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	<title>Blog do Ambientalismo &#187; Governo mundial</title>
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	<description>O que você precisa saber sobre Ambientalismo, Indigenismo e Governo Mundial</description>
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		<title>O que está por trás da crise na Hungria?</title>
		<link>http://blogdoambientalismo.com/o-que-esta-por-tras-da-crise-na-hungria/</link>
		<comments>http://blogdoambientalismo.com/o-que-esta-por-tras-da-crise-na-hungria/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 25 Jan 2012 11:06:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A declaração abaixo foi escrita pelo bispo auxiliar da arquidiocese de Esztergom/Budapest, monsenhor Janos Szekely, e divulgada em 13 de janeiro no jornal católico Magyar Kurír. O manifesto se refere aos recentes ataques desfechados contra o governo húngaro, após a reforma constitucional efetuada pelo país, que inclui dispositivos de defesa da família e da Igreja e limitadores da independência do Banco Central.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp"><img class="aligncenter  wp-image-10770" title="msiA iNFORMA" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp" alt="" width="240" height="50" /></a><strong></strong></p>
<blockquote><p><strong>A declaração abaixo foi escrita pelo bispo auxiliar da arquidiocese de Esztergom/Budapest, monsenhor Janos Szekely, e divulgada em 13 de janeiro no jornal católico Magyar Kurír. O manifesto se refere aos recentes ataques desfechados contra o governo húngaro, após a reforma constitucional efetuada pelo país, que inclui dispositivos de defesa da família e da Igreja e limitadores da independência do Banco Central.</strong></p></blockquote>
<p>Para Monsenhor Szekely, a causa principal dos ataques não é a crise econômica enfrentada pela Hungria (dívida pública superior a 80 bilhões de dólares, déficit orçamentário crônico e maciça desvalorização da moeda nos últimos seis meses), mas a rejeição dos altos círculos da União Europeia (UE) às medidas do novo governo conservador cristão do premier Viktor Orban, em defesa de certos valores humanos e soberanos básicos. Nas recentes eleições parlamentares, o partido Fidesz de Orban obteve dois terços dos votos.</p>
<p>Na primeira semana de janeiro, a crise húngara se agravou, depois que as agências classificadoras Moody&#8217;s, Fitch e Standard &amp; Poor&#8217;s rebaixaram os títulos da dívida do país ao nível de &#8220;lixo&#8221; (junk), o que dificultará consideravelmente a obtenção de crédito para o pagamento da enorme dívida pública do país. Ademais, o comissário monetário europeu, Ollie Rehn, ameaçou Budapest com um pacote de sanções, se o governo de Orban não aceitar o &#8220;plano de estabilidade&#8221; imposto pela UE, que inclui a redução do déficit orçamentário (atualmente, 3,8% do PIB) e a &#8220;garantia da independência&#8221; do Banco Central. Caso contrário, a UE ameaça suspender as transferências anuais à Hungria, no montante de 2 bilhões de euros.</p>
<p>Em paralelo, a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, disse que nenhum crédito emergencial do FMI será concedido ao país, a menos que o governo aceite tais exigências.</p>
<p>A seguir, o texto de Monsenhor Szekely:</p>
<blockquote><p><em>«Cristo disse: se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós, me odiou a mim (João 15:18). Estas palavras trazem hoje uma grande atualidade, quando a Hungria é atacada de todos os lados. Qual é a verdadeira razão para esse ódio? A verdadeira razão é que a Hungria se juntou às fileiras de certos valores humanos fundamentais que muitas pessoas hoje querem destruir. O Parlamento húngaro deu ao país uma Constituição que começa com o nome de Deus (Preâmbulo), que afirma que a vida de um feto deve ser protegida desde a concepção (Liberdade e Responsabilidade, II), que defende a instituição do matrimônio, entendido como um pacto de vida entre um homem e uma mulher (Fundações, L). A Constituição também estabelece que a família é a base da sobrevivência da nação e que o montante dos impostos deve ser estabelecido em relação aos custos da educação dos filhos (Liberdade e Responsabilidade, XXX). Certamente, muitas pessoas em todo o mundo não gostaram dessa definição clara de tais valores humanos fundamentais.»</em></p>
<p><em>«Além disso, o governo húngaro estabeleceu um imposto provisório sobre os bancos. Isto está incutindo nos senhores do mundo financeiro o receio de que o exemplo será contagioso.»</em></p>
<p><em>«Esta é a verdadeira causa dos ataques à Hungria. Certamente, ninguém o admite, preferindo desfechar algumas de menor relevância. Uma delas é a lei sobre as igrejas, cujo objetivo é restringir a situação dos chamados negócios das igrejas. Ao contrário de muitos países europeus, na Hungria, as instituições de saúde, educação e serviços sociais geridas pelas igrejas dispoem de condições financeiras semelhantes às do Estado, uma vez que oferecem aos cidadãos serviços absolutamente similares, nas áreas de ensino e saúde. Porém, nos últimos anos, se constituíram várias pseudoigrejas, com a finalidade exclusiva de obtenção de apoio do Estado. A nova lei mudará esta situação, determinando, de uma forma mais pontual, as condições para que uma entidade possa obter o status da igreja (pelo menos mil membros e um mínimo de 20 anos de presença na Hungria). As entidades que não preencherem tais condições poderão manter as suas atividades, mas não receberão apoio estatal.»</em></p>
<p><em>«Certamente, o Parlamento e o Governo da Hungria cometeram erros, como no caso de alguns pontos da lei sobre meios de comunicação de massa (posteriormente mudados), ou no da lei sobre o Banco Nacional, abrindo a guarda para os ataques. Da mesma forma, seria mais apropriado fazer um acordo com os bancos antes de conceder aos cidadãos a oportunidade de obter descontos em suas dívidas.»</em></p>
<p><em>«Não obstante, o motivo dos ataques não são esses, mas os valores fundamentais representados pelo país. O Parlamento deve representar, de forma responsável, a maioria de dois terços dos eleitores com a qual os eleitores o credenciaram a agir. Esta responsabilidade e oportunidade devem ser implementadas com humildade e discernimento. Os ataques externos devem ser rechaçados com tranquilidade e habilidade. Os depósitos em dinheiro no Banco Nacional atingem quase a metade da dívida externa e isto pode ser usado, caso seja necessário para financiar o pagamento das dívidas. Isto também significa que o país pode resistir por um certo tempo, mesmo com ventos fortes.»</em></p>
<p><em>«Na História, muitas vezes, acontece que, quando a luz aparece, a escuridão também se opõe a ela. Eu auguro que todos nós sejamos filhos da verdadeira luz, os construtores de um mundo mais real e mais humano.»</em></p></blockquote>
<p style="text-align: right;">De Wiesbaden,<strong> <em>Elisabeth Hellenbroich</em></strong></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #ff6600;"><strong><em><em><strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em></em></strong></span></p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo.png"><img class="aligncenter" title="div-novo" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo-300x13.png" alt="" width="300" height="13" /></a></p>
<blockquote><p><strong>Créditos </strong>➞<strong> </strong>este post é matéria apresentada no Boletim Eletrônico <strong><em>MSIa INFORMA</em></strong>, do <strong><em>MSIa –</em></strong><em> <strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em>, Vol. III, N<sup>o</sup> 34, de 19 de janeiro de 2012.</p>
<p><strong><em>MSIa INFORMA</em></strong><strong> </strong>➞<strong> </strong>é uma publicação do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa). Conselho Editorial: Angel Palacios, Geraldo Luís Lino, Lorenzo Carrasco (Presidente), Marivilia Carrasco e Silvia Palacios. Endereço: Rua México, 31 &#8211; sala 202 &#8211; Rio de Janeiro (RJ) &#8211; CEP 20031-144; Telefax: 0xx 21-2532-4086.</p>
<p><strong>Para saber mais sobre o tema </strong>➞<strong> </strong>visitar os sites da MSIa/Capax Dei:<strong> </strong><a href="http://www.alerta.inf.br/">http://www.alerta.inf.br/</a> e <a href="http://www.msia.org.br/">http://www.msia.org.br/</a>.</p>
<p><strong>Mensagens e sugestões </strong>➞<strong> </strong>favor enviar para msia@msia.org.br</p>
<p><strong><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-10bMicro.jpg"><img class="alignright" title="harpia-10bMicro" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-10bMicro.jpg" alt="" width="60" height="49" /></a>Para adquirir as publicações da Capax Dei Editora Ltda.</strong> ➞ loja virtual em: <a href="http://www.capaxdei.com.br/">www.capaxdei.com.br</a>; e-mail : capaxdeieditora@gmail.com</p></blockquote>
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		<title>Guerra econômica e &#8220;terrorismo financeiro&#8221;</title>
		<link>http://blogdoambientalismo.com/guerra-economica-e-terrorismo-financeiro/</link>
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		<pubDate>Wed, 25 Jan 2012 10:54:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O rebaixamento da classificação dos títulos públicos da França, seguido de outros oito países europeus e do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF), pela agência Standard &#038; Poor's, não se baseou em qualquer fundamento econômico ou financeiro racional. Ao contrário, foi mais um episódio da feroz guerra intestina que se trava no contexto da crise sistêmica global, entre o eixo Wall Street-City de Londres e o bloco europeu, em torno de uma agenda mínima de re-regulamentação do sistema financeiro internacional. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp"><img class="aligncenter  wp-image-10770" title="msiA iNFORMA" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp" alt="" width="250" height="52" /></a></p>
<blockquote><p><strong>O rebaixamento da classificação dos títulos públicos da França, seguido de outros oito países europeus e do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF), pela agência Standard &amp; Poor&#8217;s, não se baseou em qualquer fundamento econômico ou financeiro racional. Ao contrário, foi mais um episódio da feroz guerra intestina que se trava no contexto da crise sistêmica global, entre o eixo Wall Street-City de Londres e o bloco europeu, em torno de uma agenda mínima de re-regulamentação do sistema financeiro internacional.</strong></p></blockquote>
<h2><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2012/01/aranha-financeira.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-12440" title="aranha-financeira" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2012/01/aranha-financeira.jpg" alt="" width="231" height="218" /></a></h2>
<h2>Uma guerra contra o euro</h2>
<p>Como o presidente francês Nicolas Sarkozy tem sido um dos mais veementes defensores da medida, aí incluindo restrições ao funcionamento dos paraísos fiscais, os senhores da alta finança globalizada decidiram ser chegado o momento de colocar seu país na alça de mira, principalmente, em função das próximas eleições presidenciais de abril-maio, nas quais Sarkozy enfrenta uma difícil disputa pela reeleição.</p>
<p>Com uma sutileza alguns graus abaixo do habitual, o <em>Financial Times</em> londrino praticamente admitiu que se tratava de uma ação política, usando a palavra &#8220;vingança&#8221;:</p>
<blockquote><p><em>«A crise da dívida da eurozona retornou com uma vingança, na sexta-feira, quando a agência classificadora de crédito Standard &amp; Poor&#8217;s rebaixou a França e a Áustria, dois dos países triplo A da zona monetária, bem como outras nações que não estavam no nível superior»</em> (<em>FT</em>, 14/01/2012).</p></blockquote>
<h2>Resistência europeia</h2>
<p>Curiosamente, no mesmo dia, a agência <em>Bloomberg</em> informava que o bloco europeu vem fazendo progressos para colocar sua casa em ordem:</p>
<blockquote><p><em>«A S&amp;P agiu ao final de uma semana em que aumentavam os sinais de que as feridas da Europa podem estar cicatrizando, na medida em que os custos dos empréstimos caíram, uma evidência de resiliência econômica emergente, e o Banco Central Europeu disse ter dominado um aperto de crédito junto aos bancos.»</em></p></blockquote>
<p>A medida da agência estadunidense é uma ostensiva retaliação contra a anunciada intenção do presidente francês e sua colega alemã, a chanceler Angela Merkel, de estabelecer um imposto sobre transações financeiras, à qual se opôs veemente o fiel escudeiro da City, o premier britânico David Cameron – <em>et pour cause</em>. O imposto, nos moldes da chamada taxa Tobin, seria instituído apenas a partir de 2014, mas Wall Street e a City não pretendem permitir que a proposta progrida, de modo a criar um arcabouço favorável a uma regulamentação mais abrangente do sistema financeiro – a qual, não obstante, terá que ser estabelecida cedo ou tarde.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Vacilo francês</h2>
<p>A batalha pela regulamentação se trava no âmbito da reconfiguração da agenda de poder político e econômico em escala global, na qual a Europa se vê diante da alternativa de continuar se mantendo subordinada à agenda hegemônica do eixo anglo-americano ou estabelecer uma pauta própria, que contemple uma participação ativa e direta no processo de integração do eixo eurasiático, para onde se desloca o centro de gravidade geoeconômico-geopolítico global. Neste particular, só se pode lamentar que o presidente Sarkozy tenha renunciado ao papel central que a França poderia ter desempenhado para acelerar essa dinâmica, preferindo, em vez disto, atuar como preposto dos interesses anglo-americanos em questões cruciais, como a ação militar na Líbia, o cerco ao regime de Bashar al-Assad na Síria e a campanha de fustigamento contra o Irã.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>A batalha “Strauss-Kahn”</h2>
<p>Ainda assim, a alta finança tem na França um alvo estratégico, como se viu na derrubada do então diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), em maio de 2011, na esteira do fraudulento escândalo de uma suposta agressão sexual a uma camareira de um hotel de Nova York. Como escrevemos na ocasião:</p>
<blockquote><p><em>«Não se pode descartar a hipótese de que o ex-todo-poderoso chefe do FMI tenha incorrido no desagrado dos grão-senhores do olimpo financeiro global, pelo seu empenho em colocar um mínimo de ordem e supervisão no sistema financeiro devastado pela jogatina especulativa – iniciativa para a qual contava com o apoio decidido de seu rival político Sarkozy, que tem defendido abertamente uma re-regulamentação do sistema financeiro e restrições aos paraísos fiscais.»</em></p></blockquote>
<h2>Terrorismo financeiro</h2>
<p>Comentando a investida da S&amp;P, o cineasta e escritor estadunidense Danny Scheckter, um dos mais contundentes comentaristas da blogosfera, foi incisivo:</p>
<blockquote><p><em>«O objetivo da S&amp;P não teve nada a ver com a economia. Ele foi político, para pressionar os líderes políticos da Europa a se mover mais depressa para agradá-la – quer dizer, suspender os controles e contrapesos democráticos, se for preciso, e fazer o que Wall Street quer, o mais rapidamente possível!&#8230; Vamos usar o nome correto: um sistema de terrorismo financeiro»</em> (<em>Information Clearing House</em>, 14/01/2012).</p></blockquote>
<h2>Sistema financeiro hegemônico quer continuar livre</h2>
<p>Em entrevista ao <em>Monitor Mercantil</em> de 17 de janeiro, o economista Carlos Lessa, ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), bateu na mesma tecla:</p>
<blockquote><p><em>«O sistema financeiro quer liberdade total e nada foi alterado no poder que ele possui para manter a desregulamentação. Mas, sob o aspecto geopolítico, rebaixar a França tem repercussão internacional, pois é o país de maior porte que assume posição pró-regulação, apesar de todos os limites do atual governo francês.»</em></p></blockquote>
<h2>Uma velha e boa política</h2>
<p>O resultado da batalha pela regulamentação do sistema financeiro será decisivo, não apenas para a superação da crise econômico-financeira deflagrada pela financeirização da economia mundial, como também para a própria reconfiguração da ordem de poder global. As potências europeias continentais, especialmente França e Alemanha, terão que se decidir a romper o círculo de giz do sistema oligárquico e ajudar a reconstruir as finanças e a economia global fora dos esquemas de poder &#8220;atlanticistas&#8221;. Para a França, seria um retorno à politica gaullista <em>«do Atlântico aos Urais»</em>, com a percepção de que o futuro da Europa continental e da própria economia mundial depende fundamentalmente da ampliação dos mercados consumidores, na Rússia e seu entorno, Ásia Central, China e Índia, a partir de grandes programas de infraestrutura e industrialização.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Inconsequência oligárquica</h2>
<p>A oligarquia financeira anglo-americana tem plena consciência de que esta é a verdadeira porta de saída para a crise mundial, o que implica na derrocada da geopolitica colonial anglo-americana e, por isso, está recorrendo a todo o seu arsenal, para tentar dar uma sobrevida ao seu sistema condenado, ainda que, para isto, seja preciso provocar uma megadepressão mundial, com o perigo de uma nova guerra mundial.</p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #ff6600;"><strong><em><em><strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em></em></strong></span></p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo.png"><img class="aligncenter" title="div-novo" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo-300x13.png" alt="" width="300" height="13" /></a></p>
<blockquote><p><strong>Créditos </strong>➞<strong> </strong>este post é matéria apresentada no Boletim Eletrônico <strong><em>MSIa INFORMA</em></strong>, do <strong><em>MSIa –</em></strong><em> <strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em>, Vol. III, N<sup>o</sup> 34, de 19 de janeiro de 2012. Subtítulos meus.</p>
<p><strong><em>MSIa INFORMA</em></strong><strong> </strong>➞<strong> </strong>é uma publicação do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa). Conselho Editorial: Angel Palacios, Geraldo Luís Lino, Lorenzo Carrasco (Presidente), Marivilia Carrasco e Silvia Palacios. Endereço: Rua México, 31 &#8211; sala 202 &#8211; Rio de Janeiro (RJ) &#8211; CEP 20031-144; Telefax: 0xx 21-2532-4086.</p>
<p><strong>Para saber mais sobre o tema </strong>➞<strong> </strong>visitar os sites da MSIa/Capax Dei:<strong> </strong><a href="http://www.alerta.inf.br/">http://www.alerta.inf.br/</a> e <a href="http://www.msia.org.br/">http://www.msia.org.br/</a>.</p>
<p><strong>Mensagens e sugestões </strong>➞<strong> </strong>favor enviar para msia@msia.org.br</p>
<p><strong><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-10bMicro.jpg"><img class="alignright" title="harpia-10bMicro" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-10bMicro.jpg" alt="" width="60" height="49" /></a>Para adquirir as publicações da Capax Dei Editora Ltda.</strong> ➞ loja virtual em: <a href="http://www.capaxdei.com.br/">www.capaxdei.com.br</a>; e-mail : capaxdeieditora@gmail.com</p>
<p>Imagem   <a href="http://xatoo.blogspot.com">http://xatoo.blogspot.com</a></p></blockquote>
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		<title>Irã provoca luta faccional em Washington</title>
		<link>http://blogdoambientalismo.com/ira-provoca-luta-faccional-em-washington/</link>
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		<pubDate>Wed, 25 Jan 2012 10:49:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
				<category><![CDATA[Governo mundial]]></category>
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		<description><![CDATA[O mundo continua refém de um cenário potencial de conflito de grandes proporções, na região do Oriente Médio e seu entorno. Entretanto, a temperatura e a concentração de vapores explosivos na atmosfera diminuíram um pouco, tanto por conta de iniciativas da cúpula político-estratégica dos EUA, como de certos posicionamentos de protagonistas como a Rússia e a União Europeia (UE). ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp"><img class="aligncenter  wp-image-10770" title="msiA iNFORMA" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp" alt="" width="240" height="50" /></a><strong></strong></p>
<blockquote><p><strong>O mundo continua refém do cenário de um potencial conflito de grandes proporções, na região do Oriente Médio e seu entorno. Entretanto, a temperatura e a concentração de vapores explosivos na atmosfera diminuíram um pouco, tanto por conta de iniciativas da cúpula político-estratégica dos EUA, como de certos posicionamentos de protagonistas como a Rússia e a União Europeia (UE).</strong></p></blockquote>
<h2><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2012/01/EUAxIran.jpg"><img class="aligncenter  wp-image-12442" title="EUAxIran" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2012/01/EUAxIran-205x300.jpg" alt="" width="258" height="377" /></a></h2>
<h2>A Europa é contra</h2>
<p>A primeira reforçou, nos últimos dias, as advertências de que não ficará de braços cruzados diante de qualquer agressão militar contra o Irã ou a Síria. E o bloco europeu adiou até meados do ano a adoção de eventuais sanções econômicas contra o regime de Teerã, embora ainda se mostre pouco disposto a abandonar a posição de caudatário da agenda de Washington e Londres.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Confissão dos EUA</h2>
<p>Apesar de tanto os EUA como o Reino Unido serem participantes ativos da campanha contra Teerã, aparentemente, certas lideranças em Washington tomaram a decisão de desativar a bomba-relógio, pelo menos no curto prazo. O primeiro sinal foi a entrevista do secretário de Defesa Leon Panetta à rede de televisão CBS, divulgada em 8 de janeiro, na qual admitiu que o programa nuclear do Irã não tem como objetivo a fabricação de armas nucleares, apenas a capacidade científica e industrial de construí-las, eventualmente – e Teerã deve ser dissuadida de dar tal passo por meio de pressões econômicas e diplomáticas. Igualmente, Panetta advertiu que qualquer ação militar israelense seria contraproducente e colocaria em risco os interesses estadunidenses na região.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Terá sido mesmo o Mossad?</h2>
<p>Outra evidência foi a imediata reação de Washington ao assassinato do cientista nuclear iraniano Mustafa Ahmadi Roshan, no centro de Teerã, em 11 de janeiro, em uma ação que está sendo abertamente atribuída ao serviço de inteligência exterior de Israel, o Mossad. Por meio de um porta-voz, o Departamento de Estado não apenas repudiou o atentado, como enfatizou que os EUA não tinham, <em>«absolutamente nada»</em> a ver com ele – negativa que repercutiu negativamente em Israel, tanto em círculos governamentais como na mídia (<em>AP</em>, 11/01/2012). Roshan, que era um dos diretores do centro de enriquecimento de urânio de Natanz, foi o quarto cientista ligado ao programa nuclear iraniano assassinado nos últimos dois anos, como parte da campanha clandestina que vem sendo movida contra o Irã pelos serviços de inteligência israelense, estadunidense e britânico.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Pé no freio</h2>
<p>Ato contínuo, foi anunciado o adiamento do exercício militar conjunto que forças estadunidenses e israelenses deveriam realizar em abril, como treinamento para a interceptação de hipotéticos mísseis iranianos em um cenário de conflito. Embora o sítio <em>Debka File</em>, que atua como porta-voz oficioso do Mossad, tenha afirmado que a iniciativa do adiamento teria partido do premier Benjamin Netanyahu, o fato é que a decisão foi tomada pelo presidente Barack Obama, com o apoio de seus assessores militares, tendo sido por ele comunicada ao premier em uma conversa telefônica, na quinta-feira 12 de janeiro (<em>Inter Press Service</em>, 16/01/2012).</p>
<p>Em uma iniciativa paralela e incomum, Obama enviou uma mensagem ao líder iraniano, aiatolá Ali Khamenei, por intermédio da embaixada da Suíça em Teerã, que representa os interesses dos EUA no país, comunicando-lhe que seria inaceitável qualquer tentativa de fechamento do estreito de Ormuz, como vêm ameaçando líderes militares iranianos. Embora parte da mídia estadunidense e internacional tenha apresentado a iniciativa como uma ameaça aberta, analistas menos belicosos sugerem, pelo inusitado, que ela pode sinalizar uma disposição de um entendimento que há muito está ausente da agenda de Washington.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>O lobby sionista</h2>
<p>Evidentemente, não se pode ignorar os efeitos da campanha presidencial estadunidense no desdobramento dos acontecimentos, pois Obama não pode correr o risco de aparentar uma atitude que a parcela mais belicosa do eleitorado considere &#8220;débil&#8221; em relação ao Irã. Neste contexto, o poderoso <em>lobby</em> sionista não deixará de pressionar para que o presidente adote uma atitude mais belicosa frente ao país persa.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Interesses mundiais em jogo</h2>
<p>Ademais, o complexo de segurança nacional estadunidense tem a sua agenda própria, que se beneficia do estado de tensões permanentes, em especial, diante da perspectiva de cortes orçamentários já anunciados pela Casa Branca. E, também, não se pode descartar a possibilidade de que algum incidente, espontâneo ou induzido, possa reativar a escalada belicista. Porém, as recentes atitudes de Washington oferecem uma janela de oportunidade para que as cabeças mais frias e sensatas prevaleçam sobre os &#8220;falcões&#8221; e os &#8220;guerreiros de gabinete&#8221;, criando condições para o estabelecimento de uma agenda construtiva, da qual os maiores beneficiários seriam os EUA e o Irã, mas que interessa a todo o mundo.</p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #ff6600;"><strong><em><em><strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em></em></strong></span></p>
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<blockquote><p><strong>Créditos </strong>➞<strong> </strong>este post é matéria apresentada no Boletim Eletrônico <strong><em>MSIa INFORMA</em></strong>, do <strong><em>MSIa –</em></strong><em> <strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em>, Vol. III, N<sup>o</sup> 34, de 19 de janeiro de 2012. Subtítulos meus.</p>
<p><strong><em>MSIa INFORMA</em></strong><strong> </strong>➞<strong> </strong>é uma publicação do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa). Conselho Editorial: Angel Palacios, Geraldo Luís Lino, Lorenzo Carrasco (Presidente), Marivilia Carrasco e Silvia Palacios. Endereço: Rua México, 31 &#8211; sala 202 &#8211; Rio de Janeiro (RJ) &#8211; CEP 20031-144; Telefax: 0xx 21-2532-4086.</p>
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		<title>Bem-vindos a 2012</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Jan 2012 17:06:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Prognósticos sobre o fim do mundo têm sido recorrentes em períodos históricos caracterizados por crises que atingem a essência do processo civilizatório, em que o conjunto de referências que fundamenta as atividades humanas se mostra crescentemente disfuncional, sem que uma alternativa viável, mesmo existente, esteja contemplada nas agendas das lideranças de todos os setores - como é o caso da atualmente vivida pela Humanidade.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp"><img class="aligncenter  wp-image-10770" title="msiA iNFORMA" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp" alt="" width="240" height="50" /></a></p>
<p><strong>Prognósticos sobre o fim do mundo têm sido recorrentes em períodos históricos caracterizados por crises que atingem a essência do processo civilizatório, em que o conjunto de referências que fundamenta as atividades humanas se mostra crescentemente disfuncional, sem que uma alternativa viável, mesmo existente, esteja contemplada nas agendas das lideranças de todos os setores &#8211; como é o caso da atualmente vivida pela Humanidade.</strong></p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2012/01/calendario-maia.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-12311" title="calendario-maia" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2012/01/calendario-maia-300x206.jpg" alt="" width="300" height="206" /></a></p>
<h2>Interpretações equivocadas</h2>
<p>Para 2012, a hecatombe do momento fica por conta de uma interpretação equivocada – e, em muitos casos, oportunista – do calendário cíclico criado pelos maias há milhares de anos, que encerra um de seus ciclos longos em 21 de dezembro próximo (solstício de inverno no Hemisfério Norte). Entretanto, embora a catástrofe esperada pelos crentes, difundida por uma vasta subliteratura e por filmes hollywoodianos, seja de origem cósmica ou telúrica, o ano começa sob a égide de uma série de calamidades provocadas pelo próprio <em>homo sapiens</em>, em suas variantes situadas em posições decisórias que se orientam mais pelos apetites fisiológicos do que pela racionalidade. Entre elas, destacam-se as ameaças de um conflito de grandes proporções e de implosão do sistema financeiro internacional – não por acaso, ambas vinculadas ao centro da estrutura de poder hegemônico estabelecida nos últimos três séculos pelo eixo Londres-Nova York-Washington.</p>
<p>No primeiro caso, a retirada das forças militares estadunidenses do Iraque, sem que quase nenhum dos objetivos que motivaram a invasão do país tenha sido atingido, e o impasse na intervenção militar no Afeganistão não se mostram suficientes para convencer os EUA da inviabilidade da força militar como instrumento de política externa e a trocar a confrontação pela cooperação internacional, para promover uma reconstrução socioeconômica em escala global, da qual a primeira beneficiária seria a própria economia estadunidense.</p>
<p>Uma evidente demonstração desse atavismo belicista é a escalada de retórica, sanções, provocações e operações clandestinas de inteligência contra o Irã, sob o pretexto de conter as não comprovadas ambições nucleares do país, que estão criando uma atmosfera carregada de vapores de alto poder explosivo. A Síria de Bashar al-Assad é outro &#8220;ponto quente&#8221; com potencial para deflagrar um novo conflito armado que pode, rapidamente, redundar em uma conflagração regional envolvendo a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e, até mesmo, a Rússia e a China, que já traçaram as respectivas linhas no chão contra a estratégia expansionista da aliança ocidental.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Declínio da &#8220;hegemonia&#8221; dos EUA</h2>
<p>Outra manifestação desse atavismo é a estratégia de defesa anunciada pelo presidente Barack Obama, elaborada para convencer o mundo da intenção de preservação da supremacia militar dos EUA, em um contexto de declínio orçamentário e financeiro e da emergência de novas potências regionais.</p>
<p>No campo financeiro, talvez, nenhuma outra demonstração da vulnerabilidade do sistema de controle privado dos fluxos de moeda e crédito criado em Londres, no final do século XVIII, e herdado por Nova York, a partir da criação do Sistema da Reserva Federal, em 1913, tenha sido mais evidente do que a série de artigos com que o tradicional Financial Times londrino inaugurou o novo ano, denominada «Crise no Capitalismo». No primeiro artigo da série, iniciada em 8 de janeiro, o colunista John Plender sintetizou:</p>
<blockquote><p><em>«Este artigo, o primeiro de uma série sobre se repensar o capitalismo após a crise financeira que começou em 2007, argumenta que a aceitação popular – que é uma condição básica para o sucesso dos negócios – desapareceu na anglosfera por uma boa razão. No cerne do problema está a expansão da desigualdade. Em um recente estudo, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o clube das nações desenvolvidas, declarou que os estadunidenses mais ricos “recolheram o grosso dos ganhos de rendimentos das últimas três décadas”. Muito disto vale para o Reino Unido. Em ambos os casos, a maior parte dos ganhos foi para profissionais financeiros e altos executivos.»</em></p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Mudanças econômicas mundiais?</h2>
<p>Mais direto, em sua conhecida coluna <em>A Toca do Urso</em> (03/01/2012), o analista financeiro Martin Hutchinson faz ironia com as alegadas profecias maias e afirma sem meias palavras que a presente forma do sistema financeiro global está condenada. Segundo ele, <em>«</em>nos mercados atuais, há numerosos sinais de que se aproxima uma crise capaz de mudar o mundo, após a qual o ambiente econômico nunca mais será o mesmo».</p>
<p>Entre tais sintomas, ele destaca: a extrema irracionalidade demonstrada pelos mercados de títulos; a vulnerabilidade dos balanços de grande parte do sistema bancário mundial; a crise das dívidas da zona do euro; e o déficit orçamentário e fiscal dos EUA. Em tal ambiente, afirma, qualquer evento restrito, como a miniquebra dos mercados de maio de 2010, poderá ter consequências fatais para todo o sistema. Não obstante, ao contrário do que sugere o nome de sua coluna (em Wall Street, o urso simboliza os mercados em baixa), ele conclui com uma nota otimista, dizendo que a crise poderá ter um efeito purgativo:</p>
<blockquote><p><em>«Assim, é substancial a chance de uma quebra financeira destruidora do sistema, em 2012, e 21 de dezembro é um dia tão bom como outro qualquer para que isto ocorra. Com os créditos governamentais e os bancos em colapso, o velho mundo financeiro que conhecemos desde a fundação do Banco da Inglaterra, em 1694, chegaria, de fato, ao fim.»</em></p>
<p><em>«A boa notícia é que isto não nos levaria de volta aos níveis de vida de 1694&#8230; o desaparecimento de títulos governamentais, ações de bancos e muitos depósitos bancários nos nossos ativos causaria grandes apertos. Porém, a função central dos bancos como mecanismos de pagamento não desapareceria e as atividades comerciais, manufatureiras e de serviços continuariam. O abalo seria enorme, mas a civilização humana prosseguiria, mesmo a civilização ocidental na qual muitos de nós crescemos. Não seria necessário investir nossos ativos em ouro, comida enlatada e uma escopeta; aqueles de nós que temos poupanças em ações do setor não-financeiro descobriríamos que os valores de longo prazo se recuperariam, após o que seria, sem dúvida, a mãe de todas as quebras bursáteis.»</em></p>
<p><em>«Para nós, haveria um Quinto Mundo, como os maias previram. Nele, finalmente, teremos atingido o esclarecimento – sobre a loucura do dinheiro &#8220;fiat&#8221;, bancos centrais superpoderosos e papeis governamentais &#8220;livres de risco&#8221;. Chegar a este esclarecimento será doloroso, mas valerá a pena!»</em></p></blockquote>
<h2>“Imposto do cheque”, mundial</h2>
<p>No mundo político, pelo menos os governos da França e da Alemanha já concordaram com um primeiro requisito para restaurar uma inadiável re-regulamentação do sistema financeiro, aceitando em princípio a adoção de um imposto sobre transações financeiras (com a esperada oposição do governo britânico, em sua função de protetor da City de Londres). Assim como poderá ocorrer na arena estratégica, é possível que o agravamento da crise incentive outros governos a aderir à medida, abrindo caminho para uma renovação e enquadramento do sistema financeiro em escala global.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>União eurasiática</h2>
<p>Ademais, um fator crucial para a reconfiguração do cenário global no futuro próximo deverá ser a integração física e econômica do eixo eurasiático, capitaneada pela China e, potencialmente, pela União Eurasiática proposta pelo premier russo Vladimir Putin (que deverá voltar à Presidência em março próximo). Se, neste quadro, a União Europeia se dispuser a enfrentar a realidade da crise sistêmica global com uma atitude diferente, tanto no campo financeiro como no estratégico (no qual será preciso reduzir a sua submissão à agenda &#8220;atlanticista&#8221; ditada de Washington e Londres), as suas capacidades tecnológicas e industriais ainda preservadas poderão funcionar como um poderoso vetor para a imprescindível reconstrução da economia e das finanças mundiais.</p>
<p>Em grande medida, é a essa perspectiva que reage o eixo Londres-Nova York-Washington, para o qual a integração do <em>hinterland</em> eurasiático representa um <em>casus belli</em> desde os tempos do Império Britânico.</p>
<p>Igualmente, o Brasil e a América do Sul devem ficar atentos às condições para o enfrentamento dos abalos tectônicos da crise global, oferecidas pelo aprofundamento da integração de infraestruturas e cadeias produtivas, a melhor maneira de assegurar também a inserção do subcontinente como protagonista ativo da reconfiguração da ordem de poder mundial.</p>
<p><strong>Enfim, bem-vindos a 2012!</strong></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #ff6600;"><strong><em><em> <strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em></em></strong></span></p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/03/2000px-Decorative_text_divider_4.svg_.png"><img class="aligncenter size-medium wp-image-7413" title="2000px-Decorative_text_divider_4.svg" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/03/2000px-Decorative_text_divider_4.svg_-300x12.png" alt="" width="300" height="12" /></a></p>
<p><strong>Créditos </strong>➞<strong> </strong>este post é matéria apresentada no Boletim Eletrônico <strong><em>MSIa INFORMA</em></strong>, do <strong><em>MSIa –</em></strong><em> <strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em>, Vol. III, N<sup>o</sup> 33, de 12 de janeiro de 2012. Subtítulos meus.</p>
<p><strong><em>MSIa INFORMA</em></strong><strong> </strong>➞<strong> </strong>é uma publicação do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa). Conselho Editorial: Angel Palacios, Geraldo Luís Lino, Lorenzo Carrasco (Presidente), Marivilia Carrasco e Silvia Palacios. Endereço: Rua México, 31 &#8211; sala 202 &#8211; Rio de Janeiro (RJ) &#8211; CEP 20031-144; Telefax: 0xx 21-2532-4086.</p>
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<p>&nbsp;</p>
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		<title>Agências de classificação ou de governo?</title>
		<link>http://blogdoambientalismo.com/agencias-de-classificacao-ou-de-governo/</link>
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		<pubDate>Sat, 14 Jan 2012 16:53:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
				<category><![CDATA[Governo mundial]]></category>
		<category><![CDATA[Crise financeira]]></category>
		<category><![CDATA[Crise global]]></category>
		<category><![CDATA[Globalização]]></category>
		<category><![CDATA[Mudanças de paradigmas]]></category>
		<category><![CDATA[Nova ordem mundial]]></category>
		<category><![CDATA[Oligarquias internacionais]]></category>
		<category><![CDATA[Política internacional]]></category>

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		<description><![CDATA[Há algo de perverso em se acompanhar na televisão os difíceis andamentos das reuniões de chefes de Estado e de governo sobre o futuro do euro e da União Europeia (UE), enquanto, na parte inferior da tela, se sucedem as últimas avaliações das agências de classificação de risco, proclamando os rebaixamentos iminentes de suas cotações. Nos últimos dias, as “três irmãs” ofereceram “gratuitamente” as suas avaliações para baixo para toda a zona do euro em conjunto.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/11/MSIa-jornal.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-11715" title="MSIa-jornal" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/11/MSIa-jornal-300x74.jpg" alt="" width="300" height="74" /></a></p>
<p><strong>Há algo de perverso em se acompanhar na televisão os difíceis andamentos das reuniões de chefes de Estado e de governo sobre o futuro do euro e da União Europeia (UE), enquanto, na parte inferior da tela, se sucedem as últimas avaliações das agências de classificação de risco, proclamando os rebaixamentos iminentes de suas cotações. Nos últimos dias, as “três irmãs” ofereceram “gratuitamente” as suas avaliações para baixo para toda a zona do euro em conjunto.</strong></p>
<p><strong><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2012/01/standardpoors.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-12313" title="standard&amp;poors" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2012/01/standardpoors-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a> </strong></p>
<h2>A vez da França</h2>
<p>A Standard &amp; Poor’s (S&amp;P) informou que os últimos seis países europeus com a classificação AAA, incluindo a Alemanha e a França, poderão ser rebaixados em breve – o que já aconteceu com a França na sexta-feira 13 passada. Se um único destes Estados perder tal classificação, até mesmo o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (EFSF, na sigla em inglês) perderá credibilidade e ficará comprometido. Hoje, com 440 bilhões de dólares, o EFSF mantém um papel certamente insuficiente, mas de qualquer modo, essencial na defesa contra o risco de inadimplência soberana.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Agências apolíticas, mas políticas&#8230;</h2>
<p>É cada vez mais evidente que as agências assumem uma atuação crescentemente política! Com as suas recentes ameaças coordenadas, elas pretendiam forçar as decisões da cúpula europeia em seu favor. De fato, os seus relatórios são cada vez mais cheios de recomendações sobre políticas econômicas, mais próprios de tomadores de decisões oficiais do que de agências classificadoras. Alegadamente, elas falam em nome de investidores, que muitas vezes são obrigados a seguir as implicações das avaliações por força de normas impostas por lei, mas não detêm qualquer responsabilidade política. Trata-se de uma anomalia intolerável!</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Agências de Wall Street</h2>
<p>Nos últimos dias, finalmente, a imprensa alemã e francesa começou a levantar os véus que cobrem as histórias dos “três irmãs”. Falando sobre a S&amp;P, o maior jornal da Alemanha, o <em>Frankfurt Allgemeine Zeitung, </em>afirmou que ela <strong><em>«é uma agência dos Estados Unidos, que, quando avalia nações e empresas, o faz com lentes estadunidenses. Neste trabalho, ela representa os interesses de Wall Street»</em></strong>.</p>
<p>Realmente, como tem ficado claro desde a grande crise de 2007-2008, as agências de classificação estão a serviço da grande finança, de quem recebem vultosos pagamentos por conta das avaliações “triplo A” conferidas aos piores títulos “tóxicos” e derivativos altamente especulativos. Isso foi relatado com uma riqueza documental por duas grandes investigações feitas nos EUA, a Comissão de Inquérito Sobre a Crise Financeira (FCIC, em inglês) e a Comissão Dodd-Frank do Congresso. O Presidente da FCIC, Phil Angelides, qualificou a agência Moody&#8217;s como <strong><em>«uma fábrica de triplo As»</em></strong> – em 2006, chegaram a ser 30 por dia! Os MBRs (títulos lastreados por hipotecas) agraciados com tal classificação atingiram um montante 869 bilhões de dólares, mas, após a eclosão da crise, 83 % deles foram drasticamente rebaixados.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Guerra ao euro</h2>
<p>Os compromissos e conflitos de interesse das três agências ainda estão sendo investigados. Existem muitos processos legais em curso, com pedidos de ressarcimento de centenas de bilhões de dólares, abertos pelos que ficaram com tais papeis “micados” nas mãos, inclusive vários bancos.</p>
<p>Enquanto isso, as “três irmãs”prosseguem com êxito em suas operações, colocando na mira as dívidas soberanas, especialmente da Europa e do sistema do euro. Juntamente com a alta finança, elas conseguiram a façanha de promover a mais bem-sucedida operação de “transferência” de responsabilidades pela crise: não é mais o sistema bancário com os seus desvios que está no centro das atenções públicas, mas dos Estados europeus em dificuldades com suas dívidas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Por que essa dependência?</h2>
<p>O problema que incomoda é este: por que as instituições europeias e os investidores ainda são tão dependentes das avaliações de três agências privadas? Talvez, porque os governos europeus gozaram das classificações “triplo A” durante décadas e, oportunisticamente, tenham ignorado o que ocorreu na Ásia e/ou na América Latina como resultado de avaliações negativas. Algumas economias foram devastadas.</p>
<p>Infelizmente, as referências às classificações das três agências têm sido incorporadas em muitos regulamentos, como as diretivas europeias para a implernentação dos requisitos dos acordos de Basileia II e Basileia III<strong>, </strong>referentes aos capitais dos bancos e às exigências de solvência para as agências de seguros que operam na Europa. Até o BCE se refere ao “triplo A” das agências para muitas operações de garantia e de crédito. Os políticos europeus, irresponsavelmente, deram às agências um poder quase de lei. As suas avaliações têm um efeito real, quase automático, em muitas decisões e avaliações econômicas.</p>
<p>Desde o início de 2011, a autarquia europeia dos ativos financeiros europeus e dos mercados, a ESMA (European Securities and Markets Authority), introduziu uma forma de regulamentação das atividades das agências, ameaçando retirar as suas licenças europeias, se não obedecessem às normas de Bruxelas. Tudo em vão, enquanto o “triplo A” das “três irmãs” continuar a estabelecer a lei nas instituições europeias!</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>E elas ainda querem proteção!</h2>
<p>Seria adequado, pelo menos, tomar nota da decisão de um juiz federal do estado do Novo México (EUA), que recusou o pedido das agências para ter <em>«a proteção da Primeira Emenda da Constituição sobre o direito à liberdade de expressão, ainda que para avaliações e opiniões comprovadas como falsas»</em>.</p>
<p>Acreditamos que seria correto, da parte da nossa mídia, se, cada vez que divulgassem um anúncio das agências sobre os títulos soberanos europeus e italianos, recordassem aos leitores, telespectadores e/ou ouvintes que <strong>elas são empresas privadas cuja reputação está muito longe de ser positiva</strong>.</p>
<p align="right"><strong>De Roma, <em>Mario Lettieri e Paolo Raimondi</em> </strong></p>
<p align="right"><span style="color: #ff6600;"><strong><em>Solidariedade Ibero-americana</em></strong></span></p>
<p align="center"><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo.png"><img class="aligncenter size-medium wp-image-10922" title="div-novo" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo-300x13.png" alt="" width="300" height="13" /></a></p>
<p><strong>Créditos </strong><strong>➞</strong> este post é artigo apresentado no jornal quinzenal <em>Solidariedade Ibero-americana</em> do <strong><em>MSIa –</em></strong><em> <strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em>, Vol. XVIII, n<sup>o</sup> 13 (dezembro de 2011).</p>
<p><strong><em>Solidariedade Ibero-americana </em></strong>➞<strong> </strong>é uma publicação quinzenal do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa). Conselho Editorial: Angel Palacios, Geraldo Luís Lino, Lorenzo Carrasco (Presidente), Marivilia Carrasco e Silvia Palacios. Endereço: Rua México, 31 &#8211; sala 202 &#8211; Rio de Janeiro (RJ) &#8211; CEP 20031-144; Telefax: 0xx 21-2532-4086.</p>
<p><strong>Para saber mais sobre o tema </strong>➞<strong> </strong>visitar os sites da MSIa/Capax Dei:<strong> </strong><a href="http://www.alerta.inf.br/">http://www.alerta.inf.br/</a> e <a href="http://www.msia.org.br/">http://www.msia.org.br/</a>.</p>
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<p><strong><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-10bMicro.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-9620" title="harpia-10bMicro" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-10bMicro.jpg" alt="" width="60" height="49" /></a>Para adquirir as publicações da Capax Dei Editora Ltda.</strong> ➞ loja virtual em: <a href="http://www.capaxdei.com.br/">www.capaxdei.com.br</a>; e-mail : capaxdeieditora@gmail.com</p>
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		<title>México: novo escândalo com inteligência dos EUA</title>
		<link>http://blogdoambientalismo.com/mexico-novo-escandalo-com-inteligencia-dos-eua/</link>
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		<pubDate>Mon, 26 Dec 2011 12:38:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
				<category><![CDATA[Governo mundial]]></category>
		<category><![CDATA[Oligarquias internacionais]]></category>
		<category><![CDATA[Política internacional]]></category>
		<category><![CDATA[Terrorismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Abalado pelas revelações sobre a crescente atuação dos serviços de inteligência dos EUA no país, a pretexto do combate ao narcotráfico, o México se vê às voltas com um novo escândalo envolvendo os ativos vizinhos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp"><img class="aligncenter  wp-image-10770" title="msiA iNFORMA" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp" alt="" width="240" height="50" /></a></p>
<p><strong>Abalado pelas revelações sobre a crescente atuação dos serviços de inteligência dos EUA no país, a pretexto do combate ao narcotráfico, o México se vê às voltas com um novo escândalo envolvendo os ativos vizinhos.</strong></p>
<p>Desta feita, trata-se da cooptação de dezenas de ex-funcionários e, possivelmente, funcionários de agências governamentais em serviço, pelas agências de inteligência estadunidenses, em particular a DEA (Drug Enforcement Agency), a ATF (Bureau of Alcohol, Tobacco, Firearms and Explosives) e ICE (Immigration and Customs Enforcement).</p>
<p>Segundo o jornal <em>La Jornada</em> de 18 de dezembro, informações da Procuradoria Geral da República e das secretarias de Segurança Pública e Governo dão conta de que pelo menos 80 ex-funcionários governamentais de áreas sensíveis de inteligência, investigações e análise trabalham para as agências estadunidenses, em atividades diversas, inclusive a coleta direta de informações. Tais fontes acrescentaram que não se descarta a possibilidade de que funcionários em serviço aliciados por seus ex-colegas também estejam trabalhando para as agências do país vizinho.</p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/guerra-trafico-mexico11.jpg"><img class="aligncenter  wp-image-12284" title="MEXICO-CRIME-ARSENAL-SEIZURE" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/guerra-trafico-mexico11-300x204.jpg" alt="" width="401" height="272" /></a></p>
<p>Os mexicanos cooptados trabalham sob a cobertura de atividades consulares estadunidenses e operam, inclusive, a partir da própria embaixada na Cidade do México. Eles se somam aos cerca de 200 agentes estadunidenses que atuam oficialmente no país, envolvidos em uma pletora de operações ostensivas e clandestinas, algumas delas aberrantes, como a infiltração de armas de fogo nos carteis de drogas mexicanos (Operação Velozes e Furiosos) e o envolvimento da própria DEA em operações de lavagem de dinheiro proveniente da venda de drogas.</p>
<p style="text-align: right;" align="right"><span style="color: #ff6600;"><strong><em>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</em></strong></span></p>
<p><strong> <a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo.png"><img class="aligncenter size-medium wp-image-10922" title="div-novo" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo-300x13.png" alt="" width="300" height="13" /></a></strong></p>
<p><strong>Créditos </strong>➞<strong> </strong>este post é matéria apresentada no Boletim Eletrônico <strong><em>MSIa INFORMA</em></strong>, do <strong><em>MSIa –</em></strong><em> <strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em>, Vol. III, N<sup>o</sup> 32, de 22 de dezembro de 2011.</p>
<p><strong><em>MSIa INFORMA</em></strong><strong> </strong>➞<strong> </strong>é uma publicação do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa). Conselho Editorial: Angel Palacios, Geraldo Luís Lino, Lorenzo Carrasco (Presidente), Marivilia Carrasco e Silvia Palacios. Endereço: Rua México, 31 &#8211; sala 202 &#8211; Rio de Janeiro (RJ) &#8211; CEP 20031-144; Telefax: 0xx 21-2532-4086.</p>
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		<title>O Irã e a guerra dos drones</title>
		<link>http://blogdoambientalismo.com/o-ira-e-a-guerra-dos-drone/</link>
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		<pubDate>Mon, 26 Dec 2011 12:16:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
				<category><![CDATA[Governo mundial]]></category>
		<category><![CDATA[Mudanças de paradigmas]]></category>
		<category><![CDATA[Nova ordem mundial]]></category>
		<category><![CDATA[Oligarquias internacionais]]></category>
		<category><![CDATA[Política internacional]]></category>

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		<description><![CDATA[A captura de um sofisticado drone de reconhecimento estadunidense representa um duro golpe assestado pelo Irã, na guerra de baixa intensidade não declarada desfechada contra o país pelo eixo anglo-americano-israelense, devido ao seu polêmico programa nuclear. Poucos analistas e observadores do cenário internacional têm dúvidas de que Washington, Londres e Tel Aviv sejam as origens dos ataques cibernéticos, explosões em instalações militares e de pesquisa, atentados contra cientistas nucleares e outras ações semelhantes desfechadas contra o país, nos últimos tempos. Porém, a captura do Lockheed Martin RQ-170 Sentinel, uma das mais avançadas aeronaves não tripuladas do arsenal dos EUA, dotada de capacidade furtiva e dedicada a missões de inteligência eletrônica, demonstra que Teerã tem em mãos cartas bem mais valiosas do que suspeitavam seus adversários.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp"><img class="aligncenter  wp-image-10770" title="msiA iNFORMA" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp" alt="" width="240" height="50" /></a></p>
<p><strong>A captura de um sofisticado <em>drone</em> de reconhecimento estadunidense representa um duro golpe assestado pelo Irã, na guerra de baixa intensidade não declarada desfechada contra o país pelo eixo anglo-americano-israelense, devido ao seu polêmico programa nuclear. Poucos analistas e observadores do cenário internacional têm dúvidas de que Washington, Londres e Tel Aviv sejam as origens dos ataques cibernéticos, explosões em instalações militares e de pesquisa, atentados contra cientistas nucleares e outras ações semelhantes desfechadas contra o país, nos últimos tempos. Porém, a captura do Lockheed Martin RQ-170 Sentinel, uma das mais avançadas aeronaves não tripuladas do arsenal dos EUA, dotada de capacidade furtiva e dedicada a missões de inteligência eletrônica, demonstra que Teerã tem em mãos cartas bem mais valiosas do que suspeitavam seus adversários.</strong></p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/drone.jpg"><img class="aligncenter  wp-image-12277" title="drone" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/drone-300x196.jpg" alt="" width="388" height="254" /></a></p>
<h2>Tecnologia iraniana</h2>
<p>Para grande desconforto do Pentágono e seus aliados, o RQ-170 caiu em mãos iranianas praticamente intacto, o que confere credibilidade às alegações das autoridades militares locais, segundo as quais ele foi capturado por meios eletrônicos, e não derrubado pela artilharia antiaérea ou meramente escapado aos seus controladores, como alegaram os estadunidenses. Que o Irã dispunha de avançadas técnicas de guerra eletrônica era um fato conhecido, mas as capacidades demonstradas na detecção do RQ-170 – supostamente, uma aeronave furtiva (<em>Stealth</em>) – e na sua captura eram insuspeitadas fora do país.</p>
<p>Em entrevista ao jornal <em>Christian Science Monitor</em> de 15 de dezembro, um engenheiro iraniano não identificado disse que os especialistas em guerra eletrônica de seu país foram capazes de cortar os<em> links</em> de comunicação por satélite entre o <em>drone</em> e seus controladores terrestres e, em seguida, reconfigurar as coordenadas de orientação por GPS da aeronave, podendo, assim, conduzi-la a um novo destino. As imagens divulgadas pela televisão e a imprensa iranianas mostram, efetivamente, uma aeronave sem danos visíveis na fuselagem, indicando um pouso relativamente suave, em vez de uma queda, como seria o caso em caso de abate ou perda de controle dos operadores.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Americanos sem-graça</h2>
<p>Para o Pentágono e a CIA, operadora do RQ-170, o episódio é desastroso em todos os aspectos, a começar pela demonstração da capacidade tecnológica iraniana, que coloca em xeque todo o processo de aquisição de inteligência eletrônica sobre as instalações nucleares e militares que seriam alvos de um eventual ataque aéreo &#8220;preventivo&#8221;, à maneira do ataque israelense ao reator nuclear iraquiano, em 1981. Apesar das bravatas do secretário de Defesa Leon Panetta, insistindo em que tais atividades não sofreriam interrupção, dificilmente, a Agência Central de Inteligência arriscará outra de suas preciosas aeronaves no espaço aéreo iraniano sem saber exatamente o que ocorreu com o <em>Sentinel</em> capturado.</p>
<p>A posse dos dados dos computadores de bordo poderá, igualmente, dar aos militares iranianos importantes informações sobre as operações de inteligência estadunidenses, inclusive, os alvos de possíveis ataques aéreos.</p>
<p>Além disso, os iranianos são mestres na arte da engenharia reversa e poderão se beneficiar grandemente com o estudo da tecnologia empregada na aeronave, para aperfeiçoar os seus próprios <em>drones</em>, cujas tecnologias básicas já dominam.</p>
<h2></h2>
<h2>Novo mundo militar</h2>
<p>Em meio à agitação provocada pelo incidente, outra informação surpreendente pode indicar que as capacidades defensivas de Teerã são ainda mais sofisticadas. Segundo o jornal francês <em>Le Post</em> de 18 de dezembro, fontes de dois serviços de inteligência europeus teriam confirmado que o Irã foi capaz de &#8220;cegar&#8221; um satélite-espião da CIA com disparos de laser, em ocasião não determinada. Embora a notícia tenha recebido pouca repercussão e a própria mídia iraniana tenha se limitado a citar as fontes ocidentais, o jornal afirma que a façanha deixou espantados os estadunidenses e europeus.</p>
<p>Apesar de ser difícil estabelecer com exatidão os fatos por detrás de tais acontecimentos, eles apontam para importantes caminhos que a tecnologia militar deverá tomar no futuro imediato. Por isso, é de grande importância que outros países, especialmente, os interessados em aumentar o seu protagonismo no cenário global, passem a dar a devida importância a eles.</p>
<p style="text-align: right;" align="right"><span style="color: #ff6600;"><strong><em>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</em></strong></span></p>
<p><strong> <a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo.png"><img class="aligncenter size-medium wp-image-10922" title="div-novo" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo-300x13.png" alt="" width="300" height="13" /></a></strong></p>
<p><strong>Créditos </strong>➞<strong> </strong>este post é matéria apresentada no Boletim Eletrônico <strong><em>MSIa INFORMA</em></strong>, do <strong><em>MSIa –</em></strong><em> <strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em>, Vol. III, N<sup>o</sup> 32, de 22 de dezembro de 2011. Subtítulos meus.</p>
<p><strong><em>MSIa INFORMA</em></strong><strong> </strong>➞<strong> </strong>é uma publicação do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa). Conselho Editorial: Angel Palacios, Geraldo Luís Lino, Lorenzo Carrasco (Presidente), Marivilia Carrasco e Silvia Palacios. Endereço: Rua México, 31 &#8211; sala 202 &#8211; Rio de Janeiro (RJ) &#8211; CEP 20031-144; Telefax: 0xx 21-2532-4086.</p>
<p><strong>Para saber mais sobre o tema </strong>➞<strong> </strong>visitar os sites da MSIa/Capax Dei:<strong> </strong><a href="http://www.alerta.inf.br/">http://www.alerta.inf.br/</a> e <a href="http://www.msia.org.br/">http://www.msia.org.br/</a>.</p>
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		<title>Por quem dobram os sinos em Bagdá</title>
		<link>http://blogdoambientalismo.com/por-quem-dobram-os-sinos-em-bagda/</link>
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		<pubDate>Mon, 26 Dec 2011 12:04:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
				<category><![CDATA[Governo mundial]]></category>
		<category><![CDATA[Crise global]]></category>
		<category><![CDATA[Desindustrialização]]></category>
		<category><![CDATA[Globalização]]></category>
		<category><![CDATA[Nova ordem mundial]]></category>
		<category><![CDATA[Oligarquias internacionais]]></category>
		<category><![CDATA[Oriente Médio]]></category>
		<category><![CDATA[Política internacional]]></category>
		<category><![CDATA[Terrorismo]]></category>

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		<description><![CDATA[    «E esses americanos e todos os americanos que servem [nas Forças Armadas] são a encarnação da coragem, do desprendimento e do patriotismo. E quando eles lutam juntos e, às vezes, morrem juntos... eles trabalham como uma equipe e fazem o seu trabalho, e eles fazem isto por algo maior do que eles.» Com essas palavras, proferidas na Casa Branca, em 20 de dezembro, o presidente Barack Obama comentou a breve cerimônia realizada pouco antes, na Base Aérea de Andrews, nos arredores de Washington, com a qual encerrou oficialmente a invasão do Iraque.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp"><img class="aligncenter  wp-image-10770" title="msiA iNFORMA" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp" alt="" width="240" height="50" /></a></p>
<blockquote><p><strong><em>«E esses americanos e todos os americanos que servem</em> [nas Forças Armadas] <em>são a encarnação da coragem, do desprendimento e do patriotismo. E quando eles lutam juntos e, às vezes, morrem juntos&#8230; eles trabalham como uma equipe e fazem o seu trabalho, e eles fazem isto por algo maior do que eles.»</em></strong></p></blockquote>
<p><strong>Com essas palavras, proferidas na Casa Branca, em 20 de dezembro, o presidente Barack Obama comentou a breve cerimônia realizada pouco antes, na Base Aérea de Andrews, nos arredores de Washington, com a qual encerrou oficialmente a invasão do Iraque.</strong></p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/SoldadosAmericanos.jpg"><img class="aligncenter  wp-image-12271" title="SoldadosAmericanos" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/SoldadosAmericanos-300x199.jpg" alt="" width="372" height="247" /></a></p>
<h2>Estabilidade no Iraque? Rsrsrs</h2>
<p>Dias antes, na Turquia, o secretário de Defesa Leon Panetta havia afirmado:</p>
<blockquote><p><em>«Por mais difícil que</em> [a guerra] <em>tenha sido, eu acho que o preço foi válido, para estabelecer um governo estável em uma região muito importante do mundo.»</em></p></blockquote>
<p>Fora do virtualismo das declarações oficiais, o rescaldo do conflito parece um tanto diferente para qualquer observador minimamente atento aos fatos reais, mesmo entre integrantes do <em>establishment</em> estadunidense. Para os EUA, a destruição do Iraque de Saddam Hussein tende a representar um ponto de inflexão da tentativa de imposição da hegemonia unipolar e neoimperial no cenário mundial pós-Guerra Fria, tanto em termos estratégicos e militares, como econômicos e financeiros – sem se esquecer do descrédito da imagem internacional do país.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>O preço da guerra&#8230;</h2>
<p>Os custos diretos da guerra, estimados na casa de 1 trilhão de dólares, contribuíram para ampliar dramaticamente os gastos e o déficit orçamentário do governo federal estadunidense, agravando ainda mais os efeitos das vicissitudes econômico-financeiras da última década. Quanto aos custos futuros, que incluem, entre outros itens, a assistência a centenas de milhares de veteranos de guerra, poderão atingir a marca de 4 trilhões de dólares, ao longo das próximas décadas.</p>
<p>O preço humano foi colossal, tanto para os invasores como para os invadidos. No Iraque, as Forças Armadas estadunidenses deixaram quase 4.500 mortos e cerca de 33 mil feridos em graus diversos de gravidade, além de um número incalculável de traumatizados que terão que receber assistência permanente em seu retorno às vidas &#8220;normais&#8221;. <strong>Para os iraquianos, o número de mortos, feridos graves, mutilados e traumatizados é igualmente incalculável, com as estimativas variando entre centenas de milhares e milhões de indivíduos.</strong> A estes números insondáveis, devem-se somar cerca de dois milhões de pessoas forçadas a abandonar o país, entre as quais grande parte das elites profissionais e intelectuais iraquianas, cuja sobrevivência no Iraque se tornou impossível, pelas perseguições e lutas sectárias deflagradas pela invasão.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>“Motivos de guerra”</h2>
<p>Quanto aos objetivos da invasão, recordamos aqui o editorial da edição da primeira quinzena de março de 2003 do jornal<em> Solidariedade Ibero-americana</em>, oportunamente intitulado «Imperium Insanum» e publicado na véspera do início do ataque:</p>
<blockquote><p><em>«A guerra pretendida não representa nem a &#8220;fase final do capitalismo&#8221;, nem uma maneira de provocar uma recuperação econômica, pela simples razão de que os EUA não dispõem mais da pujante base industrial sobre a qual o presidente Franklin Roosevelt pode implementar o seu célebre New Deal e a mobilização econômica para a II Guerra Mundial, da qual o país emergiu como a maior potência econômica da História. Ao contrário, ao longo das últimas três décadas, a indústria e a infraestrutura econômica estadunidenses foram devastadas pela mesma ideologia liberal herdada da experiência colonial anglo-holandesa, cuja hegemonia transformou a economia mundial num cassino financeiro especulativo, provocando a crise sistêmica que agora vive os seus estertores.»</em></p>
<p><em>«Igualmente, não se trata de uma simples guerra pelo controle de recursos naturais, como o petróleo do Oriente Médio e do Cáucaso, ainda que seja inegável que os EUA e seus escassos aliados poderiam beneficiar-se disto no curto prazo.»</em></p>
<p><em>«Essas explicações minimizam a natureza geopolítica global dos interesses anglo-americanos e seus aliados em Israel&#8230; a investida anglo-americana contra o Iraque representa um divisor de águas&#8230; Um ataque anglo-americano ao Iraque poderá definir prontamente um cenário de guerra perpétua, que começaria contra povos islâmicos e se estenderia como rastilho de pólvora ao longo das rotas de integração eurasiática. A destruição do esforço de estabelecimento de uma Ponte Terrestre Eurasiática, capaz de deflagrar um inadiável processo de recuperação econômica mundial, é um objetivo primário do impulso imperial.»</em> (&#8230;)</p></blockquote>
<h2>Lições históricas</h2>
<p>A despeito da dimensão da ameaça, o texto apontava para lições históricas que foram deixadas de lado pelos mentores e planejadores da investida:</p>
<blockquote><p><em>«Os autores desses planos são claramente partidários de que os EUA adotem o desígnio de impor ao mundo um &#8220;Novo Império Romano&#8221;. O único senão é que os impérios são construções sócio-político-econômicas historicamente inviáveis e, à diferença de Roma, que iniciou sua fase imperial no auge do seu poderio econômico, a nova pretensão se manifesta em plena decadência econômica dos EUA e com líderes cuja conduta pouco difere dos imperadores romanos mais doentios, como Calígula ou Nero.»</em></p></blockquote>
<h2>Quem ganha com a guerra?</h2>
<p>Quase nove anos depois, os únicos beneficiários da guerra parecem ter sido:</p>
<blockquote><p>1) o Irã xiita, que herdou de bandeja a destruição do Estado iraquiano dominado pela minoria sunita favorecida por Saddam Hussein, tornando-se uma das principais influências políticas no país; e</p>
<p>2) as empresas do aparato de &#8220;segurança nacional&#8221; estadunidense e seus apêndices, aí incluídas as companhias de mercenários que foram mantidas no Iraque, para proteger a gigantesca embaixada em Bagdá (a maior do mundo) e as empresas dos EUA no país, além de atuar como &#8220;instrutores&#8221; das forças militares e de segurança iraquianas.</p></blockquote>
<p>Até mesmo na área petrolífera, cujo controle os &#8220;neoconservadores&#8221; que planejaram a invasão contavam em transferir às grandes empresas estadunidenses, a grande maioria das concessões de exploração acabaram nas mãos de empresas de outros países, muitas delas estatais, integrantes do impulso que está reconfigurando rapidamente a exploração de hidrocarbonetos em âmbito mundial, recolocando-a nas mãos de Estados nacionais.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Poderio militar?</h2>
<p>De fato, embora não tenham padecido da devastação imposta aos iraquianos, as consequências da guerra já se mostram trágicas para os EUA, e não apenas nos custos humanos, econômicos e políticos, mas, também, na desmoralização da força militar como instrumento de política externa e sobre o próprio sentido de humanidade e justiça da cidadania em geral, fator subjetivo de importância crucial para toda sociedade, ao qual lideranças afetadas pela soberba e pela cegueira causada pela sensação de onipotência não costumam dar a devida atenção.</p>
<p>Por isso, parafraseando a prosa de John Donne, os sinos de Bagdá não dobram apenas pelas vítimas, mas, não menos, pelos agressores do Iraque.</p>
<p style="text-align: right;" align="right"><span style="color: #ff6600;"><strong><em>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</em></strong></span></p>
<p><strong> <a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo.png"><img class="aligncenter size-medium wp-image-10922" title="div-novo" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo-300x13.png" alt="" width="300" height="13" /></a></strong></p>
<p><strong>Créditos </strong>➞<strong> </strong>este post é matéria apresentada no Boletim Eletrônico <strong><em>MSIa INFORMA</em></strong>, do <strong><em>MSIa –</em></strong><em> <strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em>, Vol. III, N<sup>o</sup> 32, de 22 de dezembro de 2011. Subtítulos meus.</p>
<p><strong><em>MSIa INFORMA</em></strong><strong> </strong>➞<strong> </strong>é uma publicação do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa). Conselho Editorial: Angel Palacios, Geraldo Luís Lino, Lorenzo Carrasco (Presidente), Marivilia Carrasco e Silvia Palacios. Endereço: Rua México, 31 &#8211; sala 202 &#8211; Rio de Janeiro (RJ) &#8211; CEP 20031-144; Telefax: 0xx 21-2532-4086.</p>
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		<title>Os Estados Unidos e as Nações Unidas</title>
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		<pubDate>Sat, 24 Dec 2011 17:49:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
				<category><![CDATA[Governo mundial]]></category>
		<category><![CDATA[Nova ordem mundial]]></category>
		<category><![CDATA[Oligarquias internacionais]]></category>
		<category><![CDATA[Política internacional]]></category>

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		<description><![CDATA[Um verdadeiro império precisa de aliados ou consegue obter o que quer sozinho? Aos olhos de muitos comentaristas, a ameaça representada pelo Iraque de Saddam Hussein expôs uma dicotomia simples entre “unilateralismo” e “multilateralismo”. Ao longo de toda a década de 1990, os Estados Unidos buscaram lidar com Saddam por meio das estruturas institucionais da “comunidade internacional”, uma expressão vaga que pretende normalmente se referir às Nações Unidas, mas que às vezes na verdade adula umas poucas nações que se opõem à política americana. Críticos do presidente George Bush pai alegam que ele foi muito suscetível aos desejos da comunidade internacional quando deixou de completar a expulsão do Iraque do Kuwait autorizada pela ONU com uma invasão do Iraque e uma mudança de regime em Bagdá. Doze anos depois, críticos do presidente George Bush filho alegaram o exato oposto: que ele foi surdo demais aos desejos da comunidade internacional quando ordenou – sem autorização explícita da ONU – a invasão do Iraque e a derrubada de Saddam Hussein. Na opinião deles, o governo francês estava consistentemente certo ao defender uma abordagem multilateral para o Iraque. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/Colosso.jpg"><img class="alignleft  wp-image-10739" title="capa_Colosso_28mm.indd" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/Colosso-202x300.jpg" alt="" width="101" height="151" /></a>Um verdadeiro império precisa de aliados ou consegue obter o que quer sozinho? Aos olhos de muitos comentaristas, a ameaça representada pelo Iraque de Saddam Hussein expôs uma dicotomia simples entre “unilateralismo” e “multilateralismo”. Ao longo de toda a década de 1990, os Estados Unidos buscaram lidar com Saddam por meio das estruturas institucionais da “comunidade internacional”, uma expressão vaga que pretende normalmente se referir às Nações Unidas, mas que às vezes na verdade adula umas poucas nações que se opõem à política americana. Críticos do presidente George Bush pai alegam que ele foi muito suscetível aos desejos da comunidade internacional quando deixou de completar a expulsão do Iraque do Kuwait autorizada pela ONU com uma invasão do Iraque e uma mudança de regime em Bagdá. Doze anos depois, críticos do presidente George Bush filho alegaram o exato oposto: que ele foi surdo demais aos desejos da comunidade internacional quando ordenou – sem autorização explícita da ONU – a invasão do Iraque e a derrubada de Saddam Hussein. Na opinião deles, o governo francês estava consistentemente certo ao defender uma abordagem multilateral para o Iraque. </strong></p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/ONU-e-eua.jpg"><img class="aligncenter  wp-image-12246" title="ONU-e-eua" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/ONU-e-eua-300x225.jpg" alt="" width="359" height="269" /></a></p>
<h2>Ambiguidades da ONU</h2>
<p>Essa é, porém, uma falsa dicotomia em muitos sentidos. A invasão do Iraque em 2003 não se deu sem uma base legítima no direito internacional e foi apoiada de várias formas por cerca de 40 outros países. Nenhum país era tão contra a mudança de regime que estivesse disposto a lutar contra ela com algo além da menos cara e eficaz das armas: a retórica. Por outro lado, é difícil pintar o governo francês como exemplo de virtude “multilateral”, assim como é difícil enxergar o Conselho de Segurança das Nações Unidas como a única fonte de legitimidade nas relações internacionais.</p>
<p>A crise no Iraque surgiu da profunda ambiguidade no modo como a ONU – e especialmente o Conselho de Segurança – tinha se comportado nos 13 anos anteriores a 2003. Eram os anos em que, com a Guerra Fria terminada, deveria surgir uma “nova ordem mundial”, na qual a ONU, apoiada pelos Estados Unidos, teria um papel crucial. Quem hoje exalta as Nações Unidas e censura os Estados Unidos tem memória seletiva. Porque os pecados mortais por omissão por parte da primeira pesam muito mais do que os pecados veniais por atos por parte do segundo.</p>
<p>Estadistas vitorianos costumavam falar ironicamente sobre o “esplêndido isolamento”, que, na opinião deles, não era uma situação desejável para um império. Os anos 1990, porém, revelaram que uma obediência excessiva a instituições internacionais também pode ter desvantagens. O multilateralismo também pode não ser tão esplêndido.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Rockefeller foi quem doou o terreno para a ONU&#8230;</h2>
<p>As Nações Unidas são, em larga medida, uma criação dos Estados Unidos. O próprio nome foi sugerido por Franklin Roosevelt quando os 26 Estados aliados que lutavam contra as potências do Eixo estavam rascunhando uma declaração conjunta, no fim de 1941. Três anos e meio depois, a Carta da ONU foi formalmente adotada por delegados dos 50 Estados membros originais na Opera House de São Francisco.</p>
<p>Embora tenham se reunido inicialmente em Londres, o Conselho de Segurança e a Assembleia Geral estão alojados desde os anos 1950 num local em Nova York doado pela família Rockefeller. E, embora os Estados Unidos tenham suspendido o pagamento de suas dívidas com as Nações Unidas em 1996 por instigação do Congresso dominado pelos republicanos, essas contribuições foram retomadas e os atrasados parcialmente pagos em 1999.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Quem sustenta a ONU são os EUA</h2>
<p>No momento, os Estados Unidos continuam a ser, como têm sido desde o início da ONU, o maior contribuinte individual. Mais de <sup>1</sup>/<sub>5</sub> (22%) do orçamento bianual regular de US$ 2,54 bilhões da ONU é pago pelos Estados Unidos, só ligeiramente menos do que a quota de 25% anterior a 1999. Além disso, a contribuição americana também responde por metade do orçamento do Programa Alimentar Mundial; 25% dos orçamentos das missões de paz da ONU, da Agência Internacional de Energia Atômica, do escritório do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados e da Organização Internacional de Aviação Civil; e cerca de 20% dos orçamentos da Organização Mundial de Saúde, do Fundo para a Infância e do Programa de Desenvolvimento da ONU. No total, os Estados Unidos afirmam que suas contribuições voluntárias e obrigatórias para todo o sistema de organizações internacionais da ONU em 2002 chegaram a US$ 3 bilhôes.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>ONU: criatura dos EUA</h2>
<p>A questão sobre as Nações Unidas não é ela ser uma alternativa para os Estados Unidos. Ela é uma criação dos Estados Unidos. E seus recursos são tão menores do que os do governo dos EUA que suas funções nunca podem ser mais do que complementares ao poderio americano.</p>
<p><strong>Para ser exato, o orçamento anual das Nações Unidas é equivalente a cerca de 0,07% do orçamento federal dos EUA, 0,4% do orçamento de defesa dos EUA e 17,6% do orçamento de assistência internacional humanitária e de desenvolvimento dos EUA.</strong></p>
<p>Nas palavras da ex-secretária de Estado Madeleine K. Albright, que, de 1993 a 1996, era a representante americana permanente na ONU, o orçamento anual das Nações Unidas é <strong><em>«aproximadamente o que o Pentágono gasta a cada 32 horas»</em></strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Quem paga, manda</h2>
<p>Assim, as Nações Unidas nunca poderiam esperar ir contra os Estados Unidos e vencer; todas as vezes em que houve diferenças, como quanto à questão da jurisdição da Corte Internacional de Justiça, os Estados Unidos simplesmente seguiram seu próprio caminho.</p>
<p>Embora a América tenha feito mais isso sob o presidente Bush, não é uma novidade. Os Estados Unidos precisam das Nações Unidas, mas não precisam assinar todos os acordos internacionais que elas produzem. As Nações Unidas precisam ainda mais dos Estados Unidos, assim, têm que ser tolerantes com seu principal patrono. Se ocorresse um rompimento completo entre os Estados Unidos e as Nações Unidas, elas estariam, para todos os fins práticos, mortas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Quem tem poder?</h2>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/Conselho-ONU.jpg"><img class="aligncenter  wp-image-12247" title="UN General Assembly" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/Conselho-ONU-300x200.jpg" alt="" width="436" height="290" /></a></p>
<p>As restrições ao poder dos Estados Unidos tal como existem hoje devem ser, portanto, procuradas através do véu do “multilateralismo”. Elas vão ser encontradas na exagerada representação permanente no Conselho de Segurança da ONU de três ex-impérios e de um império ainda existente: Grã-Bretanha, França, Rússia e China. São eles, e não a ONU em si, que têm o poder de negar à política externa dos Estados Unidos a sanção da “comunidade internacional” na forma de resoluções do Conselho de Segurança, e eles podem exercer esse papel individual ou coletivamente.</p>
<p>Assim, ironicamente, o selo de aprovação multilateral pode ser negado pela ação unilateral de apenas um dos outros membros permanentes do Conselho de Segurança. Que os Estados Unidos tolerem isso quando acontece, como aconteceu em relação ao Iraque em 2002, é um sinal de seu autocontrole, mas também é de seu interesse próprio.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>A ONU é conveniente apenas para alguns</h2>
<p>O Conselho de Segurança da ONU – bastante semelhante às conferências regulares de ministros das Relações Exteriores das grandes potências durante o século XIX – é uma comodidade, uma agência para os interesses de algumas (embora não todas) grandes potências de hoje. Quando legitima a política americana, é positivamente útil. Quando não, por outro lado, não é mais do que uma irritação.</p>
<p>E talvez por fornecer o palco em que os ex-impérios podem se permitir um sentimento de autoimportância, ele os torna ainda menos importantes do que poderiam ser de outra forma – precisamente porque sua presença é um fator sutilmente irritante para as potências econômicas em ascensão do presente que, por razões puramente históricas, <em>não </em><em>são</em> membros permanentes do conselho.</p>
<p>Hoje, os outros quatro membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU têm economias com um PIB somado de US$ 4,5 trilhões. É um pouco menos do que a metade do PIB dos Estados Unidos. Também é menos do que <sup>3</sup>/<sub>4</sub> do PIB somado dos três maiores não membros do Conselho de Segurança: Japão, Alemanha e Índia.</p>
<p style="text-align: right;" align="right"><strong><em>Niall Ferguson</em></strong></p>
<p><strong><em><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2010/12/div4.gif"><img class="aligncenter  wp-image-5750" title="div4" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2010/12/div4.gif" alt="" width="149" height="21" /></a></em></strong></p>
<p><strong><em> </em>Créditos → </strong>este post é composto por um capítulo <em><strong></strong></em>do livro <em><strong>«Colosso – Ascensão e Queda do Império Americano»</strong></em>, escrito em 2004 por Niall Fergusson (1964) – historiador inglês, professor/pesquisador em Harvard, Oxford e Stanford e correspondente do <em>Financial Times</em> e da <em>Newsweek</em>, dentre outras atividades e livros publicados, inclusive no Brasil. Deve-se levar em conta o ano em que o livro foi escrito e os acontecimentos posteriores, até os dias de hoje. Introduzi subtítulos no texto para incentivar e facilitar a leitura.<strong></strong></p>
<p><strong>Imagens:</strong> <a href="http://burgos4patas.blogspot.com/">http://burgos4patas.blogspot.com</a> ; <a href="http://blogs.estadao.com.br/">http://blogs.estadao.com.br</a></p>
<p><strong><br />
</strong></p>
<h2>Os livros a ler são:</h2>
<p><strong>Chomsky</strong>, Noam — <strong><em>O Império Americano – Hegemonia ou Sobrevivência</em></strong><strong> </strong>— Rio de Janeiro, Brasil: Campus/Elsevier Editora Ltda., 2004.</p>
<p><strong>Ferguson</strong>, Niall — <strong><em>Colosso – Ascensão e Queda do Império Americano</em></strong> — São Paulo, Brasil: Editora Planeta do Brasil Ltda., 2011.</p>
<p><strong>Kiernan</strong>, V. G. — <em><strong>Estados Unidos – O Novo Imperialismo</strong></em> — Rio de Janeiro, Brasil: Editora Record Ltda., 2009.</p>
<p><strong>Landes</strong>, David — <strong><em>Dinastias – Esplendores e Infortúnios das Grandes Famílias Empresariais</em></strong> — Rio de Janeiro, Brasil: Elsevier Editora Ltda./Editora Campus., 2007.</p>
<p><strong>Lens</strong>, Sidney — <strong><em>A Fabricação do Império Americano – Da Revolução ao Vietnã: Uma História do Imperialismo dos Estados Unidos</em></strong><strong> </strong>— Rio de Janeiro, Brasil: Editora Civilização Brasileira/Editora Record Ltda., 2006.</p>
<p><strong>Lottman</strong>, Herbert R. — <strong><em>A Dinastia Rothschild</em></strong> — Porto Alegre, Brasil: L&amp;PM Editores, 2011.</p>
<p><strong>Moniz Bandeira</strong>, Luiz Alberto — <strong><em>Formação do Império Americano – Da Guerra Contra a Espanha à Guerra do Iraque </em></strong>— Rio de Janeiro, Brasil: Editora Civilização Brasileira/Editora José Olympio, 2009.</p>
<p><strong>Morris</strong>, Charles R. — <strong><em>Os Magnatas</em></strong> — Porto Alegre, Brasil: L&amp;PM Editores, 2006.</p>
<p><strong>Perkins</strong>, John — <strong><em>A História Secreta do Império Americano</em></strong> — São Paulo, Brasil: Editora Pensamento-Cultrix Ltda., 2008.</p>
<p><strong>Pieterse</strong>, Jan Nederveen — <strong><em>O Fim do Império Americano? – Os Estados Unidos Depois da Crise</em></strong> — Belo Horizonte, Brasil: Geração Editorial, 2009.</p>
<p><strong>Tocqueville</strong>, Alexis de — <strong><em>A Democracia na América</em></strong> (livro I – <strong><em>Leis e Costumes</em></strong>; livro II – <strong><em>Sentimentos e Opiniões</em></strong>) — São Paulo, Brasil: Livraria Martins Fontes Ltda., 2005 e 2004.</p>
<p><strong>Wolf</strong>, Naomi — <strong><em>O Fim da América</em></strong><strong> </strong>— Rio de Janeiro, Brasil: Editora Record Ltda., 2010.</p>
<p><strong>Wallerstein</strong>, Immanuel — <strong><em>O Declínio do Poder Americano</em></strong> — Rio de Janeiro, Brasil: Contraponto Editora Ltda., 2004.</p>
<p><strong><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-0aMicro.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-9609" title="harpia-0aMicro" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-0aMicro.jpg" alt="" width="50" height="64" /></a>Zakaria</strong>, Fareed — <em><strong>O Mundo Pós-Americano</strong></em> — São Paulo, Brasil: Editora Schwarcz Ltda./Companhia das Letras, 2008.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Narcotráfico e crise financeira: uma advertência de Moscou</title>
		<link>http://blogdoambientalismo.com/narcotrafico-e-crise-financeira-uma-advertencia-de-moscou/</link>
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		<pubDate>Mon, 19 Dec 2011 12:20:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
				<category><![CDATA[Governo mundial]]></category>
		<category><![CDATA[Crise financeira]]></category>
		<category><![CDATA[Crise global]]></category>
		<category><![CDATA[Globalização]]></category>
		<category><![CDATA[Mudanças de paradigmas]]></category>
		<category><![CDATA[Nova ordem mundial]]></category>
		<category><![CDATA[Oligarquias internacionais]]></category>
		<category><![CDATA[Política internacional]]></category>

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		<description><![CDATA[Não é todo dia que um alto funcionário governamental, independentemente do seu país, demonstra o conhecimento e a determinação necessários para fazer uma avaliação realista da crise global, apontando simultaneamente as suas causas, os múltiplos efeitos e, principalmente, os beneficiários da instabilidade provocada por ela - que, por conseguinte, têm resistido a toda e qualquer iniciativa política para revertê-la. Este é o caso do diretor do Serviço Federal de Controle de Drogas da Federação Russa (FSKN, na sigla em russo), Viktor Ivanov, em diversas intervenções públicas, inclusive, nos EUA e na Europa, que fala sem rodeios sobre os vínculos entre o tráfico internacional de drogas e o sistema financeiro global.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp"><img class="aligncenter  wp-image-10770" title="msiA iNFORMA" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp" alt="" width="240" height="50" /></a></strong></p>
<p><strong>Não é todo dia que um alto funcionário governamental, independentemente do seu país, demonstra o conhecimento e a determinação necessários para fazer uma avaliação realista da crise global, apontando simultaneamente as suas causas, os múltiplos efeitos e, principalmente, os beneficiários da instabilidade provocada por ela &#8211; que, por conseguinte, têm resistido a toda e qualquer iniciativa política para revertê-la. Este é o caso do diretor do Serviço Federal de Controle de Drogas da Federação Russa (FSKN, na sigla em russo), Viktor Ivanov, em diversas intervenções públicas, inclusive, nos EUA e na Europa, que fala sem rodeios sobre os vínculos entre o tráfico internacional de drogas e o sistema financeiro global.</strong></p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/Viktor-Ivanov.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-12290" title="Viktor-Ivanov" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/Viktor-Ivanov-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p>Ivanov não é um burocrata qualquer, mas um integrante do círculo íntimo do premier Vladimir Putin, com grande experiência nos serviços de inteligência e no mundo empresarial, ocupando cargos nos conselhos de administração de importantes empresas estratégicas para o Estado russo, como a Almaz-Antei, que produz sistemas de defesa antiaérea, e a companhia aérea Aeroflot. Com o mais que provável retorno de Putin à Presidência da República, nas eleições de março de 2012, é praticamente certo que Ivanov continue ocupando cargos estratégicos para o Kremlin. Portanto, suas palavras adquirem uma especial relevância e o fato de chefiar o FSKN (desde 2008) denota a importância do tema para o governo russo.</p>
<p>Em novembro, Ivanov esteve nos EUA, para consultas com seu colega estadunidense Gil Kerlikowske, diretor do Gabinete Política Nacional de Controle de Drogas e parceiro na Comissão Presidencial Bilateral Russo-Americana, estabelecida pelos presidentes Dmitri Medvedev e Barack Obama, para coordenar iniciativas na luta antidrogas. No dia 18, ele esteve no Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS, em inglês), um dos mais importantes think-tanks de Washington, onde proferiu uma conferência significativamente intitulada &#8220;O tráfico mundial de drogas como fator-chave da crescente crise financeira e econômica global&#8221;.</p>
<p>O foco principal da atuação do FSKN é o tráfico de heroína proveniente do Afeganistão, que, nas palavras de Ivanov, &#8220;está inundando a Rússia e a União Europeia&#8221;. Mas, segundo ele, &#8220;apenas medidas repressivas são insuficientes&#8221; para a reversão do problema. Seu enfoque é o da promoção de um ambiente favorável ao desenvolvimento e às atividades produtivas:</p>
<blockquote><p><em>«A chave para liquidar o tráfico global de drogas é reformar a economia existente e orientá-la para uma economia que exclua o dinheiro criminoso e garanta a geração contínua de ativos líquidos limpos, ou seja, uma economia de desenvolvimento, em que as decisões sejam baseadas em projetos de desenvolvimento e créditos orientados de longo prazo. Um exemplo dessa abordagem poderia ser o &#8220;Plano Arco-íris 2&#8243; da Rússia&#8230; apresentado em março último ao Conselho Rússia-OTAN. O seu parágrafo 2 se intitula: &#8220;Elaboração e implementação de um programa para a recuperação econômica e o desenvolvimento afegãos por meio do desenvolvimento de infraestrutura&#8221;.»</em></p>
<p><em>«O caso do Afeganistão é o mais visível e demonstrativo, em termos do problema. Quanto mais esse país longamente sofrido for destruído, mais hostilidades ocorrerem por lá e mais e mais agudas tensões geopolíticas persistam, por mais tempo o Afeganistão será o centro global e monopolista da produção de opiáceas e, desde 2010, de canabinóides e haxixe.»</em></p></blockquote>
<p>Se a proposta de combater o narcotráfico com desenvolvimento e infraestrutura parece uma questão de bom senso, Ivanov usa a maior parte da palestra para explicar por que isso não está na pauta política. A resposta é direta: a lavagem dos rendimentos do narcotráfico constitui hoje um dos principais &#8220;nutrientes&#8221; dos fluxos financeiros especulativos do cassino global. Vale a pena ouvi-lo:</p>
<blockquote><p><em>«As análises mostram que cerca de 10-15% das drogas são interceptadas, ao passo que a proporção do dinheiro das drogas confiscado é menor que 0,5%. Isto significa que a quase totalidade da economia global das drogas entra livremente em circulação e se torna parte dos fluxos de dinheiro globais, aproveitando as vantagens das capacidades do sistema financeiro legal.»</em></p>
<p><em>«Enquanto isso, bancos inescrupulosos, que praticam operações financeiras em larga escala, além de sua capacidade de enfrentar os riscos que assumem, procuram assegurar a liquidez de que necessitam recorrendo à atração criminosa, ou, para ser mais preciso, à absorção de vastos montantes de dinheiro criminoso, a maior parte do qual é dinheiro das drogas.»</em></p>
<p><em>«Aqui, nós temos reveladoras estimativas oficiais feitas por Antonio Costa, ex-subsecretário-geral das Nações Unidas e diretor-executivo do ODC </em>[Gabinete de Drogas e Crime da ONU]<em>, de que, durante a crise global, em 2008-2009, cerca de 352 bilhões de narcodólares foram injetados em grandes bancos mundiais, para evitar problemas críticos de escassez de liquidez; depois, esse dinheiro foi usado para empréstimos interbancários.»</em></p>
<p><em>«É bastante relevante que esse funcionário internacional de alto escalão tenha enfatizado que isso não é um problema de bancos individuais, mas de todo o arranjo geral do sistema financeiro mundial. O Sr. Costa sabe do que fala: ele é um experiente banqueiro internacional que, entre outras coisas, foi, durante dez anos&#8230; secretário-geral do Banco Europeu para Reconstrução e Desenvolvimento.»</em></p></blockquote>
<p>Prosseguindo, Ivanov deu mais detalhes sobre o tenebroso cenário da cumplicidade do sistema financeiro &#8220;globalizado&#8221; com o narcotráfico internacional:</p>
<blockquote><p><em>«É igualmente óbvio, e confirmado analiticamente, que o sistema financeiro existente, que opera usando um número grande e crescente de instrumentos financeiros, como opções, futuros, swaps e outros derivativos que inflam a chamada &#8220;bolha de sabão financeira&#8221;, não pode mais existir sem infeções de dinheiro &#8220;sujo&#8221;. Esta análise é plenamente confirmada pelas avaliações de especialistas apresentadas no relatório publicado no mês passado pelo ODC, &#8220;Estimando os fluxos financeiros ilícitos resultantes do tráfico de drogas e outros crimes organizados transnacionais&#8221;.»</em></p>
<p><em>«O relatório afirma abertamente que, hoje, o dinheiro sujo pode entrar facilmente nos fluxos financeiros legais; ao mesmo tempo, os &#8220;investimentos&#8221; desse dinheiro desarticulam seriamente a economia real e impedem, substancialmente, o crescimento econômico. O relatório estima os fluxos totais de dinheiro sujo do crime organizado transnacional em mais de 1 trilhão de dólares, ou 1,5% do PIB global, e nada menos que 70% desse dinheiro é lavado por meio de instituições financeiras. O setor mais produtivo da dessa economia &#8220;negra&#8221;, segundo o relatório, é o tráfico de drogas, que representa pelo menos a metade de todos os fluxos criminosos globais.» (&#8230;)</em></p>
<p><em>«O custo econômico da circulação de drogas na sociedade é verdadeiramente enorme. As estimativas do relatório mostram que os prejuízos econômicos do tráfico de drogas representam o dobro ou o triplo do valor das drogas. Assim, enquanto o mercado de cocaína nos EUA é estimado em 35 bilhões de dólares e o mercado da heroína e outras drogas, em 15 bilhões, os prejuízos diretos causados pelas drogas à economia dos EUA é de 150 bilhões de dólares, em termos monetários!»</em></p>
<p><em>«Levando-se em conta o fato de que mercados de drogas similares estão ativos na União Europeia e na China, os principais parceiros comerciais e econômicos dos EUA, esse efeito negativo em grande escala se reproduz na forma de uma sinergia negativa. E, uma vez que a Europa é o maior mercado para a heroína afegã, bem como representa a metade do mercado para a cocaína latino-americana, o resultado é que o setor real das economias dos países líderes do mundo está entrando em colapso cada vez mais rapidamente. O dinheiro sujo das drogas, em combinação com uma bolha especulativa, estão, simplesmente, exaurindo a economia de criação e desenvolvimento [grifos nossos].» (&#8230;)</em></p>
<p><em>«O problema é ainda maior, pelo fato de que a bolha é aumentada por um pesado óbice na forma de gastos militares irrecuperáveis. Os estudos mostram que a persistente falta de liquidez e as tentativas de se manter à tona durante a crise promovem, não apenas uma tolerância com as atividades criminosas, mas também uma atitude de encorajamento da disponibilidade desse dinheiro.»</em></p></blockquote>
<p>Como exemplo de grandes bancos internacionais identificados como participantes desse circuito global de &#8220;narcolavagem&#8221;, Ivanov mencionou o Wachovia (absorvido em 2008 pelo Wells Fargo), o American Express e o HSBC.</p>
<p>Ivanov deixou claro que o enfrentamento a sério do desafio das drogas requer uma &#8220;drástica transformação do sistema financeiro internacional&#8221;. E, para ser mais claro ainda, ele apontou para a necessidade de regulamentação e controle das atividades financeiras especulativas.</p>
<p>&#8220;De certa maneira, estamos observando um renascimento da lógica da Lei Glass-Steagall, adotada nos EUA, em 1933, no auge da Grande Depressão, que separou as funções de depósito e investimento dos bancos. Mas restrições duras para evitar a atração de dinheiro criminoso são requeridas ainda mais&#8221;, disse ele (possivelmente, para desconforto de alguns de seus ouvintes).</p>
<p>Aos nossos leitores, sugerimos a leitura do <a href="http://www.fskn.gov.ru/includes/periodics/eventsmain/2011/1118/012115810/detail.shtml" target="_blank">texto completo da palestra</a> de Ivanov, disponível em inglês no sítio do FSKN, inclusive, com os gráficos usados para ilustrar a exposição.</p>
<p style="text-align: right;"><strong>Geraldo Luís Lino</strong></p>
<p style="text-align: right;" align="right"><span style="color: #ff6600;"><strong><em>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</em></strong></span></p>
<p><strong> <a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/03/2000px-Decorative_text_divider_4.svg_.png"><img class="aligncenter size-medium wp-image-7413" title="2000px-Decorative_text_divider_4.svg" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/03/2000px-Decorative_text_divider_4.svg_-300x12.png" alt="" width="300" height="12" /></a></strong></p>
<p><strong>Créditos </strong>➞<strong> </strong>este post é matéria apresentada no Boletim Eletrônico <strong><em>MSIa INFORMA</em></strong>, do <strong><em>MSIa –</em></strong><em> <strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em>, Vol. III, N<sup>o</sup> 31, de 16 de dezembro de 2011.</p>
<p><strong><em>MSIa INFORMA</em></strong><strong> </strong>➞<strong> </strong>é uma publicação do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa). Conselho Editorial: Angel Palacios, Geraldo Luís Lino, Lorenzo Carrasco (Presidente), Marivilia Carrasco e Silvia Palacios. Endereço: Rua México, 31 &#8211; sala 202 &#8211; Rio de Janeiro (RJ) &#8211; CEP 20031-144; Telefax: 0xx 21-2532-4086.</p>
<p><strong>Para saber mais sobre o tema </strong>➞<strong> </strong>visitar os sites da MSIa/Capax Dei:<strong> </strong><a href="http://www.alerta.inf.br/">http://www.alerta.inf.br/</a> e <a href="http://www.msia.org.br/">http://www.msia.org.br/</a>.</p>
<p><strong>Mensagens e sugestões </strong>➞<strong> </strong>favor enviar para msia@msia.org.br</p>
<p><strong>Para adquirir as publicações da Capax Dei Editora Ltda.</strong> ➞ loja virtual em: <a href="http://www.capaxdei.com.br/">www.capaxdei.com.br</a>; e-mail : capaxdeieditora@gmail.com</p>
<p><strong><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-10bMicro.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-9620" title="harpia-10bMicro" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-10bMicro.jpg" alt="" width="60" height="49" /></a>Imagem</strong> ➞ <a href="http://www.rferl.org">http://www.rferl.org</a><strong> </strong></p>
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		<title>Luzes e sombras na cúpula da UE</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Dec 2011 12:10:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Uma vez mais, os chefes de Estado e de governo europeus, fortemente influenciados pelos acordos preferenciais entre Angela Merkel e Nicolas Sarkozy, não foram capazes de combinar a necessidade de rigor com a do crescimento econômico. De acordo com os líderes da zona do euro, em primeiro lugar, devem vir os cortes orçamentários, as medidas de austeridade para reduzir as dívidas públicas e as mudanças dos tratados e, só depois, se poderá pensar na recuperação econômica! Parece ser ideologicamente impossível fazer rodarem juntos o trem do rigor e o da recuperação.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp"><img class="aligncenter  wp-image-10770" title="msiA iNFORMA" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp" alt="" width="235" height="49" /></a></strong></p>
<p><strong>Uma vez mais, os chefes de Estado e de governo europeus, fortemente influenciados pelos acordos preferenciais entre Angela Merkel e Nicolas Sarkozy, não foram capazes de combinar a necessidade de rigor com a do crescimento econômico. De acordo com os líderes da zona do euro, em primeiro lugar, devem vir os cortes orçamentários, as medidas de austeridade para reduzir as dívidas públicas e as mudanças dos tratados e, só depois, se poderá pensar na recuperação econômica!</strong></p>
<p><strong>Parece ser ideologicamente impossível fazer rodarem juntos o trem do rigor e o da recuperação.</strong></p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/euro-banco-central-europeu.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-12262" title="euro-banco-central-europeu" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/euro-banco-central-europeu-300x168.jpg" alt="" width="300" height="168" /></a></p>
<p>No entanto, todos sabemos – como, aliás, já apontou até mesmo o Banco da Itália – que, no intervalo entre o novo pacto de equilíbrio orçamentário e as futuras medidas de recuperação ainda a ser definidas, haverá uma desaceleração econômica, com a redução do PIB, especialmente nos países mais débeis. Na verdade, isto tende a prejudicar a temida relação dívida/PIB e a exacerbar as crescentes e justificadas tensões sociais, como já está ocorrendo na Itália.</p>
<p>Além dos detalhes agora conhecidos sobre a estabilidade fiscal e a correção automática de déficits fiscais, a Declaração de Bruxelas revela que o casal franco-alemão não vive exatamente um mar de rosas. Na verdade, a leitura ao pé da letra da carta que Merkel e Sarkozy enviaram poucos dias antes ao presidente do Conselho Europeu, Herman van Ronpuy, permite deduzir que o projeto de impor o seu eixo dominante é para valer.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Tentativas de reorganização da Europa</h2>
<p>Para criar uma forte governança europeia e assegurar a disciplina orçamentária, a carta pedia a definição de uma arquitetura institucional com base em cúpulas regulares dos chefes de Estado e de governo, que se realizariam duas vezes ao ano em tempos normais e mensalmente, em casos de crises como a atual, com um presidente permanente. Outra proposta era a criação de um &#8220;eurogrupo&#8221; em nível ministerial e de uma estrutura preparatória para implementar as decisões das cúpulas. A este processo se deveriam &#8220;associar&#8221; tanto a Comissão Europeia, como os parlamentos de Estrasburgo [Parlamento Europeu - n.e.] e os nacionais.</p>
<p>Embora se possa rotular o processo de determinação decisória dos governos europeus, na realidade, trata-se de uma tentativa da Alemanha, apoiada por conveniência pela França, para controlar as alavancas econômicas da Europa. Se isto se concretizar, acreditamos que haverá uma desautorização de fato da Comissão − evidentemente, considerada muito lenta e muito influenciada pelos governos.</p>
<p>Felizmente, a declaração de 9 de dezembro relegou a solicitação franco-alemã ao item 10, o qual afirma que <em><strong>«será reforçada a governança da zona do euro, tal como foi acordado na cúpula europeia de 26 de outubro. Em particular, serão realizadas cúpulas europeias pelo menos duas vezes por ano»</strong></em>.</p>
<p>Mais uma vez, ficou clara a vacilação de Merkel. Em vez de tomar decisões corajosas como a emissão de títulos europeus (eurobonds), a chanceler parece preferir tergiversar em torno da construção da arquitetura, das condicionantes e dos novos acordos que distorcem o processo interno de unificação europeia.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/david-cameron-caricatura.jpg"><img class="alignleft  wp-image-12265" title="OPI-3001.eps" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/david-cameron-caricatura-266x300.jpg" alt="" width="157" height="178" /></a>A Inglaterra fora da Europa</h2>
<p>A outra grande notícia da cúpula foi a decisão da Grã-Bretanha de não assinar o acordo e acelerar a ruptura anunciada com a UE. O primeiro-ministro David Cameron disse que pretendia defender a soberania e a independência britânicas. Entretanto, a verdadeira razão por trás da ruptura reside no papel da City de Londres como o verdadeiro centro mundial das finanças, derivativos, fundos de <em>hedge</em> e do &#8220;sistema bancário paralelo&#8221;. Londres quer, a todo custo, proteger a City de quaisquer impostos sobre operações financeiras e outras regras que a Europa, finalmente, venha a implementar.</p>
<p>O fato de que a City representa mais de 10% do PIB do Reino Unido levanta ainda mais dúvidas sobre a solvência efetiva de Londres. Tal decisão lança luz sobre o papel das finanças na atual crise sistêmica e suas responsabilidades pelos efeitos de contágio. Enquanto os britânicos permanecerem ao serviço da City, não poderão fazer outra coisa senão executar a tarefa que lhes é atribuída, ou seja, a sabotagem da reforma do sistema financeiro global.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Inglaterra fora, bom para a Europa</h2>
<blockquote><p><span style="color: #ff0000;"><strong>O abandono britânico poderá se transformar em uma aceleração para a construção política da Europa, sempre que se decida libertar-se da &#8220;doutrina Thatcher&#8221; herdada das ilhas do outro lado do Canal da Mancha.</strong></span></p></blockquote>
<p>No entanto, independentemente da decisão de Cameron, a situação europeia continua preocupante e especuladores continuam com as rédeas nas mãos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2 style="text-align: left;" align="center">Agências de classificação ou de governo?</h2>
<p>Há algo de perverso em se acompanhar na televisão os difíceis andamentos das reuniões de chefes de Estado e de governo sobre o futuro do euro e da União Europeia (UE), enquanto, na parte inferior da tela, se sucedem as últimas avaliações das agências de classificação de risco, proclamando os rebaixamentos iminentes de suas cotações. Nos últimos dias, as &#8220;três irmãs&#8221; ofereceram &#8220;gratuitamente&#8221; as suas avaliações para baixo para toda a zona do euro em conjunto.</p>
<p>A Standard &amp; Poor&#8217;s informou que os últimos seis países europeus com a classificação AAA, incluindo a Alemanha e a França, poderão ser rebaixados em breve. Se um único destes Estados perder tal classificação, até mesmo o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (EFSF) perderá credibilidade e ficará comprometido. Hoje, com 440 bilhões de dólares, o EFSF mantém um papel certamente insuficiente, mas de qualquer modo, essencial na defesa contra o risco de inadimplência soberana.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Quem realmente manda no mundo&#8230;</h2>
<p>É cada vez mais evidente que as agências assumem um atuação crescentemente política! Com as suas recentes ameaças coordenadas, elas pretendiam forçar as decisões da cúpula europeia em seu favor. De fato, os seus relatórios são cada vez mais cheios de recomendações sobre políticas econômicas, mais próprios de tomadores de decisões oficiais do que de agências classificadoras. Alegadamente, elas falam em nome de investidores, que muitas vezes são obrigados a seguir as implicações das avaliações por força de normas impostas por lei, mas não detêm qualquer responsabilidade política. Trata-se de uma anomalia intolerável!</p>
<p>Nos últimos dias, finalmente, a imprensa alemã e francesa começou a levantar os véus que cobrem as histórias dos &#8220;três irmãs&#8221;. Falando sobre a S&amp;P, o maior jornal da Alemanha, o <em>Frankfurt Allgemeine Zeitung</em>, afirmou que ela <span style="color: #ff0000;"><strong>«é uma agência dos Estados Unidos, que, quando avalia nações e empresas, o faz com lentes estadunidenses. Neste trabalho, ela representa os interesses de Wall Street»</strong></span>.</p>
<p>Realmente, como tem ficado claro desde a grande crise de 2007-2008, as agências de classificação estão a serviço da grande finança, de quem recebe vultosos pagamentos por conta das avaliações &#8220;triplo A&#8221; conferidas aos piores títulos &#8220;tóxicos&#8221; e derivativos altamente especulativos. Isso foi relatado com uma riqueza documental por duas grandes investigações feitas nos EUA, a Comissão de Inquérito sobre a Crise Financeira (FCIC, em inglês) e a Comissão Dodd-Frank do Congresso. O Presidente da FCIC, Phil Angelides, qualificou a agência Moody&#8217;s como <em><strong>«uma fábrica de triplo As»</strong></em> – em 2006, chegaram a ser 30 por dia! Os MBRs (títulos lastreados por hipotecas) agraciados com tal classificação atingiram um montante 869 bilhões de dólares, mas, após a eclosão da crise, 83% deles foram drasticamente rebaixados.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Agências de risco (dolar) atacam o euro</h2>
<p>Os compromissos e conflitos de interesse das três agências ainda estão sendo investigados. Existem muitos processos legais em curso, com pedidos de ressarcimento de centenas de bilhões de dólares, abertos pelos que ficaram com tais papeis &#8220;micados&#8221; nas mãos, inclusive vários bancos.</p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/Dolar-ataca-euro.jpg"><img class="aligncenter  wp-image-12266" title="Dolar-ataca-euro" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/Dolar-ataca-euro-300x237.jpg" alt="" width="401" height="316" /></a></p>
<p>Enquanto isso, as &#8220;três irmãs&#8221; prosseguem com êxito em suas operações, colocando na mira as dívidas soberanas, especialmente da Europa e do sistema do euro. Juntamente com a alta finança, elas conseguiram a façanha de promover a mais bem-sucedida operação de &#8220;transferência&#8221; de responsabilidades pela crise: <strong>não é mais o sistema bancário com os seus desvios que está no centro das atenções públicas, mas dos Estados europeus em dificuldades com suas dívidas.</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Por que depender das agências?</h2>
<p>O problema que incomoda é este: por que as instituições europeias e os investidores ainda são tão dependentes das avaliações de três agências privadas? Talvez, porque os governos europeus gozaram das classificações &#8220;triplo A&#8221; durante décadas e, oportunisticamente, tenham ignorado <strong>o que ocorreu na Ásia ou na América Latina como resultado de avaliações negativas. Algumas economias foram devastadas.</strong></p>
<p>Infelizmente, as referências às classificações das três agências têm sido incorporadas em muitos regulamentos, como as diretivas europeias para a implementação dos requisitos dos acordos de Basileia II e Basileia III, referentes aos capitais dos bancos e às exigências de solvência para as agências de seguros que operam na Europa. Até o BCE se refere ao &#8220;triplo A&#8221; das agências para muitas operações de garantia e de crédito. <strong>Os políticos europeus, irresponsavelmente, deram às agências um poder quase de lei.</strong> As suas avaliações têm um efeito real, quase automático, em muitas decisões e avaliações econômicas.</p>
<p>Desde o início de 2011, a autarquia europeia dos ativos financeiros europeus e dos mercados, a ESMA [European Securities and Markets Authority], introduziu uma forma de regulamentação das atividades das agências, ameaçando retirar as suas licenças europeias, se não obedecessem às normas de Bruxelas. Tudo em vão, enquanto o &#8220;triplo A&#8221; das &#8220;três irmãs&#8221; continuar a estabelecer a lei nas instituições europeias!</p>
<p>Seria adequado, pelo menos, tomar nota da decisão de um juiz federal do estado do Novo México (EUA), que recusou o pedido das agências para ter <em>«a proteção da Primeira Emenda da Constituição sobre o direito à liberdade de expressão, ainda que para avaliações e opiniões comprovadas como falsas»</em>.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Agências suspeitas</h2>
<p>Acreditamos que seria correto, da parte da nossa mídia, se, cada vez que divulgassem um anúncio das agências sobre os títulos soberanos europeus e italianos, recordassem aos leitores, telespectadores ou ouvintes que elas são empresas privadas cuja reputação está muito longe de ser positiva.</p>
<p style="text-align: right;"><strong><em>Mario Lettieri e Paolo Raimondi</em>, de Roma</strong></p>
<p style="text-align: right;" align="right"><span style="color: #ff6600;"><strong><em>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</em></strong></span></p>
<p><strong> <a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/03/2000px-Decorative_text_divider_-_central_flare.svg_.png"><img class="aligncenter size-medium wp-image-7351" title="2000px-Decorative_text_divider_-_central_flare.svg" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/03/2000px-Decorative_text_divider_-_central_flare.svg_-300x19.png" alt="" width="300" height="19" /></a></strong></p>
<p><strong>Créditos </strong>➞<strong> </strong>este post é matéria apresentada no Boletim Eletrônico <strong><em>MSIa INFORMA</em></strong>, do <strong><em>MSIa –</em></strong><em> <strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em>, Vol. III, N<sup>o</sup> 31, de 16 de dezembro de 2011. Subtítulos e grifos meus.</p>
<p><strong><em>MSIa INFORMA</em></strong><strong> </strong>➞<strong> </strong>é uma publicação do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa). Conselho Editorial: Angel Palacios, Geraldo Luís Lino, Lorenzo Carrasco (Presidente), Marivilia Carrasco e Silvia Palacios. Endereço: Rua México, 31 &#8211; sala 202 &#8211; Rio de Janeiro (RJ) &#8211; CEP 20031-144; Telefax: 0xx 21-2532-4086.</p>
<p><strong>Para saber mais sobre o tema </strong>➞<strong> </strong>visitar os sites da MSIa/Capax Dei:<strong> </strong><a href="http://www.alerta.inf.br/">http://www.alerta.inf.br/</a> e <a href="http://www.msia.org.br/">http://www.msia.org.br/</a>.</p>
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<p><strong><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-10bMicro.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-9620" title="harpia-10bMicro" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-10bMicro.jpg" alt="" width="60" height="49" /></a>Imagem</strong> ➞ <a href="http://veja.abril.com.br/">http://veja.abril.com.br</a>  ; <a href="http://amarildocharge.wordpress.com/">http://amarildocharge.wordpress.com</a></p>
<p><a href="http://antonio-mp.blogspot.com/">http://antonio-mp.blogspot.com</a></p>
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		<title>O abismo Reino Unido-Europa</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Dec 2011 12:03:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Às vésperas da recente cúpula europeia, um importante economista e ex-funcionário do governo alemão me disse que não nos deveríamos preocupar em demasia com o desfecho da reunião. Segundo ele, o processo de consolidação das presentes turbulências que abalam a zona do euro seria prolongado, mas com tendência a seguir o rumo dado pela dupla formada pela chanceler alemã Angela Merkel e o presidente francês Nicolas Sarkozy - já devidamente apelidada "Merkozy". A primeira, afirmou, havia aprendido certas lições, e o segundo, que enfrentará eleições presidenciais em 2012, sabe que suas chances de reeleição são diminutas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp"><img class="aligncenter  wp-image-10770" title="msiA iNFORMA" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp" alt="" width="240" height="50" /></a></strong></p>
<p><strong>Às vésperas da recente cúpula europeia, um importante economista e ex-funcionário do governo alemão me disse que não nos deveríamos preocupar em demasia com o desfecho da reunião. Segundo ele, o processo de consolidação das presentes turbulências que abalam a zona do euro seria prolongado, mas com tendência a seguir o rumo dado pela dupla formada pela chanceler alemã Angela Merkel e o presidente francês Nicolas Sarkozy – já devidamente apelidada &#8220;Merkozy&#8221;. A primeira, afirmou, havia aprendido certas lições, e o segundo, que enfrentará eleições presidenciais em 2012, sabe que suas chances de reeleição são diminutas.</strong></p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/sarkozy-merkel-.jpg"><img class="aligncenter  wp-image-12257" title="sarkozy-merkel-" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/sarkozy-merkel--300x230.jpg" alt="" width="326" height="249" /></a></p>
<h2>A Europa sairá da crise</h2>
<p>De acordo com esse especialista, a despeito das diferenças sobre a maneira de enfrentar a crise da dívida, ao final, os membros da eurozona chegarão a um acordo para estabelecer controles orçamentários mais estritos e assegurar tanto a disciplina fiscal como o crescimento econômico, bem como um acordo para a criação de uma &#8220;união fiscal&#8221;, com as devidas alterações no tratado constitutivo da União Europeia (UE), que deverão ser aprovadas pelos respectivos parlamentos.</p>
<p>Com essa avaliação em mente, analisemos os resultados da cúpula de 8-9 de dezembro. A imprensa alemã a considerou um grande avanço político, pois, pela primeira vez, os chefes de Estado e governo europeus concordaram em promover uma disciplina orçamentária mais rigorosa e impor sanções às violações de tal regime. Ademais, concordou-se com a ativação do Mecanismo de Estabilização Europeu (ESM, em inglês), a partir de meados de 2012, seguindo-se o Fundo Europeu de Estabilização Financeira (EFSF, em inglês), em 2013. Quanto à discussão sobre os títulos europeus (eurobonds), o tema sequer foi tocado na cúpula.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Inglaterra revela seu caráter</h2>
<p>A grande dissidência veio do Reino Unido, com o premier David Cameron resistindo ferozmente a qualquer proposta de alteração do tratado, com o argumento de que seu país nunca o aceitaria e, se aceitasse, seria apenas nos seus termos. Em outras palavras: a política de desregulamentação da City de Londres, responsável primária pelas bolhas financeiras dos últimos anos, deve ser preservada para que Londres preserve o seu <em>status</em> como centro financeiro global.</p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/Merkel-Hitler.jpg"><img class="alignleft  wp-image-12259" title="Polnischer Zeitschriften-Titel zeigt Merkel-Fotomontage mit Hitler-Bärtchen" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/Merkel-Hitler-300x200.jpg" alt="" width="195" height="130" /></a>A mídia continental também qualificou a cúpula como um divisor de águas, pelo que muitos consideraram uma inusitada &#8220;humilhação&#8221; da Grã-Bretanha. De fato, independentemente dos desdobramentos da situação, os britânicos expuseram ao mundo o seu real caráter liberal de seguidores de Adam Smith. Agora, parece mais clara a origem da campanha germanófoba deflagrada por parte da imprensa europeia nas últimas semanas. A imprensa britânica tem liderado a carga, com uma série de artigos e reportagens advertindo sobre uma Europa &#8220;germanizada&#8221;. Em jornais italianos, espanhois, franceses e gregos, têm sido publicadas caricaturas apresentando Merkel com um bigode &#8220;à la Hitler&#8221; e falando sobre a ameaça de um &#8220;Quarto Reich&#8221;.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Ataque dos EUA ao euro</h2>
<p>E é curioso que, no mesmo período, o governo dos EUA, ele próprio às voltas com uma dívida oficial de 15 trilhões de dólares, tenha desfechado fortes críticas contra a zona do euro, acusando-a de não fazer o que é preciso para controlar a crise. Significativamente, em 30 de novembro, a Reserva Federal estadunidense anunciou uma ação coordenada com outros cinco bancos centrais (Banco da Inglaterra, Banco Central Europeu-BCE, Banco do Japão, Banco do Canadá e Banco Nacional Suíço), sinalizando a disposição de inundar os mercados financeiros com liquidez imediata, se necessário. O mais curioso foi que, dias antes, o BCE de Mario Draghi havia reiterado a linha oficial de não comprar ilimitadamente títulos de dívida de países europeus com problemas.</p>
<p>Dois dias antes da cúpula europeia, a agência Standard &amp; Poor&#8217;s anunciou o &#8220;rebaixamento&#8221; dos títulos de todos os países da eurozona, inclusive, do EFSF. Na Alemanha, da chancelaria para baixo, passando por vários ministérios e redações, os comentários oscilaram entre acusações de cinismo e de &#8220;conspiração&#8221; dos EUA para interferir na Europa.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Faltam os empregos</h2>
<p>O que ficou claro após a cúpula: o Reino Unido sofreu uma grande derrota política e, como afirmaram vários comentaristas, perdeu muito de sua influência na Europa. Porém, permanece a questão: a disciplina orçamentária pode ser boa para a coesão do bloco continental, mas ainda faltam as iniciativas de crescimento econômico que precisam ser tomadas pelos governos europeus, para promover a estabilidade de seus países. E o que será feito com os &#8220;resíduos tóxicos&#8221; (papeis especulativos) no sistema monetário global.</p>
<p style="text-align: right;"><strong><em>Elisabeth Hellenbroich</em>, de Wiesbaden</strong></p>
<p style="text-align: right;" align="right"><span style="color: #ff6600;"><strong><em>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</em></strong></span></p>
<p><strong> <a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/03/2000px-Decorative_text_divider_4.svg_.png"><img class="aligncenter size-medium wp-image-7413" title="2000px-Decorative_text_divider_4.svg" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/03/2000px-Decorative_text_divider_4.svg_-300x12.png" alt="" width="300" height="12" /></a></strong></p>
<p><strong>Créditos </strong>➞<strong> </strong>este post é matéria apresentada no Boletim Eletrônico <strong><em>MSIa INFORMA</em></strong>, do <strong><em>MSIa –</em></strong><em> <strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em>, Vol. III, N<sup>o</sup> 31, de 16 de dezembro de 2011.</p>
<p><strong><em>MSIa INFORMA</em></strong><strong> </strong>➞<strong> </strong>é uma publicação do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa). Conselho Editorial: Angel Palacios, Geraldo Luís Lino, Lorenzo Carrasco (Presidente), Marivilia Carrasco e Silvia Palacios. Endereço: Rua México, 31 &#8211; sala 202 &#8211; Rio de Janeiro (RJ) &#8211; CEP 20031-144; Telefax: 0xx 21-2532-4086.</p>
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<p><strong><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-10bMicro.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-9620" title="harpia-10bMicro" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-10bMicro.jpg" alt="" width="60" height="49" /></a>Imagens</strong> ➞ <a href="http://www.forexbrazuca.com/">http://www.forexbrazuca.com</a>  ; <a href="http://joaomfgabriel.blogspot.com/">http://joaomfgabriel.blogspot.com</a><strong> </strong></p>
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		<title>A Europa já passou por dias piores&#8230;</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Dec 2011 13:28:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Política internacional]]></category>

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		<description><![CDATA[A crescente onda de pessimismo no que diz respeito à situação político-econômico-financeira da União Européia e do euro é um exagero. Não quero, com isso, dizer que não hajam problemas. O maior deles é o desnível econômico e fiscal entre os países que aderiram ao euro. Países europeus "periféricos" não se comportam da mesma maneira que os principais, como a Alemanha e a França.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-23cJpegMini.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-9605" title="harpia-23cJpegMini" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-23cJpegMini.jpg" alt="" width="100" height="55" /></a><strong>A crescente onda de pessimismo no que diz respeito à situação político-econômico-financeira da União Européia e do euro é um exagero. Não quero, com isso, dizer que não hajam problemas. O maior deles é o desnível econômico e fiscal entre os países que aderiram ao euro. Países europeus &#8220;periféricos&#8221; não se comportam da mesma maneira que os principais, como a Alemanha e a França.</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>O euro em processo de implantação</h2>
<p>Essas diferenças eram previsíveis, principalmente se considerarmos que a implementação do euro jamais se daria, completamente, em menos de duas décadas. Muito menos a união política da Europa. O que acontece hoje é um processo, justamente, de adaptação dos países periféricos ao sistema global do euro, além de outros, como a Itália e a Espanha, que devem adaptar suas administrações econômicas ao novo sistema.</p>
<p>Não é uma crise de números que vai desestabilizar a Europa. O &#8220;velho Continente&#8221; já passou por catástrofes realmente reais em inúmeras ocasiões, mormente no século próximo passado, com a devastadora destruição que as duas grandes guerras causaram na região.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/segunda-guerra-mundial.png"><img class="alignleft size-medium wp-image-12150" title="segunda-guerra-mundial" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/segunda-guerra-mundial-251x300.png" alt="" width="251" height="300" /></a>O aprendizado europeu</h2>
<p>A Alemanha foi destruída duas vezes e se reergueu. Suas cidades foram arrasadas, sua população jovem foi dizimada, sua economia (como na Primeira Guerra Mundial) foi varrida do mapa. A Rússia perdeu 30 milhões de pessoas, a França, se não sofreu tanto quanto a Alemanha, fisicamente, teve suas finanças, igualmente, destruída. Inglaterra e Itália, idem. Isso sem se falar de países menores, como a Polônia, Holanda, Bégica e outros, do Leste Europeu, inclusive a Grécia.</p>
<blockquote><p><em>«O <strong>Plano Marshall</strong>, um aprofundamento da Doutrina Truman, conhecido oficialmente como <strong>Programa de Recuperação Européia</strong>, foi o principal plano dos Estados Unidos para a reconstrução dos países aliados da Europa nos anos seguintes à Segunda Guerra Mundial. A iniciativa recebeu o nome do Secretário do Estado dos Estados Unidos, George Marshall.»</em><sup>[Wikipedia]</sup> Ao que parece, a criatura ameaça, agora, o criador&#8230;</p></blockquote>
<p>Realmente, a Europa é o único contingente, ou continente, capaz de fazer frentre aos EUA no mundo. Uma das principais razões para isso é que <em>«a Europa é o terceiro continente mais populoso do mundo, após a Ásia e a África, com uma população de 731 milhões ou cerca de 11% da população mundial»</em>.<sup>[Wikipedia]</sup> Isso inclui a Rússia.</p>
<p>Em muito menos de 50 anos esses países, na medida do possível, uns mais do que os outros, se reergueram, e assim – repito – não vai ser uma crise de números que vai, agora, destruir a União Européia. Os europeus sofreram com as duas guerras do século passado e sabem o quanto é importante ter a Europa unida – o que minimiza muito a possibilidade de novos conflitos bélicos. E o europeu sabe e se conforma em se sacrificar para chegar à paz e à reconquista da estabilidade.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Ataque ao euro</h2>
<p>O que acontece é que o euro está sofrendo uma desestabilização de fundo especulativo por parte do dolar. E se é por parte do dolar, sabemos muito bem quem pode estar por trás de tudo. E isso não é de hoje. Um dos motivos para a deposição de Saddam Hussein foi que ele começou a vender petróleo tendo como moeda nas transações, o euro, e não o dolar&#8230; Resultado: mataram o cara!</p>
<p>Uma moeda única de poupança internacional – o dolar – é de capital importância para os EUA. Isso garante sua hegemonia mundial. Os EUA são o país mais devedor do mundo e dever em dolar não é problema para ele, pois basta rodar mais dinheiro&#8230; Dever em euro não é tão fácil de administrar&#8230;</p>
<p>Haver mais de uma moeda garantidora de investimentos internacionais é contrário às políticas econômicas e da corporatocracia dos EUA. O euro é uma ameaça a essa hegemonia, e por isso, foi atacado. A Europa unida, financeira e politicamente, pode ser a única força real contra a hegemonia norte-americana e essa união é representada, não pela União Européia em si, com seus 27 países, mas pelo euro, com as 17 nações que aderiram à nova moeda.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>O euro não acabará</h2>
<p>Acabar com o euro ou diminuir o número de países que o adotam, não é negócio para a Europa. Isso requeriria enormes custos operacionais, tornando a crise européia ainda mais trágica. Países menores, voltando às suas moedas originais, estariam ainda mais vulneráveis à especulação em dolares – e, pior, estariam devendo também em euros – e os maiores teriam seus investimentos nos países menores reduzidoa a zero, por exemplo.</p>
<p>Além disso, o euro não é apenas uma moeda única. O euro é um símbolo político e, realmente, seria um vexame de proporções bíblicas para toda a Europa, caso o euro se perdesse. Assim, acabar com o euro é uma hipótese fora de questão (por vontade dos europeus), assim como a eventual saída de sua esfera por parte de um ou mais países.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>A ameaça de mais de uma moeda internacional</h2>
<p>A importância de haver no mundo mais de uma moeda responsável pelas transações e investimentos internacionais é do conhecimento de todos. A Rússia está cansada de fazer propaganda pela instituição de uma nova moeda internacional, talvez junto com a China (que também batalha nessa direção) ou mesmo com o resto da Europa – o que acho mais viável e lógico, pois, afinal, a Rússia pertence à Europa. A China pode fazer o mesmo, talvez junto com o Japão e outros países asiáticos, o que seria outra grande catástrofe para o dolar. E a nossa América do Sul, mais o México, porque não fazermos a mesma coisa?&#8230; Aí os EUA iriam pirar!</p>
<p>Destruir o euro é como que dar uma lição ao resto do mundo para que ninguém mais tente criar uma nova moeda internacional: não ousem destronar o dolar&#8230; olhem as consequências&#8230;</p>
<p>Não nos esqueçamos, entretanto, de uma coisa. Hoje em dia, com a globalização financeira mundial, todo mundo investindo em todos os lugares, prejudicar um país ou grupo de países é coisa muito fácil – e é o que estão fazendo com o euro. Basta retirar os investimentos do país ou dos países-alvo e pronto: a crise econômico-financeira estará instalada nesses países. É como retirar a escada e deixar o pintor pendurado na broxa&#8230; Já conhecemos essa história, quando o mega investidor George Soros retirou seu dinheiro de países asiáticos, quebrando-os rapidamente.</p>
<p>E não podemos deixar de considerar a velha doutrina do choque: fomentar uma crise e depois emprestar dinheiro aos desesperados, dinheiro este, obviamente, em dolares&#8230;</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/Lagerfeld.jpg"><img class="alignright  wp-image-12151" title="VIP Room Theater Paris Official Inauguration" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/Lagerfeld-219x300.jpg" alt="" width="114" height="157" /></a>Quem tem razão?</h2>
<p>Alguns dirão que essas minhas opiniões são equivocadas, mas o tempo dirá quem tem razão. A Alemanha já está começando a ajudar a Europa, depois de deixar a coisa ficar bem crítica, dentro de limites administráveis, ao cabo dos quais, numa manobra inteligente, mostrar aos países que, realmente, têm que assumir a austeridade comum.</p>
<p>Certa vez ouvi uma frase de um alemão, Karl Lagerfeld, designer da Chanel, quando perguntaram a ele sobre uma eventual ajuda que ele daria a alguém, e ele respondeu, ao repórter, mais ou menos assim:</p>
<blockquote><p>— <em>«Não vou ajudar ninguém&#8230; Você já viu alemão ajudar alguém?»</em></p></blockquote>
<p>Só que dessa vez, a Alemanha vai ter que ajudar. E por quê? Porque ela vai ter que ajudar a si mesma. <a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-23dJpegMicro.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-9606" title="harpia-23dJpegMicro" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-23dJpegMicro.jpg" alt="" width="80" height="45" /></a></p>
<p><strong>Imagens:</strong> <a href="http://pt.wikipedia.org">http://pt.wikipedia.org</a> ;<a href="http://style.popcrunch.com"> http://style.popcrunch.com</a></p>
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		<title>O México no jogo da &#8220;narcogeopolítica&#8221;</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Dec 2011 11:14:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
				<category><![CDATA[Governo mundial]]></category>
		<category><![CDATA[Crise global]]></category>
		<category><![CDATA[Oligarquias internacionais]]></category>
		<category><![CDATA[Política internacional]]></category>
		<category><![CDATA[Terrorismo]]></category>
		<category><![CDATA[Tráfico de drogas]]></category>

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		<description><![CDATA[As atividades anticonstitucionais realizadas pelos serviços de inteligência dos EUA dentro do território mexicano, especialmente a agência antidrogas DEA, fornecendo armas aos carteis de drogas do país e, segundo notícias recentes, até mesmo ajudando-os a "lavar" os seus lucros no sistema bancário, obedece a bem pensadas jogadas do poder anglo-americano. Em um momento em que a sua hegemonia global se vê cambaleante, seus mentores procuram repetir os mecanismos de controle utilizados na Guerra do Afeganistão de 1979-1988, para acelerar a desestabilização do país e deixá-lo dependente dos "narconegócios", o que, em sua visão distorcida, poderá facilitar-lhes o controle dos recursos energéticos mexicanos, inclusive, com o uso de força militar.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp"><img class="aligncenter size-full wp-image-10770" title="msiA iNFORMA" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp" alt="" width="235" height="49" /></a></p>
<p><strong>As atividades anticonstitucionais realizadas pelos serviços de inteligência dos EUA dentro do território mexicano, especialmente a agência antidrogas DEA, fornecendo armas aos carteis de drogas do país e, segundo notícias recentes, até mesmo ajudando-os a &#8220;lavar&#8221; os seus lucros no sistema bancário, obedece a bem pensadas jogadas do poder anglo-americano. Em um momento em que a sua hegemonia global se vê cambaleante, seus mentores procuram repetir os mecanismos de controle utilizados na Guerra do Afeganistão de 1979-1988, para acelerar a desestabilização do país e deixá-lo dependente dos &#8220;narconegócios&#8221;, o que, em sua visão distorcida, poderá facilitar-lhes o controle dos recursos energéticos mexicanos, inclusive, com o uso de força militar.</strong></p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/drogas-mexico.jpg"><img class="aligncenter  wp-image-12161" title="drogas-mexico" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/drogas-mexico-300x169.jpg" alt="" width="379" height="213" /></a></p>
<h2>EUA ajudando o narcotráfico mexicano?</h2>
<p>Em 4 de dezembro, o jornal <em>The New York Times </em>publicou uma reportagem de primeira página, intitulada «DEA Ajuda Carteis Mexicanos a Lavar Dinheiro», com explosivas revelações sobre as intrincadas operações de inteligência e contrainteligência realizadas sob uma quimérica rubrica de combate ao narcotráfico, mas que, na verdade, apenas tem fortalecido a máfia das drogas no México. Segundo o jornal, tais operações integram um pacote de mais de 50 operações semelhantes em todo o mundo, as quais não necessitam da autorização direta do secretário de Justiça (para assegurar o que, nos EUA, se chama &#8220;negação plausível&#8221;, para evitar o comprometimento de altas autoridades se estas tiverem que prestar juramento em juízo). Ou seja, tratam-se de operações típicas de estruturas de &#8220;governo paralelo&#8221;.</p>
<h2>Comentando a reportagem, o jornal mexicano <em>Milenio </em>(5/12/2011) observou:</h2>
<blockquote><p><em>«Agentes antinarcóticos estadunindenses encobertos têm lavado ou traficado milhões de dólares procedentes da venda de drogas, como parte do crescente papel de Washington na luta contra os carteis no México.»</em></p>
<p><em>«Sob o pretexto de detectar e identificar as estratégias usadas pelos narcotraficantes para lavar dinheiro, os agentes da DEA&#8230; inclusive, depositam o dinheiro nas contas designadas pelos próprios narcotraficantes ou em outras criadas pelas autoridades do governo de Barack Obama.»</em></p>
<p><em>«As atividades de alto risco levantam perguntas delicadas sobre a efetividade da DEA para capturar os capos, ressalta as preocupações diplomáticas sobre a soberania mexicana e apaga a linha entre a supervisão e a facilitação das atividadaes criminosas»</em> — pontualiza a reportagem do <em>Times</em>.</p>
<p><em>«O mais grave desse tipo de atividades da DEA – que também está sendo acusada de protetora do Cartel de Sinaloa – de acordo com os documentos apresentados perante a Corte Federal do Distrito Norte de Illinois, onde se prepara o julgamento do suposto narcotraficante Jesús Vicente Zambada Niebla, é que <strong>“permite aos carteis manter as suas operações por meses ou anos, antes de fazer apreensões ou prisões”</strong>.»</em></p>
<p><em>«No ano passado, a DEA apreendeu cerca de 1 bilhão de dólares </em>[sic]<em> em dinheiro vivo e bens, enquanto o governo mexicano confiscou cerca de 26 milhões de dólares nas investigações sobre lavagem de dinheiro, <strong>o que é uma pequena fração dos 18 a 39 bilhões de dólares que se estima que circulem entre os países, provenientes da venda de drogas</strong>»</em> — arrematou o artigo do <em>NYT</em>.</p></blockquote>
<h2 style="text-align: left;" align="center">A lavagem de dinheiro na nova Guerra do Ópio</h2>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/lavagem-de-dinheiro.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-12163" title="lavagem-de-dinheiro" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/lavagem-de-dinheiro.jpg" alt="" width="261" height="193" /></a></p>
<p>É um fato notório que a lavagem de dinheiro do narcotráfico e de outras atividades ilícitas concomitantes representa um dos sustentáculos do sistema bancário internacional. Hoje, o mundo assiste a uma nova versão em escala global da <strong>Guerra do Ópio deflagrada pelo Império Britânico</strong> <strong>no século XIX</strong>, facilitada pela ruptura dos controles anteriormente exercidos sobre as atividades financeiras, ensejada pela &#8220;globalização&#8221;.</p>
<p>Como afirmou o diretor do Serviço Federal de Controle de Drogas da Federação Russa, Victor Ivanov, em uma conferência realizada em 18 de novembro último, no Centro Internacional de Estudos Estratégicos, em Washington:</p>
<blockquote><p><em><strong><span style="color: #ff0000;">«As análises mostram que cerca de 10-15% das drogas são interceptadas, enquanto a proporção do dinheiro das drogas confiscado é inferior a 0,5%. Isto significa que a quase totalidade dos rendimentos da economia das drogas global entra livremente em circulação e se torna parte dos fluxos de dinheiro globais, aproveitando as capacidades do sistema financeiro legal.»</span></strong></em></p></blockquote>
<p>O México, por sua posição geográfica e submissão à economia estadunidense e suas oscilações políticas, foi convertido em uma plataforma central do narcotráfico e da lavagem de dinheiro. O crescimento vertiginoso desta última, com a participação aberta de grandes casas bancárias, tem atraído as atenções de vários órgãos de comunicação. Em 3 de abril último, o jornal inglês <em>The Observer</em> publicou uma retumbante reportagem sobre o papel desempenhado na &#8220;narcolavagem&#8221; pelo gigante bancário estadunidense Wachovia, que quebrou na crise de 2008 e foi absorvido pelo Wells Fargo.</p>
<p>As investigações das autoridades estadunidenses revelaram que, entre 2004 e 2007, o banco efetuou operações de lavagem de dinheiro por intermédio de uma cadeia de casas de câmbio mexicanas, no quase impensável montante de 378 bilhões de dólares – <strong>equivalente a um terço do PIB mexicano</strong>!</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Segundo o jornal inglês:</h2>
<blockquote><p><em>«Tudo isso ocorreu, a despeito do fato de que o escritório do Wachovia ficava em Miami, designada pelo governo dos EUA como uma “área de alta intensidade de lavagem de dinheiro e atividades financeiras criminosas correlatas”, e uma “área de tráfico de drogas de alta intensidade”. Desde o início da guerra dos carteis de drogas, em 2005, o México tem sido designado como uma fonte de lavagem de dinheiro de alto risco.»</em></p>
<p><em>«Já em 2004»</em> — como se lê na citação do tribunal — <em>«o Wachovia entendia o risco associado aos negócios com casas de câmbio mexicanas. O Wachovia estava consciente das advertências gerais da indústria. Já em julho de 2005, o Wachovia estava a par de que outros grandes bancos estavam deixando o negócio das casas de câmbio, com base em preocupações (de lavagem de dinheiro)&#8230; a despeito dessas advertências, o Wachovia permaneceu no negócio».</em></p>
<p><em>«Em 16 de março de 2010, Douglas Edwards, vice-presidente sênior do Wachovia Bank, colocou sua assinatura na página 10 de um acordo de 25 páginas, no qual o banco admitia o seu papel, segundo definido pelos promotores&#8230; No período entre 1º. de maio de 2004 e 31 de maio de 2007, o Wachovia processou&#8230; um total de mais de 378,3 bilhões de dólares, uma soma incomparavelmente maior que os orçamentos destinados pelas autoridades dos EUA e do Reino Unido para proporcionar serviços aos cidadãos.»</em></p></blockquote>
<p>Sobre o Wachovia, Ivanov comentou:</p>
<blockquote><p><em>«O fato mais deprimente e essencial foi que o banco foi considerado culpado de transferir 378,4 bilhões de dólares (quantia que equivale a um terço do PIB mexicano) a contas em dólares nos assim chamados escritórios de câmbio no México.»</em></p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Mais uma vez o HSBC</h2>
<h2><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/01/hsbc.jpg"><img class=" wp-image-6061 aligncenter" title="hsbc" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/01/hsbc-300x193.jpg" alt="" width="300" height="193" /></a></h2>
<blockquote><p><span style="color: #ff0000;"><strong>Mais recentemente, uma reportagem do <em>Los Angeles Times</em> de 28 de novembro retornou ao caso do Wachovia, acrescentando que o HSBC participa da lavagem de dinheiro a partir do México (o que não admira, já que <span style="text-decoration: underline;">o antigo Hong Kong and Shangai Banking Corporation foi fundado na década de 1860, exatamente para canalizar os rendimentos do tráfico de ópio no Oriente</span>).</strong></span></p>
<p><span style="color: #ff0000;"><strong>Segundo o jornal, o Gabinete da Controladoria da Moeda dos EUA (OCC) estabeleceu que o HSBC tinha <em>«deficiências críticas»</em> em seus relatórios de atividades suspeitas para o período 2006-2009 e o seu controle de volume de dinheiro dessas transferências. O órgão emitiu uma ordem de cessar-e-desistir (<em>cease-and-desist</em>) para o banco, acrescentando que <em>«o programa do Banco de conformidade e a sua implementação são ineficazes e acompanhados por fatores agravantes, como atividades altamente suspeitas, criando um potencial significativo para a lavagem de capitais ou o financiamento do terrorismo»</em>.</strong></span></p></blockquote>
<h2>Sistema orquestrado de cima&#8230;</h2>
<p>A participação avassaladora do sistema bancário na desestruturação do México e o envolvimento da DEA e outras agências de segurança e inteligência estadunidenses em operações como as mencionadas somente podem ser entendidas como partes de uma estratégia mais abrangente. Não é crível que os tropeços em tais operações são &#8220;acidentes&#8221; de um sinuoso percurso, da mesma forma como com a &#8220;Operação Velozes e Furiosos&#8221;, que colocou quase 3 mil armas nas mãos dos narcotraficantes mexicanos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Para acabar com a criminalidade e o terrorismo é necessário, antes, acabar com a lavagem de dinheiro</h2>
<p>A combinação de drogas, armas e lavagem de dinheiro representa um modelo que o &#8220;governo paralelo&#8221; dos EUA e seus cúmplices estrangeiros ensaiaram exaustivamente no Afeganistão (e, em paralelo, com a operação Irã-Contras), com o propósito de projetar o seu controle sobre os recursos estratégicos da Ásia Central. Na época, para contra-arrestar a presença soviética no país, os EUA armaram um exército de combatentes islâmicos, os mujahidin, de cujas células sairiam, na década seguinte, os grupos terroristas que alimentam o terrorismo internacional de hoje, com assustadora frequência, controlado pelas mesmas agências de inteligência. Grande parte da infraestrutura bancária criada para sustentar esse esforço continua em pleno funcionamento e o ensaio geopolítico culminou com a virtual destruição do Afeganistão, hoje convertido em um vasto abastecedor de ópio e heroína para os mercados de drogas internacionais.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>México: um novo Afeganistão?</h2>
<p>Guardadas as devidas proporções, o México corre um risco semelhante. Atualmente, já se fala abertamente sobre um cenário de invasão militar por forças estadunidenses, sob o mesmo pretexto do combate direto aos narcocarteis. Por isso, pode não ser mera coincidência o fato de o atual embaixador de Washington na Cidade do México ser Earl Anthony Wayne, que, antes de sua nomeação, em setembro último, ocupava o segundo posto na representação estadunidense em Cabul.</p>
<p style="text-align: right;"><em><strong>Silvia Palacios</strong></em></p>
<p style="text-align: right;" align="right"><span style="color: #ff6600;"><strong><em>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</em></strong></span></p>
<p><strong> <a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo.png"><img class="aligncenter size-medium wp-image-10922" title="div-novo" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo-300x13.png" alt="" width="300" height="13" /></a></strong></p>
<p><strong>Créditos </strong>➞<strong> </strong>este post é matéria apresentada no Boletim Eletrônico <strong><em>MSIa INFORMA</em></strong>, do <strong><em>MSIa –</em></strong><em> <strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em>, Vol. III, N<sup>o</sup> 30, de 08 de dezembro de 2011. Subtítulos meus.</p>
<p><strong><em>MSIa INFORMA</em></strong><strong> </strong>➞<strong> </strong>é uma publicação do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa). Conselho Editorial: Angel Palacios, Geraldo Luís Lino, Lorenzo Carrasco (Presidente), Marivilia Carrasco e Silvia Palacios. Endereço: Rua México, 31 &#8211; sala 202 &#8211; Rio de Janeiro (RJ) &#8211; CEP 20031-144; Telefax: 0xx 21-2532-4086.</p>
<p><strong>Para saber mais sobre o tema </strong>➞<strong> </strong>visitar os sites da MSIa/Capax Dei:<strong> </strong><a href="http://www.alerta.inf.br/">http://www.alerta.inf.br/</a> e <a href="http://www.msia.org.br/">http://www.msia.org.br/</a>.</p>
<p><strong>Mensagens e sugestões </strong>➞<strong> </strong>favor enviar para msia@msia.org.br</p>
<p><strong>Para adquirir as publicações da Capax Dei Editora Ltda.</strong> ➞ loja virtual em: <a href="http://www.capaxdei.com.br/">www.capaxdei.com.br</a>; e-mail : capaxdeieditora@gmail.com</p>
<p><strong><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-10bMicro.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-9620" title="harpia-10bMicro" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-10bMicro.jpg" alt="" width="60" height="49" /></a>Imagem</strong> ➞ <a href="http://mexico.cnn.com/mundo">http://mexico.cnn.com/mundo</a> ; <a href="http://vitalbrigido.blogspot.com">http://vitalbrigido.blogspot.com</a></p>
<p>e<strong></strong><a href="http://www.cataguasesemfoco.com.br/">http://www.cataguasesemfoco.com.br</a></p>
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		<title>&#8220;Projeto Democracia&#8221; em ação na Rússia</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Dec 2011 12:09:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
				<category><![CDATA[Governo mundial]]></category>
		<category><![CDATA[Crise global]]></category>
		<category><![CDATA[Máfia Verde]]></category>
		<category><![CDATA[Nova ordem mundial]]></category>
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		<category><![CDATA[ONGs]]></category>
		<category><![CDATA[Política internacional]]></category>

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		<description><![CDATA[As eleições parlamentares na Federação Russa proporcionaram, uma vez mais, uma demonstração às claras dos métodos de "guerra irregular" do Establishment oligárquico anglo-americano, para interferir em processos políticos em países-chave - no caso, com a utilização do seu aparato de organizações não-governamentais (ONGs) engajadas na promoção da "democracia".]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp"><img class="aligncenter size-full wp-image-10770" title="msiA iNFORMA" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp" alt="" width="235" height="49" /></a><strong>As eleições parlamentares na Federação Russa proporcionaram, uma vez mais, uma demonstração às claras dos métodos de &#8220;guerra irregular&#8221; do <em>establishment </em>oligárquico anglo-americano, para interferir em processos políticos em países-chave – no caso, com a utilização do seu aparato de organizações não-governamentais (ONGs) engajadas na promoção da &#8220;democracia&#8221;.</strong></p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/russia-protesto.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-12177" title="russia-protesto" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/russia-protesto-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<h2>Putin ainda firme</h2>
<p>Nas eleições, realizadas no domingo 4 de dezembro, estavam em disputa as 450 cadeiras da Duma, a Câmara Baixa do Parlamento, o partido Rússia Unida conquistou 238 cadeiras, com pouco menos de 50% dos votos. Apesar de ter perdido a maioria absoluta, o partido do presidente Dmitri Medvedev e do premier Vladimir Putin ainda manteve um firme domínio da casa, seguido de longe pelo Partido Comunista, com 19,15% dos votos, o Rússia Justa, com 13,16%, e o Partido Democrático Liberal, com 11,67%. O pró-liberal Yabloko, um favorito do <em>establishment</em> ocidental, conquistou apenas 3,21% dos votos e ficou fora da Duma, por não ter conseguido superar a barreira dos 7% da votação.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Eleições bem administradas?&#8230;</h2>
<p>As eleições contaram com a participação de pouco mais da metade (50,4%) dos 109 milhões de eleitores registrados, inclusive, 2 milhões de eleitores em 140 países estrangeiros. A Comissão Eleitoral Central (CEC) anulou 1% das urnas, por irregularidades diversas, tendo as eleições sido monitoradas por 500 mil observadores locais e 700 estrangeiros. Em nota oficial conjunta, o Conselho da Europa e a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) afirmaram que as eleições foram tecnicamente <strong><em>«bem administradas através de um vasto território»</em></strong>, mas marcadas por <em>«flagrantes violações de procedimento»</em>, além de uma <em>«convergência do Estado e do partido governante»</em> (sic), limitada competição política e uma falta de equilíbrio.</p>
<p>Foi o suficiente para que autoridades estadunidenses e britânicas disparassem uma barragem de críticas ao processo eleitoral russo, o que ocorreu em paralelo com protestos internos, envolvendo, de forma proeminente, organizações locais vinculadas ao aparato do &#8220;Projeto Democracia&#8221; estadunidense, que saíram às ruas de Moscou e São Petersburgo, pedindo a anulação das eleições.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Estados Unidos &amp; cia. se metendo</h2>
<p>A secretária de Estado Hillary Clinton pediu uma investigação dos resultados, afirmando que <em>«os eleitores russos merecem uma investigação plena de todos os relatos críveis de fraude eleitoral e manipulação e esperamos, em particular, que as autoridades russas a façam»</em> (<em>Daily Telegraph</em>, 5/12/2011)&#8221;.</p>
<p>O chanceler britânico William Hague afirmou que seu governo aceitava sem contestação o relatório da OSCE:</p>
<blockquote><p><em>«Ele dá margem a sérias preocupações e espero que isto seja levado em conta seriamente pelas autoridades russas. Vejamos como elas irão atuar.»</em></p></blockquote>
<p>Por sua vez, o senador John McCain explicitou o alvo central de semelhante empenho &#8220;democrático&#8221;, ao postar uma mensagem no Twitter:</p>
<blockquote><p><em>«Caro Vlad, a Primavera Árabe está chegando perto de você.»</em></p></blockquote>
<p>O destinatário óbvio é o premier Vladimir Putin, quase certo sucessor do presidente Medvedev nas eleições de março de 2012, e a menção à Primavera Árabe está longe de ser uma premonição, mas o conhecimento do <em>modus operandi</em> das redes do &#8220;Projeto Democracia&#8221;.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Gorbachov suspeito</h2>
<p>Evidentemente, o veterano Mikhail Gorbachov, um dos principais agentes de influência ocidental na Rússia, não poderia ficar de fora. Em entrevista à agência <em>Interfax</em> (7/12/2011), ele disparou:</p>
<blockquote><p><em>«Literalmente, a cada dia, mais e mais russos duvidam de que os resultados anunciados da eleição são honestos. A meu ver, ao ignorar a opinião pública, as autoridades estão se desacreditando e piorando a situação.»</em></p></blockquote>
<p>Por &#8220;opinião pública&#8221;, o ex-presidente da URSS se refere a alguns milhares de manifestantes, que, de forma significativa, não representavam quaisquer dos partidos representados na Duma. Entre eles, destacou-se o movimento Solidarnost (Solidariedade), fundado em 2008 por notórios ativistas anti-Putin, como o enxadrista Garry Kasparov e o ex-vice-premier Boris Nemtsov.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Blogueiro emergente e queridinho</h2>
<p>Outro participante dos protestos foi o conhecido advogado e blogueiro Alexei Navalny, que acabou detido pela polícia. Navalny é um &#8220;queridinho&#8221; dos círculos &#8220;pró-democracia&#8221; estadunidenses. Em 2010, fez um &#8220;estágio&#8221; no Yale World Fellows Program, projeto da Universidade Yale para criar uma <em>«rede global de líderes emergentes»</em>. Ao retornar ao país, o diário financeiro <em>Kommersant</em>, estreitamente vinculado aos interesses anglo-americanos, promoveu uma eleição simulada para prefeito de Moscou, &#8220;vencida&#8221; por Navalny com 45%. Outro diário, o <em>Vedomosti</em>, que tem entre seus proprietários o <em>Financial Times</em> londrino, já o havia eleito &#8220;Personalidade do Ano&#8221; em 2009.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Demagogis russa</h2>
<p>O mais curioso é que, com a exceção óbvia do Yabloko, nenhum dos demais partidos acompanhou os protestos. O presidente do Rússia Justa, Nikolay Levichev, disse à <em>Interfax</em> (7/12/2011) que considera «demagogia política barata» os pedidos de anulação das eleições.</p>
<p>O líder dos democratas liberais na Duma, Igor Lebedev, também não se mostrou entusiasmado, dizendo que <em>«esses são apelos de pessoas inadequadas»</em>. Para ele, a cidadania se manifestou e elegeu os seus representantes, que devem trabalhar nas condições existentes.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Advertência de Putin</h2>
<p>Em 26 de novembro último, falando no congresso do Rússia Unida que oficializou a sua candidatura presidencial, Putin já havia advertido em termos fortes os grupos de oposição ao Kremlin e seus financiadores externos:</p>
<blockquote><p>«<em>Judas não é o personagem da Bíblia mais popular na Rússia. Será dinheiro jogado fora. É melhor guardá-lo para pagar as suas dívidas&#8230; Essa gente já ocupou o poder em diferentes ocasiões. Alguns levaram o país ao colapso e outros o roubaram. Eles enterraram a faca no coração da guerra civil na Rússia e levaram ao banho de sangue no Norte do Cáucaso»</em> (<em>Interfax</em>, 26/11/2011).</p></blockquote>
<h2>Atuação de ONGs</h2>
<p>Entre os patrocinadores externos da oposição a Putin, destaca-se a indefectível Fundação Nacional para a Democracia (National Endowment for Democracy-NED), que, em 2010, proporcionou 2,8 milhões de dólares em ajuda financeira a uma constelação de 52 ONGs russas, entre as quais a Organização Cívica Regional em Defesa dos Direitos e Liberdades Democráticos (Golos), apontada em documentário exibido na televisão estatal, na sexta-feira 2 de dezembro, como instrumento de governos ocidentais para deflagrar manifestações populares inspiradas na Primavera Árabe, após as eleições (<em>The New York Times</em>, 2/12/2011).</p>
<p>Sintomaticamente, no dia seguinte, o Instituto Democrático Nacional (National Democratic Institute-NDI), um dos integrantes da NED, divulgou em seu sítio um protesto contra a &#8220;perseguição&#8221; das autoridades russas contra a Golos.</p>
<p>O NDI opera um escritório em Moscou desde a década de 1990, com o objetivo declarado:</p>
<blockquote><p><em>«O Instituto visa compartilhar a sua experiência internacionalmente reconhecida com grupos não-partidários de observação de eleições, promover um diálogo construtivo sobre assuntos de interesse mútuo para os russos e suas contrapartes internacionais, reforçar organizações cívicas e partidos políticos, por meio de programas internacionais de intercâmbio e apoio a iniciativas russas para o engajamento de cidadãos na política, ao nível regional.»</em></p></blockquote>
<h2>Conversa para boi dormir</h2>
<p>Ligado ao Partido Democrata, o NDI tem uma contraparte republicana, o Instituto Republicano Internacional (IRI), que, apesar de não tenha presença física na Rússia, tem programas orientados para o país, com o objetivo de <em>«apoiar líderes nos níveis local e regional, que possam lançar as bases para a próxima geração de lideranças democráticas na Rússia»</em>.</p>
<p>Felizmente para a cidadania russa, embora não se possa subestimar a capacidade desestabilizadora desse aparato, o seu sucesso no país tem sido limitado, em grande medida, pela vigilância permanente mantida pelas autoridades nacionais sobre as suas atividades. Exemplo que, a propósito, deveria ser seguido por outros países às voltas com intervenções do gênero.</p>
<p style="text-align: right;"><em><strong>Lorenzo Carrasco</strong></em> e <em><strong>Geraldo Luís Lino</strong></em></p>
<p style="text-align: right;" align="right"><span style="color: #ff6600;"><strong><em>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</em></strong></span></p>
<p><strong> <a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo.png"><img class="aligncenter size-medium wp-image-10922" title="div-novo" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo-300x13.png" alt="" width="300" height="13" /></a></strong></p>
<p><strong>Créditos </strong>➞<strong> </strong>este post é matéria apresentada no Boletim Eletrônico <strong><em>MSIa INFORMA</em></strong>, do <strong><em>MSIa –</em></strong><em> <strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em>, Vol. III, N<sup>o</sup> 30, de 08 de dezembro de 2011. Subtítulos meus.</p>
<p><strong><em>MSIa INFORMA</em></strong><strong> </strong>➞<strong> </strong>é uma publicação do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa). Conselho Editorial: Angel Palacios, Geraldo Luís Lino, Lorenzo Carrasco (Presidente), Marivilia Carrasco e Silvia Palacios. Endereço: Rua México, 31 &#8211; sala 202 &#8211; Rio de Janeiro (RJ) &#8211; CEP 20031-144; Telefax: 0xx 21-2532-4086.</p>
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		<title>Comissão de Agricultura questiona ministro da Justiça sobre política indigenista</title>
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		<pubDate>Fri, 09 Dec 2011 12:15:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
				<category><![CDATA[Indigenismo]]></category>
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		<category><![CDATA[Direitos humanos]]></category>
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		<description><![CDATA[A audiência pública realizada no último dia 22 de novembro, na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados, proporcionou mais uma amostra da crescente contestação à política indigenista vigente no País, que vem sendo cada vez mais questionada publicamente e, com frequência, considerada contrária a princípios elementares de justiça e aos interesses maiores da nação brasileira.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp"><img class="aligncenter size-full wp-image-10770" title="msiA iNFORMA" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp" alt="" width="235" height="49" /></a></p>
<p><strong>A audiência pública realizada no último dia 22 de novembro, na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados, proporcionou mais uma amostra da crescente contestação à política indigenista vigente no País, que vem sendo cada vez mais questionada publicamente e, com frequência, considerada contrária a princípios elementares de justiça e aos interesses maiores da nação brasileira.</strong></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/Reservas-indigenas-amazonas.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-12086" title="Reservas-indigenas-amazonas" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/Reservas-indigenas-amazonas-300x238.jpg" alt="" width="439" height="349" /></a><strong>No mapa, terras indígenas no Estado do Amazonas – sempre onde há recursos cobiçáveis.</strong></p>
<h2></h2>
<h2>Críticas ao nocivo indigenismo radical</h2>
<p>Na oportunidade, os parlamentares interpelaram o ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, e o presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Márcio Meira. Este último ouviu pesadas críticas sobre a sua ausência não justificada na reunião anterior, ocorrida no dia 9. Dentre os temas abordados, a legislação por trás dos processos de demarcação e os impactos negativos dos exageros que vêm sendo cometidos na homologação de terras indígenas, chegando a riscar do mapa cidades em pleno florescimento econômico e social.</p>
<p>Em sua apresentação, o ministro da Justiça procurou ressaltar o funcionamento da legislação atual que define o processo de demarcação de terras indígenas. Segundo Cardoso, o Ministério somente tem a atribuição de reconhecer as terras indígenas, sendo que a sua definição se encontra na Constituição, sendo garantido aos indígenas o usufruto exclusivo do solo e recursos hídricos nela contidos. Em suas palavras, o Ministério <em>«não cria terras indígenas»</em>, mas <em>«apenas as reconhece»</em> como fato consumado pela Constituição, ainda que as terras pretendidas estejam ocupadas por não-índios há gerações.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Novas regras para demarcação</h2>
<p>Cardoso afirmou que está buscando, junto à Funai, aprimorar a legislação específica para a execução dos processos de demarcação, <strong><em>«para que se guarneça melhor o direito de defesa, para que o contraditório fique melhor assegurado, e para que a decisão final do ministro da Justiça&#8230; possa, efetivamente, expressar aquilo que o Direito, aquilo que a lei determina»</em></strong>. Ele também fez referência ao julgamento, no Supremo Tribunal Federal (STF), da demarcação contínua da reserva Raposa Serra do Sol, no Norte de Roraima, como um caso paradigmático para a atuação da Funai. Ele afirmou que a Advocacia Geral da União (AGU) está formulando um parecer sobre a reserva, que estabelecerá diretrizes jurisprudenciais que determinarão a forma como as futuras demarcações serão realizadas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>A Funai e seus antropólogos da ação</h2>
<p>Já o presidente da Funai, Márcio Meira, fez referência à lei 6001/73 (conhecida como &#8220;Estatuto do Índio&#8221;), regulamentada pelo decreto presidencial 1775/96, para afirmar que a Funai é <em>«obrigada pela legislação»</em> a criar Grupos de Trabalho (GTs) para estudar a demarcação de terras indígenas, sempre que grupos de índios registrem a sua intenção de reivindicar determinadas terras, como sendo pertencentes aos seus ancestrais. Os GTs são formados por técnicos, que vão a campo fazer estudos para que a Funai possa estabelecer o <em>«limite da terra indígena tradicionalmente ocupada pelos índios, ou seja, aquela terra que é necessária para o modo de vida dos povos indígenas daquela região»</em>.</p>
<p>O presidente da Funai afirmou ainda que, após a publicação dos laudos antropológicos elaborados pelos GTs, a instituição emite uma primeira portaria de demarcação. Tem início, então, o &#8220;contraditório&#8221;, período no qual os produtores rurais e outras partes interessadas podem questionar o laudo técnico, no fim do qual a Funai emite uma segunda portaria, encaminhando a demarcação ao Ministério da Justiça. Este tem a atribuição de emitir o pedido de homologação à Presidência da República, que é a última etapa do processo de demarcação. Meira afirmou que a terra indígena de Uirapuru (MT) está no último estágio, aguardando apenas a homologação da presidente Dilma Rousseff – e se referiu ao episódio em que os produtores rurais destruíram os marcos de concreto colocados pela Funai no ato de demarcação física, dizendo que determinou a notificação dos produtores para que tal fato não se repita.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Artifício desonesto</h2>
<p>Meira comentou, ainda, o caso da contestada expansão da reserva indígena Karitiana, próximo a Porto Velho (RO), afirmando que não se trataria de uma ampliação da reserva já existente, mas da demarcação de uma <em>«nova terra indígena»</em> vizinha à Karitiana – evidentemente, uma forma encontrada pelos indígenas e seus apoiadores, para tentar contornar a proibição estabelecida pelo STF de ampliação de reservas indígenas homologadas.</p>
<p>O deputado Carlos Magno (PP/RO) rebateu as alegações, esclarecendo que a terra indígena Karitiana, demarcada em 1978, já sofreu uma ampliação, em 2002, e que a tentativa atual de se obter uma segunda expansão da reserva está em curso desde 2008.</p>
<p>Além disso, destacou, o GT formado para analisar a segunda expansão da terra Karitiana é liderado por Felipe Van der Velden, antropólogo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que conviveu com os karitianas ao longo da década passada, tendo produzido um longo artigo que procura justificar a nova ampliação da reserva. O artigo de Velden exalta a figura de Antenor Karitiana, indígena que teria declarado aos seus pares da tribo que queria se separar dos demais, já que o seu pai teria nascido em Porto Velho. Segundo Magno, a expansão da terra Karitiana ainda afetará os municípios de Candeias do Jamari, Alto Paraíso.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Mais 40 demarcações de terras “indígenas” estão na pauta da Funai!</h2>
<p>O parlamentar afirmou, também, que, por meio de levantamentos no Diário Oficial da União, constatou a formação de 79 GTs pela Funai desde o ano passado, dos quais cerca de 40 se referem à demarcação e ampliação de terras indígenas. E afirmou que os agentes da Funai desrespeitam o direito à propriedade dos produtores rurais, invadindo propriedades e desrespeitando famílias estabelecidas há gerações, e aos entes federados, ignorando os governos municipais e estaduais nos seus laudos antropológicos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/reservas-indigenas.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-12088" title="reservas-indigenas" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/reservas-indigenas-300x197.jpg" alt="" width="300" height="197" /></a>Farra antropológica</h2>
<p>Outro parlamentar que fez um duro discurso contra a Funai foi Moreira Mendes (PSD/RO), que afirmou que o processo de demarcação de reservas indígenas não pode continuar sendo feito à revelia da população, e que deve ser aberto à consulta e participação pública. Ele questionou a impossibilidade de acesso aos processos de demarcação, e que os estudos de demarcação são entregues finalizados <em>«na mão do ministro»</em>, ao qual não resta outra opção que não aprová-los. Para terminar com o que chama de <em>«farra da antropologia»</em>, ele defende que o Congresso volte a ser a instância de aprovação de novas demarcações de terras indígenas.</p>
<p>O deputado Paulo Cesar Quartiero (DEM/RR) contestou o ministro, afirmando que o Ministério, de fato, cria reservas indígenas, já que os laudos antropológicos são, muitas vezes, falsificados. Segundo ele, o Norte de Roraima foi invadido por indígenas da Guiana e da Venezuela, que foram levados para lá com o intuito de acelerar a demarcação de terras indígenas no Estado, atualmente em número de 33. Além disto, frisou que os interesses dos indígenas muitas vezes é ignorado, e lembrou a ocasião em que o ministro anterior, Tarso Genro, afirmou no palácio do governador de Roraima, <strong><em>«na frente do governador, na nossa frente, que mesmo que todos os índios da Raposa não quisessem a demarcação, ela seria demarcada»</em></strong>.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Procuradora da República defende governança mundial!</h2>
<p>Quartiero afirmou ainda que a Polícia Federal (PF), nas gestões dos antecessores de Cardoso, foi transformada em uma polícia política, que atua contra as lideranças dos produtores rurais, em comprometimento com a demarcação de terras indígenas, junto à Funai e a outros órgãos do governo federal. Ele ressaltou um trecho do depoimento do líder indígena macuxi Jonas Marcolino, que afirmou, na audiência anterior da Comissão, que a procuradora da República Deborah Duprat teria dito, em uma conferência na Universidade Estadual de Roraima, que <span style="color: #ff0000;"><strong><em>«o paradigma do Brasil ser um Estado nacional soberano é um conceito ultrapassado&#8230; No futuro, serão grupos organizados sob o comando de um governo mundial»</em></strong></span>. A partir da citação, Quartiero sugeriu que as palavras de Duprat explicam o fato de Márcio Meira se sentir desobrigado a comparecer à reunião anterior da Comissão: <strong><span style="color: #ff0000;"><em>«Talvez, o verdadeiro chefe dele não esteja aqui no Brasil, esteja fora.»</em></span></strong></p>
<p>O deputado Nelson Padovani (PSC/PR) questionou as afirmações de Meira a respeito da reserva indígena Uirapuru, em Campos de Júlio (MT), e justificou a destruição dos marcos de concreto colocados por agentes da Funai para delimitar a nova terra indígena. Segundo o parlamentar, a reserva foi traçada sobre terras altamente produtivas, que receberam pesados investimentos nos últimos anos e que são fundamentais à própria sobrevivência dos produtores ali instalados há décadas. Além disso, nem o prefeito, nem os próprios produtores puderam participar do processo, não tendo sido sequer notificados da demarcação e apanhados de surpresa pelo &#8220;surgimento&#8221; de marcos de concreto em suas propriedades:</p>
<blockquote><p><em>«Eles não estão sendo expropriados&#8230; estão sendo expulsos. Eles nem sabem que estão perdendo as suas terras, por que eles não fazem parte daquele processo (de demarcação).»</em></p></blockquote>
<h2>É preciso acabar com a farra das ONGs indigenistas</h2>
<p>Padovani sugeriu ao ministro da Justiça que suspenda os processos de demarcação de terras indígenas em trânsito em todo o país, <em>«especificamente nos casos onde há processos judiciais, sem o trânsito em julgado»</em>. Ele também lembrou os depoimentos de lideranças indígenas registrados na audiência anterior da Comissão, em que a Funai foi acusada de não defender os seus interesses, mas somente os das ONGs indigenistas estrangeiras que atuam no País. E considerou inadmissível que um órgão administrativo possa processar e decidir, por conta própria, sobre um tema tão sensível e importante quanto a demarcação de reservas indígenas.</p>
<p>No mesmo tom, o deputado Alceu Moreira (PMDB/RS) teceu duras considerações contra tal papel preponderante da Funai nos processos de demarcações: ele questionou o imenso poder jurídico conferido aos antropólogos da Funai, cujos laudos substituem com <em><strong>«superioridade, anterioridade e legitimidade a escritura pública e o registro»</strong></em>. Na prática, disse, os laudos antropológicos da Funai prescrevem o direito à propriedade – o que, de fato, representa uma inconstitucionalidade.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Oficialização da injustiça</h2>
<p>Moreira também criticou a iniciativa da AGU em estabelecer o processo de demarcação da reserva Raposa Serra do Sol como uma jurisprudência a ser seguida em futuros processos de demarcatórios:</p>
<blockquote><p><strong><em>«Pouco importa se há uma decisão do Supremo, por que se ela, em determinado momento consagra, a partir dos textos dos autos, uma injustiça plasmada, não pode servir como parâmetro para construir outras tantas injustiças a partir daquela.»</em></strong></p></blockquote>
<p>Além disso, ele questionou o valor de uma jurisprudência que gera subtração de bens, expulsão de populações de suas respectivas propriedades, sem direito efetivo ao contraditório.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Paga quem não tem nada a ver</h2>
<p>O parlamentar também criticou o papel preponderante da Funai nos processos demarcatórios, qualificando a situação atual como <em>«confiar à raposa o galinheiro»</em>, que resultou em mais de 10.788 pessoas desalojadas de suas propriedades pela instituição, que permanecem até hoje sem qualquer indenização do governo federal. Ele considera justo que se compensem índios e descendentes quilombolas pelas injustiças históricas cometidas contra eles, mas defende que tal compensação seja realizada pela sociedade brasileira em conjunto, e não que tal custo seja pago individualmente pelos produtores rurais, o lado mais frágil e vulnerável da questão.</p>
<p>Já o deputado Bohn Gass (PT/RS) afirmou que a Comissão seria uma manobra dos &#8220;latifundiários&#8221; para avançar sobre as terras indígenas.</p>
<p>Ele foi contestado por Luiz Carlos Heinze (PP/RS), que citou o caso da cidade de Sananduva (RS), cujo território municipal tem 2.118 hectares, onde vivem 162 famílias – uma média de menos de 10 hectares por família – e que se encontra ameaçada de se tornar uma nova reserva indígena. Sobre tal situação, Heinze pergunta:</p>
<blockquote><p><em>«Que latifúndio é esse?»</em></p></blockquote>
<h2>Homem branco desprovido de direitos?</h2>
<p>Heinze observou o absurdo da legislação atual sobre as demarcações, que garante aos índios, por meio da Funai, a assessoria de técnicos diversos (antropólogos, geólogos, advogados, entre outros), e que nada faz em defesa do produtor rural:</p>
<blockquote><p><span style="color: #ff0000;"><strong><em>«Quem tem direito? Os negros têm, os índios – e os brancos? Não tem direito nenhum? Quem é que protege esses brancos&#8230; se o governo, que eles ajudam a sustentar, porque eles produzem, pagam impostos&#8230; trabalha contra eles?»</em></strong></span></p></blockquote>
<h2>Laudos antropológicos sem contestação</h2>
<p>Nas suas considerações finais, José Eduardo Cardoso reconheceu a existência de disputas de <em>«interesses legítimos»</em> nos processos de demarcação de terras indígenas, mas se afirmou restringido pela legislação vigente:</p>
<blockquote><p><em>«Se o ministro da Justiça recebe um laudo </em>[antropológico]<em> sem receber a contraposição antropológica ao laudo, ele tem que seguir a instrução que foi dada. Não há outra alternativa. Até porque, se não fizesse, e se o presidente da Funai não fizesse, seria processado pelo Ministério Público.»</em></p></blockquote>
<p>Para atestar a sua retratação, o ministro lembrou que o próprio Márcio Meira foi ameaçado de prisão por um promotor do Ministério Público Federal, sob a acusação de morosidade em relação a uma questão fundiária envolvendo indígenas na região de Brasília (<em>Folha Online</em>, 27/03/2009).</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Novas leis são necessárias</h2>
<p>Cardoso sugeriu que a Comissão se empenhe na aprovação, no Congresso, de novas leis que alterem a legislação atual sobre as demarcações. Ele justificou o esforço da AGU em tornar o caso Raposa Serra do Sol uma jurisprudência, com base no fato de que inexistiam, até então, referências jurídicas para os processos demarcatórios. Todavia, reconheceu que a questão de se classificar a demarcação de uma terra indígena vizinha a uma existente (tal como o caso dos karitiana) como uma &#8220;terra nova&#8221; ou como uma &#8220;expansão da reserva já existente&#8221; constitui num campo de debates intensos no Ministério da Justiça, e que muitas discussões acaloradas ocorrerão até que se defina melhor tal situação jurídica.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Questão de soberania nacional</h2>
<p>A audiência demonstrou, inequivocamente, que o tema das demarcações constitui um dos assuntos mais sensíveis atualmente em discussão no País. O deputado Moreira Mendes qualificou, com propriedade, a situação, qualificando o assunto como uma questão de soberania nacional. Mendes afirmou ser <strong><span style="color: #ff0000;">inaceitável uma situação em que os 870 mil indígenas brasileiros, dos quais apenas 400 a 470 mil vivem efetivamente em reservas, controlem 15% do território nacional</span> <span style="color: #ff0000;">– ficando o grosso da população brasileira acuada com os crescentes mecanismos de supressão do aproveitamento econômico do território nacional, tais como quilombos, áreas de proteção permanente, áreas de conservação etc.</span></strong></p>
<p>Ademais, a própria realização da audiência denota que o Brasil está superando rapidamente a passividade prevalecente nas últimas duas décadas diante da insidiosa agenda intervencionista do aparato ambientalista-indigenista internacional.</p>
<p style="text-align: right;" align="right"><span style="color: #ff6600;"><strong><em>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</em></strong></span></p>
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<p><strong>Créditos </strong>➞<strong> </strong>este post é matéria apresentada no Boletim Eletrônico <strong><em>MSIa INFORMA</em></strong>, do <strong><em>MSIa –</em></strong><em> <strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em>, Vol. III, N<sup>o</sup> 29, de 02 de dezembro de 2011.</p>
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		<title>Estratégia de caos em ação</title>
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		<pubDate>Tue, 06 Dec 2011 15:47:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
				<category><![CDATA[Governo mundial]]></category>
		<category><![CDATA[Crise global]]></category>
		<category><![CDATA[Globalização]]></category>
		<category><![CDATA[Nova ordem mundial]]></category>
		<category><![CDATA[Oligarquias internacionais]]></category>
		<category><![CDATA[Oriente Médio]]></category>
		<category><![CDATA[Política internacional]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma breve revisão dos acontecimentos recentes sugere que as forças hegemônicas que controlam os centros de poder político e financeiro, em Washington, Nova York, Londres, Bruxelas e Basileia, se encontram empenhadas em uma estratégia de caos deliberadamente provocado, com o maldisfarçado objetivo de justificar a implementação de medidas excepcionais que, em sua ótica, possibilitarão a preservação do status quo global. Tais ações implicam na crescente neutralização das soberanias dos Estados nacionais em favor de esquemas de "governo mundial", como está em curso na União Europeia (UE) e, no extremo, colocam o mundo mais próximo de um conflito generalizado de grandes proporções, que poderá ser deflagrado por qualquer incidente, espontâneo ou provocado, em meio à escalada de provocações retóricas, ações militares e de inteligência e outros atos hostis desfechados, principalmente, contra o Irã, Síria, Egito, Paquistão, China e Rússia.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp"><img class="aligncenter size-full wp-image-10770" title="msiA iNFORMA" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp" alt="" width="240" height="50" /></a>Uma breve revisão dos acontecimentos recentes sugere que as forças hegemônicas que controlam os centros de poder político e financeiro, em Washington, Nova York, Londres, Bruxelas e Basileia, se encontram empenhadas em uma estratégia de caos deliberadamente provocado, com o maldisfarçado objetivo de justificar a implementação de medidas excepcionais que, em sua ótica, possibilitarão a preservação do<em> status quo</em> global.</strong></p>
<p><strong><span style="color: #ff0000;">Tais ações implicam na crescente neutralização das soberanias dos Estados nacionais em favor de esquemas de &#8220;governo mundial&#8221;, como está em curso na União Europeia (UE)</span> e, no extremo, colocam o mundo mais próximo de um conflito generalizado de grandes proporções, que poderá ser deflagrado por qualquer incidente, espontâneo ou provocado, em meio à escalada de provocações retóricas, ações militares e de inteligência e outros atos hostis desfechados, principalmente, contra o Irã, Síria, Egito, Paquistão, China e Rússia.</strong></p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/elite.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-12074" title="elite" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/12/elite-257x300.jpg" alt="" width="313" height="365" /></a></p>
<h2>Provocações imperialistas</h2>
<p>No campo da grande estratégia, é difícil interpretar de outra forma os agressivos movimentos dos EUA, que incluem: virulentas campanhas de pressões contra o Irã, com o apoio do Reino Unido e Israel, inclusive operações clandestinas de inteligência, guerra cibernética e assassinatos seletivos de cientistas e oficiais militares; apoio direto aos opositores do regime do presidente sírio Bashar al-Assad (com o apoio da Turquia); instigação dos protestos populares contra o governo militar do Egito; ações militares cada vez mais agressivas no território do Paquistão; a provocativa instalação de um sistema de defesa antimísseis na Europa e Turquia, cujo alvo maldisfarçado é a Federação Russa; e, como se não fosse suficiente, a ruidosa proclamação dos interesses estadunidenses no Pacífico, feita pelo presidente Barack Obama em sua recente visita à região, em ostensiva provocação à China.</p>
<p>Se a intenção dessa combinação de ações é a de estabelecer um cenário de escalada de tensões (como o que levou à deflagração da I Guerra Mundial), ela está se mostrando bem-sucedida. Em particular, a Rússia traçou uma &#8220;linha vermelha&#8221; em relação aos provocativos avanços estadunidenses, com decididas respostas anunciadas nos últimos dias.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Advertências russas</h2>
<p>Em 17 de novembro, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, general Nikolai Makarov, advertiu que a continuação da expansão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) para o Leste <em>«aumentou drasticamente»</em> os riscos de conflitos envolvendo a Rússia, que podem chegar até mesmo à escala nuclear. Segundo ele, <em>«em certas condições, conflitos locais e regionais podem se desdobrar em uma guerra de grande escala, envolvendo armas nucleares»</em> (<em>AP</em>, 17/11/2011).</p>
<p>Vale registrar que Makarov é a mais alta autoridade militar do país, e não um oficial da reserva transmitindo mensagens indiretas.</p>
<p>Dias depois, em um discurso perante oficiais militares no Sul do país, o presidente Dmitri Medvedev afirmou que a ação russa na guerra-relâmpago contra a Geórgia, em agosto de 2008, transmitiu um recado ao Ocidente:</p>
<blockquote><p><em>«Para alguns dos nossos parceiros, incluindo a OTAN, foi um sinal de que eles devem pensar sobre a estabilidade geopolítica, antes de tomar uma decisão de expandir a aliança»</em> (<em>Novosti</em>, 24/11/2011).</p></blockquote>
<p>No dia 23, Medvedev fez um duro pronunciamento na televisão russa, no qual advertiu sem rodeios que o prosseguimento da instalação do sistema antimísseis estadunidense na Europa será respondido com contramedidas defensivas e ofensivas, visando à sua neutralização (ver artigo de Elisabeth Hellenbroich).</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Não entrem na Síria!</h2>
<p>Em paralelo, o Kremlin deixou claro que não aceitará qualquer perspectiva de intervenção da OTAN no conflito interno da Síria. Para demonstrar suas intenções, Moscou reforçou o esquadrão de combate que opera a partir da base naval de Tartus, no litoral sírio, além de anunciar a rejeição de qualquer embargo de armas ao governo de Damasco. Como um grupo de batalha da VI Frota estadunidense está na região, capitaneado pelo porta-aviões George H.W. Bush, será a primeira vez desde o término da Guerra Fria que forças navais das superpotências estarão se defrontando nas mesmas águas.</p>
<p>Na terça-feira 29 de novembro, o chanceler russo Sergei Lavrov se reuniu com os embaixadores dos países da Liga Árabe em Moscou, para deixar claro que ultimatos e embargos como o que a Liga impôs à Síria, são contraproducentes:</p>
<blockquote><p><em>«Nós esperamos que os nossos amigos na Liga Árabe&#8230; demonstrarão a máxima responsabilidade com o que está acontecendo na região&#8230; e que irão observar as mesmas regras que a Liga Árabe estabeleceu, ao tomar as decisões relevantes»</em> (<em>Xinhua</em>, 29/11/2011).</p></blockquote>
<p>Em uma referência explícita de que Moscou não aceitará uma repetição do cenário líbio, Lavrov ressaltou que as lições aprendidas no país devem ser aprendidas, pois o embargo de armas <em>«se aplicou apenas ao Exército líbio»</em>.</p>
<p>Igualmente, o chanceler russo apontou a interferência externa clandestina nas insurgências ocorridas na Síria:</p>
<blockquote><p><em>«Certos grupos, inclusive formados por cidadãos que penetraram na Síria vindos de outros Estados, têm sido ativamente providos de armas. É por isso que propostas para a introdução de um embargo de armas à Síria são bastante injustas.»</em></p></blockquote>
<h2>Apoio dos BRICS</h2>
<p>A ação de Moscou recebeu um importante respaldo diplomático dos demais integrantes do grupo BRICS – Brasil, Índia, China e África do Sul – cujos vice-chanceleres se reuniram na capital russa, em 24 de novembro, para discutir a situação no Oriente Médio e no Norte da África. A declaração da reunião não apenas rejeitou <em>«qualquer interferência externa nos assuntos da Síria, que não esteja de acordo com a Carta das Nações Unidas»</em>, e a ameaça de força contra o Irã, como também pediu uma revisão da intervenção militar contra a Líbia.</p>
<p>Como a Rússia e a China já anunciaram a intenção de vetar qualquer resolução do Conselho de Segurança que não se enquadre em tais critérios, qualquer ação externa mais ostensiva contra o regime de Bashar al-Assad corre o risco de se ver enquadrada na categoria de <em>casus belli</em> por Moscou.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Resposta chinesa I</h2>
<p>Por sua vez, a China também reagiu prontamente à desafiadora turnê de Obama pelo Pacífico, aproveitando a realização da cúpula da Organização de Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico (APEC, em inglês), no Havaí, cujo ponto alto foi a visita à Austrália, onde anunciou um acordo para o estacionamento permanente de um regimento de fuzileiros navais em Darwin, no noroeste do país.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Exibicionismo imperialista</h2>
<p>A turnê de Obama se deu no contexto de uma ampliada participação estadunidense em uma série de exercícios militares com outros países da região, como a Tailândia, Malásia, Cingapura, Filipinas e Indonésia.</p>
<p>Em sua coluna de 22 de novembro («Obama Ameaça a China»), o sempre atento jornalista estadunidense William Pfaff foi direto ao ponto. Pfaff fala sem rodeios sobre as motivações belicistas de seu país, ao afirmar que:</p>
<blockquote><p>1) o conflito na frente Afeganistão-Paquistão se tornou <em>«uma atividade permanente e fonte de receita para o Pentágono e a indústria de armas estadunidense»</em>;</p>
<p>2) a confrontação com a China envolve a afirmação dos EUA como potência hegemônica; e</p></blockquote>
<h2>Sintomas de guerra</h2>
<blockquote><p>3) este é o tipo de situação que pode iniciar guerras mundiais. Diz ele:</p>
<p><em>«Por que, então, ele agora quer uma guerra com a China? Ninguém parece ter se dado muita conta disto nos informes e comentários da imprensa estadunidense, mas outros tomaram nota, principalmente na China. As suas jornadas pela Ásia, este mês, proclamaram uma Pax Americana para a Ásia – o que é em si absurdo&#8230; Este é o tipo de coisa que deflagra guerras mundiais. Pensem na Alemanha Hohenzollern, desafiando o poderio marítimo britânico antes de 1914. Pensem no longo e sangrento esforço do Japão para se transformar no poder imperial na Ásia&#8230; A lição é: não se começam guerras com potências, movidos por entusiasmo revolucionário ou nacionalismo, para proclamar – ou retomar – um lugar ao Sol.»</em></p>
<p><em>«O que está em jogo entre a China e os EUA? Estamos em lados opostos do mundo, com quase nada para disputar, <strong><span style="color: #ff0000;">exceto matérias-primas</span></strong> – de que há suprimentos bastantes para todos. A dominação industrial do mundo? O que isto significa realmente, e o que vale? Bradar direitos sobre quem é a nação superior? Eis o que parece importar a Washington. Se os líderes estadunidenses levarem isto muito longe, poderão acabar em uma guerra que eliminará ambos da competição.»</em></p></blockquote>
<h2>Resposta chinesa II</h2>
<p>A resposta de Pequim ao <em>road-show</em> de Obama não se fez esperar. O portador do recado foi o major-general Luo Yuan, vice-secretário-geral da Sociedade Chinesa de Ciência Militar, que, em um artigo publicado no jornal <em>People&#8217;s Daily</em> de 17 de novembro, após o anúncio do acordo australiano-estadunidense, afirmou:</p>
<blockquote><p><em><span style="color: #ff0000;">«Se os interesses centrais da China, tais como a sua soberania, segurança nacional e unidade, sofrerem intrusões, um conflito militar será inevitável&#8230; Os EUA estão fazendo muito do seu “retorno à Ásia”, posicionando peças e forças na periferia da China, e a intenção é bastante clara – isto está voltado contra a China, para conter a China. Os EUA têm cometido um erro estratégico fatal. Eles avaliaram mal os seus inimigos, colocaram suas forças estratégicas no lugar errado e os seus meios estratégicos são errados. A China não tem provocado os interesses estadunidenses; então, por que estão correndo à Ásia para cercar a China?»</span></em></p></blockquote>
<p>No dia 23, o mesmo oficial anunciou planos para o estabelecimento de um novo Departamento de Planejamento Estratégico nas Forças Armadas chinesas, <em>«em resposta a operações militares crescentemente sofisticadas no futuro, que possam envolver múltiplas forças de combate»</em> (<em>Xinhua</em>, 23/11/2011). Não é preciso ser estrategista para perceber a motivação e o alcance da iniciativa.</p>
<p><strong>Possivelmente, não terá sido mera coincidência que o anúncio do novo centro de planejamento militar chinês tenha ocorrido no mesmo dia em que o pronunciamento do presidente Medvedev sobre as medidas defensivas russas contra os planos expansionistas da OTAN.</strong></p>
<p style="text-align: right;" align="right"><span style="color: #ff6600;"><strong><em>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</em></strong></span></p>
<p><strong> <a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo.png"><img class="aligncenter size-medium wp-image-10922" title="div-novo" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo-300x13.png" alt="" width="300" height="13" /></a><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/01/divisor3.gif"><br />
</a></strong></p>
<p><strong>Créditos </strong>➞<strong> </strong>este post é matéria apresentada no Boletim Eletrônico <strong><em>MSIa INFORMA</em></strong>, do <strong><em>MSIa –</em></strong><em> <strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em>, Vol. III, N<sup>o</sup> 29, de 02 de dezembro de 2011. Introduzi subtítulos no texto para facilitar e incentivar a leitura.</p>
<p><strong><em>MSIa INFORMA</em></strong><strong> </strong>➞<strong> </strong>é uma publicação do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa). Conselho Editorial: Angel Palacios, Geraldo Luís Lino, Lorenzo Carrasco (Presidente), Marivilia Carrasco e Silvia Palacios. Endereço: Rua México, 31 &#8211; sala 202 &#8211; Rio de Janeiro (RJ) &#8211; CEP 20031-144; Telefax: 0xx 21-2532-4086.</p>
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		<title>Recordando a Comissão Trilateral</title>
		<link>http://blogdoambientalismo.com/a-comissao-trilateral-usurpando-a-soberania-das-nacoes/</link>
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		<pubDate>Tue, 22 Nov 2011 11:28:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
				<category><![CDATA[Governo mundial]]></category>
		<category><![CDATA[Nova ordem mundial]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedades secretas]]></category>

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		<description><![CDATA[A Comissão Trilateral foi fundada em 1973 por iniciativa de David Rockefeller, o presidente do poderoso banco Chase Manhattan, diretor de diversas empresas multinacionais e de fundações isentas de impostos. Entre os cerca de 300 membros iniciais, estavam acadêmicos, políticos, magnatas da indústria, banqueiros internacionais, líderes de centrais sindicais e diretores dos gigantes da mídia. Desde a eleição de Jimmy Carter, em 1976, o Poder Executivo nos EUA foi literalmente seqüestrado pelos membros da Comissão Trilateral.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/11/rockeffeler.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-11870" title="rockeffeler" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/11/rockeffeler-300x210.jpg" alt="" width="220" height="155" /></a>Fundamentos</h2>
<blockquote><p>«Posteriormente, o presidente Reagan veio a compreender o valor da Trilateral e convidou todos os seus membros para uma recepção na Casa Branca, em abril de 1984.» — frase de David Rockefeller, em <strong><em>«Memoirs»</em></strong>, 2002 [1]</p></blockquote>
<p>A Comissão Trilateral foi fundada em 1973 por iniciativa de David Rockefeller, o presidente do poderoso banco Chase Manhattan, diretor de diversas empresas multinacionais e de várias fundações – isentas de impostos.</p>
<p>Entre os cerca de 300 membros iniciais da Comissão Trilateral, estavam acadêmicos, políticos, magnatas da indústria, banqueiros internacionais, líderes de centrais sindicais e diretores dos gigantes da mídia. Desde a eleição de Jimmy Carter, em 1976, o Poder Executivo nos EUA foi, literalmente, sequestrado pelos membros da Comissão Trilateral. Esse domínio quase absoluto, especialmente nas áreas do comércio, bancos, economia e política externa continua até hoje.</p>
<p>Os fundamentos filosóficos da Comissão Trilateral são coletivistas: pró-marxismo, pró-socialismo e pró-fascismo. A Comissão está solidamente posicionada contra o conceito do Estado-nação e, em particular, contra a Constituição dos EUA. Assim, a soberania nacional precisa ser reduzida e depois abolida totalmente de modo a abrir o caminho para a Nova Ordem Mundial, que será governada por uma elite globalista não-eleita e com sua própria estrutura jurídica.</p>
<p>De acordo com a revista trimestral da Comissão Trilateral, a <em>Trialogue</em>:</p>
<blockquote><p><em>«A Comissão Trilateral foi formada em 1973 pela iniciativa particular de cidadãos da Europa Ocidental, do Japão e da América do Norte para patrocinarem uma maior cooperação entre essas três regiões a fim de lidar com problemas comuns. A Comissão procura aprimorar a compreensão pública desses problemas, apoiar as propostas para tratá-los de forma conjunta e promover hábitos e práticas de trabalho conjunto entre essas regiões.»</em> [2]</p></blockquote>
<p>Além disso, a <em>Trialogue</em> – e outras publicações oficiais – deixam claro que o objetivo declarado da Comissão Trilateral é criar “uma Nova Ordem Econômica Internacional”. O presidente <strong>George H. W. Bush</strong>, mais tarde, se reportou, abertamente, àquilo que chamou de uma <em>«Nova Ordem Mundial» –</em> que desde então se tornou uma expressão sinônima.</p>
<p>Este trabalho de pesquisa tentará contar o resto da história, de acordo com fontes oficiais e não-oficiais e outros documentos disponíveis.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Origens</h2>
<p>A Comissão Trilateral foi fundada pelas manobras persistentes de <strong>David Rockefeller</strong> e <strong>Zbigniew Brzezinski</strong>.</p>
<p><strong>Rockefeller</strong> era o presidente do ultrapoderoso banco Chase Manhattan, e diretor de muitas grandes empresas multinacionais e “fundações patrocinadoras” e há muito tempo já era uma figura central no Conselho das Relações Internacionais (o CFR &#8211; Council on Foreign Relations). <strong>Brzezinski</strong>, um brilhante prognosticador do idealismo do mundo global, era professor na Universidade Columbia e autor de diversos livros que serviram como “guias de política” para a Comissão Trilateral. <strong>Brzezinski</strong> serviu como o primeiro diretor-executivo da Comissão, desde sua criação, em 1973, até fins de 1976, quando foi escolhido pelo presidente <strong>Jimmy Carter</strong> como Assessor em Assuntos de Segurança Nacional.</p>
<p>Os membros originais da Comissão eram cerca de 300 pessoas, com, aproximadamente, uma centena deles provenientes da Europa, uma centena do Japão e uma centena da América do Norte. Os membros também estavam divididos entre acadêmicos, políticos e magnatas das grandes empresas; entre estes estavam incluídos banqueiros internacionais, líderes das grandes centrais sindicais e diretores corporativos de alguns gigantes da mídia.</p>
<p>A palavra <em>comissão</em> era difícil de entender, pois normalmente é associada às implementações criadas pelos governos. Ela parecia inadequada para um grupo supostamente privado, a não ser que se pudesse determinar que esse grupo era na verdade o braço de um governo – um governo invisível, diferente do governo visível que existe em Washington. O envolvimento de europeus e japoneses indicava um governo mundial, em vez de um governo nacional.</p>
<p>Supunha-se que o conceito de um governo mundial, criado e implementado de forma secreta, fosse apenas um desejo por parte dos membros da Comissão Trilateral. Os fatos, porém, se alinharam de forma bastante pessimista.</p>
<p>Se o Conselho das Relações Internacionais (CFR) pode ser considerado um terreno para o desenvolvimento dos conceitos do idealismo do mundo global, a Comissão Trilateral seria como que a sua “força tarefa” –  criada para o assalto às cabeças-de-ponte do mundo globalizado.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>A Comissão coloca seus membros nos principais postos que o governo americano tem a oferecer</h2>
<p>O presidente <strong>James Earl Carter</strong>, político do interior que prometeu nunca mentir para o povo, foi escolhido para participar da Comissão por <strong>Brzezinski</strong>, em 1973. Na verdade, foi <strong>Brzezinski</strong> quem primeiro identificou em <strong>Carter</strong> qualidades pessoais para ser um presidente, e subsequentemente, o educou em economia, política externa e nas complexidades da política mundial. Após a eleição de <strong>Carter</strong>, <strong>Brzezinski</strong> foi escolhido como assessor do presidente em assuntos de Segurança Nacional. Comumente, ele era chamado de presidente do Conselho de Segurança Nacional, porque respondia somente ao presidente — alguns dizem que <strong>Brzezinski</strong> ocupava o segundo posto mais poderoso no governo dos EUA.</p>
<p>O colega de chapa de <strong>Carter</strong>, <strong>Walter Mondale</strong>, também era um membro da Comissão.</p>
<p>(Se você estiver tentando calcular as probabilidades de três homens virtualmente desconhecidos, dentre os mais de sessenta membros americanos da Comissão, chegar aos três postos mais poderosos no país, não perca seu tempo. Seus cálculos não terão importância alguma.)</p>
<p>Em 7 de janeiro de 1977, a revista <em>Time</em>, cujo diretor da redação, <strong>Hedley Donovan</strong>, era um poderoso membro da Comissão Trilateral, atribuiu ao presidente <strong>Carter</strong> o título de “Homem do Ano”. O artigo de 16 páginas, naquela edição, não somente deixou de mencionar a ligação de <strong>Carter</strong> com a Comissão, como também declarou o seguinte:</p>
<blockquote><p>«Ao procurar escolher os membros do Gabinete, Carter algumas vezes parecia hesitante e frustrado, desconcertantemente, fora de sua personalidade normal. Sua falta de ligações em Washington e com a estrutura partidária – qualidades que o ajudaram a se eleger e chegar à Casa Branca – tinha perigos potenciais. Ele não conhece o governo federal ou as pressões criadas por ele. Carter realmente não conhece os políticos de quem precisará para conseguir governar o país.»[3]</p></blockquote>
<p>Esse retrato de <strong>Carter</strong> como um político inocente é simplesmente incorreto ou é, deliberadamente, enganador. Por volta de 25 de dezembro de 1976 – duas semanas antes da publicação do artigo na revista <em>Time</em> – <strong>Carter</strong> já tinha escolhido os membros de seu gabinete. Três deles – <strong>Cyrus Vance</strong>, <strong>Michael Blumenthal</strong> e <strong>Harold Brown </strong>– eram membros da Comissão Trilateral; e os outros que não eram membros não eram contrários aos objetivos e operações da Comissão. Além disso, <strong>Carter</strong> tinha escolhido 14outros membros da Comissão Trilateral para cargos de alto nível no governo, incluindo:</p>
<ul>
<li><strong>C. Fred Bergsten</strong> (Subsecretário do Tesouro)</li>
<li><strong>James Schlesinger</strong> (Secretário da Energia)</li>
<li><strong>Elliot Richardson</strong> (Delegado para o Tratado da Lei do Mar)</li>
<li><strong>Leonard Woodcock</strong> (Encarregado junto ao governo da China) [<strong>NT:</strong> Antes do estabelecimento das relações diplomáticas, não havia o posto de embaixador, mas o encarregado cumpria praticamente as mesmas funções]</li>
<li><strong>Andrew Young</strong> (Embaixador junto à Organização das Nações Unidas)</li>
</ul>
<p>Portanto, em 25 de dezembro de 1976, existiam 19 trilateralistas, incluindo <strong>Carter</strong> e <strong>Mondale</strong>, ocupando postos de tremendo poder político. Esses indicados pelo presidente representavam quase um terço dos membros da Comissão Trilateral provenientes dos EUA. A probabilidade de isso ter acontecido por acaso é ridiculamente baixa!</p>
<p>Havia alguma evidência mínima que pudesse indicar qualquer coisa além de conspiração? Dificilmente!</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Qualidades presidenciais</h2>
<p>Em 1973, <strong>Zbigniew Brzezinski </strong>descreveu as qualificações necessárias para um candidato vencer em 1976:</p>
<blockquote><p><em>«O candidato Democrata em 1976 terá de enfatizar o trabalho, a família, a religião e, cada vez mais, o patriotismo&#8230; O novo conservadorismo claramente não voltará ao antigo laissez faire. Ele será um conservadorismo filosófico. Será um tipo de estatismo conservador ou gerencial. Haverá valores conservadores, mas uma dependência em uma grande co-determinação entre Estado e as grandes empresas.»</em> [4]</p></blockquote>
<p>Em 23 de maio de 1976, o jornalista Leslie H. Gelb escreveu no jornal não assim tão conservador, o <em>The New York Times</em>:</p>
<blockquote><p><em>«<strong>Brzezinski</strong> foi o primeiro na Comunidade a prestar atenção a <strong>Carter</strong>, a encará-lo com seriedade. Ele passou um tempo com <strong>Carter</strong>, conversou com ele, enviou-lhe livros e artigos, educou-o.&#8221; </em>[5]<em> </em></p></blockquote>
<p><strong>Richard Gardner </strong>(também da Universidade Columbia) participou da tarefa “educacional” e, como Gelb observou, os dois praticamente guardaram <strong>Carter</strong> para si mesmos. Gelb continuou:</p>
<blockquote><p><em>«Enquanto a comunidade como um todo olhava para outra parte, para os senadores Kennedy e <strong>Mondale</strong>&#8230; valeu a pena. <strong>Brzezinski</strong>, com <strong>Gardner</strong>, é agora o homem mais importante na força-tarefa de política externa do presidente <strong>Carter</strong>.»</em> [6]</p></blockquote>
<p>Embora <strong>Richard Gardner</strong> tivesse uma influência acadêmica considerável, deve estar claro que <strong>Brzezinski</strong> era o farol que guiava a política externa no governo <strong>Carter</strong>. Junto com o comissário <strong>Vance</strong> e diversos outros comissários no Departamento de Estado, <strong>Brzezinski</strong> tinha mais do que continuado com a política de fazer amizades com os inimigos e afastar os amigos. Desde 1977 viu-se um esforço gigantesco de alcançar relações “normalizadas” com a China Comunista, Cuba, a URSS, os países da Europa Oriental, Angola, etc. Ao mesmo tempo, parte do suporte foi retirado da China Nacionalista, África do Sul, Zimbábue (antiga Rodésia), etc. Isto não foi apenas uma tendência – foi uma epidemia. Assim, pode-se dizer que <strong>Brzezinski</strong>, ao menos parcialmente, contribuiu para a atual política externa e interna dos EUA, de modo que deve-se analisar, exatamente, o que ele estava defendendo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2 style="text-align: left;" align="center">Procura-se uma ordem internacional “mais justa e equitativa”</h2>
<p>A Comissão Trilateral realizou reunião plenária anual em Tóquio, no Japão, em janeiro de 1977. O presidente <strong>Carter</strong> e <strong>Brzezinski</strong>, obviamente, não puderam comparecer, pois ainda estavam reorganizando a Casa Branca. Entretanto, eles enviaram cartas que foram lidas na reunião, e depois publicadas em <em>Trialogue</em>, a revista oficial da Comissão Trilateral:</p>
<blockquote><p><em>«Sinto uma satisfação especial em enviar congratulações a todos vocês reunidos no encontro da Comissão Trilateral em Tóquio. Tenho calorosas memórias do nosso encontro em Tóquio cerca de dezoito meses atrás, e lamento não poder estar presente com vocês agora.»</em></p>
<p><em>«Meu serviço ativo na Comissão, desde sua criação em 1973, foi uma experiência esplêndida para mim e me propiciou excelentes oportunidades para vir a conhecer os líderes nas nossas três regiões.»</em></p>
<p><em>«Como enfatizei em minha campanha, uma sólida parceria entre nós é da mais alta importância. Compartilhamos preocupações econômicas, políticas e de segurança que tornam lógico que devamos buscar uma cooperação e compreensão cada vez maiores. Essa cooperação é essencial não somente para nossas três regiões, mas na busca global por <strong>uma ordem internacional mais justa e eqüitativa</strong>. Espero encontrá-los na sua próxima reunião em Washington e desejo, ansiosamente, receber os relatórios do trabalho realizado por vocês em Tóquio.»</em></p>
<p style="text-align: right;"><strong>«Jimmy Carter»</strong> [7] [tradução nossa e ênfase adicionada]</p>
</blockquote>
<h2>A carta de <strong>Brzezinski</strong>, em uma veia similar, dizia o seguinte:</h2>
<blockquote><p><em>«A Comissão Trilateral tem significado muito para mim nos últimos anos. Ela serve como estímulo para a criatividade intelectual e uma fonte de satisfação pessoal. Formei fortes vínculos com novos amigos e colegas em todas as três regiões, vínculos que valorizo grandemente e que tenho certeza que continuarão.»</em></p>
<p>«Permaneço convencido que, nas grandes questões estruturais do mundo atual, a colaboração entre nossas regiões é de suma importância. Essa colaboração precisa ser dedicada para modelar uma <strong>ordem internacional mais justa e eqüitativa</strong>. Isso requererá um processo prolongado, mas acho que podemos olhar para o futuro com confiança e ter certo orgulho da contribuição que a Comissão está fazendo.»</p>
<p style="text-align: right;"><strong>«Zbigniew Brzezinski»</strong>[8; tradução nossa e ênfase adicionada]</p>
</blockquote>
<p>A frase fundamental em negrito dizia <em><strong>«uma ordem internacional mais justa e eqüitativa»</strong></em>. Essa ênfase indica que algo está errado com nossa atual ordem internacional, isto é, com nossas estruturas? Sim, de acordo com <strong>Brzezinski</strong> e, como a presente estrutura era inadequada para tratar os problemas mundiais, ela precisa ser desfeita e suplantada por um governo mundial.</p>
<p>Em setembro de 1974, <strong>Brzezinski</strong> foi questionado em uma entrevista à revista brasileira <em>Veja</em>. &#8220;Como o Sr. definiria essa nova ordem internacional?&#8221; <strong>Brzezinski</strong> respondeu:</p>
<blockquote><p><em>«Quando falo do atual sistema internacional estou me referindo às relações em campos específicos, a maioria delas entre os países do Atlântico; relações comerciais, relações mútuas de segurança, envolvendo o Fundo Monetário Internacional, a OTAN (NATO), etc. Precisamos modificar o sistema internacional e criar um sistema global em que as novas forças ativas e criativas que se desenvolveram recentemente — possam ser integradas. Esse sistema precisa incluir o Japão, o Brasil, os países produtores de petróleo, e até a URSS, na medida em que a União Soviética esteja disposta em participar em um sistema global.»</em> [9]</p></blockquote>
<p>Quando questionado se o Congresso teria um papel maior ou menor no novo sistema, <strong>Brzezinski</strong> declarou:</p>
<blockquote><p><em>«&#8230; a realidade do nosso tempo é que uma sociedade moderna, como os EUA, requer um órgão central coordenador e renovador que não seja constituído por seiscentas pessoas.»</em> [10]</p></blockquote>
<p><strong>Brzezinski</strong> desenvolveu o pano de fundo para a necessidade de um novo sistema em seu livro «Between Two Ages: America&#8217;s Role in the Technetronic Era» (1969). Ele escreveu que a humanidade tinha percorrido três grandes estágios de evolução e estava no meio do quarto e final estágio. Ele descreveu o primeiro estágio como &#8220;religioso&#8221;, combinando um <em>«universalismo celestial fornecido pela aceitação da idéia que o destino do homem está essencialmente nas mãos de Deus»</em> com uma &#8220;estreiteza terreal derivada da maciça ignorância, analfabetismo e uma visão confinada ao ambiente imediato.</p>
<p>O segundo estágio foi o nacionalismo, enfatizando a igualdade cristã diante da lei, que <em>«marcou outro passo gigantesco na redefinição progressiva da natureza e posição do homem no nosso mundo»</em>. O terceiro estágio foi o marxismo, que, disse <strong>Brzezinski</strong>, <em>«representa um estágio mais vital e criativo no amadurecimento da visão universal do homem»</em>. O quarto e final estágio era a Era Tecnotrônica, ou o ideal do humanismo racional em uma escala global – o resultado das transformações evolucionárias americano-comunistas. [11]</p>
<p>Ao considerar nossa estrutura de governo, <strong>Brzezinski</strong> declarou:</p>
<blockquote><p><em>«A tensão é inevitável à medida que homem luta para assimilar o novo na estrutura do antigo. Por um tempo, a estrutura estabelecida integra resilientemente a nova, adaptando-a em um formato mais familiar. Mas depois de algum tempo a antiga estrutura torna-se sobrecarregada. A entrada mais nova não pode mais ser redefinida nas formas tradicionais e, eventualmente, ela se afirma com grande força. Hoje, porém, a antiga estrutura da política internacional – com suas esferas de influência, alianças militares entre as nações-Estados, a ficção da soberania, conflitos doutrinários que surgiram a partir das crises no século 19 – claramente não é mais compatível com a realidade.»</em> [12]</p></blockquote>
<p>Uma das &#8220;estruturas&#8221; mais importantes do mundo e, especialmente para o povo americano, era a Constituição dos EUA. Foi esse documento que delineou a nação mais próspera na história mundial. Foi a soberania norte-americana realmente uma &#8220;ficção&#8221;? Era a visão dos EUA não mais compatível com a realidade? <strong>Brzezinski</strong> também declarou:</p>
<blockquote><p><em>«A aproximação do ducentésimo aniversário da Declaração de Independência poderia justificar o chamado para uma convenção constitucional nacional para reexaminar a estrutura institucional formal da nação. Os anos de 1976 ou 1989 – o ducentésimo aniversário da Constituição – poderiam servir como datas-alvo adequadas culminando com um diálogo nacional sobre a relevância dos arranjos existentes&#8230; O realismo, porém, nos força a reconhecer que a inovação política necessária não virá a partir da reforma direta da Constituição, por mais desejável que seja. A mudança necessária mais provavelmente se desenvolverá de forma incremental e menos aberta&#8230; de acordo com a tradição americana de desfocar as distinções entre as instituições públicas e privadas.»</em> [13]</p></blockquote>
<p>Assim, na Era Tecnotrônica de <strong>Brzezinski</strong>, a <em>«nação-Estado como uma unidade fundamental da vida organizada do homem cessou de ser a principal força criativa: Os bancos internacionais e as grandes empresas multinacionais estão atuando e planejando em termos que estão muito além dos conceitos políticos de um Estado-nação.»</em> [14]</p>
<p>A filosofia de Brzezinski apontava claramente para o artigo «Hard Road to World Order», de <strong>Richard Gardner</strong>, que apareceu na revista <em>Foreign Affairs</em>, a publicação oficial do Conselho das Relações Internacionais (o CFR), em 1974, em que Gardner afirmou:</p>
<blockquote><p><em>«Em resumo, a “casa da ordem mundial” terá de ser construída de baixo para cima, e não de cima para baixo&#8230; um ponto final na soberania nacional, erodindo-a parte por parte, conseguirá muito mais do que o ataque frontal à moda antiga.»</em> [15]</p></blockquote>
<p>Essa antiga abordagem que tinha produzido poucos sucessos durante os anos 1950 e 1960 estava sendo trocada por uma marreta aveludada. Ela faria pouco barulho, mas enfiaria as estacas da globalização profundamente no coração de muitos diferentes países em todo o mundo, incluindo os Estados Unidos. De fato, a Comissão Trilateral foi o veículo escolhido que finalmente produziu a tração necessária para realmente criar a Nova Ordem Internacional.</p>
<p>Compreender a filosofia da Comissão Trilateral é o único modo para podermos reconciliar a miríade das aparentes contradições nas informações que chegam filtradas para nós na imprensa nacional. Por exemplo, como foi que o regime de governo marxista de Angola derivou a maior parte de seu comércio exterior com as operações da Gulf Oil Corporation extraindo petróleo em sua costa? Por que <strong>Andrew Young</strong> insistiu que <em>«o comunismo nunca foi uma ameaça aos negros na África?»</em> Por que os EUA encaminharam bilhões de dólares em ajuda tecnológica à União Soviética e à China Comunista? Por que os EUA aparentemente ajudaram seu inimigos, ao mesmo tempo que castigaram seus amigos?</p>
<p>Uma questão similar e que causa perplexidade é feita por milhões de americanos hoje: Por que o governo gasta trilhões na &#8220;Guerra ao Terrorismo&#8221; em todo o mundo e continua a ignorar a fronteira com o México e as dezenas de milhares de imigrantes ilegais que entram livremente nos EUA a cada mês?</p>
<p>Estas perguntas, e centenas de outras similares, não podem ser explicadas de qualquer outro modo: o Poder Executivo dos EUA (e suas agências relacionadas) não era antimarxista ou anticomunista — ele era, e é, na verdade, pró-marxista. Aqueles ideais que levaram aos horrendos abusos de Adolf Hitler, Lenin, Stalin e Mussolini estavam agora sendo aceitos como inevitáveis e necessários pelos nossos líderes eleitos e indicados.</p>
<p>Isto dificilmente sugere o Grande Sonho Americano. É muito duvidoso que o povo americano concorde com <strong>Brzezinski</strong> ou com a Comissão Trilateral. É o público americano que está pagando o preço, sofrendo as conseqüências, mas sem compreender a verdadeira natureza da situação.</p>
<p>Entretanto, essa natureza não era desconhecida, ou impossível de ser conhecida. O senador Barry Goldwater (Republicano do Arizona) fez uma clara e precisa advertência em seu livro «With no Apologies», publicado em 1979:</p>
<blockquote><p><em>«A Comissão Trilateral é internacional e destina-se a ser o veículo para a consolidação multinacional dos interesses bancários e comerciais tomando o controle do governo político dos Estados Unidos. A Comissão Trilateral representa um esforço engenhoso e coordenado para tomar o controle e consolidar os quatro centros do poder – político, monetário, intelectual e eclesiástico.»</em> [16]</p></blockquote>
<p>Infelizmente, poucos deram ouvidos, e menos ainda compreenderam.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2 style="text-align: left;" align="center">Siga o Dinheiro, Siga o Poder</h2>
<p>Qual era a natureza econômica da força propulsora dentro da Comissão Trilateral? As grandes empresas multinacionais — aquelas com representação na Trilateral — que consistentemente se beneficiavam com as políticas e ações da Comissão. Acadêmicos elegantes como <strong>Brzezinski, Gardner, Allison, McCracken, Henry Owen</strong>, etc., serviam somente para dar uma justificativa &#8220;filosófica&#8221; à exploração do mundo.</p>
<p>Não subestime o poder ou a distância que eles já tinham percorrido até 1976. A base econômica deles já estava estabelecida. Gigantes como Coca-Cola, IBM, CBS, Caterpillar Tractor, Bank of America, Chase Manhattan Bank, Deere &amp; Company, Exxon, e outros virtualmente fazem aquilo que resta das empresas americanas parecerem anões. Por exemplo, somente o valor de mercado da IBM era maior do que todas as ações na Bolsa de Valores. O banco Chase Manhattan tinha cerca de 50 mil agências ou correspondentes bancários em todo o mundo. Tudo que chega aos nossos olhos e ouvidos é rigidamente controlado pela CBS, pelo jornal <em>The New York Times</em>, pela revista <em>Time</em>, etc.</p>
<p>A coisa mais importante de todas é lembrar que o golpe de misericórdia político precedeu o econômico. O domínio do Poder Executivo do governo americano forneceu toda a alavancagem política necessária para enviesar as políticas econômicas globais e dos EUA para o próprio benefício deles.</p>
<p>Por volta de 1977, a Comissão Trilateral tinha notavelmente se tornado especialista em usar as crises (e criá-las, em alguns casos) para trazer os países para dentro da Nova Ordem Internacional; porém eles encontraram reações adversas ameaçadoras a partir dessas mesmas crises.</p>
<p>No fim, a maior crise de todas foi a do estilo de vida americano. O povo nunca esperou que esses grupos poderosos e influentes trabalhassem contra a Constituição e as liberdades, inadvertida ou propositadamente, e agora, os princípios que ajudaram a construir este grande país estão praticamente reduzidos ao som de murmúrios incompreensíveis.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2 style="text-align: left;" align="center">O Entrincheiramento da Trilateral: 1980-2007</h2>
<p>(Da esquerda para a direita: Peter Sutherland, Sadako Ogata, Zgibniew Brzezinski, Paul Volcker, David Rockefeller. Vigésimo quinto aniversário, Nova York, 1/12/1998. Fonte: Comissão Trilateral)</p>
<p>Teria sido danoso o suficiente se o domínio do governo <strong>Carter</strong> pela Trilateral fosse uma mera anomalia que ocorreu uma única vez, mas não! As eleições presidenciais subseqüentes trouxeram <strong>George H. W. Bush</strong> (vice do presidente Reagan), <strong>William Jefferson Clinton, Albert Gore</strong> e <strong>Richard Cheney</strong> (vice de George W. Bush) ao poder. Portanto, toda administração, desde o governo <strong>Carter</strong>, teve representantes de alto nível da Comissão Trilateral na presidência, vice-presidência, ou até mesmo em ambas!</p>
<p>É importante observar que o domínio da Trilateral transcende os partidos políticos: eles dominaram ambos os partidos Democrata e Republicano com igual desenvoltura.</p>
<p>Além disso, o governo que antecedeu <strong>Carter</strong> também foi muito amigável e útil para a doutrina da Trilateral: O presidente Gerald Ford assumiu o governo após a renúncia de Richard Nixon e então indicou Nelson Rockefeller como seu vice-presidente. Nem Ford nem Rockefeller eram membros da Comissão Trilateral, porém Nelson era irmão de <strong>David Rockefeller</strong> e isso já diz tudo. De acordo com as memórias de Nelson Rockefeller, ele originalmente apresentou o então governador <strong>Jimmy Carter</strong> a <strong>David</strong> e a <strong>Brzezinski</strong>.</p>
<p>Como a Comissão Trilateral efetivou seu objetivo de criar uma Nova Ordem Internacional ou uma Nova Ordem Econômica Internacional? Os membros da Comissão foram colocados no comando das instituições de comércio global, sistema bancário internacional e política externa.</p>
<p>Por exemplo, o Banco Mundial é um dos mecanismos mais críticos no motor da globalização. [17] Desde a fundação da Comissão Trilateral em 1973, o Banco Mundial teve somente sete presidentes, todos os quais foram indicados pelo presidente dos EUA. Desses sete, seis vieram das fileiras da Comissão Trilateral!</p>
<blockquote>
<ul>
<li><strong>Robert McNamara</strong> (1968-1981)</li>
<li><strong>A. W. Clausen</strong> (1981-1986)</li>
<li><strong>Barber Conable</strong> (1986-1991)</li>
<li>Lewis Preston (1991-1995)</li>
<li><strong>James Wolfenson</strong> (1995-2005)</li>
<li><strong>Paul Wolfowitz</strong> (2005-2007)</li>
<li><strong>Robert Zoellick</strong> (2007 até o presente)</li>
</ul>
</blockquote>
<p>Outra boa evidência de domínio é o cargo de Representante Comercial dos EUA (USTR), que está criticamente envolvido na negociação dos muitos tratados de comércio e acordos internacionais que são necessários para criar a Nova Ordem Econômica Internacional. Desde 1977, foram dez os Representantes Comerciais indicados pelo presidente. Oito deles eram membros da Comissão Trilateral:</p>
<blockquote>
<ul>
<li><strong>Robert S. Strauss</strong> (1977-1979)</li>
<li><strong>Reubin O&#8217; D. Askew</strong> (1979-1981)</li>
<li><strong>William E. Brock III</strong> (1981-1985)</li>
<li>Clayton K. Yeutter (1985-1989)</li>
<li><strong>Carla A. Hills</strong> (1989-1993)</li>
<li><strong>Mickey Kantor</strong> (1993-1997)</li>
<li><strong>Charlene Barshefsky</strong> (1997-2001)</li>
<li><strong>Robert Zoellick</strong> (2001-2005)</li>
<li>Rob Portman (2005-2006)</li>
<li><strong>Susan Schwab</strong> (2006-presente)</li>
</ul>
</blockquote>
<p>Isto não quer dizer que Clayton Yeutter e Rob Portman não fossem simpáticos aos objetivos da Trilateral, porque eles certamente eram.</p>
<p>O cargo de gabinete de Secretário de Estado também já viu sua porção de membros da Comissão Trilateral:</p>
<blockquote><p><strong>Henry Kissinger</strong> (administrações Nixon e Ford), <strong>Cyrus Vance</strong> (<strong>Carter</strong>), <strong>Alexander Haig</strong> (Reagan), <strong>George Shultz</strong> (Reagan), <strong>Lawrence Eagleburger</strong> (<strong>George H. W. Bush</strong>), <strong>Warren Christopher</strong> (<strong>Clinton</strong>) e <strong>Madeleine Albright</strong> (<strong>Clinton</strong>). Houve também alguns Secretários de Estado em exercício que também vale a pena citar: <strong>Philip Habib</strong> (governo <strong>Carter</strong>), <strong>Michael Armacost</strong> (governo <strong>George H. W. Bush</strong>), <strong>Arnold Kantor</strong> (governo <strong>Clinton</strong>), <strong>Richard Cooper</strong> (<strong>Clinton</strong>).</p></blockquote>
<p>Finalmente, deve ser observado que a Reserva Federal também tem sido dominada pela Comissão Trilateral: <strong>Arthur Burns</strong> (1970-1978), <strong>Paul Volcker</strong> (1979-1987), <strong>Alan Greenspan</strong> (1987-2006). Embora a Reserva Federal seja uma empresa privada, o presidente dos EUA &#8220;escolhe&#8221; o presidente para um mandato perpétuo. O atual presidente da Reserva Federal, Ben Bernanke, não é membro da Comissão Trilateral, mas está claramente seguindo as mesmas políticas globalistas que seus predecessores.</p>
<p>O ponto levantado aqui é que o domínio da Comissão Trilateral sobre o Poder Executivo do governo dos EUA não somente continuou, mas foi fortalecido desde 1976 até o presente. O padrão tem sido deliberado e persistente: Indicar membros da Comissão Trilateral para posições críticas de poder para que eles possam então implementar as políticas da Comissão.</p>
<p>A questão é a seguinte: Essas políticas se originam no consenso obtido nos encontros da Comissão Trilateral onde dois terços dos membros não são cidadãos dos EUA? A resposta é bastante óbvia.</p>
<p>Aqueles que defendem e são simpáticos à Trilateral tentam rebater as críticas sugerindo que a participação como membros da Comissão Trilateral é incidental e que isto apenas demonstra a alta qualificação dos indicados para os cargos. Devemos acreditar que em um país de 300 milhões de habitantes somente esses 100 indivíduos são qualificados o suficiente para ocupar esses cargos críticos? Novamente, a resposta é óbvia demais.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2 style="text-align: left;" align="center">Onde se Encaixa o Conselho das Relações Internacionais?</h2>
<p>Embora virtualmente todos os membros da Comissão Trilateral provenientes da América do Norte também sejam membros do CRF, o inverso certamente não é verdadeiro. É fácil criticar o CFR porque parece que a maioria de seus membros preenche as demais posições do governo ainda não preenchidas pelos membros da Trilateral.</p>
<p>A estrutura de poder do Conselho é visto na constituição de sua junta de diretores. Pelo menos 44% (12 de um total de 27) são membros da Comissão! Se a participação de diretores refletisse somente os membros gerais do CRF, então somente 3 a 4% da junta seria formada por Trilateralistas. [18]</p>
<p>Além disso, o presidente do CFR é <strong>Richard N. Haas</strong>, um membro muito proeminente da Comissão Trilateral que também serviu como Diretor de Planejamento da Política para o Departamento de Estado, de 2001-2003.</p>
<p>A influência da Trilateral pode ser vista facilmente em trabalhos sobre política produzidos pelo CFR em suporte aos objetivos da Comissão Trilateral.</p>
<p>Por exemplo, o relatório da força-tarefa de 2005 do CFR sobre o Futuro da América do Norte foi talvez a maior declaração de política da Trilateral sobre a objetivada criação da União da América do Norte. O vice-presidente da força-tarefa foi o Dr. Robert A. Pastor, que emergiu como o &#8220;Pai da União da América do Norte&#8221; e está diretamente envolvido nas operações da Trilateral desde os anos 1970. Embora o CFR afirmasse que a força-tarefa era &#8220;independente&#8221;, uma inspeção cuidadosa dos indicados revela que três trilateralistas foram cuidadosamente escolhidos para supervisionar a posição da Trilateral, um do México, outro do Canadá e outro dos EUA: <strong>Luis Rubio, Wendy K. Dobson</strong> e <strong>Carla A. Hills</strong>, respectivamente. [19] <strong>Carla Hills</strong> é normalmente saudada como a principal arquiteta do NAFTA (Acordo de Livre Comércio da América do Norte), que foi negociado em 1992 durante a administração do presidente <strong>George H. W. Bush</strong>.</p>
<p style="text-align: left;">A conclusão é que o Conselho das Relações Internacionais, totalmente dominado por membros da Comissão Trilateral, serve aos interesses desta, e não o contrário!</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2 style="text-align: left;" align="center">A Globalização Trilateral na Europa</h2>
<p>Até aqui, o conteúdo deste trabalho de pesquisa sugeriu que existem vínculos entre a Comissão Trilateral e o governo dos EUA. Isso não quer dizer que os membros da Trilateral não estejam também ativos em outros países. Lembrando os primeiros anos da Comissão, David Rockefeller escreveu em 1998:</p>
<p>&#8220;No início dos anos 1970, a esperança por uma EUROPA mais unida já tinha florescido plenamente — graças, de muitas formas, aos esforços individuais realizados por muitos dos membros mais antigos da Comissão Trilateral.&#8221; [maiúsculas no original] [20]</p>
<p>Assim, desde 1973, e em paralelo com a hegemonia nos EUA, os membros europeus da Comissão Trilateral estavam atarefados com a criação da União Européia. Na verdade, a Constituição da UE foi escrita por um membro da Comissão, <strong>Valéry Giscard d&#8217;Estaing</strong>, entre 2002 e 2003, quando ele era presidente da Convenção para o Futuro da Europa. [Para maiores informações sobre a UE, leia os artigos <a href="http://www.augustreview.com/news_commentary/european_union/european_union:_dictatorship_rising?_2007062868/" target="_blank">European Union: Dictatorship Rising?</a> e <a href="http://www.augustreview.com/issues/regionalization/the_globalization_strategy:_america_and_europe_in_the_crucible_200604072/" target="_blank">The Globalization Strategy: America and Europe in the Crucible</a>]</p>
<p>Os passos que levaram à criação da União Européia são, sem qualquer surpresa, similares aos passos que estão sendo dados hoje para criar a União da América do Norte. Exatamente como ocorreu com a UE, mentiras, engano e confusão são os principais instrumentos usados para manter os cidadãos incautos no escuro, ao mesmo tempo que os membros da Comissão Trilateral avançam continuamente sem terem recebido um mandato popular, sem prestar contas e sem receber supervisão de ninguém. [Leia os artigos <a href="http://www.augustreview.com/issues/regionalization/the_globalization_strategy:_america_and_europe_in_the_crucible_200604072/" target="_blank">The Globalization Strategy: America and Europe in the Crucible</a> e <a href="http://www.augustreview.com/issues/regionalization/toward_a_north_american_union_200608181/" target="_blank">Toward a North American Union</a>]</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2 style="text-align: left;" align="center">Conclusão</h2>
<p>É claro que o Poder Executivo dos EUA foi literalmente seqüestrado em 1976 pelos membros da Comissão Trilateral, com a eleição do presidente <strong>Jimmy Carter</strong> e do vice-presidente <strong>Walter Mondale</strong>. Esse domínio quase absoluto, especialmente nas áreas do comércio, sistema financeiro, economia e política externa, continuou sem ser questionado ou anulado até o presente.</p>
<p>Os lucros continuam a se acumular para os interesses associados com a Comissão Trilateral, mas o efeito da &#8220;Nova Ordem Econômica Internacional&#8221; deles sobre os EUA está sendo devastador. [Veja uma análise mais detalhada em <a href="http://www.augustreview.com/issues/globalization/america_plundered_by_the_global_elite_2005051812/" target="_blank">America Plundered by the Global Elite</a>.]</p>
<p>Os fundamentos filosóficos da Comissão Trilateral são pró-marxistas e pró-socialistas. Eles estão firmemente posicionados contra o conceito de nação-Estado e, em particular, contra a Constituição dos EUA. Assim, a soberania nacional precisará ser diminuída e depois abolida totalmente, de modo a abrir o caminho para a Nova Ordem Mundial que será governada por uma elite global não-eleita com sua própria estrutura jurídica que será estabelecida.</p>
<p>Se você está tendo sentimentos negativos contra a globalização no estilo da Trilateral, não está sozinho. Uma pesquisa de opinião realizada em 2007 pelo Financial Times/Harris revelou que menos de 20% da população em seis países industrializados (incluindo os EUA) acreditam que a globalização seja boa para seu país, enquanto mais de 50% são radicalmente negativos com relação a ela. [21] [Veja <a href="http://www.augustreview.com/news_commentary/north_american_union/global_backlash_against_globalization?_2007072672/" target="_blank">Global Backlash Against Globalization?</a>] Embora os cidadãos de todo o mundo estejam sentindo as dores causadas pela globalização, poucos compreendem por que isto está acontecendo e, portanto, eles não têm uma estratégia eficaz para enfrentá-la.</p>
<p>O público americano nunca imaginou que essas forças se alinhariam com sucesso contra as liberdades. Todavia, a evidência é clara: O volante de direção da América há muito tempo caiu nas mãos de um inimigo hostil que deseja remover todos os vestígios de tudo aquilo que fez esta ser a maior nação na história da humanidade.</p>
<p>[Para saber mais, leia também: "A Comissão Trilateral", em</p>
<p><a href="http://www.midiasemmascara.com.br/artigo.php?sid=5173" target="_blank">http://www.midiasemmascara.com.br/artigo.php?sid=5173</a>]</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2 style="text-align: left;" align="center">Notas Finais</h2>
<p><strong></strong>Para facilitar a leitura, os nomes dos membros da Comissão Trilateral aparecem em negrito.</p>
<p>1.     Rockefeller, David, <em>Memoirs</em> (Random House, 2002), pág. 418.</p>
<p>2.     <em>Trialogue</em>, Comissão Trilateral (1973).</p>
<p>3.     <em>Time Magazine</em>, &#8220;Jimmy Carter: Man of the Year&#8221;, 7 de janeiro de 1977.</p>
<p>4.     Sutton &amp; Wood, <em>Trilaterals Over Washington</em> (1979), pág. 7.</p>
<p>5.     <em>New York Times</em>, Jimmy Carter, Leslie Gelb, 23 de maio de 1976.</p>
<p>6.     Ibidem.</p>
<p>7.     <em>Trialogue</em>, &#8220;Looking Back… And Forward&#8221;, Comissão Trilateral, 1976.</p>
<p>8.     Ibidem.</p>
<p>9.     Sutton &amp; Wood, <em>Trilaterals Over Washington</em> (1979), pág. 4.</p>
<p>10. Ibidem pág. 5.</p>
<p>11. Brzezinski, Zbigniew, <em>Between Two Ages: America’s Role in the Technetronic Era</em> (New York: Viking Press, 1973), pág. 246.</p>
<p>12. Ibidem.</p>
<p>13. Ibidem.</p>
<p>14. Ibidem.</p>
<p>15. Gardner, Richard, <em>The Hard Road to World Order</em>, (Foreign Affairs, 1974) pág. 558.</p>
<p>16. Goldwater, Barry, <em>With No Apologies</em>, (Morrow, 1979), pág. 280.</p>
<p>17. &#8220;O Sistema Financeiro Global: O Banco Mundial&#8221;, Patrick Wood, artigo disponível na área restrita da Espada do Espírito.</p>
<p>18. Diretoria, sítio do Conselho das Relações Internacionais na Internet.</p>
<p>19. &#8220;Building a North American Community&#8221;, Conselho das Relações Internacionais, 2005.</p>
<p>20. Rockefeller, David, &#8220;In the Beginning… The Trilateral Commission at 25&#8243;, 1998, pág. 11.</p>
<p>21. Pesquisa de opinião do FT/Harris sobre a globalização, sítio www.FT.com.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo.png"><img class="aligncenter size-medium wp-image-10922" title="div-novo" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo-300x13.png" alt="" width="300" height="13" /></a></p>
<p><strong>Créditos: </strong></p>
<p><strong>Título original do artigo:</strong> <strong><span style="color: #000080;">«A Comissão Trilateral: Usurpando a Soberania das Nações»</span>.<br />
</strong></p>
<p><strong>Autor/fonte:</strong> Patrick M. Wood (The August Review), em <a href="http://www.augustreview.com/" target="_blank">http://www.augustreview.com/</a></p>
<p>Revisão: <a href="http://www.textoexato.com/" target="_blank">http://www.TextoExato.com</a></p>
<p style="text-align: left;" align="center"><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2009/11/Amazonia-e-olho-pequeno.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-1910" title="Amazonia-e-olho-pequeno" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2009/11/Amazonia-e-olho-pequeno.jpg" alt="" width="45" height="29" /></a><strong>Artigo patrocinado/publicado (data da publicação: 12/3/2008) por:</strong> <strong>L. O. G. — Curitiba / PR</strong> &#8211; <strong><span style="text-decoration: underline;">A Espada do Espírito</span></strong></p>
<p style="text-align: left;" align="center"><a href="http://www.espada.eti.br/outros.htm">http://www.espada.eti.br/outros.htm</a></p>
<p style="text-align: left;" align="center"><strong>Imagens:</strong> <a href="http://turrican2.blogspot.com/">http://turrican2.blogspot.com</a></p>
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		</item>
		<item>
		<title>&#8220;Neoconservadores&#8221;, Irã e Copa do Mundo</title>
		<link>http://blogdoambientalismo.com/neoconservadores-ira-e-copa-do-mundo/</link>
		<comments>http://blogdoambientalismo.com/neoconservadores-ira-e-copa-do-mundo/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 21 Nov 2011 16:27:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
				<category><![CDATA[Governo mundial]]></category>
		<category><![CDATA[Crise global]]></category>
		<category><![CDATA[Energia nuclear]]></category>
		<category><![CDATA[Globalização]]></category>
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		<category><![CDATA[Oligarquias internacionais]]></category>
		<category><![CDATA[Oriente Médio]]></category>
		<category><![CDATA[Política internacional]]></category>
		<category><![CDATA[Revolta no mundo árabe]]></category>
		<category><![CDATA[Terrorismo]]></category>

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		<description><![CDATA[A investida do governo do presidente Barack Obama contra o Irã colocou em destaque as tentativas realizadas pelo poderoso grupo político estadunidense conhecido como os "neoconservadores", para envolver os países ibero-americanos, do México à Argentina, em suas manobras de inteligência visando à reativação da "guerra ao terror" na região. Uma evidência disto é a entrevista de um de seus ícones diplomáticos, Roger Noriega, à revista Veja, publicada na edição de 9 de novembro, na qual adverte o Brasil e a Argentina de que ambos os países estão diante do perigo "real e iminente" de sofrer atentados terroristas por organizações aliadas ao Irã que atuam na região.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>A investida do governo do presidente Barack Obama contra o Irã colocou em destaque as tentativas realizadas pelo poderoso grupo político estadunidense conhecido como os &#8220;neoconservadores&#8221;, para envolver os países ibero-americanos, do México à Argentina, em suas manobras de inteligência visando à reativação da &#8220;guerra ao terror&#8221; na região. Uma evidência disto é a entrevista de um de seus ícones diplomáticos, Roger Noriega, à revista <em>Veja</em>, publicada na edição de 9 de novembro, na qual adverte o Brasil e a Argentina de que ambos os países estão diante do perigo &#8220;real e iminente&#8221; de sofrer atentados terroristas por organizações aliadas ao Irã que atuam na região.</strong></p>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/11/guerra-ira.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-11899" title="guerra-ira" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/11/guerra-ira-300x198.jpg" alt="" width="300" height="198" /></a></p>
<h2>Riscos para o Brasil</h2>
<p><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/11/Roger-Noriega.png"><img class="alignleft size-medium wp-image-11901" title="Roger-Noriega" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/11/Roger-Noriega-220x300.png" alt="" width="220" height="300" /></a>Noriega, que atualmente é <em>senior fellow</em> no American Enterprise Institute (AEI), um dos principais centros de articulação dos &#8220;neoconservadores&#8221; e baluartes do &#8220;excepcionalismo americano&#8221;, é um veterano formulador de políticas para o Hemisfério Ocidental, tendo sido secretário de Estado Assistente para a região, no governo de George W. Bush, entre 2003 e 2005.</p>
<p>Para ele, os riscos maiores deverão se manifestar em torno da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016. Portanto, transmitiu seu recado ao Brasil:</p>
<blockquote><p><strong><span style="color: #ff0000;"><em>«Dentro em breve, o pais será palco da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos. Obviamente, isso transforma o Brasil em alvo tentador. É um erro subestimar este fato. A presença de redes terroristas em território brasileiro obriga as autoridades responsáveis pela segurança a aumentar sua atenção. O Brasil, ou qualquer outra nação, não está imune a atentados. A comunidade internacional deu um voto de confiança ao Brasil e espera que o país não falhe em garantir a integridade fisica dos atletas&#8230; Rezo para que as autridades brasileiras deixem de cometer o erro de ignorar o terrorismo. O risco para o país é real e iminente.»</em></span></strong></p></blockquote>
<h2>A &#8220;tríplice fronteira&#8221;&#8230;</h2>
<p>Durante a presidência de George W. Bush, Noriega e seus camaradas &#8220;neocons&#8221; fizeram numerosas advertências sobre a presença de redes de apoio logístico ao terrorismo islâmico na região da Tríplice Fronteira. De acordo com ele, o Hisbolá opera na região desde a década de 1980, tendo multiplicado as suas atividades recentemente. Tais versões nunca foram confirmadas oficialmente pelo próprio governo estadunidense, sempre que este foi instado pelo Brasil a apresentar as evidênacias comprobatórias das denúncias.</p>
<p>Quanto à Argentina, o alvo da investida de Noriega foi o recentemente revivido programa nuclear do país:</p>
<blockquote><p><em>«Mas, francamente, algumas operações do governo argentino com o Irã são muito suspeitas. A principal delas é o acordo de cooperação na área nuclear assinado entre os dois países. Espero que a descoberta pela DEA </em>[Drug Enforcement Agency]<em>, de que poderia haver também outro ataque em Buenos Aires, coloque a Casa Rosada em alerta.»</em></p></blockquote>
<p>Além do ataque leviano à política nuclear argentina, ele também se lançou contra o Equador e a Bolívia:</p>
<blockquote><p><em>«Tanto a Bolívia quanto o Equador estão permitindo que o Irã realize movimentações supostamente comerciais em seus territórios. A mais preocupante delas é a exploração de minérios estratégicos como o urânio.»</em></p></blockquote>
<p>O fato de não haver nos dois países qualquer projeto de exploração de urânio envolvendo o Irã, apenas uma declaração de intenções junto à Bolívia, não parece ter sido obstáculo para as diatribes de Noriega.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Neoconservadores atacam novamente</h2>
<p>A entrevista de Noriega é um indicador da recente reativação das redes &#8220;neoconservadoras&#8221;, que têm ganho força política na administração de Obama, embora ainda estejam longe da influência hegemônica que dispunham na de seu antecessor.</p>
<p>Outra manifestação dela foi o anúncio, em outubro, do suposto complô iraniano para assassinar o embaixador saudita em Washington, com o apoio de narcotraficantes mexicanos. A trama, ainda sem comprovação, proporcionou um pretexto para a escalada de pressões contra o Irã. O governo do México, subjugado pelas manobras das agências de inteligência estadunidenses, em função dos acordos de cooperação contra o narcotráfico, acatou a versão, sem tampouco dar explicações convincentes.</p>
<p>Curiosamente, uma semana antes do comunicado oficial sobre a suposta trama, o sítio do AEI publicou uma investigação assinada por Noriega e José R. Cárdenas, intitulado «A Crescente Ameaça do Hisbolá na América Latina». As &#8220;novidades&#8221; mais relevantes apresentadas foram a descoberta de vínculos do terrorismo islâmico com os cartéis de drogas, o interesse iraniano pelos minérios nucleares sul-americanos e a proximidade da Copa do Mundo.</p>
<p>Na entrevista à <em>Veja</em>, Noriega explicitou os vínculos dos &#8220;neoconservadores&#8221; com a inteligência antidrogas:</p>
<blockquote><p><em>«Em paralelo com o nosso trabalho, que tornou pública a presença do Irã e do Hisbolá no México, a DEA já vinha investigando as ligações entre extremistas islâmicos. E eu acho que isso foi uma sorte, porque os integrantes da DEA estão acostumados a pensar além do que diz o manual.»</em></p></blockquote>
<p style="text-align: right;" align="right"><span style="color: #ff6600;"><strong><em>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</em></strong></span></p>
<p><strong> <a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo.png"><img class="aligncenter size-medium wp-image-10922" title="div-novo" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo-300x13.png" alt="" width="300" height="13" /></a></strong></p>
<p><strong>Créditos </strong>➞<strong> </strong>este post é matéria apresentada no Boletim Eletrônico <strong><em>MSIa INFORMA</em></strong>, do <strong><em>MSIa –</em></strong><em> <strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em>, Vol. III, N<sup>o</sup> 27, de 18 de novembro de 2011. Introduzi subtítulos no texto para facilitar e incentivar a leitura.</p>
<p><strong><em>MSIa INFORMA</em></strong><strong> </strong>➞<strong> </strong>é uma publicação do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa). Conselho Editorial: Angel Palacios, Geraldo Luís Lino, Lorenzo Carrasco (Presidente), Marivilia Carrasco e Silvia Palacios. Endereço: Rua México, 31 &#8211; sala 202 &#8211; Rio de Janeiro (RJ) &#8211; CEP 20031-144; Telefax: 0xx 21-2532-4086.</p>
<p><strong>Para saber mais sobre o tema </strong>➞<strong> </strong>visitar os sites da MSIa/Capax Dei:<strong> </strong><a href="http://www.alerta.inf.br/">http://www.alerta.inf.br/</a> e <a href="http://www.msia.org.br/">http://www.msia.org.br/</a>.</p>
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<p><strong><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-0aMicro.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-9609" title="harpia-0aMicro" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/06/harpia-0aMicro.jpg" alt="" width="50" height="64" /></a>Imagens</strong> ➞ <a href="http://elcinho.com/">http://elcinho.com</a> ; <a href="http://www.thaisagalvao.com.br/">http://www.thaisagalvao.com.br</a></p>
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		<title>Europa cria &#8220;Politburo financeiro&#8221; para apaziguar rentistas</title>
		<link>http://blogdoambientalismo.com/europa-cria-politburo-financeiro-para-apaziguar-rentistas/</link>
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		<pubDate>Mon, 21 Nov 2011 16:11:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Husc</dc:creator>
				<category><![CDATA[Governo mundial]]></category>
		<category><![CDATA[Crise global]]></category>
		<category><![CDATA[Globalização]]></category>
		<category><![CDATA[Mudanças de paradigmas]]></category>
		<category><![CDATA[Nova ordem mundial]]></category>
		<category><![CDATA[Oligarquias internacionais]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedades secretas]]></category>

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		<description><![CDATA[Embora alguns de seus membros estejam ferrenhamente empenhados em levar a "democracia" a países como a Líbia, a União Europeia (UE) parece não ter o mesmo apreço pelo conceito internamente. Pelo menos se a sua aplicação implicar em conflitos de interesses com a alta finança global, engajada a todo custo na preservação do sistema financeiro internacional em sua presente forma.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp"><img class="aligncenter size-full wp-image-10770" title="msiA iNFORMA" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/08/msiA-iNFORMA.bmp" alt="" width="235" height="49" /></a></strong></p>
<p><strong>Embora alguns de seus membros estejam ferrenhamente empenhados em levar a &#8220;democracia&#8221; a países como a Líbia, a União Europeia (UE) parece não ter o mesmo apreço pelo conceito – internamente – pelo menos, caso sua aplicação acarrete conflitos de interesses com a alta finança global, engajada a todo custo na preservação do sistema financeiro internacional em sua presente forma.</strong></p>
<h2><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/11/referendo.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-11903" title="referendo" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/11/referendo-300x246.jpg" alt="" width="300" height="246" /></a> Referendo não interessa</h2>
<p>Tal constatação ficou evidenciada com a histérica reação ao referendo pretendido pelo então premier grego Georgios Papandreou para o pacote de resgate financeiro de seu país, que acabou forçando-o à renúncia. Poucos dias depois, Papandreou seria seguido por seu colega italiano Silvio Berlusconi, que teve que deixar o cargo mesmo após o Parlamento ter aprovado mais um plano de austeridade proposto por ele, em um esforço para deter a rápida deterioração da &#8220;confiança&#8221; dos mercados financeiros nos títulos da dívida do país.</p>
<p>Falando sobre o desfecho da crise política italiana, em Roma, o presidente do Conselho Europeu, Herman van Rompuy, sintetizou o que ele e seus pares pensam sobre a situação:</p>
<blockquote><p><em>«O país necessita de reformas, não de eleições.»</em> (<em>AFP</em>, 11/11/2011)</p></blockquote>
<h2>Trilateral e Bilderberg na área</h2>
<p>E quem precisa de eleições e de políticos, quando as decisões relevantes sobre a política econômica e financeira estão sendo tomadas por tecnocratas? Não por acaso, Papandreou e Berlusconi foram substituídos por dois supertecnocratas vinculados aos mais altos círculos decisórios do <em>establishment</em> globalista.</p>
<p><span style="color: #ff0000;"><strong>O premier grego cedeu o posto a Lucas Papademos, ex-presidente do Banco Central grego, ex-vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE) e <span style="text-decoration: underline;">membro da poderosa Comissão Trilateral de David Rockefeller</span>. Papademos presidiu o banco central por ocasião do ingresso da Grécia na zona do euro e estava no BCE por ocasião das maquiagens contábeis sugeridas ao governo grego pelo banco <span style="text-decoration: underline;">Goldman Sachs</span>, sendo, portanto, co-responsável pelo desastre financeiro que se abateu sobre o país.</strong></span></p>
<p><span style="color: #ff0000;"><strong>Berlusconi foi substituído por Mario Monti, um diligente eurocrata que tem em seu brilhante currículo vínculos com o <span style="text-decoration: underline;">Goldman Sachs</span> e integra tanto a <span style="text-decoration: underline;">Trilateral</span> como o ainda mais influente <span style="text-decoration: underline;">Grupo Bilderberg</span>.</strong></span></p>
<p>Em sua coluna de 16 de novembro, o correspondente do <em>Asia Times Online</em>, Pepe Escobar, coloca o dedo na ferida:</p>
<blockquote><p><em>«Não interessa o quanto os &#8220;fundamentos&#8221; da Itália sejam excelentes – inclusive altos níveis de poupana privada, baixo endividamento privado, um sistema bancário estável e superávit comercial em manufaturas. Do grego ao latim, o problema com a Grécia e a Itália não tem nada a ver com a alegada disfuncionalidade da periferia da UE. <strong>A questão é o excesso de capitalismo de cassino – capital financeiro operando em total desregulamentação</strong>. Daí a proeminência deste personagem polido e sombrio – o tecnocrata da modernidade líquida – avesso à democracia, mas suficientemente adepto da legitimidade para pedir a repressão popular, tudo em nome da satisfação do todo-poderoso deus financeiro.»</em></p></blockquote>
<h2><a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/11/sociedade-secreta.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-11906" title="sociedade-secreta" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/11/sociedade-secreta-300x224.jpg" alt="" width="300" height="224" /></a>Um novo grupo &#8220;secreto&#8221;?</h2>
<p>Para não deixar dúvidas quanto à primazia das finanças sobre a política, a UE criou o seu &#8220;Politburo financeiro&#8221; (usando as palavras de Escobar), que vem funcionando como o poder de fato na determinação da política financeira do bloco. Formado em outubro último, com o aparentemente inocente nome Grupo de Frankfurt, o grupo se reuniu nada menos do que quatro vezes durante a recente cúpula do G-20 em Cannes e demonstrou a sua força nas palavras de um de seus integrantes:</p>
<blockquote><p><em>«Estamos a caminho de tirar Berlusconi.»</em> (<em>The Spectator</em>, 12/11/2011)</p></blockquote>
<h2>Os integrantes do novo &#8220;Politburo&#8221; europeu são:</h2>
<blockquote><p><span style="color: #000080;"><strong>♦ a chanceler alemã Angela Merkel;</strong></span></p>
<p><span style="color: #000080;"><strong>♦ o presidente francês Nicolas Sarkozy;</strong></span></p>
<p><span style="color: #000080;"><strong>♦ a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde;</strong></span></p>
<p><span style="color: #000080;"><strong>♦ o presidente do BCE, Mario Draghi (ex-vice-presidente do Goldman Sachs);</strong></span></p>
<p><span style="color: #000080;"><strong>♦ o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso;</strong></span></p>
<p><span style="color: #000080;"><strong>♦ o presidente do Conselho Europeu, Herman van Rompuy;</strong></span></p>
<p><span style="color: #000080;"><strong>♦ o Comissário Europeu para Assuntos Econômicos e Monetários, Olli Rehn; e</strong></span></p>
<p><span style="color: #000080;"><strong>♦ o presidente do Grupo de Ministros da Fazenda Europeus (Eurogrupo), Jean-Claude Juncker.</strong></span></p></blockquote>
<h2 style="text-align: left;" align="center">França, a bola da vez?</h2>
<p>Na semana passada, a agência de classificação de risco Standard &amp; Poor&#8217;s provocou um grande reboliço na França, ao anunciar, na quinta-feira 10 de novembro, o rebaixamento da classificação da dívida francesa. Embora a agência tenha se retratado pouco depois e atribuído a notícia a &#8220;um erro&#8221;, ela foi o suficiente para despertar as desconfianças quanto aos títulos gauleses e colocar o país na berlinda, como o possível próximo alvo dos &#8220;mercados&#8221;, após a Grécia e a Itália.</p>
<p>Apesar de a França ainda ostentar a cobiçada classificação &#8220;AAA&#8221; para os seus títulos, o fato é que os juros de 3,46% pagos sobre os seus bônus de 10 anos representam nada menos que o dobro dos da Alemanha, e o <em>spread </em>entre os títulos franceses e alemães – considerados os mais seguros da UE – é o mais alto da história.</p>
<p>Se a França for, realmente confirmada como a bola da vez, isto representará um duro castigo para Sarkozy, que, antes de assumir a presidência do G-20, foi um dos mais vocais e ativos propagandistas das reformas financeiras, tendo prometido usar a sua gestão à frente do grupo para promover a implementação delas. Uma vez no cargo, não somente se &#8220;esqueceu&#8221; do prometido, como também se alinhou com a agenda da preservação do <em>status</em> <em>quo </em>global a todo custo, inclusive, com ações bélicas como a investida contra a Líbia de Muamar Kadafi, que teve nele um entusiasmado líder.</p>
<p style="text-align: right;" align="right"><span style="color: #ff6600;"><strong><em>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</em></strong></span></p>
<p><strong> <a href="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo.png"><img class="aligncenter size-medium wp-image-10922" title="div-novo" src="http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/09/div-novo-300x13.png" alt="" width="300" height="13" /></a></strong></p>
<p><strong>Créditos </strong>➞<strong> </strong>este post é matéria apresentada no Boletim Eletrônico <strong><em>MSIa INFORMA</em></strong>, do <strong><em>MSIa –</em></strong><em> <strong>Movimento de Solidariedade Íbero-americana</strong></em>, Vol. III, N<sup>o</sup> 27, de 18 de novembro de 2011. Introduzi subtítulos e grifos no texto para facilitar e incentivar a leitura.</p>
<p><strong><em>MSIa INFORMA</em></strong><strong> </strong>➞<strong> </strong>é uma publicação do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa). Conselho Editorial: Angel Palacios, Geraldo Luís Lino, Lorenzo Carrasco (Presidente), Marivilia Carrasco e Silvia Palacios. Endereço: Rua México, 31 &#8211; sala 202 &#8211; Rio de Janeiro (RJ) &#8211; CEP 20031-144; Telefax: 0xx 21-2532-4086.</p>
<p><strong>Para saber mais sobre o tema </strong>➞<strong> </strong>visitar os sites da MSIa/Capax Dei:<strong> </strong><a href="http://www.alerta.inf.br/">http://www.alerta.inf.br/</a> e <a href="http://www.msia.org.br/">http://www.msia.org.br/</a>.</p>
<p><strong>Mensagens e sugestões </strong>➞<strong> </strong>favor enviar para msia@msia.org.br</p>
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