Zumbi dos Palmares tinha escravos

Zumbi, o maior herói negro do Brasil, o homem em cuja data de morte se comemora em muitas cidades do país o Dia da Consciência Negra, mandava capturar escravos de fazendas vizinhas para que eles trabalhassem forçados no Quilombo dos Palmares. Também sequestrava mulheres, raras nas primeiras décadas do Brasil, e executava aqueles que quisessem fugir do quilombo.

Essa informação parece ofender algumas pessoas hoje em dia, a ponto de preferirem omiti-la ou censurá-Ia, mas na verdade trata-se de um dado óbvio. É claro que Zumbi tinha escravos. Sabe-se muito pouco sobre ele – cogita-se até que o nome mais correto seja Zambi mas é certo que viveu no século 17. E quem viveu próximo do poder no século 17 tinha escravos, sobretudo quem liderava algum povo de influência africana.

 

O hábito da escravidão também existia em África

Desde a Antiguidade, os humanos guerrearam, conquistaram escravos e muitas vezes venderam os que sobravam. Até o século 19, em Angola e no Congo, de onde veio a maior parte dos africanos que povoaram Palmares, os sobás se valiam de escravos na corte e invadiam povoados vizinhos para capturar gente. O sistema escravocrata só começou a ruir quando o Iluminismo ganhou força na Europa e nos Estados Unidos. Com base na ideia de que todos as pessoas merecem direitos iguais, surgiu a Declaração dos Direitos da Virgínia, de 1776, e os primeiros protestos populares contra a escravidão, na Inglaterra. Os abolicionistas apareceram um século depois de Zumbi e a sete mil quilômetros da região onde o Quilombo dos Palmares foi construído.

 

Palmares: um reino africano no Brasil

É difícil acreditar que, no meio das matas de Alagoas, Zumbi tenha se adiantado ao espírito humanista europeu ou previsto os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade da Revolução Francesa. É ainda mais difícil quando consultamos os poucos relatos de testemunhas que conheceram Palmares. Elas indicam o esperado: o quilombo se parecia com um povoado africano, com hierarquia rígida entre reis e servos. Os moradores chamavam o lugar de Ngola Janga, em referência aos reinos que já existiam na região do Congo e de Angola (significa “novo reino”, ou “novo sobado”).

 

O terror africano e o tráfico de escravos

Ganga Zumba, tio de Zumbi e o primeiro líder do maior quilombo do Brasil, provavelmente descendia de imbangaIas, os “senhores da guerra” da África Centro-Ocidental. Os imbangalas viviam de um modo similar ao dos moradores do Quilombo dos Palmares. Guerreiros temidos, eles habitavam vilarejos fortificados, de onde partiam para saques e sequestros dos camponeses de regiões próximas. Durante o ataque a comunidades vizinhas, recrutavam garotos, que depois transformariam em guerreiros, e adultos para trocar por ferramentas e armas com os europeus. Algumas mulheres conquistadas ficavam entre os guerreiros como esposas. «As práticas dos imbangalas tinham o propósito de aterrorizar a população em geral e de encorajar as habilidades marciais – bravura na guerra, lealdade total ao líder militar e desprezo pelas relações de parentesco» – afirma o historiador americano Paul Lovejoy. «Essas práticas incluíam a morte de escravos antes da batalha, canibalismo e infanticídio».

Tanta dedicação a guerras e sequestros fez dos imbangalas grandes fornecedores de escravos para a América. Lovejoy estima que três quartos dos cerca de 1,7 milhão de escravos embarcados entre 1500 e 1700 vieram da África Centro- Ocidental, sobretudo do sul do Congo. Como a aliança com os portugueses às vezes se quebrava, os guerreiros também acabavam sendo escravizados. Provavelmente foi assim que os pais ou avôs de Zumbi chegaram ao Brasil.

 

O reinado militar de Palmares

Entre os soldados que lutaram para derrubar o Quilombo de Palmares, o que mais impressionava, além da força militar dos quilombolas, era o modo como eles se organizavam politicamente. Segundo o relato do capitão holandês João Blaer, que lutou contra o quilombo em 1645, todos os quilombolas eram…

…«obedientes a um que se chama o Ganga Zumba, que quer dizer Senhor Grande; a este têm por seu rei e senhor todos os mais, assim naturais dos Palmares como vindos de fora; tem palácio, casas de sua família, é assistido de guardas e oficiais que costumam ter as casas reais. É tratado com todos os respeitos de rei e com todas as honras de senhor. Os que chegam à sua presença põem os joelhos no chão e batem palmas das mãos em sinal de reconhecimento e protestação de sua excelência; falam-lhe “majestade”, obedecem-lhe por admiração.»

 

A obtenção de escravos e a morte dos fujões

Para obter escravos, os quilombolas faziam pequenos ataques a povoados próximos. «Os escravos que, por sua própria indústria e valor, conseguiam chegar aos Palmares, eram considerados livres, mas os escravos raptados ou trazidos à força das vilas vizinhas continuavam escravos», afirma Edison Carneiro no livro «O Quilombo dos Palmares», de 1947. No quilombo, os moradores deveriam ter mais liberdade que fora dele. Mas a escolha em viver ali deveria ser um caminho sem volta, o que lembra a máfia hoje em dia. «Quando alguns negros fugiam, mandava-lhes crioulos no encalço e uma vez pegados, eram mortos, de sorte que entre eles reinava o temor», afirma o capitão João Blaer.

 

Cobrança de impostos pelos quilombolas de Palmares

«Consta mesmo que os palmaristas cobravam tributos – em mantimentos, dinheiro e armas – dos moradores das vilas e povoados. Quem não colaborasse poderia ver suas propriedades saqueadas, seus canaviais e plantações incendiados e seus escravos sequestrados», afirma o historiador Flávio Gomes no livro Palmares.

 

Zumbi reabilitado politicamente pela “esquerda” brasileira

Não dá para ter certeza de que a vida no quilombo era assim mesmo, mas os vestígios e o pensamento da época levam a crer que sim. Apesar disso, Zumbi ganhou um retrato muito diferente por historiadores marxistas das décadas de 1950 a 1980. Décio Freitas, Joel Rufino dos Santos e Clóvis Moura fizeram do líder negro do século 17 um representante comunista que dirigia uma sociedade igualitária. Para eles, enquanto fora do quilombo predominava a monocultura de cana-de-açúcar para exportação, faltava comida e havia classes sociais oprimidas e opressoras (tudo de ruim), em Palmares não existiam desníveis sociais, plantavam-se alimentos diversos e por isso havia abundância de comida (tudo de bom). «Nesta bibliografia de viés marxista há um esforço em caracterizar Palmares como a primeira luta de classes na História do Brasil», afirma a historiadora Andressa Barbosa dos Reis em um estudo de 2004.

 

Dizem até que Zumbi nasceu num convento… Invenção?

A imaginação sobre Zumbi foi mais criativa na obra do jornalista gaúcho Décio Freitas, amigo de Leonel BrizoIa e do ex-presidente João Goulart. No livro «Palmares: A Guerra dos Escravos», Décio afirma ter encontrado cartas mostrando que o herói cresceu num convento de Alagoas, onde recebeu o nome de Francisco e aprendeu a falar latim e português. Aos 15 anos, atendendo ao chamado do seu povo, teria partido para o quilombo. As cartas sobre a infância de Zumbi teriam sido enviadas pelo padre Antônio Melo, da vila alagoana de Porto Calvo, para um padre de Portugal, onde Décio as teria encontrado. Ele nunca mostrou as mensagens para os historiadores que insistiram em ver o material. A mesma suspeita recai sobre outro livro seu, «O Maior Crime da Terra». O historiador Claudio Pereira Elmir procurou por cinco anos algum vestígio dos registros policiais que Décio cita. Não encontrou nenhum. «Tenho razões para acreditar que ele inventou as fontes e que pode ter feito o mesmo em outras obras», disse-me Claudio no fim de 2008. O nome de Francisco, pura cascata de Décio Freitas, consta até hoje no «Livro dos Heróis da Pátria» da Presidência da República.

 

Mais cascatas da “esquerda” marxista

Também se deve à historiografia marxista o fato de Zumbi ser muito mais importante hoje em dia do que Ganga Zumba, seu antecessor. Enquanto o primeiro ficou para a história como herói da resistência do quilombo, seu tio faz o papel de traidor. Essa fama se deve ao acordo de paz que fez com os portugueses em 1678. Ganga Zumba, recebido em Recife quase como chefe de Estado, prometeu ao governador de Pernambuco mudar o quilombo para um lugar mais distante e devolver os moradores que não tivessem nascido em Palmares. Em troca, os portugueses se comprometeriam a deixar de atacar o grupo.

 

A imagem de bonzinho e de herói foi a que ficou

Os historiadores marxistas acharam a promessa de entregar os negros uma traição, que Zumbi teria se recusado a levar adiante. «A ele [Zumbi] foram associados os valores da guerra, da coragem, do destemor e principalmente a postura de resistir continuamente às forças coloniais», conta a historiadora Andressa dos Reis. «Esta visão de Freitas foi a imagem do Quilombo e de Zumbi que se cristalizou nas décadas de 1980 e 1990» [comenta a mesma historiadora]. Os poucos documentos do período não são o bastante para dizer que Zumbi agiu diferente de Ganga Zumba e foi mesmo contra o acordo de paz. Se foi, pode ter agido contra o próprio quilombo, provocando sua destruição.

Acordos entre comunidades negras e os europeus eram comuns na América Latina – e nem sempre os quilombolas cumpriram a promessa de devolver escravos. No Suriname, o quilombo dos negros chamados saramacás respeitou o acordo de paz com os holandeses. Esse grupo, que o historiador americano Richard Price considera a «experiência mais extraordinária de quilombos no Novo Mundo», conseguiu manter o povoado protegido dos ataques europeus. Tem hoje 55 mil habitantes.

Leandro Narloch

Observação do Editor

Devo lembrar ao prezado Visitante Desconhecido que minhas observações, neste post e em outros que apresento neste blog, não têm nenhuma conotação racista – o que assim, certamente, será interpretado pelos ativistas da cultura afro-descendente. Tenho, ao contrário, grande admiração pela raça negra, tendo sido, há muitos anos atrás, inclusive, noivo de uma mulher negra, e só não casei com ela devido a não ter conseguido resistir às pressões contrárias de minha própria família – o que provou, para mim, já naquela ocasião, a existência, embora cinicamente contestada, do racismo que existe no Brasil. Em outra ocasião, fui assessor da diretoria da Estação Primeira de Mangueira, o que também prova minha admiração pela cultura negra. Enfim…

O que pretendo com essa série de artigos é desmistificar a imagem de vítimas do povo africano que os ativistas da cultura negra tentam incutir na mentalidade do povo brasileiro, e com isso, minimizar as consequências dessas ações no que diz respeito às reivindicações daqueles que se dizem descendentes diretos dos negros africanos e que, numa clara farsa, reivindicam coisas às quais não têm o menor direito e, pelo contrário, coisas essas que eles mesmos, os negros, contribuiram para acontecer – e que hoje conhecemos como a escravidão e, na atualidade, surge como o movimento dos “quilombolas”.

Este movimento, juntamente com o movimento das “cotas raciais”, para os que não sabem, é diretamente ligado ao movimento indigenista internacional, que visa a separação das nações tendo como base a raça. Isso, sim, é racismo, e, além de contribuir para o atrito entre as diversas raças que constituem a nação brasileira, ainda faz com que se corra o risco de haver verdadeiras divisões territoriais no Brasil. É o que se chama de “balcanização” do Brasil, termo que é uma alusão à divisão territorial que ocorreu na antiga Iugoslávia – nos Bálcãs – divisão essa baseada na separação étnica e religiosa. Eu não quero que isso aconteça no Brasil.

 

Créditos e o livro a ler: Este post é parte do capítulo «Agradeçam aos Ingleses», do livro «Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil», da autoria de Leandro Narloch (Leya/Textos Editores Ltda.). Introduzi subtítulos no texto para facilitar e incentivar a leitura.

Imagens: nalinguadoju.wordpress.com; diariodecontagem.com.br; nartube.net

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Comentários

14 Comentários em “Zumbi dos Palmares tinha escravos”
  1. WHD disse:

    Excelente post!

    Você pensa como eu e procura saber a veracidade de certos fatos históricos. Aprecio isso. No Brasil poucos possuem coragem o suficiente, e digo coragem porque no Brasil a censura sobre pontos cruciais é exagerada, na maioria das vezes. Não se pode mais ter liberdade de se expressar contrariando alguns, mesmo sabendo que ninguém é obrigado à concordar, sem antes sermos chamados de nomes de baixo calão e rótulos como: racista, nazista etc…

    Infelizmente o que ocorre no Brasil (e talvez somente aqui, já que muitos países possuem pontos de vistas concretos e irredutíveis sobre o assunto) é um uso de inferioridade de pessoas brancas já que são tidas popularmente como más e que tem que carregar nas costas uma culpa desnecessária e absurda. Às vezes me revolta saber que nas escolas brasileiras já ensinam certas mentiras à respeito disso. Talvez eu esteja exagerando, por isso vou empregar a palavra Omissão. Eu mesmo tive que aguentar calado certas omissões durante minha vida escolar. Mas jamais ignorei minha curiosidade. E amigo, uma qualidade representativa do ser humano é a curiosidade. Quem é curioso é propenso a descobrir mais e se livrar de certos paradigmas impostos por uma sociedade hipócrita como a nossa. Logicamente não ignoro o sofrimento dos negros mas também não ignoro o sofrimento de brancos e até mesmo de indígenas. Cada antepassado sofreu arduamente para hoje estarmos aqui num mundo diversificado, porém cheio de omissões e chantagens o que contraria o súor de cada antepassado de todos os povos.

    Para viver no Brasil nescessitamos de paciência mesmo quando estamos certos, já que muitos são “robôs” manipulados de um sistema injusto e destrutivo que visa somente interesses políticos e monetários… Creio eu que o vitimismo atrapalha muitos a evoluirem e que desperta sempre um certo desconforto e sentimentos diversos como pena, ódio, revolta,conformismo, aceitação… No meu caso apenas me instiga a revolta de não poder viver em um país que prega a igualdade e que ignora certos pontos vitais em relação à outras raças as tratando com certo descaso acerca de uma visão ampla de conhecimento e orgulho… Brasil jamais poderá ser igual enquanto não houver controle em certos assuntos como esse. Eu pretendo sair do país por achar que o termo: lei de expressão não é o que realmente parece ser e que é mal atribuído já que muitos preferem “apedrejar” e impedir aqueles que são curiosos e que acreditam em convicções diferentes. Irei também sair por outros motivos pessoais, mas um deles foi o que citei. Não posso viver em um país onde cria um herói falso e ignora outros heróis somente por interesses e certo apreço por pessoas que não conhecem os dois lados da moeda…Como vou criar meu futuro filho lhe empregando uma culpa absurda como a escravidão? Como vou dizer para ele que somente uns podem se orgulhar de nascer de um jeito e outros não? Como vou poder lhe ensinar sobre seus antepassados e seus feitos sem antes me rotularem de vários nomes? Como vou poder falar em liberdade de expressão, que é direito de todo cidadão, se querem omitir e impedir cidadãos de se expressarem conforme sua cultura e aprendizado?

    São perguntas como essas que me fazem acreditar que muitos brasileiros querem aceitar tudo que falam por aí por um sentimento chamado pena e que é atribuído erroneamente…E eles reagem imediatamente sem saber o que realmente é e do que realmente se trata. Zumbi dos Palmares jamais foi herói algum, mas os que fizeram dele um herói são os mestres em hipnotizar pessoas… Os negros possuem também certa culpa e muitos ainda terão que engolir mesmo sendo a verdade…Cabe a cada um acreditar ou não, mas quem não procura saber de sua história está condenado a repetí-la…

    Lembre-se dessa frase:

    “Uma mentira contada mil vezes, torna-se verdade”

    Visitei seu espaço para poder opinar e me desabafar um pouco. Mais uma vez digo que você foi excelente em seu post e peço que jamais deixe se abater por pessoas que desconhecem e ignoram as verdades. Obrigado.

  2. Dora dos Santos disse:

    Olá!Gostaria de saber em que fontes consiguestes estas informações gostaria de procurar,as documentações estão na Biblioteca Nacional ou em Maceio.Por que todo o fato deve ser comprovado por documentaçãos ou registros fotograficos.

    • Husc disse:

      Dora:
      As fontes são fornecidas no rodapé do texto. Compre o livro ali indicado. Está nas livrarias.
      Registros fotográqficos, entretanto, vão ser difíceis… Não me consta que, naquela época de Zumbi, a fotografia já estivesse assim tão difundida…
      Saudações.
      Husc

  3. Rodrigo disse:

    Desculpe, mas uma pessoa que ainda defina humanos em “raças” prova ser falto em conhecimento.
    Tentar justificar a escravidão como culpa dos negros é ridículo e chega a ser infantil, ainda mais quando a fonte principal é um livrinho feito pra causar polêmica de um autor que é lacaio da Veja.
    O fato de nações africanas terem escravos justifica o tráfico escravista brasileiro? Existem diversas formas de escravidão, na Grécia clássica eles eram os encarregados da educação das crianças, o escravismo colonial brasileiro foi muito mais cruel do que pode ter sido o africano (não que a escravidão se justifique em algum caso) o que acontece é que no período colonial brasileiro diversos negros foram trazidos ao brasil pra se tornarem escravos, considerados mercadorias e não homens e como a própria Igreja os definia “sem alma”. após a “abolição” o negro continuou sendo desprezado e conceituado como “inferior” de uma cultura pior, isso sem falar na exclusão político-econômico-social.

    • Husc disse:

      Rodrigo:
      Não adianta tentar desqualificar o autor. Aliás, esta é uma técnica de quem não tem argumentos. Por outro lado, tentar também “qualificar” outras formas de escravidão é uma atitude indefensável.
      Nada justifica a escravidão, nem o tráfico, obviamente. O problema não é esse, defender ou não a escravidão, muito menos quem a pratica ou não. O problema está em culpar, exclusivamente, o homem branco pelo tráfico e a sociedade brasileira de então (e a de hoje) por essa prática. Em primeiro lugar, hoje, nós não temos culpa de, naquela época, existir a escravidão e, por isso, a sociedade de hoje não deve nada a ninguém pela escravidão de outrora. Em segundo lugar, se temos que culpar alguém, temos que culpar, igualmente, os negros, que, eles mesmos, foram os maiores incentivadores da escravidão negra, não só para as Américas, mas para muitas outras partes do mundo. Lembre-se de que, quando a escravidão foi abolida, os africanos enviaram uma comitiva à Europa para protestar contra o término do tráfico. Assim, os negros não foram uns coitadinhos, pelo contrário. E hoje, por sua parcela de culpa na escravidão negra, eles não têm o menor direito de reivindicar nada. Têm culpa no cartório. Essa é a questão.
      Divinizar Zumbi como o salvador dos negros de outrora, não só é uma mentira histórica, como uma grande hipocrisia. Da mesma forma, dar direitos a quilombolas pelo simples fato de eles serem descendentes de negros, não lhes dá o direito a nada, muito menos às áreas que eles pleiteiam. Se for assim, quase todo brasileiro deve ter o mesmo direito, pois muitos poucos não têm um pezinho na África, inclusive eu. Minha bisavó era filha de escravos na Bahia e pegou a Lei do Ventre Livre…
      Só é inferior quem se sente e acha que é inferior…
      Saudações
      Husc

  4. José da Silva disse:

    Racismo e miscegenação racial não são a mesma coisa; são coisas muito diferentes, mas ambas são condenáveis.

  5. MZ disse:

    No estudo de Ney, surpreende a relação que este faz entre a procura desenfreada pelo lucro e o fato de que, conforme publicou a revista Der Spiegel em 1998, “O comércio de escravos estava nas mãos de judeus”.

    “Não existe mais dúvidas de que o povo judeu foi o que cometeu este crime: eles tinham o monopólio, eles conservavam as condições comerciais, eles possuíam os navios, e era deles o lucro. Aqui não há mais nada a provar. Tudo é conhecido. O último navio de escravos, o navio ORION, pertencia à companhia de navegação judaica Blumenberg, de Hamburgo”.

    Em 1991, a comunidade religiosa norte-americana composta de cidadãos negros, The Nation of Islam, publicou um estudo sobre a atuação judaica no tráfico negreiro. A obra levou o título de The secret Relationship between Blacks and Jews e aparenta ser bem fundamentada e documentada. Os autores do estudo deixam bem claro logo no início:

    “As informações aqui contidas foram obtidas principalmente de obras judaicas. Foi dada bastante importância na obtenção das provas apresentadas somente a partir de autoridades judaicas de renome, cujas obras apareçam em revistas de história especializadas ou publicadas pelas principais editoras judaicas”.

    “No fundo dos inacessíveis contornos da historiografia judaica, encontra-se provas incontestáveis de que os mais importantes “bandeirantes” judeus ultrapassavam em dimensão bem maior do que outros grupos étnicos ou religiosos da história, o uso dos escravos africanos capturados, e que eles participavam em todos os aspectos do comércio internacional de escravos”.

    Gilberto Freire, “Casa Grande e Senzala”, 2ª edição, 1936:

    “No norte, os senhores de engenho viviam endividados, presos à usura judaica. O judaísmo os manobrava e forçava a lançar mão do operário africano, que os negreiros, também enfeudados a Israel, iam buscar do outro lado do Oceano Atlântico.

    “Jacob Roggeveen (1 de fevereiro de 1659, Middelburg – 31 de janeiro de 1729, Middelburg) era um holandês explorador que foi enviado para encontrar a Terra Australis , mas em vez me deparei com a Ilha de Páscoa por acaso.”( Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre)

    O “engraçado” é que os judeus sempre chegam por acaso nos lugares onde já teriam altos negócios funcionando. “ Jabob, como o próprio nome o revela era um judeu sefardita que levou quase toda a toda a população nativa da Ilha de Páscoa, para escravizá-la em suas fazendas no Chile.

    A Compainha Holandesa das Índias era uma empresa com navios totalmente dedicados ao tráfico de escravos.
    Qualquer historiador honesto e que não tenha sido financiado pelo capital judaico ou lhe deva favores pode muito bem comprovar isso muito facilmente, nem é preciso para isso seu uma sumidade no assunto devido as evidências abundantes.

    • Husc disse:

      MZ:
      Obrigado pela colaboração.
      Gostaria de publicar esse seu texto, mas é necessário mais informações sobre suas fontes (ex: quem é “Ney”?) e também sobre sua pessoa. Fontes são imprescindíveis na blogosfera. Espero que compreenda. O texto está bem escrito, o que indica sua boa formação.
      Saúde, prosperidade e sabedoria.
      Husc

  6. Fernando disse:

    Não me importo realmente com a existência de um dia da consciência negra. Mas me importo com algo que julgo estar balizando parte das “lideranças negras” brasileiras.

    Nos EUA o ódio entre as raças tornou-se um ativo político bom demais para ser desperdiçado. Atualmente, pessoas ganham votos (portanto, poder e grana) mantendo viva a chama do ódio racial. Outros são sustentados por ONGs e entidades civis que só podem manter-se a custa do ódio. É uma arapuca, uma situação da qual não se sai sem muita inteligência. Se a armadilha não for demontada (com todo custo político que isso implica) esse ódio permanecerá.

    Muitos teem a impressão de que parte da liderança dos movimentos negros (com forte apoio do pt e pmdb) pretendem criar esse mesmo tipo de ativo político por aqui. Algo do tipo “já que racismo é inevitável, vamos incentivar o crescimento de racismo negro, para as coisas ficarem equilibradas”. Tenho pessoas brancas e negras entre meus parentes e simplesmente não aceito esse tipo de “estratégia” política.

    Tem um blog que critica essa questão do racialismo e há algumas lidranças negras preocupadas com o rumo que as coisas estão tomando:

    http://noracebr.blogspot.com/

    Deixo a seguinte sujestão: Façam o que acharem melhor para resolver as questões de menor oportunidades dos pretos e mestiços (eu, particularmente acho que a qualidade da educação básica faz parte do cerne da questão), mas evitem a todo custo entrarem na arapuca da indústria do ódio. Quando houverem muitos políticos e “líderes comunitários” percebendo que ódio lhes traz vantagens, então será tarde demais, será muito mais trabalhoso (e custoso) desmontar a armadilha.

    • husc disse:

      Sr. Fernando:
      Obrigado pelo contato e desculpe por demorar a responder. O Sr. não faz ideia da quantidade de comentários que tenho que responder.
      Muito bem.
      É isso mesmo. O Sr. tem razão. É uma arapuca, baseada na crença da ingenuidade dos negros no problema da escravidão e em sua pretensa inocência. Eles não são inocentes.
      O jeito que encontrei para tentar minar essa política odiosa, racista, é mostrar que, justamente, suas bases filosóficas e políticas são falsas. Os negros não são coitadinhos. Têm tanta culpa na escravidão quanto os brancos, senão maior.
      Não cabe dizer que eles são coitadinhos para promover a separação no seio da sociedade brasileira com base em raça.
      Os negros não podem almejar nenhum tipo de benefício especial por parte da sociedade baseado no fato de que eles foram vítimas dos brancos. Não foram. Eles bancaram a escravidão, lutaram pela manutenção da mesma e brigaram quando foi abolida. Por eles, haveria escravidão no Brasil até hoje – como há até hoje na “Mãe-África”!
      Por outro lado, as ONGs boazinhas que estão por trás dos movimentos racistas e quilombolas são as mesmas que promovem o indigenismo, e com isso, a separação do Brasil em vários pedaços baseados nas raças. Essas ONGs e esses lmovimentos quilombolas e indigenistas são inimigos da nação brasileira e devem ser combatidos.
      Vida longa, prosperidade e sabedoria.
      Hasta siempre.
      Husc

  7. Maria disse:

    Sr. Husc,
    Eu também não sou a favor de nenhuma separação, mas o sr. deveria ler mais sobre a história dos negros desde que eles foram trazidos à força para o nosso país. Há muitos bons livros sobre o assunto. Que liberdade tem um ser humano sem terras e sem direitos? Até seus ritos religiosos eram perseguidos e proibidos, daí nasceu o samba, menos mal. Quando o sr. se informar mais sobre a trajetória dos negros no nosso país, talvez o sr. mude de idéia ao dizer que eles são culpados pelo que aconteceu e acontece a eles. Se não… Busque dados em institutos de pesquisa e no próprio IBGE, o sr. verá que a desigualdade e a diferença entre negros e brancos com relação à oportunidades, salários melhores, moradias, enfim, cidadania, é ENORME, e a resposta está na história. Até na Pastoral da Criança, gestante negra tem prioridade no atendimento e isto, deve-se a dados, meu amigo, que não mentem.
    Se Zumbi tinha escravos e era cruel ou não é irrelevante. Cultuemos João Cândido, José do Patrocínio, Clementina de Jesus, Pixinguinha, tanto faz. Pois os heróis que conhecemos nos livros de história também foram forjados pelos criadores da Ordem e Progresso, mas precisamos de heróis negros sim, assim como de ações afirmativas como as cotas ou etc, para corrigir erros e mais erros cometidos contra os negros no nosso país.
    Meu amigo, acorda, foi outro dia que começamos a ver negros em novelas sem ser de época ou sem fazerem papel de domésticos; que surgiu cosméticos e perfumaria para peles negras e morenas e cabelos crespos; que começamos a ver negros trabalhando em bancos ou lojas de shoppings; apresentadores de televisão ou telejornais negros; modelos negras; negros em comerciais ou como garotos-propaganda; bonecas negras nas lojas; negros no ministério etc. E, no entanto, ainda é uma minoria, ainda é muito pouco, porque no Brasil o preconceito é inconsciente, escondido, mas difícil de combater. São 500 anos desse pensamento colonialista-escravista que não morreu, está dentro de cada um. Por esta razão, talvez você encontre um negro racista, claro, ele vive nessa sociedade e recebeu e sentiu os preconceitos como todos os que estão inseridos nela.
    Quantos programas de televisão brasileiros o sr. conhece onde todos sejam negros ou morenos e sem estereótipos? Conte. Vai se surpreender. Os EUA tem bem menos negros que o Brasil e, convenhamos, são muitos os protagonistas negros, há também asiáticos e latinos. E no Brasil?
    Meu amigo, o sr. precisa ler mais, está muito mal informado, muito, compreensível, não deve ser negro, nem moreno e com a comum incapacidade de se por no lugar dos outros a ponto de observar detalhadamente o que acontece a sua volta.
    Sabe o que mais? Se você não se casou com a tal noiva, foi porque o preconceito estava dentro de você, embutido em ‘n questões racionais, a mente humana trai… Essa foi a desculpa que sua mente deu ao sr. para ocultar seu preconceito. Normal. Todos os que o tem sempre fazem questão de dizer que tiveram um namorado, uma noiva, etc, a falácia é idêntica.
    Leia mais, leia mais.

    • husc disse:

      D. Maria:
      Antes, obrigado mais uma vez pelo contato.
      Não tenho o menor interesse na história dos negros, dado que este site não trata disso, mas de ambientalismo, indigenismo (quilombolismo aí inserido) e governança mundial.
      Se os negros vieram à força, esta foi exercida, antes, pelos próprios negros africanos dominantes, que vendiam homens e mulheres das tribos vencidas aos capitães dos navios que aportavam em África.
      Não vou mudar de idéia sobre a culpa dos próprios negros quanto à escravidão, e repito: não tenho a menor vontade de me informar mais sobre a “trajetória” dos negros em nosso país.
      O fato de Zumbi ter tido escravos e ter sido cruel é irrelevante? Cultuar um falso herói, déspota, assassino (ele mandava matar quem fugisse do quilombo) é admissível? Guardadas as devidas proporções, será que cultuar a memória de Hitler seria correto?
      D. Maria, este não é um site sobre racismo. Acho que a Sra. está no endereço errado. Se a Sra. visitou o post sobre Zumbi dos Palmares e não deu uma olhada no resto do site, entenderei suas preocupações étnicas – as quais não discutirei aqui. Leia mais, D. Maria, leia mais…
      Quando mostro que os negros não são uns coitadinhos e que têm culpa no cartório, faço-o a fim de minar os argumentos dos quilombolas – mormente quanto à falácia e o mito de que os quilombos eram a salvação dos negros. Não eram. Muitos negros que recorriam aos quilombos se arrependiam, e, quando fugiam, eram perseguidos e assassinados.
      O quilombolismo, assim como o movimento pelas cotas raciais, são movimentos racistas e separatistas, que só prejudicam a nação brasileira. Quem se baseia em raça para reivindicar qualquer coisa, para proibir ou para ter algum direito especial, esse sim, é racista, não se esqueça disso.
      Aliás, a Sra. é negra, D. Maria? Sua revolta mostra que o preconceito está dentro da Sra., embutido em questões racionais… A mente humana trai… Palavras suas, D. Maria.
      A propósito, já escrevi isso neste site: minha bisavó por parte de mãe era baiana, negra, e foi beneficiada pela lei do ventre livre… Minha tataravó era escrava. Satisfeita, D. Maria?
      De resto, sem comentários. Ah! Até que a Sra. escreve direitinho. Parabéns.
      Vida longa, prosperidade e sabedoria.
      Hasta siempre.
      Husc

  8. celio disse:

    Nota se pelos comentários que esse site é altamente racista e movido pelo ódio contra Indios e Negros. Mas ao menos o site é honesto e aberto ao publico e trás a luz do dia suas idéias. O brasileiro em geral odeia os Indios e Negros. Adorariam exterminar o que resta dos Indios e Escravizar de volta os Negros. Claro que sem as ONGs internacionais os Indios já teriam sido exterminados. A salvaguarda dos Indios são as ONGs internacionais. O carater do brasileiro é muito baixo e pernicioso pra entender isso. Normalmente são ladrões e nem se notam. E nem se preocupam quando outros brasileiros estão a roubar….São ladrões naturais.

    • husc disse:

      Sr. Celio:
      Parece que o Sr. não entendeu nada do que diz respeito a este site. Ele trata do ambientalismo, indigenismo e da governança global. Ou seja: o ambientalismo radical e o indigenismo são, na realidade, ferramentas utilizadas pelas grandes oligarquias internacionais para que estes cheguem à governança global.
      O movimento quilombola é uma nova vertente do indigenismo, pois tem as mesmas origens geopolíticas. Assim como o indigenismo, o “quilombolismo” é uma ação que se desenvolve com o intuito de se criar enclaves raciais – verdadeiros pequenos estados, independentes, dentro do Estado brasileiro. Foi o que aconteceu na Iugoslávia, nos Balcãs, sob a ação da OTAN, dividindo aquele antigo país em vários – daí o nome: “balcanização” de um país, quando esse processo de secessão acontece.
      Não sou racista, nem tenho ódio contra negros ou índios. Minha descendência, por parte de mãe, vem da Bahia, onde minha tataravó era uma escrava negra, tendo minha bisavó conseguido os benefícios da lei do Ventre Livre. Já fui noivo de uma negra, e o casamento só não aconteceu por motivos de divergências entre nós dois.
      O que eu pretendo neste site, tratando do movimento quilombola dentro da categoria “Indigenismo”, é tentar desmistificar o conceito de que os negros são uns coitadinhos e que só aos brancos cabe a culpa pela escravidão. Os negros não são coitadinhos e têm, de fato, muita culpa no cartório. Quando a Inglaterra se empenhou em acabar com o tráfico de escravos através do Atlântico, uma comissão de reis africanos foi a Londres protestar. Os ashantis, tribo dominante em certa região africana, eram, como relatam os cronistas da época, “cobertos de ouro”, de tanto que ganhavam dinheiro vendendo prisioneiros aos capitães dos navios negreiros. Os negros, portanto, nada têm de coitadinhos nem de inocentes nesse assunto.
      O que aconteceu aqui, é que uma certa parcela da esquerda brasileira – aquela, que ficava tomando wiskie 12 anos no Alvaro’s, discutindo as misérias do mundo – achou que os quilombos poderiam significar uma atitude de revolta e de refúgio contra a dominação portuguesa, e isso foi tomado ao pé da letra e isso ficou como imagem principal, junto à nação brasileira, dos quilombos.
      Acontece, Sr. Celio, que aqueles intelectuais do wiskie não diziam, na realidade, o que era um quilombo. Eram locais de refúgio? Sim, eram, mas em que condições? Os chefes quilombolas, como o Sr. Zumbi, fraziam dos quilombos verdadeiroe reinados, reinados de terror, militarizados e… cercados de escravos,… como exatamente faziam na África. E quem tivesse a infeliz idéia de fugir dos quilombos era perseguido e, sumariamente, morto. Assim eram os quilombos. Assim era o Quilombo dos Palmares.
      De forma que, Sr. Celio, não se trata de racismo. Trata-se de colocar essas verdades inconvenientes a público, a fim d enfraquecer este movimento quilombola que só contribui, na verdade, assim como o das cotas raciais, para acirrar o racismo em nosso país.
      Não devemos separar, Sr. Celio. Devemos unir. Os negros e índios, ao contrário do que pretendem aqueles que querem a divisão de nosso país, devem se integrar o mais possível à civilização brasileira, e rejeitar a idéia de viver em guetos, na miséria, sem atendimento e proteção adequados do Estado. Não estamos mais no período neolítico, Sr. Celio. Pensar em reativar os quilombos, assim como eternizar o atraso cultural indígena, é ter uma mente neolítica.
      As ONGs internacionais, assim como as nacionais que se dedicam ao movimento indigenista e agora ao quilombolismo, não estão nem aí para índios e negros. Elas usam essas pessoas como massa de manobra para atingir os objetivos das oligarquias internacionais em manter os países internamente desunidos com o intuido de dominá-los e tomar deles (de nós, Sr. Celio), as nossas riquezas naturais. Essa é que é a verdade que se esconde atrás das, aparentemente, nobres pretensões das ONGs estrangeiras das quais o Sr. tanto parece gostar.
      Se aprume, Sr. Celio. Abra os olhos. Não confie na mídia. Leia. E só assim o Sr. saberá como é que a banda toca…
      Saúde, vida longa e sabedoria.
      Husc

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