México: o imbróglio anglo-espanhol da Pemex

A decisão soberana da Argentina, de retomar o controle majoritário da empresa energética YPF, provocou uma inusitada reação do presidente mexicano Felipe Calderón, que deixou de lado toda a cautela diplomática, para se pronunciar a respeito. Disse ele: “Ninguém em seu juízo perfeito investe em países que expropriam investimentos.” Com isto, quis reafirmar que seu governo se mantém fiel aos acordos de estilo neocolonial estabelecidos com os interesses anglo-americanos e seus espadachins espanhóis, que cavalgam em vários campos mexicanos, do financeiro ao energético.

Degelo com Irã aquece ira de Israel e “neocons”

O desfecho da primeira rodada de negociações entre o grupo P5+1 e o Irã, em Istambul, em 13-14 de abril, abriu espaço para uma solução civilizada sobre contencioso em torno do polêmico programa nuclear do país e, ao mesmo tempo, proporcionou uma didática oportunidade para se vislumbrarem as diversas forças políticas envolvidas no imbróglio e suas agendas.

Brasil: nova ofensiva por direitos humanos e aborto

Não é a primeira vez que se exercem sobre o Brasil os mecanismos intervencionistas encastelados na Organização das Nações Unidas (ONU); o que parece novidade é o fato de a pressão ser exercida, simultaneamente, em dois campos aparentemente contraditórios: os direitos humanos, entendidos de uma maneira ad hoc, e a legalização do aborto.

Obama-Cameron: ocaso do “atlanticismo”

A recente cúpula entre o presidente Barack Obama e o premier David Cameron, em Washington, na semana passada, serviu para que os mandatários dos EUA e do Reino Unido reafirmassem ao mundo o entendimento sem igual que os dois países têm demonstrado, no cenário global, desde a II Guerra Mundial. Como especificou o fact sheet divulgado pela Casa Branca:
O presidente Obama e o primeiro-ministro Cameron reafirmaram o nosso compromisso mútuo com a melhoria das vidas dos povos mais pobres do mundo, por intermédio da Parceria EUA-Reino Unido para o Desenvolvimento Global. Com a Parceria, estamos trabalhando juntos para lograr melhores resultados: promovendo o avanço do crescimento econômico; prevenindo conflitos em Estados frágeis; melhorando a saúde global, particularmente, para moças e mulheres;… e mitigando os efeitos das mudanças climáticas. (…)

Putin e a “alucinogenia” do Departamento de Estado dos EUA

Definitivamente, a presença de Vladimir Putin na presidência da Federação Russa, nos próximos seis anos, foi recebida pelo establishment anglo-americano como uma clara sinalização de que a estratégia hegemônica do eixo Washington-Nova York-Londres terá um poderoso contraponto, mais que capaz de neutralizar muitas das suas diretrizes.

Dois príncipes na América do Sul

A presença simultânea de dois rebentos da família real britânica na América do Sul e, em especial, a festiva recepção conferida a um deles no Brasil, denotam o longo caminho que as lideranças brasileiras, diplomacia inclusive, têm a percorrer para inserir o País no posto de protagonista global ensejado pela sua crescente importância política e econômica.

Código Florestal: não se pode servir a dois senhores

A aprovação do projeto de reforma do Código Florestal na Câmara dos Deputados representou um passo crucial para que o Estado brasileiro possa recuperar plenamente a sua soberania em relação à determinação da política ambiental, no sentido de retirá-la das mãos do movimento ambientalista internacional e reinseri-la no marco dos interesses maiores da sociedade brasileira.

Movimento Gota d’Água: inocência ou má-fé?

Assisti ao Globo News em Pauta, nesta semana, onde um representante do Movimento Gota D’Água, um ilustre e desconhecido ator/diretor de cinema chamado Sergio Marone, se apresentou defendendo a paralisação da construção da usina hidrelétrica de Belo Monte. Fiquei abismado com o desconhecimento do assunto por parte do dito senhor. Ele disse não ser especialista no assunto – e isso só bastaria para ele se abster de tecer qualquer tipo de comentário sobre o tema.

FAO quer evitar “enclaves agrícolas”

A Agência das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) está promovendo negociações entre os 192 países membros da ONU, para limitar a compra de terras por estrangeiros em todo o mundo. A intenção é estabelecer um código de conduta capaz de regular tais investimentos, cuja redação se encontra em uma fase avançada de negociações, visando impedir a prática da aquisição em massa de terras estrangeiras por empresas de certos países, em detrimento da segurança alimentar destes últimos.

“Dentistas” e “doutores” polemizam sobre mudanças climáticas

Em qualquer discussão ou debate, quando um dos participantes recorre ao argumento da autoridade, seja hierárquica ou de qualificações acadêmicas, para tentar se impor aos opositores, a provável motivação de tal atitude é a falta de argumentos convincentes. Esta constatação, que todos já presenciaram em várias oportunidades, não tem estado ausente nos debates sobre as mudanças climáticas. De fato, é frequente entre os defensores da hipótese “antropogênica” do aquecimento global, que costumam recorrer ao argumento da autoridade em face da absoluta inexistência de evidências físicas que comprovem a sua hipótese.

O HSBC e a lavanderia de dinheiro “globalizada”

O fato de que o sistema bancário internacional se tornou “viciado” em operações de lavagem de dinheiro proveniente de atividades ilícitas não constitui nenhum segredo de Estado, tendo sido apontado por diversos órgãos internacionais. Em dezembro de 2009, o diretor-geral do Gabinete sobre Drogas e Crime das Nações Unidas (UNODC), Antonio Maria Costa, afirmou que o dinheiro do narcotráfico contribuiu consideravelmente para salvar os bancos da bancarrota, no auge da crise deflagrada pela quebra do Lehman Brothers, em setembro do ano anterior.

Síria: os limites da “guerra de recursos”

A despeito da histeria causada pelos vetos da Rússia e da China a uma nova resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre o conflito na Síria, eles deveriam ser esperados por qualquer observador minimamente atento do cenário global. De fato, a intervenção internacional na Líbia, encabeçada pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), que transformou a “zona de exclusão aérea” aprovada na Resolução 1973 do conselho em uma devastadora campanha de bombardeios aéreos, apenas os mais ingênuos – ou hipócritas – poderiam esperar atitudes diferentes das duas potências.

O que está por trás da crise na Hungria?

A declaração abaixo foi escrita pelo bispo auxiliar da arquidiocese de Esztergom/Budapest, monsenhor Janos Szekely, e divulgada em 13 de janeiro no jornal católico Magyar Kurír. O manifesto se refere aos recentes ataques desfechados contra o governo húngaro, após a reforma constitucional efetuada pelo país, que inclui dispositivos de defesa da família e da Igreja e limitadores da independência do Banco Central.

Guerra econômica e “terrorismo financeiro”

O rebaixamento da classificação dos títulos públicos da França, seguido de outros oito países europeus e do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF), pela agência Standard & Poor’s, não se baseou em qualquer fundamento econômico ou financeiro racional. Ao contrário, foi mais um episódio da feroz guerra intestina que se trava no contexto da crise sistêmica global, entre o eixo Wall Street-City de Londres e o bloco europeu, em torno de uma agenda mínima de re-regulamentação do sistema financeiro internacional.

Irã provoca luta faccional em Washington

O mundo continua refém de um cenário potencial de conflito de grandes proporções, na região do Oriente Médio e seu entorno. Entretanto, a temperatura e a concentração de vapores explosivos na atmosfera diminuíram um pouco, tanto por conta de iniciativas da cúpula político-estratégica dos EUA, como de certos posicionamentos de protagonistas como a Rússia e a União Europeia (UE).

“A floresta da mãe Joana”: urge uma contraofensiva diplomático-ambiental

Por encomenda da revista Veja, uma pesquisa internacional sobre a imagem do Brasil no exterior revelou a eficiência da campanha de mais de duas décadas do movimento ambientalista-indigenista, para colocar o País como um dos alvos principais da sua agenda antidesenvolvimentista, em particular, quanto à preservação da Amazônia no estado mais “natural” possível. Em um contexto em que o País obteve resultados gerais positivos, mais da metade dos entrevistados considerou que a importância ambiental global da Floresta Amazônica justifica restrições à soberania brasileira sobre a região. A pesquisa foi efetuada pela CNT/Sensus em 18 países (Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México, EUA, Portugal, Espanha, França, Itália, Inglaterra, Alemanha, Rússia, China, Japão, Índia, Líbano e África do Sul), tendo sido entrevistadas 7.200 pessoas.

Bem-vindos a 2012

Prognósticos sobre o fim do mundo têm sido recorrentes em períodos históricos caracterizados por crises que atingem a essência do processo civilizatório, em que o conjunto de referências que fundamenta as atividades humanas se mostra crescentemente disfuncional, sem que uma alternativa viável, mesmo existente, esteja contemplada nas agendas das lideranças de todos os setores – como é o caso da atualmente vivida pela Humanidade.

Agências de classificação ou de governo?

Há algo de perverso em se acompanhar na televisão os difíceis andamentos das reuniões de chefes de Estado e de governo sobre o futuro do euro e da União Europeia (UE), enquanto, na parte inferior da tela, se sucedem as últimas avaliações das agências de classificação de risco, proclamando os rebaixamentos iminentes de suas cotações. Nos últimos dias, as “três irmãs” ofereceram “gratuitamente” as suas avaliações para baixo para toda a zona do euro em conjunto.

México: novo escândalo com inteligência dos EUA

Abalado pelas revelações sobre a crescente atuação dos serviços de inteligência dos EUA no país, a pretexto do combate ao narcotráfico, o México se vê às voltas com um novo escândalo envolvendo os ativos vizinhos.

O Irã e a guerra dos drones

A captura de um sofisticado drone de reconhecimento estadunidense representa um duro golpe assestado pelo Irã, na guerra de baixa intensidade não declarada desfechada contra o país pelo eixo anglo-americano-israelense, devido ao seu polêmico programa nuclear. Poucos analistas e observadores do cenário internacional têm dúvidas de que Washington, Londres e Tel Aviv sejam as origens dos ataques cibernéticos, explosões em instalações militares e de pesquisa, atentados contra cientistas nucleares e outras ações semelhantes desfechadas contra o país, nos últimos tempos. Porém, a captura do Lockheed Martin RQ-170 Sentinel, uma das mais avançadas aeronaves não tripuladas do arsenal dos EUA, dotada de capacidade furtiva e dedicada a missões de inteligência eletrônica, demonstra que Teerã tem em mãos cartas bem mais valiosas do que suspeitavam seus adversários.

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