tambores de guerra articulada contra o Irã, sob o pretexto dos alegados fins militares do programa nuclear do país, prosseguiu sem descanso nos últimos dias, com salvas disparadas a partir de Israel, do Reino Unido e dos EUA, não apenas no campo da retórica belicista, como, possivelmente, com ações mais diretas. Em conjunto, a investida representa uma deplorável manifestação do “excepcionalismo” prevalecente nas relações internacionais, caracterizado pela existência e aceitação geral de dois conjuntos de regras: um que assegura plena liberdade de ação e argumentação aos EUA e seus aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e Israel, na perseguição dos seus interesses estratégicos; e outro que deve ser seguido pelos demais países do mundo.

Uma agenda protetora para o Brasil

O Governo Federal tomou, recentemente, duas medidas protecionistas para reduzir a erosão da capacidade produtiva nacional diante dos impactos combinados da enxurrada de importações asiáticas e dos efeitos recessivos da crise global. A primeira foi a elevação em 30% do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para os automóveis importados. A segunda, a concessão de uma vantagem de até 25% nos preços oferecidos por empresas nacionais em licitações para compras governamentais. Embora sejam limitadas e temporárias, ambas provocaram reações no exterior, motivando acusações de protecionismo contra o Brasil, em órgãos como a Organização Mundial do Comércio (OMC) e a União Europeia (UE).

Dossiê Irã: AIEA de Amano a serviço da agenda belicista

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) já teve dias melhores. Em 2003, às vésperas da já anunciada invasão do Iraque por uma coalizão encabeçada pelos EUA e o Reino Unido, a agência não se cansou de ressaltar que seus inspetores não haviam encontrado quaisquer vestígios das decantadas armas de destruição em massa de Saddam Hussein, o principal pretexto manipulado pelo eixo anglo-americano para justificar o ataque militar. Bem, eram outros tempos. O diretor-geral da agência era o egípcio Mohamed ElBaradei (1997-2009), cuja gestão foi marcada pela independência e a firmeza diante das pressões das potências hegemônicas – algo que não se pode afirmar de seu sucessor, o japonês Yukiya Amano.

G-20 em Cannes: filme B de submissão aos mercados

Pelo menos uma vez por ano, Cannes se torna o foco de atenções mundiais, por ocasião do seu célebre festival de cinema. Este ano, o balneário da Riviera francesa teve uma segunda oportunidade de ocupar as manchetes midiáticas, com a realização da cúpula do G-20, em 3-4 de novembro. Entretanto, em lugar de algo como as tradicionais exibições do cinema de arte europeu e de outros continentes, o que se viu na cúpula estava mais para um filme B de terror hollywoodiano dos anos 50, com um roteiro que não fazia qualquer concessão aos espectadores, com arremedos de diretor e atores medíocres em cena.

Sistema bancário será “dizimado”

O sistema bancário ocidental tende a ser “dizimado”, até o primeiro semestre de 2012, devido a uma combinação de rentabilidade em queda livre, balanços desfavoráveis, perdas de ativos na casa dos trilhões de dólares e, não menos, das pressões cada vez mais fortes pela sua re-regulamentação. O prognóstico é do Laboratório Europeu de Antecipação Política [...]

Um choque de realidade global

O desabafo, em tom de desânimo, foi feito a um correspondente da agência Reuters por um delegado, à reunião dos ministros da Fazenda e presidentes dos bancos centrais do G-7, ocorrida em Marselha, em 8-9 de setembro. Ele refletia a absoluta falta de sentido de realidade e a incapacidade de as lideranças mundiais tomarem qualquer decisão efetiva para enfrentar a sério a crise sistêmica global que também se mostrou nas outras reuniões internacionais ocorridas ao longo do mês: a reunião conjunta Banco Mundial/Fundo Monetário Internacional e dos ministros da Fazenda e presidentes dos bancos centrais do G-20, em Washington – e a abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York.

A criação colonial das ONGs

A seguir, reproduzimos um trecho do livro «Máfia Verde: Ambientalismo, Nuevo Colonialismo», de Lorenzo Carrasco e outros, publicado pela Capax Dei Editora, em 2007.

Bem-vinda investida contra ONGs

A defenestração de Orlando Silva do Ministério do Esporte proporcionou mais um vislumbre da grande penetração de organizações não-governamentais (ONGs) na estrutura do Estado brasileiro. Por isso, só merece aplausos a decisão do novo titular da pasta, o deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB-SP), de suspender e rever os convênios assinados pelo ministério com tais entidades – a qual parece constituir uma inclinação da própria presidente Dilma Rousseff, que anunciou pessoalmente a intenção de impor um maior rigor a tais contratos. De fato, em outubro de 2010, quando ainda candidata à Presidência, Dilma se comprometeu a criar um grupo de trabalho para elaborar, no prazo máximo de um ano, uma proposta de marco regulatório para o setor.

A estratégia russa de desenvolvimento vista da Alemanha

Um livro recém lançado na Alemanha proporciona uma excelente visão do pensamento estratégico das elites russas, além das promissoras oportunidades que o país oferece aos investimentos estrangeiros. Trata-se de «O Amigo Frio – Por Que Precisamos da Rússia: Uma Análise de Um Insider»(«Der kalte Freund – Warum Wir Russland brauchen: Die Insider-Analyse», Hanser Publication, 2011). O autor, Alexander Rahr, é conhecido como um dos mais importantes “kremlinologistas” alemães, a partir de sua posição de presidente do Centro Berthold Beitz (entidade especializada em relações com a Rússia, Bielorrússia, Ucrânia e Ásia Central), suas excelentes relações com o premier russo Vladimir Putin e ativo participante das discussões anuais do Clube Valdai, fórum criado pela agência Novosti, que reúne anualmente destacados especialistas russos e estrangeiros.

A Europa e o mundo em mais uma semana de crise

O sétimo bilionésimo habitante do planeta, cujo nascimento foi anunciado em 31 de outubro pelo Fundo de População das Nações Unidas, encontra o mundo imerso na maré montante da crise sistêmica global, que não dá o menor sinal de que poderá amainar a curto prazo, em função da falta de disposição das lideranças mundiais para confrontar as suas causas fundamentais e adotar as medidas necessárias para superá-la.

União Europeia: ganhando tempo

Na frente da crise financeira, as atenções do momento estão voltadas para a União Europeia (UE), que deverá decidir a forma do plano de resgate que, segundo as expectativas, poderá proporcionar algum alívio para a crise das dívidas soberanas. Duas medidas imediatas estão na pauta: a ampliação do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (EFSF), de 440 bilhões para 1 trilhão de euros, e a aceitação pelos bancos de um “desconto” de até 60% nos seus estoques de títulos da dívida da Grécia, considerados os mais “explosivos”. Os detalhes foram revelados a parlamentares alemães pela chanceler Angela Merkel, já que o Bundestag (Parlamento alemão) precisa votar o pacote (Spiegel Online, 24/10/2011).

LEAP: três prioridades estratégicas para o G-20

Em seu relatório de setembro último, GEAB No. 57 (Global European Anticipation Bulletin), o Laboratório Europeu de Antecipação Política (LEAP) apresenta uma pauta de prioridades estratégicas para que o G-20 possa enfrentar efetivamente a crise sistêmica global, propondo a sua implementação, no máximo, a partir de 2012. A proposta aborda elementos que, se implementados, poderão “determinar, fundamentalmente, toda a futura arquitetura de governança global e, ao mesmo tempo, purificar as áreas perigosas do sistema atual”, afirma o texto. “Dito simplesmente, trata-se de construir o futuro, enquanto se desarma o presente das bombas do passado.”

Uma luz de esperança para o México

As eleições gerais de julho de 2012 deverão assinalar uma guinada crucial para o México, imerso na maior crise de sua história, provocada pela falência múltipla dos seus órgãos políticos, sociais e econômicos, após três décadas de uma virulenta enfermidade neoliberal. As consequências deste processo, devido à interdependência do país com seus vizinhos do Norte, poderá ter repercussões universais, principalmente, levando-se em conta que 2012 será um ano de eleições igualmente vitais em algumas das principais potências mundiais, inclusive os próprios EUA.

Vladimir Yakunin: crise econômica é “crise civilizatória”

A presente crise econômica mundial pode ser vista como uma crise civilizatória de todos os modelos globais de inspiração ocidental, “o mundialismo, o consenso euroatlântico e a globalização”. A avaliação é de Vladimir Yakunin, presidente do Fórum Público Mundial para o Diálogo de Civilizações, mais conhecido como Fórum de Rodes, em seu discurso na abertura da IX Sessão Anual do Fórum, realizado na ilha grega de mesmo nome, entre 6 e 10 de outubro últimos.

LEAP: sistema bancário será “dizimado”

O sistema bancário ocidental tende a ser “dizimado”, até o primeiro semestre de 2012, devido a uma combinação de rentabilidade em queda livre, balanços desfavoráveis, perdas de ativos na casa dos trilhões de dólares e, não menos, as pressões cada vez mais fortes pela sua re-regulamentação. O prognóstico é do Laboratório Europeu de Antecipação Política (LEAP), em seu boletim GEAB No. 58 (Global European Anticipation Bulletin 58), divulgado em 16 de setembro. Para os argutos analistas do instituto europeu, que tem se destacado pela antevisão dos desdobramentos da crise global, pelo menos 10-20% dos bancos ocidentais deverão desaparecer nos meses vindouros.

Grécia: “geração perdida” abandona o país

O violento impacto da crise econômico-financeira está levando um número cada vez maior de gregos a recorrer ao histórico recurso da emigração, em busca de dias melhores. Às voltas com uma taxa de desemprego oficial de 16%, uma violenta contração da economia, da ordem de 5,2% em termos anualizados, e a inexistência de qualquer vislumbre de uma luz no fim do túnel, resta aos gregos, principalmente, os jovens, a procurar em outros países as perspectivas de futuro que lhes são negadas pelas lideranças políticas do seu.

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