Energia: equívocos estratégicos

O planejamento estratégico do governo brasileiro no setor energético demonstra, de forma insofismável, que as lideranças nacionais responsáveis pelos processos decisórios parecem ter perdido a capacidade de pensar a longo prazo e por si próprias, sem se deixar enredar nos condicionantes externos em voga, como a ideologia e a agenda política do ambientalismo internacional. Este fato ficou evidenciado nas declarações de duas autoridades do setor, o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmerman, e o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, no 9º. Encontro Nacional de Agentes do Setor Elétrico (Enase), no Rio de Janeiro, em 8 de maio.

Governo anuncia PAC da Mobilidade Urbana

A presidente Dilma Rousseff e o ministro das Cidades Aguinaldo Ribeiro anunciaram, em 24 de abril, a lista de projetos contemplados pelo Programa de Aceleração do Crescimento – Mobilidade Grandes Cidades (PAC Mobilidade Urbana). Segundo dados do governo federal, 51 municípios em 18 estados estão incluídos nos planos de investimento, que beneficiarão uma população de 53 milhões de pessoas – que enfrentam dificuldades crescentes nos deslocamentos de casa ao trabalho.

México: o imbróglio anglo-espanhol da Pemex

A decisão soberana da Argentina, de retomar o controle majoritário da empresa energética YPF, provocou uma inusitada reação do presidente mexicano Felipe Calderón, que deixou de lado toda a cautela diplomática, para se pronunciar a respeito. Disse ele: “Ninguém em seu juízo perfeito investe em países que expropriam investimentos.” Com isto, quis reafirmar que seu governo se mantém fiel aos acordos de estilo neocolonial estabelecidos com os interesses anglo-americanos e seus espadachins espanhóis, que cavalgam em vários campos mexicanos, do financeiro ao energético.

Uma radiografia do “Sistema da Dívida”

Em uma entrevista publicada na edição de março do Jornal dos Economistas, do Conselho Regional de Economia (Corecon-RJ), que deveria ser lida por todos os brasileiros interessados no futuro do País, a auditora fiscal da Receita Federal, Maria Lucia Fattorelli, proporciona uma esclarecedora “aula” sobre o funcionamento das finanças públicas no Brasil e, mais especificamente, o controle do processo exercido pelos grupos dominantes. Para ela, este “Sistema da Dívida”, como o denomina, está no cerne da tendência à concentração de riqueza e renda prevalecente e não porporciona quaisquer vantagens ao País como um todo.

Bola da vez: Reino Unido mergulha na recessão

O Reino Unido se encontra oficialmente em recessão, a primeira desde 1975, com o anúncio de que a economia se contraiu 0,2%, no primeiro trimestre do ano, em seguida a uma contração de 0,3%, no último trimestre de 2011. A constatação representa um choque para o governo de coalizão do premier David Cameron, que, como seus colegas europeus, aposta em um plano de austeridade financeira para promover uma recuperação da combalida economia britânica.

Argentina se posiciona frente à “guerra por recursos”

Independentemente das motivações políticas imediatas da presidente Cristina Kirchner, a decisão de renacionalizar o controle da empresa petrolífera YPF, até então controlada pela espanhola Repsol, se insere em um contexto global bem mais amplo e tem uma relevância bem maior do que querem fazer supor as reações estridentes e simplistas de autoridades, especialistas dos mercados e comentaristas midiáticos, que ainda não se deram conta ou preferem ignorar a profundidade e os desdobramentos potenciais da crise sistêmica mundial.

São Paulo projeta hidroanel

Um estudo recém-divulgado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP) propõe a construção de um hidroanel de 117 km de extensão, para desafogar o trânsito na cidade de São Paulo (SP). A proposta alia o transporte hidroviário a obras para tratamento de lixo, combate a enchentes, despoluição dos rios Tietê e Pinheiros, criação de parques e ampliação da capacidade de fornecimento de energia e água na Grande São Paulo (Valor Econômico, 1/04/2012).

Brasil: harmonia de interesses em defesa da indústria

Em um futuro próximo, é possível que os historiadores venham a apontar a organização conjunta do “Grito de Alerta em Favor da Produção e do Emprego”, por entidades representativas do setor industrial e do movimento sindical, como um marco do amadurecimento da sociedade brasileira, no rumo da compreensão dos fatores relevantes para a evolução e consolidação de uma comunidade nacional baseada na harmonia de interesses, em lugar dos desacreditados conceitos da luta de classes e do individualismo exacerbado. De fato, não é todo dia que se veem caravanas de empresários e trabalhadores convergindo para uma manifestação com um objetivo comum: alertar para o processo de desindustrialização em curso no País, que não poderá ser revertido com medidas paliativas, como as do novo pacote de incentivos anunciado pelo Governo Federal.

China: crise do “comunismo de livre comércio”

Líder inconteste da expansão da economia mundial registrada nas últimas duas décadas, a China continua sendo a principal depositária das expectativas de crescimento global, no futuro próximo, principalmente, para países que, como o Brasil, veem o seu vasto mercado como indutor de um processo de expansão de exportações de matérias-primas e commodities. Entretanto, é de bom alvitre que os estrategistas econômicos e políticos que depositam grande parte ou a maioria de suas fichas no Império do Centro prestem a devida atenção a certos acontecimentos e tendências internos no país.

A ilusão da “inflação controlada”

Aparentemente, o governo do premier italiano Mario Monti tem contemplado a ideia da chamada “inflação controlada”, a sugestão de que se poderia obter um “abatimento” da dívida nacional por meio de uma taxa de inflação habilmente controlada. Trata-se da conhecida teoria dos economistas estadunidenses Kenneth Rogoff, ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), e Carmen Reinhart, segundo a qual, para se encurtar o período de “desalavancagem dolorosa” (redução da dívida) e de crescimento lento da economia, se poderia conviver com uma inflação moderada e controlada de 4-6% anuais, por vários anos.

Código Florestal: quem pagará a conta dos “incentivos” à preservação?

Os contribuintes brasileiros poderão ter que pagar a conta da preservação das áreas protegidas nas propriedades rurais, se prevalecer uma proposta feita durante as discussões sobre a reforma do Código Florestal no Senado. No último dia 15 de setembro, em um debate promovido pelas Comissões de Agricultura, Ciência e Tecnologia e Meio Ambiente do Senado, especialistas defenderam a proposta de criar um imposto para custear a bonificação de produtores rurais que se submeterem às restrições impostas pela legislação ambiental.

Brasil: movimento contra desindustrialização

“De um lado teremos o setor produtivo; do outro estarão os especuladores. Para que lado o governo irá?” A pergunta, feita pelo presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Wagner Gomes, sintetiza a questão crucial para a reversão do perigoso fenômeno da desindustrialização, que ameaça o País. Gomes se referia à crescente articulada mobilização das centrais sindicais e entidades empresariais, para um enfrentamento coordenado do desafio de sensibilizar a opinião pública e, principalmente, o Governo Federal, para a gravidade e urgência do problema (Abimaq – Clipping e Tendências, 28/02/2012).

Vladimir Yakunin e o desenvolvimento eurasiático

A crise econômica mundial pode ser vista como uma autêntic crise civilizatória dos modelos globais de inspiração ocidental, “o mundialismo, o consenso euroatlântico e a globalização”. Esta é a avaliação do engenheiro Vladimir Yakunin, que desde 2005 preside a megaestatal Ferrovias Russas, que controla toda a malha ferroviária nacional e é a maior empregadora individual do país. Yakunin a tem discutido em várias oportunidades, entre elas, na IX Sessão Anual do Fórum Público Mundial para o Diálogo de Civilizações, em Rodes, Grécia, entre 6-10 de outubro de 2011, à qual compareci como convidado.

Movimento Gota d’Água: inocência ou má-fé?

Assisti ao Globo News em Pauta, nesta semana, onde um representante do Movimento Gota D’Água, um ilustre e desconhecido ator/diretor de cinema chamado Sergio Marone, se apresentou defendendo a paralisação da construção da usina hidrelétrica de Belo Monte. Fiquei abismado com o desconhecimento do assunto por parte do dito senhor. Ele disse não ser especialista no assunto – e isso só bastaria para ele se abster de tecer qualquer tipo de comentário sobre o tema.

Rio+20 precisa enfocar desenvolvimento real

Independentemente do rótulo que se queira utilizar, as discussões sobre o desenvolvimento socioeconômico e seus impactos no meio ambiente precisam ser reorientadas para enfocar os requisitos de um processo de desenvolvimento efetivo, que coloque na pauta a perspectiva de estender a todas as nações do planeta os benefícios do conjunto de conhecimentos e possibilidades atingidos pela Humanidade no século XXI.

FAO quer evitar “enclaves agrícolas”

A Agência das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) está promovendo negociações entre os 192 países membros da ONU, para limitar a compra de terras por estrangeiros em todo o mundo. A intenção é estabelecer um código de conduta capaz de regular tais investimentos, cuja redação se encontra em uma fase avançada de negociações, visando impedir a prática da aquisição em massa de terras estrangeiras por empresas de certos países, em detrimento da segurança alimentar destes últimos.

Brasil: proteção e projeto nacional

A palavra “protecionismo” e suas variantes ganharam uma conotação anacrônica, como se quem a proferisse estivesse fora de sintonia com os ventos modernizantes da “globalização”. No Brasil, é comum verem-se editoriais e comentários midiáticos empregando-as de forma quase pejorativa, sugerindo que o seu uso já seria suficiente para se rotular alguém como um retrógrado ou saudosista de tempos idos. Não obstante, países com governos mais assertivos têm tomado medidas ostensivamente protetoras de seus setores produtivos, ou pelo menos parte deles, demonstrando que colocam seus interesses acima da retórica.

Haiti: real emergência global

A visita da presidente Dilma Rousseff ao Haiti tem o potencial de indicar uma reorientação da agenda brasileira para o país caribenho, deixando para trás o assistencialismo que caracteriza a agenda da “governança global”, para privilegiar o desenvolvimento soberano do país e enquadrando-o na categoria de real emergência global (ao contrário da agenda catastrofista que os ambientalistas pretendem defender na conferência Rio+20).

“Era da comida barata acabou”

A ultrajante frase acima foi proferida pelo presidente da multinacional Unilever, Paul Polman, durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. O executivo sustentou tal afirmativa com base no aquecimento global e no “esgotamento dos recursos naturais” que, segundo ele, seriam os principais fatores causadores do progressivo encarecimento dos alimentos nos últimos tempos (CarbonoBrasil, 26/01/2012).

Brasil: infraestrutura “na gambiarra”

Já se tornou lugar comum afirmar que as deficiências do sistema de transportes e logística constitui um enorme gargalo para o desenvolvimento brasileiro. A falta de investimentos públicos e privados, de segurança jurídica e clareza nas regras do setor, sem falar de uma visão estratégica e integrada sobre a infraestrutura, têm representado pesados óbices para a rentabilidade dos setores produtivos. Deficiente e cara, a infraestrutura de transportes nacional opera no “limite da gambiarra”, como a qualificou o diretor da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Bernardo Figueiredo.

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