França: nova oportunidade de eliminar o absolutismo do mercado

Dos cinco países da União Europeia (UE) que tiveram eleições no último fim-de-semana, a França é o que apresenta o maior impacto potencial para a evolução do cenário global, no futuro imediato. E não porque o presidente eleito François Hollande seja um estadista de peso (na verdade, está longe disto), mas pelas circunstâncias em que irá substituir Nicolas Sarkozy no comando do Eliseu, tendo nas mãos a possibilidade – abandonada por seu antecessor – de colocar o grande peso específico de seu país à frente de uma “revolução” para acabar com o absolutismo dos mercados financeiros na formulação de políticas.

Itália: um fundo para o crescimento

O programa de reformas do governo do premier italiano Mario Monti Governo apresentou, recentemente, uma Agenda para o Crescimento, elaborada pelo Ministério de Desenvolvimento Econômico e Infraestrutura. Esperemos que não se trate de mera propaganda. O baixo crescimento no país já dura 15 anos e a economia encontra-se mergulhada numa recessão, a caminho de uma depressão, manietada por uma orientação contábil rigorosa, mas desconectada de qualquer política de recuperação.

O dilema da estratégia alemã para o Oriente Médio

As perspectivas futuras para o Oriente Médio foram o tema de uma recente conferência organizada pelo Clube Atlântico Alemão, em Frankfurt, com o sugestivo título “O Ponto Quente do Oriente Médio”. Na ocasião, um dos mais respeitados comentaristas da televisão alemã, Manfred Sonne, falou sobre o dilema da estratégia alemã para a região. Seu ponto central foi a observação de que, no futuro, o Oriente Médio se tornará o principal “ponto quente” para a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e o Ocidente em geral.

França: terremoto eleitoral

François Gérard Georges Nicolas Hollande (Ruão, 12 de agosto de 1954) é um político francês, servindo atualmente como 24º Presidente da França. Foi primeiro secretário do Partido Socialista de 1997 a 2008 e prefeito da comuna francesa de Tulle entre 2001 e 2008. Atualmente é presidente do conselho geral do departamento de Corrèze e deputado pelo 1º distrito. Venceu o primeiro turno e liderou as pesquisas de intenção de voto para o pleito em segundo turno da eleição presidencial da França em 2012. Confirmou seu favoritismo no segundo turno, em 6 de maio de 2012, ao obter 52% dos votos, derrotando Nicolas Sarkozy, candidato à reeleição. Ele tomou posse como presidente em 15 de maio de 2012.

Israel: agenda provocativa pós-Istambul

Talvez não haja no mundo governo mais previsível que o de Israel, quando encabeçado por um belicista assumido como o premier Benjamin Netanyahu. Após a conferência de Istambul, entre representantes do Irã e do grupo P5+1, constituído pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas e a Alemanha, a agressividade com que o premier recebeu a perspectiva de um entendimento construtivo sobre o programa nuclear iraniano já sinalizava alguma ação provocativa orientada para prejudicar o acordo, antes da segunda reunião, prevista para 23 de maio próximo, em Bagdá.

“Primavera Europeia” contra Bruxelas

O ambiente político na Europa proporcionou, nos últimos dias, evidências claras de que os cidadãos do Velho Continente estão perdendo a paciência com a submissão das políticas públicas aos ditames dos mercados financeiros, traduzida nas draconianas políticas de austeridade, que estão agravando ainda mais a situação socioeconômica de um país após o outro. Ao mesmo tempo, é cada vez mais difícil ocultar o abismo que separa as ambições e a agenda dos “eurocratas” de Bruxelas das aspirações e necessidades reais das sociedades dos países membros da União Europeia (UE).

Europa e Rússia: hora de superar “período de estagnação”

A Federação Russa é um país imensamente grande e rico, cuja história e cultura têm sido grandemente fomentadas pelo intercâmbio com a Europa. Não obstante, bem poucos europeus têm um entendimento adequado da história russa e estão dispostos a receber seriamente o país como parceiro. O problema central é que não existe um número suficiente de europeus com uma boa “visão” de como a Rússia e a Europa poderiam trabalhar juntas de forma construtiva.

Degelo com Irã aquece ira de Israel e “neocons”

O desfecho da primeira rodada de negociações entre o grupo P5+1 e o Irã, em Istambul, em 13-14 de abril, abriu espaço para uma solução civilizada sobre contencioso em torno do polêmico programa nuclear do país e, ao mesmo tempo, proporcionou uma didática oportunidade para se vislumbrarem as diversas forças políticas envolvidas no imbróglio e suas agendas.

Para onde irá a França?

Na quinta-feira 5 de abril, 20 dias antes do primeiro turno das eleições presidenciais francesas (no dia 22), o presidente Nicolas Sarkozy apresentou o seu programa eleitoral, em uma entrevista coletiva, em Paris. Sua plataforma faz referência a três valores: trabalho, autoridade e responsabilidade e os principais elementos de seu programa foram listados em uma “Carta ao povo francês”, da qual 6 milhões de cópias estão sendo enviadas aos lares franceses.

Brasil diante de um “boi de piranha” nuclear

Em 3 de abril, o jornal The New York Times publicou um artigo de Bernard Aronson, com o sugestivo título «Pode o Brasil Deter o Irã?». O texto quase surreal sugere que o Brasil interrompa o seu programa de enriquecimento de urânio, como uma maneira de convencer o Irã a fazer o mesmo. Uma motivação evidente é a campanha de pressões contra Teerã, dias antes da nova reunião de negociações do grupo P5+1 (os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU e a Alemanha) com o Irã, em Istambul, em 13-14 de abril.

HSBC: Senado dos EUA investigam lavagem de dinheiro

O HSBC Holdings PLC está sob investigação por um comitê do Senado dos EUA em uma investigação de lavagem de dinheiro, o mais recente passo em um esforço dos EUA, de longa duração, para deter o fluxo de dinheiro através de bancos globais sombrios, de acordo com pessoas familiarizadas com a situação de depósitos de valores mobiliários de empresas.

O novo presidente alemão: desafio ao establishment

No próximo dia 16 de março, o Parlamento alemão (Bundestag) irá eleger o novo presidente do país, para substituir Christian Wulff, que renunciou com menos de dois anos no cargo, na esteira de um escândalo de acusações de corrupção referentes ao seu posto anterior, de primeiro-ministro do estado da Baixa Saxônia. O candidato único, Hans Joachim Gauck, foi selecionado com base em um consenso suprapartidário, do qual se excluiu apenas o PDS, sucessor do antigo Partido Comunista da Alemanha Oriental.

Putin e a “alucinogenia” do Departamento de Estado dos EUA

Definitivamente, a presença de Vladimir Putin na presidência da Federação Russa, nos próximos seis anos, foi recebida pelo establishment anglo-americano como uma clara sinalização de que a estratégia hegemônica do eixo Washington-Nova York-Londres terá um poderoso contraponto, mais que capaz de neutralizar muitas das suas diretrizes.

O acordo EUA-Coreia do Norte de 2012

7 de março de 2011 (www.msia.org.br) – O recente acordo firmado entre os EUA e a Coreia do Norte é um passo importante por três razões. A primeira, porque ganha tempo. Outro teste nuclear, acompanhado do anúncio da Coreia do Norte ter conseguido miniaturizar ogivas para mísseis, só faria uma situação ruim ficar ainda pior. O acordo coloca essa possibilidade mais distante, dependendo do progresso a ser feito em novas negociações.

O novo presidente da Rússia e o mundo em transformação

Vários eventos ocorridos em 2011 demonstraram, de forma explícita, que o mundo entrou em uma fase de profundas mudanças e transformações políticas, ideológicas, financeiras e econômicas. Na medida em que a situação econômica e os padrões sociais continuam a se deteriorar, nos EUA e na Europa, a Nova Ordem Mundial tem se mostrado cada vez mais espalhafatosa em promover um caos controlado. Isto ficou particularmente aparente desde o caso da Líbia, onde os aliados da OTAN [Organização do Tratado do Atlântico Norte] estabeleceram um precedente muito perigoso para intervir em nações soberanas e semear o caos. Hoje, estamos vendo o mesmo cenário se desenvolvendo na Síria. Onde deveríamos esperá-lo, em seguida – na China, Índia ou Rússia?

Putin e a “dimensão espiritual” da crise global

A vitória do premier Vladimir Putin nas eleições presidenciais russas oferece várias leituras que proporcionam um melhor entendimento da natureza e dimensão da crise sistêmica global e, principalmente, do papel que se espera da Federação Russa neste cenário, tanto os seus cidadãos como os estrangeiros, em especial, as lideranças ocidentais.

Dois príncipes na América do Sul

A presença simultânea de dois rebentos da família real britânica na América do Sul e, em especial, a festiva recepção conferida a um deles no Brasil, denotam o longo caminho que as lideranças brasileiras, diplomacia inclusive, têm a percorrer para inserir o País no posto de protagonista global ensejado pela sua crescente importância política e econômica.

“Banco dos BRICS” pode apontar caminho para recuperação mundial

A proposta do “Banco dos BRICS”, ou “Banco Sul-Sul”, à falta de nomes melhores, foi apresentada pela Índia, na reunião dos ministros da Fazenda do grupo, realizada à margem da reunião dos ministros do G-20, na Cidade do México, como já vem se tornando uma praxe em encontros do gênero. A entidade funcionaria como um banco multilateral de desenvolvimento, comandado apenas por economias emergentes. A sugestão já vinha sendo discutida desde o final de 2011, mas ganhou um reforço diante da intenção manifesta dos EUA de indicarem outro estadunidense para a sucessão de Robert Zoellick na presidência do Banco Mundial, em junho próximo, em uma indicação de que não estão dispostos a abrir mão do acordo informal que tem mantido o controle do banco nas mãos de Washington, enquanto o Fundo Monetário Internacional (FMI) é controlado pelos europeus.

Nova agenda estratégica, um ano após a “Primavera Árabe”: comentários sobre a Conferência de Segurança de Munique

O discurso do chanceler russo Sergei Lavrov, na 48a. edição da Conferência de Segurança de Munique, recebeu escassa atenção da mídia internacional. Na oportunidade, comentando os planos dos EUA para a instalação de um escudo antimísseis na Europa, Lavrov advertiu que tal política poderia colocar uma cunha entre “a Rússia e outras culturas europeias diferentes”, e que seu país não apoiaria um sistema “que conduz a uma confrontação com a China, nosso aliado estratégico”.

Brzezinski: não existe mais um hegemon

O mundo não tem mais espaço para um hegemon que exerça isoladamente o poder global, como ocorreu com os EUA após a Guerra Fria e, antes deles, o Reino Unido. A afirmativa vem de ninguém menos que do veterano Zbigniew Brzezinski, um dos mais influentes estrategistas estadunidenses da segunda metade do século XX, tendo sido conselheiro de Segurança Nacional do presidente Jimmy Carter e, atualmente, assessor informal do governo de Barack Obama (além de ser senior fellow do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, um dos principais think-tanks de Washington).

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